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NOVA VACINA PENTAVALENTE

habitos-saudaveis-alimentaresNotícia divulgada na ilha-reino de Utopia revela que uma nova vacina pentavalente foi aprovada para uso em humanos. A vacina protege contra a obesidade, diabetes tipo 2, infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral e algumas formas de câncer. Os pesquisadores ainda acreditam que esta vacina possa ter um efeito protetor contra a hipertensão arterial, mas o órgão regulador de vacinas ainda não aprovou sua comercialização como sendo uma vacina hexavalente. O ministro da Saúde de Utopia, Dr. Otimissimus, declarou: “caminhamos rumo a uma vida sem doenças”.

Utopia é o nome de uma ilha-reino, que dá nome a um romance escrito em 1516, por Thomas More. Esta ilha, teria sido inspirada nas descrições feitas por Américo Vespúcio, do que hoje conhecemos por Fernando de Noronha. Utopia foi um neologismo criado pelo autor, significando lugar nenhum. Era uma ilha-reino onde havia igualdade e justiça, portanto só encontrável em lugar nenhum. Somente nesta Utopia, poderíamos ter uma vacina pentavalente como a que descrevi no primeiro parágrafo.

O leitor do blog deve estar confuso, com razão. Afinal de contas, existe essa tal vacina? Se não existe, por quê essa história toda sobre Utopia? Onde esse pediatra quer chegar?

Respondo, por partes. A vacina não existe, como vacina. Mas, se existisse, você a daria a seu filho? Não tenho a menor dúvida de que a resposta será sim. Quem não gostaria de proteger seu filho contra essas cinco ou seis doenças, tão frequentes? Mas, se não existe a vacina, existe o equivalente a uma vacina que pode proteger os nossos filhos destas doenças. O equivalente à vacina são bons hábitos de vida: alimentação, atividades física, sono regular, vida afetiva e um tempo para ficar quieto, pensando em nada. Simples, barato e eficiente. Por quê então não vemos mais gente aderindo e ensinando aos filhos uma forma de viver com prazer e que os proteja de doenças muito comuns e frequentes? Por que somente em um lugar idealizado, como Utopia, as pessoas se comportariam de forma a obter vantagens no longo prazo, ao invés de facilidades no curto prazo. Isso responde à segunda pergunta de porque usei Utopia para começar o post.

Onde eu quero chegar com esse post? Gostaria de propor que pensássemos em porque não hesitaríamos em dar a tal nova vacina pentavalente e não aderimos, nem ensinamos aos nossos filhos, hábitos saudáveis de vida. A seguir, algumas ideias que eu tenho a respeito e que poderiam explicar nosso comportamento.

1- Vacinas representam bem a nossa cultura de hoje. Uma aplicação rápida, eficiência comprovada, um custo aceitável (seja pagando via impostos, seja na clínica privada)  e, o mais importante- assunto resolvido! Em uma cultura do rápido, eficiente e ticar checklists, nada como uma vacina.

2- Vacinas encarnam o mito do moderno, fruto da pesquisa científica e tudo que é moderno e científico é o melhor que se pode oferecer.

3- Vacinas  são práticas, exigindo pouco ou nenhum envolvimento dos pais. Qualquer pessoa pode levar a criança para ser vacinada. Os pais se sentem cumpridores de um cuidado, sem ter que se dedicar muito tempo a ele.

4- Nenhuma criança gosta de tomar vacina, mas, o tempo que os pais precisam usar sua autoridade e impor que a vacina será dada, não passa de 3 a 5 minutos, no máximo.

Hábitos de vida saudável são o oposto desses atributos que descrevi para as vacinas. Exigem um reforço (para ficar na linguagem das vacinas), diário. Portanto, é uma atitude trabalhosa, árdua, contínua. O assunto nunca está completamente resolvido e não pode ser ticado da checklist. Ou melhor, é ticado todos os dias e, no dia seguinte, está na lista de pendências, novamente. Nada mais frustrante para quem, como nós, vive em uma cultura de eficácia gerencial, extrapolada para a vida. Algo que precisa ser cuidado todos os dias, denuncia alguma incapacidade de resolver, de uma vez, o “problema”. Mas, hábitos de vida não são um problema a ser resolvido, mas, uma solução!

Hábitos saudáveis de vida não apresentam o glamour da modernidade, nem o mito do conhecimento científico como sendo a única forma de saber.  O antigo é confundido com o ultrapassado.  Nem tudo que é do passado, deve ser considerado ultrapassado. Mas, francamente, não pensamos assim. Veja o exemplo da alimentação. Quanto mais se estuda, mais damos razão ao conhecimento dos nossos avós que diziam que um prato saudável era um prato colorido. Mas, ao nosso redor, o que mais se vê são modismos e “modernidades” alimentares.

Hábitos saudáveis exigem um envolvimento enorme dos pais. Exigem uma realocação do que seria o meu tempo, para o nosso tempo. Nosso sendo o tempo com a família, os filhos. Exigem que os pais também modifiquem comportamentos para serem exemplo e aí reside uma das maiores barreiras para que nosso filhos possam aderir a um estilo de vida que funcione como  uma vacina contra as doenças citadas. Hábitos saudáveis dão mais trabalho porque a alimentação industrializada, de fácil acesso e preparo, nem sempre é a mais adequada ou melhor. A lei da gravidade é infinitamente mais forte no sofá em frente à televisão, nos prendendo lá ao invés de uma vida ao ar livre, com atividade física.  E, finalmente, exige que os pais se valham da sua autoridade de forma mais contínua e não só por alguns minutos. Limites bem colocados são fundamentais para que a “vacina” funcione. Não só é importante seIsola_di_Utopia_Moro estimular o que deve ser feito, como traçar limites claros e rígidos com relação ao que não deve.

Dito desta forma, parece uma tarefa impossível, utópica. Mas, não ensinamos nossos filhos a escovarem os dentes,
todos os dias? Não os educamos para usarem cinto de segurança, quando andam de carro? Aos poucos, não vamos criando o hábito do uso diário do protetor solar? Temos exemplos de bons hábitos que conseguiram ser introduzidos na nossa vida rotineira. Nem nos damos conta de que se tratam de ações de prevenção.

Cabe a você leitor decidir se vai “vacinar” ou não seu filho com a nova pentavalente. Como não estamos em Utopia, ela, por aqui, se chama de bons hábitos de vida. Quem ensinar seus filhos a adota-los, vai lhes dar  não só mais anos de vida, como mais vida nesses anos.

PROTETOR SOLAR

Verão, sol a pino, dias lindos, calorão, praia, piscina, banhos de mangueira! Sem Sunscreen_on_childdúvida, uma estação do ano colorida e alegre. Todo mundo com aquela “cor saudável”! Tudo isso é verdade, menos a parte da “cor saudável”. Por detrás de cada bronzeado excessivo, se esconde um potencial câncer de pele, dentro de anos. As estatísticas mostram que o número de casos de câncer de pele aumenta, de modo significativo. O principal responsável é a exposição ao sol, sem os devidos cuidados e proteção, desde a infância.

Os raios solares são radiações, essencialmente de três tipos: raios ultravioletas A (UVA), ultravioletas B (UVB) e ultravioletas C (UVC). Estes últimos não chegam a atingir a terra e são desviados ou absorvidos antes de entrarem na nossa atmosfera. Mas, os UVA e UVB chegam até nós e atingem nossas peles, podendo produzir queimaduras e alterações nas células que levem ao aparecimento de diferentes tipos de câncer de pele, na vida adulta. A pele da criança tem características que a torna mais susceptível ainda (mais finas, menos melanina- aquele pigmento que nos faz ficar brozeados e protege, de certa forma, a pele).

A pergunta que nós pais devemos nos fazer é: podendo tomar medidas simples e fáceis, temos vontade de evitar que nossos filhos venham a ter câncer de pele ou preferimos pensar que, apesar de sabermos a respeito dos riscos, isso não vai acontecer com nossos filhos (e fazemos pouco ou nada para protegê-los)? Não tenho a menor dúvida de que todos os pais do mundo, diante de um risco imediato, tomariam todas as medidas necessárias para evitar um problema maior. Dou um exemplo extremo: você entra no quarto do seu filho de três anos e o vê sentado naa janela, balançando as perninhas. O que você faria?

a- sairia do quarto para não atrapalhar a brincadeira do seu filho?

b- chamaria seu filho e diria para ele sair porque é muito perigoso ficar sentado na janela?

c- se aproximaria lentamente, sem que o seu filho percebesse ou levasse um susto com a sua aproximação e o pegaria firmemente, tirando-o da janela?

Estou seguro que todos responderiam  letra c. Ninguém ficaria preocupado se o filho gostou ou não de ser tirado da janela, se chorou, fez escândalo etc. O risco era tão grande que não havia espaço para negociação ou conversa. A prioridade era acabar com o perigo, tirando o filho da janela. Pois bem, quando se trata de um problema de igual gravidade, só que no futuro, nosso comportamento se torna diferente. O melanoma, um dos tipos de câncer, tem uma taxa de letalidade altíssima. Isto é, quem apresenta o melanoma tem pouquíssimas chances de sobreviver. Muito parecido com quem cai de uma janela. Mas, nosso comportamento enérgico, firme e rápido para eliminar o perigo da janela não se repete quando se trata de evitar um perigo futuro. Isso vale não só para a a prevenção do câncer de pele, como para todo tipo de prevenção de doenças da vida adulta, evitáveis através de hábitos saudáveis desenvolvidos na infância, como a obesidade, diabetes, infarto, avc etc.

Voltando ao sol e à proteção da pele, o que pode ser feito? A seguir,  algumas dicas para os pais:

  1. Bebês até  seis meses de idade- evitar a exposição ao sol nos horários entre 9 e 17h. Ao sair à rua, usar chapéu  e proteger o bebê com uma sombra.
  2. A partir dos 6 meses, usar protetor solar, exceto nas mãos e rosto. Continuar com a proteção do chapéu, roupas e sombra.
  3. Lembrar que, mesmo na sombra, os raios solares são capazes de queimar porque refletem no chão e nas superfícies. Portanto, sempre há alguma exposição aos raios solares, mesmo na sombra.
  4. Adolescentes tendem a resistir ao uso do protetor porque desejam um bronzeado intenso. Pais não devem temer a reação dos adolescentes e precisam impor certas “regras” para a exposição ao sol (não esquece de passar o protetor, leva o chapéu, usa uma camiseta). Também devem incluir, nas conversas familiares, temas de prevenção de doença, falando sobre câncer de pele. Em um post prévio, publiquei uma foto impressionante demonstrando o efeito do sol sobre a pele, Adolescentes tendem a gostar de exemplos visuais.
  5. Adultos devem dar o exemplo, usando o protetor solar, diariamente. Assim como aprendemos e ensinamos nossos filhos a escovarem os dentes após cada refeição, o uso do protetor solar deve se tornar um hábito diário na vida das pessoas.

A esta altura do blog, ou você está convencido(a) da necessidade do uso do protetor solar, ou já parou de ler! Resta saber qual o FPS e como usar o protetor.

O FPS – Fator de Proteção Solar – é um indicador de quanta proteção aquele produto oferece. Esse número é obtido em laboratório, expondo-se a pele com e sem protetor a uma lâmpada que “imita” os raios solares. Um protetor solar com o fator 15, permite a passagem de 1/15 dos raios solares. Lembrando da matemática do segundo grau, 1/15 = 0,067, arredondando, 0,07. Ou, dito de outra forma, 7 % dos raios passam, o que corresponde a 93% de proteção. Um protetor com o fator 30, seria 1/30= 0,033, arredondando, 0,03 ou 3% de raios que passam, conferindo uma proteção de 97%. Acabamos de ver que um protetor  com fator 30 NÃO  protege o dobro que um com o fator 15!  No final do post, coloquei um gráfico, em inglês, que mostra quanta proteção cada fator dá. Vejam que o 60 não é o dobro do 30!

Mas, não é apenas o FPS que deve ser levado em conta, para garantir uma boa proteção. A seguir dois pontos muito importantes, que, frequentemente, são esquecidos:

  1. A aplicação deve ser feita, no mínimo, meia hora antes da exposição ao sol. O ideal é aplicar o protetor ao sair de casa e não ao chegar na praia ou na piscina. Além disso, o protetor deve ser reaplicado a cada duas horas, independentemente do que diga o rótulo do produto. Não só o produto sai pela transpiração e banho, como a própria luz solar o inativa.
  2. A quantidade recomendada é muito maior do que aquela que habitualmente usamos. Para se ter uma ideia, um frasco de 120ml de protetor, se utilizado adequadamente por um adulto, deveria ser suficiente para entre duas e quatro aplicações. Se uma pessoa ficar exposta ao sol por 4 horas, seria um frasco por dia! Quando aplicamos bem menos do que o recomendado, o fator de proteção solar cai, porque aquele fator que está no protetor foi testado para a quantidade recomendada. Por esse motivo que, apesar de, na curva do gráfico, a diferença entre a proteção dos diversos fatores ser pequena, na prática, acaba sendo mais relevante porque passamos menos protetor do que deveríamos. Uma dica é fazer uma aplicação dupla de protetor. Isto é, passar duas vezes, a cada vez que formos aplicar o protetor, principalmente nas crianças.

Como dito acima, neste post, nosso objetivo, como pais, deverá ser o de desenvolver, em nossos filhos, o hábito do uso do protetor solar, diariamente e não só nas férias ou  nos dias que vão à praia, piscinas ou passeios ao ar livre. Do mesmo modo que exigimos que escovem os dentes, devemos ser rigorosos com o uso do protetor. Todo esse esforço de introdução de um hábito saudável tem a sua recompensa: reduzir, em muito, as chances de um câncer de pele, na vida adulta.

Dá para se divertir e prevenir, ao mesmo tempo.Um bom verão para todos!

Abaixo, o gráfico que mostra o % de proteção (eixo vertical) em função do fator de proteção (eixo horizontal).

curva fps

A SAÚDE DOS PAIS

outubro rosaQuando escrevo um post , tento me colocar no lugar de alguém que está lendo. Me pergunto sempre sobre que tema deve interessar mais às pessoas? Tento evitar escrever só sobre doenças e, quando o faço, busco uma abordagem que seja clara e objetiva. Acho um horror essa coisa de complicar os assuntos para parecer que “entende muito”. A simplicidade tem uma beleza ímpar e, nem sempre, é fácil transformar em simples um tema complexo.

Mas, invariavelmente, escrevo sobre as crianças ou as relações dos pais com seus filhos. Muito raramente faço um comentário sobre a saúde dos pais. Hoje, pensando no outubro rosa (mês da prevenção do câncer de mama) e no novembro azul (prevenção do câncer de próstata), me perguntei se, como profissional da saúde, eu não deveria fazer um comentário, por menor que fosse, sobre esses dois temas? Aí, me dei conta de que o comentário poderia ser mais amplo, falando sobre a saúde dos pais.

O que queremos para nossos filhos? Para sintetizar , o melhor possível! Quando pensamos nesse melhor, muito provavelmente nos vêm à cabeça coisas como: saúde (sempre!), uma boa educação, que escape dos riscos da nossa época (violência, drogas etc.), que saiba fazer boas escolhas na vida (nem sempre as mesmas que faríamos!) e, finalmente, que seja uma pessoa feliz . Para podermos oferecer o melhor possível para nossos filhos, nos esforçamos, trabalhamos (com o risco de nos ausentarmos mais do que o desejável, deixando o carinho para um segundo plano), damos duro para conquistarmos o que pode ser comprável e fazemos o melhor que conseguimos para dar afeto e fortalecer a sua auto-estima. Mas, quantos de nós pensa que a nossa presença na vida dos nossos filhos talvez seja o “melhor de todos os melhores”, para eles?  Quantos de nós, aproveitamos o fato de sermos pais, para cuidarmos um pouco mais de nossa saúde, por amor aos nossos filhos?

Não raro, atendo pais que vivem adiando suas questões de saúde. A falta de tempo, mãe de todas as desculpas, justifica o descuidado que temos com a nossa saúde. Em um mundo super objetivo, quantificado, medido, fortemente influenciado por uma lógica de mercado, será que não há investimento mais rentável do o tempo dedicado à nossa saúde? De que adianta trabalhar todos os dias até tarde, chegar em casa cansado, mal ver os filhos acordados, pensando em poder pagar a boa escola, o plano de saúde e, talvez, umas férias no verão, se nos expomos ao risco de enfartarmos jovens?  Vamos supor uma situação fictícia. Enfartamos, morremos e voltamos para perguntar aos nossos filhos se preferiam que estivessemos vivos ou se estavam felizes por poder continuar a estudar na boa escola, fazer o curso de inglês e viajar uma vez por ano, usando o dinheiro do seguro de vida que fizemos? Não tenho a menor dúvida de que nossos filhos sempre prefeririam a nossa presença! Então, por que não aproveitamos para cuidarmos melhor da nossa saúde? Não tenho a resposta. Deixo a pergunta no ar.

Para ajudar a sair do teórico e irmos para a prática, deixarei uma sugestão, divida em cinco grandes capítulos, onde poderemos mudar nossas vidas, contribuindo fortemente para a melhoria da nossa saúde:

  1. Alimentação– cuidar da alimentação contribui para prevenirmos várias doenças como: hipertensão, enfarte, diabetes tipo 2, vários tipos de câncer, obesidade, doenças das articulações. Comer menos gorduras animais, açúcar refinado e mais legumes, verduras e frutas, é um bom começo. Evitar comida industrializada e preferir os alimentos que não possuem embalagens atraentes e rótulos explicativos. Comida, como nossos avós chamavam: um prato com alimentos de várias cores.
  2. Exercícios físicos- fazer ao menos 150 minutos de exercício aeróbico e duas sessões de musculação, por semana, ajudam no controle do peso, no fortalecimento da auto estima, reduzindo também  a necessidade de medicamentos para hipertensão e diabetes do tipo 2. Além dos benefícios físicos visíveis, os exercícios contribuem para o bem estar emocional das pessoas, dissipando o estresse e dando mais ânimo e vigor para o viver.
  3. Vida afetiva- estabelecer vínculos afetivos com a família e amigos, tem uma influência direta na saúde das pessoas. A troca de afeto contribui para a redução da ansiedade e colabora na prevenção da depressão. O isolamento (ou blindagem) que uma vida quase que exclusivamente  profissional (trabalho-cama-trabalho) produz, cobra um preço caro na saúde emocional e física das pessoas. Pessoas que vivem de forma afetiva, sem pudor de sentir emoções, em geral, são mais felizes.
  4. Vida “interior”- para uma saúde equilibrada, é preciso um tempo sem fazer nada. Um tempo que pode ser curto, onde os pensamentos ficam mais soltos. É o que os gregos chamavam de ócio. Dessa palavra veio a palavra escola! Os gregos estavam convencidos (e, provavelmente certos) de que uma cabeça cheia não pode pensar coisas novas. Portanto, é preciso “desligar” um pouco, “esvaziar” a cabeça, para podermos ser mais criativos e lúdicos. Sem criatividade a vida fica muito chata, repetitiva, mecânica. Esse momento de ócio pode ser conseguido de várias maneiras: ficar quieto uns minutos, olhar um nascer ou pôr do sol, meditar, fazer yoga, ter alguma religiosidade etc. Não há uma fórmula, roteiro ou regras para se conseguir esses momentos de serenidade. Cada um encontrará o modo que mais lhe agrada.
  5. Sono- em um mundo onde tempo é dinheiro, dormir vira um desperdício! Pois bem, o sono é uma das atividades humanas mais importantes e, ao mesmo tempo, mais desprezadas. Sono de qualidade produz equilíbrio hormonal, regeneração celular, relaxamento, bom humor, capacidade de concentração e aprendizagem, entre outras coisas. Pensem que, toda vez que “economizarmos” uma hora do nosso sono, estaremos impondo um “custo” à nossa saúde que poderá nos levar à “falência”.

Claro que, no meio destas ações, será importante cuidar da prevenção também através de uma consulta médica periódica, vacinação (adulto também precisa de vacinas!) e alguns exames. Como saímos do outubro rosa, nunca é tarde para que as mulheres façam uma visita ao ginecologista para um exame clínico das mamas. Para os homens, novembro azul novembro azulnos lembra da importância da prevenção do câncer de próstata, através de uma visita ao urologista para a realização do toque retal.

Acabou ficando um post longo! Para resumir, diria: se queremos o melhor para nossos filhos, devemos cuidar de nossa saúde como um ato de amor por eles. Quanto mais tempo estivermos vivos e saudáveis com eles e menos trabalho dermos, na nossa velhice, melhor será a vida de nossos filhos. Saúde!

O PRATO SAUDÁVEL

Cada vez mais nos preocupamos com a qualidade da nossa alimentação. No entanto, nem sempre é fácil lembrar de como devemos montar um  prato saudável. Até muito recentemente havia uma pirâmide alimentar que dava uma orientação razoável. Esta pirâmide foi substituída pelo “ prato saudável” que apresentamos abaixo.

1-      Metade da sua refeição deve ser constituída de verduras, legumes e frutas.

2-      Um pouco mais de um quarto da refeição deve ser de grãos (arroz, pão, aveia). Destes, idealmente metade deveriam ser integrais.

3-      Um pouco menos de um quarto da refeição deveria ser de proteína, com preferência por peixe ou frango (sem pele).

4-      Uma boa refeição deve incluir uma porção de leite ou um de seus derivados.

5-      Deveríamos evitar: sal, gorduras saturadas ou trans, açúcar, fast-food e grãos refinados

6-      Deveríamos comer  mais: peixes, grãos integrais, azeite, leite desnatado e queijos com baixo teor de gordura, frutas e legumes, proteínas sem gordura.

Esta deveria ser a base da alimentação da família. Assim, as crianças conviveriam com uma cultura alimentar saudável, muito importante na prevenção de doenças da vida adulta como: obesidade, hipertensão, aumento do colesterol, diabetes tipo 2 e algumas formas de câncer.

Veja a representação de um prato saudável e bom apetite!

COMO EVITAR ACIDENTES DOMÉSTICOS

Acidentes acontecem e, raramente, são obra do acaso ou má-sorte. Em geral, acidentes podem ser evitados ou prevenidos com alguns cuidados básicos. Quando relaxamos e não fazemos o que deve ser feito, aumentamos as probabilidades de um acidente doméstico acontecer.

Abaixo, algumas orientações para a prevenção de alguns acidentes domésticos. Não é uma lista completa, mas inclui as situações mais comuns.

  1. Nunca deixe um bebê sozinho ou sob o cuidado de      outra criança – mesmo bebês pequenos podem se movimentar e, a partir do      segundo ou terceiro meso, rolar. Por isso, se o bebê não estiver no seu      berço, deve ter alguém, de preferência adulto, cuidando dele.
  2. O berço do bebê deve ter uma grade. Esta grade deve      ser feita de ripas de madeira ou barras de metal, com, no máximo,6 cmde distância entre      elas. Caso o espaço entre as ripas ou barras seja maior do que6 cm. há o risco da      criança passar a sua cabeça e ficar presa, podendo se sufocar. Do mesmo      modo, na cabeceira ou nos pés, não deve haver nenhuma abertura que seja      maior do que 6cm.
  3. A distância da grade abaixada até o colchão deve      ser, no mínimo de23 cm.      Quando a criança começa a querer ficar em pé, o colchão deve ser      colocado  na sua posição mais baixa.      As quedas do berço mais comuns são quando o bebê começa a tentar sair do      berço, ficandoem pé.       Quandoseu filho ou filha atingir 89cm de altura, é hora      de trocar o berço por uma cama.
  4. O colchão deve ficar bem ajustado ao berço. Se      houver folgas, a criança pode prender dedos, mãos, pés ou até se enfiar      por debaixo do colchão, com risco de se machucar ou sufocar.
  5. Não deixe travesseiros, brinquedos, bonecos de      pelúcia dentro do berço.
  6. Verifique se todos os parafusos e ajustes estão bem      apertados, sem nenhuma aresta para fora.
  7. Se o seu colchão chegar da loja embrulhado em      plástico, retire-o imediatamente e jogue-o fora. Nunca deixe o plástico no      berço porque existe risco de sufocamento da criança.
  8. Crianças podem se afogar em muito pouca água. Nunca      deixe uma criança sozinha dentro de uma banheira, por menos água que      tenha. Se estiver sozinha (o) em casa e precisar sair do banheiro (atender      a porta,  telefone,ver o feijão no      fogo), embrulhe sua criança em uma toalha e leve-a junto com você
  9. Retire todos os objetos cortantes ou pontiagudos do      alcance da criança. Guarde-os em lugares altos e fechados. Crianças puxam      mesas e tudo que está sobre ela pode cair no chão. Evite deixar objetos      pesados em cima das mesas.
  10. Nunca deixe aparelhos eletrônicos ou      eletrodomésticos com os fios pendurados, caindo na direção do chão.      Crianças puxam os fios e os objetos podem cair nas suas cabeças.
  11. Nunca deixe eletrodomésticos ligados na tomada. A      partir de uma certa idade, em torno de2 a3 anos, a criança empurra uma cadeira      e sobe para ver o que está acima do seu campo de visão. Se encontrar um      aparelho, vai apertar botões. Se este estiver ligado na tomada, poderá      produzir um acidente.
  12. Se for esquentar mamadeira ou comida no microondas,      lembre-se que o calor não se distribui uniformemente. Você deve agitar a      mamadeira antes de testar a temperatura. Se você testar a temperatura sem      misturar bem, poderá produzir queimaduras sérias no seu filho ou filha      porque uma parte do leite pode estar muito quente e a outra não. Com a      comida, ou você mistura tudo, ou testa a temperatura em vários lugares      diferentes do prato.
  13. Nunca deixa as panelas com os cabos para fora do      fogão.
  14. Nunca deixe fósforos ao alcance das crianças
  15. Nunca utilize frascos ou embalagens de bebidas e      comidas para guardar produtos químicos ou de limpeza. Muitas crianças      sofrem queimaduras ou intoxicações graves porque produtos de limpeza foram      guardados em garrafas de refrigerante.
  16. Nunca deixe remédios ao alcance de crianças.
  17. Não derrame álcool diretamente no fogo (churrasco),      mesmo fazendo um jato de longe. O jato de álcool, sendo inflamável, vai      pegar fogo e este vai chegar até a garrafa que está na mão de um adulto ou      criança, produzindo queimaduras graves.
  18. Tampe as tomadas com uma fita isolante,  sabendo que a criança vai tentar      removê-la. Idealmente, deve usar protetores vendidos no comércio, que      oferecem uma proteção mais segura.
  19. Mantenha a tampa do vaso sanitário sempre abaixada.      Crianças que andam, a partir de um ano, podem se debruçar sobe o vaso e      cair dentro dele, com risco de baterem a cabeça e,também, de se afogarem.
  20. Nunca deixe sacos plásticos soltos pela casa. As      crianças gostam de colocá-los na cabeça, cobrindo o rosto, com enorme      risco se sufocamento.
  21. Armas de fogo não devem ser guardadas em casas ou      ambientes onde morem crianças. Esta é uma recomendação rigorosa. No      entanto, se, por qualquer motivo, uma arma precisar ser guardada em casa      (um dos pais é policial, por exemplo), esta deve estar descarregada e      travada. A munição não deve ser guardada próximo da arma.
  22. Bebidas alcoólicas podem ser muito tóxicas para      crianças pequenas e adolescentes. Por esse motivo, devem ser guardadas em      local inacessível a elas, preferencialmente em armário trancado.