Arquivos

A IMPORTÂNCIA DO COCÔ!

Hesitei um pouco antes de decidir abordar o tema do cocô dos bebês e crianças. Muito baby-diaper-changeprovavelmente essa minha hesitação tem um componente cultural de não falarmos sobre o corpo e suas funções com naturalidade. É como se o tema das secreções e excreções fossem “feios”  ou “sujos”. Se o Roberto DaMatta, brilhante antropólogo, lesse o meu blog, o que não é o caso, talvez pudesse nos brindar com um comentário ou post a respeito dos aspectos antropológicos do corpo e seus produtos.

Apesar desse pudor coletivo que todos temos, todas as mães do mundo se surpreendem com o fato de que se tornam observadoras atentas do cocô de seus filhos. O fato é que o bebê é um ser que se comunica com o mundo. Fala vários “idiomas” que nós já falamos um dia, mas, infelizmente, esquecemos! E, ainda não fala o nosso. Assim, a comunicação se dá por uma série de sinais codificados e cabe às mães a dura tarefa de traduzir o que está sendo “dito”  pelos filhos em algo que seja compreensível para as demais pessoas. Não raro, as mães conseguem interpretar um choro como sendo de fome e outro de frio ou desconforto. Um barulho balbuciado é alegria e prazer, perninhas que se movimentam de um jeito é excitação porque o papai chegou e quando se movimentam de outro é um cocô prestes a sair. À medida que o bebê vai crescendo, seus “idiomas” vão ficando mais conhecidos. Não só porque os pais já convivem há mais tempo com o filho, mas, também, porque este começa a nos ajudar, apontando para as coisas, balançando a cabeça quando não quer algo, jogando um objeto no chão ou afastando nossa mão que se aproxima com uma fruta que não é a sua preferida.

Os pais de bebês pequenos, têm uma pergunta constante e permanente que os atormenta: meu bebê está bem? Uma pergunta absolutamente normal, instintiva. Mas, diferente de outros animais, pensamos. Aí surge a segunda pergunta, geradora de uma certa insegurança “básica”: como saber que está tudo bem? Esta pergunta pode ter variações mais ou menos produtoras de ansiedade, como:  e se eu não souber que algo errado está acontecendo com meu filho? São essas perguntas que nos fazem ficar intérpretes profissionais do que nossos filhos nos comunicam.

Entra em cena, o cocô! O cocô é algo visível, não subjetivo, à espera da observação analítico-interpretativa dos adultos. O cocô fala!  Na maioria das vezes, tranquilizando as mães. Se a criança está fazendo cocô é porque está se alimentando. Se faz todo dia, na consistência conhecida, cor esperada e frequencia habitual, o bebê deve estar bem. Nada como um padrão para tranquilizar os seres humanos. Quando as coisas são conhecidas e se repetem, nos sentimos mais seguros. Temos uma sensação de maior controle sobre a situação e isso nos dá conforto. A questão é que nem sempre, sair de um padrão conhecido signifique que algo não vai bem. Pode ser que sim, mas pode ser que não. Vivemos, como seres humanos e, principalmente pais, oscilando entre a busca de padrões e o fato de que a vida não tem padrões. O único padrão que a vida tem é o de variar!

Na tentativa de ajudar os pais a se sentirem mais tranquilos, comento alguns apectos do que o cocô pode ou não estar querendo nos comunicar.

  1. Cor- todo mundo sabe que as mulheres são capazes de descrever cores absolutamente inexistentes para nós homens. Mães conseguem descrever a cor do cocô de seus filhos com raríssima precisão e um nível de detalhamento impressionante.  A variação do marrom, amarelo e verde é inteiramente normal. Sinaliza apenas a velocidade com que o alimento passou pelo intestino.Costuma haver uma certa preocupação quando o cocô se apresenta mais esverdeado. Quando passa um pouco mais rápido, aparece a cor verde ou o tom esverdeado. Portanto, não se preocupem nem com o tom verde no cocô de seus filhos, nem com variações de uma fralda para outra. Importante lembrar que o recém nascido ainda elimina mecônio que é bem escuro, com uma consistência muito diferente, lembrando piche. Mas, algumas cores devem ser consideradas como inesperadas, atípicas: vermelho, preto e branco. Estas devem ser informadas ao pediatra, lembrando que alguns alimentos modificam a cor, como beterraba e medicamentos como ferro (escurecendo bem a cor). Resumindo: variações entre marrom, amarelo e verde, são inteiramente normais e, isoladamente, não significam nada de especial.
  2.  Frequência- um bebê pode fazer várias vezes ao dia e uma vez em vários dias e ser inteiramente normal. Não há uma regra para quantas vezes ao dia, ou de quantos em quantos dias, um bebê deve fazer cocô. Não devemos falar em constipação usando apenas o critério de número de dias que um bebê leva para fazer cocô. Mais importante que os dias é a consistência que abordarei a seguir. Resumindo: variações de frequência (muitas vezes no mesmo dia e uma vez em muitos dias) não significam, em princípio, nada de especial ou preocupante.
  3. Consistência- bebês costumam fazer cocô com uma consistência que chamamos de líquido-pastosa. Para os padrões de adultos, é um cocô bem mais mole, o que faz com que algumas mães, principalmente aquelas que amamentam ao seio, imaginem que seus bebês estão com diarréia. Alguns bebês que fazem cocô a cada mamada e, ainda por cima “mole”, podem dar a impressão (falsa) de que estejam com diarréia. A consistência é um fator mais importante do que a frequência para se pensar em constipação. Um bebê que fica quatro dias sem fazer nada e acaba fazendo um cocô pastoso, definitivamente não tem constipação. Um cocô endurecido ou em bolinhas (como um cabrito) merece ser comunicado ao pediatra. Resumindo: o cocô de bebês é muito menos consistente do que o de adultos, sendo inteiramente normal que se apresente de forma líquido- pastosa.
  4. Cheiro- o odor do cocô vai depender da alimentação e sua digestão, além  da flora bacteriana que habite o intestino. Assim, à medida que novos alimentos vão sendo introduzidos a a flora normal e saudável vai se modificando, o odor vai variando. Resumindo: raramente o cheiro é um indicador de que algo não vai bem, podendo variar muito.

É preciso lembrar que, com a introdução de alimentos e variação da flora bacteriana intestinal normal, a cor, frequência, consistência e cheiro, irão variar. Alguns alimentos influenciam mais a cor, outros a frequencia e consistência, bem como o cheiro. Alguns remédios também variam a cor (como o ferro).

Espero, com este post, contribuir para o aumento  da compreensão dos pais,  de um dos idiomas que bebês e crianças “falam”.

Aguardo comentários, sempre bem-vindos.

OLIVIA APROVA NOVOS PRATOS!

Comida de criança também pode ser algo criativo, tanto nas receitas, quanto nas apresentações. Já comentei sobre a importância de apresentações criativas, para estimular o apetite das crianças que “não comem

imageNa foto, vemos a Olivia, que é a provadora oficial dos cardápios do seu pai.  Pelo sorriso da Olivia vocês já sabem o que está por vir: mais um prato com novidades do Chef Gabriel.

Publico abaixo as receitas do que está no prato que a Olivia come com tanto prazer. Chamo a atenção para a forma criativa de preparar uma “pasta” de músculo, a ser colocada sobre os alimentos. image (11)

Espero que estas receitas inspirem a todos os leitores a se tornarem mais criativos com os pratos de seus filhos. Nas fotos deste post a Olivia está com 9 meses de idade, mas, desde os 7 meses (fotos do primeiro post com receitas), que ela já come um prato com a comida separada, produzindo também, um belo estímulo visual.

Obrigado Olivia e Gabriel, por mais essa rodada de receitas e bom apetite para todas as crianças (e algumas mamães e papais que não resistirão e irão provar também!).

Batata baroa com salsinha 

  • Batata baroa – 2 médias
  • Alho picado – 1 dente pequeno
  • Cebola picada – ½  unidade pequena
  • Salsinha picada – 2 colher de chá
  • Azeite – 2 colheres de chá
  • Sal – 1 pitada
  • Caldo de frango caseiro sem sal 

Cozinhe as batatas baroas descascadas no caldo de frango a ferver, até amolecerem. Retire da água e escorra bem. Amasse com um garfo ou espremedor de batatas.

Aqueça o azeite em uma frigideira e refogue o alho e a cebola picados. Não deixe dourar muito somente amolecer. Adicione a batata baroa amassada e refogue bem, desligue o fogo e misture a salsinha picada e o sal.

Guarde na geladeira em um vidro esterilizado e bem fechado.

Purê de ervilha

  • Ervilha seca – 1 xícara de chá
  • Cebola picada – ½ grande
  • Alho picado – 1 dente médio
  • Azeite – 2 colheres de sobremesa
  • Sal – 2 pitadas
  • Caldo de carne ou frango caseiro e sem sal – 2 e ½ xícaras de chá 

Cozinhe a ervilha no caldo a ferver até que fique bem macia. Escorra bem, mas reserve um pouco do caldo. Passe a ervilha em um processador de alimentos ou no liquidificador até virar um purê, não precisa ficar extremamente liso. Se precisar adicione um pouco de caldo para não ficar muito seco.

Refogue o alho e a cebola picados até amolecerem, sem dourar, adicione o purê de ervilha e o sal, mexa bem e deixe pegar gosto por uns 2 minutos.

Guarde na geladeira em um vidro esterilizado e bem fechado.

image (3)

Abóbora com hortelã 

  • Abobora vermelha descascada e em cubos pequenos – 2 xícaras de chá
  • Cebola picada – ½ unidade média
  • Alho picado – 1 dente médio
  • Hortelã picado – 1 colher de sobremesa
  • Azeite – 1 colher de sobremesa
  • Sal – 2 pitadas
  • Caldo de carne ou frango caseiro sem sal – 500 ml 

Cozinhe a abóbora cortada em cubos no caldo a ferver. Quando estiver bem macia, escorra e amasse com um garfo ou espremedor de batatas (não precisa ficar muito liso).

Em uma frigideira aqueça o azeite e refogue o purê de abóbora por uns 2 minutos até pegar sabor. Retire do fogo e misture o hortelã picado e o sal.

Guarde na geladeira em vidro esterilizado e bem fechado.

Bertalha refogada 

  • Bertalha – 1 maço
  • Alho picado – 1 dente médio
  • Cebola picada – ½ unidade pequena
  • Azeite – 2 colheres de chá
  • Sal – 1 pitadinhas 

Desfolhe a bertalha e cozinhe as folhas em água fervente até amolecerem, não cozinhe demasiadamente para não perder a bonita cor verde. Retire da água e escorra bem, reservando um pouco do caldo.

Transforme as folhas de bertalha em um purê no liquidificador ou com um mixer.

Em uma frigideira aqueça o azeite e refogue a cebola e o alho picados, até que amoleçam sem deixar dourar muito. Adicione o purê de bertalha e cozinhe por 1 minuto até pegar sabor. Adicione o sal e misture bem. Retire do fogo.

Guarde na geladeira em vidro esterilizado e bem fechado.

Músculo refogado 

 

  • Músculo cortado em cubos pequenos – 2 xícaras de cháimage (7)
  • Cebola picada – 1 pequena
  • Alho picado – 2 dentes
  • Cenoura picara – 2 colheres de sopa
  • Tomilho picado – 1 colher de chá
  • Salsinha picada – 1 colher de chá
  • Louro – 1 folha
  • Azeite – 1 colher de sopa
  • Caldo de carne ou frango caseiro sem sal – 5 xícaras de chá
  • Sal – 2 pitadas 

 

Em uma panela aqueça o azeite e refogue a cebola e o alho picados até amolecerem, adicione a cenoura picada cozinhe mais um pouco. Coloque o músculo e refogue bem. Despeje o caldo na panela e adicione a folha de louro.

 

Cozinhe em fogo médio até a carne ficar bem macia. Desligue o fogo, escorra a carne reservando um pouco do caldo.

 

Passe a carne com todos os outros ingredientes, menos a folha de louro, no liquidificador ou processador até virar uma pasta, que não precisa ser muito lisa. Se necessário coloque um pouco do caldo reservado.

 

Guarde na geladeira em pote de vidro esterilizado.

 

ESCOLINHAS E DOENÇAS

bebes em creche1

Com o início de um novo semestre escolar, muitos pais  perguntam se colocar seus filhos em creche ou escola aumenta a probabilidade de contraírem doenças? A resposta é sim. Mas, isso não deve ser motivo de maiores preocupações.  Vou tentar explicar o que acontece.

Qualquer situação onde um número maior de pessoas compartilha um espaço fechado, aumenta as chances de alguém contrair uma doença simples como um resfriado ou uma virose inespecífica.  Mais pessoas significa mais chances de que uma delas esteja eliminando algum tipo de vírus, mesmo que não tenha sintomas. O espaço fechado favorece o contágio desse vírus. Assim, crianças que moram nas suas casas, com um número reduzido de pessoas, ao serem colocadas em creche ou escolinhas, passam a conviver com um número bem maior e isso favorece a transmissão de doenças. Um passa para o outro e assim vai e os ciclos vão se repetindo.

Quanto menor a criança, mais chances ela tem de contrair doenças simples na creche ou escola. Isso porque seu sistema imunológico (de defesa) ainda não está plenamente amadurecido.

As doenças mais comuns em crianças em creches são os resfriados e diarreias. Ambos, de origem viral. Nas escolinhas, com crianças já maiores, os resfriados continuam a liderar o ranking das doenças, mas o número de diarreias diminui. Em contrapartida, quanto mais as crianças brincam juntas, o que acontece com as mais velhas, maior a chance de contraírem doenças como impetigo (infecção bacteriana da pele) e se infestarem por piolhos.

Visto por esse ângulo (das doenças), pode parecer que colocar os filhos em creche ou escola seja um horror completo. Não é! Apenas, aumenta um pouco a probabilidade de contraírem algumas doenças simples, de fácil tratamento.  O mundo e não só feito de  creches e escolas e, se olhado através das lentes de um microscópio, é um lugar muito perigoso!  Mas, os seres humanos saudáveis possuem bons final de ano crechemecanismos de defesa que nos permitem viver bem nesse mundo.  Mais do que isso, estudos mais recentes demonstram que crianças excessivamente “protegidas”, apresentam mais alergias e doenças de pele do que aquelas que se expõem a uma dose (segura) de vitamina S!

Em um mundo onde mães e pais trabalham, uma creche ou escolinha é, certamente, uma ótima opção. Basta saber que, muito provavelmente, alguns resfriados serão enfrentados e a vida vai seguir, alegre e divertida. Ou algum pai vai me dizer que não derramou uma lágrima naquela primeiríssima apresentação de fim de ano?

MEU BEBÊ CHORA!

Bebês choram! É da natureza dos bebês, chorarem. Já escrevi sobre o choro do bebê em umbabycrying3 post onde também falava de cólicas.  Acredito que o tema mereça um segundo post, ainda que possa repetir algumas coisas já ditas.

Bebês choram por vários motivos. O primeiro, é quando querem chamar a nossa atenção. Bebês falam uma língua que nós já falamos um dia, mas não nos lembramos mais. Quando choram estão comunicando algo que pode ser um desconforto, como por exemplo, fome, fraldas molhadas ou sujas, calor ou frio e, eventualmente uma dor que pode ser passageira (gases, cólica etc.) ou não.

Mas, nem sempre os bebês querem chamar a nossa atenção. Também choram como uma forma de “desligar” ou sobrepor estímulos externos intensos ou desconfortáveis, como sons e luzes. Ao chorar, o bebê não ouve mais o som que o incomodava que passa a ficar encoberto pelo próprio choro. Como, ao chorar, os bebês fecham os olhos, também “deligam” luzes desconfortáveis. É importante lembrar que a sensibilidade do bebê é muito diferente da nossa e o que não é desconfortável para nós, pode ser para um bebê, como o som de um liquidificador ou secador de cabelos. Não estou dizendo que estes sons serão sempre desconfortáveis, para todos os bebês. Apenas dei o exemplo para ilustrar o que disse a respeito de sensibilidades diferentes.

Um terceiro motivo para bebês chorarem é para aliviar ou descarregar tensões. Às vezes os bebês ficam irritadiços, sem motivo aparente. Resmungam, choramingam sem que consigamos identificar o que estaria acontecendo. Não raro,  após esse momento de irritação que pode incluir um choro, os bebês ficam mais alertas e, na sequência adormecem de forma profunda e tranquila. Este tipo de choro seria uma “decarga” de tensão, produzindo um novo equilíbrio e serenidade no bebê.

Podemos ver então, que nem todo choro é, necessariamente, o alerta de que algo ruim está acontecendo. Em algumas circunstâncias é um mecanismo de produzir conforto, seja encobrindo algo desagradável (som ou luz), seja ajudando o bebê a relaxar.

É importante lembrarmos que bebês humanos, diferentemente de outros mamíferos, sempre nascem relativamente prematuros. Os filhotes de outros mamíferos, com dois ou três dias de vida, estão de pé, andando, capazes de encontrar sua mãe para amamentar. Nós, humanos, por conta do tamanho do nosso cérebro (e cabeça), precisamos nascer bem antes porque o tamanho da bacia feminina não permitiria a passagem de uma criança de um ano de idade, em condições de andar e achar o peito da mãe! Assim, a dependência do bebê em relação à sua mãe é absoluta. Como dependemos do meio ambiente para evoluirmos (carinho, comida, conforto ambiental),  no início da vida é a mãe que representa o meio ambiente e o apresenta ao bebê.  O choro do bebê também está relacionado com essa apresentação de novidades, sendo sua única forma de comunicação, por um tempo. Essa relação inicial e inagural é muito importante para o sentimento de confiança que o bebê vai desenvolver em si e nos outros, bem como a formação de uma boa auto-estima que orientará o futuro adulto na sua vida.

Tudo isso é muito bonito e interessante, mas, o que fazer quando o bebê desanda a chorar e os pais têm vontade de chorar junto? Não tenho resposta mágico ou sequer uma resposta. A seguir algumas dicas:

  • primeiro, não se desespere. Aceite que é da natureza dos bebês chorarem.
  • não se cobre a perfeição. Bebês não precisam de mães perfeitas (que, aliás, nem existem). Bebês precisam de mães suficientemente boas, como definiu Winnicott, um pediatra inglês que se tornou psicanalista de renome.
  • verifique o “básico”: fome, arroto, fraldas sujas, calor ou frio.
  • segure seu bebê no colo. Não há a menor possibilidade de um bebê se tornar mimado ou “estragado” pelo fato de ser seguro no colo. Bebês precisam de colo. Bebês não precisam de treinamento para ficarem quietos nos seus berços.
  • balance suavemente o bebê. Você pode fazer isso de pé, sentada em uma cadeira de balanço ou rede. Não sacuda vigorosamente o seu bebê, para cima e para baixo. Isso pode ser perigoso. Sempre faça movimentos suaves com o bebê.
  • cante ou converse com o seu bebê. A voz da mãe tem um familiaridade que pode tranquilizar o bebê.
  • coloque uma música suave para tocar. Alguns bebês se acalmam com ruídos ritmados (ar condicionado, ventilador).
  • faça carinho de forma ritmada, dando uns tapinhas delicados nas costas, nádegas ou passando a mão na cabeça.
  • envolva o bebê no cueiro, de forma que a que fique contido de forma justa. Alguns bebês acalmam ao se sentirem mais contidos de uma forma mais firme (sem apertar em demasia).
  • coloque no carrinho de bebê e dê uma volta ou simplesmente movimente o carrinho.
  • dê um banho morno. A maioria dos bebês gosta de um banho, mas atenção- nem todos acham gostoso.
  • se você (mãe ou pai) estiver irritado com o choro do seu filho, peça para outra pessoa pegá-lo no colo. Você não tem obrigação nenhuma de estar sempre de bom humor ou disponível para seu bebê (ainda que a maioria das vezes estará).

Se, no entanto, o choro for completamente inconsolável, isso pode ser um sinal de alerta que algo não vai bem (excluindo cólicas). Meça a temperatura do bebê, tendo o cuidado de deixá-lo 10 a 15 minutos sem estar completamente agasalhado. Colocar o termômetro por dentro de roupas, mais manta, pode dar uma medida falsamente elevada. Avise seu pediatra se você suspeitar de que algo não vai bem. Nem precisa ter nenhum elemento objetivo para relatar. Sua simples suspeita é motivo suficiente para entrar em contato com o pediatra.

Finalmente e, talvez, o mais importante – ninguém, nem o pai, os avós ou o pediatra, pode saber mais do que você, mãe, sobre o seu bebê. Confie nas suas percepções e emoções. Você é a única PhD em seu bebê, no mundo!

QUANDO PAPAI É CHEFE DE COZINHA!

foto2Há sete meses atrás, Olivia entrou no consultório, carregada por seu pai , acompanhada pela mãe e escoltada por duas avós! Naquela época, Olivia era um bebê de 8 dias e seus pais tinham o rosto estampado com aquele “carimbo” de todos as mamães e papais de bebês pequenos: um misto de felicidade, alegria, espanto e cansaço!

Elisa, a mãe da Olivia, trazia uma listinha de perguntas. Gabriel, o pai, ficou calado praticamente a consulta toda. As avós, vigiavam (e controlavam) tudo, em silêncio. Mas que silêncio eloquente! Na consulta de um mês, Elisa trouxe nova lista com perguntas. Pessoalmente acho ótimo quando mães e pais trazem perguntas, dúvidas e questionamentos. A consulta fica muito mais rica e permite a todos ali presentes aprenderem uns com os outros, incluindo o pediatra. Gabriel permanecia calado, muito atento a tudo. Finalmente me dirigi a ele, dizendo: e você Gabriel, não quer perguntar nada? Gabriel hesitou por um instante e, finalmente, me perguntou: quando é que a Olivia vai poder comer uma sopinha? Lembro que Olivia tinha, nesta consulta, um mês de idade (eventualmente não aconteceu na consulta de um mês, mas na de dois. Pouca diferença faz). Gabriel estava se sentindo como muitos pais: um pouco sem função. Ou melhor, sem uma função “nobre”. A pergunta do Gabriel tinha uma explicação. Diferente da maioria dos pais, a profissão do Gabriel é Chefe de Cozinha. Assim, não podia esperar a hora de colocar todo seu talento a serviço da sua cliente mais importante- Olivia.

Olivia hoje está com 7 meses e é uma linda e saudável menina. Há um mês que Gabriel vem experimentando novas receitas  para tornar as refeições da Olivia um momento saudável e prazeroso. Pedi ao Gabriel para escrever algumas de suas receitas, para que eu pudesse publicá-las no blog. Pode parecer estranho que um pediatra resolva publicar receitas de comida de criança no seu blog. Mas, para mim,  não é nada estranho. Acredito que um pediatra deve tentar ser alguém que enxerga a criança dentro do seu ambiente familiar e que busca contribuir para a saúde da criança. Saúde não é só ausência de doença. Saúde é uma condição que permite às pessoas se relacionarem de forma afetiva com os demais. Nada mais afetivo do que o que se passa em torno de um prato de comida. Vamos às receitas! Escolhi as receitas aprovada pela Olivia, como demonstram as fotos. foto3

Tomate cozido com endro (dill)

 

Ingredientes:

  • Tomates Débora maduros – 2 unidades
  • Endro (dill) picado – 2 coheres de chá
  • Sal – 1 pitada

Modo de preparo:

Corte os tomates em 4 partes cada um e retire as sementes.

Em uma panela com água fervendo, cozinhe os tomates só até as peles começarem a se soltar, cerca de 20 segundos. Retire da panela e mergulhe em água fria.

Escorra os tomates, retire as peles e pique bem picado.

Em uma tijela, misture o tomate, o sal e o endro picado.

Ponha em um vidro previamente esterilizado e guarde na geladeira.

Observação: Antes de servir para o bebê, depois que a comida já tiver sido aquecida, misture ao tomate um fiozinho de azeite.

Brócolis com batata

 

Ingredientes:

  • Brócolis sem os talos e com as folhas – ½ maço
  • Batata – 1 unidade média
  • Sal – 1 pitada
  • Cebola picada – 2 colheres de chá
  • Caldo de carne ou frango caseiros sem sal – 1 xícara
  • Louro – 1 folha

Modo de preparo:

Descasque a batata, corte em pedaços pequenos e cozinhe em água fervendo com a folha de louro. Quando estiver bem macia escorra e faça um purê não muito liso.

Em uma panelinha coloque o brócolis cortado em pedaços, a cebola picada e o caldo. Leve a ferver abaixe o fogo para médio e deixe cozinhar por cerca de 3 minutos, não deixe cozinhar demais se não o brócolis perde a cor e nutrientes. Desligue o fogo quando o brócolis estiver macio mas não mole.

Escorra o brócolis e reserve um pouco do caldo que sobrou.

Bata o brócolis com a cebola picada e um pouco do caldo em um processador de alimentos ou pique muito bem picado e depois misture ao purê de batata e adicione o sal.

Coloque em um vidro previamente esterilizado e guarde na geledeira.

Purê de peixe com salsinha

 

Ingredientes:

  • Filé de peixe branco (linguado, tamboriu, namorado, tilápia) – 200 g
  • Salsinha bem picada – 2 colheres de chá
  • Louro – 2 folhas
  • Sal – 1 pitada
  • Azeite – 1 colher de café

Modo de preparo:

Corte o peixe em pedaços pequenos.

Em uma panelinha coloque uma quantidade de água que dê para cobrir os pedaços de peixe e leve a ferver em fogo alto com as folhas de louro. Quando ferver abaixe o fogo para médio e adicione os pedaços de peixe e cozinhe-os por cerca de 2 minutos.

Escorra os pedaços de peixe e coloque em um processador de alimentos com o sal, o azeite e 4 colheres de sopa do caldo que ficou na panela. Bata até que virê um purê grosso, não precisa bater demasiadamente transformando em uma pasta lisa.

Coloque em uma tijela e misture bem com a salsinha bem picadinha.

Coloque em um vidro previamente esterilizado e guarde na geledeira.

Cenoura refogada

 

Ingredientes:

  • Cenoura – 1 unidade grande
  • Cebola picada – 2 colheres de chá cheias
  • Sal – 1 pitada
  • Caldo de carne caseiro sem sal – ¼ xícara

Modo de preparo:

Raspe a casca da cenoura e cozinhe  em água ou caldo de carne caseiro sem sal, até amolecer.

Corte em cubos pequenos, ponha em uma panelinha, misture o resto dos ingredientes da receita e deixe cozinhar até a cebola amolecer e o caldo evaporar.

Pique bem pequeno em um processador de alimentos, mas não deixe virar uma papa lisa. Se não tiver processador pique bem picadinho com uma faca.

Colque em um vidro previamente esterilizado e guarde na geladeira.

Mais do que receitas, Elisa, Gabriel e Olivia nos mostram como ser criativos e ousados é muito divertido e produz coisas deliciosas. Basta olhar para o sorriso da Olivia e o belíssimo prato de comida!

Agradeço à Olivia por testar os pratos e seus pais, Elisa e Gabriel, pelo trabalho que tiveram organizando e me permitindo publicar suas receitas. Gabriel tem outras receitas muito criativas. Se vocês quiserem  mais receitas, comentem no blog que eu faço mais um post com as demais.


 

AJUDANDO SEU FILHO A FALAR

Antes de comentar sobre o aprender a falar, considero importante lembrar que a comunicação baby_on_phoneacontece muito antes do falar! Um bebê se comunica através de um sorriso, olhar, choro, balançar de pernas e braços, encostar de cabeça no colo, exibição de objetos etc. Muito antes de falar palavras, já existe uma comunicação que se estabelece entre o bebê e os adultos. Nem sempre somos capazes de entender o que querem nos dizer os bebês. Afinal de contas, eles falam uma língua que, um dia, conhecíamos bem e, hoje,  não lembramos mais!

A língua que falamos, usando palavras, vai ser lentamente assimilada  pelos bebês. Ainda bem pequenos, os bebês começam a distinguir a voz humana de outros sons e, em especial, a voz de sua mãe e de seu pai. Não raro, a voz dos pais faz com que um choro cesse ou o ritmo da mamada mude, sinalizando que, não só o som foi ouvido, como alguma identificação ou familiaridade foi estabelecida, pelo bebê.

À medida que o bebê cresce, aumenta a sua compreensão do que é dito pelos adultos. Inicialmente, distingue entonações, sorrindo quando determinados tons são empregados e olhando fixa e seriamente quando outros são empregados. Em torno do primeiro ano, não só reconhece os objetos pelas palavras atribuídas (copo, prato etc.), como é capaz de usar uma a duas palavras. Mas a comunicação continua sendo não verbal. Levanta os braços sinalizando que quer ser pego no colo, aponta para as coisas que deseja e imita alguns sons.

Uma grande “revolução” na comunicação falada acontece entre um ano e meio e dois anos. A criança compreende pronomes como você, eu e é capaz de balançar a cabeça afirmativa ou negativamente, de forma coerente com o que deseja expressar. Nesta época o vocabulário aumenta muito rapidamente, chegando a aprender uma palavra nova por semana. Nesta fase, a criança consegue apontar algumas partes do seu próprio corpo, corretamente. Em torno dos dois anos, consegue formar frases com duas palavras como: “vai papai ou minha boneca”, e aproximadamente 50% do que diz consegue ser entendido. Também é capaz de entender uma instrução simples como: coloque seu copo na mesa.

Essa evolução implica em um vocabulário cada vez maior, mais  rico e complexo. O aumento de vocabulário é acompanhado pela capacidade de estruturar frases incialmente simples,mas que vão ficando sofisticadas na sua construção. É uma fase deliciosa onde nossos filhos dizem coisas fantásticas, inimagináveis. Nos perguntamos, com alguma frequência, onde aprendeu isso? Junto com esse explosão de vocabulário e comunicação falada, surge a expressão da enorme curiosidade das crianças. É o momento em que as fabulosas perguntas começam a ser formuladas. Perguntas, para as quais, nem sempre temos respostas e nos fazem pensar fora da nossa rotina!

Quem chegou até aqui neste post deve estar se perguntando, onde estão as dicas para ajudar nossos filhos a falarem! Seguem abaixo:

  • o bebê é um ser humano completo que se comunica
  • cada criança é única, com seu ritmo e tempo próprios. Evitem comparar crianças, incluindo irmãos. Usem as idades de referência acima mencionadas, apenas como tal. Não façam das referências de idade uma meta a ser atingida;
  • fale com seu bebê no seu tom de voz habitual, talvez um pouco mais baixo. Uma coisa é falar de forma carinhosa, delicada, outra é como se o bebê fosse um bichinho. O bebê é um ser humano completo e, se queremos desenvolver a sua linguagem falada, devemos falar do modo com que seres humanos falam. Não há necessidade de dizer: papai vai tocá a faldinha do neném, para que a frase seja carinhosa. Pode muito bem dizer: eu vou trocar a sua fraldinha, em um tom amorosíssimo.
  • use, com frequência, a primeira pessoa do singular para se referir a si próprio. Se achamos estranho quando o Edson Arantes do Nascimento diz: porque o Pelé fez tal coisa…, como se fosse uma entidade à parte, porque vamos fazer o mesmo? Mamãe e Papai podem e devem ser usados, mas não devemos abolir ou eu na nossa comunicação falada;
  • leia para seu bebê. A partir dos 6 meses, leia livrinhos, mudando a entonação e ritmo da fala.
  • evite pressionar a criança com “performances” ou correções. Performance é aquela situação em que pedimos para a criança dizer para a vovó  uma certa palavra que aprendeu. Deixe que a palavra surja espontaneamente e faça um comentário positivo. Se o seu filho errar uma palavra, não o corrija dizendo que não é assim que se fala ou que ele já sabia falar essa palavra. Simplesmente use a palavra da forma correta;
  • aceite que, em determinados momentos onde seu filho não consiga dizer o que quer, fique muito irritado e mau humorado;
  • última dica e, talvez, a mais importante: esqueça todas as dicas (exceto a de ler para seu filho desde bem pequeno!) e siga sua emoção e bom senso. Faça desta fase da vida de seu filho um momento lúdico e prazeroso para todos.

Lembre-se que o seu pediatra é a melhor pessoa para lhe orientar, tirar suas dúvidas e lhe tranquilizar. Não hesite em falar com ele sobre o desenvolvimento da fala do seu filho, se esse assunto estiver lhe gerando algum tipo de preocupação.

Como sempre, comentários são bem-vindos. Só não consigo responder àqueles que me pedem uma opinião médica a respeito de uma situação específica, porque o blog não substitui uma consulta. Mas, na medida do possível, tento dar uma orientação sobre como proceder.