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LISTA DESEJOS DE UM PEDIATRA PARA 2017!

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Claro que desejo todas as “grandes coisas” que desejamos: saúde, paz, um país que saia da crise moral, política e econômica, uma cidade sem violência urbana e os cidadãos solidários e cordiais. Também desejo que o Trump acorde todos os dias de bom humor e não faça nenhuma besteira maior que interfira com o mundo. Gostaria de ver a descoberta da cura para várias doenças e que as pessoas adotassem hábitos de vida mais saudáveis, evitando ou diminuindo o seu adoecer. Adoraria que o mundo fosse um lugar mais solidário, com menos desigualdade. Mas, esses “grandes desejos”, não passam de um norte, um caminho a ser percorrido. Não acontecem da noite para o dia. Não acontecem só porque o calendário mudou de ano.

Eu tenho outra lista de desejos que é fruto da minha vivência de pediatra. Coisas que eu vejo no meu dia a dia, mesmo sem gravidade, que constariam da lista de desejos para 2017.  Não acho que estas também possam ocorrer da noite para o dia, numa virada de ano. Mas, dependem muito mais de nós mesmos (menos a primeira que é um sonho de todos!) do que as “grandes coisas”. Vamos a elas:

1- A descoberta da cura das viroses. Viroses são doenças agudas, de curtíssima duração (uma semana), mas que causam um enorme transtorno para todo mundo. Além do transtorno, deixam os pais muito inseguros. É uma semana com febre que vai e vem, perda de apetite, irritabilidade, choro inconsolável, muitas vezes com nariz escorrendo e tosse. Não raro, quando a criança fica boa, pega outra virose e parece que está doente o tempo todo. Seria uma maravilha se, em 2017, todas as crianças pudessem ir para suas creches com os pais tranquilos, sabendo que, em caso de uma virose, uma dose única da nova descoberta, resolveria!

2- O uso seletivo da internet. Informação é fundamental e a internet é uma maravilha para se obter informações. Ocorre que também é farta em mitos, erros, distorções, quando não informações totalmente falsas. Essas informações equivocadas geram insegurança ou comportamentos que colocam em risco a saúde dos filhos, como não vacina-los, por exemplo, por conta de mentiras lidas na internet. Ou adotar uma determinada alimentação restritiva, sem fundamento algum. Seria um espetáculo se, em 2017, os pais passassem a usar a internet para consultar sites institucionais, sites oficiais de sociedades médicas, sites de ministérios da saúde, do Brasil e do exterior, evitando aqueles que são baseados em relatos e testemunhos em detrimento de evidências científicas.

3- O abandono dos cursos para mães. Atualmente, existem cursos para quase tudo que se possa imaginar. Curso para o parto, para amamentar, para dar banho no bebê, para alimentar depois dos 6 meses. Cursos de música e natação para bebês. Breve, vão nos oferecer curso de inglês e sobrevivência na selva, para bebês menores de um ano de idade! A pergunta é: a quem interessam esses cursos? A resposta é uma só: aos donos dos cursos que enriquecem explorando a ideia de que alguém sabe fazer melhor do que a própria mãe e que esta “precisa” destas informações para ser uma “boa” mãe. Em bom português, exploram a insegurança normal que todos nós temos diante de algo novo e tão importante quanto um filho recém-nascido. Vamos considerar que estamos na terra, como espécie falante, há uns 70 mil anos. Como chegamos até aqui, hoje, 2016 entrando em 2017, sem curso algum, sem Google, sem pediatras? Chegamos aqui porque a espécie, como as demais espécies, tem um conhecimento intrínseco do que deve ser feito para cuidar da sua prole. O mais interessante é que, provavelmente, durante uns 60mil desses 70 mil anos, a nossa espécie não tinha lugar fixo para ficar. Éramos caçadores-coletadores, vagando pelo planeta, em grupos de até umas 100 pessoas. Portanto, imagine que, dentro do seu DNA, existe informação mais do que suficiente para você cuidar do seu bebê, sem que ninguém tenha que lhe ensinar como! Vai ser muito mais divertido se em 2017 as mães se rebelarem contra cursinhos disso e daquilo, tomando em suas mãos, com criatividade, individualidade e originalidade, o cuidado de seus bebês.

4- Amamentar no peito continua sendo o melhor, mas sem meta de quanto tempo. Amentar no peito, exclusivamente, por 6 meses, continua sendo o melhor para o bebê. Mas, seria ótimo se, em 2017, as mães deixassem de pensar nos 6 meses como uma meta e sim como uma referência. Quando pensam em meta, passam a ficar preocupadas se vão atingir a tal meta. Como um corredor de maratona que tem uma distância a cumprir. Se não cumprir, não completou a maratona, não tem sequer uma classificação. Amamentar não é como uma corrida com meta. Amamentar é um meio, não um fim em si. O fim em si, me parece, é o de oferecer o melhor possível para os nossos filhos. Se o melhor possível for o peito, ótimo. Se não for, ótimo também. A ideia de que é uma meta, gera insegurança e frustração nas mães. Abre espaço para “cursos” e “consultorias”. Estas, ao invés de contribuírem para a formação do vínculo entre mãe e bebê, deslocam o foco para a mãe-amamentação. Claro que vamos estimular e incentivar a amamentação exclusiva, sempre. Mas, vamos desejar que, em 2017, as mães se libertem da tirania de uma meta temporal de amamentação.

5- Ler para os filhos. Até hoje, o melhor método de estimular o desenvolvimento intelectual, cognitivo e criativo das crianças é a leitura. Ao invés da busca de métodos mais “modernos” ou que incorporem tecnologias (olha os cursinhos se aproveitando, de novo!), ler para os filhos, a partir de quando são bebês, é o melhor que podemos fazer para estimula-los. A leitura, diferentemente da tela eletrônica, do desenho, do filme, provoca a imaginação criativa da criança. Cada criança terá que “inventar” o seu sapo, sua lagoa, seus três porquinhos, sua princesa etc. Além desse aspecto, a leitura com os pais é um momento de vínculo afetivo, contato físico e, porque não, de criatividade para os adultos que devem modular a voz, adequando-a à história. Ou, melhor ainda, quando a história toda é uma criação dos pais. Ler tem um ritmo que é mais sereno e calmo do que o estímulo eletrônico e contribui para o desenvolvimento de algo importante na vida adulta que é a capacidade de se concentrar por períodos mais longos. Claro que não vamos ler um romance russo para os bebês, mas, para ler um clássico na vida adulta, é preciso começar com um sapo na lagoa, por exemplo. À medida que os filhos crescem, a leitura junto passa a ser menos importante e o exemplo, em casa, de pais que leem se torna importante. Portanto, filhos podem nos ajudar a aderir a novos hábitos saudáveis e prazerosos, como a leitura (alimentação, exercícios etc.).

6- O triunfo da emoção sobre a razão. Vivemos em um mundo que faz muita propaganda da nossa racionalidade. Mas, fala pouco ou desdenha nossa emotividade. Ora, nossa emotividade precede nossa razão. O bebê é emoção pura e se comunica com seus pais, por um bom período, através desta. O afeto e acolhimento que damos aos bebês são fundamentais. Não dá para deixar um bebê no colo e “explicar”  que o amamos ou o que está acontecendo. A única linguagem que um bebê entende é colo e carinho. Crescemos e continuamos sendo seres simbólicos, antes de sermos racionais. Vemos uma pessoa que não conhecemos na rua e temos um sentimento de simpatia, espanto, curiosidade, medo etc. Esses sentimentos, reais, precedem conhecermos a pessoa para podermos fazer um “juízo” racional a respeito dela. Mas, a cultura divulga a razão como superior. Divulga a eficiência como sendo um objetivo de vida, quando a vida não é para ser eficiente e sim alegre, feliz, realizada etc. Eficiência é para empresas e seres humanos e suas famílias não são empresas. Assim, encerro esta minha lista de desejos com este: que possamos ser emotivos e afetivos com nossos filhos e próximos, sem receio de que seja algo menor ou que interfira na nossa capacidade de sermos racionais. Não se trata de escolhermos entre racionais ou emocionais. Mesmo porque, essa escolha já foi feita muito antes, à nossa revelia e veio pronta dentro do nosso DNA. Somos ambos e não adiante tentar esconder um lado porque o preço a pagar é caro. Se formos mais emotivos, em 2017, equilibrando esse desbalanço cultural, daremos aos nossos filhos um exemplo que fará com que a vida deles possa ser mais feliz e harmônica.

Que 2017 seja um ano divertido para todos !

 

COMO DESMAMAR SEU FILHO

Primeiro,é preciso deixar bem claro que amamentar seu filho é muito importante, por diversos aspectos. Não só a parte nutricional ( o melhor leite que seu filho pode receber), mas também o aspecto imunológico (seu leite tem elementos que protegem contra a infecção), quanto o lado emocional do contato íntimo, fazem do leite materno o alimento mais adequado para o seu bebê. Portanto, se puder amamentar exclusivamente ao seio, até os 6 meses de vida do seu bebê, faça-o sabendo que é o melhor (veja o post de 19/2- Amamentando o seu bebê).

Mas, chega uma hora em que a criança já cresceu e ainda está mamando no peito da mãe e é preciso desmamar. Vamos a algumas dicas.

1-      Faça o desmame do seu bebê quando você achar que deve. Isto é, não existe época certa ou exata para o desmame de uma criança. Em geral, as crianças vão desmamando aos poucos e, quando chegam a um ano de idade, não mamam mais no seio da mãe.

2-      Se decidiu desmamar, desmame! Muitas mães, com crianças já grandes (com dentes!) chegam à conclusão que devem desmamar seu filho ou filha. Mas, na hora de fazê-lo, imaginam um modo lento e gradual, que não “traumatize” a criança. Só existe um modo de desmamar que é parar de dar o seio.

3-      Converse com seu filho ou filha, informando que ele ou ela já estão grandinhos e não precisam mais mamar na mamãe. Que, a partir de agora, vão comer a comida que precisam com a colher e beber o leite, no copo.

4-      Se o desmame é para bebês entre 6 meses e um ano, pode ser feito progressivamente. Isto é, substitua uma mamada por um leite ou comida (veja com seu pediatra) e vá aumentando, gradualmente, o número de vezes em que troca uma mamada por outro alimento.

5-      Se precisar desmamar porque vai voltar a trabalhar, procure um pediatra para lhe orientar com relação a como estocar o seu próprio leite ou qual o complemento que deve usar.

Mantenha todo o carinho que tinha ao dar seu seio, para a hora da comida. Continuará sendo uma hora de relacionamento e interação, muito importantes. Tente fazer com que a família inteira coma junto, desde muito cedo.

AMAMENTANDO SEU BEBÊ

 

Amamentar é poder oferecer ao seu bebê o melhor alimento que existe para ele. Não só oferece todos os elementos para uma nutrição saudável, como permite uma relação de carinho e proximidade com você que é muito importante. Idealmente, o leite materno deveria ser o único alimento do seu bebê, até os 6 meses de idade. Quando um bebê  mama no peito da sua mãe, não precisa nem de água ou chá. O leite materno é completo.

Logo nos primeiros dias depois do nascimento do seu bebê, o que vai sair do seu peito é um líquido mais claro, aguado. Esse líquido chama-se colostro e é muito nutritivo. Não se impressione pela aparência, fique tranquila que o colostro é exatamente o que o seu bebê precisa, nesses primeiros dias.

Depois, você sentira seu peito inchando e enchendo e vai perceber que o líquido ficou branco. Apesar do leite materno ser branco, ele pode variar um pouco na sua tonalidade e até na espessura, dependendo de ser o início ou o final da mamada e, também, do que você coma.

Em princípio, não há dieta para uma mãe que esteja amamentado. O importante é se alimentar bem e beber bastante líquido. Não use medicamentos, sem consultar antes um médico. Se tiver alguma dúvida quanto ao seu leite ou como amamentar, consulte seu médico ou mande um comentário.

Algumas dicas:

1-    Durante a gravidez não há necessidade de preparo do seu peito. Não adianta nada usar cremes ou óleos para massagear seu peito. Economize seu dinheiro para comprar fraldas e roupinhas.

2-    Se você quiser e puder, deixe seu peito pegar 15 minutos de sol, pela manhã, antes das 10h, durante a sua gravidez.

3-    Sua posição para amamentar- qualquer posição serve, desde que você esteja bem confortável e relaxada.

4-    A posição do seu bebê- sempre de frente para você, “barriga com barriga”. Apóie o bebê bem juntino ao seu corpo e não deixe a cabeça dele tombar.

5-    O bebê deve abrir bem a boca. Para isso você pode estimulá-lo com o dedo ou com seu peito. Os lábios do bebê devem cobrir aquela parte redonda, mais escura do seu peito, chamada de aréola. Se o bebê pegar apenas no seu bico, ele não consegue mamar tudo que precisa, reclamando de fome toda hora (você vai pensar que tem problema com o seu leite, mas o problema é com o jeito de pegar o seu peito. Seu leite nunca terá problema!), além de poder machucar o seu bico. Fique atenta se os lábios do seu bebê estão voltados para fora (boca de peixe).

6-    Ofereça o peito ao seu bebê, sem horários fixos. Deixe que ele regule as mamadas de acordo com as suas necessidades. Ofereça um peito e espere que ele o esvazie. Depois, ofereça o outro. Na próxima mamada, começe por este segundo peito.

7-    Quando o bebê tiver terminado de mamar ou quando você quiser mudar de peito, não puxe o bebê pelo corpo. Isso pode ferir o seu bico. Coloque um dedo no canto da boca do bebê e, delicadamente, estimule. Quando ele abrir a boca, retire seu peito.

8-    Se o seu bico ficar dolorido ou rachado, preste atenção se seu bebê não está só pegando no bico. A  maioria das vezes em que o bico fica machucado é porque o bebê não está com a boca aberta cobrindo a parte redonda, mais escura do peito (aréola).

9-    Se o bico rachar, não passe cremes, pomadas, óleos, remédios ou frutas. Passe o próprio leite no bico e exponha o peito ao sol, até as 10h da manhã, por 15 minutos.