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FEBRE: MITOS E FATOS

febreAlgumas situações se repetem nas vidas das crianças, como por exemplo, febres, resfriados e tosses. Portanto, acho que posso repetir esses  assuntos no blog, tentando transmitir mais informações que ajudem os pais.

A grande maioria dos pais se preocupa, além do necessário, quando seus filhos têm febre. Alguns não dormem, passando a noite em vigília, armados de um termômetro e verificando a temperatura de tempos em tempos. O receio de que a febre possa produzir algo grave na criança é compartilhado por muitos pais. De um modo geral, as febres são inofensivas. A seguir, vou listar alguns fatos, na tentativa de ajudá-los a colocar a febre em uma perspectiva menos assustadora.

Mito: sei que meu filho está com febre quando eu coloca a mão nele e percebo que está quente.

Fato: crianças podem estar quentes por várias razões, tais como: brincar e correr intensamente, chorar, ao sair de uma cama onde estavam enrolados em cobertores ou até mesmo ao ar livre em um dia quente. Nestas situações, estão “trocando calor com o meio ambiente” para manter a temperatura do corpo. Se após 10 a 20 minutos em uma situação diferente (parados, fora da cama, sem chorar, na sombra), ainda persistir a sensação de que estão quentes e, principalmente, não parecem estar se sentindo bem, 80% destas crianças provavelmente terão uma febre. A única maneira de ter certeza é medindo a temperatura do seu filho com um termômetro. Portanto, em condições normais, a mão pode ser um indicador inicial de febre, mas o melhor, mais preciso, é medir a temperatura  com um termômetro.

Mito: toda febre é prejudicial para a criança e, por esse motivo, deve ser combatido imediata e energicamente.

Fato: a febre ativa o sistema imunológico (de defesa) da criança e ajuda o organismo a combater a infecção. A febre é um dos mecanismos de proteção que o nosso corpo tem. Febres que variam entre 37,8 e 40 graus são, de fato, benéficas para as crianças. No entanto, quando a febre produz muito desconforto (a criança fica muito caidinha), não faz sentido deixá-la se sentir dessa forma e se justifica dar um antitérmico (remédio para febre). Portanto, uma criança com 39 graus de febre, que esteja com bom aspecto, brincando, não tem necessidade de ser medicada imediatamente.  O remédio para febre deve ser dado mais em função do desconforto da criança do que da temperatura dela.

Mito: febre acima de 40 graus é perigosa e pode produzir lesão cerebral.

Fato: somente ocorre lesão cerebral quando a temperatura atinge 42 graus. Esta temperatura não é atingida em doenças infecciosas. Somente em situações onde a temperatura ambiente seja extremamente elevada é que uma criança pode chegar a 42 graus (como por exemplo, quando esquecida dentro de um carro fechado em dia quente ou acidentalmente fica fechada em uma sauna).

Mito: toda criança com febre alta corre o risco de ter uma convulsão febril.

Fato: apenas 4% das crianças apresentam convulsões febris.

Mito: convulsões febris são perigosas e produzem danos à criança.

Fato: convulsões febris são assustadoras, mas, em geral, cessam em até 5 minutos. Não produzem dano permanente algum à criança. Crianças que tiveram convulsão febril não apresentam risco maior de atraso no seu desenvolvimento ou aprendizado, nem de apresentarem convulsões sem febre.

Mito: sem tratar a febre, ela vai continuar subindo, indefinidamente.

Fato: o cerébro possui um termostato que regula a temperatura. Raramente a febre ultrapassa 40 graus. Ocasionalmente pode chegar a 40-41 graus. Apesar de ser considerada uma febre alta, ainda é inofensiva. Portanto, a febre não sobe indefinidamente. Ela atinge um certo ponto, reduz um pouco, volta a subir, reduz novamente, exatamente como um termostato faz (liga e desliga).

Mito: com tratamento a febre deve baixar até a temperatura normal (sem febre).

Fato: em geral, com tratamento, a febre baixa entre 1 e 1,5 grau. Não baixar completamente não tem nenhum signficado clínico. Não quer dizer que é uma situação mais grave.

Mito: uma vez que a febre baixou com remédios, deve permanecer baixa.

Fato: como a maioria das febres, em crianças,  é produzida por uma infecção viral  e esta dura entre 4 e 7 dias, enquanto persistir a infecção, a febre vai e volta. A febre somente desaparecerá, por completo, quando o próprio organismo conseguir “ganhar” do virus.

Mito: febre alta é sinônimo de doença mais grave.

Fato: uma febre alta pode ou não ser um sinal de doença grave. O aspecto da criança, mais do que a temperatura, sinaliza ou indica a gravidade da doença. Por exemplo, uma criança com 39,5 graus, pulando e brincando não deve ter doença grave. Por outro lado, uma com 38,2 graus, caída, prostrada, quieta, pode ter uma doença mais grave, apesar da temperatura nem ser tão alta. É preciso olhar para o termômetro E para a criança. Mães, em geral, têm um ótimo olhar clínico. Não deixe de usá-lo (não fique fixada no termômetro). O aspecto da criança é mais importante do que a temperatura exata.

Missão impossível– depois desta longa lista de fatos, será que consegui demonstrar que a febre é muito mais uma aliada do que um bandido?  Não estou dizendo que febres não devam ser levadas em consideração. Pelo contrário, sinalizam que algo está acontecendo e merece a nossa atenção. O que eu estou dizendo é que não há necessidade de pânico com febre. Não é preciso ficar acordado à noite em vigília, armado com um termômetro em uma mão e um frasco de remédio para a febre na outra! E, lembrem-se de falar com seu pediatra, caso tenham dúvidas ou se sintam inseguros com relação à febre de seus filhos.

Se você já ouviu algo sobre febre que eu não incluí neste post, por favor me envie para que eu possa responder e compartilhar com outros pais.

RESFRIADO, DE NOVO!?

Se as crianças podem  ficar resfriadas várias vezes, por quê não escrever mais de um post sobre o assuto? Em maio de 2012 escrevi O resfriado3RESFRIADO COMUM. Sugiro que cliquem no link e deem uma lida porque, esse post contém alguns comentários que valem a pena serem relembrados, principalmente agora, com a mudança de estação, o frio chegando,  e o número de crianças (e adultos), com resfriado aumentando muito. 

No post de hoje eu gostaria de reforçar alguns pontos, na tentativa de ajudá-los a passar pelos resfriados que virão. Acredito que pais bem informados conseguem administrar um pouco melhor as aflições, normais, que todos temos quando um filho está doente. Sei bem que o resfriado no blog, bem explicado, com todos os sintomas justificados, é uma coisa. Outra, bem diferente, é uma criança acordada às 2 da manhã, choramingando, com 39,4 de febre, que começa a tossir e, na sequência vomita! Ouvir o pediatra dizer que isso é normal e que vai durar “apenas” 4 a 7 dias, é desesperador. Tudo que queremos é um remédio que, de preferência em uma ou duas doses no máximo, devolva nosso filho à normalidade. Além da insegurança que a doença gera nos pais, cuidar de uma criança resfriada produz um cansaço físico dez vezes maior que o habitual (que já é grande). A criança fica irritada, não se satisfaz com nada ou se satisfaz por pouco tempo, exige atenção, pede colo e, para piorar, não come absolutamente nada!

Ao escrever o parágrafo acima, quase desisti do post de hoje! Me perguntei: o que eu poderia dizer para os pais, que fosse tornar esse cenário descrito, menos demandante?  A primeira coisa que os pais talvez gostem de saber é que os pediatras, na sua grande maioria, já passaram ou ainda passam pelas mesmas situações que eles. Isso nos torna muito mais “simpáticos” à causa dos pais do que possa parecer. Não somos ETs, cheios de teorias e conhecimentos, desprovidos da vivência e emoções de um filho pequeno, há 5 dias com febre, sem poder ir para a escola ou creche, tumultuando, em todos os sentidos, a rotina da família. Somos pais, como vocês!

Objetivamente, alguns pontos importantes, relacionados ao resfriado comum:

  1. o resfriado com tratamento médico dura, em média, uma semana. Sem tratamento médico, costuma durar, também em média, 7 dias. Portanto,  melhor remédio para o resfriado comum é o tempo. É preciso ter paciência (e como) para esperar esse tempo, dando conforto e carinho aos filhos. Não ter paciência ou ficar extremamente aflito(a) com os sintomas habituais de um resfriado comum (coriza, tosse, febre e inapetência), podem levar os pais a auto medicar seus filhos ou consultando mais de um médico, o que só tende a confundir mais ou até receber prescrições desnecessárias. O médico se sentindo pressionado, não deveria prescrever por esse motivo. Mas, na prática, somos humanos e isso pode acontecer. Remédios podem fazer mal ou ter algum efeito colateral. Por esse motivo, nos EUA, remédios para tosse e resfriado são proibidos para crianças com menos de 2 anos.
  2. antibióticos não curam resfriados comuns. Antibióticos só funcionam para doenças produzidas por bactérias e o resfriado comum é produzido por vírus.
  3. a febre não é uma doença. A febre é uma reação positiva do corpo a uma “agressão” por um virus ou uma bactéria. Além de servir de alarme, assinalando que algo não vai bem, a febre estimula o sistema imunológico (de defesa) e deixa a pessoa mais “quietinha”, economizando energia para combater o inimigo. Portanto, a febre em si, não precisaria ser tratada, exceto quando gerasse desconforto.
  4. coriza e tosse são, também, mecanismos de defesa. A coriza, ou muco, ou catarro, é produzido pelo  nosso corpo com o objetivo de envolver o virus  para que este seja expulso. Para expulsar a secreção, o corpo produz espirros ou tosse. Portanto, o catarro e a tosse que quase toda criança resfriada apresenta, visa a expulsar o virus. Nesse sentido, são reações positivas. O problema é que geram desconforto e não há medicação eficaz, em crianças. Além de não haver medicação realmente eficaz, a rigor os xaropes contra a tosse ou descongestionantes, deveriam ser contraindicados abaixo de dois anos de idade.  O mel só pode ser dado para crianças maiores de um ano de idade.
  5. a vacina para a gripe não proteje contra o resfriado comum. Como nós no Brasil também chamamos resfriado comum de gripe, cria-se a ideia de que a vacina contra a gripe deveria proteger contra o resfriado comum. Esta vacina potege apenas contra alguns tipos de Influenza, que produzem uma doença, a gripe, que tem maiores riscos de complicações  e até de mortalidade. Muitas pessoas dizem que nunca mais darão a vacina contra a gripe para seus filhos porque “ela não adianta nada”. Deram a vacina e seus filhos ficaram “gripados” (resfriados), do mesmo jeito. A vacina contra a gripe funciona e é importante! Só não esperem que ela proteja para aquilo que não foi feita. Seria como alguém dizer que a vacina contra o Sarampo é muito ruim porque o filho teve Catapora! Ambas as doenças são viroses, mas diferentes. Este exemplo, absurdo, nunca aconteceria porque o nome das doenças é diferente e não gera confusão. Não é o caso da gripe que tanto serve para nomear a doença produzida pelo virus Influenza (onde a vacina funciona) , como o resfriado (onde a vacina não terá o menor efeito).
  6. uma crianças saudável pode ter entre 6 a 8 episódios de resfriado em um ano, sem que isso represente nada mais grave. Muitos pais suspeitam que seus filhos estejam com “a imunidade baixa” porque estão resfriados de novo! Isso quando os avós não contribuem dizendo: “tem que ver o que esse menino/menina tem. Não é normal ficar refriado assim, toda hora!” Podem ficar tranquilos que resfriados que se repetem, até certo ponto, são normais em crianças pequenas. Se estas frequentam creche ou escola, esta situação é ainda mais frequente.

Chegando neste ponto, dirão: tudo muito bonito, explicadinho, mas o que fazer quando nosso filho ficar resfriado? Eu ficarei sem uma resposta mágica, sem uma recomendação que  funcione 100%.  Mas, algumas coisas podem ajudar:

  • paciência
  • oferecer líquidos, não forçar a alimentação
  • manter a criança em casa.
  • lavar ambas narinas com soro fisiológico. No mercado existem inúmeros produtos. Algumas embalagens facilitam a aplicação por produzirem um jato, mas, o conteúdo é sempre soro fisiológico. Não usar produtos para adultos que podem conter descongestionantes.
  • usar antitérmicos, caso a febre gere desconforto (na criança ou nos pais)
  • falar com seu pediatra e levar a criança para ser examinada se os pais julgarem que “algo não vai bem”, como cansaço, respiração ofegante, prostração extrema, vômitos, diarréia  etc.

Dúvidas e sugestões? Por favor as envie, são sempre bem-vindas.

COMO MEDIR A TEMPERATURA?

termometroAcima de determinada temperatura do corpo, dizemos que a pessoa está com febre. Febre costuma ser uma situação que deixa os pais, no mínimo, tensos. No entanto, a febre é um dos mecanismos de defesa que o organismo utiliza quando é infectado por uma bactéria ou vírus. A febre não é uma doença e sim um sinal ou sintoma. A febre estimula o sistema imunológico em mais de uma maneira e são muito raras as situações onde possa realmente produzir algum dando à saúde da pessoa, além do desconforto que gera.

Para se saber se uma pessoa está ou não com febre, é preciso medir a temperatura do corpo. Para isso, existem diferentes tipos de termômetros e locais onde essa temperatura pode ser medida. A seguir os principais tipos de termômetros:

  • a mão- talvez o primeiro “termômetro” que todos nós utilizemos seja nossa mão. Colocamos a mão na testa, na bochecha, no pescoço de nossos filhos e julgamos se está “quente” ou não. Se estiver, suspeitamos de febre. Muitas pessoas se contentam com essa avaliação. No entanto, ela é muito pouco precisa e, se desconfiarmos de febre, devemos medir a temperatura com um instrumento mais preciso.
  • termômetro de mercúrio- é o mais tradicional de todos. Aquele que tem um bulbo e filete prateado. Sua leitura nem sempre é simples, exigindo um pouco de prática. Antes de cada uso é preciso sacudir o termômetro para recolocar o mercúrio em uma posição abaixo da marca de 36°C. Estes termômetros exigem em torno de 4 a 5 minutos para que possam ser lidos.  Os termômetros de mercúrio estão em desuso e não são recomendados para uso em crianças por causa dos riscos de toxicidade, em caso de quebra. Crianças se movimentam mais, pegam as coisas sem nos darmos conta, mordem, atiram no chão, tornando o risco de quebrar um termômetro de mercúrio maior.
  • termômetro digital – em uso desde os anos 80, atualmente são facilmente encontrados a um custo competitivo. Apresentam a temperatura em números digitais, de fácil leitura e são mais rápidos do que os termômetros de mercúrio. Em geral levam 60 segundos para soar o alarme. Alguns modelos ou marcas chegam a soar em 30 segundos, outros em um pouco mais de um minuto. Não são tóxicos nem agridem o meio ambiente.
  • chupeta termômetro- é uma variação do termômetro digital. Sua precisão é questionável e deveria ficar imóvel, o que é difícil com uma criança.
  • termômetros de ouvido- estes termômetros medem a temperatura da membrana do tímpano. Até o presente momento, somente os modelos profissionais, caros e disponíveis no exterior, são confiáveis. No entanto, muito provavelmente com o termometros 2desenvolvimento de sua fabricação, surgirão modelos mais baratos e precisos. A grande vantagem deste termômetro é a velocidade com que mede a temperatura- 2 segundos! Ainda não podem ser usados em bebês abaixo de 3 meses porque o conduto auditivo destes é estreito para os aparelhos existentes.
  • termômetro da artéria temporal – um novo instrumento que está ganhando popularidade, mede a temperatura sobre o fluxo da artéria temporal (que corre na lateral da testa, nas têmporas). Ainda é um termômetro caro e sua precisão está sendo questionada. No entanto, assim como o termômetro de ouvido, este deve ser um que vai melhorar a precisão e reduzir o seu custo.
  • fitas para testa- existem fitas que são colocadas na testa e mudam de cor, em função da temperatura do corpo. Estas fitas não são precisas e, por isso, não recomendadas.

Além de diferentes termômetros, a temperatura do corpo pode ser medida em vários lugares. No Brasil, praticamente só utilizamos a medida da temperatura axilar (debaixo do braço), mas outros lugares podem ser utilizados:

  • temperatura retal- é considerada a medida mais precisa da temperatura corporal. No entanto, não deve ser usada em bebês e crianças pequenas por causa do risco de acidentes, incluindo a perfuração do intestino.  A temperatura retal é mais alta do que a axilar e somente se considera febre quando for maior do que 38°C.
  • temperatura oral- é considerado um bom método para se aferir a temperatura do corpo, desde que a pessoa não tenha ingerido líquidos quentes ou frios nos 15 minutos que precedem a medida.  No entanto, exige a cooperação da criança para permitir que o termômetro permaneça embaixo da língua (por isso a chupeta-termômetro não é recomendada- fica em cima da língua). Somente crianças maiores do que 5 anos conseguem cooperar. Caso for utilizar este método, nunca use um termômetro de mercúrio porque há sempre o risco da criança morder o instrumento. Na boca, a temperatura é mais alta do que na axila e mais baixa do que no reto. Somente se considera febre quando for superior a 37,8°C
  • temperatura no ouvido- provavelmente será o método “do futuro”. A temperatura do ouvido é semelhante à do reto. Somente se considera febre quando for maior do que 38°C.
  • temperatura na artéria temporal- varia em função da idade, mas, somente acima 37,8°C a 38°C seria considerado febre.
  • temperatura axilar- ainda que não seja a mais exata ou precisa, é a mais prática e a que usamos no Brasil. A axila deve estar seca (crianças maiores com febre podem estar suadas) e os bebês não devem estar completamente enrolados em mantas na hora da medida. Somente se considera febre uma temperatura axilar acima de 37,2°C.

Conclusões práticas:

  1. Febre não é uma doença. É um sintoma/sinal, além de ser um dos mecanismos de defesa do corpo. Não há necessidade de se abaixar a febre a qualquer custo. Mas, avise seu pediatra. Ele é a melhor pessoa para lhe orientar.
  2. Existem vários tipos de termômetro e lugares diferentes para se medir a temperatura.
  3. No Brasil usamos e vamos continuar usando por algum tempo a temperatura embaixo do braço (axilar). Lembre-se de secar a axila e de não medir com o bebê enrolado em manta ou cobertor.
  4. A temperatura do corpo varia, não sendo constante durante o dia. Habitualmente é mais baixa na madrugada e mais alta no final da tarde.

Este é um assunto “quente”. Talvez nem tanto pelo método de medir, mas, pela febre em si. Vou gostar de receber os comentários e dúvidas de vocês.

MEDO DE FEBRE

 

A febre, principalmente em crianças, dispara em muitos pais um receio enorme de que algo muito grave esteja acontecendo com seus filhos. De fato, a febre é um sinal de alarme e deve ser valorizada. A pergunta é, quanto medo é razoável?

Toda febre em recém-nascido com menos de três meses merece uma avaliação cuidadosa porque esse pode ser o único sinal de infecções bacterianas sérias, nessa faixa de idade.

No entanto, em crianças acima de três meses, com estado geral bom ou regular, ativas, a febre é uma evidência de um sistema imunológico (de proteção) que está funcionando bem. A própria febre contribui  para que uma série de processos de defesa funcionem  de forma mais efetiva. Já podemos perceber que, se por um lado existem temores relacionados com a febre, por outro ela contribui para uma resposta de defesa do organismo mais eficiente.

Claro que esta informação não é tranqüilizadora diante de uma criança em que a febre aumenta, geralmente à noite. As febres tendem a subir no final da tarde e à noite da mesma forma que a nossa temperatura corporal normal sobe nesse período.

Os medos mais comuns dos pais, relacionados à febre dizem respeito à integridade do sistema nervoso. Há um temor de que a febre possa produzir danos cerebrais à criança. De fato, a febre não produz nenhum dano para o cérebro, ou para o corpo, apesar de aumentar a necessidade de ingestão de líquidos. Mesmo sem ser medicada, uma febre muito raramente ultrapassa 40,5°C.  Existe, no corpo humano, um mecanismo de auto-regulação da temperatura que não permite que uma febre suba de forma indefinida. Uma febre não medicada vai chegar até certo ponto e depois baixará sozinha, voltando a subir novamente, enquanto persistir a causa da febre.

Com relação ao risco de convulsão febril, apenas 5% das crianças com febre apresentam um episódio, que nunca é agradável de ser visto. Mas, as convulsões produzidas pela febre não produzem lesão cerebral nem causam epilepsia. Apesar de serem benignas, se uma criança apresentar convulsão febril, deverá ser avaliada por um pediatra.

Como responder à pergunta lá de cima? Acredito que a febre deve ser sempre valorizada como um sinal de alarme e de bom funcionamento do sistema imunológico. Nunca deve ser desprezada e em  lactentes com menos de 3 meses, exige uma avaliação imediata. Mas, em crianças maiores, com bom estado geral, não deveria ser motivo de medo ou receio.