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ABUSO DE ANTIBIÓTICOS E USO DE PROTETOR SOLAR NA RÁDIO GLOBO

marcas_radio_globo_horiz_azul_redeTodas as quintas, entre 11:30 e 12h, participo do quadro Nossas Crianças, no programa Manhã da Globo, do Roberto Canázio, na Rádio Globo, 89,5 FM //1220AM. Nas penúltima  quinta, abordei a questão do abuso de antibióticos, contribuindo para o desenvolvimento de “super bactérias”, resistentes a quase  tudo que dispomos para combatê-las. Nesta quinta que passou, falei sobre a importância (ainda não reconhecida), do uso do protetor solar, a partir dos 6 meses de idade.

Se você quer ouvir a gravação destes programas, clique nos links abaixo. Agradeço se deixar, aqui no blog, sua sugestão de tema. Na medida do possível, tentarei falar sobre o assunto sugerido.

ANTIBIÓTICOS

Cena 1: a grávida, acompanhada do marido, está entrevistando o pediatra, para saber se vai escolhê-lo como médico do seu filho que vai nascer. Ela consulta uma lista de perguntas que incluem assuntos como amamentação, cólicas, disponibilidade do pediatra nos finais de semana, opinião sobre natação para bebês e música clássica para desenvolver a inteligência. Quase no final, surge a pergunta: “Dr. o senhor gosta de antibióticos? ” e o complemento da pergunta “porque o senhor sabe que tem muito pediatra que adora antibióticos!”

Cena 2: a mãe acompanha, atentamente, ao exame que o pediatra faz em seu filho de 7 anos. O menino apresenta febre alta há 4 dias e o médico, após o minucioso exame, constata que o paciente tem uma amigdalite (infecção da garganta). Pede então um exame (strep test) para diagnosticar (ou não) a presença de uma bactéria (estreptococo). Explica tudo para a mãe e quando ele fala no estreptococo ela exclama: “Dr. por favor, antibiótico não! Tenho o maior pavor de antibióticos!”

Cena 3: a mãe entra no consultório com a sua linda filha de 10 meses, no colo. Aflita, vai dizendo: “Dr. ela está muito resfriada. O nariz está escorrendo e tosse à noite. Felizmente, febre não teve e está comendo tudo muito bem. Mas, o Sr. não acha melhor dar logo um antibiótico para prevenir uma pneumonia?”

Três cenas fictícias que bem poderiam ser verdade. Antibóticos geram reações emocionais nas pessoas. No entanto, talvez com um pouco de informação, essa reação poderia ser mais racional. Antibióticos são substâncias que têm a capacidade de matar bactérias. Bactérias são microorganismos (bichinhos muito pequenos que só podem ser vistos com microscópio) que, em determinadas situações podem produzir uma infecção nas pessoas. Dependendo da gravidade, infecções podem matar uma pessoa. Portanto, ter uma arma que possa matar bactérias e garantir a saúde das pessoas é ótimo. Não se trata de gostar ou não de antibióticos. Nenhum médico gosta de antibióticos (ou de qualquer remédio). O pediatra usa antibióticos quando seu julgamento clínico, com ou sem exames complementares, percebe uma indicação para seu uso. O uso equivocado ou abusivo de antibióticos contribui para o desenvolvimento de bactérias resistentes e a necessidade de novos antibióticos mais poderosos. Por isso que o seu uso deve ser muito criterioso. Antibióticos não servem para prevenir uma pneumonia, como no exemplo acima. Nem servem para tratar de resfriados ou viroses, muito menos devem ser utilizados como antitérmicos para combater a febre!

Portanto, da próxima vez que seu pediatra prescrever antibióticos e você quiser perguntar a respeito, pergunte sobre a indicação, que tipo de bactéria ele supõe estar em jogo. Isso quando não há uma cultura (como urina ou o tal strep test citado no exemplo), onde a bactéria está identificada. Não tema, nem ame os antibióticos. Quando bem indicados contribuem para a cura das pessoas.

Se você tem algum comentário ou dúvida sobre o uso de antibióticos, por favor me envie.