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QUANDO A REALIDADE DESAFIA AS “REGRAS CIENTÍFICAS”.

Quem me conhece pessoalmente ou lê o blog, sabe o quanto eu sou crítico com regras que têm um  jeitão de coisa científica. Essas regras  acabam circulando como dogmas ou verdades absolutas  e que, quando não respeitadas, fariam com que as crianças irremediavelmente sofressem graves consequências e os pais morressem de culpa!

Para começar  a expressão “regras científicas” constitui um paradoxo. A expressão reúne duas palavras que se opõem: regras e ciência. A ciência, por definição, não tem regras. A ciência é o melhor conhecimento possível, naquele momento. O conhecimento científico é mutável, evolui. Quando um suposto conhecimento se torna imutável, fixo, deixa de ser científico e passa a ser uma crença ou convicção. Nada errado em termos crenças e convicções. Todos nós, de um modo ou de outro, enxergamos o mundo de uma forma que vai ser a base de nossas crenças e convicções. O problema é quando estas se apresentam revestidas de um fino verniz de “científico”, para lhes dar mais credibilidade. Isso é fraude! Vou dar alguns exemplos no mundo da pediatria, usando perguntas que os pais frequentemente fazem.

Doutor quando é que ele pode sair de casa? Esta pergunta, habitualmente é feita por pais de bebês pequenos, na primeira ou segunda visita ao bebê no frioconsultório. Costumo responder: “ele veio aqui hoje?”. Os pais ficam um pouco assustados e, em geral, riem quando falamos de um túnel invisível de proteção bacteriológica que liga a casa da família ao consultório do pediatra. Muitas vezes, essa pergunta é associada às vacinas. Mas, ele ainda não começou as vacinas! De fato, além da criança ter alguma imunidade transferida pela mãe, se fossemos esperar a vacinação produzir a plena proteção, uma criança só deveria sair de casa por volta dos 15 meses. Qualquer um lendo o blog balançará a cabeça- que absurdo! Pois bem, existem vacinas que só são dadas a partir do primeiro ano de vida e, nem por isso, os pais têm duvidas a respeito de sair na rua com seus bebês de de meses! Mas, vamos ser mais radicais e ver o exemplo dos finlandeses e outros países nórdicos onde é normal e faz parte da forma saudável de criar filhos, deixar os bebês dormindo do lado de fora da casa, em temperaturas bem abaixo de zero! Esta prática começou nos anos 40, porque a alta mortalidade infantil nesses países era atribuída à qualidade do ar do interior das casas. Hoje, mesmo com a qualidade do ar sendo boa, ainda existem algumas evidências (lá deles) de que esta prática é benéfica para os bebês, com a ressalva que devem estar agasalhados. Não vamos discutir se é bom ou ruim colocar um bebê para dormir em temperaturas abaixo de zero. Vamos pensar no choque que nos produziu alguém fazer algo tão diferente do que nós. Será que um bebê finlandês tem células diferentes de um bebê brasileiro? Ou será que nossas “regras” são fruto mais de tradição e cultura do que de evidências científicas?

Outra pergunta interessante é com relação à introdução de alimentos. Os pais, em geral, perguntam: “Vamos começar com frutas, não é? Quais podemos dar?” Esta pergunta faz supor que o pediatra tenha um conhecimento científico que justifique a escolha pela fruta A ou a restrição à fruta B. okuizomeNo Japão, a primeira refeição de um bebê, por volta dos 4 a 6 meses, se chama Okuizome (primeira refeição). É um ritual  familiar onde a criança é apresentada  a  peixe, arroz papa, polvo, vegetais condimentados e …. umas pedrinhas para a criança morder porque promove a dentição (veja na foto o pratinho com pedrinhas!). Não tem banana, maçã e pera, nessa primeira introdução de alimentos para bebês japoneses. Dirão que fui buscar um exemplo extremo. No Kenya, o primeiro alimento é um purê de batata doce. Na Índia, oferecem um prato chamado khichdi  que consiste em arroz, lentilhas, legumes, temperados com cumim, coentro, hortelã e canela. Isso, para um bebê de 6 meses. Na Suécia, o primeiro prato oferecido a um bebê que vai iniciar sua alimentação sólida, se chama välling , preparado à base de cereal (trigo), frutas, óleo de canola, de palma (nosso azeite de dendê!) e leite em pó. Será que os bebês apresentam um aparelho digestivo diferente, de acordo com a sua nacionalidade ou, nossas “regras” são baseadas na economia, cada país oferecendo o que tem em maior abundância ou facilidade de se encontrar? Onde ficam aqueles cardápios “científicos” para  bebês  em que se estabelece que agora pode isso, mas é melhor esperar para dar aquilo? E o que dizer de cursos de nutrição para as mães dos bebês?

Como todos nós temos interesse no pleno desenvolvimento do potencial de nossos filhos, sempre surge alguma pergunta relacionada ao que seria o brinquedo mais indicado. Brincar é uma atividade fundamental para o desenvolvimento da criança. É através do brincar que a criança aprende a respeito do mundo, da sua identidade, desenvolvendo habilidades psico-motoras, além de explorar causa e efeito. O brincar é tão importante para as crianças quanto o carinho, a alimentação e o sono. Não é um intervalo de diversão na vida das crianças, é parte fundamental desta. Aliás, cavalo gregopessoalmente, também acho que é parte fundamental da vida dos adultos, porque contribui para o estabelecimentos de vínculos sociais e afetivos, nos fazendo viver de forma mais prazerosa. Portanto, crianças brincam há milênios, com os mais diversos brinquedos, como este, na foto do lado, encontrado na Grécia e que tem aproximadamente 2900 anos!  Hoje, dependendo da cultura local e dos recursos familiares, crianças da mesma idade brincam com brinquedos diferentes. Não há nenhum brinquedo que seja “cientificamente”melhor do que outro. E, se julgarmos que a tecnologia é uma aliada no processo do desenvolvimento através do brincar, o que pode até ser verdade, é importante lembrar que Michelangelo nunca brincou com um ipad, Einstein nem sonhava com um computador e Shakespeare não tinha a menor ideia do que seria um smartphone. Certamente brincaram, e muito bem, quando crianças, haja vista sua genial criatividade, quando adultos. O brinquedo deve provocar a criatividade da criança e não sua reatividade. Reagir apertando um botão, para ver uma estrela aparecer na tela, é interessante. Mas, criar um caminhão, a partir de uma embalagem de ovos, é algo bem diferente. Da próxima vez que alguém lhe sugerir um brinquedo que definitivamente desenvolve a capacidade, digamos de pensamento matemático, da criança, pergunte se Isaac Newton brincou com o sugerido! Essa pergunta vale para qualquer área que o brinquedo se proponha a desenvolver. Basta escolher qualquer pessoa de reconhecido talento nesta área, que tenha nascido antes de 1970  e perguntar se usou o tal fantástico brinquedo.

Como podemos ver, a realidade demole  regras pseudo científicas. A realidade nos mostra que não há a menor necessidade de nos qualificarmos, fazermos cursos, contratarmos especialistas (incluindo pediatras) para nos ensinar o que já sabemos. Onde não há conhecimento científico estabelecido, vale a cultura, os valores familiares e pessoais, a ousadia de cada família para criar, modificar e seguir as suas próprias regras. Cuidar de filhos não exige mestrado nem doutorado. Exige afeto e a plena confiança nos seus sentimentos. É muito mais jazz (improviso) do que música clássica (partitura).

 

OS CINCO VETORES DA SAÚDE

Para quem me conhece ou lê estvetor1e blog com alguma regularidade, o título deste post deve ter soado estranho! Não costumo quantificar meus comentários, muito menos “ensinar regras”! Mas, algumas pessoas já devem me ter ouvido dizer que, se eu tivesse a falta de caráter necessária para escrever um desses livros de fórmulas de sucesso, receitas de saúde, segredos da longevidade, caminhos da felicidade, obrigatoriamente teria um número no título. Sempre achei que esse tipo de livro, com um número na capa, venderia muito mais! Pois bem, resolvi brincar com essa ideia e, ao mesmo tempo, matar o meu desejo de publicar algo com um número na capa (ou título).

Portanto, aviso aos navegantes deste post que o título é uma brincadeira e que não pretendo “revelar” cinco segredos guardados há milênios por monges tibetanos, guerreiros africanos ou índios da América Central! O que pretendo é abordar cinco grupos de ações que podemos implementar nas nossas vidas e, mais importante, ensinar aos nossos filhos, deixando um potencial caminho de saúde para que eles trilhem pela vida. 

Um segundo aviso é de que nada do que lerão aqui é novidade. Ora bolas, se não é novidade por que estaria eu usando meu tempo e o de vocês para escrever o que já é sabido? Porque existem conhecimentos importantes que vão sendo empurrados para o esquecimento, por uma sociedade de consumo onde a novidade é sempre melhor do que o que veio antes. Isso, que  pode ser válido para produtos e serviços, não é, necessariamente, para os valores e conhecimentos dos seres humanos. Não falo de novos equipamentos diagnósticos, mecanismos de doenças e vacinas. Estes progressos substituem conhecimentos prévios, mas, são baseados em tecnologias de produtos onde novos equipamentos nos permitem olhar a natureza de uma nova forma ou desenvolver novas drogas. Falo de um conhecimento a respeito de quem somos e o que estamos fazendo por aqui. Essa é uma conversa que tem mais de dois mil anos de registros e, se escolhermos qualquer texto, de qualquer época, quase que certamente terá alguma atualidade ou aplicabilidade, nos dias de hoje. O ser humano, ou a essência do ser humano é a mesma desde que surgimos como espécie falante, há cerca de 60 mil anos ! Este post é sobre cinco aspectos da nossa natureza que podem contribuir para nossa saúde e que, muito provavelmente, se beneficiam com o progresso tecnológico, mas, não são alterados por este.

  1. AFETO  Começo por este vetor porque costuma ser um relegado a um segundo plano. Como se o ser humano fosse uma máquina pensante e não um ser relacional, simbólico. Todo ser humano precisa de carinho, reconhecimento, cuidado, para se desenvolver e viver bem. O afeto começa antes do nascimento e continua pela vida afora. Carinho não é deixar a criança ou adolescente fazer tudo. Pelo contrário, significa cuidar e inclui colocar limites, forma importante de expressarmos nosso amor. O afeto é o que nos une aos amigos, à família e aos amores. A saúde está diretamente associada à nossa capacidade de relacionamento e esta, em grande parte, vem do modelo que recebemos quando crianças. Assim, os pais têm uma função importante no desenvolvimento da capacidade afetiva dos filhos. Não existem métodos para desenvolver essa capacidade. Pais afetuosos, carinhosos, respeitadores dos ritmos dos filhos, produzem um ambiente favorável a que estes sejam pessoas com boa capacidade de relacionamento. Pais que se permitem sentir mais e pensar menos (no quesito afeto), darão a seus filhos o que estes precisam para uma vida emocional saudável.
  2. ALIMENTAÇÃO –  Nossa saúde está diretamente relacionada à alimentação. Doenças como a hipertensão arterial, alguns tipos de câncer, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, a obesidade com suas consequências, são alguns exemplos conhecidos por todos, associados a uma alimentação inadequada ou incorreta. Alimentação é aprendizado. Ninguém nasce gostando de cheeseburguer ou brócolis! É preciso que sejamos apresentados a estes alimentos para podermos desenvolver um paladar e, consequentemente, um hábito alimentar. Se os pais possuem o hábito de comer cheeseburguer, dificilmente conseguirão que seus filhos comam brócolis! Uma boa alimentação não é nada sofisticado, nem precisa de pediatra ou nutricionista para orientar. Nossas avós sabiam exatamente o que era uma boa alimentação e  não incluía barrinhas, suplementos ou polivitamínicos. Se quiserem um pouco mais de informação a respeito de uma alimentação saudável, vejam o post Prato Saudável.
  3. ATIVIDADE FÍSICA- A atividade física é inerente ao ser humano. A criança corre, brinca, pula, sobe em árvore, revira as coisas, em constante atividade. A tecnologia e o progresso, contribuem para nossa inércia. A cultura também, com menos espaços livres, apartamentos menores e ambos os pais trabalhando, fazendo com que tudo que “distraia” a criança seja bem-vindo. Assim como a alimentação, se os pais são sedentários, será muito difícil introduzir hábitos de atividade física nos filhos. Atividade física também tem um aspecto secundário importante, ao contribuir para o vínculo entre pais e filhos. Andar de bicicleta, passear, soltar pipa, jogar um jogo ou esporte, são atividades que envolvem o corpo e o afeto. Tanto isso é verdade que muitos de nós temos vivo na memória momentos de atividade com nossos pais. A lembrança, em geral, é da parte afetiva, mais do que da física.
  4. SONO- Raramente nos lembramos que o sono é um elemento vital para a nossa saúde. Isso nunca foi um problema para os seres humanos, até a criação da iluminação artificial. Até esse momento, o que tinha que ser feito se fazia durante o dia e a noite era dedicada ao sono. Dormíamos mais e, assim, estávamos, mais bem dispostos para as atividades do dia. Hoje, vivemos em uma sociedade 24/7, 24 horas, sete dias na semana. Dormir é um desperdício de tempo e a tentação de produzir ou consumir (dois lados da mesma moeda) é enorme. Mas, nossa saúde física e mental depende de um sono quantitativa e qualitativamente bom. O sono exige uma certa rotina ou ritual que os pais devem introduzir na vida de seus filhos.
  5. TEMPO PARA SI- O ser humano tem necessidade de um tempo que eu chamaria de tempo da espécie. O calendário e o relógio são medidas de tempo que não se encontram na natureza. São criações artificiais do homem, importantíssimas para organizar nossas vidas, mas, que não dão conta de todas nossas necessidades. O ser humano saudável precisa de um tempo que é só seu. Podemos chamar esse tempo de reflexão, contemplação, meditação, oração ou qualquer outro nome que nos ocorra. É um momento onde a mente se esvazia ou se deixa preencher pelas sensações ao redor, sem análise, juízo ou tentativa de classificar e controlar. Nossa saúde precisa desses momentos que são diferentes do relaxamento produzido pelo sono. Como pais, podemos ajudar nossos filhos a desenvolverem a capacidade de ficarem sozinhos, ainda que estejamos por perto. Não estimulá-los 24h. por dia, não sentir necessidade de oferecer uma programação seguida da outra. Deixar a criança brincando, lendo, desenhando, sem estímulos externos, sem perguntas que interrompam aquele momento da criança, é uma forma de ajudá-las a desenvolver essa habilidade. Podemos ajudar com nosso exemplo ao termos nossos momentos de reflexão ou até de compartilhar um pôr do sol em silêncio. Tempo da espécie é um tempo que também está sendo empurrado para o esquecimento, substituído pelo tempo da eficiência máxima, do fazer constante. Podemos ensinar aos nossos filhos como ser eficientes e, preservar um tempo para si. Uma coisa não elimina a outra.

Chego ao final do blog e me dou conta de algo que não tinha pensado, ao começar a escrevê-lo. Juntei os cinco vetores e o que eu obtive foi algo como: a saúde de nossos filhos depende de uma família (afeto) que jante junto (mais afeto), comendo de forma saudável (alimentação). Depois do jantar, um pouco de conversa (mais afeto) e um rotina para colocar as crianças na cama (mais afeto e a preparação para um sono reparador). Quando tiver uma oportunidade, a família vai passear ao ar livre ou fazer algum esporte (mais afeto e atividade física). O silêncio vai ser praticado ocasionalmente e se as pessoas quiserem ficar sozinhas, serão respeitadas (mais afeto e tempo para si).

Nenhuma novidade! Ou, talvez, a novidade seja exatamente essa. Vamos parar de procurar novidades, onde o que somos (seres humanos) é a resposta para a pergunta- como posso ajudar meu filho a ser mais saudável? Sejamos o que sempre fomos, sem medo de sermos considerados ultrapassados ou antiquados!

FALANDO SOBRE VITAMINAS E ALIMENTAÇÃO

AVATAR_NO_AR1No programa Manhã da Globo, desta semana, o jornalista Roberto Canazio me fez perguntas sobre vitaminas e alimentação. Muito frequentemente os pais valorizam mais um suplemento vitamínico do que uma alimentação saudável (que contém todas as vitaminas necessárias!). Confira o que foi conversado :

INTRODUZINDO COMIDA PARA O BEBÊ

Passados 6 meses de aleitamento exclusivo, preferencialmente materno, chega o momento de introduzir novas comidas para o bebê. Quais as bebê comendocomidas indicadas e a partir de que idade? Para responder a essa pergunta, vamos ver o que acontece em outros países. A seguir alguns exemplos que ilustram algumas das comidas utilizadas como as primeiras a serem dadas para o bebê:

Japão- arroz, tofu, abóbora e peixe

EUA- cereais em formulação para crianças (arroz e aveia)

África- mingau de farinha de milho (maizena) e carnes

Suécia- papa de frutas

India- o primeiro alimento além do leite é celebrado em uma festa, um rito de passagem – Annaprashana. A família se reúne para oferecer uma mistura de arroz cozido com leite e açucar.

Como podem ver, as diferenças são grandes, o que só confirma o que os pesquisadores estão dizendo: a introdução de comidas é um fenômeno cultural e não uma decisão baseada em evidências científicas. Portanto, um bebê com 6 meses ou mais de vida pode comer de tudo! As regras rígidas, as datas precisas e exatas para introduzir este ou aquele alimento, a ordem com que devem ser introduzidos, tudo isso é mito e os pais podem se sentir muito mais ousados e criativos na hora de prepararem as papinhas para seus filhotes.

Alguns estudos mostram que, ao contrário do que se supunha, alguns alimentos com potencial de produzir alergia, se introduzidos entre 6 meses e um ano de idade, diminuem a incidência de reações alérgicas. Outros estudos demonstram que uma oferta variada de sabores tende a aumentar o “gosto” da criança por comidas “diferentes”. Alguns estudos correlacionam o que a mãe comeu na gravidez com essa aceitação da criança por comidas diversificadas.

Mas, assim como na música do Tim Maia que diz: vale tudo, só não vale dançar homem com homem e mulher com mulher, na alimentação dos bebês, a partir do 6 meses, vale tudo, só não vale:

  • leite de vaca antes de um ano de idade.  O leite materno ou as fórmulas infantis devem ser preferidas.
  • mel antes de um ano de idade por causa do risco de botulismo.
  • comidas apresentadas de forma que a criança corra o risco de engasgar. Quanto menos dentes, mais pastosa e sem pedaços duros deve ser a comida. Quando a criança começa a mastigar, evitar cortar os alimentos em formato redondo ou ovalado porque favorecem o engasgo (cortar quadrado ou assimétrico).
  • açúcar refinado
  • frituras
  • sal em excesso. A recomendação é cozinhar com pouco sal
  • embutidos,como salsicha, salame, mortadela
  • enlatados,como atum e sardinhas
  • frutas ácidas como, morango, abacaxi e limão

Caso alguém na família tenha uma alergia alimentar importante, este alimento deve ser introduzido com a orientação do seu pediatra.

Agora é se divertir criando novas receitas para os bebês. Se quiserem, compartilhem suas receitas aqui no blog. Vai ser divertido e instrutivo ver o que os pais oferecem, como primeira comida,  a seus filhos. Como podem ver, ainda existem algumas regras ou orientações. Mas, o espaço para que se tornem chefes  de cozinha é enorme. Que marravilha!

QUANDO COMER É UMA DIFICULDADE.

Crianças, em certas épocas do seu crescimento, parecem ter uma missão na terra: enloquecer seus pais! Isso pode acontecer desde a época de bebê, com cólicas inconsoláveis, passando por pirraças e birras em torno de 2 a 3 anos, contestação em torno de uns 8 a 9 anos e, para culminar, a adolescência. Uma das coisas que é capaz de enloquecer os pais é a questão da alimentação. Já escrevi um post sobre o tema, com algumas dicas. Hoje, num post rápido, queria lembrar duas ou três coisas a respeito de como podemos tentar (vejam que sou realista) ajudar nossos filhos a comer um pouco mais melhor e mais saudável.

A primeira, e talvez mais importante sugestão é: brinquem! O lúdico tem sempre mais chance de surtir algum resultado com crianças (e adultos também). É impossível explicar o valor nutricional de um alimento para uma criança. Nem tentem! Ameaçar, nem pensar. Premiar com outras comidas (besteiras e bobagens), não é nada recomendável. Sobram algumas coisa:

– levar a criança para escolher a comida  junto com você. Claro que não vai desfilar pelas gôndolas de biscoitos ! A conversa entre vocês pode ser: vamos escolher a comida que vamos preparar juntos.

– preparar (mesmo não indo ao supermercado com seu filho) a comida juntos. É uma brincadeira que costmam adorar. Se divertem fazendo e depois ficam com um certo compromisso de provar (certo não é compromisso firme!).

– variar a forma de preparar um mesmo alimento. Às vezes o que não é aceito de um jeito, é de outro. Pense em purês, souflês, empadas, recheados etc. Aquela coisa monótona da comidinha bonitinha, cozidinha, separadinha no prato pode não agradar. Sejam criativos e ousem nas receitas.

– variar na forma de apresentar a comida. Vejam as fotos acima de ideias muito criativas de como apresentar a comida. Se, na hora de comer, puderem estar comendo juntos, melhor ainda. Contando histórias e criando um momento divertido. Vamos comer o olho do peixinho ou as joaninhas….

– comer juntos, como dito acima é muito bom, para todos. A criança ver os adultos comendo (saudável) tem um modelo em quem se mirar, Modelos são muito mais eficazes do que papo, conversa, persuasão.

– tentar um alimento novo ou recusado por em torno de dez ocasiões. Alguns estudos mostram que oferecer, um pouco só, antes da comida preferida ou aceita, por diversas vezes (até umas 10), em muitas situações reverte uma recusa.

– lembar que crianças desenvolvem paladar e alguns alimentos elas não gostarão mesmo. Há que se respeitar esse paladar. O que é bem diferente de considerar como paladar uma criança que só gosta de iogurte e batata frita!

– ser tolerante com a recusa, sem ceder aos apelos de trocar a alimentação definida por vocês por algum “capricho”. Crianças se beneficiam desse sentimento de “pena” dos pais. Fiquem tranquilos, filhos que se recusam a comer, não ficarão desnutridos, da noite para o dia.

Finalmente, é preciso reconhecer que crianças, muitas vezes , conseguem, de fato, enlouquecer os pais. Com comida isso não é raro. Se acontecer com vocês, relaxem um pouco.

Sucesso! E mandem seus comentários ou compartilhem suas histórias e dicas para que todos posssamos aprender.

MEU FILHO OU FILHA NÃO COME NADA!

Do peito para as frutas e sopinha, que maravilha. Tudo é festa. Depois, a comida vai ficando mais pastosa e os filhos querem comer tudo que está no prato dos adultos. Colocam a mão no prato e pegam pedaços de carne para morder. Tudo ainda é festa. Um dia, começam os “gostos”. A idade varia e, felizmente, muitas crianças continuam aceitando bem uma alimentação variada e colorida. Mas alguns, literalmente, não querem comer nada! Isto é, nada que seja do desejo dos seus pais ou recomendado. Querem comer “bobagens” ou o que é mais fácil, como uma mamadeira. Aí a festa acabou e os pais costumam ficar muito preocupados e, eventualmente, tensos. O que pode ser feito?

1-      Saber que gosto ou paladar é um atributo individual e que, de fato, alguns sabores não serão atraentes para algumas crianças.

2-      Independentemente do paladar, algumas crianças resistem a variações ou novidades.

3-      As novidades devem ser introduzidas uma de cada vez. Quando a aceitação é imediata, ótimo. Quando não é, os pais devem dar uma pequeníssima quantidade desse alimento, antes da refeição, sem insistir para que coma mais dessa novidade a ser introduzida. Esse processo (uma colherzinha antes do prato que gosta), deve ser repetido. Alguns estudos demonstram que quando essa repetição é feita de forma sistemática por até dez vezes (dez dias), há uma probabilidade muito maior do novo alimento ser aceito. Na maioria dos casos, os pais ou querem dar muito do novo alimento, ou insistem por três ou quatro dias, definindo que seu filho “não gosta” dessa comida.

4-      Evitar introduzir coisas artificialmente doces na alimentação das crianças, principalmente no primeiro ano de vida. Biscoitos, bebidas adoçadas, tendem a produzir um “desvio” do paladar. São mais fáceis de agradar e passam a ser uma preferência natural da criança. Lembre-se de que quem faz as compras são os adultos! Se tem biscoito em casa, alguém comprou e não foi a criança.

5-      Comer em família, todos juntos à mesa, é um bom hábito desde que a família coma de forma saudável. A criança vai se habituar a ver pais e irmãos comendo e esse clima é muito bom para todos. A refeição não é só para alimentar e nutrir, mas também um momento de interação, conversa e trocas.

6-      Não ofereça guloseimas como prêmio se a criança comer algo que deveria comer naturalmente. Estará reforçando a ideia de que aquele alimento é “ruim” e só com um “pagamento” deve ser comido.

7-      Elogie ou faça comentários positivos quando a criança comer o que deve. Diga coisas como- que bom que comeu tudo, vai ficar forte e bonito. Puxa! Comeu tudo como o papai e a mamãe, que bom ou que bonito.

8-      Se a criança não quiser comer, não insista ou fique negociando muito. De forma alguma entre pânico de que seu filho vai ficar desnutrido e sucumba à tentação de dar qualquer coisa (uma bobagem que ele goste) para que  “não morra de fome”. Crianças em cuja casa exista uma geladeira abastecida de alimento saudáveis, não morrem de fome!

9-      Saiba que, com essa questão do não comer, começou uma queda de braço sobre limites, obrigações e individualidade, que só terminará no final da adolescência. Saber impor limites, com carinho, é uma das tarefas mais importantes dos pais. O caminho fácil de ceder às pirraças pode gerar adultos que não tolerem a frustração, impacientes, egocêntricos. Em uma palavra, adultos insuportáveis. Não ceda às pirraças.

10-   Saiba que vai se sentir muito mal ao colocar limites. É normal. Aguente firme e compartilhe esse seu sentimento com seu companheiro ou companheira. Ambos precisam ser cúmplices. Tanto no suporte mútuo, quanto na manutenção do limite imposto ao filho por um dos pais.

11-   Paciência, perseverança, criatividade e muito carinho!

O PRATO SAUDÁVEL

Cada vez mais nos preocupamos com a qualidade da nossa alimentação. No entanto, nem sempre é fácil lembrar de como devemos montar um  prato saudável. Até muito recentemente havia uma pirâmide alimentar que dava uma orientação razoável. Esta pirâmide foi substituída pelo “ prato saudável” que apresentamos abaixo.

1-      Metade da sua refeição deve ser constituída de verduras, legumes e frutas.

2-      Um pouco mais de um quarto da refeição deve ser de grãos (arroz, pão, aveia). Destes, idealmente metade deveriam ser integrais.

3-      Um pouco menos de um quarto da refeição deveria ser de proteína, com preferência por peixe ou frango (sem pele).

4-      Uma boa refeição deve incluir uma porção de leite ou um de seus derivados.

5-      Deveríamos evitar: sal, gorduras saturadas ou trans, açúcar, fast-food e grãos refinados

6-      Deveríamos comer  mais: peixes, grãos integrais, azeite, leite desnatado e queijos com baixo teor de gordura, frutas e legumes, proteínas sem gordura.

Esta deveria ser a base da alimentação da família. Assim, as crianças conviveriam com uma cultura alimentar saudável, muito importante na prevenção de doenças da vida adulta como: obesidade, hipertensão, aumento do colesterol, diabetes tipo 2 e algumas formas de câncer.

Veja a representação de um prato saudável e bom apetite!