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QUANDO PAPAI É CHEFE DE COZINHA!

foto2Há sete meses atrás, Olivia entrou no consultório, carregada por seu pai , acompanhada pela mãe e escoltada por duas avós! Naquela época, Olivia era um bebê de 8 dias e seus pais tinham o rosto estampado com aquele “carimbo” de todos as mamães e papais de bebês pequenos: um misto de felicidade, alegria, espanto e cansaço!

Elisa, a mãe da Olivia, trazia uma listinha de perguntas. Gabriel, o pai, ficou calado praticamente a consulta toda. As avós, vigiavam (e controlavam) tudo, em silêncio. Mas que silêncio eloquente! Na consulta de um mês, Elisa trouxe nova lista com perguntas. Pessoalmente acho ótimo quando mães e pais trazem perguntas, dúvidas e questionamentos. A consulta fica muito mais rica e permite a todos ali presentes aprenderem uns com os outros, incluindo o pediatra. Gabriel permanecia calado, muito atento a tudo. Finalmente me dirigi a ele, dizendo: e você Gabriel, não quer perguntar nada? Gabriel hesitou por um instante e, finalmente, me perguntou: quando é que a Olivia vai poder comer uma sopinha? Lembro que Olivia tinha, nesta consulta, um mês de idade (eventualmente não aconteceu na consulta de um mês, mas na de dois. Pouca diferença faz). Gabriel estava se sentindo como muitos pais: um pouco sem função. Ou melhor, sem uma função “nobre”. A pergunta do Gabriel tinha uma explicação. Diferente da maioria dos pais, a profissão do Gabriel é Chefe de Cozinha. Assim, não podia esperar a hora de colocar todo seu talento a serviço da sua cliente mais importante- Olivia.

Olivia hoje está com 7 meses e é uma linda e saudável menina. Há um mês que Gabriel vem experimentando novas receitas  para tornar as refeições da Olivia um momento saudável e prazeroso. Pedi ao Gabriel para escrever algumas de suas receitas, para que eu pudesse publicá-las no blog. Pode parecer estranho que um pediatra resolva publicar receitas de comida de criança no seu blog. Mas, para mim,  não é nada estranho. Acredito que um pediatra deve tentar ser alguém que enxerga a criança dentro do seu ambiente familiar e que busca contribuir para a saúde da criança. Saúde não é só ausência de doença. Saúde é uma condição que permite às pessoas se relacionarem de forma afetiva com os demais. Nada mais afetivo do que o que se passa em torno de um prato de comida. Vamos às receitas! Escolhi as receitas aprovada pela Olivia, como demonstram as fotos. foto3

Tomate cozido com endro (dill)

 

Ingredientes:

  • Tomates Débora maduros – 2 unidades
  • Endro (dill) picado – 2 coheres de chá
  • Sal – 1 pitada

Modo de preparo:

Corte os tomates em 4 partes cada um e retire as sementes.

Em uma panela com água fervendo, cozinhe os tomates só até as peles começarem a se soltar, cerca de 20 segundos. Retire da panela e mergulhe em água fria.

Escorra os tomates, retire as peles e pique bem picado.

Em uma tijela, misture o tomate, o sal e o endro picado.

Ponha em um vidro previamente esterilizado e guarde na geladeira.

Observação: Antes de servir para o bebê, depois que a comida já tiver sido aquecida, misture ao tomate um fiozinho de azeite.

Brócolis com batata

 

Ingredientes:

  • Brócolis sem os talos e com as folhas – ½ maço
  • Batata – 1 unidade média
  • Sal – 1 pitada
  • Cebola picada – 2 colheres de chá
  • Caldo de carne ou frango caseiros sem sal – 1 xícara
  • Louro – 1 folha

Modo de preparo:

Descasque a batata, corte em pedaços pequenos e cozinhe em água fervendo com a folha de louro. Quando estiver bem macia escorra e faça um purê não muito liso.

Em uma panelinha coloque o brócolis cortado em pedaços, a cebola picada e o caldo. Leve a ferver abaixe o fogo para médio e deixe cozinhar por cerca de 3 minutos, não deixe cozinhar demais se não o brócolis perde a cor e nutrientes. Desligue o fogo quando o brócolis estiver macio mas não mole.

Escorra o brócolis e reserve um pouco do caldo que sobrou.

Bata o brócolis com a cebola picada e um pouco do caldo em um processador de alimentos ou pique muito bem picado e depois misture ao purê de batata e adicione o sal.

Coloque em um vidro previamente esterilizado e guarde na geledeira.

Purê de peixe com salsinha

 

Ingredientes:

  • Filé de peixe branco (linguado, tamboriu, namorado, tilápia) – 200 g
  • Salsinha bem picada – 2 colheres de chá
  • Louro – 2 folhas
  • Sal – 1 pitada
  • Azeite – 1 colher de café

Modo de preparo:

Corte o peixe em pedaços pequenos.

Em uma panelinha coloque uma quantidade de água que dê para cobrir os pedaços de peixe e leve a ferver em fogo alto com as folhas de louro. Quando ferver abaixe o fogo para médio e adicione os pedaços de peixe e cozinhe-os por cerca de 2 minutos.

Escorra os pedaços de peixe e coloque em um processador de alimentos com o sal, o azeite e 4 colheres de sopa do caldo que ficou na panela. Bata até que virê um purê grosso, não precisa bater demasiadamente transformando em uma pasta lisa.

Coloque em uma tijela e misture bem com a salsinha bem picadinha.

Coloque em um vidro previamente esterilizado e guarde na geledeira.

Cenoura refogada

 

Ingredientes:

  • Cenoura – 1 unidade grande
  • Cebola picada – 2 colheres de chá cheias
  • Sal – 1 pitada
  • Caldo de carne caseiro sem sal – ¼ xícara

Modo de preparo:

Raspe a casca da cenoura e cozinhe  em água ou caldo de carne caseiro sem sal, até amolecer.

Corte em cubos pequenos, ponha em uma panelinha, misture o resto dos ingredientes da receita e deixe cozinhar até a cebola amolecer e o caldo evaporar.

Pique bem pequeno em um processador de alimentos, mas não deixe virar uma papa lisa. Se não tiver processador pique bem picadinho com uma faca.

Colque em um vidro previamente esterilizado e guarde na geladeira.

Mais do que receitas, Elisa, Gabriel e Olivia nos mostram como ser criativos e ousados é muito divertido e produz coisas deliciosas. Basta olhar para o sorriso da Olivia e o belíssimo prato de comida!

Agradeço à Olivia por testar os pratos e seus pais, Elisa e Gabriel, pelo trabalho que tiveram organizando e me permitindo publicar suas receitas. Gabriel tem outras receitas muito criativas. Se vocês quiserem  mais receitas, comentem no blog que eu faço mais um post com as demais.


 

INTRODUZINDO COMIDA PARA O BEBÊ

Passados 6 meses de aleitamento exclusivo, preferencialmente materno, chega o momento de introduzir novas comidas para o bebê. Quais as bebê comendocomidas indicadas e a partir de que idade? Para responder a essa pergunta, vamos ver o que acontece em outros países. A seguir alguns exemplos que ilustram algumas das comidas utilizadas como as primeiras a serem dadas para o bebê:

Japão- arroz, tofu, abóbora e peixe

EUA- cereais em formulação para crianças (arroz e aveia)

África- mingau de farinha de milho (maizena) e carnes

Suécia- papa de frutas

India- o primeiro alimento além do leite é celebrado em uma festa, um rito de passagem – Annaprashana. A família se reúne para oferecer uma mistura de arroz cozido com leite e açucar.

Como podem ver, as diferenças são grandes, o que só confirma o que os pesquisadores estão dizendo: a introdução de comidas é um fenômeno cultural e não uma decisão baseada em evidências científicas. Portanto, um bebê com 6 meses ou mais de vida pode comer de tudo! As regras rígidas, as datas precisas e exatas para introduzir este ou aquele alimento, a ordem com que devem ser introduzidos, tudo isso é mito e os pais podem se sentir muito mais ousados e criativos na hora de prepararem as papinhas para seus filhotes.

Alguns estudos mostram que, ao contrário do que se supunha, alguns alimentos com potencial de produzir alergia, se introduzidos entre 6 meses e um ano de idade, diminuem a incidência de reações alérgicas. Outros estudos demonstram que uma oferta variada de sabores tende a aumentar o “gosto” da criança por comidas “diferentes”. Alguns estudos correlacionam o que a mãe comeu na gravidez com essa aceitação da criança por comidas diversificadas.

Mas, assim como na música do Tim Maia que diz: vale tudo, só não vale dançar homem com homem e mulher com mulher, na alimentação dos bebês, a partir do 6 meses, vale tudo, só não vale:

  • leite de vaca antes de um ano de idade.  O leite materno ou as fórmulas infantis devem ser preferidas.
  • mel antes de um ano de idade por causa do risco de botulismo.
  • comidas apresentadas de forma que a criança corra o risco de engasgar. Quanto menos dentes, mais pastosa e sem pedaços duros deve ser a comida. Quando a criança começa a mastigar, evitar cortar os alimentos em formato redondo ou ovalado porque favorecem o engasgo (cortar quadrado ou assimétrico).
  • açúcar refinado
  • frituras
  • sal em excesso. A recomendação é cozinhar com pouco sal
  • embutidos,como salsicha, salame, mortadela
  • enlatados,como atum e sardinhas
  • frutas ácidas como, morango, abacaxi e limão

Caso alguém na família tenha uma alergia alimentar importante, este alimento deve ser introduzido com a orientação do seu pediatra.

Agora é se divertir criando novas receitas para os bebês. Se quiserem, compartilhem suas receitas aqui no blog. Vai ser divertido e instrutivo ver o que os pais oferecem, como primeira comida,  a seus filhos. Como podem ver, ainda existem algumas regras ou orientações. Mas, o espaço para que se tornem chefes  de cozinha é enorme. Que marravilha!