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QUANDO A MAMÃE É CHEF DE COZINHA!

Lucia é uma chef de cozinha que tem um canal no youtube (https://www.youtube.com/channel/UCYLysnuwNGfRc5y6QyLtyLQ) onde ensina a fazer deliciosos pratos. O desafio que propus à Lucia foi o de fazer um filme com alguma receita básica para bebês,  que pudesse servir de orientação para as mães. Luisa, sua filha é quem testou as receitas para o blog.

Como quem lê o blog sabe, a alimentação de bebês e crianças não pertence ao campo da ciência ou do conhecimento específico do pediatra. Pelo contrário, a alimentação de bebês e crianças é algo cultural e econômico. Como somos um país tropical, iniciamos a introdução de alimentos com frutas. Mas imaginem se uma mãe sueca vai ter bananas a um preço razoável para oferecer a seu filho? Ou uma mãe japonesa? Em cada país, os bebês começam sua alimentação sólida,  em função dos alimentos mais disponíveis, o que acaba produzindo hábitos culturais. Portanto, não ha porque se fazer um grande mistério a respeito deste momento que deve ser o mais natural e desprovido de “ciência e saber”. Aliás, como quase tudo relacionado a nossos filhos!

Mas, uma ajudinha, sem ser um roteiro rígido, pode ser interessante. Espero que vejam o vídeo e leiam as receitas abaixo como uma fonte de inspiração à criatividade culinária de vocês e não como um “manual da boa alimentação do bebê”.

Obrigado à Lucia pelas receitas e à Luisa por tê-las provado e aprovado. Divirtam-se na cozinha e, mais ainda, vendo seus filhotes se deliciarem.

Leia também: QUANDO PAPAI É CHEFE DE COZINHA!   OLIVIA APROVA NOVOS PRATOS!  INTRODUZINDO COMIDA PARA O BEBÊ

Papinhas para bebês – 1ª fase: iniciando os sabores

Base das preparações:

Caldo de frango

Ingredientes:

– 600g de peito de frango;

– 1 cebola grande ou 2 pequenas;

– 3 dentes de alho;

– 3 cenouras;

– 1/2 maço de salsinha;

– 3 galhinhos de tomilho fresco;

– 2 l de água.

 

Modo de preparo:

 

– Lave bem o peito do frango em água corrente;

– Coloque-o na panela de pressão com 2 l de água, juntamente com os outros ingredientes picados grosseiramente;

– Assim que a panela começar a chiar, abaixe o fogo e deixe cozinhar por 40 minutos;

– Coe o caldo e use somente o líquido no preparo das papinhas.

 

Caldo de carne

Ingredientes:

– 600g de músculo, acém ou patinho;

– 1 cebola grande ou 2 pequenas;

– 3 dentes de alho;

– 3 cenouras;

– 1/2 maço de salsinha;

– 3 galhinhos de tomilho fresco;

– 2 l de água;

 

Modo de preparo:

 

– Corte o músculo em cubos grandes;

– Coloque-os na panela de pressão (de preferência antiaderente) bem quente e deixe-os refogando até ficarem bem dourados;

– Acrescente os outros ingredientes picados grosseiramente e, em seguida, a água.

– Assim que a panela começar a chiar, abaixe o fogo e deixe cozinhar por 40 minutos.

– Coe o caldo e use somente o líquido no preparo das papinhas.

 

Papinha de batata doce, abobrinha, ora-pro-nóbis e caldo natural de frango (rende aproximadamente 7 porções de 150g)

 

Ingredientes:

 

– 400g de batata doce;

– 1 unidade de abobrinha italiana (200g);

– 30g de ora-pro-nóbis (aproximadamente 30 folhas);

– 500 ml de caldo de frango;

– sal marinho (pouco).

 

Modo de preparo:

 

– Em uma panela de pressão junte as batatas doce descascadas e cortadas grosseiramente;

– Junte a abobrinha cortadas com casca e as folhas de ora-pro-nóbis;

– Acrescente o caldo de frango e o sal;

– Tampe a panela e, assim que começar a chiar, cozinhe por 20 minutos em fogo baixo;

– Bata a papinha em um mixer ou no liquidificador até atingir a consistência desejada;

– Porcione as papinhas, deixe-as esfriar e leve ao congelador;

– As papinhas duram por até 6 meses no congelador e até 3 dias na geladeira;

– Ao servir coloque um fiozinho de azeite extra-virgem.

 

Papinha de mandioca, chuchu, couve e caldo natural de carne (rende aproximadamente 7 porções de 150g)

Ingredientes:

– 200g de mandioca;

– 4 folhas grandes de couve;

– 2 unidades de chuchu (350g aproximadamente);

– Sal marinho (pouco);

– 500 ml de caldo de carne.

 

Modo de preparo:

– Em uma panela de pressão junte as mandiocas descascadas e cortadas em pedaços não muito grandes;

– Junte a couve e o chuchu cortados grosseiramente;

– Acrescente o caldo de carne e o sal;

– Tampe a panela e, assim que começar a chiar, cozinhe por 20 minutos em fogo baixo;

– Depois de cozida, retire da mandioca o fio duro que fica no meio dela;

– Bata a papinha em um mixer ou no liquidificador até atingir a consistência desejada;

– Porcione as papinhas, deixe-as esfriar e leve ao congelador;

– As papinhas duram por até 6 meses no congelador e até 3 dias na geladeira;

– Ao servir coloque um fiozinho de azeite extra-virgem.

 

Leia também: QUANDO PAPAI É CHEFE DE COZINHA!   OLIVIA APROVA NOVOS PRATOS!  INTRODUZINDO COMIDA PARA O BEBÊ

VITAMINAS

Vitaminas são compostos orgânicos que devem ser consumidos na nossa alimentação porque nós, humanos, não somos capazes de sintetizá-las (produzir) em quantidades adequadas. Cada vitamina tem uma função única no nosso corpo, incluindo a regulação de hormônios, o crescimento das células e tecidos, efeito antioxidante etc. Vitaminas também participam como fatores auxiliares para múltiplas reações metabólicas que ocorrem no nosso organismo.

Para os pais, a ideia de complementar a alimentação de seus filhos com uma dose diária de vitaminas é extremamente atraente. É como se fosse uma forma de aumentar a proteção que oferecem a seus filhos. Além do mais, crianças frequentemente não gostam de tudo que é saudável e contém vitaminas. Assim, o suplemento aparece como uma solução. Sem dúvida, em alguns casos, pode ser bem indicado esse suplemento. Mas, o trabalho, frustrante muitas vezes, de educar nutricionalmente os filhos, não deveria ser substituído pelo suplemento vitamínico. Uma alimentação saudável, aprendida na infância, trará benefícios para a vida que nenhum suplemento vitamínico será capaz de dar. Tomar vitaminas não previne contra a obesidade, colesterol elevado e diabetes tipo 2, por exemplo. Portanto, o investimento de tempo, paciência e criatividade que educar nutricionalmente nosso filhos requer, terá um retorno em saúde futura que vitaminas suplementadas não trarão.

Claro que existem situações clínicas onde ocorre deficiência de uma ou várias vitaminas. Para estas situações, a administração de vitaminas não é suplemento, mas tratamento específico. Felizmente, estas situações clínicas não são frequentes e quando presentes, seus sintomas são evidentes. Digo isso para evitar a dúvida de – “será que meu filho não tem uma deficiência, ainda que pequena, de alguma vitamina?” Crianças com hipovitaminose (baixos níveis de vitaminas), apresentam sintomas muito “gritantes”.

Um equívoco que costumamos ter é o de acreditarmos que vitaminas fazem coisas que não fazem! Por exemplo, abrir o apetite das crianças. Muitos pais perguntam a seus pediatras se não seria o caso de “passar uma vitamina” para abrir o apetite da criança que “não come nada”. Eventualmente o pediatra vai estar diante de uma criança que é magra por constituição. Mas, não raro, essa criança que “não come nada” está com o peso na média para a idade, quando não acima da média. São crianças que se recusam a comer a alimentação saudável e esta é trocada por alimentos com alta densidade calórica, mas não necessariamente valor nutricional. Um bom pediatra deveria orientar a família com relação às estratégias de reeducação alimentar (em geral, para a família toda), ao invés de prescrever um suplemento vitamínico, que seria o caminho mais fácil (para todos).

Atualmente, no mundo acadêmico, se discute muito o valor da vitamina D. Parece ser a menina dos olhos dos pesquisadores e, certamente, vamos ouvir falar desta vitamina. O que precisamos lembrar é que existem modismos, motivados ou não pela influência econômica que fabricantes podem exercer. Vejam o caso da vitamina C que foi “endeusada” e hoje se encontra mais perto de onde deveria estar. Ou o caso dos suplementso polivitamínicos que propagam proteção contra doenças cardíacas e outras enfermidades. A cada nova pesquisa ou notícia na imprensa sobre uma “maravilha” atribuída a uma determinada vitamina, vamos acompanhar  e esperar que o tempo confirme ou não esses achados. Até hoje, nada supera, em benefícios para a saúde, um prato de comida multicolorido!

Finalmente, uma brincadeira! Olhem as duas fotos abaixo e respondam à pergunta: qual das duas você escolheria para dar a seu filho?

Compartilhe sua resposta conosco!

REFLUXO GASTROESOFÁGICO

O refluxo gastroesofágico NÃO É UMA DOENÇA. Provavelmente consegui chamar a sua atenção para ler um pouco mais!

O refluxo gastroesofágico é o retorno do conteúdo que está no estômago (alimentos sendo digeridos), para o esfôfago (veja a ilustração). Isto ocorre normalmente em lactentes, crianças e adultos. É um fenômeno fisiológico, normal. Portanto, não é uma doença.

No entanto, quando esse refluxo produz lesões no aparelho digestivo ou mesmo fora deste, como no aparelho respiratório, é que podemos falar em doença do refluxo gastroesofágico. Todo mundo tem refluxo mas nem todo refluxo é doença. O simples fato de regurgitar ou vomitar não caracteriza a doença do refluxo gastroesofágico.

Hoje em dia há uma epidemia de diagnóstico de doença do refluxo gastroesofágico. O termo foi popularizado e difundido de tal forma que, basta a criança manifestar alguma irritablidade após a mamada, regurgitando, para os pais chegarem no consultório com o diagnóstico feito: Dr. nosso bebê tem refluxo!

O diagnóstico de doença do refluxo gastroesofágico é complexo porque não existe um único exame que comprove a existência dessa doença. Os exames de imagem (raios X ou ultrassonografia) são úteis para demonstrar que não existem mal formações ou estenoses (estreitamentos) no aparelho digestivo. A presença de refluxo, nesses exames, não é suficiente para se afirmar que há uma doença do refluxo. Pode ser o refluxo fisiológico. Outros exames são invasivos como a endoscopia, a medida da pressão do esôfago e do seu pH (acidez) e devem ser pedidos somente nos casos onde a suspeita clínica seja forte.

Como diferenciar refluxo de doença do refluxo? Nem sempre é fácil, mas alguns sinais podem ser observados:

  • ganho de peso. O bebê que ganha peso dentro do esperado, dificilmente terá doença do refluxo. Por outro lado, uma criança que  não ganha peso como esperado ou até perde peso, junto com outros sinais, pode ter a doença do refluxo.
  • irritabilidade. Este é um sinal importante, mas que pode ter muitas causas. Merece ser valorizado e discutido com seu pediatra. Se a irritabilidade for intensa, interrompendo as mamadas e, além disso, o bebê não ganhar peso, a hipótese de doença do refluxo deve ser considerada.
  • presença de sangue no vômito ou na regurgitação é um sinal que deve ser comunicado imediatamente ao pediatra.
  • anemia. Se, além da irritabilidade e não ganho esperado de peso a criança apresentar anemia, deve-se pensar em doença do refluxo.
  • tosse noturna e ou quadros respiratórios podem ser um indicador de doença do refluxo com manifestações fora do aparelho digestivo.

Somente o seu pediatra  poderá, a partir do seu relato e observações, associado ao exame clínico, decidir se há uma suspeita de doença do refluxo gastro esofágico, pedindo ou não exames complementares e orientando os pais quanto às condutas a serem tomadas. Muitas vezes o pediatra vai optar por tentar medidas que não incluem remédios em um primeiro momento ou poderá fazer uma prova terapêutica com medicamentos.

Se você suspeita que seu bebê possa ter doença do refluxo, converse com seu pediatra, lembrando que refluxo (sem doença) é normal.

A informação que eu gostaria de passar para os pais é de que nem todo bebê que golfa e resmunga um pouco tem doença do refluxo gastroesofágico. Um dos indicadores importantes é o ganho de peso. Se o seu bebê ganha peso como esperado, diminuem as chances dele ter a doença do refluxo. Lembre-se de colocar seu bebê para arrotar na posição vertical, por uns 20  minutos após cada mamada. Independentemente dele ter ou não a doença do refluxo, é um bom hábito.

Se você tiver algum comentário ou dúvida, por favor envie pelo blog. Tentarei responder o melhor possível. Lembro apenas que, pelo blog, é impossível (ou leviano) tentar fazer diagnósticos específicos ou sugerir tratamentos. Somente seu pediatra, numa consulta, poderá fazê-lo.

 

CONSTIPAÇÃO

Uma queixa bastante comum é a de que a criança está constipada. Primeiro, vamos tentar definir o que é constipação.

Constipação é a eliminação de fezes duras ou ressecadas, com desconforto. A frequência com que uma criança vai ao banheiro não pode ser o único parâmetro para se dizer que está com  constipação. O ritmo intestinal varia de pessoa para pessoa, por isso, é mais importante prestar atenção no aspecto das fezes do que no número de dias sem fazer cocô.

Não raro, pode ocorrer constipação em momentos de transição da alimentação ou quando novidades relevantes são introduzidas na vida de uma criança, tais como: a chegada de um bebê na casa, mudança de casa, início da escola, separação dos pais etc.

Em bebês que são exclusivamente amamentados ao seio, a constipação é raríssima. Um bebê que esteja sendo amamentado, ganhando peso, pode ficar até 5 ou 6 dias sem evacuar e ser inteiramente normal. Se as fezes são pastosas, nenhuma preocupação. Agora, se um bebê, mesmo amamentado no seio, elimina fezes ressecadas, endurecidas, ou passa mais de 6 dias sem evacuar, leve ao seu pediatra para que possa ser examinado.

Crianças maiores podem ter alguma constipação quando começam a tirar a fralda e usar o vaso sanitário. Por isso, nunca forçe ou acelere a retirada das fraldas. Deixe que seja um movimento conduzido pela criança.

Quando a criança é saudável e apresenta constipação, geralmente um ciclo se estabeleceu. Medo de evacuar, retenção, fezes duras, evacuação dolorosa, medo de evacuar.

Ainda considerando que a criança seja saudável, algumas dicas de como manejar a consitpação:

1- No caso de bebês alimentados com fórmulas infantis (leite em pó), converse com seu pediatra a respeito do uso de água de ameixas. Se o bebê já está sendo alimentado com sopas e frutas, pergunte ao seu pediatra se pode acrescentar cereais à dieta, bem como um pouco de azeite extra-virgem.

2- Se assegure que seu filho está recebendo uma quantidade adequada de líquidos, por dia

3- Para as crianças maiores, que já utilizam o vaso sanitário, use uma tampa que reduza o tamanho do vaso. Muitas crianças têm medo de cair dentro do vaso e, somente por esss motivo, passam a reter as fezes, inciando o ciclo que culmina com fezes endurecidas e evacuações dolorosas.

4- Para se conseguir evacuar, é fundamental que os pés estejam apoiados. Tente evacuar sem colocar os pés no chão! Portanto, para as crianças que ainda não alcançam o chão com seus pés, use um banquinho ou uma pilha de livros.

5- A alimentação costuma ser o melhor “remédio” para a constipação. Quanto mais fibra, melhor. Fibra é o que encontramos em cereais (aveia, granola, flocos de milho etc.), legumes, verduras e frutas. Se não for tumultuar a vida da família, dê preferência a produtos integrais (arroz, pães) porque possuem mais fibras.

6- Use azeite na comida. Depois de preparada, coloque uma colher de azeite.

7- Para crianças maiores, acima de 4 anos, crie uma rotina de sentar no vaso. Em geral, depois de uma refeição, peça para seu filho se sentar no vaso. Fique com ele, conversem sobre assuntos não relacionados ao cocô, leia um livro junto. Estabeleça um tempo, em torno de 10 minutos para que fique sentado. Se não fizer nada, não comente nada. Se fizer, elogie.

8- Converse com seu filho ou filha, fora do banheiro, para entender o que está acontecendo, onde está o receio. Use historinhas para que possa perguntar o que seu filho ou filha acha que está acontecendo com o patinho que não gosta de fazer cocô, por exemplo.

9- Se o ciclo de medo, reter, dor, reter mais já se estabeleceu, recomendo que procure seu pediatra, Muito provavelmente ele vai prescrever laxativos para quebrar esse ciclo. Não dê laxativos para seu filho, sem consultar o seu médico.

Este é um assunto muito vasto e complexo, difícil de abordar em um post. Se você tiver dúvidas mais específicas, posso tentar respondê-las.

 

COLESTEROL É PROBLEMA SÓ DE ADULTOS?

A doença cárdio-vascular (infarto, acidente vascular cerebral), bem como o diabetes tipo 2 e a síndrome metabólica, são raros em crianças. No entanto, fatores de risco presentes na infância podem se manifestar como doença, na vida adulta. A arterioesclerose (entupimento das artérias por placas de gordura) é um processo que se inicia já na infância!

Abaixo, duas reflexões ou provocações:

1- Se você soubesse que seu filho ou filha tem uma doença grave, porém curável, o que você faria?

2- Se você fosse informada de que seu filho ou filha corre um razoável risco de ter uma doença grave, só que no futuro, o que você faria?

Sinceramente, teria a mesma urgência em procurar a solução em ambos os casos ou, no segundo, acabaria adiando a tomada de ação e/ou minimizando o risco futuro?

Enquanto nós adultos não nos dermos conta de que é nossa responsabilidade prevenir o infarto, derrame e diabetes desde a infância, estaremos deixando uma herança que nenhum de nós, conscientemente diria que gostaria de deixar.

Existem algumas coisas que podemos fazer:

1- Entre 9 e 11 anos, pedir ao seu pediatra que dose o colesterol do seu filho ou filha. Não é necessário um lipidograma completo. Basta pedir a dosagem do Coleterol não HDL. Para isto, o laboratório dosará o colesterol total e o HDL. A vantagem sobre o lipidograma completo é que este exame, parcial, não exige o jejum de 12, facilitando sua aceitação por parte da criança. Se o resultado for acima do normal, aí sim um lipidograma completo deverá ser pedido. Esta é uma recomendação recente do National Heart Lung and Blood Institute, dos EUA, endossada pela Academia Americana de Pediatria.

2- Repetir esse exame de Colesterol não HDL entre 17 e 19 anos

3- Manter uma alimentação saudável que se inicia com o aleitamento materno e prossegue com uma dieta pobre em gorduras saturadas. O papel da família é fundamental para o sucesso de uma alimentação saudável. Não adianta exigir que as crianças comam de forma saudável, se o restante da família come de forma menos cuidadosa. (O Prato Saudável e Sobrepeso e Obesidade)

4- Praticar exercícios físicos. Na infância, como jogos ou brincadeiras ao ar livre e, à medida que a criança for crescendo, como esporte ou dança.

5-  Não fumar dentro de casa ou em abientes fechados com as crianças por perto. O ideal é simplesmente não fumar.

Vejam que nada do que escrevi acima é sofisticado, altamente tecnológico ou exije muitos recursos. No entanto, essas medidas simples, podem fazer a diferença na vida adulta dos seus filhos. A diferença entre uma morte ou invalidez precoce e uma vida saudável e plena. Eventualmente, pode motivar os adultos a modificarem seus hábitos, usufruindo eles também de uma vida mais saudável.

Como sempre, vou apreciar ser fizerem comentários ou tiverem dúvidas que eu possa tentar esclarecer.

MEU FILHO OU FILHA NÃO COME NADA!

Do peito para as frutas e sopinha, que maravilha. Tudo é festa. Depois, a comida vai ficando mais pastosa e os filhos querem comer tudo que está no prato dos adultos. Colocam a mão no prato e pegam pedaços de carne para morder. Tudo ainda é festa. Um dia, começam os “gostos”. A idade varia e, felizmente, muitas crianças continuam aceitando bem uma alimentação variada e colorida. Mas alguns, literalmente, não querem comer nada! Isto é, nada que seja do desejo dos seus pais ou recomendado. Querem comer “bobagens” ou o que é mais fácil, como uma mamadeira. Aí a festa acabou e os pais costumam ficar muito preocupados e, eventualmente, tensos. O que pode ser feito?

1-      Saber que gosto ou paladar é um atributo individual e que, de fato, alguns sabores não serão atraentes para algumas crianças.

2-      Independentemente do paladar, algumas crianças resistem a variações ou novidades.

3-      As novidades devem ser introduzidas uma de cada vez. Quando a aceitação é imediata, ótimo. Quando não é, os pais devem dar uma pequeníssima quantidade desse alimento, antes da refeição, sem insistir para que coma mais dessa novidade a ser introduzida. Esse processo (uma colherzinha antes do prato que gosta), deve ser repetido. Alguns estudos demonstram que quando essa repetição é feita de forma sistemática por até dez vezes (dez dias), há uma probabilidade muito maior do novo alimento ser aceito. Na maioria dos casos, os pais ou querem dar muito do novo alimento, ou insistem por três ou quatro dias, definindo que seu filho “não gosta” dessa comida.

4-      Evitar introduzir coisas artificialmente doces na alimentação das crianças, principalmente no primeiro ano de vida. Biscoitos, bebidas adoçadas, tendem a produzir um “desvio” do paladar. São mais fáceis de agradar e passam a ser uma preferência natural da criança. Lembre-se de que quem faz as compras são os adultos! Se tem biscoito em casa, alguém comprou e não foi a criança.

5-      Comer em família, todos juntos à mesa, é um bom hábito desde que a família coma de forma saudável. A criança vai se habituar a ver pais e irmãos comendo e esse clima é muito bom para todos. A refeição não é só para alimentar e nutrir, mas também um momento de interação, conversa e trocas.

6-      Não ofereça guloseimas como prêmio se a criança comer algo que deveria comer naturalmente. Estará reforçando a ideia de que aquele alimento é “ruim” e só com um “pagamento” deve ser comido.

7-      Elogie ou faça comentários positivos quando a criança comer o que deve. Diga coisas como- que bom que comeu tudo, vai ficar forte e bonito. Puxa! Comeu tudo como o papai e a mamãe, que bom ou que bonito.

8-      Se a criança não quiser comer, não insista ou fique negociando muito. De forma alguma entre pânico de que seu filho vai ficar desnutrido e sucumba à tentação de dar qualquer coisa (uma bobagem que ele goste) para que  “não morra de fome”. Crianças em cuja casa exista uma geladeira abastecida de alimento saudáveis, não morrem de fome!

9-      Saiba que, com essa questão do não comer, começou uma queda de braço sobre limites, obrigações e individualidade, que só terminará no final da adolescência. Saber impor limites, com carinho, é uma das tarefas mais importantes dos pais. O caminho fácil de ceder às pirraças pode gerar adultos que não tolerem a frustração, impacientes, egocêntricos. Em uma palavra, adultos insuportáveis. Não ceda às pirraças.

10-   Saiba que vai se sentir muito mal ao colocar limites. É normal. Aguente firme e compartilhe esse seu sentimento com seu companheiro ou companheira. Ambos precisam ser cúmplices. Tanto no suporte mútuo, quanto na manutenção do limite imposto ao filho por um dos pais.

11-   Paciência, perseverança, criatividade e muito carinho!

SOBREPESO E OBESIDADE

Talvez a função mais importante de um pediatra seja a de contribuir para a prevenção de doenças. Tanto na própria infância, quanto na fase adulta. O que me dá mais prazer na minha clínica é saber que estou contribuindo para a manutenção da saúde, no longo prazo, dos meus pacientes.

Assim, quando os pais mantêm um calendário vacinal em dia, ou fazem seus filhos usarem adequadamente cintos de segurança, capacetes e outros equipamentos de proteção, estão prevenindo problemas e preservando a saúde das suas crianças.

Um tema extremamente complexo e muito falado é o da obesidade e do sobrepeso, inclusive na infância e adolescência. Estamos vivendo uma epidemia de obesidade infantil no mundo e o Brasil não é diferente. Como não é uma situação que coloque em risco visível a saúde da criança e envolve variáveis muito difíceis de serem controladas, não assumimos, como deveríamos, um comportamento mais enérgico e eficaz na prevenção da obesidade.

Como toda ação de prevenção, há uma resistência natural em se tomar medidas e iniciativas, se o problema não é visível. Como sequer temos a certeza de que o problema ocorrerá, sempre imaginamos que conosco ou nossos filhos, não ocorrerá.

Mas o fato é que a obesidade ou sobrepeso na infância aumenta, em muito, a probabilidade do aparecimento de doenças, muitas delas graves ou que têm o potencial de reduzir o tempo de vida dos seus portadores. Duas se destacam: doenças cardiovasculares e o diabetes. Crianças gordas têm uma probabilidade muito maior de sofrerem, na vida adulta, de hipertensão arterial, aterosclerose, infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral e diabetes do que crianças com o peso dentro da normalidade. A aterosclerose é uma doença que hoje já sabemos que se inicia na infância! Além dessas doenças, crianças obesas poderão sofrer de problemas ósseos e articulares, ainda na infância. Muitas doenças respiratórias são causadas ou pioram em crianças acima do peso. Doenças de pele tendem a ser mais comum em crianças obesas.  A obesidade infantil pode diminuir a autoestima da criança, gerando insegurança, isolamento e um leque de comportamentos que podem ser responsáveis por dificuldades relevantes na adolescência e na vida adulta.

Ao listar, de forma resumida, os riscos envolvidos com a obesidade infantil, eu gostaria de alertar a todos para o fato que gordura corporal não é algo banal ou para ser desprezado. Não basta ficar torcendo para que: “quando crescer, emagrece”.  Evidentemente que com os estirões do crescimento, ocorrem emagrecimentos. Mas não devemos depender disso.

Excluindo os poucos e raros casos onde a obesidade é produzida por uma doença, a grande maioria dos casos ocorre porque a quantidade de energia acumulada através da alimentação é muito superior à gasta nas atividades físicas. Basicamente é este desbalanço entre a quantidade de energia que entra e a que é utilizada, que produz obesidade.

O tratamento seria fácil! Basta comer menos e gastar mais. Ocorre que nós humanos não somos máquinas. A alimentação, desde tempos remotos, se reveste de múltiplas características ou funções. A menos importante talvez seja a nutricional em si. É através da alimentação que a maioria das culturas expressa carinho, interesse e afeto. As refeições, em geral, são eventos de socialização e não apenas “paradas para encher o tanque”. É no jantar que a família se encontra, compartilha bons momentos, conta o que fez durante o dia, faz programações, chama a atenção para comportamentos insatisfatórios, enfim, um momento em que a comida é uma coadjuvante. Claro que quanto mais gostosa e saborosa, mais um motivo para permanecerem à mesa. Portanto o primeiro problema é relacionado às múltiplas finalidades sociais da comida e refeições. O segundo grande problema é a relação individual que estabelecemos com a comida. O prazer e a saciedade que esta gera em cada um de nós é determinante para que estabeleçamos um padrão de alimentação individual. O terceiro problema é de ordem econômica. A pressão que a indústria alimentícia faz é no sentido de que consumamos, cada vez mais, alimentos industrializados. Nem sempre estas escolhas são as mais saudáveis. O quarto problema é sócio-econômico-cultural. Com ambos os pais trabalhando fora, fica ainda mais difícil se garantir uma boa educação alimentar. Esta ausência, muitas vezes busca ser compensada com uma tolerância maior por guloseimas e ‘bobagens “. Finalmente, um outro problema é o da tecnologia versus atividade física. Controles remotos, janelas automáticas, televisores ou computadores em cada quarto, contribuem para um padrão de imobilidade que é totalmente diferente da mobilidade das crianças cujo laser era essencialmente ao ar livre. Há uma correlação direta entre o número de horas em que uma criança fica assistindo TV ou diante de um computador e obesidade ou sobrepeso. Quanto maior o número de horas, maior a probabilidade de desenvolvimento de obesidade. Junte os fatores todos, misture e veja como é complexa essa situação. Isso do lado do consumo de energia.

Quanto à atividade física, esta exige muitas vezes uma logística que nem todos os pais podem oferecer a seus filhos. Muitas crianças farão a atividade física da escola e, eventualmente, nos finais de semana. Portanto, na ponta de gastar energia, também temos dificuldades práticas.

Para tornar o problema ainda mais complexo, um estudo publicado  na New England Journal of Medicine, uma das mais prestigiosas e sérias publicações médicas, revela que a obesidade é como uma doença contagiosa! Acompanharam 12.067 pessoas de 1971 a 2003 (em um estudo famoso-Framingham Heart Study) e concluíram que além dos aspectos biológicos e comportamentais envolvidos, a obesidade se difundia através de relações sociais. Dito de outra forma, a probabilidade de uma pessoa se tornar obesa aumentava em 57% se esta tinha um amigo ou amiga obeso. Se um membro do casal se tornasse obeso, o outro teria uma chance 37% maior de se tornar obeso também.

Eu poderia simplesmente fazer uma lista tradicional, dessas que aparecem de tempos em tempos na imprensa, contendo os seguintes tópicos:

– coma menos, coma mais legumes, vegetais e frutas, como mais comida “caseira” e menos industrializada.

– se exercite mais

– reduza o teor de gordura da sua alimentação, eliminando a gordura trans.

– faça mais refeições por dia, nunca permanecendo longas horas em jejum.

– prefira carboidratos complexos (farinhas integrais)

– não faça dieta, aprenda a comer para a vida.

Esta lista, genérica, serve também para as crianças. Com estas devemos ter cuidados específicos como não restringir em demasia as calorias e, principalmente, não tornar a alimentação em um momento de desprazer.

Mas a lista que eu considero a mais importante, a que me deixará com a consciência mais tranqüila de ter tentado contribuir para a manutenção da saúde de seus filhos, meus pacientes, seria assim:

– obesidade mata Quem é obeso morre mais cedo e/ou vive pior.

– obesidade se previne na infância

– a prevenção da obesidade exige o envolvimento de toda a família, incluindo os empregados da casa.

– esse envolvimento passa, obrigatoriamente, por uma revisão e eventual mudança, de hábitos alimentares de toda a família.

– novos hábitos exigem disciplina. Do mesmo modo que escovamos os dentes todos os dias, um hábito disciplinar, ou nos exercitamos regularmente, assim deve ser encarada a mudança de hábito alimentar.

– existe muita invenção e mitologia em torno da alimentação e alguns alimentos em especial. Não existe mágica, nem truques. Alimentação diversificada, balanceada, com porções adequadas de proteínas, carboidratos e gorduras.

– pais e mães deveriam levantar o tema nas escolas, introduzindo cardápios mais saudáveis, principalmente nos lanches.

– pais e mães deveriam fazer um pacto para que as festas infantis passem a servir comidas mais saudáveis e não, como diz um cliente e amigo, verdadeiras bombas calóricas.

Finalmente uma palavra de alívio, antes que achem que o Dr. Roberto Cooper se tornou o novo xiita da alimentação. Entre o extremo de uma alimentação desregrada e o de uma alimentação orgânica restritiva, existe uma enorme margem para que possamos comer com prazer, descontraídos e sermos saudáveis. Cachorros quentes e brigadeiros ocasionais, serão muito bem vindos. Mas não como regra,

Para as famílias que efetivamente desejam uma mudança de hábitos alimentares, uma vez tomada a decisão, o melhor a fazer é buscar informação correta. Eventualmente a prescrição de um nutricionista experiente e sensato facilitará em muito a vida da família.

E eu, como sempre, estou à disposição para conversar com vocês sobre este ou qualquer outro tema relacionado à manutenção da saúde de seus filhos.