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POSSO VACINAR MEU FILHO NO POSTO DE SAÚDE?

vacina2Pode! O Brasil possui um excelente programa nacional de imunizações que não só oferece uma gama muito abrangente de vacinas de qualidade, como estas são conservadas e aplicadas de forma adequada nas unidades do setor público. Este é um longo post. Se você não tiver nem tempo, nem paciência de lê-lo até o fim, o resumo é: não há justificativa técnica para se deixar de vacinar os filhos na rede do SUS. Abaixo, comento vacina por vacina, para quem tiver interesse em aprofundar o seu conhecimento.

Uma das maneiras de se avaliar se um programa de vacinação funciona é utilizando o Sarampo como uma “doença sentinela”. Por ser uma doença universal, altamente contagiosa, nos locais onde as coberturas vacinais não são homogêneas, e estão abaixo de 95%, ocorrem surtos a cada dois anos. Atualmente, nos países que conseguem manter altos níveis de cobertura vacinal, a incidência da doença é reduzida, ocorrendo em períodos cíclicos que variam entre cinco a sete anos. Como a vacina contra o Sarampo (parte da tríplice viral que protege contra o Sarampo, Rubéola e Caxumba) é feita com vírus vivo, atenuado, exige uma cadeia do frio muito eficiente. Cadeia do frio é um sistema de distribuição e conservação refrigerado, do fabricante até o local onde será administrada a vacina. Portanto, além da cobertura (% de pessoas que recebem a vacina), esta precisa estar bem conservada para “funcionar”. Como no Brasil não temos tido surtos de Sarampo e muitos casos notificados e confirmados se devem à “importação” da doença, trazida por viajantes, podemos afirmar,  que o nosso sistema de vacinação é muito bom. Se não fosse, estaríamos vivendo uma situação semelhante aos Estados Unidos, onde o presidente Barak Obama foi à televisão, incentivar os pais a vacinarem seus filhos porque o número de casos de Sarampo está aumentando de forma significativa, com vários surtos epidêmicos identificados.

Se o sistema brasileiro de vacinação pública é tão bom, por que persiste a dúvida se os pais podem ou não vacinar seus filhos nos postos de saúde? Existem vários motivos, a grande maioria baseada em informações imprecisas ou incompletas a respeito das vacinas. Também pode haver algum preconceito contra o sistema público que é considerado, por muitos, como sendo para pobres. O Sistema Único de Saúde (onde são aplicadas as vacinas), é  para todos os brasileiros. Quanto mais o utilizarmos e exigirmos que funcione, menos necessidade teremos de pagar um seguro privado, sobrando mais dinheiro para cada um de nós. É o que fazem a grande maioria dos países desenvolvidos. Lá, não há um sistema para pobres e outro para a classe média ou rica. Como exemplos de sistema único de saúde vejam como funciona a saúde no Canadá, Inglaterra e Alemanha. Mas, tirando esse eventual preconceito, existem as informações divulgadas, nem sempre precisas, envolvendo as vacinas. A seguir, vou comentar cada vacina e a eventual diferença que possa existir entre a oferecida nos postos de saúde e nas clínicas privadas.

BCG- vacina que protege contra a Tuberculose, deve ser feita nos primeiros dias de vida. Não há diferença nenhuma entre a vacina dos postos e das clínicas.

DPT- vacina que protege contra a difteria, tétano e coqueluche. Deve ser dada em 3 doses, nos seis primeiros meses de vida e reforços aos 15 meses e 4 a 6 anos. O componente Coqueluche da vacina oferecida nos postos é feita em cultivo de células, sendo chamada de celular. Nas clínicas privadas, o componente Coqueluche é feito sem o uso de células, sendo chamada de acelular. A vacina celular apresenta uma incidência um pouco maior de efeitos colaterais mínimos, como febre, irritabilidade, dor e vermelhidão local. Estes efeitos tendem a ser mais significativos à medida que a pessoa se torna mais velha. Por esse motivo, adolescentes e adultos devem receber a vacina acelular. Mas, para os bebês, o desconforto, quando presente, é passageiro, sem oferecer nenhum risco maior. Hoje, há uma discussão no meio científico sobre a durabilidade da proteção da vacina acelular. Pode ser que, nos próximos anos, se confirme que esta (a acelular) vai exigir reforços periódicos. Conclusão: as diferenças entre  a vacina celular dos postos e acelular das clínicas não justificam a opção pelas clínicas.  Para as gestantes, os postos de saúde oferecem a vacina acelular para adultos.

Haemophilus influenzae tipo B- vacina que protege contra doenças produzidas por esta bactéria, principalmente otites, laringites, pneumonias e meningites. É administrada em conjunto com a DPT, sendo chamada então de vacina quádrupla ou tetra. Não existe diferença alguma entre este componente da vacina dado nos postos de saúde ou em clínicas privadas.

Pólio- vacina que protege contra a Poliomielite (Paralisia Infantil). Pode ser administrada por via oral (gotinha) ou injetável. Atualmente, o programa de imunização nacional utiliza uma combinação de ambas. As primeiras duas doses são dadas por via injetável e as doses seguintes, por via oral. As datas desta vacina acompanham a quádrupla (três doses no primeiro ano + reforços a partir dos 15 meses). Tanto as vacinas injetáveis, quanto as orais, são idênticas nos postos e nas clínicas. A diferença que existe é que, as clínicas oferecem a vacina injetável de Polio, junto com a DPTHib (tetra), sendo então chamada de pentavalente ou penta, como é mais conhecida (5 vacinas em uma injeção). Esta diferença não representa nenhuma vantagem em termos de proteção, só de comodidade ou conforto.

Hepatite B- vacina que protege contra este tipo de Hepatite. A importância de se proteger as crianças contra a Hepatite B é que esta pode estar implicada em doenças mais graves do fígado, como cirrose e câncer. Esta vacina é dada logo após o nascimento, ainda na maternidade, seguida por mais duas doses, aos 2  e 6 meses de idade. Tanto no posto, quanto nas clínicas é a mesma vacina. Nos postos de saúde é adicionada à tetra, sendo chamada de pentavalente ou penta. Nas clínicas, é adicionada à penta, sendo chamada de hexavalente ou hexa. Do ponto de vista da proteção que oferecem, são idênticas. Apenas há a conveniência de 6 vacinas em uma injeção.

Rotavirus- vacina que protege contra um infecção gastrointestinal (diarréia) que pode ser muito grave. É dada por via oral (gotinha), a partir de 2 meses. A idade limite para se iniciar a vacinação contra o Rotavirus é de 14 semanas e 6 dias. Crianças com 15 semanas de idade não podem iniciar a vacinação (primeira dose). Existem dois tipos de vacina contra o Rotavirus. Ambas possuem a mesma capacidade de proteger os bebês. Nos postos é dada a vacina monovalente. Esta necessita de duas doses, aos 2 e 4 meses de idade. Nas clínicas, em geral, utilizam a vacina pentavalente, que necessita de três doses, aos 2,4 e 6 meses de vida. Esta é uma das poucas vacinas que não pode ser intercambiada.  Isto é, todas as doses devem ser dadas no mesmo lugar onde foi dada a primeira dose, não se devendo começar em um lugar (posto ou clínica) e trocar para outro (posto ou clínica).

Pneumocócica ou pneumo – vacina que protege contra as infecções produzidas por esta bactéria, principalmente  pneumonias e meningites. As vacinas aplicadas nos postos de saúde protegem contra 10 tipos de pneumococos, enquanto as das clínicas cobrem 13 tipos diferentes da bactéria. Esta é uma vacina onde há uma diferença entre o posto e a clínica. Na prática, a vacina oferecida nos postos protege contra os principais tipos de pneumococos. Esta vacina é dada em três doses, nos 6 primeiros meses de vida e um reforço aos 12 meses. Ainda existe uma outra vacina antipneumocócica, que protege contra 23 tipos de pneumococos. No entanto, devido à forma como é produzida, só pode ser aplicada a partir dos dois anos de idade, ficando reservada para casos especiais. Não faz parte do calendário vacinal de rotina.

Meningocócica C ou meningo C- vacina que protege contra um dos tipos do meningococo, responsável pela meningite meningocócica. Deve ser dada em duas doses nos seis primeiros meses de vida e um reforço aos 15 meses de idade. A vacina dos postos e das clínicas são idênticas. Atualmente existe uma vacina quadrivalente que protege contra quatro tipos de meningococos (A, C,W135 e Y). Esta vacina pode ser dada a partir dos 2 anos de idade  e só se encontra disponível nas clínicas particulares.

Tríplice viral ou SRC ou MMR- vacina que protege contra o Sarampo, Rubéola e Caxumba. A primeira dose deve ser dada aos doze meses de idade, seguido de um reforço, que nos postos será dado a partir dos 15 meses, utilizando a vacina tetra viral, que inclui o componente Varicela (Catapora). A vacina oferecida nos postos é idêntica à das clínicas.

Varicela- vacina que protege contra a Varicela ou Catapora. Nos postos esta vacina é oferecida junto com a tríplice viral, sendo chamada de tetra viral,  administrada a partir dos 15 meses (ou 3 meses após a dose da tríplice viral). Esta dose já é o reforço da tríplice viral. Nas clínicas privadas existe a opção desta vacina ser dada de forma separada, no mesmo dia em que é dada a tríplice viral. O reforço  poderá ser dado a partir de 3 meses após a primeira dose. Para o reforço, as clinicas privadas oferecem a tetra viral. Do ponto de vista da proteção, as vacinas do posto e da clínica são idênticas.

Hepatite A- vacina que protege contra a Hepatite A. Deve ser dada em duas doses. A primeira aos 12 meses de idade e a segunda, seis meses após esta dose. As vacinas do posto e da clínica são idênticas.

HPV- vacina que protege contra as infecções do Papilomavirus humano. Este vírus está implicado no câncer de colo de útero e verrugas genitais. No sistema público está sendo oferecida a vacina dupla, exclusivamente para meninas. O calendário sugerido pelo Ministério da Saúde é de três doses. A segunda dose seis meses após a primeira e a terceira 60 meses após a primeira. Esta vacina deve ser dada entre os 9 e 19 anos de idade. Nas clínicas existe a vacina quádrupla ou tetra, que pode ser aplicada em meninas e meninos. O calendário das clínicas privadas, também é de três doses, mas o intervalo é mais curto. A segunda dose é dada 2 meses após a primeira e a terceira 6 meses após a primeira. A diferença entre as vacinas dos postos e das clínicas é que as tetra (clínicas) protegem não só contra os vírus implicados no câncer do colo de útero, como também contra verrugas genitais. Por esse motivo os meninos devem ser vacinados com a tetra e não com a dupla.

Este post ficou longo, mas espero que ajude os pais e entenderem quais são as diferenças, mínimas, entre as vacinas dos postos e das clínicas e se sintam seguros em vacinar seus filhos no SUS.

Abaixo, o calendário vacinal do SUS:

 

 

 

QUAIS VACINAS E EM QUE IDADES?

Vacinas são um dos melhores métodos de proteção contra doenças. Com o progresso das pesquisas novas vacinas são colocadas no mercado. Quais vacinas devemos dar para nossos filhos e em que idade? Cada país define um calendário vacinal mínimo, em função da disponibilidade de recursos e necessidades epidemiológicas. Além disso, as sociedades de pediatria e outras instituições científicas fazem suas recomendações. No nosso país, os pediatras seguem o que recomenda o Ministério da Saúde, acrescido de algumas vacinas que ainda não são oferecidas nos postos de saúde. Alguns pediatras também adotam as recomendações do CDC de Atlanta e da Academia Americana de Pediatria. Veja abaixo os respectivos calendários vacinais:

Calendário da Sociedade Brasileira de Pediatria

calendario_vacinal_SBP2011

Calendário do CDC entre 0 e 6 anos de idade

0-6yrs-schedule-pr

Calendário do CDC entre 7 e 18 anos

7-18yrs-schedule-pr_2011_12

O CDC disponibiliza uma ferramenta que monta um calendário personalizado para seu filho ou filha. Basta dar a data de nascimento que ele vai gerar as dastas em que deveria tomar as vacinas. Divirta-se montando o calendário vacinal do seu bebê!

CDC Calendário bebês

Lembre-se que o seu pediatra pode ter um calendário um pouco diferente, otimizando as vacinas com as visitas periódicas ou ainda buscando distribuir de forma a não dar “picadas” de mais, de uma vez. O que estou publicando aqui é apenas uma referência. Recomendo que siga as orientações do seu pediatra.

Se tiver dúvidas, mande seu comentário que lhe responderei.