DIA INTERNACIONAL DA MULHER

dia internacional da mulherO que um pediatra teria a falar sobre o Dia Internacional da Mulher? Em primeiro lugar, acredito que todos nós, independentemente de nossas escolhas profissionais, temos compromissos sociais. Isto é, vivemos em comunidade e o que fazemos (ou deixamos de fazer) influi, de alguma forma, em todos.  Desta forma, acredito que falar sobre o Dia  Internacional da Mulher é uma maneira que tenho para tentar contribuir por um mundo onde os seres humanos sejam igualmente respeitados, independentemente de seu gênero, cor, religião, opção sexual e nível sócio-econômico. Além desse aspecto mais amplo, como pediatra, lido com mães e, muitas vezes, percebo no seu dia a dia, o que significa ser mulher em um mundo onde a igualdade entre os gêneros ainda está  muito distante.

Portanto, não escrevo sobre o Dia Internacional da Mulher com o enfoque romântico de como as mulheres são importantes e como devemos admirá-las e amá-las. As mulheres de nossas vidas ( mães, filhas, avós, irmãs, namoradas, esposas, companheiras e amigas), merecem nosso carinho todos os dias. Carinho, com as pessoas que gostamos, não é algo que tem dia certo para ser feito.

O Dia Internacional da Mulher é um dia para nos lembrarmos do que acontece, hoje, com a mulher. Não falo da mulher distante, da que vive em uma cultura com valores diferentes dos nossos e é visivelmente segregada e oprimida. Falo da mulher que está do nosso lado, brasileira como nós. Falo da mulher que está nas nossas vidas, todos os dias. Este dia é para que não nos esqueçamos que essa mulher é, ainda hoje, aqui do nosso lado, discriminada pelo simples fato de ser mulher.

Mulheres brasileiras,  com a mesma formação e competência que homens, recebem salários menores do que estes. Isso é uma forma de discriminação.

Mulheres brasileiras sofrem violência doméstica, a maioria ainda calada, porque impor vergonha à vítima é uma forma de discriminação.

Mulheres brasileiras sofrem abusos sexuais  e, muitas, são julgadas culpadas ou parcialmente responsáveis pelo abuso porque “não estavam vestidas adequadamente” ou estavam no “lugar errado”. Isso é uma forma de discriminação.

Mulheres brasileiras, na sua maioria, fazem uma dupla jornanda de trabalho. Uma profissional e, outra, doméstica porque o trabalho de casa é “coisa de mulher”. Nesse aspecto vemos homens que são altos executivos nos seus trabalhos, tomando decisões complexas, todos os dias, muito bem formados e informados que, ao chegarem em casa, se tornam incapazes de fazer o que quer que seja, sob o argumento- “isso eu não sei fazer”. Um caso interessante de competência diurna seletiva ou incompetência domiciliar!  O brilhante profissional é incapaz de lavar louça, colocar termômetro no filho ou dar um remédio! O resultado dessa postura é a sobrecarga da mulher. Alguns homens, atentos, ainda dirão: deixa que eu te ajudo. Ajudar é um ato de participação na tarefa do outro. É o mesmo que dizer: esse trabalho é seu e eu vou te ajudar. Significa que o trabalho pertence à mulher e que posso não ajudar, quando não puder ou quiser. Bem diferente é a postura de dividir o trabalho. Quem divide trabalho, assume sua parte. Não é uma  ajuda,. É fazer o que lhe cabe. Isso seria uma forma de não discriminar. Mas, em casa, ainda discrminamos.

Se você é mãe ou pai de uma menina, com certeza não desja que sua filha seja discriminada. O dia de hoje é para que pense em como pode fazer para lhe dar os meios de ser uma pessoa que se desenvolva plenamente, segura de si, independente, sem se sentir menos ou obrigada a fazer coisas só porque é mulher.

Se você é mãe ou pai de um menino, com certeza não deseja que seu filho seja um discriminador. O dia de hoje é para que pense em como pode fazer para lhe dar os meios de ser uma pessoa que respeite as diferenças e não veja, numa mulher, um ser com menos direitos  ou mais obrigações do que ele, só porque é do sexo feminino.

O que podemos fazer? Como sempre, não tenho respostas prontas ou  fórmulas mágicas. Mas, acredito que o exemplo dos adultos, em casa, nos pequenos gestos e atitudes, terão um impacto muito maior na formação dos filhos do que belos discursos. Começemos por nossas casas, olhando para nossas mulheres como iguais a nós e nos perguntando onde existe alguma forma de discriminação por gênero e fazendo o que for possível para reduzir essa desigualdade. Olhemos para como educamos nossas meninas e meninos e nos perguntemos se estamos repetindo padrões que levem à manutenção das desigualdades. Se a menina arruma seu quarto e mamãe arruma o do menino, já temos algo para pensar em mudar.

Todos os dias são dias das mulheres (e dos homens, das crianças e dos velhos). Todos os dias são nossos dias. Mas, um dia como o de hoje, Dia Internacional da Mulher, é um dia para se pensar um pouco e se perguntar: o que posso fazer para que as mulheres sejam menos discriminadas?

2 pensamentos sobre “DIA INTERNACIONAL DA MULHER

  1. Simplesmente “incomensurável”!
    Tenho à dizer que, vindo de você, para mim não é novidade, visto que o conheço profissionalmente, e sei que você “jamais misturou as coisas, medindo capacidade entre mulheres e homens”.
    Neste contexto, o que tenho à dizer é que, na minha visão, depende do ambiente e do nível intelectual e social das mulheres para serem segregadas ou não. Nosso Estado do Rio de Janeiro ainda possui muitas “nuances”! Que dirá o país inteiro?!
    Há também o fator educação, que se machista, em qualquer nível social, como muito ainda vejo, ainda serve para dividir, e não para somar.
    Só acredito no que a gente(mulheres) faz de coração! Mulheres têm “sexto sentido” ou intuição, têm carisma, têm profissionalismo, com o acréscimo de: tolerância, afeto, devoção e amor pelas coisas que fazem sem serem obrigadas a fazerem, e fé(em si mesmas e em Deus sobre toda e qualquer criatura). Somente desta forma elas se destacam e sobressaem numa sociedade como a nossa!
    Feliz dia 08/03/2013 à sua mãe, sua filha, namorada, esposa e demais!

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