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FALANDO SOBRE VITAMINAS E ALIMENTAÇÃO

AVATAR_NO_AR1No programa Manhã da Globo, desta semana, o jornalista Roberto Canazio me fez perguntas sobre vitaminas e alimentação. Muito frequentemente os pais valorizam mais um suplemento vitamínico do que uma alimentação saudável (que contém todas as vitaminas necessárias!). Confira o que foi conversado :

VITAMINAS

Vitaminas são compostos orgânicos que devem ser consumidos na nossa alimentação porque nós, humanos, não somos capazes de sintetizá-las (produzir) em quantidades adequadas. Cada vitamina tem uma função única no nosso corpo, incluindo a regulação de hormônios, o crescimento das células e tecidos, efeito antioxidante etc. Vitaminas também participam como fatores auxiliares para múltiplas reações metabólicas que ocorrem no nosso organismo.

Para os pais, a ideia de complementar a alimentação de seus filhos com uma dose diária de vitaminas é extremamente atraente. É como se fosse uma forma de aumentar a proteção que oferecem a seus filhos. Além do mais, crianças frequentemente não gostam de tudo que é saudável e contém vitaminas. Assim, o suplemento aparece como uma solução. Sem dúvida, em alguns casos, pode ser bem indicado esse suplemento. Mas, o trabalho, frustrante muitas vezes, de educar nutricionalmente os filhos, não deveria ser substituído pelo suplemento vitamínico. Uma alimentação saudável, aprendida na infância, trará benefícios para a vida que nenhum suplemento vitamínico será capaz de dar. Tomar vitaminas não previne contra a obesidade, colesterol elevado e diabetes tipo 2, por exemplo. Portanto, o investimento de tempo, paciência e criatividade que educar nutricionalmente nosso filhos requer, terá um retorno em saúde futura que vitaminas suplementadas não trarão.

Claro que existem situações clínicas onde ocorre deficiência de uma ou várias vitaminas. Para estas situações, a administração de vitaminas não é suplemento, mas tratamento específico. Felizmente, estas situações clínicas não são frequentes e quando presentes, seus sintomas são evidentes. Digo isso para evitar a dúvida de – “será que meu filho não tem uma deficiência, ainda que pequena, de alguma vitamina?” Crianças com hipovitaminose (baixos níveis de vitaminas), apresentam sintomas muito “gritantes”.

Um equívoco que costumamos ter é o de acreditarmos que vitaminas fazem coisas que não fazem! Por exemplo, abrir o apetite das crianças. Muitos pais perguntam a seus pediatras se não seria o caso de “passar uma vitamina” para abrir o apetite da criança que “não come nada”. Eventualmente o pediatra vai estar diante de uma criança que é magra por constituição. Mas, não raro, essa criança que “não come nada” está com o peso na média para a idade, quando não acima da média. São crianças que se recusam a comer a alimentação saudável e esta é trocada por alimentos com alta densidade calórica, mas não necessariamente valor nutricional. Um bom pediatra deveria orientar a família com relação às estratégias de reeducação alimentar (em geral, para a família toda), ao invés de prescrever um suplemento vitamínico, que seria o caminho mais fácil (para todos).

Atualmente, no mundo acadêmico, se discute muito o valor da vitamina D. Parece ser a menina dos olhos dos pesquisadores e, certamente, vamos ouvir falar desta vitamina. O que precisamos lembrar é que existem modismos, motivados ou não pela influência econômica que fabricantes podem exercer. Vejam o caso da vitamina C que foi “endeusada” e hoje se encontra mais perto de onde deveria estar. Ou o caso dos suplementso polivitamínicos que propagam proteção contra doenças cardíacas e outras enfermidades. A cada nova pesquisa ou notícia na imprensa sobre uma “maravilha” atribuída a uma determinada vitamina, vamos acompanhar  e esperar que o tempo confirme ou não esses achados. Até hoje, nada supera, em benefícios para a saúde, um prato de comida multicolorido!

Finalmente, uma brincadeira! Olhem as duas fotos abaixo e respondam à pergunta: qual das duas você escolheria para dar a seu filho?

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