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NOVO MÉTODO PARA ESTIMULAR A CAPACIDADE INTELECTUAL DAS CRIANÇAS

mobile kids

Pesquisadores da Universidade de Uppsala, na Suécia chegaram à conclusão que, de fato, existe um método que é capaz de estimular a capacidade intelectual de crianças, desde a idade de alguns meses.  O mais interessante é que o método, utiliza uma plataforma realmente amigável e intuitiva, de baixo custo e fácil acesso para a grande maioria das pessoas.

A pesquisa demonstrou que crianças ou até mesmo bebês, desenvolvem não só sua parte intelectual, cognitiva, mas, também sua capacidade criativa, além de constatarem o estabelecimento de vínculos afetivos mais sólidos, dentre os que foram submetidos à essa nova metodologia.

Em geral, pais demonstram uma certa preocupação em como desenvolver de forma mais plena, o potencial dos seus filhos. Nesse afã, se tornam, em alguns casos, vulneráveis a alguns modismos ou tecnologias sem nenhuma comprovação de eficácia. Desde tocar música clássica enquanto o bebê ainda está na barriga da mãe, até a aquisição de móbiles que se propõem a desenvolver aptidões matemáticas nas crianças. O que os pesquisadores suecos nos apresentaram prova que bebês e crianças podem ser estimulados, no entanto a tecnologia envolvida é mais simples do que se supunha.

Mas, nem tudo é perfeito. Este método exige, ao menos, a aquisição da plataforma e um adulto com tempo e desejo de utilizá-la com a criança. A partir de uma certa idade, a própria crianças será capaz de manusear a plataforma, mas, mesmo nessa fase, a presença de um adulto, participativo, interagindo, potencializa os benefícios da metodologia. Somente a partir de 7 a 8 anos é que a plataforma apresenta modelos nos quais a criança será capaz de fazer todas as etapas do método, de forma autônoma.

A esta altura, a curiosidade de alguns deve estar suficientemente aguçada, enquanto que outros já estão no limite de perder a paciência- mas, afinal que metodologia é essa, eficaz, barata, acessível e que roda em plataforma intuitiva e amigável.

Os suecos comprovaram que Lições Interativas de Visualização e Relacionamento de Ordem afetiva, de fato constitui um método, até hoje inigualável de estimulação intelectual e emocional da criança. Mas que método é esse, afinal de contas? Peguemos as primeiras letras de cada palavra e teremos:

LIVRO!

Daqui, ouço um óhhh de decepção, vindo de um grupo de pais mais high-tech, ligados em novidades, para quem o progresso terá sempre uma book-bondingsolução melhor do que o passado. Também vejo um sorriso amarelo de alguns pais que, esperavam algo mais do que um livro! Meu lado otimista (que não é muito desenvolvido) consegue supor alguns sorrisos de pais que, por experiência própria (são leitores) conhecem o poder que livros possuem no desenvolvimento do ser humano.

Brincadeira à parte, há um consenso entre diferentes profissionais de saúde que, se fossemos escolher um método de desenvolver a capacidade cognitiva das crianças este seria a leitura de livros, já a partir dos 6 meses de idade. Claro que não é o único e todos são complementares. O brincar criativo, com sucata doméstica, argila, tintas, pinceis, colagens, seria outro. As brincadeiras ao ar livre como saltar, girar, pedalar, nadar, desenvolvendo, de forma lúdica as capacidades motoras, seria outro. Lembrando que nenhum método, sem o carinho dos adultos, funciona!

Vejam que as telas e monitores não constam no topo da lista. Isso porque, em princípio,  sugerem mais passividade e menos criatividade, no máximo, reatividade, reflexos. E, vamos nos lembrar que programas muito rápidos, agitados, podem desenvolver nas crianças pequenas uma “necessidade” de hiperestimulação. Se não forem hiperestimuladas, sentirão tédio o que pode gerar dificuldades no momento da alfabetização, que é, obrigatoriamente, lenta.

Retornando ao LIVRO, este é um estimulador da criatividade, na medida em que o leitor (ou, no caso da criança- ouvinte), cria a história na sua cabeça. Serão sempre 3 porquinhos e um lobo, mas cada um cria os seus 3 porquinhos e o seu lobo! Além desse aspecto, a proximidade física com quem conta a história, cria um momento de vínculo afetivo, com contato corporal. Não se trata apenas do carinho de quem provê, mas do afeto de quem toca (e se deixa tocar). A leitura pode contribuir para a implantação de determinadas rotinas, como dormir ou jantar. Sinalizam mudanças de ritmo (da brincadeira mais agitada, para um momento mais calmo). Um aspecto pouco lembrado é o de que  nós, adoramos contar histórias! Falamos há aproximadamente 70 mil anos e escrevemos há uns 10 ou 12 mil anos. Portanto, passamos 60 mil anos da nossa existência dependendo exclusivamente de contarmos histórias, para crianças e adultos, assegurando que o conhecimento e a experiência fossem transmitidos, garantindo que chegássemos até aqui. Por esse motivo, ler não é intuitivo, como conversar. Ao contarmos histórias, usando livros, unimos a fala com a escrita e podemos desenvolver nos nossos filhos o hábito da leitura. Um hábito que, por não ser natural, precisa ser desenvolvido de forma gradual e prazerosa. Afinal de contas, hoje, a informação de qualidade, se encontra publicada, impressa. A capacidade analítica, crítica, o entendimento de complexidades como a vida em sociedade, economia, medicina, engenharia, astronomia, cultura, arte etc. vai depender da capacidade de leitura da pessoa. Em um mundo competitivo essa competência pode fazer a diferença, além de ser um hábito que produz prazer a quem o desenvolveu. Vejam quantas razões (e emoções) justificam o desenvolvimento do hábito de ler.

Se alguém ficou chateado com a brincadeira dos pesquisadores de Uppsala, peço desculpas. Só queria chamar a atenção, de forma provocadora, para a importância do livro. E boa leitura com seus filhos!

 

 

ESTIMULAÇÃO PRECOCE

Estimulação precoceSempre fiquei pensando a respeito do termo estimulação precoce. Precoce, segundo o dicionário, é algo prematuro, antecipado, antes do tempo. Aí me dei conta, uma vez mais, que estamos vivendo um momento de encurtamento do tempo. Tudo precisa ser rápido. Rapidez traduz uma noção de eficiência, de performance e, numa sociedade onde a cultura de gerenciamento de empresas ” transbordou” para nossas vidas pessoais, nada mais desejável do que a velocidade.

Ninguém ainda ousou revelar, mas deve ter muita gente imaginando se não seria possível um curso de línguas intra uterino! Quem sabe colocar uns fones de barriga para o bebê ouvir uma outra língua? Claro que, em todas as nossas fantasias relacionadas com a qualificação dos filhos, existe o desejo, mais do que legítimo, de que sejam pessoas competentes e, portanto, com maiores chances de aproveitarem as melhores oportunidades que a vida tem para oferecer. Acredito que todos nós desejamos o melhor para nossos filhos. Mas, é preciso ter cuidado para não confundirmos o que é melhor para uma empresa ou organização, com o que desejamos para nossas crianças. Crianças não são funcionários da família.

Crianças são seres onde nem tudo pode, nem deve, ser acelerado. Qual um dos temores de toda grávida? Que o bebê  nasça antes da hora! Nascer antes da hora, um parto precoce ou prematuro, pode significar que o bebê corra risco de vida. Só porque chegou antes. Esse é um exemplo onde as consequências da precocidade ficam muito evidentes. Por que não imaginar que outras precocidades também possam trazer riscos sérios?

No afã de vermos nossos filhos se desenvolvendo plenamente, além de acharmos que dominar aptidões mais cedo é, sempre, melhor, também acreditamos, sem crítica, que a tecnologia será uma aliada fundamental nesse desenvolvimento antecipado. O que a industria está sendo capaz de oferecer em termos de bugigangas e geringonças que são “cientificamente” testadas e aprovadas para estimular o QI de um bebê de meses, ou até de uma criança de anos, é impressionante. Além de prometerem uma ilusão, a de anteciparem o que tem um tempo próprio para acontecer (como a gravidez tem), acabam podendo ter o efeito inverso, de criar crianças passivas diante de uma tecnologia que fascine. Fascina, sem estimular a imaginação.

Todo desenvolvimento intelectual e emocional vem da capacidade de termos nossa imaginação estimulada. E a imaginação se estimula a partir de um objeto ou situação,  vago, pouco específico, deixando para a criança a tarefa de criar suas especificidades. É assim que uma caixa de ovos pode virar tanto um caminhão, quanto uma ferramenta para modelar massinha, ou ainda, um bicho muito assustador que morde a perna dos adultos! Mas, não é só a presença de um objeto, desenho ou situação que produz, na criança a fantástica capacidade de criar. É preciso um ambiente de amor, acolhimento e profundo respeito pela criação infantil. Só assim, esta se sentirá segura para ousar e criar mais ainda. Nenhuma tecnologia sente carinho pelos nossos filhos!

Colocar o filho no colo, a partir de 6 meses de idade, para ler um livro, é um dos melhores estímulos à criatividade dos nossos filhos. Claro que, aos 6 meses não entendem nada do que lhes é dito. Mas, compreendem muito bem, o calor do corpo que os abraça e o tom da voz (sempre diferente, quando contamos histórias). Sentar com o filho no colo é esquecer do tempo (que pode ser de apenas 5 minutos) e entrar em um território mágico onde coisas fantásticas acontecem. Ler, com os filhos, é ensiná-los a não ter pressa. A sentir prazeres que não sejam imediatos, instantâneos. Além de ler, brincar com os filhos, se possível, usando sucata doméstica. Fios e fitas que deslizam pelo chão ou voam pelos ares, assumindo os mais diversos personagens. Caixas de diversos tamanhos, garrafas plásticas, copos de iogurte (lavados!), se transformam em cidades, carros e pessoas. E você ali, brincando junto, é o reforço positivo que seu filho precisa para ousar imaginar. Além de ser um reforço positivo para seu filho, sentirá prazer. Quanto mais prazer sentir, mais sua presença será percebida como um integrante do brincar e não como aquele que está ali, tomando conta.

Finalmente, a pergunta que deixo no ar- para que ter pressa? Pressa de andar, falar, desfraldar, ler, fazer contas. Cada criança tem seu ritmo, seu tempo. A vida tem um tempo e quem tem muita pressa, passa sem ver a paisagem! O bonito, numa estrada, não é a velocidade e sim a paisagem. O gostoso numa viagem é ter tempo… tempo para parar, olhar, tomar um café. Por que temos essa sabedoria quando viajamos e passamos o resto do tempo correndo?

Ao encerrar o post, gostaria de dizer que tenho profundo respeito pelo trabalho dos profissionais envolvidos em Estimulação Precoce. Estes profissionais trabalham com crianças que apresentam necessidades específicas e contribuem enormemente para o bom desenvolvimento destas crianças. Peguei o termo Estimulação Precoce emprestado, apenas para tentar provocar a reflexão se vale a pena termos pressa com quem precisa de tempo para se desenvolver?

 

COMO ESTIMULAR SEU FILHO?

estimulo2Todos nós queremos dar aos nossos filhos o melhor. Talvez o melhor que possamos dar seja exatamente a capacidade de conseguirem desenvolver plenamente seus potenciais. E aí começam nossas dúvidas e inseguranças. Será que estou fazendo certo? Haverá algo mais que eu poderia estar fazendo e não estou?

Se não tomarmos muito cuidado, nos tornaremos alvos fáceis de modismos e charlatanices. Em algum lugar da internet vamos encontrar testemunhos sobre os efeitos de Mozart, tocado durante a gravidez, na capacidade de resolver problemas matemáticos na adolescência. Ou então, alguém vai nos garantir que determinado jogo eletrônico foi utilizado por algum governo longínquo e o que o país hoje exporta talentos para o mundo. A indústria se beneficia dessa nossa insegurança natural e invade as gôndolas de lojas de brinquedo com o que há de mais “científico” para desenvolver as aptidões intelectuais do seu filho de…… 3 meses!

Como então poderemos estimular nossos filhos? O essencial pode ser resumido em 3 Cs: carinho, cuidado e criatividade. Carinho não é comprar brinquedos ou jogos. É segurar no colo quando bebê, cantar, sussurrar, embalar. Aos 6 meses começar a ler livros ou revistas (sim, 6 meses!) e, depois, brincar junto. Carinho é presença. Carinho é uma emoção e não um objeto comprado (que pode ser adquirido com carinho!). Cuidar é se certificar que o ambiente em volta do seu filho seja agradável, amistoso, seguro e confortável. Não significa decorar o ambiente (ainda que isso possa fazer parte), mas adequar o ambiente para a vida da criança. Um ambiente que ela sinta como dela, onde está integrada, com prazer. Criatividade é ignorar regras que não parecem fazer sentido, ousando um pouco. Ignorar dicas de pediatras, amigos e parentes e fazer o que o coração determinar. É, também, usar o que pode ser chamado de “sucata estimulo3doméstica” como brinquedo. Coisas seguras como caixas de ovos (sem os ovos!), algumas embalagens, acabam virando brinquedos muito divertidos porque eles não vêm prontos como alguns que compramos. Estes exigem que fabulemos (inventar uma história) para que deixem de ser o que são e passem a ser casas, bichos, aviões ou túneis.

Estimular nossos filhos é deixa-los se desenvolverem no ritmo deles, sem tentar acelerar etapas. É respeitar a diferença entre irmãos ou crianças da mesma idade. É fazer as refeições em família, ao menos nos finais de semana.  É sair de casa e fazer mais programas ao ar livre. Estimular nossos filhos é desligar um pouco a TV e computador, conversando com eles.

E o que fazer com o Mozart? Ora, se a família gosta de música clássica, que toque muito Mozart. Mas, se gosta de rock ou samba, que toque o que gosta. Estimular nossos filhos é inseri-los na nossa cultura e valores, sempre com carinho, cuidando e sendo criativo.

Talvez descubramos algo incrível: os estimulados seremos nós, também!

Este post foi publicado originalmente no blog www.4insiders.com.br, onde sou um dos colaboradores.