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BLOG AO VIVO!

Recebi um convite (ou desafio) para conversar com um grupo de pais. A ideia surgiu de um papo  com Rubens Kignel, psicoterapeuta de S.P. Falávamos sobre como a medicina estava invadindo a vida das pessoas, fazendo com que estas perdessem um pouco a segurança no conhecimento que vem da experiência de vida, sensibilidade, intuição etc., sem desdenhar ou renunciar ao que a medicina tem de bom para nos oferecer. Falamos também sobre como as pessoas podem se sentir constrangidas de fazer perguntas ao médico, seja porque sentem que o tempo é escasso, seja porque ficam inseguras em compartilhar suas dúvidas.question mark

Desse papo, animado, surgiu a ideia de convidarmos pais para conversarem com um pediatra, fora do ambiente do consultório, sem ser para uma consulta médica e sim para uma troca de ideias e experiências. Assim surgiu o Perguntem ao Pediatra o que Jamais perguntaram, cuja divulgação diz:

Nesse encontro a proposta é conversar com um pediatra fora de uma consulta e em grupo, isto é, mães e pais terão a oportunidade de bater um papo que será determinado pela riqueza da experiência de maternidade e paternidade de vários casais.

Durante uma consulta com o pediatra, os pais podem se sentir pressionados pelo tempo ou até inibidos pela figura do médico. Não raro, saem com dúvidas e perguntas que gostariam de ter feito.

Por outro lado, será que estas dúvidas deveriam ser respondidas pelo pediatra ou os pais possuem o conhecimento necessário para respondê-las? Se possuem, porque não utilizam este conhecimento?

Este encontro vai acontecer na segunda feira, dia 16/03/2015, das 20:30 as 22:30h . Local: Clinica de Psicoterapia Rubens Kignel Endereço: Rua Faisão, 55 -Vila Madalena Reservas: rkignel@terra.com.br ou (11) 38193221, – apoio: R$ 50,00 por pessoa

Até hoje o blog só foi escrito. Agora, temos a chance de fazermos, juntos, um blog ao vivo! Espero vocês lá.

 

 

 

 

 

 

 

A IMPORTÂNCIA DA RELAÇÃO COM O PEDIATRA.

pediatraEm um mundo onde, graças à tecnologia, tempo e espaço estão cada vez mais curtos, podemos ficar com a impressão de que tudo pode (e deve) ser rápido, objetivo, prático. A lógica de que tempo é dinheiro acaba “contaminando” a vida e o que seria um modelo econômico eficiente (o mercado), extrapolou para a vida, como um todo. Ocorre que o tempo não é sinônimo de dinheiro, mas é o tecido, tela ou pano de fundo onde cada um vai imprimir a sua vida. E a vida nos dá sinais de que tem lá seus tempos, que não mudam, por mais rápido que fiquem os computadores, carros e aviões. Uma gravidez continua levando nove meses, uma criança leva um ano para andar e um resfriado, uma semana para ficar bom!

Mas, o que tem essa introdução a ver com o tema do post de hoje? Na medida em que tudo ao nosso redor fica mais rápido, o mesmo acontece com nossas relações. SMS, Tweeter, Facebook, e-mail, agilizam e otimizam nossas comunicações. Esse é o lado bom da tecnologia. Mas, podem nos fazer crer que tudo é otimizável, como, por exemplo, uma consulta médica. O que passa a importar é a capacidade do médico chegar, rapidamente, a um diagnóstico e prescrever o remédio correto, de preferência que aja em poucas horas! Nesse cenário, para que estabelecer um vínculo, uma relação, com o pediatra? O melhor pediatra é aquele mais perto, com menor espera e maior índice de acerto. Claro que todos esses atributos são desejáveis. Mas, não dão conta de um mundo de questões que surgem no crescimento e desenvolvimento das crianças.

Crianças, como todos os seres humanos, são indivíduos únicos, pertencendo a uma família única, com uma história e tradição, únicas. Olhar para uma criança, exclusivamente, através do conhecimento de um livro de medicina é não enxergar uma série de fatores que influenciam na sua saúde. Se não fosse verdadeira essa minha afirmação, já teríamos programas de computador onde colocaríamos a idade, sexo, sinais e sintomas da criança e receberíamos um diagnóstico e tratamento, impressos, em segundos! Isso não é possível exatamente porque nenhuma criança no mundo se encaixa perfeitamente em um modelo estatístico puro. Medicina é, portanto, uma atividade fortemente apoiada na ciência, nas evidências demonstradas de forma rigorosa, mas que envolve um lado artesanal do médico. Um dos perigos do fetiche da ciência (e sou um incansável defensor do método científico rigoroso) é tentarmos encaixar nossos pacientes nos protocolos padrão, desenvolvidos através de excelente pesquisa. O que um bom médico deve fazer é um pouco diferente. Utilizando os protocolos ou conhecimentos existentes, deve adaptá-los à individualidade de cada um. Para esta criança, posso esperar mais um dia antes de dar o remédio tal; para aquela, preciso intervir mais cedo. Ou ainda, com esta família posso “negociar” mais alguns dias sem grandes intervenções, com aquela, é preciso um tipo de conduta diferente.

Esse lado artesanal da medicina só se consegue quando se tem uma relação com o paciente e a sua família. Quando são conhecidos e já acumulamos experiência suficiente para entender ao menos parte da individualidade da criança e sua família. Além disso, existem muitos aspectos em pediatria que não se referem a doenças. O pediatra interage, frequentemente, com a família em questões de educação e comportamento. Estas não estão nos livros de medicina clássicos e não possuem protocolos. Como conversar sobre esses assuntos, sem ter um conhecimento, uma relação de confiança mútua, com a família? Impossível!

O que estamos vivendo hoje, é uma desvalorização dessa relação com o médico. Cada vez que uma criança é levada a um pronto atendimento pediátrico, público ou privado, será visto por um médico que, desconhecendo a criança e a família, aplicará um protocolo padrão. O resultado será, inevitavelmente, exames pedidos sem necessidade e mais remédios prescritos, do que o necessário. O médico que está vendo a criança somente aquela vez, não tem a segurança que uma relação pode dar para adequar o seu conhecimento científico àquela criança. Os pais, por sua vez, passam a ficar menos tolerantes ou seguros com alguns sintomas e correm para o pronto atendimento, imediatamente. Não possuem um pediatra em quem possam confiar, para lhes orientar e evitar o excesso de exames e remédios que pode ser prescrito em um modelo onde não há uma relação, apenas um atendimento.

Eu sei que, muitas vezes, o pronto atendimento é muito mais conveniente. Não precisa marcar consulta, a espera é razoável e os médicos bons. Mas, se ficarmos somente no aspecto da conveniência, perdemos algo fundamental em medicina que é a relação com o médico. Essa relação de confiança é o que permite pensarmos em saúde de forma mais ampla e abrangente e não apenas na cura das eventuais doenças que surjam ao longo da vida. Curiosamente ou felizmente, saúde interessa e motiva a todos. Vejo aqui pelo blog que os temas que abordam doenças fazem menos sucesso do que os que falam de aspectos mais amplos da saúde. A pergunta que eu não sei responder é: se existe o interesse, por que não estamos investindo em construir relações médico- paciente? Por que não exigimos uma consulta (pública ou privada) menos corrida, não focada somente em sinais e sintomas de doenças? Por que estamos indo cada vez mais nos pronto atendimentos e menos nos consultórios?

Envie suas respostas e comentários para o blog. São sempre muito bem-vindos.

COMO ESCOLHER SEU PEDIATRA?

A relação médico paciente é parte fundamental de um bom atendimento. Sem a confiança que se estabelece entre o/a profissional e oescolhendo o pediatra paciente, ficamos somente com um atendimento mecânico, voltado para sintomas e doenças,  não para a pessoa. No caso do pediatra, o vínculo de confiança deve se estabelecer com a criança, e seus pais, eventualmente incluindo os avós. O pediatra se relaciona com a família e não só com o indivíduo que ele examina.

Nem sempre podemos escolher nossos pediatras. Muitas vezes somos obrigados a nos consultarmos com o profissional que está de plantão ou trabalhando no horário em que precisamos. Isso ocorre principalmente nos atendimentos públicos, emergências, mas também em algumas clínicas privadas em que não se escolhe o pediatra que vai nos atender.

No entanto, se pudermos escolher o profissional pediatra que vai nos atender, aqui vão algumas sugestões:

– antes de ser atendido, busque referências do profissional. Converse com alguém que já foi atendido por ele ou ela.

– descubra se o profissional resolveu ou encaminhou de forma adequada o problema de saúde da criança que foi atendido por ele/ela;

– pergunte sobre quanto tempo dedicou ao atendimento, se parecia apressado ou não, se colheu uma história detalhada e fez um exame físico minucioso.

– investigue sobre a quantidade de exames de laboratório que foram pedidos. Fique com um pé atrás com profissionais que pedem muitos exames, para situações aparentemente simples, principalmente se a consulta foi rápida. Exames complementares não substituem uma história detalhada e um exame físico bem feito.

– procure saber mais sobre como pensa o pediatra com relação ao aleitamento, desmame, desfralde, dificuldades com o sono, pirraça etc. É importante que seus valores a respeito destes e outros temas estejam, de alguma forma, alinhados com os do pediatra.

– pergunte sobre a personalidade e estilo do pediatra. Se você é uma pessoa que gosta de decisões participativas, seria desastroso escolher um pediatra mais impositivo ou que use mais sua autoridade médica. Por outro lado, se você prefere delegar ao pediatra as decisões de prescrição, ficaria muito desconfortável se fosse estimulada a opinar e participar do processo decisório.

– busque informações sobre a pontualidade do pediatra. Emergências acontecem, mas são a exceção. Ser pontual é uma forma de respeito pelo paciente.

– a agenda do pediatra é sobrecarregada ou é possível se marcar uma consulta dentro de um prazo razoável?

– o endereço do consultório, apesar de não ser um determinante na escolha, pode ser importante. Um pediatra que atenda muito longe de onde mora ou cujo consultório seja de difícil acesso, pode ser um barreira para sua escolha.

– finalmente, questione sobre o consultório, aparência, organização e limpeza.

– quando for se consultar, avalie a forma com que é recebido (a). Verifique se a secretária é cortês, educada e presta atenção em você ou se simplesmente, se limita a preencher fichas de forma burocrática. Caso haja um atraso, a secretária lhe avisou e deu uma explicação?

– avalie a organização e limpeza do consultório. Isto não indica se o pediatra é competente, mas sinaliza o quanto ele/ela está preocupado (a) em acolhê-lo (a) no seu lugar de trabalho.

– durante a consulta, perceba se o pediatra é atencioso, faz perguntas, quer saber mais detalhes ou se está impaciente, acelerando a consulta.

– perceba se o exame físico é completo e minucioso ou simplesmente se limitou a examinar especificamente o que você relatou. O pediatra foi carinhoso ou cuidadoso ao examinar seu filho? Se a criança já é maior, ele/ela explicou o que iria fazer durante o exame? Numa consulta de revisão, o exame físico naturalmente pode ser mais objetivo e focado na queixa.

– o médico lhe transmitiu confiança técnica, lhe deu explicações, justificou os exames solicitados e a medicação prescrita?

– finalmente, avalie seus sentimentos com relação ao pediatra. Ele/ela lhe pareceu genuinamente interessado no seu filho e em vocês, pais? Demonstrou cortesia e compaixão? Você se sentiu acolhido (a)?

Estas são algumas sugestões ou critérios que já ouvi de pais. Gostaria de enriquecer esta lista com o que você considerou importante, na hora de escolher seu pediatra. Ou, o que dicas dariam para pais grávidos, com respeito à escolha do pediatra?  Envie suas dicas e comentários para enriquecer o blog.