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CAXUMBA- 13 PERGUNTAS E RESPOSTAS.

gland salivO QUE É A CAXUMBA?  É uma virose que produz uma inflamação nas glândulas salivares (vide figura). A glândula mais comumente comprometida é a Parótida, próximo à orelha. A Caxumba pode afetar uma ou ambas as glândulas, deixando a criança com o rosto inchado, redondo. Um dos nomes populares da Caxumba é “papeira” exatamente porque a criança fica “papuda”.

QUAIS OS SINTOMAS DA CAXUMBA? Como toda virose, os sintomas iniciais podem ser de febre, mal estar, dor muscular. Nada muito específico. Somente quando as glândulas salivares ficam inchadas que o diagnóstico  clínico é feito. Nem todos os casos de Caxumba acometem as glândulas salivares. Assim, é possível que uma pessoa já tenha tido Caxumba, sem saber.

A CAXUMBA É UMA DOENÇA GRAVE OU APRESENTA RISCOS? A Caxumba NÃO É UMA DOENÇA GRAVE. A maioria dos casos evoluiu sem nenhuma complicação. Dentre as complicações mais frequentes, está a orquite (inflamação dos testículos). Mas, mesmos quando ocorre a orquite, a esterilidade é uma complicação rara. Ao contrário do que se divulga, nem todo caso de orquite vai ter como consequência a esterilidade.  Apenas um percentual pequeno dos meninos com orquite poderá se tornar estéril.

QUAL O PERÍODO DE INCUBAÇÃO DA CAXUMBA? Período de incubação é o tempo que leva entre o contato com o vírus e a manifestação da doença. Na Caxumba esse período é longo, podendo se estender entre 12 e 25 dias. Na média, o período de incubação é de 16 a 18 dias. Isto é, se uma pessoa susceptível (sem imunidade específica para a Caxumba), entrar em contato com o vírus da Caxumba, a doença só vai se manifestar entre 12 e 25 dias depois. Portanto, não é imediatamente ou em poucos dias, que a doença se manifesta.

QUAL O PERÍODO DE CONTÁGIO DA CAXUMBA? Período de contágio é o tempo em que uma pessoa infectada com o vírus da Caxumba é capaz de transmitir a doença para outra pessoa. Na Caxumba, esse período pode ir de 7 dias antes até 9 dias depois do aparecimento da Parotidite (inflamação da Parótida). O período de maior infectividade (risco de contágio) é entre 1 dia antes e 5 dias após o aparecimento da Parotidite.

COMO É TRANSMITIDA A CAXUMBA? A transmissão do vírus da Caxumba se dá através do contato com a secreção respiratória de uma pessoa infectada. É importante lembrar que a transmissão pelas mãos é muito importante. Quando falamos em secreção respiratória pensamos logo em ar, ambiente fechado, tosse e espirro. O que não nos lembramos é que uma pessoa infectada pode coçar o nariz, cobrir a boca para tossir etc. transferindo o vírus pelas mãos. Por esse motivo, a lavagem das mãos (em qualquer virose) é muito importante.

COMO PREVENIR A CAXUMBA? Através da vacinação, com duas doses da vacina tríplice viral (Sarampo, Rubéola e Caxumba). A primeira dose da vacina deve ser dada aos 12 meses de idade e a segunda, aos 15 meses, segundo o calendário vacinal brasileiro. A segunda dose não pode ser dada antes de 3o dias após a primeira. MULHERES GRÁVIDAS NÃO PODEM TOMAR ESTA VACINA e as mulheres em idade fértil devem esperar, ao menos, 30 dias após a vacinação para engravidar. O motivo é que a vacina tríplice viral contém o vírus atenuado da Rubéola.

QUEM DEVE RECEBER A VACINA? Todas as crianças de 12 meses devem receber as duas doses da vacina. Crianças que só tomaram uma dose, devem receber a segunda dose. Não há necessidade de recomeçar a vacinação. Basta dar a segunda dose. Adolescentes e adultos nascidos após 1957 que não foram vacinados e/ou não tiveram a Caxumba, devem ser vacinados também.

NO CASO DE UM SURTO, EXISTE A INDICAÇÃO DE UMA TERCEIRA DOSE DA VACINA? Um surto é um aumento do número de casos, sem caracterizar um epidemia. Com relação à terceira dose da vacina, não há nenhuma evidência de sua efetividade. No entanto, como a Caxumba vem produzindo surtos em vários lugares do mundo, estudos estão sendo realizados, com relação a esta terceira dose. O que se sabe é que uma terceira dose, em adolescentes, não produz efeitos colaterais significativos e, em um surto ocorrido em Nova York, há 5 anos, aparentemente reduziu o número de casos entre os que receberam este reforço adicional. Assim, as recomendações do Ministério da Saúde, do CDC de Atlanta e da OMS, ainda não recomendam, de forma sistemática a aplicação de uma terceira dose de vacina tríplice viral. Esta decisão ainda é individual, sob a orientação do pediatra. Crianças antes da adolescência, que receberam duas doses da vacina, não têm indicação de uma terceira dose. 

POR QUE UMA PESSOA VACINADA PODE CONTRAIR A CAXUMBA? O que se sabe é que nenhuma vacina possui 100% de efetividade. A efetividade da vacina contra a Caxumba é estimada em 95%, mas, diante de surtos, em diversos lugares do mundo, estão sendo realizados estudos para identificar se há uma perda da imunidade, com os anos. Isso explicaria porque os surtos acometem adolescentes. Pode ser que, após estes estudos, surja a recomendação de um reforço da vacina, na adolescência.  Por enquanto a recomendação é de duas doses.

QUAL O TRATAMENTO PARA A CAXUMBA? Como se trata de uma virose, não há tratamento específico para esta doença. O tratamento será sintomático, prescrito pelo pediatra ou médico. Como em toda virose, a criança deve ficar em repouso, até sua melhora.

QUANTO TEMPO UMA CRIANÇA COM CAXUMBA DEVE FICAR AFASTADA DA ESCOLA? O tempo mínimo recomendado é de, pelo menos, 5 dias após o início da parotidite (glândula salivar inchada). Em alguns casos, este prazo pode ser maior. A recomendação é que a criança só volte para a escola quando o pediatra a considerar apta.

NO CASO DE UM SURTO, HÁ MOTIVO PARA PÂNICO? NÃO!   O pânico, em geral, produz comportamentos irracionais e contraproducentes. O pânico costuma se instalar quando não temos informações seguras e confiáveis sobre o que está ocorrendo. Por esse motivo, boatos tendem a produzir pânico. Por outro lado, em uma situação crítica ou de ameaça, é razoável e até esperado que tenhamos uma reação de apreensão e atenção. Nosso organismos está preparado para isso e esta reação se chama de luta ou fuga. Nesse momento, ter informações ajuda muito a que possamos buscar o controle para que as nossas atitudes sejam racionais e efetivas. Como a Caxumba é uma doença benigna, com raríssimas complicações, não há motivo para alarme ou pânico. Saber que duas doses de vacina protegem a grande maioria das crianças e que, na eventualidade de uma criança contrair a doença, praticamente todas se recuperarão sem maiores consequências, deve nos ajudar a não entrar em pânico. Lembre-se que o seu pediatra é a melhor pessoa para lhe orientar. Converse com ele ou ela.

 

 

 

ERA UMA VEZ UM NARIZ…

common-cold-childEra uma vez um nariz que vivia feliz. Ele e seu dono (cada um é dono do seu nariz!), andavam para lá e para cá. O nariz avisava a seu dono dos cheiros que iam passando. Cheiros gostosos de flores, de chuva, de mamãe e papai, de comidas. Também avisava quando o cheiro não era tão bom, como cheiro de pum, de fumaça ou de coisas estragadas. Claro que, de vez em quando, o nariz aparecia com uma melequinha que o dedo do dono rapidamente se encarregava de futucar e catar. Outros dias, dava um sinal sonoro de vida, espirrando. E assim a vida corria tranquila.

Até que um dia, um belo dia, um vírus, entrou no nariz. Para quem não sabe, o vírus não é um ser vivo, como outro personagem do bando dos agentes infecciosos, as bactérias. Mas, outro dia eu conto a história das bactérias. Os vírus são pedacinhos de material genético (DNA ou RNA), guardados dentro de uma camada de proteína e com um envelope de gordura. O que o vírus mais gosta de fazer é entrar dentro de uma célula, qualquer célula e bagunçar a vida dela, misturando o seu material genético com o da célula. Por isso que o corpo se defende quando percebe que um vírus chegou.

Pois bem, na nossa história  o tal vírus, do bando dos agentes infecciosos, se instalou no nariz (e seu dono). Muita gente acha que o vírus gosta de viajar de avião, pelo ar, sentado na primeira classe das minúsculas partículas que saem das nossas bocas quando falamos ou dos nossos narizes quando espirramos. Vírus até viaja de avião, mas, vou contar um segredo para vocês- eles têm medo de avião! Preferem viajar nas mãos das pessoas, onde se sentem muito mais seguros. Uma mão com vírus, diz bom dia para outra e o vírus pula para esta. A pessoa então coça o nariz e ….. olha o vírus entrando. Foi o que aconteceu com nosso nariz. Por isso que uma das maneiras de se prevenir que os vírus circulem é lavando as mãos.

Quando o vírus entrou no nariz da nossa história, o seu dono nem percebeu. Mas, seu corpo, esperto, rapidamente começou a se organizar para evitar que o vírus fizesse a bagunça que gosta de fazer. O nome dessa organização que o corpo faz, para se defender desses invasores é reação inflamatória. Vamos ver o que aconteceu então com o nariz (e seu dono).

Assim que as células perceberam a chegada e tentativa de entrada do vírus, dispararam o alarme, liberando substâncias químicas como as citocinas. Citocinas são histéricas! Sei que eu não deveria falar assim delas, afinal de contas, tão importantes. Mas, o fato é que saem correndo, gritando, avisando, cutucando as células que são as responsáveis pelas defesa contra a invasão do inimigo. Abaixo da primeira camada de células do nariz, ficam os Mastócitos. Estão ali, meio que de bobeira, só dando uma olhada no ambiente. Quando soa o alarme que um inimigo está invadindo, o Mastócito solta uma substância chamada Histamina. Talvez, alguns leitores deste conto do resfriado comum, já tenham ouvido falar em um tipo de remédio chamado de anti-histamínico ( que tenta neutralizar a Histamina). Pois bem, a Histamina, o que faz? Ela corre para os pequenos vasos (por onde passa o sangue) e faz com que aumentem de tamanho. Isso, os médicos e cientistas, que adoram nomes complicados, chamam de vasodilatação. E, talvez, alguns já tenham ouvido falar em outro tipo de remédio, os vasoconstritores, cuja função seria devolver os vasos sanguíneos para seu tamanho normal. A vasodilatação faz com que algum líquido e células, que estavam dentro do vaso sanguíneo, extravasem, transbordem, produzindo edema (inchaço). Isso tudo está acontecendo no mundo microscópico das células do nariz da nossa história.

E o que sente o dono do nariz?  Como houve vasodilatação e edema, sente seu nariz entupido. A seguir, o seu corpo vai produzir secreção, para tentar eliminar o vírus. Essa secreção pode ser clarinha e escorrer pelo nariz, quando ganha o nome de coriza, ou pode ficar mais espessa e ser produzida em todo o aparelho respiratório, já merecendo ser chamada de catarro.

Tudo isso que está acontecendo com o nariz da nossa história e seu dono, é a tal reação inflamatória, cujo objetivo é organizar o “campo de batalha” para oferecer as melhores condições de vitória para o corpo do nariz e seu dono. Como o vírus da nossa história era bem mau, ele não deu muita bola para essas primeiras reações. Aí o corpo resolveu pegar mais pesado. Decidiu esquentar a briga e…. produziu a febre. A febre, animou os soldados de defesa (as células envolvidas como linfócitos, monócitos, neutrófilos, eosinófilos, basófilos etc.) e derrubou o dono do nariz. Era importante, nesta hora, que o corpo pudesse se dedicar a organizar a defesa ao invés de ficar correndo, brincando ou indo para a escola. Como o vírus, esse bandido resistente, ainda não tivesse sido vencido pelo exército (sistema imunológico), o corpo já estava produzindo catarro, para dificultar a vida do nosso inimigo. Mas, como tirar o catarro do corpo? Tossindo e espirrando!

Vejam a confusão em que o nariz e seu dono se meteram, só por causa de um vírus que veio, muito provavelmente, trazido pela mão do próprio dono do nariz! O nariz está entupido, sem sentir cheiro de nada. Gosto então, nem pensar. Comer não é algo que esse corpo deseje. No máximo, beber uma água ou um suco. Além de entupido, escorre e espirra. O dono, com febre, só quer ficar deitado. Mas, quando deita, tosse! E aí, dói a cabeça. E, não raro, o nariz e seu dono, têm mãe e pai para ajudar a cuidar. Na nossa história, que é uma fábula, portanto, em nada se parece com a realidade, a mãe do dono era uma mãe amorosa e cuidadosa. A cada cinco minutos ou verificava a temperatura, ou oferecia algo para beber ou perguntava se não queria comer nada. Não satisfeita, se aproximava do nariz, para desespero do dono, com uma coisa que ela dizia- é para o seu bem – metia um jato de uma água salgada pelo nariz adentro. O dono, ficava cada vez mais irritado e, quanto mais se irritava, mais a mãe se preocupava e imaginava novos e criativos meios de cuidar do nariz e do seu dono.

Tudo que o nariz e seu dono precisavam era de uma mãe amorosa e cuidadosa que estivesse sempre por perto, mas, não por cima, pelo lado, embaixo, por toda parte, o tempo todo. O nariz e seu dono precisavam dar um tempo para que o exército do sistema imunológico, travando a batalha da inflamação, vencesse o vírus inimigo. Essas batalhas, duram, em geral, uma semana. Algumas um pouco mais, outras um pouco menos. E assim foi com o nariz da nossa história e seu dono. Uma semana depois de tudo começar, já estavam correndo e brincando juntos e, felizes. Voltaram para a creche, quando… (ao fundo o suspiro de uma mãe desesperada, dizendo- resfriado, de novo? Não!).

Moral da história: os sintomas que nosso filhos (e nós) apresentamos quando ficamos resfriados, fazem parte dos mecanismos de defesa do nosso corpo. Visam a vencer a infecção. O problema é que a resposta inflamatória é quase perfeita. Só esqueceu de fazer isso tudo, sem nos incomodar. O mal estar, mau humor, irritação que a, tosse, nariz entupido, dor de cabeça e às vezes no corpo produzem, são muito desagradáveis. Por esse motivo, não digo que devemos deixar nossos filhos passarem por esses momentos sem nenhuma medicação, cuja finalidade é dar algum conforto (porque não existe remédio específico para os vírus). Mas, não adianta exagerarmos, dando remédios demais, a grande maioria deles ineficazes e com efeitos colaterais, para um resfriado comum que passará em uma semana. Mais importante é lembrar que ficar em cima dos nossos filhos, a cada cinco minutos tomando uma iniciativa, também pode irritá-los. Imagine-se  na cama, resfriado e com febre e uma pessoa muito querida lhe pergunta, a cada cinco minutos: quer comer? quer algo da rua? quer uma revista? quer que prepare um suco? você precisa beber água! vamos medir essa temperatura? já tomou o remédio? não é melhor ligar para o médico?  Tudo que queremos, quando estamos nesta situação é paz, sossego, um copo de água do nosso lado e uma pessoa querida e carinhosa, bem perto, mas, esperando que a chamemos. Lembremos disso ao cuidarmos de nossos filhos. Claro que crianças são diferentes e os menores não expressam com clareza seus desejos, exigindo uma atenção mais ativa e atuante. Mas, não é common-cold-girlnecessário uma vigilância que gere irritação.

Finalmente, um aviso. Até hoje, não existem remédios para se tratar de resfriados comuns. Um resfriado comum leva sete dias para ficar bom sem remédios e  uma semana, com remédios!

UMA CARONA NO  ERA UMA VEZ UM NARIZ- VACINA CONTRA A GRIPE:

Aproveito o post para lembrar que estamos na época de vacinação contra a gripe. A vacina contra a gripe protege contra as infecções causadas pelo virus influenza que não é o vírus que produz o resfriado comum, vilão da historinha que acabei de contar. O resfriado comum pode ser produzido por mais de duzentos rinovírus e alguns outros tipos de vírus. A vacina contra a gripe não protege contra o resfriado comum. Muitas pessoas alegam que não tomarão a vacina contra a gripe ou a darão para seus filhos porque no ano passado o fizeram e “não adiantou nada”, tendo tido resfriados, como sempre. A vacina contra a gripe protege contra uma doença mais grave que pode causar internação e até a morte.Não protege contra o resfriado comum que, no Brasil, também é chamado de gripe (só para confundir).

O Ministério da Saúde oferece, na rede pública, vacinas para crianças menores de cinco anos, gestantes, idosos, índios e profissionais de saúde, porque são os grupos de maior risco. Mas, todos que puderem, deveriam ser vacinados contra a gripe.

OS CINCO VETORES DA SAÚDE

Para quem me conhece ou lê estvetor1e blog com alguma regularidade, o título deste post deve ter soado estranho! Não costumo quantificar meus comentários, muito menos “ensinar regras”! Mas, algumas pessoas já devem me ter ouvido dizer que, se eu tivesse a falta de caráter necessária para escrever um desses livros de fórmulas de sucesso, receitas de saúde, segredos da longevidade, caminhos da felicidade, obrigatoriamente teria um número no título. Sempre achei que esse tipo de livro, com um número na capa, venderia muito mais! Pois bem, resolvi brincar com essa ideia e, ao mesmo tempo, matar o meu desejo de publicar algo com um número na capa (ou título).

Portanto, aviso aos navegantes deste post que o título é uma brincadeira e que não pretendo “revelar” cinco segredos guardados há milênios por monges tibetanos, guerreiros africanos ou índios da América Central! O que pretendo é abordar cinco grupos de ações que podemos implementar nas nossas vidas e, mais importante, ensinar aos nossos filhos, deixando um potencial caminho de saúde para que eles trilhem pela vida. 

Um segundo aviso é de que nada do que lerão aqui é novidade. Ora bolas, se não é novidade por que estaria eu usando meu tempo e o de vocês para escrever o que já é sabido? Porque existem conhecimentos importantes que vão sendo empurrados para o esquecimento, por uma sociedade de consumo onde a novidade é sempre melhor do que o que veio antes. Isso, que  pode ser válido para produtos e serviços, não é, necessariamente, para os valores e conhecimentos dos seres humanos. Não falo de novos equipamentos diagnósticos, mecanismos de doenças e vacinas. Estes progressos substituem conhecimentos prévios, mas, são baseados em tecnologias de produtos onde novos equipamentos nos permitem olhar a natureza de uma nova forma ou desenvolver novas drogas. Falo de um conhecimento a respeito de quem somos e o que estamos fazendo por aqui. Essa é uma conversa que tem mais de dois mil anos de registros e, se escolhermos qualquer texto, de qualquer época, quase que certamente terá alguma atualidade ou aplicabilidade, nos dias de hoje. O ser humano, ou a essência do ser humano é a mesma desde que surgimos como espécie falante, há cerca de 60 mil anos ! Este post é sobre cinco aspectos da nossa natureza que podem contribuir para nossa saúde e que, muito provavelmente, se beneficiam com o progresso tecnológico, mas, não são alterados por este.

  1. AFETO  Começo por este vetor porque costuma ser um relegado a um segundo plano. Como se o ser humano fosse uma máquina pensante e não um ser relacional, simbólico. Todo ser humano precisa de carinho, reconhecimento, cuidado, para se desenvolver e viver bem. O afeto começa antes do nascimento e continua pela vida afora. Carinho não é deixar a criança ou adolescente fazer tudo. Pelo contrário, significa cuidar e inclui colocar limites, forma importante de expressarmos nosso amor. O afeto é o que nos une aos amigos, à família e aos amores. A saúde está diretamente associada à nossa capacidade de relacionamento e esta, em grande parte, vem do modelo que recebemos quando crianças. Assim, os pais têm uma função importante no desenvolvimento da capacidade afetiva dos filhos. Não existem métodos para desenvolver essa capacidade. Pais afetuosos, carinhosos, respeitadores dos ritmos dos filhos, produzem um ambiente favorável a que estes sejam pessoas com boa capacidade de relacionamento. Pais que se permitem sentir mais e pensar menos (no quesito afeto), darão a seus filhos o que estes precisam para uma vida emocional saudável.
  2. ALIMENTAÇÃO –  Nossa saúde está diretamente relacionada à alimentação. Doenças como a hipertensão arterial, alguns tipos de câncer, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, a obesidade com suas consequências, são alguns exemplos conhecidos por todos, associados a uma alimentação inadequada ou incorreta. Alimentação é aprendizado. Ninguém nasce gostando de cheeseburguer ou brócolis! É preciso que sejamos apresentados a estes alimentos para podermos desenvolver um paladar e, consequentemente, um hábito alimentar. Se os pais possuem o hábito de comer cheeseburguer, dificilmente conseguirão que seus filhos comam brócolis! Uma boa alimentação não é nada sofisticado, nem precisa de pediatra ou nutricionista para orientar. Nossas avós sabiam exatamente o que era uma boa alimentação e  não incluía barrinhas, suplementos ou polivitamínicos. Se quiserem um pouco mais de informação a respeito de uma alimentação saudável, vejam o post Prato Saudável.
  3. ATIVIDADE FÍSICA- A atividade física é inerente ao ser humano. A criança corre, brinca, pula, sobe em árvore, revira as coisas, em constante atividade. A tecnologia e o progresso, contribuem para nossa inércia. A cultura também, com menos espaços livres, apartamentos menores e ambos os pais trabalhando, fazendo com que tudo que “distraia” a criança seja bem-vindo. Assim como a alimentação, se os pais são sedentários, será muito difícil introduzir hábitos de atividade física nos filhos. Atividade física também tem um aspecto secundário importante, ao contribuir para o vínculo entre pais e filhos. Andar de bicicleta, passear, soltar pipa, jogar um jogo ou esporte, são atividades que envolvem o corpo e o afeto. Tanto isso é verdade que muitos de nós temos vivo na memória momentos de atividade com nossos pais. A lembrança, em geral, é da parte afetiva, mais do que da física.
  4. SONO- Raramente nos lembramos que o sono é um elemento vital para a nossa saúde. Isso nunca foi um problema para os seres humanos, até a criação da iluminação artificial. Até esse momento, o que tinha que ser feito se fazia durante o dia e a noite era dedicada ao sono. Dormíamos mais e, assim, estávamos, mais bem dispostos para as atividades do dia. Hoje, vivemos em uma sociedade 24/7, 24 horas, sete dias na semana. Dormir é um desperdício de tempo e a tentação de produzir ou consumir (dois lados da mesma moeda) é enorme. Mas, nossa saúde física e mental depende de um sono quantitativa e qualitativamente bom. O sono exige uma certa rotina ou ritual que os pais devem introduzir na vida de seus filhos.
  5. TEMPO PARA SI- O ser humano tem necessidade de um tempo que eu chamaria de tempo da espécie. O calendário e o relógio são medidas de tempo que não se encontram na natureza. São criações artificiais do homem, importantíssimas para organizar nossas vidas, mas, que não dão conta de todas nossas necessidades. O ser humano saudável precisa de um tempo que é só seu. Podemos chamar esse tempo de reflexão, contemplação, meditação, oração ou qualquer outro nome que nos ocorra. É um momento onde a mente se esvazia ou se deixa preencher pelas sensações ao redor, sem análise, juízo ou tentativa de classificar e controlar. Nossa saúde precisa desses momentos que são diferentes do relaxamento produzido pelo sono. Como pais, podemos ajudar nossos filhos a desenvolverem a capacidade de ficarem sozinhos, ainda que estejamos por perto. Não estimulá-los 24h. por dia, não sentir necessidade de oferecer uma programação seguida da outra. Deixar a criança brincando, lendo, desenhando, sem estímulos externos, sem perguntas que interrompam aquele momento da criança, é uma forma de ajudá-las a desenvolver essa habilidade. Podemos ajudar com nosso exemplo ao termos nossos momentos de reflexão ou até de compartilhar um pôr do sol em silêncio. Tempo da espécie é um tempo que também está sendo empurrado para o esquecimento, substituído pelo tempo da eficiência máxima, do fazer constante. Podemos ensinar aos nossos filhos como ser eficientes e, preservar um tempo para si. Uma coisa não elimina a outra.

Chego ao final do blog e me dou conta de algo que não tinha pensado, ao começar a escrevê-lo. Juntei os cinco vetores e o que eu obtive foi algo como: a saúde de nossos filhos depende de uma família (afeto) que jante junto (mais afeto), comendo de forma saudável (alimentação). Depois do jantar, um pouco de conversa (mais afeto) e um rotina para colocar as crianças na cama (mais afeto e a preparação para um sono reparador). Quando tiver uma oportunidade, a família vai passear ao ar livre ou fazer algum esporte (mais afeto e atividade física). O silêncio vai ser praticado ocasionalmente e se as pessoas quiserem ficar sozinhas, serão respeitadas (mais afeto e tempo para si).

Nenhuma novidade! Ou, talvez, a novidade seja exatamente essa. Vamos parar de procurar novidades, onde o que somos (seres humanos) é a resposta para a pergunta- como posso ajudar meu filho a ser mais saudável? Sejamos o que sempre fomos, sem medo de sermos considerados ultrapassados ou antiquados!

BATE PAPO COM OS PAIS, EM SÃO PAULO.

meetingEstarei em São Paulo para um bate papo informal com pais interessados em interagir com um pediatra, fora do ambiente do consultório. Não se trata de fazer consultas médicas sobre questões específicas, mas de conversarmos sobre o quanto do que se pergunta ao pediatra, já sabemos! Este encontro vai acontecer na próxima segunda feira, dia 16/03/2015, das 20:30 às 22:30h. Local: Clinica de Psicoterapia Rubens Kignel Endereço: Rua Faisão, 55 -Vila Madalena Reservas: rkignel@terra.com.br ou (11) 38193221.Espero vocês lá.

POSSO VACINAR MEU FILHO NO POSTO DE SAÚDE?

vacina2Pode! O Brasil possui um excelente programa nacional de imunizações que não só oferece uma gama muito abrangente de vacinas de qualidade, como estas são conservadas e aplicadas de forma adequada nas unidades do setor público. Este é um longo post. Se você não tiver nem tempo, nem paciência de lê-lo até o fim, o resumo é: não há justificativa técnica para se deixar de vacinar os filhos na rede do SUS. Abaixo, comento vacina por vacina, para quem tiver interesse em aprofundar o seu conhecimento.

Uma das maneiras de se avaliar se um programa de vacinação funciona é utilizando o Sarampo como uma “doença sentinela”. Por ser uma doença universal, altamente contagiosa, nos locais onde as coberturas vacinais não são homogêneas, e estão abaixo de 95%, ocorrem surtos a cada dois anos. Atualmente, nos países que conseguem manter altos níveis de cobertura vacinal, a incidência da doença é reduzida, ocorrendo em períodos cíclicos que variam entre cinco a sete anos. Como a vacina contra o Sarampo (parte da tríplice viral que protege contra o Sarampo, Rubéola e Caxumba) é feita com vírus vivo, atenuado, exige uma cadeia do frio muito eficiente. Cadeia do frio é um sistema de distribuição e conservação refrigerado, do fabricante até o local onde será administrada a vacina. Portanto, além da cobertura (% de pessoas que recebem a vacina), esta precisa estar bem conservada para “funcionar”. Como no Brasil não temos tido surtos de Sarampo e muitos casos notificados e confirmados se devem à “importação” da doença, trazida por viajantes, podemos afirmar,  que o nosso sistema de vacinação é muito bom. Se não fosse, estaríamos vivendo uma situação semelhante aos Estados Unidos, onde o presidente Barak Obama foi à televisão, incentivar os pais a vacinarem seus filhos porque o número de casos de Sarampo está aumentando de forma significativa, com vários surtos epidêmicos identificados.

Se o sistema brasileiro de vacinação pública é tão bom, por que persiste a dúvida se os pais podem ou não vacinar seus filhos nos postos de saúde? Existem vários motivos, a grande maioria baseada em informações imprecisas ou incompletas a respeito das vacinas. Também pode haver algum preconceito contra o sistema público que é considerado, por muitos, como sendo para pobres. O Sistema Único de Saúde (onde são aplicadas as vacinas), é  para todos os brasileiros. Quanto mais o utilizarmos e exigirmos que funcione, menos necessidade teremos de pagar um seguro privado, sobrando mais dinheiro para cada um de nós. É o que fazem a grande maioria dos países desenvolvidos. Lá, não há um sistema para pobres e outro para a classe média ou rica. Como exemplos de sistema único de saúde vejam como funciona a saúde no Canadá, Inglaterra e Alemanha. Mas, tirando esse eventual preconceito, existem as informações divulgadas, nem sempre precisas, envolvendo as vacinas. A seguir, vou comentar cada vacina e a eventual diferença que possa existir entre a oferecida nos postos de saúde e nas clínicas privadas.

BCG- vacina que protege contra a Tuberculose, deve ser feita nos primeiros dias de vida. Não há diferença nenhuma entre a vacina dos postos e das clínicas.

DPT- vacina que protege contra a difteria, tétano e coqueluche. Deve ser dada em 3 doses, nos seis primeiros meses de vida e reforços aos 15 meses e 4 a 6 anos. O componente Coqueluche da vacina oferecida nos postos é feita em cultivo de células, sendo chamada de celular. Nas clínicas privadas, o componente Coqueluche é feito sem o uso de células, sendo chamada de acelular. A vacina celular apresenta uma incidência um pouco maior de efeitos colaterais mínimos, como febre, irritabilidade, dor e vermelhidão local. Estes efeitos tendem a ser mais significativos à medida que a pessoa se torna mais velha. Por esse motivo, adolescentes e adultos devem receber a vacina acelular. Mas, para os bebês, o desconforto, quando presente, é passageiro, sem oferecer nenhum risco maior. Hoje, há uma discussão no meio científico sobre a durabilidade da proteção da vacina acelular. Pode ser que, nos próximos anos, se confirme que esta (a acelular) vai exigir reforços periódicos. Conclusão: as diferenças entre  a vacina celular dos postos e acelular das clínicas não justificam a opção pelas clínicas.  Para as gestantes, os postos de saúde oferecem a vacina acelular para adultos.

Haemophilus influenzae tipo B- vacina que protege contra doenças produzidas por esta bactéria, principalmente otites, laringites, pneumonias e meningites. É administrada em conjunto com a DPT, sendo chamada então de vacina quádrupla ou tetra. Não existe diferença alguma entre este componente da vacina dado nos postos de saúde ou em clínicas privadas.

Pólio- vacina que protege contra a Poliomielite (Paralisia Infantil). Pode ser administrada por via oral (gotinha) ou injetável. Atualmente, o programa de imunização nacional utiliza uma combinação de ambas. As primeiras duas doses são dadas por via injetável e as doses seguintes, por via oral. As datas desta vacina acompanham a quádrupla (três doses no primeiro ano + reforços a partir dos 15 meses). Tanto as vacinas injetáveis, quanto as orais, são idênticas nos postos e nas clínicas. A diferença que existe é que, as clínicas oferecem a vacina injetável de Polio, junto com a DPTHib (tetra), sendo então chamada de pentavalente ou penta, como é mais conhecida (5 vacinas em uma injeção). Esta diferença não representa nenhuma vantagem em termos de proteção, só de comodidade ou conforto.

Hepatite B- vacina que protege contra este tipo de Hepatite. A importância de se proteger as crianças contra a Hepatite B é que esta pode estar implicada em doenças mais graves do fígado, como cirrose e câncer. Esta vacina é dada logo após o nascimento, ainda na maternidade, seguida por mais duas doses, aos 2  e 6 meses de idade. Tanto no posto, quanto nas clínicas é a mesma vacina. Nos postos de saúde é adicionada à tetra, sendo chamada de pentavalente ou penta. Nas clínicas, é adicionada à penta, sendo chamada de hexavalente ou hexa. Do ponto de vista da proteção que oferecem, são idênticas. Apenas há a conveniência de 6 vacinas em uma injeção.

Rotavirus- vacina que protege contra um infecção gastrointestinal (diarréia) que pode ser muito grave. É dada por via oral (gotinha), a partir de 2 meses. A idade limite para se iniciar a vacinação contra o Rotavirus é de 14 semanas e 6 dias. Crianças com 15 semanas de idade não podem iniciar a vacinação (primeira dose). Existem dois tipos de vacina contra o Rotavirus. Ambas possuem a mesma capacidade de proteger os bebês. Nos postos é dada a vacina monovalente. Esta necessita de duas doses, aos 2 e 4 meses de idade. Nas clínicas, em geral, utilizam a vacina pentavalente, que necessita de três doses, aos 2,4 e 6 meses de vida. Esta é uma das poucas vacinas que não pode ser intercambiada.  Isto é, todas as doses devem ser dadas no mesmo lugar onde foi dada a primeira dose, não se devendo começar em um lugar (posto ou clínica) e trocar para outro (posto ou clínica).

Pneumocócica ou pneumo – vacina que protege contra as infecções produzidas por esta bactéria, principalmente  pneumonias e meningites. As vacinas aplicadas nos postos de saúde protegem contra 10 tipos de pneumococos, enquanto as das clínicas cobrem 13 tipos diferentes da bactéria. Esta é uma vacina onde há uma diferença entre o posto e a clínica. Na prática, a vacina oferecida nos postos protege contra os principais tipos de pneumococos. Esta vacina é dada em três doses, nos 6 primeiros meses de vida e um reforço aos 12 meses. Ainda existe uma outra vacina antipneumocócica, que protege contra 23 tipos de pneumococos. No entanto, devido à forma como é produzida, só pode ser aplicada a partir dos dois anos de idade, ficando reservada para casos especiais. Não faz parte do calendário vacinal de rotina.

Meningocócica C ou meningo C- vacina que protege contra um dos tipos do meningococo, responsável pela meningite meningocócica. Deve ser dada em duas doses nos seis primeiros meses de vida e um reforço aos 15 meses de idade. A vacina dos postos e das clínicas são idênticas. Atualmente existe uma vacina quadrivalente que protege contra quatro tipos de meningococos (A, C,W135 e Y). Esta vacina pode ser dada a partir dos 2 anos de idade  e só se encontra disponível nas clínicas particulares.

Tríplice viral ou SRC ou MMR- vacina que protege contra o Sarampo, Rubéola e Caxumba. A primeira dose deve ser dada aos doze meses de idade, seguido de um reforço, que nos postos será dado a partir dos 15 meses, utilizando a vacina tetra viral, que inclui o componente Varicela (Catapora). A vacina oferecida nos postos é idêntica à das clínicas.

Varicela- vacina que protege contra a Varicela ou Catapora. Nos postos esta vacina é oferecida junto com a tríplice viral, sendo chamada de tetra viral,  administrada a partir dos 15 meses (ou 3 meses após a dose da tríplice viral). Esta dose já é o reforço da tríplice viral. Nas clínicas privadas existe a opção desta vacina ser dada de forma separada, no mesmo dia em que é dada a tríplice viral. O reforço  poderá ser dado a partir de 3 meses após a primeira dose. Para o reforço, as clinicas privadas oferecem a tetra viral. Do ponto de vista da proteção, as vacinas do posto e da clínica são idênticas.

Hepatite A- vacina que protege contra a Hepatite A. Deve ser dada em duas doses. A primeira aos 12 meses de idade e a segunda, seis meses após esta dose. As vacinas do posto e da clínica são idênticas.

HPV- vacina que protege contra as infecções do Papilomavirus humano. Este vírus está implicado no câncer de colo de útero e verrugas genitais. No sistema público está sendo oferecida a vacina dupla, exclusivamente para meninas. O calendário sugerido pelo Ministério da Saúde é de três doses. A segunda dose seis meses após a primeira e a terceira 60 meses após a primeira. Esta vacina deve ser dada entre os 9 e 19 anos de idade. Nas clínicas existe a vacina quádrupla ou tetra, que pode ser aplicada em meninas e meninos. O calendário das clínicas privadas, também é de três doses, mas o intervalo é mais curto. A segunda dose é dada 2 meses após a primeira e a terceira 6 meses após a primeira. A diferença entre as vacinas dos postos e das clínicas é que as tetra (clínicas) protegem não só contra os vírus implicados no câncer do colo de útero, como também contra verrugas genitais. Por esse motivo os meninos devem ser vacinados com a tetra e não com a dupla.

Este post ficou longo, mas espero que ajude os pais e entenderem quais são as diferenças, mínimas, entre as vacinas dos postos e das clínicas e se sintam seguros em vacinar seus filhos no SUS.

Abaixo, o calendário vacinal do SUS:

 

 

 

VITAMINAS

Vitaminas são compostos orgânicos que devem ser consumidos na nossa alimentação porque nós, humanos, não somos capazes de sintetizá-las (produzir) em quantidades adequadas. Cada vitamina tem uma função única no nosso corpo, incluindo a regulação de hormônios, o crescimento das células e tecidos, efeito antioxidante etc. Vitaminas também participam como fatores auxiliares para múltiplas reações metabólicas que ocorrem no nosso organismo.

Para os pais, a ideia de complementar a alimentação de seus filhos com uma dose diária de vitaminas é extremamente atraente. É como se fosse uma forma de aumentar a proteção que oferecem a seus filhos. Além do mais, crianças frequentemente não gostam de tudo que é saudável e contém vitaminas. Assim, o suplemento aparece como uma solução. Sem dúvida, em alguns casos, pode ser bem indicado esse suplemento. Mas, o trabalho, frustrante muitas vezes, de educar nutricionalmente os filhos, não deveria ser substituído pelo suplemento vitamínico. Uma alimentação saudável, aprendida na infância, trará benefícios para a vida que nenhum suplemento vitamínico será capaz de dar. Tomar vitaminas não previne contra a obesidade, colesterol elevado e diabetes tipo 2, por exemplo. Portanto, o investimento de tempo, paciência e criatividade que educar nutricionalmente nosso filhos requer, terá um retorno em saúde futura que vitaminas suplementadas não trarão.

Claro que existem situações clínicas onde ocorre deficiência de uma ou várias vitaminas. Para estas situações, a administração de vitaminas não é suplemento, mas tratamento específico. Felizmente, estas situações clínicas não são frequentes e quando presentes, seus sintomas são evidentes. Digo isso para evitar a dúvida de – “será que meu filho não tem uma deficiência, ainda que pequena, de alguma vitamina?” Crianças com hipovitaminose (baixos níveis de vitaminas), apresentam sintomas muito “gritantes”.

Um equívoco que costumamos ter é o de acreditarmos que vitaminas fazem coisas que não fazem! Por exemplo, abrir o apetite das crianças. Muitos pais perguntam a seus pediatras se não seria o caso de “passar uma vitamina” para abrir o apetite da criança que “não come nada”. Eventualmente o pediatra vai estar diante de uma criança que é magra por constituição. Mas, não raro, essa criança que “não come nada” está com o peso na média para a idade, quando não acima da média. São crianças que se recusam a comer a alimentação saudável e esta é trocada por alimentos com alta densidade calórica, mas não necessariamente valor nutricional. Um bom pediatra deveria orientar a família com relação às estratégias de reeducação alimentar (em geral, para a família toda), ao invés de prescrever um suplemento vitamínico, que seria o caminho mais fácil (para todos).

Atualmente, no mundo acadêmico, se discute muito o valor da vitamina D. Parece ser a menina dos olhos dos pesquisadores e, certamente, vamos ouvir falar desta vitamina. O que precisamos lembrar é que existem modismos, motivados ou não pela influência econômica que fabricantes podem exercer. Vejam o caso da vitamina C que foi “endeusada” e hoje se encontra mais perto de onde deveria estar. Ou o caso dos suplementso polivitamínicos que propagam proteção contra doenças cardíacas e outras enfermidades. A cada nova pesquisa ou notícia na imprensa sobre uma “maravilha” atribuída a uma determinada vitamina, vamos acompanhar  e esperar que o tempo confirme ou não esses achados. Até hoje, nada supera, em benefícios para a saúde, um prato de comida multicolorido!

Finalmente, uma brincadeira! Olhem as duas fotos abaixo e respondam à pergunta: qual das duas você escolheria para dar a seu filho?

Compartilhe sua resposta conosco!

O SONO DO BEBÊ

Nada mais angelical do que um bebê dormindo. Por outro lado, nada mais cansativo, frustrante e até irritante, do que a falta de ritmo e regularidade que o sono de um bebê pode ter. Em geral, nos primeiros meses de vida todos os pais tem aquela cara de quem acabou de completar uma maratona, exaustos. Não raro os pais chegam ao consultório do pediatra com perguntas sobre o sono. A resposta mais desejada é quando que o meu bebê vai dormir a noite toda!. Impossível esgotar um assunto como esse em um blog, mas vou abordar alguns pontos, com a expectativa de ajudar os pais a, se não ficarem descansados, pelo menos relaxarem um pouco.

Um recém nascido dorme em torno de 16hs por dia, ou mais. Mas, este sono não é como o do adulto, contínuo ou por longos períodos. Cada bebê estabelece um ritmo próprio de dormir e, não raro, dorme por períodos de 1 a 2 horas. Portanto, não se assustem se o sono do seu bebê for “picado”.

Bebês pequenos desconhecem o que seja dia ou noite. Assim, esse sono curtinho, acontece de forma quase que igual se for de dia ou de noite. Em torno de 3 a 4 meses de idade, seu bebê poderá começar a aumentar o tempo de sono à noite. Mas, lembrem-se que a escolha do ritmo de sono é sempre do bebê. Algumas pessoas dirão que um bebê deve ser “ensinado” a dormir. Dirão ainda  que, não ensinar o bebê a dormir, desde pequeno, vai ter como consequência, uma criança mimada, difícil. O pior é que existem livros escritos que reforçam essa crença e “ensinam” os pais a fazerem seus filhos dormirem à noite. BEBÊS NÃO DEVEM SER “TREINADOS” A DORMIREM À NOITE. O ritmo de cada criança deve ser respeitado e nenhuma criança se tornará mimada ou com problemas, por esse motivo.

Crianças maiores, em torno de um ano, dormem, em média, um pouco menos de 14 horas por dia.  Médias são medidas de tendência e não de normalidade. A normalidade é definida pelo desenvolvimento da criança, seu comportamento, crescimento etc. Não só pelo número de horas que dorme por dia.

Em torno de um ano vocês poderão começar a tentar implantar algumas medidas práticas, visando o sono tranquilo do seu filho. O que se segue são apensas sugestões e não um “regulamento” a ser seguido.

  • Procure estabelecer uma rotina para a hora de dormir: um mesmo horário, uma desaceleração das atividades, talvez um banho para relaxar. Este é um ótimo momento para a leitura de um livro ou escutar música. Brincar com seu filho, por mais prazeroso que seja, pode ser estimulante ou excitante, tornando o sono mais difícil. Brinque à vontade, até uma meia hora antes do horário que a família definiu como o de ir para cama dormir. Na meia hora ou quarenta minutos que antecedem esse horário, leiam, ouçam musica, conversem.
  • Permita que seu filho leve um objeto ou brinquedo preferido para a cama, exceto algo que tenha o risco de sufocá-lo ou provocar engasgo.
  • Verifique se o ambiente está confortável:  uma pequena luz acesa ou a porta entreaberta, temperatura do quarto, cobertor se estiver frio, um copo d’água ao alcance, se isso for um hábito do seu filho etc.
  • Se forem chamados à noite, saibam que é normal uma criança acordar. Esperem um pouco (pouco mesmo) antes de atender ao chamado. Entre no quarto, sem acender a luz ou fazer grande movimento e assegure que você está perto, falando ou tocando no seu filho. Aos poucos, aumente o intervalo de resposta e tente apenas falar.
  • Muita paciência! Nenhuma adapatação ou mudança de hábitos será rápida. Não raro os pais se sentirão frustrados ou irritados. Isso é perfeitamente normal. Reconhecer esses sentimentos é uma forma de evitarmos que nossa irritação se trasnforme em algum tipo de punição para nossos filhos. Educar é andar sobre esse fio da navalha onde, de um lado existe a tolerância carinhosa e, do outro, o limite, igualmente carinhoso.

Se eu pudesse resumir o que eu penso e como eu acredito que possam ser pais carinhosos, diria duas coisas:

  1. Façam o que o seu coração determinar. Não se deixem levar pelas opiniões de terceiros. Acertem e errem , seguindo seus sentimentos.
  2. Não comprem livros que “treinam” bebês a dormir ou fazer qualquer outra coisa. Treinar um bebê é uma violência.

Finalmente, desejo que todos durmam muito bem!

Como sempre, gosto de receber suas críticas e comentários.