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QUANDO A MAMÃE É CHEF DE COZINHA!

Lucia é uma chef de cozinha que tem um canal no youtube (https://www.youtube.com/channel/UCYLysnuwNGfRc5y6QyLtyLQ) onde ensina a fazer deliciosos pratos. O desafio que propus à Lucia foi o de fazer um filme com alguma receita básica para bebês,  que pudesse servir de orientação para as mães. Luisa, sua filha é quem testou as receitas para o blog.

Como quem lê o blog sabe, a alimentação de bebês e crianças não pertence ao campo da ciência ou do conhecimento específico do pediatra. Pelo contrário, a alimentação de bebês e crianças é algo cultural e econômico. Como somos um país tropical, iniciamos a introdução de alimentos com frutas. Mas imaginem se uma mãe sueca vai ter bananas a um preço razoável para oferecer a seu filho? Ou uma mãe japonesa? Em cada país, os bebês começam sua alimentação sólida,  em função dos alimentos mais disponíveis, o que acaba produzindo hábitos culturais. Portanto, não ha porque se fazer um grande mistério a respeito deste momento que deve ser o mais natural e desprovido de “ciência e saber”. Aliás, como quase tudo relacionado a nossos filhos!

Mas, uma ajudinha, sem ser um roteiro rígido, pode ser interessante. Espero que vejam o vídeo e leiam as receitas abaixo como uma fonte de inspiração à criatividade culinária de vocês e não como um “manual da boa alimentação do bebê”.

Obrigado à Lucia pelas receitas e à Luisa por tê-las provado e aprovado. Divirtam-se na cozinha e, mais ainda, vendo seus filhotes se deliciarem.

Leia também: QUANDO PAPAI É CHEFE DE COZINHA!   OLIVIA APROVA NOVOS PRATOS!  INTRODUZINDO COMIDA PARA O BEBÊ

Papinhas para bebês – 1ª fase: iniciando os sabores

Base das preparações:

Caldo de frango

Ingredientes:

– 600g de peito de frango;

– 1 cebola grande ou 2 pequenas;

– 3 dentes de alho;

– 3 cenouras;

– 1/2 maço de salsinha;

– 3 galhinhos de tomilho fresco;

– 2 l de água.

 

Modo de preparo:

 

– Lave bem o peito do frango em água corrente;

– Coloque-o na panela de pressão com 2 l de água, juntamente com os outros ingredientes picados grosseiramente;

– Assim que a panela começar a chiar, abaixe o fogo e deixe cozinhar por 40 minutos;

– Coe o caldo e use somente o líquido no preparo das papinhas.

 

Caldo de carne

Ingredientes:

– 600g de músculo, acém ou patinho;

– 1 cebola grande ou 2 pequenas;

– 3 dentes de alho;

– 3 cenouras;

– 1/2 maço de salsinha;

– 3 galhinhos de tomilho fresco;

– 2 l de água;

 

Modo de preparo:

 

– Corte o músculo em cubos grandes;

– Coloque-os na panela de pressão (de preferência antiaderente) bem quente e deixe-os refogando até ficarem bem dourados;

– Acrescente os outros ingredientes picados grosseiramente e, em seguida, a água.

– Assim que a panela começar a chiar, abaixe o fogo e deixe cozinhar por 40 minutos.

– Coe o caldo e use somente o líquido no preparo das papinhas.

 

Papinha de batata doce, abobrinha, ora-pro-nóbis e caldo natural de frango (rende aproximadamente 7 porções de 150g)

 

Ingredientes:

 

– 400g de batata doce;

– 1 unidade de abobrinha italiana (200g);

– 30g de ora-pro-nóbis (aproximadamente 30 folhas);

– 500 ml de caldo de frango;

– sal marinho (pouco).

 

Modo de preparo:

 

– Em uma panela de pressão junte as batatas doce descascadas e cortadas grosseiramente;

– Junte a abobrinha cortadas com casca e as folhas de ora-pro-nóbis;

– Acrescente o caldo de frango e o sal;

– Tampe a panela e, assim que começar a chiar, cozinhe por 20 minutos em fogo baixo;

– Bata a papinha em um mixer ou no liquidificador até atingir a consistência desejada;

– Porcione as papinhas, deixe-as esfriar e leve ao congelador;

– As papinhas duram por até 6 meses no congelador e até 3 dias na geladeira;

– Ao servir coloque um fiozinho de azeite extra-virgem.

 

Papinha de mandioca, chuchu, couve e caldo natural de carne (rende aproximadamente 7 porções de 150g)

Ingredientes:

– 200g de mandioca;

– 4 folhas grandes de couve;

– 2 unidades de chuchu (350g aproximadamente);

– Sal marinho (pouco);

– 500 ml de caldo de carne.

 

Modo de preparo:

– Em uma panela de pressão junte as mandiocas descascadas e cortadas em pedaços não muito grandes;

– Junte a couve e o chuchu cortados grosseiramente;

– Acrescente o caldo de carne e o sal;

– Tampe a panela e, assim que começar a chiar, cozinhe por 20 minutos em fogo baixo;

– Depois de cozida, retire da mandioca o fio duro que fica no meio dela;

– Bata a papinha em um mixer ou no liquidificador até atingir a consistência desejada;

– Porcione as papinhas, deixe-as esfriar e leve ao congelador;

– As papinhas duram por até 6 meses no congelador e até 3 dias na geladeira;

– Ao servir coloque um fiozinho de azeite extra-virgem.

 

Leia também: QUANDO PAPAI É CHEFE DE COZINHA!   OLIVIA APROVA NOVOS PRATOS!  INTRODUZINDO COMIDA PARA O BEBÊ

A IMPORTÂNCIA DO HUMOR!

capa (1)Claro que humor não combina com doença. Doença não tem a menor graça. Mas, felizmente, crianças adoecem pouco. Nem por isso, dão menos trabalho. É desse trabalho, que pode ser percebido como uma desgraça, que gostaria de propor que passe a ter graça (humor). Para não ficar um ensaio teórico, sem graça (não resisti à brincadeira), vou contar a história de um casal que me procurou no consultório, há cerca dois anos atrás.

Recebo uma ligação telefônica de uma moça  grávida que  tinha recebido a indicação de meu nome para ser pediatra do filho que viria a nascer. Queria marcar uma entrevista comigo, coisa que prontamente organizamos. Entrevista com pediatra, para quem não sabe, é aquela prova de avaliação completa que a futura mãe, acompanhada ou não do pai e/ou da avó, faz do médico. Por mais que disfarce, entra no consultório com olhos arregalados, observando todos os detalhes. Da decoração à iluminação, passando pela organização e limpeza. Uma vez satisfeita essa curiosidade os olhos maternais pousam sobre o pediatra que, meio sem jeito, tenta iniciar uma conversa. Olá, o que posso fazer por vocês? Ou alguma outra coisa do gênero. Pois bem, ali estavam, na minha frente Claudia e Allan. Não me lembro dos detalhes da nossa conversa. Mas me chamou a atenção a profissão de ambos. De alguma forma, os dois eram humoristas, profissionais. Nunca disse para eles, o que vou revelar agora: que inveja! Ter como profissão cutucar o pensamento das pessoas, fazendo com que riam e, idealmente, pensem. Mantive minha melhor cara de médico neutro, isento e continuamos a conversa. Em dado momento, mais para o final da entrevista (prova!) me ocorreu fazer uma pergunta “inteligente”, “sensível”: o que vocês esperam de um pediatra? Pronto, pensei, grande pergunta essa! Os dois se entreolharam, rindo. Allan se vira para mim e responde: se o pediatra não for pedófilo, já é um bom começo! Gostaria de ter visto a minha cara, neste momento. Tentei manter um ar digno, mas, devo ter ficado com cara de pateta mesmo. A tal ponto que o próprio Allan veio em meu socorro, complementando: precisamos de um pediatra que tenha bom humor. Ufa! Respirei aliviado e pensei: esses não sabem com quem estão se metendo!

O humor passeia por um território simbólico ou, dito de outra forma, irracional. Se pensarmos bem, uma piada, tira de cartum, charge ou paródia, à luz de uma racionalidade lógica, não tem a menor graça. Mas, rimos! O que nos faz rir é uma conexão entre o que o autor ou narrador do episódio humorístico sugere e uma emoção que nos pertence. Nesse sentido, o humor funciona exatamente como uma obra de arte que nos toca. Burla os filtros racionais e vai direto ao lado menos visível de nós mesmos: nossos sentimentos. O humor que nos faz rir, é uma revelação de sentimentos e emoções, contidos em um sorriso ou gargalhada.

Ter filhos é um turbilhão de emoções e sentimentos. Por mais que possamos buscar, através da leitura, cursos preparatórios ou de formação de pais, o conhecimento que tranquiliza e dá a sensação de conseguirmos controlar com eficiência a situação, o nascimento de um filho demole esse edifício ilusório de “gestão” e nos coloca face à face com sentimentos inéditos. Mais do que inéditos, são sentimentos intensos, fortíssimos e, não raro contraditórios. Do espanto de um amor jamais sentido, à impotência diante de um bebê que chora, passando pela irritação incontrolável que o cansaço dos primeiros dias gera e a descoberta surpreendente que aquele bebê real, tem apenas uma vaga semelhança com o idealizado enquanto estava na barriga da mãe. Mais, ao mesmo tempo em que esses sentimentos vão surgindo, aos borbotões, o bebê demanda atenção prática, ação, iniciativa e tomada de decisões ( Será que é fome ou frio? Troco a fralda ou dou de mamar? ) O bebê não tem dó dos pais, impedindo que o fiquem contemplando (exceto naqueles deliciosos momentos em que o bebê adormece) e usufruindo desse turbilhão de sensações. A vida dos pais é quase como uma esquizofrenia: sensações intensas e trabalho real (escravo?) 24h dia, 7 dias na semana.

Pintei um quadro com cores fortes, exageradas, mas, verdadeiro, para a maioria dos pais. Nesse cenário, a noção de desgraça pode se instalar, com facilidade. Tudo passa a ser um problema, uma dificuldade, um obstáculo quase intransponível. Prova disso é uma pergunta, com suas variações, que os pais se fazem, fazem aos seus pais e aos pediatras: quando que isto vai melhorar?

Pois bem, é nesse momento que o humor pode entrar em cena e minimizar o peso e o cansaço dessa maratona que parece não ter fim (como toda boa maratona!). A capacidade que temos de rirmos de nós mesmos e do outro, nos conecta com as emoções envolvidas no cuidar dos filhos. Nos tira, um pouco, do mundo lógico onde tudo precisa ter uma explicação, uma razão e, consequentemente, a possibilidade de ser compreendido e controlado. Essa visão de mundo, serve para uma vida cotidiana rotineira, certamente para a vida corporativa ou profissional, mas, não serve para os momentos das nossas vidas, regidos pelas emoções, como o nascimento de um filho. Para estes momentos, é preciso que aprendamos a funcionar em outra dimensão e o humor é a ponte que nos leva até ela. Para quem gosta de física, mal comparando é como a física Newtoniana e a física Quântica. A primeira é lógica, organizada, nos permite medir e prever fenômenos com alguma precisão, nos dando conforto com a previsibilidade e segurança com a sensação de controle. A física Quântica, igualmente científica, nos revela um mundo de incertezas (não se pode conhecer, ao mesmo tempo, a posição e a velocidade de uma partícula) e de ambiguidades que soam como totalmente ilógicas ( a luz tanto pode ser uma onda, quanto uma partícula, depende do observador!). A física Quântica subverte a Newtoniana, sendo que as duas convivem. Assim é o nascimento de um filho, uma subversão de tudo que fomos ensinados a acreditar como sendo a única lógica possível (a da racionalidade) e a entrada em cena de um tsunami de emoções.

Proponho,  que o humor é o melhor veículo para nos levar a uma viagem por esse mundo de emoções de forma menos ameaçadora do que a de passarmos por ele, a bordo de uma “Ferrari da lógica” ou “Mercedes da racionalidade”. Nos momentos onde o desespero deseja se instalar, onde a sensação de impotência e incompetência se manifestem, desliguemos, por alguns instantes, o racional e usemos o humor. Conversemos com o bebê de forma franca. Tão franca que um estranho vendo essa conversa tenha a certeza que devamos ser internados em instituição psiquiátrica. Façamos perguntas impublicáveis aos nossos filhos: por que você está fazendo isto comigo? o que foi que eu te fiz? você acha que vai me levar à loucura? já levou, pode parar! Enfim, essas perguntas podem ser feitas para si próprios ou para as companheiras/companheiros. A ideia é que o riso instalado, reconecte as emoções, produzindo um pouco de paz. Onde há riso, há leveza e flexibilidade. Ao contrário, onde há somente racionalidade e lógica, se instala o rigor que significa dureza, firmeza. Todos nós sabemos que coisas duras, rígidas, quebram com mais facilidade do que as flexíveis. O humor nos protege da quebra e nos permite uma aproximação maior com nossas emoções, consequentemente com nosso bebê.

Passados quase dois anos do nascimento do Max, Claudia e Allan lançam um livro onde colocam em tirinhas uma parte do humor com que enfrentaram esses duros dias inaugurais. As duas capas do livro ilustram o post de hoje e recomendo a todos os pais que o leiam. Não com o intuito de descobrirem novas regras que os ajudem a entender e controlar as situações, mas, que possam ser tocados pela coragem dessa família que optou por viver com humor (emoção) esses momentos. Essa coragem é uma que todos temos. Basta retirarmos uma capa racional ilusoriamente eficiente que nos cobre,  para que esse humor se revele. Basta termos a coragem de rir, eventualmente chorar (literalmente) de rir, para que a vida com um bebê pequeno fique com mais graça. O trabalho, será o mesmo. A sensação, radicalmente diferente. O humor é uma aula do inesperado. Filhos, também!

Meus agradecimentos à Claudia, Allan e Max por terem me autorizado a utilizar a sua história para contar esta para vocês.

COM QUE IDADE IR PARA A CRECHE OU ESCOLA?

Babies-Playing2Transcrevo,  um diálogo mantido no whatsapp, com a mãe de um menino de 1 ano e 10 meses,  que me motivou a escrever este post:

– Ele entrou na escolinha, será que tem exaustão misturada tb?

– Não só exaustão, como adaptação e emoções confusas.

– Quem está sofrendo mais com a adaptação é o pai. Hoje vasculhei seu blog sobre alguma coisa que falasse da idade para se colocar a criança no colégio mas não achei. Rsrs. Eu acho importante ele socializar. O pai acha que eu estou seguindo o hype das mães.

– Francamente, nessa idade, a socialização é mínima.

– Tô doida então?Rs. Devia esperar mais? Fica a dica para um post no blog!

– Vou pensar. Boa sugestão.

– Espero que pense no blog, não se eu estou doida. Rs

– Não está!

– Obrigada! Rs.

Afinal de contas, com que idade uma criança deveria ir para a creche ou escola? Como quase todas as perguntas que eu faço aqui no blog, esta também não tem uma resposta única, certa. A pergunta a se fazer, seria: qual a motivação que os pais têm para colocar os filhos na creche ou escola? Abaixo, algumas respostas que imagino possíveis:

Pais que trabalham. Neste caso, a ida para a creche ou escola será determinada pela necessidade dos pais e não da criança. Se a mãe precisa voltar ao trabalho após o término da licença maternidade, o que ocorre com a maioria das mães, alguém deverá cuidar do bebê de 4 ou 5 meses de idade. Ou um familiar adulto (avó, tia, madrinha) pode cuidar, ou alguém de muita confiança pode ser contratada para ficar cuidando do bebê ou os pais irão colocar o filho em uma creche. O motivo, neste caso, é uma necessidade dos pais se ausentarem de casa e decidirem qual a melhor alternativa possível, para esta família, resolver a questão de quem vai cuidar do bebê.

Pais que precisam de parte do dia livre. Nem todos os pais têm um emprego com carteira assinada e compromisso de horário. No entanto, muitos têm atividades como autônomos e precisam de parte do dia livre para poderem retomar suas atividades. Neste caso, nem sempre isso ocorre quando o bebê tem 4 ou 5 meses. Alguns pais conseguem se organizar para retomar suas atividades um pouco mais tarde, quando o bebê já está um pouco maior. Dentro desta categoria eu também incluiria pais que se sentem cansados da dedicação total e absoluta que um bebê exige e precisam de um tempo para si, sem que seja, necessariamente, um trabalho produtivo. Lazer ou ter seus interesses é necessário e saudável. Neste grupo de pais, a questão da necessidade é parecida com a dos que retornam ao trabalho com patrão que cobra o término da licença e horários. Quem precisa que o bebê seja cuidado são os pais e as opções serão as mesmas descritas acima: familiares, alguém contratado ou uma creche.

Pais que leram, ouviram falar ou acreditam que o quanto antes a criança interage com outras, melhor para o seu desenvolvimento. Sem dúvida, a interação com outras crianças (e adultos) é benéfica. No entanto, o  “quanto antes”pode ser questionado. Bebês seguem uma certa sequência de desenvolvimento motor e emocional. Isso é visível para todos nós. A diferença entre um recém-nascido, um bebê de 6 meses e uma criança de um ano e meio é gritante (no caso, o gritante pode ser a única coisa constante em todas as idades!). Portanto, em cada etapa do desenvolvimento da criança, ela se beneficia de determinados estímulos. Ninguém pensaria em dar um lego para um recém-nascido montar, por exemplo. Mas, quando a criança começa a crescer, estas decisões de que estímulos devemos dar fica menos clara. Mais do que isso, vivemos em um sociedade  onde há um predomínio  do fazer, do resultado, do objetivo alcançado. A cultura gerencial, ótima para empresas, invadiu nossas vidas privadas, quer nos demos conta, gostemos ou não. Assim, é fácil pensarmos que a ideia de socializar o quanto antes o filho vai ser bom para ele. No entanto, o fato é que crianças só irão se beneficiar de uma socialização quando estiverem prontas para isso. Em geral, isso ocorre ao redor dos dois anos. Cada criança é diferente e existem as que gostam da companhia de outros, um pouco antes dos 2 anos e outras que só vão achar graça em brincar com um amiguinho ou amiguinha, depois dos 2 anos. O normal não é uma idade precisa ou, crianças não são médias estatísticas. São indivíduos únicos. A “normalidade” é uma faixa e não um ponto.

Crianças de um ano, um ano e meio, gostam de brincar sozinhas. A presença de outras crianças, em geral, não faz a menor diferença para elas. Podem ter a curiosidade despertada para o outro bebê, como teriam para um brinquedo ou objeto. Ainda não percebem no bebê um semelhante com quem poderão interagir. Logo, pouca ou nenhuma socialização irá ocorrer, nesta idade. À medida que a criança se aproxima de 2 anos, a ideia de brincar ao lado de outra, eventualmente com alguma troca, começa a se fazer presente. É o início da socialização que vai aumentando, até que brincar em grupo se torna algo muito divertido.

Portanto, os pais podem colocar seus filhos na creche ou escola, em qualquer idade. Apenas, não utilizem o pretexto da socialização, antes da hora! O que não significa que a criança não se divirta e tenha prazer em frequentar uma creche ou escola que a acolha com carinho e tenha atrativos para seu entretenimento, como brinquedos, cores, e profissionais que leiam histórias e sejam amorosos.

Não vamos nos esquecer que, há muito pouco tempo, essa questão de com que idade devo colocar meu filho na a-kids-playingcreche ou escola, nem existia. Era o tempo em que existia a pracinha, o encontro das mães e das crianças, ao ar livre, sem projeto psico-pedagógico ou estimulação precoce. Crianças no chão, mães conversando entre si, interrompidas por um puxão de cabelo aqui, uma disputa de brinquedos ali e um choro ocasional. Muitas dessas crianças que brincaram na praça ontem, hoje, podem estar lendo este blog. São adultos que, em geral, convivem bem com os outros, trabalham, estabelecem vínculos afetivos, se relacionam com amigos e uns dias estão mais bem humorados e outros nem tanto.

Claro que vivemos em outros tempos. A começar pelo número de mulheres que trabalha e participa de forma significativa do orçamento familiar. A questão da segurança também se modificou. Hoje, todos temos receios que há alguns anos não eram tão marcantes.  As cidades também se modificaram com mais prédios e condomínios substituindo as casas. As famílias se tornaram menores e mais isoladas (nos apartamentos). Não podemos ter uma visão romântica de que a pracinha vai voltar a ser o que era. Mas, podemos afirmar que a socialização acontece sem que se tenha que fazer nada muito especial. A creche ou escola passaram a representar um pouco do que a pracinha representava. Se divertir é o melhor caminho para a socialização e a creche pode ser um lugar muito divertido. Só não sei responder com que idade uma criança deva ser levada para a creche ou escola! Como viram, vai depender de muito fatores. Até, se existe uma pracinha com crianças, perto de casa!

 

 

 

LENDO PARA BEBÊS.

bebê lendoUma das perguntas frequentes que pais fazem para pediatras é sobre como estimular seu bebê. Contida nesta pergunta está a preocupação natural de oferecer aos nossos filhos todos os meios para o seu pleno desenvolvimento. Todos nós desejamos que nossos filhos sejam adultos inteligentes e bem sucedidos. Para isso, deverão aprender muitas coisas, sendo que a mais importante é aprender a aprender. Como tudo evoluiu, avança, muda, as pessoas com a capacidade de incorporar novos conhecimentos, em princípio, terão maior possibilidade de realização pessoal e sucesso profissional. Assim, o assunto de como estimular os filhos faz todo sentido. O que nem sempre faz sentido, para os pais, é a resposta que costumo dar: leia para seu bebê! Não raro, me olham respeitosamente desconfiados, quando não decepcionados. Suponho que muitos esperavam uma resposta que envolvesse alguma tecnologia eletrônica, outros, algo menos comum e banal do que a leitura. Quem sabe expor o bebê às sonatas de Mozart?

O espanto, compreensível, advém do fato de que bebês não sabem ler. Parece completamente sem propósito ler para alguém que ainda não lê. Pergunto então por que falamos com nossos filhos, desde o momento do nascimento, se ainda não sabem falar? E cantamos cantigas, sem que saibam cantar? Falamos e cantamos porque temos vontade, é irresistível, instintivo e natural. Nunca passou pela cabeça de nenhum pai ou mãe ficarem mudos até que a criança comece a falar. Se ficássemos mudos, como aprenderiam a falar, cantar e se comunicar?

Falar é algo natural no ser humano. Já leitura é uma conquista da nossa evolução. Há cerca de aproximadamente 60 mil anos que o homem fala. Mas, a escrita e, consequentemente, a leitura, só têm aproximadamente 12 mil anos. Faz todo sentido que a fala, a narrativa verbal, tenha um força maior para nós, até os nossos dias. Nem todas as pessoas no planeta sabem ler, mas, todos sabemos contar uma história ou narrar um episódio. Ler é um processo adquirido e exige algum esforço adicional do que falar.

Ler é a base da transmissão do conhecimento estruturado. Se quisermos que nossos filhos aprendam a aprender, para que possam ser sujeitos do seu futuro, o hábito da leitura passa a ser determinante. Textos podem ter complexidades variáveis, desenvolvendo aptidões de análise e elaboração teórica que a fala, por si só, não é capaz de desenvolver. Textos e suas leituras são uma forma de prazer, que exige algum tempo para ser desenvolvida. Assim como comer tem algo de intuitivo e fácil (leite materno), evoluindo para gostos mais complexos que são aprendidos ao longo do tempo (se formos apresentados a estes sabores), assim é a leitura.

Espero que, se você leu até aqui, já esteja inclinada (o) a acreditar que ler é algo interessante para seus filhos. Mas, por que ler para um bebê? O primeiro motivo é o mesmo que usamos para falar para um bebê. Se esperamos que aprenda a falar, é preciso que falemos para nossos bebês. Se queremos que se tornem leitores, é preciso desenvolver nos bebês o gosto e prazer pela leitura, antes que seja uma obrigação escolar. Do que um bebê mais gosta? Do contato físico com seus pais e do som das suas vozes. Ler no colo dos pais irá produzir uma agradável associação entre o ato da leitura e o calor, carinho e voz dos pais. Ler estará associado a momentos de prazer e não de obrigação escolar.

O segundo motivo é porque a leitura, de fato, estimula  a inteligência dos bebês. Se fixar em cores, ouvir ruídos, gradativamente reconhecer as coisas que estão nos livros como também  fazendo parte das suas vidas, são poderosos estímulos que exigem a participação dos bebês. A leitura é um processo interativo, nunca passivo e isto é muito importante para o desenvolvimento das capacidade intelectuais da criança. Mesmo os bebês de 6 meses terão alguma interação com os livros. Batem nas páginas, mordem ou chupam os cantos (melhor livros de plástico!), arrancam das mãos dos pais, nunca ficando completamente passivos.

À medida que o bebê vai crescendo, sua capacidade de fixar a atenção aumenta (não é preciso terminar histórias, quando a criança se desinteressar, parem a leitura), começa a repetir sons, identificar objetos (mostre o objeto no livro e mostre na casa, se houver). Quando crescem um pouco mais, frequentemente preferem repetir o que já conhecem do que ler algo novo. Não raro trazem o livro para os pais lerem. Não é preciso ler uma história nova cada vez. A mesma história, repetidas vezes, produz o prazer da antecipação que é simplesmente delicioso.

Ler para os bebês e crianças, desenvolve a concentração, memória e capacidade de ouvir. Estas aptidões são importantes, pela vida afora e se não forem desenvolvidas cedo ou, no seu lugar, oferecermos apenas os estímulos rápidos e superficiais de jogos “hiperestimulantes”, corremos o risco dos nosso filhos não conseguirem se concentrar e fixar em questões mais profundas e complexas, que levam a uma compreensão mais abrangente da profissão e, mais importante, da vida e o estar no mundo. reading_baby

Guardo para o final do post, o motivo definitivo para que leiamos para nossos filhos, desde bebês e a infância afora. Com a nossa vida agitada,
ocupada, eficiente e produtiva, qual o valor de 10 minutos de contato físico  e compartilhamento de prazer com nossos filhos? Qual o valor de 10 minutos onde deixamos de ser qualquer outra coisa e podemos ser mães e pais, por inteiro? Qual o valor de perceber nossos bebês crescendo, desenvolvendo aptidões novas que geram comentários e perguntas fascinantes? O motivo para lermos para nossos bebês é porque é muito gostoso para nós, adultos.

 

RESFRIADO, DE NOVO!?

Se as crianças podem  ficar resfriadas várias vezes, por quê não escrever mais de um post sobre o assuto? Em maio de 2012 escrevi O resfriado3RESFRIADO COMUM. Sugiro que cliquem no link e deem uma lida porque, esse post contém alguns comentários que valem a pena serem relembrados, principalmente agora, com a mudança de estação, o frio chegando,  e o número de crianças (e adultos), com resfriado aumentando muito. 

No post de hoje eu gostaria de reforçar alguns pontos, na tentativa de ajudá-los a passar pelos resfriados que virão. Acredito que pais bem informados conseguem administrar um pouco melhor as aflições, normais, que todos temos quando um filho está doente. Sei bem que o resfriado no blog, bem explicado, com todos os sintomas justificados, é uma coisa. Outra, bem diferente, é uma criança acordada às 2 da manhã, choramingando, com 39,4 de febre, que começa a tossir e, na sequência vomita! Ouvir o pediatra dizer que isso é normal e que vai durar “apenas” 4 a 7 dias, é desesperador. Tudo que queremos é um remédio que, de preferência em uma ou duas doses no máximo, devolva nosso filho à normalidade. Além da insegurança que a doença gera nos pais, cuidar de uma criança resfriada produz um cansaço físico dez vezes maior que o habitual (que já é grande). A criança fica irritada, não se satisfaz com nada ou se satisfaz por pouco tempo, exige atenção, pede colo e, para piorar, não come absolutamente nada!

Ao escrever o parágrafo acima, quase desisti do post de hoje! Me perguntei: o que eu poderia dizer para os pais, que fosse tornar esse cenário descrito, menos demandante?  A primeira coisa que os pais talvez gostem de saber é que os pediatras, na sua grande maioria, já passaram ou ainda passam pelas mesmas situações que eles. Isso nos torna muito mais “simpáticos” à causa dos pais do que possa parecer. Não somos ETs, cheios de teorias e conhecimentos, desprovidos da vivência e emoções de um filho pequeno, há 5 dias com febre, sem poder ir para a escola ou creche, tumultuando, em todos os sentidos, a rotina da família. Somos pais, como vocês!

Objetivamente, alguns pontos importantes, relacionados ao resfriado comum:

  1. o resfriado com tratamento médico dura, em média, uma semana. Sem tratamento médico, costuma durar, também em média, 7 dias. Portanto,  melhor remédio para o resfriado comum é o tempo. É preciso ter paciência (e como) para esperar esse tempo, dando conforto e carinho aos filhos. Não ter paciência ou ficar extremamente aflito(a) com os sintomas habituais de um resfriado comum (coriza, tosse, febre e inapetência), podem levar os pais a auto medicar seus filhos ou consultando mais de um médico, o que só tende a confundir mais ou até receber prescrições desnecessárias. O médico se sentindo pressionado, não deveria prescrever por esse motivo. Mas, na prática, somos humanos e isso pode acontecer. Remédios podem fazer mal ou ter algum efeito colateral. Por esse motivo, nos EUA, remédios para tosse e resfriado são proibidos para crianças com menos de 2 anos.
  2. antibióticos não curam resfriados comuns. Antibióticos só funcionam para doenças produzidas por bactérias e o resfriado comum é produzido por vírus.
  3. a febre não é uma doença. A febre é uma reação positiva do corpo a uma “agressão” por um virus ou uma bactéria. Além de servir de alarme, assinalando que algo não vai bem, a febre estimula o sistema imunológico (de defesa) e deixa a pessoa mais “quietinha”, economizando energia para combater o inimigo. Portanto, a febre em si, não precisaria ser tratada, exceto quando gerasse desconforto.
  4. coriza e tosse são, também, mecanismos de defesa. A coriza, ou muco, ou catarro, é produzido pelo  nosso corpo com o objetivo de envolver o virus  para que este seja expulso. Para expulsar a secreção, o corpo produz espirros ou tosse. Portanto, o catarro e a tosse que quase toda criança resfriada apresenta, visa a expulsar o virus. Nesse sentido, são reações positivas. O problema é que geram desconforto e não há medicação eficaz, em crianças. Além de não haver medicação realmente eficaz, a rigor os xaropes contra a tosse ou descongestionantes, deveriam ser contraindicados abaixo de dois anos de idade.  O mel só pode ser dado para crianças maiores de um ano de idade.
  5. a vacina para a gripe não proteje contra o resfriado comum. Como nós no Brasil também chamamos resfriado comum de gripe, cria-se a ideia de que a vacina contra a gripe deveria proteger contra o resfriado comum. Esta vacina potege apenas contra alguns tipos de Influenza, que produzem uma doença, a gripe, que tem maiores riscos de complicações  e até de mortalidade. Muitas pessoas dizem que nunca mais darão a vacina contra a gripe para seus filhos porque “ela não adianta nada”. Deram a vacina e seus filhos ficaram “gripados” (resfriados), do mesmo jeito. A vacina contra a gripe funciona e é importante! Só não esperem que ela proteja para aquilo que não foi feita. Seria como alguém dizer que a vacina contra o Sarampo é muito ruim porque o filho teve Catapora! Ambas as doenças são viroses, mas diferentes. Este exemplo, absurdo, nunca aconteceria porque o nome das doenças é diferente e não gera confusão. Não é o caso da gripe que tanto serve para nomear a doença produzida pelo virus Influenza (onde a vacina funciona) , como o resfriado (onde a vacina não terá o menor efeito).
  6. uma crianças saudável pode ter entre 6 a 8 episódios de resfriado em um ano, sem que isso represente nada mais grave. Muitos pais suspeitam que seus filhos estejam com “a imunidade baixa” porque estão resfriados de novo! Isso quando os avós não contribuem dizendo: “tem que ver o que esse menino/menina tem. Não é normal ficar refriado assim, toda hora!” Podem ficar tranquilos que resfriados que se repetem, até certo ponto, são normais em crianças pequenas. Se estas frequentam creche ou escola, esta situação é ainda mais frequente.

Chegando neste ponto, dirão: tudo muito bonito, explicadinho, mas o que fazer quando nosso filho ficar resfriado? Eu ficarei sem uma resposta mágica, sem uma recomendação que  funcione 100%.  Mas, algumas coisas podem ajudar:

  • paciência
  • oferecer líquidos, não forçar a alimentação
  • manter a criança em casa.
  • lavar ambas narinas com soro fisiológico. No mercado existem inúmeros produtos. Algumas embalagens facilitam a aplicação por produzirem um jato, mas, o conteúdo é sempre soro fisiológico. Não usar produtos para adultos que podem conter descongestionantes.
  • usar antitérmicos, caso a febre gere desconforto (na criança ou nos pais)
  • falar com seu pediatra e levar a criança para ser examinada se os pais julgarem que “algo não vai bem”, como cansaço, respiração ofegante, prostração extrema, vômitos, diarréia  etc.

Dúvidas e sugestões? Por favor as envie, são sempre bem-vindas.

A VISÃO DO BEBÊ

O bebê enxerga desde o nascimento, só não consegue, ainda, focar em um objeto central. Sua visão é o que chamamos periférica (enxerga o que visão bebêestá mais nas laterais dos olhos). No nascimento, a sensibilidade à luz é grande e, por esse motivo, as pupilas ficam mais contraídas (pequenas). Aos poucos o bebê vai desenvolvendo a capacidade de focar em objetos centrais e, ao completar um mês, enxerga objetos colocados na sua frente, entre 20 e 40 cm. Por volta de um mês, o bebê vai começar a acompanhar o movimento de objetos grandes, desde que se movam bem lentamente. É normal que os olhos não se movimentem sempre em conjunto. Um pode ir para um lado e o outro não acompanhar. É apenas o começo dessa aptidão e é muito cedo para se fazer o diagnóstico de estrabismo (vesgo).  Nesta época, com um mês de vida, o bebê ainda não distingue cores e sua atenção é para objetos com mais brilho ou intensidade de cor. Também tem sua atenção chamada por contrastes, como preto e branco. De todos os objetos que possam ser apresentados, o rosto humano é o preferido dos bebês e, mais especificamente, os olhos. Um bom exercício é, segurando seu bebê no colo, na sua frente, mover lentamente sua cabeça para um lado e para o outro.

Com 3 meses de idade, um bebê habitualmente acompanha um objeto que se mova na sua frente. Nessa idade já é capaz de reconhecer alguns objetos e pessoas mais familiares.  A identificação de cores vai progredindo e, em torno de 4 meses, já possui uma boa visão colorida. Também por esta época, consegue focar objetos mais longe e, não raro, vai encontrar seu bebê olhando para uma parede distante ou algum objeto que esteja mais longe. Por isso, é uma boa ideia variar os objetos de lugar, contribuindo para estimular a visão do seu bebê.

Entre 4 e 7 meses a coordenação olho-mão se desenvolve plenamente, permitindo que o bebê alcance e pegue objetos. A partir dos quatro meses, o melhor estímulo para a visão é a variação de ambientes, incluindo passeios que permitem à criança observar objetos variados, sem necessidade de manter a atenção em um ou dois. Um bom passeio é pela própria casa, com o bebê no colo e conversando com ele, como se fosse uma excursão! Nesse período, a capacidade de prestar atenção é mínima ou nula, daí a importância de muitos objetos que possam ser olhados.

A partir dos 6 meses, leiam livros para seus filhos. Mostrem as figuras e falem, mudando o tom da voz, contando historinhas. Permitam que mexam nos livros, coloquem na boca, brinquem e não se preocupem em ler uma história inteira. Deixem que a atenção do seu filho determine o tempo de duração da leitura. Mas, tornem a leitura um hábito rotineiro, cotidiano. É o que há de melhor para desenvolver não só a visão, mas, também, a linguagem e o intelecto.

O mais importante é que façam de cada momento de estímulo algo divertido e carinhoso. Nada de considerar esses momentos como tarefas com objetivos definidos e metas a serem atingidas. Deixem isso para bem mais tarde. Nesse período da vida, tudo que os bebês querem é carinho e cuidado. Sintam prazer dando ambos.

TESTE DO PEZINHO

O teste do pezinho é o nome que se dá a uma série de exames que são feitos, utilizando algumas gotas de sangue geralmente obtidas do calcanhar dos bebês. Esses exames visam a detectar, precocemente, algumas doenças metabólicas, genética ou infecciosas que não costumam apresentar sintomas logo após o nascimento. Quando diagnosticadas precocemente, muitas destas doenças podem ser tratadas ou controladas.

No Brasil existe o Programa Nacional de Triagem Neonatal que tornou obrigatório o teste do pezinho em todos os bebês. Os testes oferecidos pelo PNTN são:

– fenilcetonúria

– hipotireoidismo

– anemia falciforme

– fibrose cística

O PNTN definiu que estes exames seriam oferecidos em fases. Assim, nem todos os estados oferecem todos os exames.

Além destes exames oferecidos pelo PNTN, vários laboratórios privados oferecem uma bateria muito maior de exames. Evidentemente que, quanto mais abrangente forem os exames, mais caro o seu custo.  Os exames realizados por laboratórios privados incluem:

– hiperplasia da supra renal

– galactosemia

– deficiência de biotinidase

– deficiência de glicose 6 fosfato desidrogenase

– deficiência de acetil coenzima A desidrogenase de cadeia média (MCAD)

– surdez congênita não sindrômica

– espectrometria de massa em tandem (vários erros inatos do metabolismo)

– toxoplasmose

– rubéola

– citomegalovirose

– sífilis

– Aids

– doença de Chagas

Como podem ver a lista é muito extensa e, com  novas técnicas, novos exames vão sendo disponibilizados.

Meu objetivo, neste blog, não é o de estimular o medo das doenças, muito menos a hipocondria!  Por esse motivo, não vou fazer uma descrição de cada uma destas doenças, todas razoavelmente raras. O que eu considero realmente importante é que os pais saibam que esse teste tão simples de ser feito, pode, de novo- em raras ocasiões, ser fundamental para a saúde do bebê. Muitas das doenças listadas têm tratamento e, quanto antes diagnosticadas, melhor o seu controle.

Muitos pais têm duas dúvidas muito objetivas:

– quando fazer o teste? O período ideal é entre o 3º e 7º dia de vida.

– precisa ser feito no pezinho? Não. O sangue é colhido no calcanhar porque esta região é muito vascularizada (tem muito sangue), facilitando o exame. Mas, o sangue poderia ser colhido de qualquer outro lugar.

Portanto, aquele furinho feito no pé do bebê, que dói no seu coração, pode ser a gotinha que fará toda a diferença.

Se tiverem alguma dúvida ou quiserem fazer algum comentário, por favor me enviem. Será muito bem-vindo.