CARINHO

Carinho é vital. Não estou dizendo isso no sentido metafórico, mas, no sentido real. Falta decarinho carinho, mata! Em 1930, na Inglaterra, constataram que os bebês internados em um hospital mais pobre, com menos condições, sobreviviam mais do que os que estavam em um hospital melhor. A diferença era que no hospital mais pobre, a equipe de enfermagem ficava com os bebês no colo porque não tinham incubadoras onde deixá-los. Daí se criou um termo- Hospitalismo – para esta situação de deprivação emocional. Apesar de receberem alimentação adequada, por falta de carinho, os bebês do hospital melhor perdiam peso, contraíam infecções e, muitos, morriam.

Claro que esta é uma situação extrema, mas, serve como exemplo de que o carinho não é só uma necessidade, afetiva, emocional.  Não há a menor hipótese de uma criança, filho de quem lê este blog, chegar a este ponto. Quero então falar de algumas sutilezas em torno do carinho.

Afinal de contas, o que é carinho? Dificilmente vou conseguir definir, de forma completa e abrangente o que seja carinho. Queria propor que cada um pensasse um pouco no que é carinho para si. Quando você se sente recebendo carinho? E quando era criança, de que carinhos você se lembra?

Em função de uma vida onde “não temos tempo para nada”,  sem muita disponibilidade para abrir mão das nossas vidas pessoais e provocados pelo consumismo, carinho pode ser confundido com um presente. Algo que compramos e levamos para nossos filhos. Carinho pode ser confundido com pensar no futuro dos filhos, investindo em educação e atividades extra-curriculares. Carinho pode ser confundido com satisfazer a todos os desejos dos filhos, quando o que podem estar nos pedindo são limites. A lista de carinhos confundidos poderia ficar grande, mas, o denominador comum é o nosso espanto, diante de uma reação de pouca gratidão ou insatisfação, por parte dos filhos: “faço tudo para agradar essa criança, dou do bom e do melhor e parece que nunca está satisfeita!”.

Sem dúvida, tudo que listei acima pode ser carinho também. Nada contra um presente, investir em educação e desenvolvimento, atender um desejo etc. Mas, só isso não é carinho. Carinho não é algo que, obrigatoriamente fazemos ou compramos. Carinho é o respeito pela individualidade, o reconhecimento do que nossos filhos fazem com orgulho. Carinho é um abraço silencioso, um olhar cúmplice, uma chegada em casa, parando para brincar cinco minutos. É um  perguntar sobre o dia do filho e contar sobre o seu. Carinho é viajar de carro conversando e inventando coisas para o tempo passar, sem ligar um equipamento eletrônico ou dvd , o tempo todo. Carinho e embolar no chão e gargalhar.

Em uma palavra? Carinho é quando a criança se sente incluída.

 

 

13 pensamentos sobre “CARINHO

  1. Por incrível que pareça Roberto, hoje eu cheguei em casa, morta de cansaço depois de 3 conduções e começou a chover. Troquei meus chinelos, passei a mão no curda-chuva e andei quase 4 quarteirões para encontrar o Victor vindo da aula de reforço. Ele ficou tão feliz!!! E eu também, claro!
    Existem outras situações: as viagens nas quais vamos só nós dois, conversando e cantando o tempo todo, isso é tão especial!

    • Edite,
      Obrigado por compartilhar esses momentos de carinho com o Vitor. O interessante é que, quando queremos falar ou lembrar de carinho, o que vem à nossa memória é uma aproximação física. Algo como um estar junto ou se sentir junto. É o que eu escrevi no blog como sendo se sentir incluído. Parabéns por incluir o Vitor!

  2. É incrível como a cara da criança responde ao carinho, como é claro o que ela está sentindo. E como é bom dar e receber.

    Carinho também é quando o pediatra que nem é o seu liga pra perguntar como sua filha está só pq ele quer. Isto é um puta carinho que te enche de orgulho de ter convivido com ele e criado uma amizade.

    Parabéns pelo blog. Parabéns pela “gestão” do Sunga, me divirto ouvindo o lado dele.

  3. Nossa me lembro bem quando fingi q estava dormindo pro meu pai me levar na cama, me cobrir, isso e muito bom pois minha mãe me disse que eu só tinha 2 anos impossível que eu lembrasse… Por isso beijo abraço e ate falo com minha filha até dormindo pois lembrar disso pra mim foi muito bom então quero que minha filha se lembre desses momentos de amor e carinho

    • Nossa me lembro bem quando fingi q estava dormindo pro meu pai me levar na cama, me cobrir, isso e muito bom pois minha mãe me disse que eu só tinha 2 anos impossível que eu lembrasse… Por isso beijo abraço e ate falo com minha filha até dormindo pois lembrar disso pra mim foi muito bom então quero que minha filha se lembre desses momentos de amor e carinho

    • Prezada Daniele,
      Muito obrigado por compartilhar conosco um momento de carinho da sua vida. O carinho lembrado foi de uma proximidade e não de um objeto que você tivesse ganho. Que bom que você beija, abraça e fala muito com a sua filha!

  4. Querido Roberto, bom dia!
    Concordo plenamente com sua palavras, tão bem colocadas. Nos dias atuais está cada vez mais distante para as pessoas as coisas simples e boas da vida! O bom ficou sinônimo de sofisticado. É bom inventar brinquedo a partir de nossa fantasia e criatividade. Estar simplesmente com, estar junto e ver um filme na TV, que não precisa ser 3D, nem mega-super-telona. Brincar no chão e jogar botão, fazer comidinha ou roupinha de boneca. Chegar em casa e por poucos minutos falar do dia e assim valorizar o esforço de cada um! Todos temos um trabalho, nossos filhos também! Beijo carinhoso.

  5. Ola Dr. Cooper,

    Depois de alguns meses como mamãe full time em terras distantes voltei a trabalhar. Difícil…
    O dia mais difícil foi sem dúvidas o primeiro tchau no day care. Virei as costas e a “torneira” abriu.
    Também foi difícil conversar com uma menina de 3 anos e explicar o que iria acontecer e de esperar o dia da conversa acontecer. Acreditei que eu devia a ela uma explicação para a mudança da rotina, ela faz parte da minha vida, porque não ?
    Para alguns loucura, para outros excesso de preocupação com uma pessoa tão pequena, mas para mim foi carinho, foi dividir, foi inseri-la no contexto.
    No day care ganhei um abraço apertado e silencioso, o olhar inesquecível, um toque no cabelo … e ouvi da minha pequena, já quase fluente em inglês: “take care mommy, i will miss you”.
    Hoje lendo o seu blog senti la no fundo do meu coração que o carinho aqui em casa, entre nós, mãe e filha, é reciproco !
    Valeu todas as lições, conversas, as brincadeiras, as lidas no blog do Dr. Cooper para enxergar o que eu não enxerguei algumas vezes.
    Obrigado pelo seu carinho Dr. Cooper em sempre postar experiências e informações tão ricas e válidas.
    Beijos
    Bia

  6. Dr. Roberto vim parar no seu blog devido uma busca em relação a molusco contagioso, mas quão surpresa fiquei em ler outros post, esse então…
    Que belo texto, que sensibilidade!!!
    Sou mãe de um pequeno ser de 5 anos, mas um ser que ocupa um grande espaço em minha vida, não por obrigação, mas por amor. Como é bom gargalharmos juntos, cair no chão e levantar, brincar de pic com nossa cachorrinha, fazer guerra de travesseiro, soltar pipa com o pai…
    Coisas tão simples, porém esquecidas devido à falta de tempo, muito trabalho, enfim, o corre-corre da vida moderna, mas não abro mão disso, a infância é um jato supersônico, com passagem só de ida.
    Acho que uma gargalhada junto aos pais é a explosão do amor dos filhos!!!
    Parabéns pelo post!!!

    • Prezada Karina,
      Obrigado por esse seu comentário tão gentil. É sempre muito bom saber que leitores do blog gostam e acham útil o que leem aqui. Parabéns pela forma com que se relaciona com seu filho de 5 anos. É bom ouvir relato de mães amorosas que dão carinho a seus filhos.

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