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PAPAI NOEL EXISTE?

Ora, até uma criança sabe a resposta a essa pergunta: claro que existe! Existe porque somos seres simbólicos e adoramos uma fábula. E não sãosanta só nossos filhos que adoram uma historinha. Nós adultos, mantemos esse fascínio por fábulas. Claro que não são mais histórias de princesas, dragões, porquinhos e bruxas. Mas, adoramos ouvir fábulas de suplementos, vitaminas, cremes, alimentos que fazem isso ou aquilo, novos exercícios que fazem perder milhares de calorias em poucos minutos, métodos para mantermos a memória ou aumentarmos a libido, livros que garantem a felicidade plena em 10 passos, sem esquecer a quantidade de pessoas que devolvem a pessoa amada em três dias! A lista de fábulas que nós adultos nos contamos mutuamente é interminável. E ainda temos a ousadia de questionarmos se Papai Noel existe!

A fábula tem uma função importante no desenvolvimento das crianças ao estimular a criatividade e contribuir para que elas lidem com as questões da vida, inicialmente de forma lúdica. Nesse contexto, não há nenhuma discussão a respeito da existência do Papai Noel. Só nos resta definir que Papai Noel vai existir. Como assim, existe mais de um Papai Noel? Sendo uma narrativa, existirão tantos Papais Noel quantas narrativas existirem. Mas, basicamente, existem dois Papais Noel e devemos escolher qual deles será o que vamos apresentar aos nossos filhos.

Existe o Papai Noel que representa a sociedade de consumo, trazendo presentes, se tornando o destinatário de listas intermináveis de pedidos. De alguma forma, esse Papai Noel existirá em todas as narrativas porque vivemos em uma sociedade onde o consumo é algo hipertrofiado e que, muitas vezes, preenche vazios existenciais das pessoas. Esse vazio não é só dos adultos que acabam confundindo ser com ter. Para muitos, o que eu tenho define quem eu sou. Como a possibilidade de ter é sempre infinita, a sensação de ser é frágil e sujeita aos modismos de consumo. Assim que eu acabo de comprar o tablet de última geração, me tornando alguém, lançam outro e passo a me sentir vulnerável, inseguro, por não TER o último modelo. Se os pais são consumistas ou mesmo que não sejam, mas por vários motivos se sintam “devedores” dos filhos (trabalham muito, por exemplo), podem tentar “compensar” com a compra de presentes. Esse Papai Noel é o do comércio que tenta nos confundir com mensagens que embaralham objetos, coisas, com afeto e emoção. Esse Papai Noel de listas enormes e pouco ou nenhum limite, é uma narrativa que ensinará nossos filhos a se tornarem consumidores vorazes, muitas vezes na tentativa de preencher uma lacuna que não é de coisas materiais. Esse é o Papai Noel que incentiva o egocentrismo porque a minha felicidade está em ter o que o outro não tem.

Existe um outro Papai Noel que representa a bondade, solidariedade e generosidade. Um Papai Noel que fala sobre quem somos, antes de falar sobre o que temos. Um Papai Noel que recebe uma cartinha onde eu conto o que eu fiz no ano que passou e não só uma lista do que eu quero. Quando pedimos a nossos filhos que escrevam contando o que fizeram, estamos dando a oportunidade (e o aprendizado) de que parem um minuto para pensar nas suas realizações e não só nos seus desejos de possuir algo.  Um Papai Noel que tem limites nas possibilidades de presentear, que associa presentes a algum mérito e que coloca cada criança como fazendo parte de um universo de outras crianças (ele tem muito trabalho, precisa visitar todas as crianças), fazendo com que cada uma se sinta especial, mas não única. Esse Papai Noel é o do afeto e do carinho. É o que ensinará nossos filhos que as coisas (objetos) fazem parte das nossas vidas e nos dão muito prazer, mas que nossa felicidade não pode ser definida pelo que temos e sim por quem somos. Somos humanos e como tal, seres carregados de emoção e empatia, além de, também, sermos racionais. Somos, originalmente, gregários, dependendo uns dos outros. Podemos (e somos) diferentes em muitas coisas, mas, nem melhores, nem piores do que ninguém. Esse é o Papai Noel que incentiva a solidariedade porque, diferente do que ocorre com objetos, quanto mais dividimos emoções e sentimentos, mais se multiplicam.

Cada família vai escolher qual narrativa de Papai Noel quer para si e, consequentemente, para seus filhos.

Um Natal alegre e afetivo para todos!

NATAL É EMOÇÃO ( E NÃO RAZÃO)!

santa-claus3Se fossemos  só racionais, não poderíamos celebrar o Natal, no dia 25 de dezembro. Nesta data, os cristãos celebram o nascimento de Jesus e, com ele,todo o simbolismo da renovação e esperança. Mas, Jesus não nasceu no dia 25 de dezembro. Não sabemos exatamente quando ele nasceu, mas, esta data, 25 de dezembro, foi definida pela Igreja em meados do século IV. Mas, isso não importa.

Se fossemos só racionais, não poderíamos celebrar o Natal utilizando a figura do Papai Noel, simplesmente porque ele não existe. E, como sabemos, racionais, se atém aos fatos demonstráveis. Mas, isso não importa.

Ainda, se fossemos só racionais, não utilizaríamos, no Brasil, um pinheiro conífero para ser o símbolo da árvore de Natal . Mas, isso não importa.

Com tanta propaganda (enganosa) de que o ser humano é racional, como é que celebramos o Natal, no dia 25 de dezembro? A resposta é simples: seres humanos, ainda que sejam capazes de utilizar a razão, são seres simbólicos. A emoção precede a razão. Olhamos para uma pessoa e antes que ela diga qualquer coisa, já fizemos uma avaliação. Seja pela roupa, asseio pessoal, adereços (todos símbolos), na nossa cabeça, formamos uma opinião prévia (e irracional) a respeito dessa pessoa. Quando vemos uma obra de arte ou ouvimos uma música, não precisamos conhecer nada sobre teorias, técnicas, escolas, história, para dizermos se gostamos ou não do que estamos vendo ou ouvindo. Esse gostar vem da emoção que é despertada em nós pela visão ou audição. E isso é o que importa!

O Natal é uma emoção! Emoção, do latim, significa um movimento para fora (ex- para fora; movere- movimento). E o que se move para fora? Aquilo que normalmente fica trancado (pela razão?)  que é a nossa essência, nosso eu (sem tecnicalidades psi). Ao se mover para fora, pode encontrar o outro, o semelhante (ou diferente) humano. É nesse movimento para fora que se dá o nosso encontro. O encontro dos seres humanos não se dá na razão. Até nesta, há emoção. Ao ouvirmos um brilhante palestrante, ficamos encantados (emoção) com sua ideias (razão). Matemáticos, que conversam nessa língua universal que são os números, costumam falar em beleza de equações. Isto é, se emocionam ao ver o belo, nos números, tanto quanto nós, nas artes.

Muitas pessoas, extremamente racionais, entre as quais eu me incluo, podem sentir algum desconforto com um momento como este, emotivo e afetivo. Em geral se prendem aos aspectos racionais “brigando” contra o Natal, como o personagem Grinch, que odiava o Natal. Ficamos, suponho, muito assustados com a impossibilidade de controlarmos nossos sentimentos, enquanto a racionalidade nos dá uma sensação (ilusória?) de controle e segurança. Minha contribuição, “anti-Grinch” é este post!

Pouco importam as datas e os fatos objetivos relacionados ao Natal. Pouco importa a febre consumista que nos faz ficar obcecados com a compra de presentes e emoções Chagall2irritados com ruas e lojas lotadas. Pouco importa uma certa hipocrisia em que votos são repetidos como uma fórmula de boas maneiras. Há no Natal, uma anistia para a ditadura da razão e podemos, por alguns momentos, olhar para o outro, abraça-lo, beijá-lo e nos  sentirmos humanos, solidários, juntos.

Meu abraço carinhoso em cada leitor, na expectativa que o Natal, nos mostre que ser afetivo é gostoso para os adultos e fundamental para o desenvolvimento saudável dos nossos filhos. Nesse Natal, além dos presentes, sempre divertidos e bons de recebermos,  que tal darmos um abraço bem apertado em amigos queridos, companheiras e companheiros, pais, irmãos e filhos? Um abraço, sem dizer nada, dizendo tudo!

 

 

FAMILIA S.A.

Cultura é o conjunto de comportamentos de uma determinada população, em uma época. Esta é uma definiçãoreuniao-domestica_2
simplista, portanto incompleta e superficial do que seja cultura. Mas, seu uso é apenas para este post, sem pretensões mais profundas ou complexas.

Em geral, pensamos em cultura como algo externo a nós. Seja algo que aconteceu no passado, seja uma manifestação artística ou até um padrão de comportamento de outro lugar que não o que vivemos. Dificilmente nos percebemos como participantes da cultura. Mas, se cultura é o conjunto de comportamentos, os meus, obrigatoriamente, estão inseridos ou influenciados pela cultura. Alguns exemplos de como a cultura, até certo ponto, nos modela: hoje se uma menos do que há alguns anos atrás. Não só houve uma divulgação maciça dos malefícios do fumo, como os não fumantes se tornaram mais intolerantes com os fumantes. Em contrapartida, comemos mais fast food do que nunca. A saúde virou item de consumo e há uma pressão para que nos exercitemos. Em alguns momentos, a tecnologia contribui para uma introdução de novos hábitos que, ao se tornarem rotineiros, se integram na cultura. A luz elétrica permitiu que nossos dias acordados fossem mais longos. Com isso, ganhamos lazer, diversão, trabalho e perdemos sono! A pílula anticoncepcional não mudou a libido das mulheres, apenas fez com que o medo da gravidez, que moderava o comportamento feminino, fosse superado. A informática nos conectou 24 horas por dia, 7 dias na semana. Compramos livros às 3 da manhã, como se sempre tivesse sido a coisa mais natural do planeta! Poderia encher o post de exemplos de como a cultura está dentro das nossas vidas, determinando comportamentos que consideramos naturais. Cultura não é aquela coisa de museu. Cultura é a vida que levamos, todos os dias.

Com a revolução industrial surgiu a necessidade de desenvolvermos mecanismos de controlar e garantir a qualidade, lucratividade e sustentabilidade das empresas. Nascia a administração de empresas com uma série de ferramentas indispensáveis. Estas foram se sofisticando à medida que a tecnologia permitia mais velocidade e complexidade (já houve uma época em que uma HP12C era a ferramenta do gestor!) no processo de coleta de dados e tomada de decisões. O mundo percebeu a enorme vantagem de negócios bem administrados: lucro, assegurando crescimento, inovação e mais empregos. Planilhas Excel e Powerpoint passaram a fazer parte da vida do gestor. Eficiência, eficácia e um mundo de palavras em inglês foram incorporadas à vida cotidiana: downsizing, outsourcing, P&L, EBITDA, team building, deliver, mission, vision, values e por aí vai.

Até aqui tudo bem. A questão é quando uma determinada prática, desenvolvida para um cenário, se esparrama e ocupa a vida, sem  nos darmos conta. Ou, pior, nos damos conta e achamos que isso é bom. Famílias passaram a responder à lógica dos negócios, se parecendo com empresas. Os pais fazem o equivalente a um business plan, definindo o momento ótimo de ter o primeiro filho. Este, nascerá de parto cesáreo numa sexta à tarde, o que permitirá ao pai estar lá, sem perder a reunião de diretoria. A mãe e o bebê terão alta no domingo. Logística perfeita. Quando o bebê nascer, mãe e pai já terão feito uma análise das diversas formas de se cuidar de um bebê e terão optado por um dos diversos métodos disponíveis em livros e, sobretudo na internet. Antes do nascimento, já terão escolhido escolas, baseado na melhor relação custo/benefício de aprovação no vestibular.

O bebê chega em casa e, infelizmente, não fez a Harvard School of  Business. Ele ainda não sabe desse mundo eficiente, competitivo, meritocrata, onde o empreendedorismo é premiado. Ele sabe  mamar, chorar e fazer cocô. Não necessariamente nesta ordem. Não necessariamente em ordem alguma. Por mais que os pais coloquem as mamadas e trocas de fralda em aplicativos de previsão, nada parece funcionar. Um recém nascido é um rebelde por natureza, se parecendo mais com a meteorologia (imprevisível) do que com o budget forecast! Os pais entram em pânico e resolvem terceirizar o cuidado para quem sabe. O princípio da expertise, da especialização, entra em cena. Uma babá experiente é o que precisam. Melhor ainda se a babá se apresentar com um cartão de visitas que diz – Enfermeira. Algo como você ser recebido pelo gerente do banco cujo título é Vice-Presidente de Relacionamento Pessoal! Os pais acreditam que aquela empresa (Enfermeira S.A.) tem o know-how necessário para cuidar do bebê. Coisa que, apesar das tentativas feitas, eles se mostraram incompetentes. Afinal, Enfermeira S.A. está no mercado há tantos anos, certamente sabe mais de bebês do que eles, pais de primeira viagem. Claro que ela sabe mais de bebês, no  plural, mas, não sabe nada sobre aquele bebê, singular.

Os finais de semana são planejados em função de melhor otimização do tempo. Não há tempo para se perder, nunca. Viagens são feitas de acordo com a melhor época para se fazer compras, rentabilizando cada centavo. Informática e eletrônica são oferecidos à criança para que se familiarize com o mundo e possa se tornar competitivo. Livros e sucata doméstica, são coisas ultrapassadas, uma perda de tempo.

À medida que a criança cresce, passa a ter uma agenda de executivo. Escola todas as manhãs, tênis às segundas e quartas, judô ou ballet terças e quintas, inglês quartas e sextas e, pelo menos uma atividade para o desenvolvimento das habilidades de mentais e de cálculo. O mundo é assim, gostemos ou não, suspiram os pais, orgulhosos.

E assim, segue a Familia S.A., sem se dar conta de quanto a cultura empresarial invadiu a vida privada de todos nós. É claro que planejar é preciso. Assim como controlar o orçamento doméstico e fazer escolhas a respeito de escolas e atividades. É óbvio que a tecnologia é um enorme avanço e faz parte da vida , incluindo a das crianças. Mas, Familia S.A. não tem algo fundamental para o desenvolvimento do ser humano: vínculo e afeto.

Vínculo e afeto acontecem quando a lógica não é a da preformance, das metas e resultados. A lógica é do relacionamento. Relacionamento é lento. Relacionamento é difícil, exigindo respeito à individualidade do outro. Relacionamento é colocar limites e elogiar. Relacionamento é emocionar-se, rir e chorar juntos. Relacionamento é ilógico e irracional, às vezes. Como sentar juntos, em silêncio, e ambos olharem na mesma direção.

Na vida em família significa aprender com o bebê, confiando no que sabemos como humanos. Se traduz em sentar para ler um livro, sem pressa, ou brincar deitado no chão com uma caixa de ovos vazia e um barbante. Jantar juntos, sem TV ligada, sem celular, conversando. Perguntar sobre a escola, cobrando performance, mas, querendo saber se está feliz. Mudar um plano porque algo mudou, inesperadamente.

Família não é meta a ser atingida, é prazer a ser vivido. Sejamos eficientérrimos nos nossos trabalhos. Na família, sejamos amorosos.

 

OS CINCO VETORES DA SAÚDE

Para quem me conhece ou lê estvetor1e blog com alguma regularidade, o título deste post deve ter soado estranho! Não costumo quantificar meus comentários, muito menos “ensinar regras”! Mas, algumas pessoas já devem me ter ouvido dizer que, se eu tivesse a falta de caráter necessária para escrever um desses livros de fórmulas de sucesso, receitas de saúde, segredos da longevidade, caminhos da felicidade, obrigatoriamente teria um número no título. Sempre achei que esse tipo de livro, com um número na capa, venderia muito mais! Pois bem, resolvi brincar com essa ideia e, ao mesmo tempo, matar o meu desejo de publicar algo com um número na capa (ou título).

Portanto, aviso aos navegantes deste post que o título é uma brincadeira e que não pretendo “revelar” cinco segredos guardados há milênios por monges tibetanos, guerreiros africanos ou índios da América Central! O que pretendo é abordar cinco grupos de ações que podemos implementar nas nossas vidas e, mais importante, ensinar aos nossos filhos, deixando um potencial caminho de saúde para que eles trilhem pela vida. 

Um segundo aviso é de que nada do que lerão aqui é novidade. Ora bolas, se não é novidade por que estaria eu usando meu tempo e o de vocês para escrever o que já é sabido? Porque existem conhecimentos importantes que vão sendo empurrados para o esquecimento, por uma sociedade de consumo onde a novidade é sempre melhor do que o que veio antes. Isso, que  pode ser válido para produtos e serviços, não é, necessariamente, para os valores e conhecimentos dos seres humanos. Não falo de novos equipamentos diagnósticos, mecanismos de doenças e vacinas. Estes progressos substituem conhecimentos prévios, mas, são baseados em tecnologias de produtos onde novos equipamentos nos permitem olhar a natureza de uma nova forma ou desenvolver novas drogas. Falo de um conhecimento a respeito de quem somos e o que estamos fazendo por aqui. Essa é uma conversa que tem mais de dois mil anos de registros e, se escolhermos qualquer texto, de qualquer época, quase que certamente terá alguma atualidade ou aplicabilidade, nos dias de hoje. O ser humano, ou a essência do ser humano é a mesma desde que surgimos como espécie falante, há cerca de 60 mil anos ! Este post é sobre cinco aspectos da nossa natureza que podem contribuir para nossa saúde e que, muito provavelmente, se beneficiam com o progresso tecnológico, mas, não são alterados por este.

  1. AFETO  Começo por este vetor porque costuma ser um relegado a um segundo plano. Como se o ser humano fosse uma máquina pensante e não um ser relacional, simbólico. Todo ser humano precisa de carinho, reconhecimento, cuidado, para se desenvolver e viver bem. O afeto começa antes do nascimento e continua pela vida afora. Carinho não é deixar a criança ou adolescente fazer tudo. Pelo contrário, significa cuidar e inclui colocar limites, forma importante de expressarmos nosso amor. O afeto é o que nos une aos amigos, à família e aos amores. A saúde está diretamente associada à nossa capacidade de relacionamento e esta, em grande parte, vem do modelo que recebemos quando crianças. Assim, os pais têm uma função importante no desenvolvimento da capacidade afetiva dos filhos. Não existem métodos para desenvolver essa capacidade. Pais afetuosos, carinhosos, respeitadores dos ritmos dos filhos, produzem um ambiente favorável a que estes sejam pessoas com boa capacidade de relacionamento. Pais que se permitem sentir mais e pensar menos (no quesito afeto), darão a seus filhos o que estes precisam para uma vida emocional saudável.
  2. ALIMENTAÇÃO –  Nossa saúde está diretamente relacionada à alimentação. Doenças como a hipertensão arterial, alguns tipos de câncer, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, a obesidade com suas consequências, são alguns exemplos conhecidos por todos, associados a uma alimentação inadequada ou incorreta. Alimentação é aprendizado. Ninguém nasce gostando de cheeseburguer ou brócolis! É preciso que sejamos apresentados a estes alimentos para podermos desenvolver um paladar e, consequentemente, um hábito alimentar. Se os pais possuem o hábito de comer cheeseburguer, dificilmente conseguirão que seus filhos comam brócolis! Uma boa alimentação não é nada sofisticado, nem precisa de pediatra ou nutricionista para orientar. Nossas avós sabiam exatamente o que era uma boa alimentação e  não incluía barrinhas, suplementos ou polivitamínicos. Se quiserem um pouco mais de informação a respeito de uma alimentação saudável, vejam o post Prato Saudável.
  3. ATIVIDADE FÍSICA- A atividade física é inerente ao ser humano. A criança corre, brinca, pula, sobe em árvore, revira as coisas, em constante atividade. A tecnologia e o progresso, contribuem para nossa inércia. A cultura também, com menos espaços livres, apartamentos menores e ambos os pais trabalhando, fazendo com que tudo que “distraia” a criança seja bem-vindo. Assim como a alimentação, se os pais são sedentários, será muito difícil introduzir hábitos de atividade física nos filhos. Atividade física também tem um aspecto secundário importante, ao contribuir para o vínculo entre pais e filhos. Andar de bicicleta, passear, soltar pipa, jogar um jogo ou esporte, são atividades que envolvem o corpo e o afeto. Tanto isso é verdade que muitos de nós temos vivo na memória momentos de atividade com nossos pais. A lembrança, em geral, é da parte afetiva, mais do que da física.
  4. SONO- Raramente nos lembramos que o sono é um elemento vital para a nossa saúde. Isso nunca foi um problema para os seres humanos, até a criação da iluminação artificial. Até esse momento, o que tinha que ser feito se fazia durante o dia e a noite era dedicada ao sono. Dormíamos mais e, assim, estávamos, mais bem dispostos para as atividades do dia. Hoje, vivemos em uma sociedade 24/7, 24 horas, sete dias na semana. Dormir é um desperdício de tempo e a tentação de produzir ou consumir (dois lados da mesma moeda) é enorme. Mas, nossa saúde física e mental depende de um sono quantitativa e qualitativamente bom. O sono exige uma certa rotina ou ritual que os pais devem introduzir na vida de seus filhos.
  5. TEMPO PARA SI- O ser humano tem necessidade de um tempo que eu chamaria de tempo da espécie. O calendário e o relógio são medidas de tempo que não se encontram na natureza. São criações artificiais do homem, importantíssimas para organizar nossas vidas, mas, que não dão conta de todas nossas necessidades. O ser humano saudável precisa de um tempo que é só seu. Podemos chamar esse tempo de reflexão, contemplação, meditação, oração ou qualquer outro nome que nos ocorra. É um momento onde a mente se esvazia ou se deixa preencher pelas sensações ao redor, sem análise, juízo ou tentativa de classificar e controlar. Nossa saúde precisa desses momentos que são diferentes do relaxamento produzido pelo sono. Como pais, podemos ajudar nossos filhos a desenvolverem a capacidade de ficarem sozinhos, ainda que estejamos por perto. Não estimulá-los 24h. por dia, não sentir necessidade de oferecer uma programação seguida da outra. Deixar a criança brincando, lendo, desenhando, sem estímulos externos, sem perguntas que interrompam aquele momento da criança, é uma forma de ajudá-las a desenvolver essa habilidade. Podemos ajudar com nosso exemplo ao termos nossos momentos de reflexão ou até de compartilhar um pôr do sol em silêncio. Tempo da espécie é um tempo que também está sendo empurrado para o esquecimento, substituído pelo tempo da eficiência máxima, do fazer constante. Podemos ensinar aos nossos filhos como ser eficientes e, preservar um tempo para si. Uma coisa não elimina a outra.

Chego ao final do blog e me dou conta de algo que não tinha pensado, ao começar a escrevê-lo. Juntei os cinco vetores e o que eu obtive foi algo como: a saúde de nossos filhos depende de uma família (afeto) que jante junto (mais afeto), comendo de forma saudável (alimentação). Depois do jantar, um pouco de conversa (mais afeto) e um rotina para colocar as crianças na cama (mais afeto e a preparação para um sono reparador). Quando tiver uma oportunidade, a família vai passear ao ar livre ou fazer algum esporte (mais afeto e atividade física). O silêncio vai ser praticado ocasionalmente e se as pessoas quiserem ficar sozinhas, serão respeitadas (mais afeto e tempo para si).

Nenhuma novidade! Ou, talvez, a novidade seja exatamente essa. Vamos parar de procurar novidades, onde o que somos (seres humanos) é a resposta para a pergunta- como posso ajudar meu filho a ser mais saudável? Sejamos o que sempre fomos, sem medo de sermos considerados ultrapassados ou antiquados!

CRIANÇA SENTE ANSIEDADE?

bebê ansisosoComeço este post informando que não pretendo abordar o assunto da ansiedade em crianças seguindo nenhuma teoria psicológica ou psicanalítica. Existem vários autores e estudos, de excelente qualidade, que tratam do tema. O meu objetivo com o post de hoje e trazer o assunto à tona e abordá-lo de uma forma simples, objetiva, que nos faça pensar um pouco sobre o tema.

Meu interesse por abordar o assunto da ansiedade em crianças surgiu do relato de pais, a respeito do comportamento dos seus filhos, e das perguntas feitas. As situações poderiam ser as mais diversas, como por exemplo, um bebê que vinha dormindo muito bem e, de repente, passou a acordar à noite. Em geral, esse tipo de relato se dá com bebês em torno dos 8 ou 9 meses. Outros pais relatam que os filhos comiam muito bem, mas, de uns tempos para cá, “cismam” com determinados alimentos. Também ouço histórias de crianças que estavam adaptadas na creche e que, sem motivo aparente, passam a não querer ir, se agarrando na mãe aos prantos. Existem as crianças que roem as unhas, os que mentem, os que trazem objetos que não lhes pertencem para casa. Crianças podem acordar à noite morrendo de medo de ladrões, bruxas, dragões, a loura do espelho ou qualquer coisa! Algumas crianças não param quietas, outras parecem não querer fazer nada. Algumas são contestadoras, agressivas. Outras, ignoram seus pais, falando pouco ou nada.  Tem criança que não gosta de estudar e tem as que apesar de estudar muito, tiram notas baixas. Algumas crianças apresentam sintomas ou queixas: dor de cabeça, dor de barriga, constipação, sem uma aparente causa que os explique.

Vejam que a lista de comportamentos é bem grande e está longe de conter a diversidade de comportamentos que crianças podem apresentar. O interessante é que, muito provavelmente, nada do que eu relatei acima será novidade para quem estiver lendo este post. Ou já viveu isso com seus filhos ou já ouviu histórias de familiares e amigos relatando coisas parecidas.

Claro que para cada situação, é preciso uma avaliação individualizada. Não é possível se criar fórmulas ou receitas prontas, nem se fazer um diagnóstico único para cada comportamento descrito acima. Apenas usei esses comportamentos para dizer que, uma das perguntas que precisamos fazer, quando estamos diante de uma mudança de comportamento,  é-  seu filho pode estar sentindo alguma ansiedade?

Esta pergunta, quase que invariavelmente, produz uma reação de surpresa nos pais. Ansiedade? Doutor, criança tem ansiedade? O que poderia produzir ansiedade em uma criança que tem tudo que precisa?  É sobre esse espanto e perguntas que eu gostaria de fazer alguns comentários.

Esse espanto, em grande parte, vem do nosso entendimento do que seja ansiedade, do ponto de vista do adulto. Portanto, não é preciso escrever um post para dizer que crianças não possuem ansiedade com relação à manutenção do emprego, dinheiro, casamento ou relacionamento. Para nós, adultos, o mundo da criança é um sonho, onde todas suas necessidades são atendidas e elas não têm outra coisa a fazer na vida que não seja se divertir. Claro que as interrompemos para tomar banho, comer e ir dormir, mas, convenhamos, isso é pouco para produzir ansiedade. Portanto, na nossa visão de mundo, de fato, as crianças não teriam motivo para se sentirem ansiosas.

A questão é que não lembramos da visão de mundo que tínhamos quando éramos crianças nem temos acesso a ela agora que somos adultos. Só nos resta fazer um exercício de imaginação. Imaginemos que somos um bebê de 9 meses e estamos descobrindo que nossos pais desaparecem. Eles saem do quarto, saem da casa, somem do nosso campo visual. Em questão de segundos, nos vemos sozinhos e já temos essa consciência de que estamos sozinhos. Será que essa sensação de solidão, abandono, sem a certeza da volta do pai e da mãe, seria motivo para sentir ansiedade? Imagine-se adulto, em um aeroporto estrangeiro, onde o policial lhe pede para esperar em uma sala, sozinho e lhe diz, fique tranquilo, eu voltarei. E ele volta, não o libera, diz que só precisa de uma confirmação de algo e que vai voltar. Claro que, adultos, lógicos, racionais, não sentiremos nem um pouco de ansiedade. Ora, se ele disse que vai voltar, basta esperar. Pois bem, acho que todos nós ficaríamos muito ansiosos. O policial volta, diz que está tudo bem e nos deseja uma agradável estadia no seu país. Será um alívio, mas, já teremos passado por um momento de ansiedade (sem motivo, afinal de contas ele disse que voltaria e que só precisava fazer uma verificação!).

Imaginemos que temos 3 anos e vamos para a creche. Já aprendemos que nossa mãe ou pai nos deixa lá, desaparece, mas, alguém vai reaparecer para nos buscar. Entramos, brincamos, brincamos mais, lanchamos e nos buscam. Um dia, nos interessamos pelo brinquedo de um amigo e o pegamos. O amigo chora, a professora nos diz que é feio pegar o brinquedo do amigo e que devemos devolvê-lo. Ora, é feio pegar o brinquedo do amigo para alguém inserido na cultura, com valores de civilidade e cidadania, em uma palavra, educado. Mas, aos 3 anos, isso ainda não é compreensível. Um limite nos é imposto, sem que concordemos com ele. Como ainda não temos a noção do que é justo ou injusto, o sentimento que podemos ter é de desconforto, irritação. No dia seguinte a cena se repete. No outro dia idem. Essa tal de creche é um lugar que eu não quero mais ir e, no caminho, me agarro na minha mãe, desesperado com a possibilidade de ser, uma vez mais, frustrado.anxious-boy

Imaginemos que temos 9 anos. Somos grandes. Nossos pais nos falam coisas estranhas sobre ser adulto, ter responsabilidades. Nos falam que nossa única responsabilidade é estudar e tirar boas notas. Como se a nossa vida não tivesse outras responsabilidades como a de descobrir como tudo funciona, testar limites, brincar, se enturmar e, mais importante, ser reconhecido pelos amigos. Tanta coisa importantíssima para ser feita e ainda nos impõem a exigência de boas notas na escola, o que significa fazer deveres (uma perda de tempo total) e estudar (coisas sem a menor aplicação prática). Nesse cenário, vem o dia da prova. A figura dos pais preenche nosso imaginário e antecipamos a reação que terão, caso a nota seja baixa. Qual nosso sentimento, nesse momento? Relaxamento total, tranquilidade e serenidade ou, ansiedade?

Não vou deixá-los ansiosos com mais exemplos. Queria apenas mostrar que crianças possuem os seus motivos, para sentirem a sua ansiedade. Eles não entendem como podemos ficar ansiosos com os nossos motivos, porque não fazem o menor sentido para eles. O que me parece importante, sem ser nenhuma grande teoria, é que devemos aceitar que, só porque algo não faz sentido para nós, não significa que não possa fazer muito sentido para outros. Também deveríamos evitar procurar lógica onde o que está em cena é a emoção. Lembrem-se do exemplo de ficarmos em uma sala no aeroporto…. Ansiedade pode ter fatores desencadeantes e, geralmente, tem. Mas, não precisa ter lógica. Nossa vida não é exclusivamente lógica, nem a dos nossos filhos. Seres humanos, em qualquer idade, são simbólicos, afetivos e emotivos. A lógica se instala depois desses sentimentos. Estes sentimentos, em todos nós precedem e são mais profundos do que a racionalidade. Apesar da propaganda (enganosa) de que somos animais racionais!

Vejam que não abordei, a questão da ansiedade dos adultos e/ou do ambiente, como passível de ser percebido pelas crianças. Certamente percebem e são mobilizadas por nossas emoções. Muitas vezes, por ainda não terem desenvolvido plenamente uma capacidade crítica, se sentem (simbolicamente), responsáveis pelo que se passa conosco, gerando ansiedade nelas.

O que eu gostaria de propor com este post é que pensemos que nossos filhos tem motivos de sobra (os deles) para se sentirem ansiosos. Cabe a nós acolhê-los, aceitar e respeitar esses momentos, tentando minimizar os fatores desencadeadores e, principalmente contribuindo para que desenvolvam segurança e auto estima para enfrentarem as ansiedades que a vida sempre nos reserva. Não se trata de fazer todas as vontades dos filhos, nem tampouco de não impor limites ou ensinar a importância do convívio harmônico. Muitas manifestações de ansiedades podem ser exatamente porque os limites não estão sendo dados e a crianças se sente solta, sem amparo, insegura.

Só porque algo acontece no imaginário, irracional, não significa que não seja real. Ou, a imaginação não faz parte da realidade humana? Educar os filhos é percorrer esses caminhos menos retos, concretos, mais cheios de nuances, sutilezas e paradoxos. Os caminhos das certezas absolutas não são os da educação, mas os do adestramento. Nesse, as crianças terão que sentir suas ansiedades de forma solitária e reprimida. Lhes faltará o afeto acolhedor, que todos nós sabemos dar se ouvirmos mais nossos corações.

CADÊ O MANUAL?

manual do bebêDepois de nove meses imaginando um bebê, ele chega! A alegria se completa quando o pediatra se vira para os pais, ainda na sala de parto e diz: está tudo ótimo, ele é normalíssimo. Do lado de fora, avós, familiares e alguns amigos mais próximos, colam os rostos no vidro do berçário, esperando a chegada do bebê. Assistem à primeira pesagem e já fazem comentários sobre o vigor do choro e até arriscam alguns palpites de “com quem se parece”? É uma euforia que mal dá para parar e pensar no que está acontecendo. Um furacão na vida dos pais.

Dois dias depois, chegam em casa. Agora, sozinhos. Isto é, onde eram dois e um bebê imaginado, sonhado, são três. O casal e um bebê de verdade. E o bebê de verdade começa a fazer coisas que não estavam nos sonhos. Ele soluça (será normal, como fazer para parar?), espirra (será que já pegou um resfriado?) e faz uns barulhos pelo nariz (está entupido, não respira direito, o que faço?). Para completar a cena, o bebê chora. E como chora! Será a fralda? Frio? Calor? Fome? Verifica tudo, coloca no peito e não pega direito. Tiram do peito e o bebê golfa (será que tem refluxo?) e chora. Os pais se lembra de tudo que leram, dos cursos ou palestras que assistiram e nada parece funcionar. Se entreolham e, silenciosamente, se perguntam: cadê o  manual?

Com em um filme, o diretor diz: corta! A cena já muda para uma casa com uma criança de dois anos de idade. Uma adorável criança que corre para lá e para cá, diz coisas engraçadas e é alegria em pessoa. Mas, essa mesma criança anda um pouco cheia de vontades. Não come mais nada que seja verde. Só de ver um verdinho mínimo no prato, o empurra, chuta a cadeira e abre o berreiro. Você conversa, brinca, distrai. Não funcionando, fala com mais energia, adverte e ameaça um castigo. A adorável criança berra com mais força e você se você obrigado(a) a cumprir a ameaça de castigo: vai para o seu quarto e pensa um minuto. É o minuto mais longo da sua vida, você se sente um(a) desalmado(a). Sem explicações, a tempestade passa e lá está a adorável criança, brincando novamente. Na hora de dormir, novo drama. Quero isso, quero aquilo, deita, levanta e vem atrás de você. Depois, o cansaço toma conta e se expressa por irritação e choro. Chora tanto que engasga. Ao engasgar, tosse. Tossindo, vomita. E vocês se entreolham e, silenciosamente, se perguntam: cadê o manual?

O diretor do filme grita: corta! E a cena muda para uma casa onde vive um adolescente. Pouco importa se menino ou menina. Um adolescente. A vida tranquila cede espaço a uma negociação permanente. Arrumar o quarto, deixar o banheiro minimamente usável pelo próximo, comer com modos, cumprir combinações, exigem negociações intermináveis. Discussões sobre o valor de cada coisa que é pedida e desabafos sobre a injustiça cósmica que se abate sobre o adolescente. Claro que todos os outros pais são muito mais legais e permissivos do que vocês, pessoas ultrapassadas, sem noção! No jantar, perguntas embaraçosas sobre sexo e drogas. Tudo é um teste e um pedido de limites. É preciso estar atento o tempo todo, sem temer o enfrentamento e a colocação dos limites, aguentando o rancor que essa atitude gera. Numa noite onde o jantar transcorre de forma surpreendentemente calma, o adolescente pergunta: posso fumar maconha em casa? Passado o susto da pergunta, vocês se entreolham e, silenciosamente, se perguntam: cadê o manual?

Centenas de manuais são escritos a respeito de tudo que se possa imaginar. Existem manuais que ensinam como trocar fraldas com uma só mão, submergir o bebê sem afogá-lo, desfraldar com 6 meses, desenvolver a inteligência emocional da criança de um ano, dormir a noite toda, comer legumes e verduras com enorme prazer etc. A lista é interminável. Isso sem contar com a internet, onde é possível se encontrar de tudo. Mas, tudo que foi escrito, principalmente os livros que ensinam como devemos agir, o que devemos fazer, ou levam em conta estatísticas  com suas médias ou experiências pessoais. Ninguém escreveu um manual sobre o seu filho porque ele é único. Ele não é uma média (ninguém é), tampouco se encaixará na experiência de outros pais com seus filhos.

Em um mundo onde há uma cobrança permanente por performance, não há espaço para a insegurança e o aprendizado que constroe o conhecimento objetivo e revela os afetos que contribuem para o desenvolvimento dos nossos filhos. Nesse mundo, os manuais triunfam e aí de você ou do seu filho se não se encaixarem nos padrões! Vocês têm problemas, sérios!

Meu post de hoje é para dizer o oposto. NÃO COMPREM MANUAIS. SE COMPRAREM, NÃO LEIAM. SE LEREM NÃO LEVEM A SÉRIO. SE LEVAREM A SÉRIO E SE SENTIREM NÃO ENCAIXAR, JOGUEM FORA O MANUAL! É O MANUAL QUE ESTÁ ERRADO, NÃO VOCÊS!

Só existe um manual para nossos filhos e este não está na razão e sim na emoção. Faça o que o seu coração sinalizar, temperando com sua experiência de vida e uma dose de bom senso. Esse é o manual que funciona. Os outros, só nos deixam mais inseguros e os autores mais ricos.

Dá um certo medinho, sempre (estou fazendo certo?). Mas, é o que de melhor podemos dar para nossos filhos. Se não fosse, um i-pad com um aplicativo chamado “pais perfeitos” cuidaria de nossos filhos. Estes não precisam de pais perfeitos. Precisam de pais afetivos, suficientemente bons.