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PIRRAÇA

A pirraça é uma reação esperada da criança à alguma frurstração. Em geral essa frustração vem ou do fato de não conseguir fazer algo que estava tentando fazer não conseguindo comunicar direito o que deseja ou por uma restrição imposta por adultos a uma vontade sua. Portanto, para haver pirraça deve haver vontade e esta existe quando processo de independência da criança se inicia. No final do primeiro ano e mais intensamente no segundo ano de vida, a criança começa a querer fazer as coisas sozinha (se vestir, comer, tomar banho etc.) ou explorar o mundo de acordo com sua curiosidade (rasgar livros, puxar coisas, enfiar o dedo na boca do cachorro, colocar a mão dentro da privada etc.). O poeta Vinicius de Moraes definiu muito bem o que é ter filhos no Poema Enjoadinho. Neste, a respeito da curiosidade, independência e vontade própria dos pequerruchos, escreveu: Chupam gilete, Bebem shampoo, Ateiam fogo no quarteirão….

A primeira coisa difícil no lidar com a pirraça é que, ao mesmo tempo em que os pais devem permitir que os filhos expressem suas emoções, devem também ajudá-los a reduzir as reações violentas e comportamentos agressivos. Mais uma vez não há receita pronta que nos ensine quanto de restritivo e quanto de permissivo devemos ser. Tentativa e erro é único método que existe. Cansa, dá trabalho,  mas os resultados compensam. Ousar, mudar, tentar coisas diferentes e aprender com elas, faz parte da alegria de ser pai e mãe. Mesmo sem regras, seguem algumas dicas:

  • distraia seu filho. Ao perceber que está começando a ficar irritado ou frustrado, tente mudar o foco da sua atenção. Mostre algo ou inicie uma nova atividade. A capacidade de fixar a atenção, nesta idade, é baixa e distraí-lo assim que os primeiros sinais de que algo não vai bem, pode ajudá-lo.
  • ignore a pirraça. Se não conseguir distraí-lo, não dê atenção ao comportamento pirraçento. Verifique apenas que ele não tem nenhuma chance de se machucar. Cada vez que reage à pirraça, mesmo brigando ou castigando, pode estar “recompensando-o” com mais atenção (que era o objetivo original dele!)
  • não passe vergonha. Se estiver em local publico e o seu comportamento for constrangedor, simplesmente tire-o do ambiente, sem discussão ou briga. Leve-o para outro ambiente e espere até que se acalme para poder retornar ao que estava fazendo.
  • não pode bater, nem morder. Se a pirraça incluir bater, morder ou qualquer outro comportamento que potencialmente possa machucá-lo ou a outra pessoa, você não deve ignorá-lo. Diga, imediatamente, de forma clara e objetiva, com o tom adequado de voz (severo, sem gritar) que não deve se comportar daquela forma e tire-o da situação por alguns minutos. Não tente estabelecer um diálogo com explicações elaboradas ou lógicas porque, nesta idade (2-3 anos) ele não as entenderá. Nesta idade, perguntas como: você gostaria que alguém fizesse isso com você? ainda não fazem sentido para ele. Simplesmente faça-o compreender que o que ele fez estava errado. Uma frase como: não pode bater ou morder. Isso é feio. surtirá muito mais efeito do que longas explicações sobre porque não se deve bater e morder.
  • castigo, na hora. Se você julgar que algum tipo de punição é necessária, aplique-a na hora e não mais tarde. A criança, nesta idade, não consegue fazer a conexão entre o comportamento que tiveram e um castigo horas mais tarde. O castigo deve ser dado dentro do limite do desenvolvimento da criança. Se for para pensar no que fez, nesta idade, 5 minutos, no máximo!
  • nada de castigos físicos. Por mais irritado ou irritada que esteja (e estará), nunca aplique castigos físicos. Se o fizer, a mensagem ou ensinamento que estará passando é que a agressão é uma forma aceitável de reagir quando se deseja algo. Castigo físico seria bater, beliscar, puxar o cabelo ou qualquer outra ação que provocasse dor ou medo na criança.
  • abraçe com força e firmeza. Não é castigo físico conter com firmeza uma criança. Muitas vezes, é essa contenção firme (como em um abraço bem apertado), acompanhado de uma voz tranquila e serena, que consegue acalmar um ataque de pirraça.

Finalmente, uma observação sincera. Escrever sobre pirraça em um blog é facílimo. Na hora em que seu filho está ali, urrando com se estivesse sendo massacrado e as pessoas te olham com espanto, é que as coisas ficam realmente difíceis. Portanto, exercite a sua paciência e criatividade, pensando nessas situações, antes que ocorram. Se tudo der errado, tente algo bem humorado. Bom humor espanta a raiva e esta é péssima conselheira!

Se quiserem compartilhar suas histórias de pirraça e estratégias que usaram, eu vou gostar muito. Acredito que outros pais também.

QUANDO COMER É UMA DIFICULDADE.

Crianças, em certas épocas do seu crescimento, parecem ter uma missão na terra: enloquecer seus pais! Isso pode acontecer desde a época de bebê, com cólicas inconsoláveis, passando por pirraças e birras em torno de 2 a 3 anos, contestação em torno de uns 8 a 9 anos e, para culminar, a adolescência. Uma das coisas que é capaz de enloquecer os pais é a questão da alimentação. Já escrevi um post sobre o tema, com algumas dicas. Hoje, num post rápido, queria lembrar duas ou três coisas a respeito de como podemos tentar (vejam que sou realista) ajudar nossos filhos a comer um pouco mais melhor e mais saudável.

A primeira, e talvez mais importante sugestão é: brinquem! O lúdico tem sempre mais chance de surtir algum resultado com crianças (e adultos também). É impossível explicar o valor nutricional de um alimento para uma criança. Nem tentem! Ameaçar, nem pensar. Premiar com outras comidas (besteiras e bobagens), não é nada recomendável. Sobram algumas coisa:

– levar a criança para escolher a comida  junto com você. Claro que não vai desfilar pelas gôndolas de biscoitos ! A conversa entre vocês pode ser: vamos escolher a comida que vamos preparar juntos.

– preparar (mesmo não indo ao supermercado com seu filho) a comida juntos. É uma brincadeira que costmam adorar. Se divertem fazendo e depois ficam com um certo compromisso de provar (certo não é compromisso firme!).

– variar a forma de preparar um mesmo alimento. Às vezes o que não é aceito de um jeito, é de outro. Pense em purês, souflês, empadas, recheados etc. Aquela coisa monótona da comidinha bonitinha, cozidinha, separadinha no prato pode não agradar. Sejam criativos e ousem nas receitas.

– variar na forma de apresentar a comida. Vejam as fotos acima de ideias muito criativas de como apresentar a comida. Se, na hora de comer, puderem estar comendo juntos, melhor ainda. Contando histórias e criando um momento divertido. Vamos comer o olho do peixinho ou as joaninhas….

– comer juntos, como dito acima é muito bom, para todos. A criança ver os adultos comendo (saudável) tem um modelo em quem se mirar, Modelos são muito mais eficazes do que papo, conversa, persuasão.

– tentar um alimento novo ou recusado por em torno de dez ocasiões. Alguns estudos mostram que oferecer, um pouco só, antes da comida preferida ou aceita, por diversas vezes (até umas 10), em muitas situações reverte uma recusa.

– lembar que crianças desenvolvem paladar e alguns alimentos elas não gostarão mesmo. Há que se respeitar esse paladar. O que é bem diferente de considerar como paladar uma criança que só gosta de iogurte e batata frita!

– ser tolerante com a recusa, sem ceder aos apelos de trocar a alimentação definida por vocês por algum “capricho”. Crianças se beneficiam desse sentimento de “pena” dos pais. Fiquem tranquilos, filhos que se recusam a comer, não ficarão desnutridos, da noite para o dia.

Finalmente, é preciso reconhecer que crianças, muitas vezes , conseguem, de fato, enlouquecer os pais. Com comida isso não é raro. Se acontecer com vocês, relaxem um pouco.

Sucesso! E mandem seus comentários ou compartilhem suas histórias e dicas para que todos posssamos aprender.

MEU FILHO OU FILHA NÃO COME NADA!

Do peito para as frutas e sopinha, que maravilha. Tudo é festa. Depois, a comida vai ficando mais pastosa e os filhos querem comer tudo que está no prato dos adultos. Colocam a mão no prato e pegam pedaços de carne para morder. Tudo ainda é festa. Um dia, começam os “gostos”. A idade varia e, felizmente, muitas crianças continuam aceitando bem uma alimentação variada e colorida. Mas alguns, literalmente, não querem comer nada! Isto é, nada que seja do desejo dos seus pais ou recomendado. Querem comer “bobagens” ou o que é mais fácil, como uma mamadeira. Aí a festa acabou e os pais costumam ficar muito preocupados e, eventualmente, tensos. O que pode ser feito?

1-      Saber que gosto ou paladar é um atributo individual e que, de fato, alguns sabores não serão atraentes para algumas crianças.

2-      Independentemente do paladar, algumas crianças resistem a variações ou novidades.

3-      As novidades devem ser introduzidas uma de cada vez. Quando a aceitação é imediata, ótimo. Quando não é, os pais devem dar uma pequeníssima quantidade desse alimento, antes da refeição, sem insistir para que coma mais dessa novidade a ser introduzida. Esse processo (uma colherzinha antes do prato que gosta), deve ser repetido. Alguns estudos demonstram que quando essa repetição é feita de forma sistemática por até dez vezes (dez dias), há uma probabilidade muito maior do novo alimento ser aceito. Na maioria dos casos, os pais ou querem dar muito do novo alimento, ou insistem por três ou quatro dias, definindo que seu filho “não gosta” dessa comida.

4-      Evitar introduzir coisas artificialmente doces na alimentação das crianças, principalmente no primeiro ano de vida. Biscoitos, bebidas adoçadas, tendem a produzir um “desvio” do paladar. São mais fáceis de agradar e passam a ser uma preferência natural da criança. Lembre-se de que quem faz as compras são os adultos! Se tem biscoito em casa, alguém comprou e não foi a criança.

5-      Comer em família, todos juntos à mesa, é um bom hábito desde que a família coma de forma saudável. A criança vai se habituar a ver pais e irmãos comendo e esse clima é muito bom para todos. A refeição não é só para alimentar e nutrir, mas também um momento de interação, conversa e trocas.

6-      Não ofereça guloseimas como prêmio se a criança comer algo que deveria comer naturalmente. Estará reforçando a ideia de que aquele alimento é “ruim” e só com um “pagamento” deve ser comido.

7-      Elogie ou faça comentários positivos quando a criança comer o que deve. Diga coisas como- que bom que comeu tudo, vai ficar forte e bonito. Puxa! Comeu tudo como o papai e a mamãe, que bom ou que bonito.

8-      Se a criança não quiser comer, não insista ou fique negociando muito. De forma alguma entre pânico de que seu filho vai ficar desnutrido e sucumba à tentação de dar qualquer coisa (uma bobagem que ele goste) para que  “não morra de fome”. Crianças em cuja casa exista uma geladeira abastecida de alimento saudáveis, não morrem de fome!

9-      Saiba que, com essa questão do não comer, começou uma queda de braço sobre limites, obrigações e individualidade, que só terminará no final da adolescência. Saber impor limites, com carinho, é uma das tarefas mais importantes dos pais. O caminho fácil de ceder às pirraças pode gerar adultos que não tolerem a frustração, impacientes, egocêntricos. Em uma palavra, adultos insuportáveis. Não ceda às pirraças.

10-   Saiba que vai se sentir muito mal ao colocar limites. É normal. Aguente firme e compartilhe esse seu sentimento com seu companheiro ou companheira. Ambos precisam ser cúmplices. Tanto no suporte mútuo, quanto na manutenção do limite imposto ao filho por um dos pais.

11-   Paciência, perseverança, criatividade e muito carinho!