COM QUANTOS (A)BRAÇOS SE FAZ UMA MÃE?

Chagall_Mother_Notre_Dame52Dia das Mães chegando, almoço de domingo sendo planejado, os desenhos feitos na escola ansiosamente guardados (eventualmente, já informados!), flores encomendadas, presentes comprados (o comércio adora o Dia das Mães!), artigos sobre a “nova” mãe prontos para publicação em jornais, colunistas preparando suas homenagens e este pediatra blogueiro não foge à regra!

Me ocorreu escrever sobre os elogios que criam mais problemas do que prazer. Como assim? Mãe é uma só! Só o coração de mãe para….! Ser mãe é padecer no paraíso! Fala com a sua mãe, ela resolve! Mãe, com que roupa eu vou? Mãe, não tem nada para comer nesta casa! Ele só fica calmo no colo da mãe! Vai lá você porque ela só quer a mãe! O repertório é interminável e vai desde tratados psi até frases em para-choques de caminhão. Com a quantidade de tarefas que cabem à mãe, só com muitos braços. Podemos suspeitar até de que mães são uma forma muito mais evoluída de polvos (deixando para os homens o parentesco com os macacos!). E é exatamente nesse mar de elogios que as mulheres correm o perigo de se afogarem, obrigadas que se sentem a cumprir multitarefas com perfeição.

Não há a menor dúvida quanto à importância da mãe em nossas vidas. É uma relação única, ímpar, inigualável. Nenhuma outra relação começa antes da existência visível e palpável. Nenhuma outra relação começa com a formação de uma pessoa, dentro da outra. Esta é uma relação que modifica, radicalmente, o corpo, a fisiologia e as emoções da mulher. Modificações que, na grande maioria das vezes, visam a acolher e cuidar do novo ser. Que outra relação produz leite? Apenas para dar um exemplo concreto e palpável. Ou, que nariz chuparíamos, se não fosse de nosso filho? Os exemplos do que essa relação tem de radicalmente diferente, no cotidiano, são incontáveis. Isso, sem falar na emoção sentida, também inédita e especial. Portanto, homenagear a mãe faz todo sentido.

Mas, se queremos realmente homenagear nossas mães, nós homens, filhas e filhos, precisamos ficar atentos à essa infinidade de tarefas delegadas a elas, no dia a dia. Temos que assumir tarefas, dividir atividades (bem diferente de ajudar em atividades), permitindo que nossas mães possam ser, também, mulheres com interesses e prazeres na vida que não sejam os de uma dedicação exclusiva em tempo integral à família. A família deve passar a ser uma co-responsabilidade de todos seus membros.  Só assim cada um poderá ser um indívíduo pleno e, ao mesmo tempo, parte do coletivo que é a família. Deixar a tarefa de tocar o coletivo só para a mãe, enquanto cada um vai vivendo sua vida, é um ato de egoísmo que não pode ser resolvido com flores, presentes e um lindo cartão, uma vez por ano. Se o amor que sentimos é recíproco, está na hora de saírmos desse conforto individualista e arregaçarmos as mangas, dividindo o trabalho, todos os dias.

Proponho que  ajudemos nossas mães a ter menos braços (dois seriam suficientes) e muito mais abraços.

Desejo a todas as mães que sejam felizes, todos os dias!

8 pensamentos sobre “COM QUANTOS (A)BRAÇOS SE FAZ UMA MÃE?

  1. Muito obrigada por parabenizar a nós, mães!
    Você é uma pessoa a quem admiro, com quem eu já tive a oportunidade de trabalhar prómima, e por isto mesmo eu sei que você realmente pensa dessa forma, e de maneira nenhuma está sendo piegas ou hipócrita quando fala das inúmeras responsabilidades/ atribuições das mulheres, em especial as mães.
    Realmente depois que uma mulher tem um filho, instintivamente ela vai sempre lutar e transformar as dificuldades em oportunidades para que seu “rebento” cresça de forma normal e socialmente adaptado.
    Importante seria destacar que, apesar de pensarmos de forma igual, e este comportamento de ajuda mútua seja uma coisa natural para nós e para muitas outras pessoas, em muitos lares ainda há o protecionismo aos meninos quanto ao trabalho doméstico, e sobretudo no que diz respeito à cozinha. Conheço pessoas que como pais, continuam a pregar que tudo dentro de uma casa é “trabalho de mulher”.
    Graças à Deus eu tenho conseguido deixar meu filho bem adaptado, pois ele é responsável por cuidar bem de todas as coisas dele, exceto quanto às roupas, mas arruma tudo sim, e limpa também.
    Meninas nos dias atuais, disputam o mercado de trabalho em igual condição com os meninos, desta forma não existe um único provedor para uma casa. Eu acho importante que ambos aprendam a ajudar e saibam fazer as coisas da forma como gostam, pois arranjar uma empregada é algo cada vez mais difícil nos dias atuais, imaginem no futuro?!
    Deixo meus parabéns à todas as mães que por aqui, assim como eu, passarem.
    Roberto, Feliz Dia das Mães para as mães da sua família também!

    • Edite,
      Obrigado pelas palavras gentis e parabéns por educar seu filho sem preconceitos com relação ao que é trabalho de mulher ou de homem. Acredito que a independência e autonomia são valores que nos ajudam a viver bem, além de nos fazer respeitar o trabalho dos outros.
      Feliz dia das mães para você!

  2. Dr. Roberto, como sempre, certeiro em seus comentários. Muito atencioso e carinhoso com seus pacientes e com a familia deles tambem.
    Já pensou em escrever um livro? O senhor escreve muito bem, aposto que seus leitores iriam gostar bastante.
    Um abraço, Laura

    • Prezada Laura,
      Obrigado por seus comentários generosos. Esteja certa de que, caso venha a escrever um livro (duvido um pouco que o faça), seu “empurrão” motivacional terá sido importante. Mesmo que não escreva um livro, seus comentários me animam a continuar escrevendo o blog, compartilhando algumas coisas que conheço e outras tantas que eu penso. Forte abraço.

  3. Olá Dr. Cooper,

    Gosto da pitada de polemica que você costuma gerar em seus posts, principalmente para nós, mães de primeira viagem.

    E qual mãe ainda não se afogou nesse mar de elogios ? Acredito que muito poucas…eu mesmo sou vítima de afogamento com freqüência, hahaha.
    Acho que mais importante do que isso é o pai perceber que sim, ele substitui a mãe em diversas tarefas e funções e que sim , ele PODE ! Acredito que basta ele QUERER.

    Cena típica de um final de semana, na hora de sair de casa, é assim Dr. Cooper ( na minha e de muitas amigas ):
    ESTÁ NA HORA DE SAIR….
    O Pai grita: Eu já estou pronto, estou só te esperando !
    A Mãe: …para e pensa: “bem, ainda estou nos finalmentes, mas a nossa filha não está pronta, nem a bolsa de trecos ( que sejam brinquedos, comida, roupa, fraldas…). Provavelmente a cama está por fazer, os pratos do café ainda devem estar ainda em cima da mesa, a mamadeira suja e, provavelmente o quarto uma zona porque a filha deve estar brincando.”
    🙂
    Por estes e outros motivos nós mães costumamos nos afogar porque é um tanto cansativo ter que repetir 30x a MESMA historinha de ajuda. Sério, mais fácil catar e fazer e ok, somos um polvo mesmo e sim, merecemos muuuuuuitas caixinhas brancas com laçarotes pretos !!!!

    Aí eu te provoco e te pergunto: por isso que homens são de marte e as mulheres de vênus ? No mundo masculino é realmente preciso repetir 30x a MESMA coisa ???

    Nosso dia das mães foi diferente, sem grandes reuniões e confraternizações, digamos que um just us. Obrigado pelo seu carinho.
    Desejo a todas as mães, os seus sinceros votos de ajuda e compreensão, muito carinho, amor e respeito.

    Bjs

    Bia

    • Bia,
      Por partes:
      – presente é ótimo e deve existir, sempre, em uma família. Nada contra presentear, como expressão de carinho. No post, foi uma provocada suave!
      – acredito em diferenças genéticas, mas no quesito comportamento masculino/feminino, acho que é mais cultural do que inato. De tanto repetirmos e ouvirmos que meninos são assim e meninas assado; de tanto ver uma mulher fazer as tarefas domésticas, se torna a norma ou o normal. Uma norma, que é uma maravilha para o homem. Não espere que nós a mudemos!
      – o papo de ajudar, me parece equivocado. Quem ajuda está fazendo um favor ao outro. Acho que o papo é o de divisão de tarefas. Se mulheres e homens, no seu papel de executivos ou trabalhadores, não têm a menor dificuldade em combinar divisão do trabalho, por quê em casa seria diferente? O me ajuda aqui, precisa ser substituído por, o que lhe pertence e o que me pertence fazer? Isso é negociável em função de aptidões, facilidade etc. Como a norma é favorável a nós, caberá à mulheres conduzir essa mudança (mais uma), com habilidade. Se não der para mudar marido/mulher, pelo menos, atenção na educação dos filhos para não perpetuar a norma.
      Vale muito o clima de carinho mútuo. É a base para qualquer conversa (homens preferem pouca conversa- não se alongue) e mudança (homens são rotineiros, repetitivos- motive a mudança!).
      Divirta-se com sua família, todos os dias e obrigado por sua continuada participação no blog.

  4. Dr. Cooper,
    – sim concordo que presentes são uma expressão de carinho, independente do que seja, o importante é a intenção de presentear. ( Só para divertir: como uma amiga me diria: Bia, só vale ouro, hahaha)
    – Vocês não seriam doidos de mudar uma norma que já existe a sei lá quantos séculos e que privilegia vcs né !? Eu pelo menos ficaria quietinha !!!
    – acho que nós mulheres viemos ao mundo para provocar mudanças. Aqui em casa isso é nato !!!
    – O papo da ajuda é complexo…quem se cansa mais: o executivo ou a dona de casa ?
    – Na rotina incansável e invejável do homem, digo invejável porque eu gostaria de ter uma rotina assim tão perfeita, que em geral inclui jornal, televisão, computador ( pads, celularesm laptop…) e sofá , nem sempre se inclui a criança chorando ou perguntando impossíveis 5000 porques o dia todo.
    – Super atenção na educação, salvo meninos e meninas…Aqui Manu com quase 3 já lava louça 🙂

    No fim sou sua fã e concordo que o que vale é o clima de carinho e no final das contas é ele que nos une.
    Tem que ter uma leitora critica aqui né Dr. Cooper…senão fica monótono o blog !!!

    Beijos

    Bia

    • Bia,
      Não é uma disputa de quem cansa mais. Em algumas casas, ambos trabalham. Em outras, um do casal trabalha. É mais uma questão de mudança de paradigma. Como você confirmou- não seremos nós os que vamos acordar um belo dia, dizendo: meu paradigma mudou. Querida, deixa que, a partir de hoje, eu preparo as tralhas na hora de sair e você fica com a parte da comida!
      A crítica é uma maravilha. Melhor ainda quando é generosa e vem de alguém muito participativo.

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