MÃE DE PRIMEIRA VIAGEM

De repente, aqueles nove meses intermináveis, acabam! Durante esses nove meses o seu bebê era percebido através do seu corpo e suas modificações. Você e o pai acompanhavam as ultra, a barriga, os pontapés, enquanto planejavam as coisas práticas do quarto, fraldas, carrinhos e até as menos imediatas como faculdade e carreira. Tudo isso a dois, com aquela presença contida dentro da barriga. Seu bebê era uma ideia, um projeto. E aí, ele ou ela, chega!

O mundo muda radicalmente, da noite para o dia. Onde eram dois, passam a ser três. O que eram ideias e projetos passa a ser existência real e exigências que nem sempre você entende. As pessoas em volta só falam da maravilha que é ser mãe e poucos conseguem compartilhar os momentos difíceis e angustiantes que os primeiros dias podem representar. Algumas coisas podem passar pela sua cabeça e são perfeitamente normais.  A seguir, algumas dicas, sem que sejam regras ou verdades:

1-      Não se exija. Aceite o fato de que você e seu filho ou filha, apesar de se conhecerem a nove meses, só estão sendo apresentados agora. Um e outro terão que descobrir como se relacionar.

2-      Esqueça todas as regras e verdades que lhe foram e serão ditas. Aja com espontaneidade e faça tudo que a sua emoção determinar. Não se deixe levar pelos conselhos de terceiros. Ouça, avalie, mas decida você, junto com o pai, o que vai fazer.

3-      Nos primeiros dias, terá pouco leite. Poderá se  sentir desajeitada para amamentar. Só tem um jeito que é o da tentativa e erro. Tenha calma, paciência e perseverança. Você e seu bebê acabarão se entendendo. Lembre-se que crianças nascem no mundo há uns 180 mil anos. Só muito recentemente surgiram pediatras, livros, facebook. A natureza sempre soube conduzir esse processo. Deixe a sua natureza tomar conta que vai funcionar.

4-      Talvez se sinta insegura com o choro do bebê. É perfeitamente esperado que se desespere. Não se cobre uma calma que ninguém tem. Compartilhe suas dúvidas com o seu marido ou companheiro. Procure seu pediatra para falar de tudo que tiver vontade.

5-      Seu marido ou companheiro poderá ajuda-la nas tarefas da casa e algumas coisas com o bebê, como dar o banho, trocar a fralda, colocar para arrotar etc. Incentive-o a fazer essas coisas para que possa relaxar um pouco.

6-      Talvez se sinta “feia” e ache que seu corpo nunca mais será o mesmo. Tenha calma e paciência. Só vai depender de você, voltar à velha forma. Talvez nem queira fazer isso logo. Relaxe.

7-      Seu marido ou companheiro podem começar a se sentir excluídos. Seu foco será o bebê, é óbvio, mas, reserve um tempo para você e seu marido. Saia só com ele para jantar ou almoçar e combinem que, nessas duas horas não falarão do filho.

8-      Sua libido poderá estar diminuída. Não se assuste, é perfeitamente normal. Ela voltará!

9-      Tenha certeza de que vai cometer erros. Faz parte. Mas, dificilmente cometerá erros grosseiros ou relevantes. Melhor cometer erros porque teve iniciativa, do que delegar para terceiros (ou para as regras e normas) o cuidado do seu bebê. Ser mãe é correr riscos, acertar e errar.

10-   Na dúvida, quando não souber o que fazer, abrace seu bebê e só sinta o carinho transbordar. Se quiser conversar com o bebê, faça-o. Nada é ridículo quando se trata da relação mãe-bebê.

11-   Curta tudo, passa rápido, ainda que a sensação seja de que não passa.

7 pensamentos sobre “MÃE DE PRIMEIRA VIAGEM

  1. Adorei Dr. Cooper! Gostaria de ter lido isso e em bom português a 20 meses atrás !
    Ninguém comenta muito sobre os contras da maternidade, somente sobre os pros aonde tudo são flores, o mundo é azul, o que nos faz acreditar que estamos de fato “enlouquecendo”. Quase loucas vamos para no obstetra que simplesmente nos diz que é tudo normal e que passa !
    Só acho que você se esqueceu de acrescentar o item 12 aonde deveria dizer, talvez com 90% de certeza, é que depois de um tempo, a paixão pelo filho ou filha é tão grande que você esquecerá os 11 itens acima e irá tentar o segundo. Não é a toa que grande parte das mães seguem viagem não é mesmo ?
    O que faz parar para pensar são os custos…uma pena !
    Beatriz

  2. Ola Dr. Cooper,
    Hoje recebi um link de um post de uma mãe, de primeira viagem, e que eu gostaria de compartilhar.
    Porque é que ninguém nunca me contou ? Faço, às vezes, a mesma pergunta !!!
    Talvez uma descrição um pouco exagerada mas muito interessante e verdadeira da vida de uma mãe de primeira viagem. Como toda história, sem um pouquinho de drama fica sem graça !
    http://www.lulunaodorme.blogspot.nl/2012/06/maternidade-o-lado-b-ou-vida-como-ela-e_11.html
    O lado A da historia, o melhor de todos, é segredo. 🙂 Vai precisar viver a situação para saber, não é ?
    O que eu posso dizer, a todas as novas mamães, é que o lado A pesa MUITO mais que o lado B !!!

    Obrigado por ser um pediatra cuidadoso e atencioso. É que nem Mastercard, hahahaha, não tem preço !

    Bom final de semana.
    Bjs
    Bia

    • Bia,
      O texto é muito divertido e recheado de amor. Não fosse assim, não leríamos com um sorriso nos lábios, repassando os momentos vividos. Alguém já disse que comédia = drama + tempo. Pois bem, esse drama todo descrito com raro senso de observação e coragem, com o tempo, vira algo engraçado de que temos saudades!
      A autora do texto chama a atenção para algo que poucas pessoas ousam comentar: a exigência de só termos “bons” sentimentos com relação aos filhos. Só mesmo uma mãe que consegue expressar essa ambivalência, completamente humana, consegue também amar seu filho.
      Obrigado por compartilhar o link.

  3. Olá Dr Cooper,

    Existe uma idade especifica para se procurar um fonoaudiologo ?
    Nos achamos que a Manuela fala como se tivesse com a “língua presa”. Isso sempre aconteceu , desde que ela começou a falar e hoje se acentua nao so porque o vocabulário dela enriqueceu como ela tem falado outras língua que nao so o português .
    Algumas palavras como sujo, por exemplo, sao dificílimas de entender e imagino que ate de falar !
    Ela esta com quase 03, eh cedo ?
    Chupeta e mamadeira , influem na fala ?
    Precisamos de uma avaliação pediátrica para que se possa encaminhar, ou nao, o caso para uma fono ?

    Obrigado.

    Bjs

    Bia

    • Bia,
      Em princípio, uma criança com menos de 3 anos não precisaria ser avaliada por fono, exceto se apresentar uma dificuldade muito grande de articular palavras. Chupeta e mamadeira poderiam influir na fala somente se estivessem produzindo uma alteração na oclusão, o que só se verifica quando o uso da chupeta ultrapassa os 4 anos. Mas, tentar tirar a chupeta pode ser uma boa ideia.
      Não haveria necessidade de um pediatra avaliá-la para referir a uma fono. Uma boa fono poderia pedir uma avaliação de um odontopediatra porque, eventualmente, pode existir um freio de língua curto que exigirá uma pequena intervenção.
      Como está em país estrangeiro, talvez queira deixar para ver uma fono em uma vinda sua ao Brasil. Afinal, a língua mãe da Manuela é o português e seria melhor que a avaliação fosse feita nesta língua.

      • Olá Dr.Cooper,

        Farei isso, estamos indo no final deste mês, obrigado.
        Ate hoje nao ocorreu nada grave ,que bom, mas de fato estamos atentos desde que observamos o problema.

        Beijo

        Bia

      • Bia,
        Me parece uma boa ideia a de vocês. Aqui, encontrarão uma fono que fala português e, por isso mesmo, fará uma avaliação “mais isenta” ou “sem a contaminação” de uma outra língua, ainda nova para a Manuela. Se for o caso, aproveitam para ver um odontopediatra no Brasil (se for uma questão que envolva o freio da língua).

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