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MEU BEBÊ CHORA!

Bebês choram! É da natureza dos bebês, chorarem. Já escrevi sobre o choro do bebê em umbabycrying3 post onde também falava de cólicas.  Acredito que o tema mereça um segundo post, ainda que possa repetir algumas coisas já ditas.

Bebês choram por vários motivos. O primeiro, é quando querem chamar a nossa atenção. Bebês falam uma língua que nós já falamos um dia, mas não nos lembramos mais. Quando choram estão comunicando algo que pode ser um desconforto, como por exemplo, fome, fraldas molhadas ou sujas, calor ou frio e, eventualmente uma dor que pode ser passageira (gases, cólica etc.) ou não.

Mas, nem sempre os bebês querem chamar a nossa atenção. Também choram como uma forma de “desligar” ou sobrepor estímulos externos intensos ou desconfortáveis, como sons e luzes. Ao chorar, o bebê não ouve mais o som que o incomodava que passa a ficar encoberto pelo próprio choro. Como, ao chorar, os bebês fecham os olhos, também “deligam” luzes desconfortáveis. É importante lembrar que a sensibilidade do bebê é muito diferente da nossa e o que não é desconfortável para nós, pode ser para um bebê, como o som de um liquidificador ou secador de cabelos. Não estou dizendo que estes sons serão sempre desconfortáveis, para todos os bebês. Apenas dei o exemplo para ilustrar o que disse a respeito de sensibilidades diferentes.

Um terceiro motivo para bebês chorarem é para aliviar ou descarregar tensões. Às vezes os bebês ficam irritadiços, sem motivo aparente. Resmungam, choramingam sem que consigamos identificar o que estaria acontecendo. Não raro,  após esse momento de irritação que pode incluir um choro, os bebês ficam mais alertas e, na sequência adormecem de forma profunda e tranquila. Este tipo de choro seria uma “decarga” de tensão, produzindo um novo equilíbrio e serenidade no bebê.

Podemos ver então, que nem todo choro é, necessariamente, o alerta de que algo ruim está acontecendo. Em algumas circunstâncias é um mecanismo de produzir conforto, seja encobrindo algo desagradável (som ou luz), seja ajudando o bebê a relaxar.

É importante lembrarmos que bebês humanos, diferentemente de outros mamíferos, sempre nascem relativamente prematuros. Os filhotes de outros mamíferos, com dois ou três dias de vida, estão de pé, andando, capazes de encontrar sua mãe para amamentar. Nós, humanos, por conta do tamanho do nosso cérebro (e cabeça), precisamos nascer bem antes porque o tamanho da bacia feminina não permitiria a passagem de uma criança de um ano de idade, em condições de andar e achar o peito da mãe! Assim, a dependência do bebê em relação à sua mãe é absoluta. Como dependemos do meio ambiente para evoluirmos (carinho, comida, conforto ambiental),  no início da vida é a mãe que representa o meio ambiente e o apresenta ao bebê.  O choro do bebê também está relacionado com essa apresentação de novidades, sendo sua única forma de comunicação, por um tempo. Essa relação inicial e inagural é muito importante para o sentimento de confiança que o bebê vai desenvolver em si e nos outros, bem como a formação de uma boa auto-estima que orientará o futuro adulto na sua vida.

Tudo isso é muito bonito e interessante, mas, o que fazer quando o bebê desanda a chorar e os pais têm vontade de chorar junto? Não tenho resposta mágico ou sequer uma resposta. A seguir algumas dicas:

  • primeiro, não se desespere. Aceite que é da natureza dos bebês chorarem.
  • não se cobre a perfeição. Bebês não precisam de mães perfeitas (que, aliás, nem existem). Bebês precisam de mães suficientemente boas, como definiu Winnicott, um pediatra inglês que se tornou psicanalista de renome.
  • verifique o “básico”: fome, arroto, fraldas sujas, calor ou frio.
  • segure seu bebê no colo. Não há a menor possibilidade de um bebê se tornar mimado ou “estragado” pelo fato de ser seguro no colo. Bebês precisam de colo. Bebês não precisam de treinamento para ficarem quietos nos seus berços.
  • balance suavemente o bebê. Você pode fazer isso de pé, sentada em uma cadeira de balanço ou rede. Não sacuda vigorosamente o seu bebê, para cima e para baixo. Isso pode ser perigoso. Sempre faça movimentos suaves com o bebê.
  • cante ou converse com o seu bebê. A voz da mãe tem um familiaridade que pode tranquilizar o bebê.
  • coloque uma música suave para tocar. Alguns bebês se acalmam com ruídos ritmados (ar condicionado, ventilador).
  • faça carinho de forma ritmada, dando uns tapinhas delicados nas costas, nádegas ou passando a mão na cabeça.
  • envolva o bebê no cueiro, de forma que a que fique contido de forma justa. Alguns bebês acalmam ao se sentirem mais contidos de uma forma mais firme (sem apertar em demasia).
  • coloque no carrinho de bebê e dê uma volta ou simplesmente movimente o carrinho.
  • dê um banho morno. A maioria dos bebês gosta de um banho, mas atenção- nem todos acham gostoso.
  • se você (mãe ou pai) estiver irritado com o choro do seu filho, peça para outra pessoa pegá-lo no colo. Você não tem obrigação nenhuma de estar sempre de bom humor ou disponível para seu bebê (ainda que a maioria das vezes estará).

Se, no entanto, o choro for completamente inconsolável, isso pode ser um sinal de alerta que algo não vai bem (excluindo cólicas). Meça a temperatura do bebê, tendo o cuidado de deixá-lo 10 a 15 minutos sem estar completamente agasalhado. Colocar o termômetro por dentro de roupas, mais manta, pode dar uma medida falsamente elevada. Avise seu pediatra se você suspeitar de que algo não vai bem. Nem precisa ter nenhum elemento objetivo para relatar. Sua simples suspeita é motivo suficiente para entrar em contato com o pediatra.

Finalmente e, talvez, o mais importante – ninguém, nem o pai, os avós ou o pediatra, pode saber mais do que você, mãe, sobre o seu bebê. Confie nas suas percepções e emoções. Você é a única PhD em seu bebê, no mundo!

PERDER O FÔLEGO

A cena é conhecida de muitos pais. Por algum motivo, o choro é inconsolável. A criança chora, inspira e chora mais forte. De repente, perde o fôlego! Para de respirar, não emite mais sons, ficando ali de boca aberta, num choro mudo e nada de respirar. Não há quem não fique em pânico. De repente, uma grande inspiração e alívio. Alguns segundos de terror.

Esta é uma situação que acontece em aproximadamente 5% das crianças entre 6 meses e 6 anos, mais frequentemente entre 12 e 18 meses. É um evento completamente involuntário e benigno. Não raro, acontece mais de uma vez com a criança.

Existem dois tipos de “perda de  fôlego”. A mais comum é aquela em que a criança fica com os labios e extremidades arrocheadas. A menos comum é a que a criança fica pálida. Indpendentemente do tipo, a criança pode ficar mole ou até perder os sentidos, por um curto período de tempo. Menos frequentemente, algumas crianças podem ter uma breve convulsão. Tanto o desfalecimento, quanto a convulsão, quando ocorrem, não deixam nenhum tipo de sequela para a criança.

Apesar dos episódios serem desencadeados por situações conhecidas, tais como: medo, cansaço excessivo, frustração etc. são completamente involuntários.

O que fazer?

  • Saber que esses episódios podem acontecer e não trazem nenhuma consequência para a criança
  • Evitar as situações que desencadeiam um choro inconsolável, como as de medo ou cansaço excessivo. As de frustração não são evitáveis, mas, eventualmente, podem ser antecipadas ou explicadas. Os pais não podem ficar tão assustados que passem a fazer todas as vontades dos filhos.
  • No início do choro, quando a criança ainda tem algum controle, tentar distraí-la mostrando outras coisas, sussurando ou colocando-a no colo, abraçando- a, eventualmente evita que o choro chegue a uma patamar onde possa ocorrer a perda involuntária do choro.
  • Se chegar até esse ponto, abraçar a criança e esperar que passe.
  • Se seu filho ficar mole ou perder os sentidos, deite-o no chão, virado de lado e espere. Deixe que ele se recupere sozinho, sem estímulos como: soprar na cara, dar um tapa ou beliscão. Assim que ele começar a se recuperar fale com ele calmamente.

As crianças que “perdem o choro” deixam de fazê-lo em torno dos 6 anos de idade. Um grande número de crianças (metade) deixam de perder o fôlego por volta dos 4 anos.

Apesar de ser uma situação completamente inócua ou benigna, informe o seu pediatra.

Esta é uma daquelas situações em que o susto, mêdo ou pânico não correspondem, felizmente, a um problema real.

Se tiver dúvidas ou comentários, por favor compartilhe-os comigo e com outros leitores do blog.

DEVO DEIXAR MEU BEBÊ CHORAR?

Uma pergunta frequente que os pais se fazem é se devem deixar o bebê chorando ou se devem pegá-lo no colo? Existem mitos a respeito de se pegar um bebê que chora, no colo. Se pegar no colo, ele só vai querer o colo. Vai ficar mimado. O bebê precisa aprender, desde cedo, que não pode ter tudo que quer. Pior do que os mitos são algumas publicações que estimulam categoricamente os pais a deixarem seus filhos chorando, principalmente à noite, para que aprendam a dormir. Pessoalmente considero essa orientação absurda e prejudicial ao bom desenvolvimento da criança. Bebês que choram querem e precisam do colo. Nenhum colo dado com carinho e amor será prejudicial, tornará a criança uma tirana ou a transformará em mimada.

Para responder à pergunta se devo deixar meu bebê chorar, pedi à Dra. Eliane Volchan, professora no  Laboratório de Neurobiologia do Instituto de Biofisica Carlos Chagas Filho daUniversidade Federal do Rio de Janeiro que escrevesse um pequeno texto. A seguir, o texto da Dra. Eliane, que dá embasamento científico ao que nós humanos já sabíamos através da emoção.

O Choro do bebê- Dra. Eliane Volchan

Existe uma EXTENSA literatura científica sobre a vocalização de filhotes de várias espécies de mamíferos quando separados de suas mães ou de seu grupo, incluindo as regiões cerebrais envolvidas nesse comportamento (veja lista abaixo). Os filhotes tem um sistema de alarme não-aprendido que se manifesta bem cedo e sinaliza sempre que eles se separam dos adultos, enquanto que os adultos do grupo são extremamente sensíveis a esses sinais. Se assim não fosse, nossa espécie (e a de outros mamíferos) não teria sobrevivido, pois o maior risco à nossa sobrevivência é ficarmos sozinhos (particularmente as crianças)!

Recentemente, estudos mostraram em HUMANOS, que a dor da separação ativa as mesmas áreas cerebrais da dor física. Esses resultados levaram os autores a especular que a separação social equivale à dor física na sinalização de alarme para uma situação premente de perigo. Ou seja, os achados CIENTÍFICOS corroboram o bom senso demonstrando que, quando um bebê chora ao perceber sinais de separação (ausência de contato visual, auditivo e principalmente somático: contato físico corpo a corpo), seu cérebro está acionando o recurso máximo de alarme para uma ameaça à sua sobrevivência. Do mesmo modo, os adultos mais próximos são sensíveis a essa vocalização que provoca atitudes de socorrer e confortar bebê trazendo-o para perto de si e embalando-o.  A proposta de reprimir o impulso de pegar a criança no colo é, assim, absurda, pois viola umas das nossas reações mais básicas e fundamentais da nossa herança evolutiva.

Referencias:

– Eisenberger NI, Lieberman MD. (2004) Why rejection hurts: a common neural alarm system for physical and social pain. Trends Cogn Sci., 8: 294-300

– Eisenberger, N.I. et al. (2003) Does rejection hurt: an fMRI study of social exclusion. Science 302, 290-292

– Kirzinger, A. and Jurgens, U. (1982) Cortical lesion effects and vocalization in the squirrel monkey. Brain Res. 233, 299-315

– Krossa et al (2011). Social rejection shares somatosensory representations with physical pain. Proceedings of the National Academy of Sciences 108 : 6270–6275

– Lorberbaum, J.P. et al. (1999) Feasibility of using fMRI to study mothers responding to infant cries. Depress. Anxiety 10, 99-104

– MacLean, P.D. and Newman, J.D. (1988) Role of midline frontolimbic cortex in production of the isolation call of squirrel monkeys. Brain Res. 45, 111-123

– Robinson, B.W. (1967) Vocalization evoked from forebrain in Macaca mulatta. Physiol. Behav. 2, 345-354

– Stamm, J.S. (1955) The function of the medial cerebral cortex in maternal behavior of rats. J. Comp. Physiol. Psychol. 47: 21-27

Na próxima vez que o seu bebê chorar, pegue-o no colo e sinta que ambos estão felizes. Se alguém lhe disser alguma das barbaridades que são ditas por aí, repasse o texto da Dra. Eliane Volchan.

Gostaria de ouvir comentários dos pais a respeito de coisas que já ouviram com relação ao choro dos bebês. Se tiverem alguma dúvida, enviem que eu tentarei respondê-la.

CHORO E CÓLICA EM BEBÊS

 

O choro é um importante meio de comunicação entre bebês e seus pais ou cuidadores. Muitos estímulos diferentes, como por exemplo: fome, cansaço, frio, calor ou dor, podem produzir a mesma resposta de choro.

A cólica do bebê é uma condição frequente, mas com pouco conhecimento a respeito de suas causas. É uma situação benigna, auto limitada, mas que gera muita preocupação nos pais. A cólica dos bebês se manifesta como um choro sem explicação, geralmente à tarde ou no final do dia, que pode persistir por algumas horas. Aparentemente, nada consola o bebê, o que só produz mais ansiedade nos pais. Durante um episódio de cólica o bebê pode dobrar os joelhos sobre a barriga, ou o oposto, esticar as pernas. Fecha as mãos com força, flexiona os cotovelos ou agita os braços. Apesar da aparência do bebê durante o episódio de cólica parecer ser de muito sofrimento, costumam ser saudáveis, ganhando peso e se alimentando bem. A cólica do bebê atinge o seu auge em torno de seis a oito  semanas de vida e desaparece em torno do terceiro ou quarto mês.

O que fazer se o seu filho chorar ou tiver cólica?

1-      Verifique o “tradicional”: frio ou calor; fome; cansaço; fralda suja.

2-      Pegue a criança no colo. É impossível se “estragar” uma criança menor do que quatro meses, por pega-la no colo. Pelo contrário, nessa idade os bebês precisam se sentir seguros, amparados e acolhidos.

3-      Converse sussurrando, cante baixinho, embale seu bebê. Sempre de forma delicada. Excesso de estímulos também pode provocar choro.

4-      Mantenha todo o carinho que tinha ao dar seu seio, para a hora da comida. Continuará sendo uma hora de relacionamento e interação, muito importantes. Tente fazer com que a família inteira coma junto, desde muito cedo.

5-      Colocar o bebê para arrotar logo após as mamadas pode ajudar. Massagens, bolsas mornas na barriga, virar de bruços se estiver acordado, também podem ajudar.

6-      Se o seu filho estiver mamando no peito, não é recomendável o uso de chás. Se não estiver mamando no peito exclusivamente,  um pouco de chá de erva doce pode ser benéfico.

7-      Como o choro pode levar horas, não é incomum que os pais percam a paciência. É perfeitamente normal que isso ocorra. Se ocorrer, peça para outra pessoa segurar seu filho e saia de perto por um tempo, para relaxar. Se não tiver ninguém para segurar, deixe o bebê na cama por um tempinho, até que se sinta um pouco menos impaciente.

8-      Se achar que algo está estranho, mesmo que não tenha nada objetivo acontecendo, não hesite em falar com o seu pediatra.