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MÃE COM M DE MULHER!

maternité Chagall 2Dias das mães! O que escrever de forma original, interessante tocando a emoção (e a razão) de quem lê este blog? Diante de tudo que já foi escrito e dito, o melhor seria passar batido pela data, deixando para os Drummond e Quintana da vida (para citar dois poetas que escreveram sobre a mãe), a função de homenagear a todas.  Também não dá para competir com o comércio em mensagens piegas e emotivas, cujo objetivo final é o de emocionar para vender mais. Ou ainda, enveredar pelo caminho da erudição, falando sobre a mãe através dos tempos, no pensamento filosófico ou psicanalítico. Afinal de contas, sou um pediatra e desses temas não entendo nada. Mas aí é que reside o meu dilema. Como pode um pediatra não enfrentar o desafio de escrever algo original, interessante e que possa tocar a emoção (e a razão) de quem lê este blog?  Me ocorre relatar um pouco do que vejo no meu dia a dia com mães, pais e filhos, tentando fugir do lugar comum.  Veremos no que isso vai dar!

Atualmente, a dinâmica familiar pode ter diversas configurações como por exemplo: mães e pais, avós ou outros familiares que substituem os pais, pais adotivos, mães solteiras, casais homoafetivos, relacionamentos poliafetivos e, eventualmente, outras que ainda se formarão. A maternidade não é exclusiva da descendência biológica, nem do gênero feminino, sendo, antes de tudo, uma atitude diante do filho e um processo no dia a dia da vida. Apenas para facilitar meu trabalho de escrever e o do leitor de ler, vou utilizar as palavras mulher e homem, deixando claro que me refiro a funções que podem ser exercidas por qualquer pessoa, de qualquer gênero, que tenha o vínculo afetivo e amoroso que caracteriza esta relação especial.

No princípio, era uma mulher. Certo dia, esta mulher conhece um homem e desse encontro, em algum momento, acontece uma gravidez. Agora, temos uma mulher com um bebê que cresce na sua barriga. E assim seguem os meses, com a mulher carregando o seu bebê. Um dia, a mulher se vira para o homem e diz- é hoje (esta história se passa no tempo em que não havia data marcada para o nascimento)!  E, no exato dia em que nasce o filho, a mulher se transforma em mãe. Sei que os leitores radicais me dirão que esta mulher já era mãe durante a gravidez. Peço a estes que sejam generosos e me deem o direito a uma certa licença literária, sem entrar na polêmica de quando uma mulher vira mãe. Mas, todos concordamos que, no princípio era uma mulher.

Aqui a história toma um novo rumo. Ao invés de percorrer o clássico conto onde a mãe embevecida acolhe com um amor inédito seu bebê (o que é absolutamente verdadeiro), a notícia é de um sequestro! A manchete nos jornais informa:

“FILHO SEQUESTRA MULHER E A TRANSFORMA EM MÃE!”

Aquela mulher que com seu companheiro levava uma vida “normal”, trabalhando, se divertindo, fazendo suas coisas, saindo com amigos, namorando, viajando, se vê, subitamente, em “cárcere privado”! Sua vida passou a ser definida pela necessidade do bebê. Aquela mulher dormia à noite e agora, já mãe, aprende a dormir fragmentadamente, duas horinhas à tarde, uma hora de madrugada e assim, todos os dias. Aquela mulher que tinha ânimo para fazer ginástica, ir ao cinema, sair para tomar um chope, agora, já mãe, se vê num ciclo interminável de peito, fralda, colo, choro, peito, fralda, colo, choro…. e olheiras!  E, quando vai ao pediatra, acompanhada pelo pai (sim, aquele que era o companheiro, agora é pai!), silenciosamente suplica com o olhar: doutor, isto vai acabar um dia?

O que é mais curioso nesse sequestro é que ele é celebrado por todos. Apavorada, percebe que ninguém se deu conta do sequestro da mulher e só falam, com alegria e orgulho da mãe! E a mãe, em geral, está encantada, sentindo uma forma única de amor por seu filho, um afeto ímpar e inédito. Mais, pode ter muito prazer em amamentar, trocar fraldas, acalentar e consolar o choro, descobrindo uma vitalidade que desconhecia ter (o termo moderninho seria resiliência)!  É uma variante da Síndrome de Estocolmo, onde a vítima passa a nutrir grande simpatia por seu sequestrador! A mãe acaba por convencer à mulher que ela nunca existiu, era uma fase passageira ou ainda uma ilusão.  Nesse sentido, a celebração do dia das Mães, corre o risco de reforçar essa noção de que quando uma entra em cena (a mãe) a outra, obrigatoriamente tem que sair (a mulher).

Meu ponto com essa ficção que espero seja lida como bem-humorada é que no princípio era uma mulher e que esta será sempre uma mulher. Ser mãe se soma ao ser mulher, sem nenhuma necessidade de exclusão. É claro que nos primeiros meses, o bebê precisa da mãe e a mulher, entendendo isso, cede o palco para esta. Mas, mesmos nesse período, a mulher não deve se recolher ao camarim.  Pode e deve entrar em cena, de tal forma que a plateia nunca esqueça da mulher que deu origem a tudo. Não deve competir com a mãe que nela habita, porque sabe que nos atos seguintes, voltará a brilhar e ter destaque. Não precisa “brigar” com a mãe que se tornou, no ato em que esta é a figura mais marcante em cena. Equilíbrio difícil, mas importante.

Ao pai ou quem desempenha essa função, cabe um papel importantíssimo nesse enredo. Quando a mãe entre em cena, o pai surge como um guardião daquela dupla (mãe-bebê). Cuida do em torno, da proteção, física e psíquica. Garante que a nova dupla tenha as condições necessárias para que tudo corra bem nesses primeiros meses de vida. Nesse sentido, não é apenas um ator coadjuvante, aquele que, nos programas de humor, chamam de “escada”. Mas, passado esse momento inaugural ou inicial, que não tem uma data precisa, mas que estou “didaticamente” colocando em torno do sexto ou sétimo mês de vida do bebê, esse pai deve reassumir mais intensamente seu papel de marido, companheiro, homem.

Caberá ao homem um papel importante, ajudando, ao mesmo tempo à mãe recuperar plenamente sua condição de mulher e à criança as condições para se desenvolver de forma plena. Sem a transformação da relação de dupla (mãe-filho) em trinca (mulher-homem-criança), podem não se dar as condições para que a criança desenvolva sua capacidade de tolerar a frustração, se auto consolar ou em linguagem mais simples e direta, se virar sozinha. É colocando limites ou usando uma expressão um pouco mais forte, estabelecendo a interdição da mãe e de espaços (reais e metafóricos) que o pai ajuda tanto à criança, quanto à mulher. É desse movimento de adaptação dinâmica de todos, que se resolve o sequestro e se restitui à mãe a condição de mulher, sem a perda da maternidade. À criança, se dá o espaço para que desenvolva sua identidade, sem a perda do pertencimento à família.

Em nada, esta história diminui a beleza e intensidade da maternidade. De forma alguma minimiza a importância vital do amor maternal que dura a vida toda e persevera nos filhos, mesmo depois que a mãe se foi. Afinal de contas, eu poderia também dizer que, para cada um de nós, no princípio era a mãe!

 Meu carinhoso abraço a todas as mães, mulheres generosas que tecem nossas vidas com fios de amor.

RECEITA DE MÃE

cooking love3Tudo começa com uma mulher. Uma primeira que, antes de ser mãe, é mulher. Para a receita da mãe, falta algo. Os homens que porventura estiverem lendo o blog, já se animaram. Lá vamos nós entrar em cena, pensarão. Tenho uma má notícia para meus companheiros de gênero. Uma mulher não precisa de um homem, para ser mãe. Basta um espermatozoide! E, convenhamos, nós homens somos um pouco mais do que isso! Curiosamente, nós, para sermos pais, precisamos de uma mulher! Nosso narcisismo masculino se vê obrigado a se curvar diante dessa simples evidência biológica da potência que é ser mulher. Da mulher nasce um filho. Do homem, a contribuição de uma semente. Temos então os ingredientes para a receita de mãe. Uma mulher e uma semente!

Essa é a base da receita. Faltam, ainda, alguns ingredientes fundamentais. Vamos começar acrescentando uma enorme dose de paciência e resistência física. Ambas fundamentais para a gravidez e, depois, os cuidados com o bebê pequeno. Desafio um homem a ir amarrando um peso na sua cintura, aumentando progressivamente, semana a semana, e carregar esse peso (e volume), por nove meses. No final desse período estará carregando algo como 13kg a mais, e uma circunferência abdominal muito aumentada. Acrescente um período de enjoo, na fase inicial e muitas dúvidas relacionadas ao momento do parto, saúde do bebê e com o próprio corpo (vai voltar ao que era?). Para completar a cena, sinta seus peitos inchados e doloridos. Agora, levante-se todo dia e sorria, como se fosse um anúncio de margarina. Alguma dúvida sobre a paciência e resistência da mulher-mãe?

Já temos uma mulher, a semente, paciência e resistência. Mas, a receita não está pronta. Faltam alguns temperos. Um deles é a sensibilidade. Outro componente que nos falta, a nós homens. Não falo da sensibilidade boboca de chorar em sessão da tarde. Falo da capacidade de processar o que se passa ao seu redor, sem utilizar, exclusivamente a lógica. Uma percepção sem explicação. Nesse tempero, não há nada de místico ou esotérico. Mulheres-mães são assim e ponto final. Olham para seus filhos e dizem: algo não vai bem. Não sabem o que é, mas, o alarme soa. O nosso, masculino, tende a negar: exagero seu, essa criança está ótima!

Temos a mulher, semente, paciência, resistência e sensibilidade. Essa receita está ficando cada vez melhor. Mas, ainda faltam ingredientes. Agora, vamos acrescentar doçura. Não falo daquela coisa xaroposa, melosa. Me refiro a uma forma de olhar o mundo e as pessoas por um viés mais leve, ameno, alegre. A isso estou chamando de doçura. Quantas guerras foram iniciadas por mulheres? Quantos homens são voluntários em asilos e orfanatos? Diremos que não temos tempo (e os finais de semana?). O fato é, que as coisas doces da vida, são feitas por mulheres.

A receita está melhorando. Vamos acrescentar um tempero mediterrâneo: a estética. Este tempero, importado da Grécia não se limita a saber nomes de cores que nós homens nunca conseguimos identificar. A estética, ou a capacidade de perceber o belo, nos dá, por um caminho, as noções e valores morais e, por outro, a capacidade criativa, artística.

Se falamos em criatividade e arte, temos que aceitar que um dos temperos que faltavam na receita é a emoção. Envolvendo os demais ingredientes, a mulher-mãe não tem o pudor da emoção. Emoção que contempla, admira, mas, também, defende e protege. Emoção que transmite, para os filhos, a essência da vida, a capacidade de se relacionar e afetar com os demais seres humanos.

Pronto! Está aí a minha receita de Mãe, para celebrar o dia delas, que é nosso também. Mas, um minuto por favor. Não falta nada nessa receita? Ouço alguém dizendo:  como falou de mães e não citou a palavra amor, nem uma vez? Respondo brincando que deixo essa palavra para ser citada nos anúncios que vão homenagear as mães. E, respondo sério, o amor, não é um ingrediente da receita, é o resultado da receita pronta. Tudo isso que citei, nos é servido, como amor.

A todas as mães, meu abraço carinhoso. Sou testemunha do que vocês fazem, silenciosamente, todos os dias, para que possamos ter um mundo melhor.

MÃE OU MULHER?

Venus2Hoje celebramos o dia das Mães. É uma justa homenagem a quem nos carregou na barriga por nove meses e colocou no mundo. Colocou e cuidou. Colocou, cuidou e amou. Para os que vão celebrar o dia com as sua mães, o tempo certo dos verbos cuidar e amar, é o presente: colocou, cuida e ama. As homenagens chamam a atenção para esses aspectos, lindos e verdadeiros do  ser mãe.

Dos comerciais de banco aos de supermercado, as imagens representam essa dedicação, abnegação, doação, constantes que as mães, em geral, têm. É preciso reconhecer que, realmente, mães se desdobram e dedicam, de forma incansável. Não é à toa que, frequentemente, nos referimos às mães, como santas.  Acho mais do que razoável se homenagear as mães com a metáfora da santidade.

Mas, essa seria, na minha opinião, uma homenagem incompleta. Incompleta, perguntarão alguns leitores deste blog? O que pode ser mais do que uma santa? Uma mulher, respondo. O lugar da santa é um de contemplação, distanciamento, reverência. Uma santa é uma imagem imobilizada, “congelada” na sua santidade. Uma santa não pode fazer tudo. Dela se espera nada menos do que milagres. E, sem dúvida, mães fazem milagres, todos os dias. São os milagres do cotidiano, que se traduz por um dia com mais de 24h. Arrumam a casa, cozinham, esticam o orçamento da família, tiram remela de olho, trocam fraldas, tomam a lição da escola, fazem compras, abaixam a febre, limpam o vômito, correm para o médico, saem para trabalhar, fazem carinho no marido ou companheiro, ligam para suas próprias mães porque já se tornaram um pouco mãe das suas mães, catam piolho, se emocionam nas apresentações da escola, assistem novela enquanto dão de comer para os filhos, se preocupam com tudo e com nada, se sentem culpadas se chover e o filho de 20 anos saiu sem o guarda-chuva e ainda agradecem aos céus a graça de serem mães! Se isso não é milagre, não sei o que seria! Portanto, não discordo da santidade das mães.

Suspeito apenas,  que esse tipo de homenagem, incompleta, aos meus olhos e coração, tem um pequeno viés masculino, machista. Garantimos com essa homenagem e propaganda que a mulher tenha dupla  ou tripla jornada de trabalho, enquanto seguimos a vida, deixando, ocasionalmente, uma florzinha no altar da “santa”. Nada mais confortável para nós, homens. Mais do que isso, destituímos a mulher de ser aquilo que sempre foi, antes da maternidade:  uma mulher! Uma mulher é um ser humano, sem nenhuma santidade atrelada a ela. É um ser humano que tem seus desejos, necessidades, angústias, convicções, prazeres e ambições. É um ser vivo, móvel, energético, erotizado, quase o oposto da metáfora da santa!

Pois bem, toda mãe é uma mulher e a maternidade não substitui a existência feminina prévia. Apenas acrescenta mais um aspecto, este exclusivo delas, às suas vidas. Ao se tornar mãe, nenhuma mulher deveria abdicar de ser o que é, para se tornar uma figura idolatrada, mas sem vida própria. Hoje, gostaria de homenagear a todas as mulheres que também são mães (ou serão um dia). A pergunta do post de hoje, Mãe ou Mulher, deveria ser substituída por Mãe e Mulher! Só assim deixaremos de ver nossas mães como somente santas e poderemos ser, também, mais humanos.

A todas as mulheres-mães, meu abraço carinhoso.

COM QUANTOS (A)BRAÇOS SE FAZ UMA MÃE?

Chagall_Mother_Notre_Dame52Dia das Mães chegando, almoço de domingo sendo planejado, os desenhos feitos na escola ansiosamente guardados (eventualmente, já informados!), flores encomendadas, presentes comprados (o comércio adora o Dia das Mães!), artigos sobre a “nova” mãe prontos para publicação em jornais, colunistas preparando suas homenagens e este pediatra blogueiro não foge à regra!

Me ocorreu escrever sobre os elogios que criam mais problemas do que prazer. Como assim? Mãe é uma só! Só o coração de mãe para….! Ser mãe é padecer no paraíso! Fala com a sua mãe, ela resolve! Mãe, com que roupa eu vou? Mãe, não tem nada para comer nesta casa! Ele só fica calmo no colo da mãe! Vai lá você porque ela só quer a mãe! O repertório é interminável e vai desde tratados psi até frases em para-choques de caminhão. Com a quantidade de tarefas que cabem à mãe, só com muitos braços. Podemos suspeitar até de que mães são uma forma muito mais evoluída de polvos (deixando para os homens o parentesco com os macacos!). E é exatamente nesse mar de elogios que as mulheres correm o perigo de se afogarem, obrigadas que se sentem a cumprir multitarefas com perfeição.

Não há a menor dúvida quanto à importância da mãe em nossas vidas. É uma relação única, ímpar, inigualável. Nenhuma outra relação começa antes da existência visível e palpável. Nenhuma outra relação começa com a formação de uma pessoa, dentro da outra. Esta é uma relação que modifica, radicalmente, o corpo, a fisiologia e as emoções da mulher. Modificações que, na grande maioria das vezes, visam a acolher e cuidar do novo ser. Que outra relação produz leite? Apenas para dar um exemplo concreto e palpável. Ou, que nariz chuparíamos, se não fosse de nosso filho? Os exemplos do que essa relação tem de radicalmente diferente, no cotidiano, são incontáveis. Isso, sem falar na emoção sentida, também inédita e especial. Portanto, homenagear a mãe faz todo sentido.

Mas, se queremos realmente homenagear nossas mães, nós homens, filhas e filhos, precisamos ficar atentos à essa infinidade de tarefas delegadas a elas, no dia a dia. Temos que assumir tarefas, dividir atividades (bem diferente de ajudar em atividades), permitindo que nossas mães possam ser, também, mulheres com interesses e prazeres na vida que não sejam os de uma dedicação exclusiva em tempo integral à família. A família deve passar a ser uma co-responsabilidade de todos seus membros.  Só assim cada um poderá ser um indívíduo pleno e, ao mesmo tempo, parte do coletivo que é a família. Deixar a tarefa de tocar o coletivo só para a mãe, enquanto cada um vai vivendo sua vida, é um ato de egoísmo que não pode ser resolvido com flores, presentes e um lindo cartão, uma vez por ano. Se o amor que sentimos é recíproco, está na hora de saírmos desse conforto individualista e arregaçarmos as mangas, dividindo o trabalho, todos os dias.

Proponho que  ajudemos nossas mães a ter menos braços (dois seriam suficientes) e muito mais abraços.

Desejo a todas as mães que sejam felizes, todos os dias!

MÃE

Hoje se comemora o dia das Mães. É uma festa para todos os gostos. O comércio celebra um Natal no meio do ano, com suas vendas impulsionadas pelos sentimentos que todos temos com relação às nossas mães. A imprensa publica depoimentos de filhos ilustres e anônimos. Textos são escritos, alguns de qualidade duvidosa apenas explorando a maternidade de forma piegas. Famílias se reunem em torno das mães, homenageando-as e cobrindo-as do merecido carinho e reconhecimento. Não raro, alguns almoços de família descambam para discussões e desentendimentos, o que os tornam mais reais e humanos. No final, salvam-se todos! Quem não tem mais mãe, dedica alguns momentos do dia para se lembrar dela, mantendo-a a viva com suas memórias e emoções.  Uma festa para todos os gostos!

Como pediatra gostaria de homenagear as mães dizendo como as percebo. Quero homenagear a todas as mães falando de alguns aspectos que nem sempre são ditos, talvez porque não sejam tão valorizados quanto o amor e a dedicação que todas as mães têm por seus filhos. Mas, para mim, são características  que tornam as mães seres muito especiais:

  • Solidão– a alegria da maternidade é algo compartilhado por todos ao redor da mãe. No entanto, é na solidão que a mulher se vê diante de suas dúvidas e inseguranças. A sociedade e a família, cobram da mulher uma postura de certezas e firmezas que não corresponde à realidade da maternidade. Pressionada, a mulher cala e vive, sozinha, suas aflições. Às vezes, o pediatra tem o privilégio de poder compartilhar alguns desses pensamentos e emoções solitárias.
  • Coragem– talvez não exista situação humana onde todo mundo tem alguma opinião, dica, sugestão a dar como a da maternidade. Todos querem opinar sobre o que é melhor para o bebê e para a mãe. Não raro, tratam a mãe como uma pessoa incapaz, necessitando do conhecimento de quem já passou pela experiência da maternidade, para sobreviver. Claro que a tradição oral, os valores sociais e familiares, o conhecimento adquirido pela experiência têm grande valor. No entanto, é preciso que a mãe tenha muita coragem para ser mãe do jeito dela, descobrindo com o seu bebê, o que fazer, como fazer, quando fazer. Escrever a sua própria história é um ato de coragem.
  • Emoções “erradas”– Mãe é amor. Isso, todo mundo sabe, propaga e divulga. Mas, mãe também é irritação, ódio, impaciência e descontrole. Essa mãe, humana e normal, é reprimida pela sociedade. Se compartilhar esses sentimentos e pensamentos ouvirá- que é isso, você está louca?  Claro que não está e é para esta mãe que  tem esses sentimentos conflitantes e contraditórios que eu rendo minha homenagem. Ouso dizer que essas são as mães que vivem no mundo real, por isso mesmo, menos confortável, mas onde poder ser, sem fingir, dá uma tranquilidade enorme.

A todas as mães gostaria de dizer que é um privilégio poder percebê-las nas sua plenitude, incluindo as contradições naturais e humanas.

Neste dia, recebem meu abraço carinhoso.