7 PASSOS PARA O FRACASSO GARANTIDO!

Como há muito não posto um texto no blog, vale uma nota de advertência: este texto contém humor e ironia!

Muito se escreveu e escreve sobre o sucesso, a felicidade, a plenitude. Existem livros, vídeos, podcasts, Ted talks, narrando experimentos com animais e observações com seres humanos, chegando a conclusões “reveladoras” de qual o caminho para o sucesso.

Não vi nada escrito sobre o fracasso e achei que poderia ser importante alguém se curvar sobre esse tema. O fracasso, assim como o sucesso, é algo muito amplo e vou me limitar a escrever sobre como ajudar seus filhos a serem um fracasso na vida. Como todo bom texto de autoajuda, este não foge à regra e tem um número de passos que, se bem cumpridos, garantirão o fracasso de seus filhos. Vamos então aos 7 passos para o fracasso!

1- Seja rigoroso com tudo, sempre. Não me refiro ao rigor com valores morais não negociáveis, tais como, ética, moral, compaixão, humanidade. Não me refiro ao rigor com os valores de cada família. Me refiro a um rigor que engesse a criança dentro de uma moldura desenhada a priori pelos pais. Uma moldura onde a singularidade não possa existir e o que vai surgir é o “nós sabemos o que é o melhor para ele”. Afinal de contas, pais bem-sucedidos e amorosos, podem abreviar o caminho dos filhos, porque sabem o que é melhor.

Esse engessamento pode começar desde que o bebê nasça, quando eu recomendo que coloquem um rótulo na criança o quanto antes. Qualquer rótulo serve: ele é genioso, tem uma personalidade muito forte, esse sabe o que quer, não gosta de ficar sentado, só come se a colher vier da direita para a esquerda. Estou falando de rótulos colocados realmente cedo na vida. O rótulo é um gesso sutil, ainda não totalmente enrijecido, mas que vai “moldando” aquela criança ao ponto de confirmar que ela é, de fato, o que o rótulo previa. Bebês aprendem, muito rapidamente, a atender às nossas expectativas, abrindo mão da sua individualidade.  Dependendo do ambiente, se moldam ao desejos e expectativas dos pais.

Evitem olhar para o bebê com um enorme ponto de interrogação, perdidos, sem entender direito aquela outra pessoa. Não se deem ao trabalho de deixar que essa pessoa, por menor que seja, se expresse e possa ir, aos poucos, se revelando. Isso é muito aflitivo, leva muito tempo e, sinceramente, pouco eficiente. O rótulo funciona melhor!

Sempre que possível tratem o erro como algo inadmissível, impensável. Desenvolver o medo de errar é um engessamento formidável que se traduz em inércia, paralisia, ausência de riscos: a perfeição para o fracasso.

 

2- Impeça a criatividade plena. Alguma criatividade é impossível de evitarmos com as crianças. Elas são terríveis nesse quesito, tendo uma capacidade ilimitada de ter ideias as mais bizarras, estranhas, engraçadas e, principalmente, ilógicas e irracionais. Ora, em um mundo lógico e racional, o quanto antes evitarmos esses devaneios, sonhos, delírios ou o nome que quiserem dar, melhor.

Essa ação também pode começar cedo, com o bebê, desenvolvendo rotinas e protocolos para tudo. Não me refiro a um horário para as refeições ou banho, mas um horário ou regra para tudo. O bebê, muito rapidamente, vai entender que não tem espaço para sua criatividade.

Com a criança maior, aí sim é que podemos ser absolutamente firmes em impedir devaneios. Nada de acolher os medos imaginados, nada de contar histórias onde animais falam e, se for absolutamente uma narrativa lúdica, que sempre contenha uma moral relacionada ao fato de que o esforço sempre leva as pessoas ao sucesso ou de que o mérito será, em qualquer circunstância reconhecido e o erro jamais tolerado (como dito acima).

Na adolescência, procurem orientar, com rigor, a escolha de uma profissão. O que você quer ser quando for adulto é uma pergunta que deve ser martelada o tempo todo. Isso quando o gesso já não tiver decidido a profissão daquela pessoa. E, em hipótese alguma estimulem a ideia de que é possível mudar de profissão, ou,  em um mundo de rápidas transformações, ter mais de uma profissão, ao longo da vida. Isso é muito bom em teoria, mas, na prática, é escolher e encarar, para o resto da vida. Além disso, essas ações de inibição da criatividade natural, reforçam, em muito, as de engessamento. É uma sinergia formidável.

3- Introduza a criança, o quanto antes, no mundo adulto. A partir dos 2 anos, ofereça recompensas por tarefas bem feitas e restrições por falhas. Não me refiro a coisas como guardar brinquedos, tomar banho e começar a se vestir sozinho. Me refiro a iniciar o desfralde antes da criança mostrar que está preparada, apenas porque tem 2 anos. Ou, a identificar o nome de vários objetos em várias línguas, só para o deleite dos adultos. Ao invés de educar, adestrar.

À medida que a criança cresça, introduza, cedo, a noção de uma remuneração e de um orçamento. Todo desejo da criança deve estar atrelado à sua capacidade de poupar para atingir seu objetivo ou adquirir o objeto do seu desejo. Sempre que possível, reforce a noção de que não é possível se ter tudo, o que, por ser uma realidade, deve ser apresentada o quanto antes aos filhos. Mas, não apresente esta realidade de forma progressiva, gradual, acompanhando o processo de maturação da criança. Apresente de forma absoluta, intensa e rígida.

4- Seja flexível com questões de disciplina. Evite frustrar seu filho com algumas regras que devem ser obedecidas ou comportamentos desejáveis. Em caso de birra ou pirraça, atenda o quanto antes o desejo do seu filho. Permita que possua um celular ou tablet, ainda no primeiro ano de vida, ligando-o sempre que os pais precisarem de um momento de calma. Talvez fosse melhor ligar sempre, para que a criança aprenda a usar o equipamento e, desta forma, não demandar nada dos pais.

Há um modismo que deve ser abraçado com todo fervor: educar sem frustrar. Uma educação onde não cabem críticas, onde a criança fica protegida de entrar em contato com a realidade que é muito dura para seres tão pequenos.

Pode parecer um paradoxo que eu esteja sugerindo engessamento máximo e, ao mesmo tempo, flexibilidade total. Não é. Sejam rígidos com o que deve ter flexibilidade e flexíveis com o que deve ter alguma rigidez.

5- Terceirize ao máximo a educação dos seus filhos. Contrate babás e folguistas, não para ajudar nas tarefas da casa e nas que não envolvem muita ligação afetiva. Contrate babás e foguistas para evitar que as crianças atrapalhem a vida dos pais. Escolham creches e escolas com projetos pedagógicos modernos, avançados, que prometam transformar seus filhos em maravilhas do futuro. Deixem que a escola se encarregue da educação plena de seus filhos. Uma escola com horário integral, associado à babás e folguistas, é uma fórmula perfeita. Tente associar ambas as estratégias.

6- Mine a autoestima do seu filho. Todos sabemos que elogios, reforço positivo, estragam as pessoas. Com elogios, as pessoas tendem a ficar mais moles. A crítica permanente é o caminho mais adequado para a formação de um caráter sólido. Afinal de contas, quem tirou 9,5 em uma prova, obviamente poderia ter tirado 10. Nunca uma criança deve ser elogiada pelos nove pontos e meio e sim criticada pelo meio ponto que faltou para a nota máxima.

7- Seja muito impaciente e pouco afetivo. A impaciência contribui para o engessamento, do qual já falei. Além disso a impaciência é uma ótima ferramenta para minar autoestima da criança. O afeto, essa coisa que não tem muita explicação, que é sentimento puro, não ajuda em nada o desenvolvimento de um raciocínio lógico e um pensamento crítico. Ficar enroscado nos filhos, sem motivo algum é um perigo porque pode sinalizar que existe mais na vida do que produzir resultados, atingir e, idealmente, bater metas. Pode dar a ideia de que seres humanos são animais sociais e que essa conexão com o outro é constitutiva e não uma distração ou uma fraqueza, uma vulnerabilidade.

Garanto que os sete passos para o fracasso, acima descritos, funcionam. De bônus, formará adultos infelizes, ainda que, em alguns casos, extremamente produtivos.

Mas, se você é desses pais que deseja a felicidade e o sucesso dos seus filhos. Não só não faça nada do que descrevi acima, como faça o extremo oposto!

COMO O BEBÊ NOS AFETA?

Há muito não escrevo no blog. Tive vontade, várias vezes, mas nunca consegui colocar por escrito o que eu pensava. Algumas vezes não achava que seria original o suficiente. Outras, que não despertaria interesse. Esta semana, a revista Primórdios- Narrativas Sensorias (v.5 n.5 2018) publicada pelo Círculo de Psicanalítico do Rio de Janeiro, trouxe um texto que escrevi, tentando colocar no papel o que tinha sido uma apresentação oral que havia feito. É preciso dizer que o Círculo, na pessoa da Maria de Fátima Junqueira, foi muito generoso comigo. Tanto me convidando para falar, quanto me permitindo escrever um texto livre, sem o rigor que um texto acadêmico impõe a seu autor. Sou grato ao Círculo e, em especial, à Maria de Fátima.

O texto é, certamente, longo demais para um blog. Mas, como eu fiquei tanto tempo sem escrever aqui e este texto passeia por vários temas que já abordei em diferentes posts, decidi correr o risco e publica-lo, sem cortes, sem resumo. Para quem achar o texto longo (e é mesmo), sugiro que leia aos poucos. Um ou dois parágrafos de cada vez. Assim, acho que ficará mais leve.

Vamos ao texto:

Palavras de um Pediatra: Como o bebê nos afeta

Para começar esta conversa, ainda que por escrito, vamos definir o que seja afetar. Sem muito aprofundamento etimológico, afetar significa, entre outras coisas, causar efeito em alguém. Nesse sentido, bebês nos afetam de várias formas.

Bebês apresentam comportamentos inatos que buscam a proximidade com a mãe (ou com quem estiver fazendo esse papel) e protestam quando são afastados. A simples busca pela proximidade e a queixa no afastamento afeta os pais e os humanos em torno do bebê tanto nos aspectos emocionais quanto físicos.

Comparativamente a outros mamíferos, nós humanos nascemos prematuros. Praticamente todos os mamíferos conseguem se movimentar em busca do alimento com uma semana de vida. Alguns, desde o primeiro momento, como cavalos, bezerros, cordeiros etc. Se nós já nascêssemos com a habilidade de nos locomovermos, deveríamos nascer nove meses mais tarde, e vocês podem imaginar o tamanho da bacia que as mulheres deveriam ter. Como as bacias seguem com o tamanho próximo ao dos primos primatas, nossa cabeça só consegue passar (com muito esforço) ao término de aproximadamente 40 semanas de gravidez. Os outros nove meses serão vividos fora do útero. Uma segunda gestação!

Seres humanos nascem, portanto, dependentes absolutos do cuidado de outro ser humano, adulto. Dependência absoluta significa que, se não houver cuidado 24 horas por dia, 7 dias na semana, o bebê não tem condições de sozinho, sobreviver. Bebês nos afetam por necessidade de sobrevivência. Os bebês são “interesseiros! ”. O amor se dá em termos de cuidados efetivos. O choro do bebê é algo que não nos deixa neutros, nunca. Pode ser o choro de um bebê no vizinho – aquele volume e timbre nos tocam. Algo se passa nas nossas cabeças (e corações), nem que seja: coitado desse bebê e desses pais. Se vemos um bebê chorando, nosso reflexo é o de pegá-lo. Não pensamos por que queremos fazer isso. Queremos porque o choro causou um efeito (afetar), e respondemos a esse efeito. O ser humano precisa de contato e comunicação, e o choro do bebê pode ser um pedido para que essa necessidade básica seja atendida. Como? Sem muita teoria, sem muito pensar e refletir. Colocando o bebê no colo, olhando e conversando com ele.

Do ponto de vista emocional, sem ser no exemplo acima, o de uma resposta imediata a um choro, o bebê produz sentimentos intensos e, não raro, paradoxais. O amor que um bebê provoca é único, ímpar, diferente de todas as outras formas de sentir amor que se possa ter experimentado. Não é igual ao amor pelos pais, irmãos, amigos, companheiro ou companheira. É uma onda de amor de intensidade e qualidade não descritível em palavras. Junto com o amor, o carinho, o desejo ou impulso de manter o bebê colado no corpo vêm o olhar de contemplação e, simultaneamente, um radar a antecipar dificuldades ou problemas. Ao mesmo tempo, o sentimento de insegurança se instala. Há dúvidas quanto ao cuidar adequado, à competência que oscila entre questões muito objetivas – meu leite é suficientemente forte para meu filho? – e outras mais subjetivas – o que mais posso fazer para ele ficar bem?

Como bebês são implacáveis com seus pais, à medida que os dias vão passando podem surgir a irritação e a raiva que, não raro, disparam um sentimento de culpa. Como pude sentir raiva ou perder a paciência com a criatura que eu mais amo na vida?

No campo físico, também somos afetados por bebês. Mães descobrem uma vitalidade que desconheciam possuir. Dormem poucas horas e em horários atípicos. Aprendem a dormir entre mamadas, cujo intervalo sequer é previsível. Mas também descobrem um cansaço jamais sentido. Isso sem comentar as mudanças corporais que a gravidez e amamentação produzem no corpo da mulher. “Nunca mais terei minha vida de volta” é um pensamento que poucas mães ousam verbalizar, mas que passa pela cabeça de muitas.

Há uma outra forma com que os bebês nos afetam diretamente. O bebê é um ser imprevisível, incontrolável, avesso a rotinas. O bebê esfrega na nossa cara a sua singularidade, o que nem sempre é facilmente entendido, assimilado e, mais importante, acolhido pelos pais. A resposta habitual é a de buscarmos padrões, regras para que possamos sentir um certo controle (ilusório) da situação. Queremos controlar e o bebê é incontrolável. Essa característica dos bebês abre o espaço para a “terceirização” do cuidar. Nomeamos “autoridades” que nos darão “soluções”. Compramos cursos, técnicas, manuais, regras de como bem cuidar do nosso bebê, esquecendo-nos de olhar o único manual onde as respostas podem ser razoáveis. Me refiro ao manual do bebê, daquele bebê. O manual ao qual só os pais têm acesso e que só eles podem decifrar. No entanto, diante da insegurança natural, reforçada pela pressão social, os pais não conseguem perceber que qualquer autoridade, protocolo ou regra não se refere ao seu bebê, mas a um bebê médio, estatístico. Portanto, inexistente. Não percebem ou não se sentem seguros com o fato de que quem mais entende do seu bebê são os pais. Ninguém mais conhece tão bem o bebê quanto seus pais. Se livrar das “regrinhas” externas e descobrir, dia a dia, as necessidades do seu bebê é uma tarefa difícil, trabalhosa e cansativa. Mas é a que garante o prazer da maternidade (e da paternidade) e, mais importante, que assegura ao bebê as bases para uma vida saudável (física e psíquica).

Entra em cena um outro tipo de afetar, não diretamente produzido pelo bebê, mas consequência da sua chegada. Trata-se da pressão social por padrões de maternidade desejáveis. De repente, a mãe se torna a ré de um tribunal onde está sendo julgada por tudo que fez ou deixou de fazer com e para o seu bebê. É um massacre silencioso e cruel, envolto em um belíssimo embrulho que faz supor preocupação e amor por parte de quem massacra. Os pais, naturalmente inseguros, agora terão a certeza da sua incompetência, e qualquer impulso de criatividade e ousadia que poderia haver desaparece, esmagado por regras, protocolos, formas corretas de se fazer. Nesse movimento de retirar dos pais sua autonomia, tornando-os reféns do saber alheio (pediatras, avós, grupos de mães no WhatsApp), a amamentação mereceria um artigo exclusivo. Sem me aprofundar, há um fundamentalismo associado à amamentação ao seio que torna um fim o que deveria ser um meio. Ou a mãe amamenta ao seio, exclusivamente, pouco importando sua história de vida, o contexto, as dificuldades, ou ela e seu bebê “arderão no fogo do inferno! ”.

O progresso tem inúmeros aspectos positivos, não há como duvidar. Mas cobra um preço também. Há 100 anos, a cena de um bebê chegando se daria em uma casa onde uma família provavelmente numerosa viveria. Nesse ambiente, com irmãos, cunhados, tios e sobrinhos próximos, o bebê seria acolhido pela família, facilitando em muito o trabalho dos pais. Hoje, com a predominância de famílias mononucleares, os bebês saem da maternidade para o apartamento dos pais, onde os três conviverão. Esse convívio intensivo e exclusivo só potencializa o afetar sobre as emoções e o corpo dos pais.

O progresso também molda a cultura e, nesse momento, os valores corporativos ou de empreendedorismo permeiam a vida pessoal. Valores como eficácia, entrega, mérito, custo/benefício são fundamentais em um negócio, mas famílias não são empresas! Mesmo assim, a ideia de performar, do que fazer, como fazer, fazer melhor etc. já ultrapassou os limites da vida profissional e invadiu nossas vidas pessoais. Bebês não querem pais que façam, mas que estejam e sintam. Essa dissonância entre o que pensamos ser bom e o que bebê nos diz que precisa é uma forma de afetar que, para os que puderem aproveitar, só trará benefícios.

Como pediatra, não poderia deixar de comentar que, quando um bebê ou uma criança adoece de algo corriqueiro e inerente ao crescimento como resfriado, febres, tosse, há uma natural amplificação da insegurança dos pais. A questão é que em um mundo pragmático, rápido, problem solving oriented (usei a expressão propositadamente em inglês para dar o peso da cultura), o desejo de soluções imediatas gera um abuso de medicamentos (ineficazes) e/ou de exames laboratoriais (desnecessários). O cuidar se perdeu com a expectativa de cura (para coisas simples e que ainda não temos cura). O remédio nos dá a falsa sensação de “estarmos fazendo algo”, quando o que o bebê ou a criança com esses tipos de doenças comuns precisa é de paciência e carinho. Novamente vemos nossos filhos nos afetando e, nesse caso, sinalizando que a vida de relações, vínculos e afeto nem sempre precisa de alguém, obrigatória ou prioritariamente, fazendo algo. Nossos filhos nos dão a oportunidade de reavaliarmos a forma com que estamos no mundo e nos relacionamos com as pessoas.

Falei do bebê afetando seus pais, mas é preciso dizer que ele afeta a todos em seu entorno. Aí incluo o pediatra que, ao examinar um bebê e ver os olhos fixos nos seus, um sorriso ou um choro durante o exame físico, não consegue passar incólume por esses momentos. Mais, quando o pediatra percebe a capacidade dos pais em cuidar do bebê ou acolhe suas inseguranças, saindo do campo meramente orgânico, biológico, da prática médica, acaba sendo invadido por emoções que mexem com a sua pessoa. Por isso, não raro, permanecemos na “zona de conforto” (improdutiva) para a qual a formação médica nos “doutrinou”, olhando apenas para o biológico, sem entrar em contato com as pessoas envolvidas no atendimento (o bebê e sua família).

Finalmente, há toda uma história que não contei aqui sobre como nós e o ambiente afetamos o bebê! Apenas como provocação, deixo no ar a ideia de que não há afetar sem ser afetado. Assim, bebês percebem o humor de quem cuida deles, bem como a harmonia e tensões do ambiente onde está inserido. Muitos pais (e pediatras) acreditam que o bebê é pequeno demais para perceber o que se passa ao seu redor. Estão considerando que a única forma de percepção é cognitiva, lógica, e esta, sem dúvida alguma, o bebê ainda não tem maturidade para ter. Mas as sensações são uma forma de percepção, poderosíssima, deixando seus registros, ainda que inacessíveis, para sempre.

O afetar dos bebês nos remete ao ser antes do fazer e pode nos permitir viver emoções, sentir e responder com um cuidar que seja aquele de que o bebê efetivamente precisa.

 

Na foto: Julia e Antonio (se afetando mutuamente).

É POSSÍVEL UM LANCHE MAIS SAUDÁVEL?

A resposta é: sim, é possível. No entanto, também é verdade que dá mais trabalho e, eventualmente, custa um pouco mais caro. Mas, o que está em jogo é a saúde, a longo prazo, dos nossos filhos. O sobrepeso e obesidade infantil já se constituem em problema de saúde coletivo, no nosso país e no mundo. A questão do sobrepeso e da obesidade não é estética e sim de qualidade de vida. O risco de doenças como hipertensão (pressão alta), diabetes (açúcar no sangue), infarto agudo, acidente vascular cerebral (derrame), alguns tipos de câncer, problemas ósteo-articulares como atritres e atroses, é muito maior nas pessoas com sobrepeso ou obesidade. A única prevenção possível é o desenvolvimento de hábitos saudáveis, a partir da infância.

Um desses hábitos é o da alimentação saudável. Não significa nenhum radicalismo ou fundamentalismo alimentar. Significa apenas saber que certos alimentos fazem mais bem do que outros. Ou ainda, que certos alimentos fazem mal. De um modo muito simplista, alimentos processados, isto é, os que são produzidos pela indústria e chegam até nós em embalagens sedutoras e rótulos difíceis de entedermos, são menos saudáveis do que os alimentos preparados em casa. Dito de outra forma, um prato de comida feito em casa é mais saudável do que abrir uma embalagem e preparar ou comer diretamente o que a indústria produziu e colocou em embalagem atraente. A questão é que alimentos industrializados são mais práticos, rápidos e, muitas vezes, mais baratos do que prepararmos comida em casa. Mas, a pergunta que devemos nos fazer é: quanto vale a saúde dos nossos filhos? A alimentação, junto como outros hábitos saudáveis (sono, atividade física) funciona como uma “vacina” de longo prazo, prevenindo ou reduzindo a incidência de certas doenças.

Algumas escolas já iniciaram um movimento para ajudar as famílias a desenvolverem hábitos alimentares saudáveis, incluindo, no seu currículo atividades lúdicas de culinária, cantinas com rotulagem de fácil entendimento dos alunos e um conteúdo pedagógico transversal que contemple os diversos aspectos da alimentação, incluindo o prazer de comer, a alegria de comer juntos, fugindo de um aspecto meramente nutricional para uma abordagem mais biopsicossocial do comer. No Rio de Janeiro, as nutricionistas Renata Araujo e Cynthia Howlett desenvolveram o projeto Alimentação Consciente que está sendo apresentado às escolas e já é adotado pela Escola Parque. “Comer é prazer, é necessidade, é partilha, é afeto. Mas também é um ato político! Desejamos que as crianças sejam mais saudáveis. Que comam mais alface e menos miojo! Mais frutas e menos biscoito!Desejamos conter o aumento desenfreado da obesidade, e para isso solicitamos que as crianças façam suas escolhas alimentares baseadas em preceitos, nutricionalmente balanceados. Mas, nos perguntamos: será que estamos preparando as crianças para fazerem suas escolhas alimentares conscientes?” Esse é o enfoque do projeto liderado por estas duas nutricionistas em conjunto com os pais e as escolas.

Para ajudar os pais com algumas sugestões, pedi à Renata  receitas para um lanche mais saudável. Ela me enviou as seguintes receitas, sugerindo que, sempre que possível, a criança seja envolvida em todo o processo, começando pela compra dos ingredientes, passando pelo preparo e, finalmente, a degustação. Quando a criança é envolvida na elaboração da comida, seu interesse e curiosidade pela degustação aumentam. Ela se sente (e é) autora daquela comida que passa a ser dela e não algo completamente imposto por algum adulto.

Vamos às receitas (todas podem ser feitas com as crianças):

Pão de Tapioca
Ingredientes Leite desnatado – 1 e 1/2 xícaras

Tapioca Granulada – 3/4 xícara

Ovo – 1 unidade

Queijo Parmesão ralado – 1/2 xícara

Polvilho Doce – 1/2 xícara

Óleo de Girassol – 1/4 xícara

Sal – a gosto

Modo de Preparo
Em uma panela, ferver o leite com o sal. Desligar o fogo e adicionar o óleo. Em uma tigela colocar a tapioca para hidratar com o líquido ainda fervente. Reservar por 30 minutos. Depois de frio, adicionar os outros ingredientes e amassar bem com as mãos. A massa deve soltar das mãos. Caso isso não ocorra, adicionar um pouco mais de polvilho. Fazer bolinhas com as mãos e colocar sobre tabuleiro antiaderente. Levar para assar em forno préaquecido (180C) por 35 minutos.

Omelete do Pedro e da Alice (filhos da Renata)

4 ovos

4 bolinhas de queijo de búfala (ou uma fatia de queijo Minas)

4 tomates cereja

1 pitada de sal

1 pitada de orégano (opcional)

Modo de preparo:

Picar o queijo, cortar os tomates e misturar bem.

Em uma tigela, bater os ovos com garfo ou batedor manual (fouet).

Uma vez que os ovos estejam bem batidos, acrescentar o queijo e tomate já misturados. Colocar uma pitada de sal e de orégano (opcional) e mexer. Derramar sobre uma frigideira quente antiaderente ou com um fio de azeite. Virar o omelete e dobrar quando estiver com a consistência desejada (os franceses preferem o omelete mais mole, chamado de baveuse).

Iogurte natural caseiro
Ingredientes Leite integral – 1 litro

Iogurte natural desnatado consistência firme – 1 pote

Leite desnatado em pó – 2 colheres de sopa bem cheias

Açúcar Demerara – a gosto

Modo de preparo
Ferver o leite. Desligar. Deixar esfriar (37 C) para adicionar o leite em pó e o iogurte. Misturar delicadamente. Tampar a panela e colocar em local reservado por 12 horas. Sugestão guardar dentro do forno desligado.

Dica gastronomica
No fundo de cada potinho pode-se colocar uma geléia de frutas sem sabor para flavorizar seu iogurte.

Dica de conservação
Após 12 horas de descanso todo o contedo da panela se transformará em iogurte. Conservar na geladeira por até 4 dias. Sugestão transferir o contedo para potinhos individuais. Assim, evita-se a manipulação constante do iogurte, favorecendo a conservação.

Cookie de banana
👉🏼 sem açucar refinado adicionado
👉🏼 receita fácil de ser feita com as criança
👉🏼 os ingredientes como chocolate, coco e amendoas podem ser modificados para outra de preferência da criança

•Banana  madura(3  unidades)

•Aveia em flocos(2  copos duplos)

•Óleo de  girassol(1/4  de  copo duplo)

•Amêndoas sem casca trituradas no  processador(2/3  de  copo duplo)

•Coco  ralado sem açúcar (1/3  de  copo duplo)

•Fermento em pó(1  colher de  sobremesa)

•Baunilha(1  colher de  sobremesa)

•Sal  (1/2  colher de  sobremesa)

•Canela em pó(1/2  colher de  sobremesa)

•Chocolate  amargo picado ou passas pretas(170  g)

Modode preparo:
Numa vasilha,misturar as  bananas amassadas com baunilha e óleo de canola.Reservar. Em outra vasilha, misturar os secos: aveia, amêndoas trituradas, coco ralado,canela em pó, sal e fermento.Adicionar a banana aos secos e misturar  bem com um garfo. Por último,juntar os pedacinhos de chocolate amargo.Faça pequenas bolinhas e disponha no tabuleiro preparado.
Préaqueça o forno a 180°C.Forrar 2 tabuleiros com papel manteiga. Reservar.
Assar por 20 a 25 minutos. Deixar esfriar antes de retirar do tabuleiro com uma espátula de silicone.

E uma receita de sobremesa, em imagens:

YumYum (frappé de frutas com inhame):

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Uma variação da receita de biscoito de banana me foi enviada pela D. Liliane, avó da Lia, que, sentada no carrinho, não consegue decidir qual dos dois biscoitos vai comer!

 

Biscoitos de banana da Lia:

2 bananas nanicas maduras (quanto mais maduras, mais doce ficarão os biscoitos)

1 xícara de aveia, quinoa ou amaranto

2 colheres de sopa de uvas passa sem semente, coco ralada ou frutas secas picadinhas (opcional)

2 colheres de sopa de nozes, amêndoas, castanhas picadas ou outras oleaginosas (opcional)

1 colher de chá de canela em pó (opcional)

Modo de preparo:

Com um garfo, amasse as bananas e misture os demais ingredientes até obter uma massa bem integrada. Em uma assadeira antiaderente ou untada com um mínimo de azeite, coloque montinhos com pouco menos de uma colher de sopa da massa, com um dedo de distância entre eles. Não deixe-os muito altos para que assem bem e fiquem mais sequinhos.

Leve a assadeira ao forno preaquecido a 180º C por mais ou menos 20 minutos. Quando os biscoitos estiverem dourados, desligue o forno e deixe-os esfriarem lá dentro.

 

É importante lembrar que é em casa que os hábitos devem ser desenvolvidos. A escola tem um papel importante na vida das crianças e de suas famílias, mas não substitui os pais. Mais do que isso, é o exemplo da casa que vai contribuir para a formação de hábitos saudáveis. Palavras têm muito menos poder do que as ações. Se os pais se exercitam, comem razoavelmente bem, os filhos tenderão a seguir o modelo deles. Mas, se os pais são sedentários e optam por uma alimentação rica em gorduras, frituras e açúcar refinado, não há escola que conseguirá desenvolver, nestas crianças, hábitos saudáveis.

 

Contato da nutricionista Renata Araujo: realimentare.com.br  ou Instagram- @realimentare

 

A MÃE SUFICIENTEMENTE BOA.

Hoje é o dia das mães e sinto um certo bloqueio criativo para escrever algo que seja, ao mesmo tempo, original, interessante e carinhoso. Não deveria ter relido posts que escrevi em dia das mães passados! Gostei de alguns, o que só aumentou meu bloqueio porque me convenci de que já tinha escrito o que eu poderia escrever a respeito da mães, no seu dia. Se algum leitor do blog desejar visitar esses posts, seguem os links: MÃE COM M DE MULHER!    RECEITA DE MÃE  MÃE OU MULHER?  MÃE

Em um mundo onde fazer, realizar, agir, bater metas, atingir objetivos, se tornou praticamente a única forma de se obter reconhecimento, sucesso e realização, é razoável que tentemos transformar todos os aspectos das nossas vidas em desafios, onde essa lógica (da ação e metas) funciona muito bem. Essa lógica é perfeita para uma empresa ou empreendimento, para atividades físicas, para o planejamento de vários aspectos da vida como viagens, cursos, orçamento familiar, mas, definitivamente, não dá conta de todos os aspectos das nossas vidas. A complexidade da vida não se deixa reduzir a uma planilha Excel, nem a um ou dois aplicativos que tudo registram, controlam e calculam. Mas, na cultura vigente, é como se fosse possível traduzir a nossa complexidade a uma só linguagem, a da eficiência. Toda vez que tentamos reduzir algo complexo a uma única “fórmula”, nos comportamos como uma sapataria que só vende calçados no tamanho 36! Muitos pés caberão nos sapatos vendidos, mas um número grande, permanecerá descalço.

Quando falo da complexidade da vida humana, não me refiro a nenhuma teoria de difícil compreensão. Falo do nosso dia a dia. Por que um dia acordamos de bom humor e outro nem tanto? Por que olhamos para um nascer do sol e temos um sentimento gostoso, difícil de descrever? Por que me nos emocionamos ao ouvir uma música (e não outra)?  Por que, mesmo com toda a informação disponível, existem fumantes? Por que instalamos um aplicativo para saber onde tem lei seca ao invés de ir e vir de taxi? Por que sentimos atração por uma pessoa e não por outra? Por que, com tantas publicações, blogs, programas de TV, falando de alimentação saudável, só aumenta o percentual de pessoas com sobrepeso? Por que existem guerras?  Claro que um pragmático radical terá uma resposta simples e convincente para todas estas perguntas. Mas, o fato é que não existem repostas únicas, muito menos simples.

Nesse contexto, as mulheres se tornam mães e a maternidade passa a ser vista como um “empreendimento”. A cobrança explícita ou velada é uma só: performar para ser uma mãe maravilhosa (leia-se, uma mãe perfeita).  Amamentar deixa de ser um meio, para ser um fim. É como uma maratona a ser corrida, amamentar até os 6 meses de idade. E lá vai a mãe, ofegante, atravessando o terceiro mês e a torcida (grupos de mães no WhatsApp) gritando: não para não! Continua! Só faltam 3 meses, não vai parar agora, vai? O que deveria ser prazeroso para o bebê e para a mãe, virou meta a ser cumprida (em tempo- óbvio que sou defensor do aleitamento materno exclusivo até os 6 meses. Só não sou um fundamentalista que acha que é isso ou nada! Leiam MAMADEIRA: ASSUNTO PROIBIDO!). Além de amamentar, a mãe não pode falhar em nada! Ao seu redor, todos os bebês dormem a noite inteira, nunca golfam, choram pouco e os que já estão comendo, comem tudo! A cobrança é total e o desespero, idem. Essa mãe passa o dia correndo atrás de uma meta imaginária e inexistente de perfeição que só a exaure física e emocionalmente.

Essa exigência da perfeição explica, em parte, a proliferação de cursos sobre tudo que se possa imaginar. Desde o curso geral, como ser uma ótima mãe, até os mais específicos: como dar o banho no bebê, como amamentar, como trocar fraldas, como estimular o seu bebê, como fazer o bebê dormir, o cardápio saudável etc.  As pessoas entram em tal frenesi que sequer param para pensar como a humanidade chegou até aqui. Foram 70 mil anos de percurso (homo sapiens falante) até os dias de hoje. Durante aproximadamente, 60 mil anos, fomos caçadores coletores, andando pelo mundo. Só começamos a escrever há uns 12 mil anos, a prensa só tem 570 anos, a pediatria uns 300 anos e o Google, 19 anos. O ponto é que a espécie sabe cuidar da espécie! Esse saber é intrínseco, não dependendo de cursos, pediatras, grupos de WhatsApp etc.  Claro que o progresso e a tecnologia tornaram nossas vidas muito mais seguras e confortáveis. Mas, posso garantir que Michelangelo e Einstein não tinham tapetinhos estimuladores, nem suas mães lhes deram comida utilizando o método BLW (ou qualquer método)!

Em torno de 1950, Donald Winnicott, um pediatra que se tornou psicanalista, cunhou a expressão- mãe suficientemente boa (good enough mother). O que Winnicott queria dizer é que as mães, ao olharem para seu bebês, são capazes de identificar suas necessidades (no bebê pequeno, a necessidade essencial é viver) e estar lá para atendê-los. Simples assim, ainda que muito cansativo. O segredo (acho eu) está no olhar para o seu bebê e não para o mundo de livros, sites e conselhos que existem. Estes, ainda que possam conter algumas informações úteis e interessantes, sempre falam de um bebê médio, de um bebê estatístico. O bebê individual é único só é conhecido por seus pais. Estes são os verdadeiros “especialistas” no filho ou filha. (MANUAL DE INSTRUÇÕES PARA CUIDAR DOS NOSSOS FILHOS. UMA AULA PRÁTICA DE COMO LER O MANUAL DA CRIANÇA.)

O olhar a que Winnicott se refere não é apenas o olhar objetivo, mas, sobre este, o olhar afetivo. É no olhar afetivo que mães e bebês trocam informações que, sem que se deem conta, farão com que se entendam e o bebê possa se desenvolver bem, tanto objetivamente (peso, tamanho, conquistas motoras etc.) como subjetivamente (identidade pessoal, autoestima, capacidade de tolerar frustrações, afeto, agressividade etc.). O afeto é um sentimento onde a lógica da performance não se aplica. Não se quantifica afeto, não se traduz o afeto em metas e objetivos. O afeto se vive e esse viver afetivo é fundamental para todos nós os seres humanos.

Se eu pudesse desejar algo para todas as mães no seu dia, seria que confiassem na sua emoção ao olhar para o seu bebê ou criança, desconfiando de todas as regras e métodos que lhe tentarem empurrar.

Que todas as mães possam se sentir excelentes mães por serem apenas suficientemente boas, sem buscarem a perfeição. E, uma vez livres desse peso (da perfeição) possam deixar fluir o amor que nos torna humanos.

 

 

 

 

 

PAIS NÃO SÃO CIENTISTAS, MAS ARTISTAS!

“A imaginação é mais importante do que o conhecimento. O conhecimento é limitado. A imaginação dá a volta ao mundo.” Albert Einstein ¹

Inicio o texto com uma citação de uma das mais brilhantes mentes científicas da humanidade. É uma afirmação de uma pessoa que passou sua vida envolvida em fórmulas matemáticas, desenvolvendo teorias que, algumas, só vieram a ser comprovadas muito recentemente. No entanto, quando perguntado se confiava mais na sua imaginação do que no seu conhecimento, deu a resposta acima, surpreendente para um físico brilhante. Talvez surpreendente para qualquer um de nós que viva neste planeta, neste século. Vivemos a era das certezas e convicções “científicas”. Coloquei aspas em científicas porque muitas das nossas convicções são baseadas em pseudociência, fraudes, farsas e manipulações. Mas isso é outro assunto. O fato é que o valor dado à racionalidade, lógica, precisão, previsão, modelos matemáticos, estatísticas, algoritmos, big data, é inequivocamente maior do que o dado à arte, intuição, sensações, imaginação, afeto e amor.

Nenhum de nós escapa ao tsunami da cultura, sendo esta o conjunto de valores que expressam uma época ou um grupo humano. Imersos em dados, números, estatísticas, gráficos que projetam eventos futuros, não poderíamos ser mães e pais sem estarmos “contaminados” por esta praga contemporânea.

Imagino que, a esta altura do texto, engenheiros, matemáticos, economistas e físicos já pararam de ler, irritados com minha irreverência com a ciência. Eventualmente, um grande número de leitores, sentiu desconforto ao ver um nossos oráculos atuais (a razão) ser provocado por um pediatra! Mas, antes que não tenha nenhum leitor que chegue ao final do texto, explico alguns pontos. A ciência é fundamental. O pensamento científico é um passo enorme da humanidade para sair do obscurantismo dos mitos e crendices. O pensamento científico é ainda muito jovem na nossa história, datando de aproximadamente 500 anos, o que é muito pouco para o confronto com 60 mil anos de fantasias e crenças, sem nenhuma fundamentação ou comprovação. Portanto, sou um ferrenho defensor do pensamento científico. A proposta deste texto é a de, preservando o pensamento científico, afirmar que é uma condição necessária, mas não suficiente, para a nossa vida, neste planeta. Dito de outra forma há uma característica humana chamada emoção, que não se opõe à razão, sendo, com esta, parte de um todo indivisível do ser humano. Não existe, no mundo real, a divisão ou polarização entre razão e emoção. Fomos induzidos a acreditar nisso por modelos culturais que nos precederam (Descartes sendo um dos mais conhecidos) e que se mantém até hoje. Para me “garantir”, comecei o post com uma declaração de Einstein, valorizando a imaginação, que nada tem de racional!

Como em vários outros posts, tem uma hora em que o leitor, se chegou até aqui, se pergunta- mas o que isso tem a ver com ser mãe e pai? Aonde esse pediatra quer chegar?

Uma mulher engravida. Ao mesmo tempo em que faz o seu pré-natal, baseado nos melhores conhecimentos científicos disponíveis, imagina seu filho. Pode até ver uma imagem de ultrassom do bebê, mas o que os pais imaginam não é aquela imagem, ainda que seja emocionante. Durante a gravidez, a mulher e o pai, imaginam o parto, o recém-nascido, como será, que personalidade terá, com quem se parecerá? As preocupações de todos nós também aparecem no imaginário de casais grávidos: será saudável, perfeito, inteligente?

Nasce o bebê e há um choque de realidade. O imaginado não é exatamente como o real. Seja o aspecto físico (a carinha amassada, a orelha assim ou assado, o nariz que não lembra o de ninguém), seja o comportamento do bebê. O bebê imaginado era doce, meigo, manso. Dormia a noite toda como um anjo e, de dia, mamava feliz. Pois bem, o bebê chora, e chora mais, e chora muito. Não dorme à noite, só quer ficar no peito, machuca o peito, é incomapecido, não poupando a mãe, sugando leite, energia e vitalidade (que mãe não sentiu um cansaço jamais sentido antes?).

Claro que estou exagerando, pintando com tintas fortes, um quadro onde também há um sentimento de amor jamais vivido anteriormente. Quero apenas preparar o clima para o próximo movimento.  Diante da insegurança (natural e normal) que esta “pororoca” entre o imaginado e o real  produz, qual a solução? Consultemos nossos oráculos contemporâneos: Google, grupos de mães e o pediatra. A pergunta, expressa de diferentes maneiras é sempre- isso é normal? E acreditamos que a resposta, técnica, está fora de nós, dos nossos sentidos, guardada a sete chaves por algum sábio que entende mais do que nós de bebês.

Proponho que ao invés de consultar os oráculos ou especialistas com supostos saberes, os pais se voltem para a sua intuição, sensibilidade, emoções, imaginação e criatividade. Claro que os conhecimentos científicos adquiridos serão úteis e servirão como um guia ou norte, mas nunca como uma norma ou regra. De que adianta dizer que um bebê “deve” dormir 16h por dia se o seu dorme 14h ou 18h? O que importa é saber se o bebê está saudável e não se “obedece” a uma regra! De onde vêm as “regras” da introdução alimentar (ou alguém acha que um bebê sueco, vai ser alimentado com banana)? Aliás, de onde vêm tantas regras que assegurem um desenvolvimento “normal” do ser humano. Suspeito que venham, entre outros fatores, de uma exploração da insegurança natural que temos diante de algo novo (filhos, frágeis e dependentes absolutos de nós), com o intuito de vender um serviço ou o simples “conhecimento”. Claro que obedecer a uma regra remove a responsabilidade do eventual erro, mas também tira o que há de mais rico na maternidade e paternidade que é a autoria do processo de criar esse novo ser humano.

A explicação para a necessidade dos pais serem mais artistas e menos cientistas é muito simples. Cada ser humano, bebê, criança, adolescente, adulto, idoso, é único. Não existem duas impressões digitais iguais, duas vozes idênticas, personalidades replicadas etc. Nenhum ser humano está plenamente representado em uma média ou estudo.  O fato de sermos únicos cria um desafio e um prazer na maternidade e paternidade. O desafio de olhar e perceber o filho como sendo outro, literalmente, e não uma edição revista e melhorada dos pais e o prazer  é o de um artista  quando cria uma obra. Para criar uma obra, o artista lança mão da sua imaginação, criatividade e ousadia. Se não fosse assim, não teríamos um Michelangelo, Da Vinci, Monet, Chagall, Picasso, Cervantes, Drummond, Bandeira, Beatles, Caetano, Gil e, nessa relação interminável de artistas que nos emocionam com sua criatividade, por que não incluir os cientistas que, antes de desenvolver uma tese, ousaram pensar de forma inédita. Mesmo a ciência começa com o simbólico, o imaginado, o fantástico.

Ser mãe e pai é um processo continuado de criação artística e o resultado final é o orgulho ao ver a obra viva, feliz e integrada ao mundo. Diferentemente de Michelangelo que, ao ver o seu Moisés terminado, teria batido com o martelo na escultura e perguntado por que não falas, nossa obra fala (e sente).

Sejamos todos mais ousados, imaginativos e emotivos. Sejamos artistas que exploram as infinitas possiblidades de criação na tela da vida. Os filhotes agradecem. A humanidade também!

 

1- Entrevista dada a  G. S. Viereck, “What life means to Einstein”, Saturday Evening Post, 26/October/1929, reimpresso em G. S. Viereck, Glimpses of the Great, new York: Macauley, 1930, p. 447.

RISCOS DA VACINAÇÃO

“Para todo problema complexo, existe uma solução simples, elegante e completamente errada” Henry Louis Mencken.

Após a publicação do post da semana passada, recebi alguns comentários, relacionados à segurança da vacina contra a Febre Amarela. Algumas pessoas acreditam que as autoridades sanitárias omitam os casos onde ocorra algum efeito indesejável, após a vacinação. Não tenho nenhum envolvimento, direto ou indireto, com o setor público. Portanto, não posso afirmar nada em nome destes agentes. Mas, sei que o nosso sistema de vigilância epidemiológica é muito eficaz e, como parte desse sistema, temos um sistema de vigilância epidemiológica para efeitos adversos pós vacinação. Nem todas pessoas sabem desse sistema que é o responsável por coletar dados, de forma regular, através de procedimentos padronizados e, assim, acompanhar a incidência de efeitos colaterais que possam ocorrer com todas as vacinas administradas pelo Programa Nacional de Imunizações. Os profissionais de saúde envolvidos em vacinação recebem treinamento e/ou têm acesso aos manuais do Ministério da Saúde que tratam, especificamente, de efeitos adversos de vacinas e a forma de notificá-los. Estou detalhando um pouco mais esse sistema porque acho relevante a informação de que, no Brasil, acompanhamos, de forma sistemática, quaisquer efeitos colaterais de vacinas (não só a de Febre Amarela). Acredito que é pouco provável, nos dias de hoje, com a circulação eletrônica da informação que uma autoridade possa omitir ou ocultar dados, por um longo período de tempo.
Com relação à segurança das vacinas em geral, gostaria de citar alguns fatos:

1- Não sabemos tudo, nunca. O conhecimento é um processo contínuo e o conhecimento científico pressupõe que não se consiga chegar a uma Verdade (com V maiúsculo). O conhecimento científico é, na melhor das hipóteses, a melhor informação disponível, naquele momento. Por esse motivo algumas verdades (com v minúsculo), frequentemente são substituídas por outras (também com v minúsculo). Um exemplo caricato é a história do ovo. Ovo faz bem ou faz mal? Pode comer ovo ou precisamos parar de comer ovo? A cada momento, em função de novos conhecimentos embasados no método científico (que é algo bem complexo e não somente a apresentação de estatísticas), teremos uma verdade.

2- O impacto da vacinação no crescimento da expectativa de vida foi imenso e esta realidade só foi possível através da vacinação sistemática da população exposta. Este é um fato praticamente incontestável. Digo praticamente porque ainda existem pessoas ou grupos que se opõe à vacinação. Não há nenhuma evidência científica que embase esta resistência que, habitualmente, está baseada em argumentos relacionados com crenças (eu acho isso ou eu acho aquilo), crendices (mitos) ou ainda informações já demonstradas como falsas (vacina contra Sarampo produz autismo).

3-As vacinas não são 100% efetivas, e também não estão isentas de oferecerem possíveis riscos para a população. O senso comum é o oposto desta afirmação. Talvez porque seja o mais desejável, pensamos que, uma vez vacinados, estaremos 100% protegidos contra uma determinada doença e que a vacina não pode fazer mal algum (exceto um pouco de dor no local e, talvez, um pouco de febre). Nossa cabeça tem mais facilidade de pensar de forma binária onde ou algo faz bem ou faz mal. Ou protege, ou não protege. No mundo real, as coisas vivas não funcionam de modo binário (exceto computadores). Seres vivos são, por definição, variáveis. Vacinas aplicadas em seres vivos podem proteger a maioria, mas não todos. Podem ter pouquíssimos efeitos colaterais para a maioria, mas não para todos.

4- Nenhuma vacina está totalmente livre de provocar eventos adversos, porém, os riscos de complicações graves causadas pelas vacinas do calendário de imunizações são muito menores do que os das doenças contra as quais elas protegem. Esta é a chave que justifica (ou não) o uso de determinada vacina. É preciso que fique cientificamente demonstrado (usando métodos rigorosos e complexos) que, comparando os riscos da vacinação, com os da doença natural, aqueles (os riscos da vacinação) sejam significativamente menores do que estes (os riscos da doença natural).

Especificamente com relação à vacina contra a Febre Amarela:

1- Mesmo com a possibilidade de eventos adversos graves, incluindo o óbito, a vacina contra a Febre Amarela é o melhor meio de se evitar esta doença que apresenta uma alta taxa de mortalidade (em torno de 50% dos casos morrem) e deve ser utilizada de forma rotineira em áreas endêmicas (onde a Febre Amarela existe de forma contínua) e nas pessoas de áreas não endêmicas que poderiam estar expostas. Essa é a lógica pelo qual, até muito recentemente, pessoas de algumas áreas do Brasil recebiam a vacina contra a Febre Amarela como parte do calendário regular e outras não. Em uma área onde não há o risco de se contrair a doença, o risco de reações adversas da vacina não justifica o seu uso. No entanto, quando uma área ou região que não era de risco de se contrair a doença passa a ser de risco, justifica-se a vacinação porque a equação muda (a doença passa a ser mais “perigosa” do que os efeitos colaterais da vacina).

2- As estatísticas disponíveis para o risco de efeitos colaterais da vacina contra a Febre Amarela não são homogêneas porque dependem de estudos feitos em condições epidemiológicas e metodologias diferentes. Cito alguns números para que tenham uma ideia da frequência com que complicações podem ocorrer.
A pior consequência adversa que pode ocorrer é o óbito provocado pela vacina. As estimativas são de que 0,043 a 2,31 pessoas por um milhão de doses de vacinas, poderão falecer. Traduzindo em porcentagem seria 0,0000043% a 0,00023% das pessoas vacinadas que poderiam vir a falecer. É um número muito baixo, mas não é zero. Portanto, quando comparamos esta porcentagem com a taxa de mortalidade da doença (50% das pessoas podem morrer), verificamos que o risco de óbito pela doença é muito maior do que pela vacinação. Mas, para nós humanos, números são abstrações, e quando temos a notícia de um óbito provocado pela vacina, essa notícia “apaga” a nossa capacidade de pensar de forma abstrata, conceitual ou racional e o medo ou pânico se instalam.
Com relação aos possíveis efeitos colaterais no sistema nervoso central, estima-se que estes podem ocorrer em 1 em 125.000 vacinas aplicadas. O que corresponderia a 0,001 %. As alergias graves (não uma simples urticária ou edema de lábios e olhos), podem ocorrer em 1 em 55.000 vacinas aplicadas, correspondendo a 0,002%.

3- Alergia a ovo e outros componentes da vacina. A vacinação de pessoas com alergia a ovo ou outros componentes da vacina (gelatina, proteína de frango e outros possíveis componentes) deve ser avaliada caso a caso. Não há consenso em como lidar com esses casos, mesmo porque a expressão “alergia a ovo” pode significar desde uma urticária, até um choque anafilático. As pessoas que tenham alergia a ovo devem procurar um médico para que possam ser orientadas e, em função tanto da intensidade da sua reação alérgica, quanto do risco de contrair a doença (uma epidemia, por exemplo), definir qual a melhor estratégia. Do ponto de vista acadêmico, mas com imensa dificuldade de se fazer na prática, um teste com uma dose de vacina diluída poderia ser feito ao mesmo tempo que se faria um controle  (geralmente com histamina). Se o teste der negativo a pessoa poderia ser vacinada. Se der positivo, não deveria ser vacinada e poderia tentar um tratamento de dessensibilização. Como podem ver, na prática não é possível se implementar estas ações, principalmente em grande escala.

A mensagem, uma vez mais, é que a vacina contra a Febre Amarela, em uma situação de risco epidêmico, é o melhor meio para se proteger contra esta doença que mata metade das pessoas que adoecem. A vacina não é isenta de riscos (nenhuma vacina ou, por extensão medicamento é isento de riscos), mas, em uma situação epidemiológica como estamos vivendo em várias áreas do Brasil, estes riscos são muito menores do que os da doença natural.

Boa vacinação para todos!

DR. É PARA DAR A VACINA DE FEBRE AMARELA NO MEU FILHO?

SIM! Se o seu filho tem 9 meses ou mais e nunca foi vacinado contra a Febre Amarela, a resposta é um sonoro sim. A Febre Amarela é uma doença que tem uma taxa de mortalidade de aproximadamente 50%. Isto é, de cada 100 pessoas que adoecem de Febre Amarela, 50 devem morrer. É muito alta esta taxa para se adiar, postergar ou se negar a vacinar os filhos (e os adultos não vacinados).

Circula pela internet um áudio contendo informações completamente falsas, incentivando as pessoas a não se vacinarem. Trata-se de um crime porque expõe as pessoas a uma desinformação, cujas consequências podem ser fatais caso alguém siga a recomendação de não tomar a vacina.

A seguir alguns fatos sobre a vacina contra a Febre Amarela:

1- A vacina é feita com vírus vivo atenuado. Isto significa que o vírus foi processado de forma a perder a sua capacidade de produzir a doença, mas ainda estimular o sistema imunológico da pessoa. A gotinha da Pólio, que erradicou a doença no nosso país, também é feita de vírus vivo atenuado. As vacinas contra Sarampo, Rubéola, Caxumba e Varicela (Catapora), também são feitas de vírus vivo atenuado. Assim, o uso de vírus vivo atenuado em vacinas não é uma “exclusividade da vacina contra a Febre Amarela.

2- A vacina existe desde 1930. Portanto, é uma vacina com um longo histórico de uso, com eventuais e pequenos efeitos colaterais (dor no local, eventualmente febre). No entanto, raros casos de efeitos colaterais mais graves podem ocorrer. Estes ocorrem na proporção de 0,4 a 0,8 por 100.000 pessoas vacinadas. Como todas as vacinas o que se avalia é o risco que a doença natural impõe, versus o risco de um efeito colateral mais grave. Para uma doença com uma taxa de mortalidade de 50%, fica claro que o risco de não tomar a vacina é muito maior do que o de uma complicação mais grave da vacina.

3- É preciso, no mínimo, dez dias entre a vacinação e o início da proteção. Assim, quem vai viajar para uma área de risco deve levar em conta esse prazo. Quem pretende viajar na sexta-feira de carnaval para algum lugar onde há o potencial risco de Febre Amarela, já deveria ter se vacinado ao ler este post!

4- A vacina fracionada não é mais fraca. O fracionamento da vacina foi uma estratégia adotada pelo Ministério da Saúde, com o endosso da Organização Mundial da Saúde, visando a aumentar a cobertura vacinal (número de pessoas protegidas) em um curto período de tempo. Esta estratégia está baseada em estudos, um dos quais feito na Fundação Oswaldo Cruz com um grupo de voluntários que tomou a vacina fracionada há oito anos atrás. Até o presente momento, foi possível demonstrar, neste grupo, anticorpos em níveis suficientes para proteger contra a doença. Assim, sabemos que por, pelo menos, oito anos, a vacina fracionada é eficaz. Com a continuação do estudo poderemos descobrir que a vacina fracionada protege por mais tempo.

5- Crianças de 9 meses a 2 anos de idade serão vacinadas com a dose plena, não fracionada porque não foram feitos estudos nessa faixa etária.

6- Quem tomou uma dose da vacina contra a Febre Amarela não precisa mais tomar outra dose. Desde 2013 que a Organização Mundial da Saúde eliminou a necessidade de um reforço a cada dez anos. Apenas em caso de viagem internacional para país que ainda exija um reforço, deverá a pessoa procurar a unidade de saúde e trocar o seu certificado por um em que esteja claramente redigido que não há necessidade de reforço.

7- Somente quem teve reação anafilática (choque) a ovo, não deverá tomar a vacina contra a Febre Amarela. Reações como urticária, vômitos, após a ingestão de ovos não contraindicam formalmente a vacina. Mas, pessoas com alergia a ovos devem procurar orientação individualizada junto ao médico e informar sua condição, no momento da vacinação.

8- Até o presente momento não há nenhum caso de Febre Amarela urbana. Isto é, febre amarela contraída em área urbana. Esta é transmitida pelo mosquito Aedes. O que existe são casos de Febre Amarela silvestre, em região de mata ou floresta, transmitidas pelos mosquitos Haemagogus e Sabethes.

9- Crianças menores de 6 meses não podem ser vacinadas. Crianças entre 6 e 9 meses somente devem ser vacinadas se o risco de contrair a doença for muito alto. Siga as orientações da sua Secretaria Municipal de Saúde.

10- Grávidas e mães amamentando, em princípio não deveriam tomar a vacina. No entanto, dependendo do risco de contrair a doença, a autoridade sanitária (Secretaria Municipal ou Estadual de Saúde ou o próprio Ministério da Saúde) poderá autorizar que este grupo seja vacinado.

Para saber mais, não leia informações divulgadas por grupos ou mensagens no WhatsApp. Acesse fontes confiáveis como o Ministério da Saúde: http://portalms.saude.gov.br/saude-de-a-z/febre-amarela-sintomas-transmissao-e-prevencao; Organização Mundial da Saúde: http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs100/pt/ e o CDC de Atlanta (em inglês): https://www.cdc.gov/yellowfever/index.html

Caso leia uma notícia ou ouça um áudio que destoe do que está escrito neste blog ou nos sites recomendados, não o passe adiante. Não participe da rede de notícias falsas e mentirosas que colocam em risco a saúde de outras pessoas.

Boa vacinação para todos!