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COLESTEROL É PROBLEMA SÓ DE ADULTOS?

A doença cárdio-vascular (infarto, acidente vascular cerebral), bem como o diabetes tipo 2 e a síndrome metabólica, são raros em crianças. No entanto, fatores de risco presentes na infância podem se manifestar como doença, na vida adulta. A arterioesclerose (entupimento das artérias por placas de gordura) é um processo que se inicia já na infância!

Abaixo, duas reflexões ou provocações:

1- Se você soubesse que seu filho ou filha tem uma doença grave, porém curável, o que você faria?

2- Se você fosse informada de que seu filho ou filha corre um razoável risco de ter uma doença grave, só que no futuro, o que você faria?

Sinceramente, teria a mesma urgência em procurar a solução em ambos os casos ou, no segundo, acabaria adiando a tomada de ação e/ou minimizando o risco futuro?

Enquanto nós adultos não nos dermos conta de que é nossa responsabilidade prevenir o infarto, derrame e diabetes desde a infância, estaremos deixando uma herança que nenhum de nós, conscientemente diria que gostaria de deixar.

Existem algumas coisas que podemos fazer:

1- Entre 9 e 11 anos, pedir ao seu pediatra que dose o colesterol do seu filho ou filha. Não é necessário um lipidograma completo. Basta pedir a dosagem do Coleterol não HDL. Para isto, o laboratório dosará o colesterol total e o HDL. A vantagem sobre o lipidograma completo é que este exame, parcial, não exige o jejum de 12, facilitando sua aceitação por parte da criança. Se o resultado for acima do normal, aí sim um lipidograma completo deverá ser pedido. Esta é uma recomendação recente do National Heart Lung and Blood Institute, dos EUA, endossada pela Academia Americana de Pediatria.

2- Repetir esse exame de Colesterol não HDL entre 17 e 19 anos

3- Manter uma alimentação saudável que se inicia com o aleitamento materno e prossegue com uma dieta pobre em gorduras saturadas. O papel da família é fundamental para o sucesso de uma alimentação saudável. Não adianta exigir que as crianças comam de forma saudável, se o restante da família come de forma menos cuidadosa. (O Prato Saudável e Sobrepeso e Obesidade)

4- Praticar exercícios físicos. Na infância, como jogos ou brincadeiras ao ar livre e, à medida que a criança for crescendo, como esporte ou dança.

5-  Não fumar dentro de casa ou em abientes fechados com as crianças por perto. O ideal é simplesmente não fumar.

Vejam que nada do que escrevi acima é sofisticado, altamente tecnológico ou exije muitos recursos. No entanto, essas medidas simples, podem fazer a diferença na vida adulta dos seus filhos. A diferença entre uma morte ou invalidez precoce e uma vida saudável e plena. Eventualmente, pode motivar os adultos a modificarem seus hábitos, usufruindo eles também de uma vida mais saudável.

Como sempre, vou apreciar ser fizerem comentários ou tiverem dúvidas que eu possa tentar esclarecer.

ACNE EM ADOLESCENTES

A acne é um “problema” muito frequente na adolescência. Praticamente todo adolescente passa por um período onde algumas espinhas e cravos aparecem na sua pele. Apesar de ser uma situação de baixíssima gravidade, incomoda muitíssimo ao adolescente. Afinal, a adolescência é uma fase de múltiplas descobertas e, entre estas, a do corpo. Um rosto ou costas com espinhas se tornam uma barreira (imaginada) para relacionamentos.

“Quem vai me olhar com esse rosto cheio de espinhas”? Essa é uma dúvida que mexe com a autoestima e pode gerar alguma ansiedade.

Abaixo, algumas informações sobre a acne. Aviso que não vou falar de tratamento de forma específica, por alguns motivos. O primeiro é que um post nunca deve substituir uma consulta médica. Segundo, porque a acne tem algumas formas de se apresentar e, cada uma delas, tem um tratamento mais específico.  Finalmente, a acne pode ser um bom motivo para uma consulta onde outros temas ou questões da adolescência poderão ser abordados e que habitualmente são relegados: alimentação, sono, exercícios físicos,  imagem corporal, peso, índice de massa corporal, sexualidade, uso de álcool e drogas.

O que produz a acne? De forma muito simplificada, quatro fatores estão envolvidos na produção de cravos e espinhas:

1-      Os folículos pilosos (dos pelos) ficam bloqueados por um excesso  de células normais  da pele.

2- As glândulas sebáceas, produtoras de sebum, crescem com a adolescência e a produção deste sebum aumenta. Este crescimento se deve às mudanças hormonais normais da adolescência.  Estas glândulas estão mais presentes na face, peito, costas e braços.

3- O aumento do sebum facilita o crescimento de bactérias que, normalmente, vivem na pele.

4- Esse crescimento de bactérias produz uma inflamação local que causa a ruptura do folículo piloso.

Que fatores podem contribuir para que uma pessoa tenha mais ou menos espinhas?

1-      Esfregar ou lavar com muita frequência  o rosto ou a área onde aparecem as primeiras espinhas.

2-      Uso de cosméticos em base óleo. Muitas vezes a acne nas costas é agravada pelo uso abusivo ou excessivo de condicionador de cabelo.

3-      Stress- aparentemente existe uma relação possível entre stress e acne.

4-      Alimentação- nenhum estudo conseguiu demonstrar uma relação entre o que se come e o aparecimento de espinhas. Chocolates e amendoins têm sido, injustamente, considerados os vilões que produzem acne.

O que um adolescente pode fazer, antes de consultar um médico?

1-      Não lavar o rosto mais do que duas vezes ao dia. Usar um sabão suave ou um limpador facial que não seja à base de sabão.

2-      Não espremer ou futucar  os cravos e espinhas. Em geral piora a acne e pode produzir infecção com possibilidade de deixar cicatriz.

3-      Usar hidratantes. Procure produtos onde está escrito “não comedogenico” Prefira os sem perfume ou corante.

4-      Evite maquilagem ou cosméticos em base óleo. Procure produtos onde esteja assinalado “oil free”.

5-      Não se automedicar. Consulte seu médico antes de usar qualquer medicação.

6-      Não acredite em mágica ou soluções rápidas. Esta é a parte mais difícil!

VACINAS PARA ADOLESCENTES

No primeiro ano de vida de nossos filhos, as vacinas ocupam um lugar importante. Os pais ficam atentos ao calendário e a quantidade de vacinas, felizmente, aumenta.  No entanto, à medida que as crianças vão crescendo, as vacinas são esquecidas. Gostaria de lembrar algumas vacinas importantes de serem dadas, durante a adolescência:

1-      Vacina contra o HPV (Human Papilloma Virus)- o vírus do papiloma humano é transmitido sexualmente e é extremamente difundido entre os adultos, sendo considerada a doença sexualmente transmissível mais comum. Na maioria dos casos a infecção não produz nenhum sinal ou sintoma. Ocasionalmente pode produzir verrugas genitais, tanto em meninas, quanto meninos. O HPV também está implicado no câncer de colo de útero. Por esses motivos, a recomendação é de se vacinar meninas e meninos, preferencialmente, entre  11 e 13 anos. A vacina é dada em três doses e, para os meninos precisa ser a vacina com 4 tipos de HPV (Gardasil). A segunda dose deve ser dada um a dois meses após a primeira dose. A terceira, seis meses após a primeira dose.

2-      Reforço da vacina tríplice (Tétano-Coqueluche-Difteria)- este reforço precisa ser dado a cada dez anos, após o último dado. Em geral as crianças recebem uma dose em torno dos cinco anos. Assim, um reforço deverá ser dado em torno dos quinze anos e a cada dez anos. Adultos devem se vacinar também. Atualmente, com ou aumento da incidência da coqueluche, a recomendação é de que se use a vacina tríplice acelular adulto (Tdap). A alternativa seria a aplicação da dupla adulto (dT) ou apenas o toxóide tetânico (TT).

3-      Vacina contra Influenza- todo ano, no início do período de maior riscos (maio-junho), os adolescentes deveriam tomar uma dose da vacina contra a Influenza. É importante lembrar que, por uma questão de língua portuguesa, Influenza e gripe são sinônimos. No entanto, a vacina não protege contra o resfriado comum (gripe), o que muitas vezes é considerado como uma “falha” da vacina. Esta vacina só protege contra uma doença mais grave, com maior letalidade, que é a Influenza.

4-      Vacina contra Hepatite B- se o adolescente não foi vacinado contra a Hepatite B, deveria tomar 3 doses desta vacina. A segunda, dois meses após a primeira. A terceira, seis meses após a primeira. Se o adolescente recebeu a vacina e precisar fazer algum tipo de exame de sangue, seria interessante pedir ao seu médico para pedir uma avaliação da resposta à vacina. Nem todas as crianças vacinadas ficam protegidas e precisariam de uma segunda série de vacinas.

5-      Vacina contra Hepatite A- se o adolescente não foi vacinado quando criança, deveria receber duas doses. A segunda, seis meses após a primeira.

6-      Vacina contra Sarampo, Rubéola e Caxumba- se não recebeu estas vacinas quando criança, deveria tomar duas doses. A segunda, no mínimo quatro semanas depois da primeira.

7-      Vacina contra a Catapora (Varicela)- se o adolescente não tomou esta vacina, nem teve a doença, recomenda-se tomar duas doses. A segunda, no mínimo quatro semanas depois da primeira.

8-      Situações especiais devem ser discutidas com seu pediatra para verificar a necessidade, ou não de vacina pneumocócica e quadrivalente contra meningite.

9-      Viagens- consulte seu médico em caso de viagens. Alguns países exigem vacina contra a febre amarela e esta deve ser dada, pelo menos, dez dias antes da viagem. A vacina contra a febre amarela tem validade para dez anos.

A SAÚDE DOS ADOLESCENTES

Muitas vezes os adolescentes ficam em um certo limbo, com relação aos cuidados médicos. Alguns não se sentem confortáveis em continuarem a ser atendidos por seus pediatras porque não querem, com razão, serem tratados como crianças. No entanto, ainda não são adultos e ficam desconfortáveis em procurar um clínico.

Para as meninas essa questão existe, mas, com frequência, uma ginecologista acaba também cumprindo o papel de uma clínica geral, orientando e cuidando de aspectos não só ginecológicos.

Felizmente, a grande maioria dos adolescentes é saudável e simplesmente deixam passar esse período, sem fazer nenhuma consulta médica, até que se sintam confortáveis para procurar um clínico.

No entanto, existem algumas particularidades da adolescência que justificariam uma consulta com um médico que conhecesse bem essa faixa etária. Normalmente esse médico é um pediatra que tenha conhecimento e interesse nesse grupo. O melhor cenário é quando o adolescente se sente bem com seu próprio pediatra.

Alguns pontos que são específicos da adolescência e que deveriam ser discutidos com o médico:

– avaliação física periódica (anual) . Nessa consulta seria medido o peso, altura, pressão arterial, índice de massa corporal.

– avaliação laboratorial. Ao menos  um hemograma e lipidograma deveriam ser feitos, nessa faixa de idade. Dependendo da história pessoal e familiar, bem como do exame físico, outros exames de laboratório poderia ser solicitados.

– revisão das vacinas. Achamos que vacina é só coisa de criança. No entanto, adolescentes precisam ser lembrados de algumas vacinas como: reforço da anti-tetânica, HPV (papiloma vírus), hepatite A e B (se não foram vacinados ainda) e gripe (anual).

– conversar sobre o desenvolvimento do corpo, alimentação e exercícios saudáveis, sexualidade, uso de álcool e outras substâncias, auto estima, aproveitamento escolar e qualquer outro assunto que o adolescente queria discutir. Essa conversa deve ser somente com o adolescente, sem a presença dos pais e com um acordo de confidencialidade previamente estabelecido.

Muitas doenças da vida adulta podem ser evitadas ou minimizadas por um bom acompanhamento médico dos adolescentes. Não só isso, mas oferecer um espaço onde se sintam acolhidos, sem preconceitos, e que possam falar livremente sobre suas preocupações, inseguranças naturais, mitos e crendices,  pode contribuir para uma vida mais feliz.