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POR QUÊ LIMITES SÃO IMPORTANTES?

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Por onde se leia ou ouça algo a respeito de crianças, vai surgir a afirmação de que limites são importantes para as crianças. Aqui mesmo no blog eu já fiz esse comentário, sob diversas formas, várias vezes. Me ocorreu que essa afirmação pode ser algo que repetimos, sem realmente pararmos para pensar no que possa significar e qual a razão para se afirmar que limites são importantes. De forma mais prática, vou tentar responder à pergunta deste post. Para quem me conhece e sabe da brincadeira que faço a respeito de escrever um livro que tivesse um número na capa (As 7 regras da alimentação infantil; As 11 lições do Himalaia para a felicidade das crianças; As 9 formas de colocar o seu bebê para dormir; Domine as 3 técnicas infalíveis para a amamentar etc.), este post quase se chamou As 5 razões pelas quais limites são importantes! Vamos a elas.

1- LIMITES OFERECEM SEGURANÇA E PREVINEM ACIDENTES:

  • não pode ficar na janela
  • sai de perto do fogão
  • tira a mão da tomada
  • solta a faca agora
  • coloca o capacete ou não vai andar de bicicleta
  • segura com as duas mãos
  • desce daí já
  • coloca a boia

A lista de “comandos” poderia continuar. Mas, me parece que são autoexplicativos de como limites são importantes para garantir a segurança e prevenir acidentes. Este é um tipo de limite que os pais nunca têm dificuldade em impor, sem nenhuma negociação ou, dependendo da situação, conversa explicativa. A urgência impõe que o limite seja dado de forma rápida e enérgica, sem rodeios e, óbvio, sem a menor culpa por parte dos pais. Voltarei a esta situação quando falar de outros limites.

2- LIMITES PROMOVEM A SAÚDE:

  • coma um pouco dos legumes
  • hoje a sobremesa é fruta
  • não coma mais biscoitos
  • escovou os dentes?
  • vamos passar o protetor solar
  • coloque o chapéu
  • está na hora de dormir
  • chega de brincar com o celular
  • dói um pouco, mas, precisa tomar (vacina)

Novamente, a lista poderia ser mais longa e fica claro que todos os limites descritos acima têm relação com a saúde. Seja para produzir um benefício imediato, seja para prevenir doenças no longo prazo. Estes limites, diferente daqueles relacionados com a segurança da criança, nem sempre são implementados da mesma forma. Claro que nas questões de segurança não existe negociação e nas de saúde pode (e deve) haver uma conversa, explicação etc. Mas, o objetivo deste post é dar aos pais uma explicação de por que limites são importantes.  Neste tópico, mostrei que limites têm ou podem ter impacto direto na saúde dos filhos. A pergunta então poderia ser: se você pudesse fazer algo para tentar evitar que seu filho ou filha infartasse ou tivesse um derrame aos 50 anos, você faria? Se e resposta for sim, já entendeu porque limites relacionados à saúde são importantes e merecem o trabalho que dá para implanta-los.

3- LIMITES CONTRIBUEM PARA DESENVOLVER UMA PERSONALIDADE AJUSTADA:

  • levanta do chão, assim você não vai conseguir nada
  • estou aqui perto, pode ir dormir
  • chorando eu não te entendo, fala sem chorar
  • não vou dar na sua boca, você já sabe comer
  • é o que temos em casa
  • senta para fazer o dever de casa
  • não vai jantar no quarto vendo TV, vem sentar à mesa com seus pais

Crianças são economistas ortodoxos intuitivos. Tendem a buscar otimizar os benefícios, minimizando os custos. Como o seu horizonte de tempo é o presente, sua lógica é a do benefício e custo instantâneos. Não há consequência futura, nunca. Depois, é uma palavra sem o menor sentido para uma criança. Diga para ela comer um doce, depois. Ou, guardar o brinquedo para depois. Cabe a nós, adultos, modular esse imediatismo via limites. É através dos limites que vamos oferecer aos nossos filhos a oportunidade de se defrontarem e resolverem a frustração que estes geram. Se não houver o limite, não haverá a frustração e, sem esta, é impossível que uma criança desenvolva os meios de se autoconsolar e desenvolver os mecanismos que a permitirão conviver com as limitações que o dia a dia nos impõe, sem permanecer em um estado de irritação ou agressividade permanente. Nesse sentido, limites contribuem para o desenvolvimento de uma personalidade ajustada.

 

4-LIMITES PROMOVEM A CIDADANIA:

  • não jogue o lixo na rua, jogue na lixeira
  • não pode morder seus pais ou coleguinhas
  • não pode pegar a borracha do colega
  • se pegar esse biscoito, temos que pagar
  • o caixa deu mais  troco do que devia, vai lá e devolve
  • espera o sinal verde para atravessar a rua
  • agradece o presente que recebeu
  • a fila começa aqui, temos que esperar
  • se apresse, temos hora e não podemos atrasar

Viver e coletividade, de forma cidadã, nos impõe limites. São as regras do convívio social, incluindo nossas leis. Não podemos fazer o que quisermos, quando quisermos, do jeito que acharmos melhor. Em geral, sabemos reclamar quando alguém tem uma atitude menos respeitosa com os demais (fura uma fila, joga lixo no chão, estaciona em fila dupla, anda pelo acostamento de estrada com engarrafamento etc.), mas, costumamos ser tolerantes quando “precisamos” fazer uma destas coisas!  Não raro, afirmamos que o Brasil ou os brasileiros são assim mesmo, num misto de desolação pela realidade geral e justificativa para o comportamento individual. Mas, se de algum modo, desejamos que nossos filhos vivam em um país diferente, é preciso que eles aprendam a ser diferentes e isso se consegue, em parte, com limites e, muito, com exemplos. Temos aqui mais uma razão ou motivo pelo qual limites são importantes e necessários.

5- IMPOR LIMITES É UM ATO DE AMOR

Se eu fosse realmente ousado ou corajoso, este post teria apenas a frase acima! Mas, em um mundo onde precisamos de evidências tangíveis, achei melhor descrever as 4 razões objetivas, antes de chegar nesta.

Ao impor limites à criança, esta, habitualmente, reage de forma enérgica. O limite é um obstáculo real à realização de um desejo ou vontade e, nesse sentido, a reação da criança faz todo sentido. Cabe aos pais não se deixar sensibilizar ou, pior, se culpabilizar por esta reação. Aqui, volto com os exemplos dos limites que garantem a segurança dos nossos filhos. Alguém se sentirá culpado por puxar uma criança sentada na janela que começa a chorar e dizer “mas eu quero sentar lá, você é feia”? A criança poderá fazer o escândalo que quiser, dizer as atrocidades que desejar que os pais permanecerão absolutamente tranquilos e seguros com a decisão tomada e a ação enérgica que empreenderam. Guardadas as devidas proporções e adaptando às demais situações, os pais nunca deveriam se sentir culpados por impor limites cujo objetivo é o bem estar da criança, seja imediato (segurança), seja futuro (saúde, ajuste emocional, cidadania). Se o objetivo é o bem, esses limites, esses “nãos”, são um ato de amor. Para nós, entender que um não seja um ato de amor, nem sempre é fácil. Por isso eu uso a comparação (exagerada), com a criança sentada na janela do oitavo andar, balançando as perninhas para fora. Assim, para que se consiga impor limites aos filhos, é importante compreender que existe uma razão (buscar alguma forma de bem) e uma emoção (amor) envolvidas. Uma vez plenamente embebidos destes dois vetores que justificam os limites impostos, os pais poderão enfrentar, com mais tranquilidade, a reação que sempre vai ocorrer, até a adolescência (fase onde limites são fundamentais, pelos motivos expostos acima, de forma ainda mais dramática no que diz respeito à segurança e saúde).

Mas, além desta reação contrária, enérgica, crianças e adolescentes adoram limites! Ele escreveu adoram? Deixa eu ler de novo. Sim, ele escreveu adoram! Explico. Além dos objetivos lógicos pelos quais impomos limites (tópicos acima), estes (limites) dão à criança e ao adolescente a certeza (inconsciente) de que alguém cuida, se preocupa, olha, tem cuidados, com eles. O limite é como um abraço amoroso bem apertado. Ao mesmo tempo em que estamos contidos fisicamente pelo abraço, nos sentimos envolvidos por afeto e a sensação é prazerosa. O limite funciona como esse abraço, em um nível que as crianças não acessam, mas sentem. Se tem alguém que vai colocar limites, posso explorar o mundo sem medo porque, se houver alguma ameaça, o limite vai surgir. Essa frase, seria o inconsciente dos nossos filhos falando, se pudéssemos ouvi-lo. Por isso que, curiosamente, crianças que reagem de forma exagerada aos limites, podem estar pedindo mais! Sentem que o abraço está frouxo e, sem saber direito de onde vem aquele mal estar, se queixam do (pouco) limite como se fosse muito. Claro que isto não é uma regra, muito menos uma receita de bolo, mas, uma sugestão de reflexão para os pais.

Finalmente, uma recomendação e uma exceção. A recomendação é que escolham os “nãos” relevantes. Se tudo for não, ou se banaliza o limite e ele perde a função ou se massacra a criança, inibindo sua criatividade e, ao invés de reforçar sua autoestima, acabamos por reduzi-la.

A exceção são os bebês pequenos. Para estes, nem pensar em impor limites. Estes precisam, para que o seu pleno desenvolvimento físico e psíquico, que nos primeiros meses de vida, seus “desejos” sejam todos acolhidos. Bebês devem mamar quando quiserem, dormir quando conseguirem, ser pegos no colo o tempo que isso lhes der calma e prazer. Sem limites. Depois, a história muda e os pais de bebês pequenos que leram até aqui podem reler o blog quando seus filhos estiverem um pouco maiores!

Independentemente da idade, do recém-nascido ao adolescente, ou diria até filhos adultos e casados, mudam as razões pelas quais fazemos isso ou aquilo para e com nossos filhos. O que nunca muda é o afeto, o amor.

 

LIMITES

limites2Existem assuntos que não se esgotam em um ou dois posts e o tema dos limites, certamente é um destes. Limites fazem parte das nossas vidas e não são produto apenas da civilização ou cultura. Convivemos com limites que são físicos, naturais, decorrentes da nossa natureza. Não respiramos debaixo d’água, não voamos, precisamos de afeto, dormir, beber água e comer. Pequenos exemplos de limites do nosso dia a dia que, por serem naturais, nem nos damos conta. Ninguém pensa em entrar no mar sem saber nadar, ou pular da janela, batendo os braços, supondo que vai voar. A estes limites, se somam todos os outros que tornam o convívio mais cordato e organizado. Em um palavra, mais civilizado.

Do mesmo modo que nenhuma mãe ou pai hesitaria em pegar seu filho sentado na beira da janela, sem consultá-lo, saber sua opinião e pouco se importando com o choro e espernear, todos nós devemos ter essa mesma firmeza e convicção quando se trata de dar, às crianças, outros limites. No post de hoje, fugindo um pouco ao meu estilo e convicção de não adotar regras, vou tentar dar algumas dicas para que o assunto da colocação de limites não fique muito vago ou filosófico.

O ponto de partida é que a noção de que autoridade é algo natural e reconhecida por todos. Pode haver uma confusão entre autoridade e autoritarismo, que iniba os pais. Esta última é quando alguém abusa da autoridade que porventura tenha. Já o exercício da autoridade é desejável é benéfico. Muitos pais, com receio de serem autoritários, abrem mão da sua autoridade. O primeiro passo para que possamos colocar limites é não termos o menor receio em utilizarmos nossa autoridade de pais.

O segundo ponto, é o de aceitarmos, antecipadamente, a reação de nossos filhos. Precisamos estar preparados para  reações de descontentamento, furor, raiva, ira, ódio, sem que estas gerem, em nós, culpa ou recuo no limite imposto. Lembrem-se do exemplo da criança sentada na janela. Pode espernear à vontade que, sem negociar nada, a tiraremos de lá!

O terceiro ponto é que a introdução e manutenção de limites pode ser frustrante, na medida em que exigirá repetições e  muita paciência. Nenhum de nós, quando criança, aprendeu um comportamento desejável com uma única instrução! Impor limites não é uma corrida de 100 metros raso, é uma maratona e, como tal, exige preparo, paciência e perseverança.

A seguir, dou algumas sugestões para aquelas situações onde a criança parece não nos ouvir. Não são regras! Apenas, tento separar um pouco situações, permitindo ou desejando que os leitores do blog, tirem suas próprias conclusões e implementem seus métodos, feitos sob medida para seus filhos.

CONSEQUÊNCIAS NATURAIS- Em algumas situações em que a criança ignora o que dizemos, podemos deixá-la experimentar o que pode acontecer se ela não nos obedecer ou se comportar como desejado. Claro que estou falando de situações onde não haja nenhum risco para a criança. Por exemplo: se uma criança atira a comida no chão e não para, mesmo quando advertida, podemos deixar que ela perceba que a comida vai acabar e ela ainda vai estar com fome. Ou, se atira os brinquedos e estes se quebram, podemos deixá-la descobrir que esse comportamento a deixará sem brinquedos inteiros.

CONSEQUÊNCIAS LÓGICAS- Estas são situações onde os pais vão interferir para criar uma consequência. Se você não fizer (ou fizer) isto, então, vai acontecer aquilo. Por exemplo, se você não guardar os seus brinquedos agora, eu vou tirá-los daqui e você só os terá de volta ao final do dia. Nesta forma de agir, algumas atitudes fundamentais:

  • Não ameace e deixe de fazer.  Faça exatamente o que disse que faria. Portanto, pense antes se a consequência lógica é algo que você está preparado para implementar.
  • Nunca retire algo que seja uma necessidade real da criança, como por exemplo, uma refeição.
  • Introduza a consequência o quanto antes. Não adie o que disse que iria fazer. Por exemplo: se você não guardar seus brinquedos agora, amanhã você ficará sem usá-los. Melhor seria dizer que se você não guardar seus brinquedos agora, eu vou fiar com eles e você não vai poder brincar , até mais tarde.Para crianças maiores (a partir de 7-8 anos), que saberão fazer a conexão entre o comportamento indesejável e a restrição, essa suspensão pode se dar algumas horas mais tarde. Exemplo: não ver televisão à noite.
  • Não é necessário gritar. Basta ser firme e responder às reações prováveis, com calma.
  • Não é preciso gastar muito tempo explicando ou negociando a consequência. A autoridade é sua e você a usou. Explicações em excesso podem confundir a criança ou sinalizar para ela (dependendo da idade) que você não está seguro ou sentiu culpa por impor um limite.

EXPULSAR DE CAMPO OU PENSAR UM POUCO NO QUE FEZ- Este tipo de atitude funciona  para regras que foram desrespeitadas por crianças a partir de 2-3 anos. Para que funcione melhor, leve em consideração as seguintes observações:

  • REGRAS ESTABELECIDAS PREVIAMENTE– definam duas ou três regras (não mais) que não podem ser violadas (bater em alguém, mexer em algum lugar onde haja risco etc.). Expliquem as regras para seu filho. Isso pode exigir muita repetição!
  • DEFINAM UM LUGAR PARA FICAR “FORA DE CAMPO” OU PENSANDO-  de preferência, um lugar sem atrativos (brinquedos, livros, TV), como uma cadeira ou banquinho.  O quarto inteiro pode se tornar um play! O berço ou cama, por ser um local do sono, atividade salutar, não deveria ser uma primeira escolha para um castigo. Escolham um lugar seguro. Banheiros e cozinha podem ser perigosos.
  • QUANDO COMEÇAR? em geral, vale um primeiro aviso, informando à criança que, caso a regra seja quebrada novamente, ela irá para o cantinho dela, pensar um pouco. Esta orientação pode ser abolida nos casos de agressão, onde os pais podem decidir que não há aviso prévio. Se a criança repetir o comportamento, os pais devem informar que isso constitui uma violação da regra e que deverá pensar um pouco no que fez. Essa comunicação deverá ser feita no tom de voz mais neutro possível (muitas vezes difícil). Se a criança resistir a se dirigir para o cantinho, pegue-a  e  leve para o lugar definido. Não dê ouvidos a apelos, promessas, desculpas, ofensas etc. Repita apenas que a está levando para o seu cantinho porque ela precisa pensar no que fez.
  • QUANTO TEMPO NO CANTINHO?  O suficiente para que a criança se acalme. Quanto menor a criança, menos tempo. Mesmo crianças maiores não devem ficar muito tempo. Os americanos, que adoram quantificar, sugerem que um minuto por ano de idade seria razoável. Assim, para uma criança de 4 anos, 4 minutos pensando no cantinho estaria ótimo. Mas, mesmo com 4 anos, pode ser menos tempo. No entanto, se, durante a permanência no cantinho a criança recomeçar a resmungar, não hesitem em recomeçar a contagem do tempo.
  • RETOMANDO AS ATIVIDADES- Quando o tempo de pensar estiver encerrado, ajude seu filho a voltar à brincadeira. Não dê broncas ou lições nesta hora. Não peça para a criança se desculpar pelo que fez nem você, em hipótese alguma, peça desculpas por tê-la colocado para pensar.  Se quiser falar sobre o comportamento do seu filho, faça em outro tempo.

Lembro que cada criança se desenvolve de uma maneira própria. Portanto, antes de punir um comportamento indesejável, certifique-se de que seu filho compreende e consegue fazer o que esperam dele.

Nunca é demais reforçar a importância de pensarmos antes de falarmos. Uma vez que você definiu uma regra ou disse que faria tal coisa, seja coerente. Por isso, é fundamental ser realista e, com a cabeça quente, tendemos a dizer coisas que não vamos conseguir cumprir. Também é importante manter uma certa consistência, tanto com a regras, quanto com as consequências. Se tudo muda, todos os dias, a criança ficará confusa e testará os limites, simplesmente para aprender quais são (os novos).

Não tenha medo dos “ataques” das crianças. Ceder a um ataque só ensina as crianças que esta estratégia dá certo!

É fundamental prestar atenção em algum padrão de comportamento e/ou nos sentimentos da criança. Se os pais percebem que o comportamento é motivado por, por exemplo, ciúmes, devem falar sobre o assunto e não somente repreender a criança pela sua atitude. Se a criança não quer guardar suas coisas,  e parece triste depois que um coleguinha foi embora, os pais podem reconhecer este sentimento, sem deixar de exigir que faça o que deve ser feito: sei que está triste com a ida do amigo, mas, é preciso guardar suas coisas.

Tentei, neste post, mostrar que existem algumas abordagens para a introdução de limites e o desenvolvimento de comportamentos desejáveis. Para quem me conhece, vou repetir uma metáfora que me parece apropriada. Quem só tem um martelo, enxerga todos os problemas como sendo pregos!  Introduzir limites e desenvolver comportamentos é uma tarefa mais fácil se tivermos uma “caixa de ferramentas” à nossa disposição. Em alguns momentos, firmeza, repreensão. Esta, pode ser implementada de várias formas com relatei acima. Em outros momentos, conversas, compreensão. Haverá momentos onde a negociação poderá funcionar e até certas flexibilizações podem ser possíveis. Mas, em todos esses momentos, haverá amor. Limites são uma expressão de amor, ao passo que liberdade plena, para uma criança, pode ser percebida como abandono.

Sejamos pais amorosos, dando limites aos nossos filhos. Serão adultos com mais autonomia, auto-estima e adaptados para viver em um mundo onde nos deparamos, diariamente, com limites e frustrações.

Acabo de reler, antes de publicar, o que escrevi. Me ocorreu que uma avó lendo este post, poderá exclamar, com toda razão: e precisava de um blog de pediatra para saber disso?

 

PAIS OU AMIGOS?

parents as friendaPais não são amigos dos filhos. Começo o post com uma afirmação categorica para deixar bem clara a minha posição neste tema e produzir reflexão ou até contestação.

Amigos ocupam um espaço nas nossas vidas (e dos nossos filhos), muito bem definido. São pessoas com quem temos alguma identificação, afeto e, principalmente, confiança. Ora, quem mais do que os pais não teriam esses atributos? Concordo. Mas, os pais, além desses atributos fundamentais, têm uma função que amigos não exercem. Pais são os responsáveis pelo  estabelecimento de limites para seus filhos. Cabe aos pais manifestar seu desagrado com certos comportamentos ou atitudes que não consideram adequados. Esse juízo feito pelos pais se baseia nos seus valores e crenças e os filhos devem aprender a conviver com estes, ainda que não concordem plenamente e, na vida adulta, incorporem novos ou outros.

Alguns poderão contestar dizendo que amigos também colocam limites, dão “toques”, advertem e aconselham. É verdade, mas, com toda franqueza, essa atitude, importante e carinhosa dos amigos, tem o mesmo peso que a dos pais? Acredito que não. Além disso, esse papel de amigo que adverte e avisa quando percebe que o outro pode estar se colocando em situação de vulnerabilidade (de qualquer natureza), só acontece, na melhor das hipóteses, em plena adolescência ou, mais provavelmente, só na vida adulta.

Amizade é uma relação bi-lateral, que flui, de forma simétrica, para ambos os lados. Entre amigos, não há hierarquia. Pode haver respeito e admiração por algum atributo ou capacidade que o amigo tenha, mas, ambos são e se sentem iguais na relação. Tanto que é uma relação onde não há assunto para um só abordar e o outro ouvir e aconselhar. Amigos se alternam no papel de ouvintes, sem uma regra pré-definida, de acordo com a necessidade de cada um. Pais, por outro lado, não possuem essa simetria com seus filhos. Há um hierarquia e é importante que esta exista. Abrir mão dessa posição é, potencialmente, não dar aos filhos os limites necessários para seu bom desenvolvimento.

Pais que seduzem seus filhos com o argumento da amizade, buscando acessar a privacidade dos filhos, cometem um grave engano e podem se ver em uma situação hipotética constrangedora. Imagine um filho ou filha que, aceitando o argumento da amizade, se vira para o pai ou mãe e diga: “agora me conta você o que te angustia”? Ou, qualquer outra pergunta perfeitamente normal, entre amigos, mas que pais jamais responderiam, se perguntados pelos filhos! Talvez a resposta seria: “o que é isso? isso é lá pergunta que se faça a seus pais? ” Resposta perfeita que demonstra que pais não são amigos dos seus filhos.

Pais podem e devem estimular a confiança dos filhos neles, para que se sintam confortáveis de procurá-los diante de qualquer dificuldade, seja da natureza que for. Isso não é ser amigo. É ser pai ou mãe. É uma postura de respeito à privacidade e, ao mesmo tempo, de abertura e acolhimento para o que for que os filhos precisem. Do mesmo modo, pais podem e devem ser companheiros dos filhos. Estar juntos, em ambiente de camaradagem, é perfeitamente compatível com o papel bem definido dos pais e não é uma exclusividade da amizade. Brincar, se divertir, é algo que pais devem fazer, sempre. Isso não os transforma em amigos, mas, em pais carinhosos.

Mas, afinal, qual o problema dos pais serem amigos dos filhos? De um modo superficial, nenhum. Mas, como amigos não têm a função de colocar limites, exercer a autoridade sobre o outro, ao se colocarem nesta posição os pais podem abrir mão destas funções fundamentais na formação de uma adulto seguro,  com capacidade de, mantendo sua autonomia, ser socialmente integrado. Confundir autoridade com autoritarismo, amor com ausência de limites, pode ser um equívoco que cobre um preço caro ao bem estar de nossos filhos, na vida adulta.  O fato da vida obrigar os pais a longos períodos longe de seus filhos, por conta do trabalho, não deveria ser motivo para que estes “compensassem” essa distância ou ausência com uma postura mais “boazinha”, de amigo.

Sejamos amorosos, carinhosos, afetivos, companheiros, camaradas de nossos filhos. Deixemos as portas sempre abertas para tratar de qualquer assunto que queiram, fazendo com que sintam segurança de nos procurarem. Mas, que fique bem claro, primeiro para nós e, depois, para nossos filhos que pais não são amigos. Nossa relação não é pior nem melhor do que uma de amizade. Ela é diferente e exclusiva. Somente nós podemos oferecer essa relação aos nossos filhos. Não vamos abrir mão desse lugar privilegiado  de pais, que permitirá o pleno desenvolvimento dos nossos filhos. E que tenham muitos amigos!

 

A AUTOESTIMA NECESSÁRIA

Mother holding baby in her armsUma das preocupações dos pais  é com a capacidade que seus filhos terão de assumir tarefas e responsabilidades, lidar com o medo das decisões  em geral e enfrentar, de forma civilizada e eficiente, situações de desrespeito ou bullying.

Essa aptidão, que podemos chamar, à falta de nome melhor, de adequação ao mundo real, não é algo que se possa ensinar através de alguma técnica ou exercício acadêmico, como podemos fazer com um esporte, o uso de um equipamento eletrônico ou o aprendizado de matemática.

Estamos falando de uma aptidão comportamental, portanto, emocional. Comportamentos aprendidos de forma pavloviana, isto é, utilizando, exclusivamente, o condicionamento, tendem a se repetir conforme o “planejado”. No entanto, dadas as características de complexidade da mente humana, o que pode parecer um sucesso de desempenho, corre o risco de ser um desastre na existência da pessoa envolvida. Aqui temos um problema da cultura vigente, onde desempenho, sendo algo mensurável, é altamente valorizável. Nada contra desempenho, pelo contrário. Estou me posicionando contra o atingimento de desempenho somente através de condicionamentos. Como o condicionamento é mais fácil e rápido, tende a ser valorizado. Mais difícil é aceitar que o ser humano é um animal simbólico que também pensa e não um ser racional, lógico, que tem emoções.

Então, como conseguirmos essa adequação ao mundo real? Bem, tudo começa com o bebê. Por mais estranho que possa parecer, é exatamente nos primeiros meses de vida que se pode contribuir, e muito, para a formação de uma personalidade com a autoestima necessária para se adequar ao mundo real. Nos primeiríssimos meses, o bebê tem uma dependência absoluta da mãe e esta deve suprir essa necessidade. Aos poucos, por volta do terceiro mês de vida, o bebê não tem mais essa dependência absoluta e cabe à mãe ajuda-lo a fazer essa transição. Mais tarde, lá pelos 7 ou 8 meses de vida, o bebê muitas vezes precisa se certificar que a mãe não desapareceu. É uma época em que, não raro, bebês dão uma chorada à noite e a simples aparição da mãe os acalma. Claro que, se a mãe não aparecer por 4 ou 5 noites, o bebê vai aprender” a dormir. Este é um bom exemplo de comportamento aprendido por condicionamento e não por incorporação de conhecimento e resolução de algum conflito ou “pensamento”.

Pode parecer que a tarefa de mãe seja impossível e que qualquer deslize vá gerar algum problema no bebê ou na criança. Não é assim. Winnicott, um psicanalista inglês que, antes de se tornar psicanalista, foi pediatra clínico por muitos anos, cunhou a expressão- mãe suficientemente boa. Não é preciso ser perfeita, mesmo porque essa perfeição é inexistente e persegui-la só gera angústia e ansiedade na mãe (e no bebê). Uma mãe suficientemente boa usa seu coração mais do que a sua razão. Basicamente, faz duas coisas muito importantes- holding e handling. O holding é, como o nome indica, segurar o bebê no colo. Acolher o bebê, acalentá-lo, sussurrar, acariciar. O handling é o manejo do ambiente. Cuidar para que a fralda esteja seca, a temperatura agradável, a luz e ruídos confortáveis. Simples assim!

Passada a fase de bebê, entrando nos primeiros anos de vida, a colocação de limites é fundamental. Crianças sem limites se tornam adultos com tolerância zero à frustração, não raro, agressivos ou violentos. Mas, a colocação de limites pode ser feita utilizando o reforço positivo mais do que a punição ou repreensão. Esta é importante, mas seu efeito, em crianças pequenas ainda é pouco eficaz. Em contrapartida, elogiar um comportamento desejável tem um poder enorme. Na nossa cultura, temos a crença, falsa, de que elogiar “estraga”. É o oposto, o elogio sincero, para comportamentos cotidianos que vão sendo incorporados reforça a autoestima da criança. É exatamente essa autoestima, que foi se formando do período de bebê e que se consolida nos primeiros anos de vida que vai poder dar ao futuro adulto condições de se adequar à realidade.

Claro que, a partir de certa idade, a prática de esportes, os exemplos do comportamento de adultos (como ensinar valores morais com palavras que dizem algo e ações que são o oposto?), serão complementos importantes para a formação de uma personalidade segura e com capacidade de se adequar à realidade.

Superproteção por um lado e humilhação pelo outro, têm uma grande chance de produzir adultos pouco adaptados à realidade.

Se eu tivesse que resumir, diria que carinho, cuidado, reforço positivo e limites, com bons exemplos em casa, são os ingredientes que podem facilitar o desenvolvimento de crianças felizes em adultos com potencial de se realizarem, enfrentando, com maturidade, os desafios da realidade que terão no futuro e que não sabemos quais serão. Só sabemos que serão, obrigatoriamente, diferentes dos de hoje! Por esse motivo, desenvolver a autoestima é mais eficaz do que ensinar padrões de comportamento que só servem para situações conhecidas. Diante do novo, inusitado e mutante, nossos filhos precisarão contar com a confiança nas suas capacidades e competências, inclusive a de ousar e aprender com tentativas e erros. Confiança que começa com algo tão simples e gostoso como um colo!

Este post foi originalmente publicado no blog http://4insiders.com.br/ onde  sou um dos colaboradores.

LIMITES

O tema sobre limites é amplo e complexo. Não tenho a menor pretensão de explorá-lo em profundidade, apenas abordar alguns pontos que sirvam para uma reflexão ou até mesmo assunto de conversa entre os pais.

Limites talvez sejam a maior constante nas nossas vidas. Nascemos quando um limite de espaço já nos deixa bem apertadinhos na barriga de nossas mães! Crescemos em uma sociedade que, tendo evoluído da bárbarie e combinado viver de forma harmônica, tem regras e obrigações a serem cumpridas, nos impedindo de fazer simplesmente o que queremos, quando queremos. Não só convivemos com esses limites sociais, mas, também, com aqueles relacionados à nossa condição humana. Nosso corpo adoece sem que isso seja do nosso desejo, nos impondo limites às atividades corriqueiras. Mesmo sem adoecer, temos limites do que conseguimos fazer com o corpo em termos de flexibilidade e resistência. Se formos além dos nossos limites sofreremos consequências. Não respiramos debaixo d´água, nem voamos. Limites, por toda parte!

Apesar dos limites fazerem parte da vida cotidiana, em qualquer nível que olhemos, precisam ser ensinados às crianças. Alguns limites são ensinados pela própria vivência e prática da criança. Pequenos “acidentes” ensinam aos nossos filhos. No entanto, não podemos deixar que apenas “acidentes” ensinem. Mesmo porque, muitos destes podem colocar em risco a vida de nossos filhos. Ninguém tem problema algum em colocar limites, de forma enérgica e objetiva, quando há algum risco para a saúde imediata da criança. Tiramos nossos filhos de perto da janela, independentemente do choro que possa fazer. Impedimos as crianças pequenas de pular na piscina sem bóias, ignorando seu desejo entrar sem bóia. Esses limites são fáceis de serem colocados. Mais difícil são os limites sutis.

Os limites sutis não são a mesma coisa que ser econômico com os elogios. Colocar limites não é sinônimo de reduzir a auto estima dos filhos. Podemos e devemos colocar limites e, elogiar em todas as ocasiões que couber um elogio (não só quando houver um feito “extraordinário”). A pergunta é: se todos nós sabemos que limites são importantes, por quê é difícil colocá-los? Talvez a razão mais óbvia (e menos elaborada) seja a de que todos nós gostamos de ser gostados e as chances de alguém gostar de nós, quando nos opomos a um desejo desta pessoa, diminui. Portanto, é normal e natural que fiquemos com o coração apertado ao colocarmos limites para nossos filhos. Esse aperto só piora quando a criança ou o adolescente são capazes de expressar, em palavras, sua ira e rancor, pronunciando uma frase que é como um punhal no peito dos pais: ” eu não gosto de você”, dito de diversas formas. É preciso ter um amor tranquilo pelos filhos para podermos ouvir  e acolher essa ira, que é passageira (garanto!) e seguir em frente, mantendo, com calma, o limite estabelecido. Acolher a ira não significa compactuar com o comportamento. Significa que não vamos responder na mesma moeda, com ira, mas podemos e devemos dizer que esse comportamento decepciona ou entristece. E é fundamental que, passada a ira da criança e do adolescente e esse faça um movimento de “desculpas”, ainda que disfarçado, estejamos prontos para aceitá-lo. Não raro, nossa raiva fica contida e, na hora em que nossos filhos desejam pedir desculpas, dizemos algo como: você foi feio e agora vem pedir desculpas? Estou chateado com você agora. Depois falamos. Ainda que seja uma resposta calma, dita em voz serena, implica em uma sentimento de raiva que se expressa de forma “vingativa” e não “produtiva”.

Limites são fundamentais para a proteção da saúde da criança, incluindo todos os cuidados com a segurança no sentido amplo (vacinas, dormir de barriga para cima, usar capacete, alimentação saudável, cadeirinha no carro, prevenir acidentes em casa etc.) mas também para a formação de uma personalidade que consiga conviver de forma harmônica e feliz, em grupo. De certa forma, crianças e adolescentes pedem que coloquemos limites, ainda que resistam a estes. Adolescentes que não recebem limites claros em casa, vão procurar fora, em situações de muito maior risco, como a velocidade com que dirigem um carro ou o uso de drogas. Adultos sem limites se tornam insuportáveis no convívio, se considerando o centro do mundo, desrespeitando outros, passando por cima de regras ou convenções de acordo com sua conveniência, incapazes de um relacionamento generoso. São pessoas que não sabem tolerar frustrações e estas (frustrações) fazem parte de nossas vidas. Por mais que não gostemos de sermos frustrados, a vida é assim. Portanto,ensinar limites é um ato de amor para a vida inteira de nossos filhos. Temos que trocar aquele desejo imediato de sermos amados e idolatrados pela certeza de que seremos lembrados, muito tempo depois de não estarmos aqui, por termos deixado um legado de saber viver bem e ser um adulto feliz.

Limites são difíceis de serem ensinados, não só porque queremos “ficar bem na fita” no curto prazo, com nossos filhos, mas também porque a sociedade em que vivemos nos dá dois tipos de exemplos negativos. O primeiro é com relação ao valor moral das leis e regras. Onde tudo é relativo e sempre há alguém burlando a lei, seja parando o carro em fila dupla (só um minutinho!), seja fechando contratos mediante propina, fica mais difícil se ensinar o valor do limite legal. O segundo é que em uma sociedade onde o consumo passou a ser sinônimo (falso) de felicidade, como não comprar e comprar cada vez mais, como manifestação de nosso carinho? A sociedade de consumo, por definição, não deseja limites. Vive exatamente da sensação criada de que sempre pode haver algo melhor ou mais moderno e que dependemos disso para sermos felizes. Nesse cenário, ensinar limites é bem mais difícil. Talvez, por ser mais difícil e complexo, muito mais necessário!

Como tudo tem limite, meu espaço para um post acabou, bem como a paciência de vocês, para ler! Espero que os tenha  sensibilizado para pensarem um pouco nos benefícios, de longo prazo, que os limites podem produzir nos filhos: uma vida mais integrada e feliz.

Como sempre, seus comentários serão muito benvindos.

 

DROGAS- A PREVENÇÃO COMEÇA EM CASA

Drogas, incluindo tabaco e álcool, são facilmente acessíveis a crianças e adolescentes. Como pais, temos um papel fundamental na decisão de nossos filhos usarem ou não drogas.

A prevenção do uso de drogas começa cedo e em casa. Duas ações, fáceis de se falar e difíceis de implementar, estão na base da prevenção, não só do uso de drogas, como de outros comportamentos de risco: conversar francamente e colocar limites.

Conversar francamente significa ter uma atitude aberta, acolhedora e honesta em uma conversa com seu filho ou filha. Isso não é fácil quando envolve assuntos mais “difíceis” para nós, adultos. Falar de drogas ou sexo, nem sempre é confortável, o que nos faz evitar ou postergar conversas sobre esses assuntos. Se não postergamos, frequentemente tornamos a conversa um monólogo onde nós falamos, emitimos nossas opiniões, frequentemente dogmáticas e, rapidamente encerramos o papo. Uma conversa franca, honesta, inclui ouvir nossos filhos. Saber suas opiniões, sem julgá-los, a priori. Se emitirmos um juízo a respeito de uma opinião de nossos filhos, corremos o risco de vê-los na defensiva e perdemos a nossa maior oportunidade de ajudá-los, que é mantendo um canal de comunicação aberto. Conversar honestamente é, também, lembra que fomos adolescentes e do que fizemos naquela época. Isso não deve servir de pretexto para tudo permitir, mas sim para mostrar entendimento genuíno pelo que está se passando.

Colocar limites é uma dificuldade para muitos pais. Seja porque a vida que levam os obriga a ver pouco os filhos e temem que, no pouco tempo que estão juntos, sejam percebidos como os chatos que dizem não a tudo. Seja porque não toleram uma reação de ira ou ódio dos filhos, ou ainda porque é mais fácil ou confortável deixar que a criança faça tudo, não transtornando a vida dos pais. No entanto, a colocação de limites é algo fundamental no desenvolvimento de uma criança e de um adolescente. Quando esse limite não é dado em casa, vão procurá-lo em atividades de maior risco, como dirigir em alta velocidade, usar drogas e outros comportamentos inseguros. Portanto, não temam colocar limites. Sejam firmes e enérgicos, sem deixar, por um minuto sequer, de serem amorosos.  Um bom exemplo de limite a ser imposto e que tem relação direta com o assunto de prevenção do uso de drogas é a proibição de consumir bebidas alcoolicas, antes dos 18 anos. Não podemos ser tolerantes com a ingestão de bebidas em festas de menores de 18 anos. Se os motivos de saude e comportamento de risco não fosssem sufcientes, é ilegal. Como ensinar segurança e cidadania a nossos filhos se permitimos que descumpram a lei?

Mais importante do que possamos dizer a nossos filhos, é o nosso comportamento. O que fazemos é uma das maiores influências que nossos filhos podem ter.

A seguir alguns tópicos para nossa reflexão (e ação!):

  • a prevenção começa quando falamos e escutamos nossos filhos, de forma aberta, franca e honesta.
  • passe mais tempo com seus filhos. Participe de atividades esportivas e/ou culturais. Mais tempo junto, de forma agradável e prazerosa, fortelece os vínculos e facilita a comunicação
  • ajude seu filho a fazer escolhas, incluindo amizades. Se passa mais tempo com seu filho e conversa sobre todos os assuntos, provavelmente terá a oportunidade de contribuir para que faça escolhas mais seguras ou saudáveis. Elogie comportamentos desejáveis e mostre os riscos de outros.
  • ensine seu filho a dizer não, de diversas maneiras. Uma das questões que mais aflije adolescentes é o da aceitação pelos seus pares. Por isso é muito difícil para eles, dizer não. Principalmente quando ingressam em um grupo mais velho, onde “rituais” de iniciação podem incluir desafiar o mais jovem a fazer “loucuras”.
  • estabeleça regras claras sobre o não uso de drogas. Não deixe a menor duvida com relação a valores e regras da família.
  • não use drogas ou tabaco. Se beber, faça-o com moderação e nunca dirija. Não dê o  mau exemplo de procurar no tweeter como burlar a lei seca. Lembre-se que suas ações transmitem mensagens mais poderosas do que suas palavras.
  • se informe sobre os reais efeitos nocivos das drogas. Saber explicar o que cada droga é capaz de fazer no organismo, ao invés de dizer algo genérico como- droga faz mal, dá mais credibilidade e qualidade à comunicação com seu filho.
  • corrija crenças equivocadas ou argumentos como: todo mundo bebe; maconha não faz tanto mal assim etc.
  • fale sobre a responsabilidade individual e as consequências das escolhas.

Não há nenhuma garantia de que nossos filhos não usarão ou experimentarão drogas. A curiosidade, associada à impulsividade e onipotência (nada de ruim vai acontecer comigo), são fortíssimos estímulos para que adolescentes façam “loucuras”. A manutenção de um canal de comunicação aberto, franco e acolhedor é fundamental para ajudar seu filho ou filha a atravessar com menos riscos essa etapa da vida.

Como sempre, se tiver algum comentário ou duvida, envie-a. Tentarei responder o melhor possível.