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ASMA

Asma é mais um desses nomes que assusta. Talvez porque, no passado, estivesse associado com idas a pronto-socorro, dificuldade de controlar a doença e limitações para as crianças. O fato é que, até hoje, os pais ficam muito inseguros quando o diagnóstico dado é de asma. Isso talvez explique a quantidade de eufemismos que existem para se falar dessa doença: bronquite, alergia respiratória, hiperreatividade brônquica etc. Nenhum desses nomes está completamente errado, no entanto sua função é a de minimizar o impacto que o nome asma produz. Minha primeira sugestão é que tratemos as coisas pelo que elas são, dando a elas os nomes mais adequados e, em seguida, procurando separar o que é fato do que é mito. Para começar, a palavra asma vem do grego e significa ofegante. Portanto, o nome mais “inocente” de todos, seria asma! O que seu filho tem? Ah, ele fica ofegante de vez em quando. Ou, ele tem asma.

A asma é uma doença inflamatória crônica dos brônquios. Brônquios são uma estrutura que participa na condução do ar do exterior para os alvéolos pulmonares que é onde é feita a troca de oxigênio inspirado por gás carbônico que será expirado. Brônquios seriam a “tubulação” que leva o ar até os alvéolos.  Quando uma pessoa tem asma, três coisas acontecem com os brônquios: inflamação, aumento na produção de muco e contração dos músculos em torno dos brônquios. O resultado final desses três eventos é que a luz (o calibre, a espessura) do brônquio diminui, dificultando principalmente a entrada e, principalmente, a saída de ar dos pulmões. Na figura ao lado está esquematizado um brônquio com asma e um saudável.

Claro que esta explicação é a mais simples possível, mas suficiente para que possamos entender o que se passa durante uma crise de asma. Como a passagem de ar fica mais estreita, a respiração fica mais intensa, forçada, ofegante. Para eliminar o excesso de muco produzido, surge a tosse. A tosse também pode surgir em fases iniciais de uma crise de asma, como uma tentativa de facilitar a expulsão do ar através de uma passagem que ficou mais estreita. Finalmente, se o brônquio estiver muito estreito, pode surgir o ruído caraceterístico que é chamado de “chiado” ou “miado”. O nome técnico desse ruído é sibilo, que é sinônimo da palavra mais conhecida- assovio.

Espero que, chegando até aqui, tenha conseguido explicar o que é a asma. Duas grandes perguntas se seguem: o que provoca  asma e se tem cura?

A asma é uma doença inflamatória crônica que tem um ou vários fatores desencadeantes. Estes fatores podem ser ambientais, como: poeira, perfumes, produtos de limpeza, ácaros, pêlos de animais etc. Podem ser físicos, como: água fria ou quente, exercício. Podem ser reações a medicamentos como a aspirina e vários outros. Independentemente do fator desencadeante, uma vez que o estímulo seja suficientemente forte, uma série de reações imunológicas e químicas acaba por produzir inflamação com edema dos brônquios, aumento da produção de muco (catarro) e estreitamento da passagem de ar pela contração dos músculos que envolvem os brônquios. A asma parece ter um componente genético porque filhos de pais que tiveram asma apresentam uma maior probabilidade de ter a doença.

Quanto à cura, mais da metade das crianças param de ter os sintomas em torno de 6 a 7 anos de idade. Apenas  em torno de 14% das crianças continuarão a apresentar sintomas. O mais importante é que hoje, dispomos de medicações muito mais eficientes do que há alguns anos, não só para tratar das crises, como para preveni-las. O uso de corticóides inalados (respirados), com nenhum ou poucos efeitos colaterais, é um dos grandes progressos no controle da asma. O desenvolvimento do espaçador, na figura ao lado, permitiu que se utilizasse drogas apresentadas em sprays dosadores, para crianças pequenas.  Os espaçadores permitem a administração de drogas broncodilatodaras, durante a crise, de uma maneira muito mais eficiente do que a nebulização “clássica”. E, fora das crises, permite o uso de corticóides, como dito acima. Quanto a alguém ficar “viciado em bombinha”, isso é um mito. Da memsa forma que há um exagero nos riscos do uso de broncodilatadores. Claro que toda medicação deverá ser feita sobre orientação e supervisão do seu pediatra.

Espero que este post os ajude a entender o que é asma, retirando desse nome o peso que ele não merece. Lembro apenas que asma é uma doença muito variável. Varia de criança para criança e, numa mesma criança, pode se apresentar de formas e intensidades diferentes. Seu pediatra é a melhor pessoa para, junto com você, fazer uma avaliação da severidade da doença e propor uma estratégia de tratamento. Muitas vezes, uma consulta a uma alergista pode ser necessária, inclusive para avaliar a validade ou não de tratamento com vacinas. Tudo isso deve ser discutido com seu pediatra.

É muito difícil em um post abordar todos os aspectos de uma doença tão variável como a asma. Escolhi alguns tópicos, mas, se tiverem dúvidas, enviem-nas que tentarei respondê-las. Este post foi escrito por sugestão de uma leitora do blog. Se tiverem sugestões de outros posts, por favor me enviem.