AJUDANDO SEU FILHO A FALAR

Antes de comentar sobre o aprender a falar, considero importante lembrar que a comunicação baby_on_phoneacontece muito antes do falar! Um bebê se comunica através de um sorriso, olhar, choro, balançar de pernas e braços, encostar de cabeça no colo, exibição de objetos etc. Muito antes de falar palavras, já existe uma comunicação que se estabelece entre o bebê e os adultos. Nem sempre somos capazes de entender o que querem nos dizer os bebês. Afinal de contas, eles falam uma língua que, um dia, conhecíamos bem e, hoje,  não lembramos mais!

A língua que falamos, usando palavras, vai ser lentamente assimilada  pelos bebês. Ainda bem pequenos, os bebês começam a distinguir a voz humana de outros sons e, em especial, a voz de sua mãe e de seu pai. Não raro, a voz dos pais faz com que um choro cesse ou o ritmo da mamada mude, sinalizando que, não só o som foi ouvido, como alguma identificação ou familiaridade foi estabelecida, pelo bebê.

À medida que o bebê cresce, aumenta a sua compreensão do que é dito pelos adultos. Inicialmente, distingue entonações, sorrindo quando determinados tons são empregados e olhando fixa e seriamente quando outros são empregados. Em torno do primeiro ano, não só reconhece os objetos pelas palavras atribuídas (copo, prato etc.), como é capaz de usar uma a duas palavras. Mas a comunicação continua sendo não verbal. Levanta os braços sinalizando que quer ser pego no colo, aponta para as coisas que deseja e imita alguns sons.

Uma grande “revolução” na comunicação falada acontece entre um ano e meio e dois anos. A criança compreende pronomes como você, eu e é capaz de balançar a cabeça afirmativa ou negativamente, de forma coerente com o que deseja expressar. Nesta época o vocabulário aumenta muito rapidamente, chegando a aprender uma palavra nova por semana. Nesta fase, a criança consegue apontar algumas partes do seu próprio corpo, corretamente. Em torno dos dois anos, consegue formar frases com duas palavras como: “vai papai ou minha boneca”, e aproximadamente 50% do que diz consegue ser entendido. Também é capaz de entender uma instrução simples como: coloque seu copo na mesa.

Essa evolução implica em um vocabulário cada vez maior, mais  rico e complexo. O aumento de vocabulário é acompanhado pela capacidade de estruturar frases incialmente simples,mas que vão ficando sofisticadas na sua construção. É uma fase deliciosa onde nossos filhos dizem coisas fantásticas, inimagináveis. Nos perguntamos, com alguma frequência, onde aprendeu isso? Junto com esse explosão de vocabulário e comunicação falada, surge a expressão da enorme curiosidade das crianças. É o momento em que as fabulosas perguntas começam a ser formuladas. Perguntas, para as quais, nem sempre temos respostas e nos fazem pensar fora da nossa rotina!

Quem chegou até aqui neste post deve estar se perguntando, onde estão as dicas para ajudar nossos filhos a falarem! Seguem abaixo:

  • o bebê é um ser humano completo que se comunica
  • cada criança é única, com seu ritmo e tempo próprios. Evitem comparar crianças, incluindo irmãos. Usem as idades de referência acima mencionadas, apenas como tal. Não façam das referências de idade uma meta a ser atingida;
  • fale com seu bebê no seu tom de voz habitual, talvez um pouco mais baixo. Uma coisa é falar de forma carinhosa, delicada, outra é como se o bebê fosse um bichinho. O bebê é um ser humano completo e, se queremos desenvolver a sua linguagem falada, devemos falar do modo com que seres humanos falam. Não há necessidade de dizer: papai vai tocá a faldinha do neném, para que a frase seja carinhosa. Pode muito bem dizer: eu vou trocar a sua fraldinha, em um tom amorosíssimo.
  • use, com frequência, a primeira pessoa do singular para se referir a si próprio. Se achamos estranho quando o Edson Arantes do Nascimento diz: porque o Pelé fez tal coisa…, como se fosse uma entidade à parte, porque vamos fazer o mesmo? Mamãe e Papai podem e devem ser usados, mas não devemos abolir ou eu na nossa comunicação falada;
  • leia para seu bebê. A partir dos 6 meses, leia livrinhos, mudando a entonação e ritmo da fala.
  • evite pressionar a criança com “performances” ou correções. Performance é aquela situação em que pedimos para a criança dizer para a vovó  uma certa palavra que aprendeu. Deixe que a palavra surja espontaneamente e faça um comentário positivo. Se o seu filho errar uma palavra, não o corrija dizendo que não é assim que se fala ou que ele já sabia falar essa palavra. Simplesmente use a palavra da forma correta;
  • aceite que, em determinados momentos onde seu filho não consiga dizer o que quer, fique muito irritado e mau humorado;
  • última dica e, talvez, a mais importante: esqueça todas as dicas (exceto a de ler para seu filho desde bem pequeno!) e siga sua emoção e bom senso. Faça desta fase da vida de seu filho um momento lúdico e prazeroso para todos.

Lembre-se que o seu pediatra é a melhor pessoa para lhe orientar, tirar suas dúvidas e lhe tranquilizar. Não hesite em falar com ele sobre o desenvolvimento da fala do seu filho, se esse assunto estiver lhe gerando algum tipo de preocupação.

Como sempre, comentários são bem-vindos. Só não consigo responder àqueles que me pedem uma opinião médica a respeito de uma situação específica, porque o blog não substitui uma consulta. Mas, na medida do possível, tento dar uma orientação sobre como proceder.

 

2 pensamentos sobre “AJUDANDO SEU FILHO A FALAR

  1. Olá Dr. Roberto! Obrigada por suas postagens, conheci seu blog hoje e não consigo parar de ler e pesquisar!
    Ando bem angustiaga coma evolução da fala no meu filho. Ele está com 1 ano e 9 meses e só fala mamãe e “abou” (para tudo que acabou, foi embora, desapareceu….). Ele sabe o nome de tudo e de todos. Quando falo todas as palavras, ele as identifica em fotos (por exemplo), pessoas….devo me preocupar, pois não emite nenhuma palavra até agora? Ou, com qual idade devo começar a me preocupar?
    Desde já agradeço sua atenção!

    Renata Barros

    • Prezada Renata,
      Obrigado por participar do blog. Como o blog não substitui uma consulta, seria irresponsabilidade minha opinar sobre o seu filho.Sugiro que converse com o pediatra para que este lhe oriente. Mas, em geral, uma criança com 1a9m possuiu um vocabulário de poucas palavras. Se você acompanha seu filho com um pediatra, não tem motivo para se preocupar porque este estará atento a algum eventual retardo da fala, diagnosticável a partir de 2anos ou 2anos e alguns meses.

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