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É POSSÍVEL UM LANCHE MAIS SAUDÁVEL?

A resposta é: sim, é possível. No entanto, também é verdade que dá mais trabalho e, eventualmente, custa um pouco mais caro. Mas, o que está em jogo é a saúde, a longo prazo, dos nossos filhos. O sobrepeso e obesidade infantil já se constituem em problema de saúde coletivo, no nosso país e no mundo. A questão do sobrepeso e da obesidade não é estética e sim de qualidade de vida. O risco de doenças como hipertensão (pressão alta), diabetes (açúcar no sangue), infarto agudo, acidente vascular cerebral (derrame), alguns tipos de câncer, problemas ósteo-articulares como atritres e atroses, é muito maior nas pessoas com sobrepeso ou obesidade. A única prevenção possível é o desenvolvimento de hábitos saudáveis, a partir da infância.

Um desses hábitos é o da alimentação saudável. Não significa nenhum radicalismo ou fundamentalismo alimentar. Significa apenas saber que certos alimentos fazem mais bem do que outros. Ou ainda, que certos alimentos fazem mal. De um modo muito simplista, alimentos processados, isto é, os que são produzidos pela indústria e chegam até nós em embalagens sedutoras e rótulos difíceis de entedermos, são menos saudáveis do que os alimentos preparados em casa. Dito de outra forma, um prato de comida feito em casa é mais saudável do que abrir uma embalagem e preparar ou comer diretamente o que a indústria produziu e colocou em embalagem atraente. A questão é que alimentos industrializados são mais práticos, rápidos e, muitas vezes, mais baratos do que prepararmos comida em casa. Mas, a pergunta que devemos nos fazer é: quanto vale a saúde dos nossos filhos? A alimentação, junto como outros hábitos saudáveis (sono, atividade física) funciona como uma “vacina” de longo prazo, prevenindo ou reduzindo a incidência de certas doenças.

Algumas escolas já iniciaram um movimento para ajudar as famílias a desenvolverem hábitos alimentares saudáveis, incluindo, no seu currículo atividades lúdicas de culinária, cantinas com rotulagem de fácil entendimento dos alunos e um conteúdo pedagógico transversal que contemple os diversos aspectos da alimentação, incluindo o prazer de comer, a alegria de comer juntos, fugindo de um aspecto meramente nutricional para uma abordagem mais biopsicossocial do comer. No Rio de Janeiro, as nutricionistas Renata Araujo e Cynthia Howlett desenvolveram o projeto Alimentação Consciente que está sendo apresentado às escolas e já é adotado pela Escola Parque. “Comer é prazer, é necessidade, é partilha, é afeto. Mas também é um ato político! Desejamos que as crianças sejam mais saudáveis. Que comam mais alface e menos miojo! Mais frutas e menos biscoito!Desejamos conter o aumento desenfreado da obesidade, e para isso solicitamos que as crianças façam suas escolhas alimentares baseadas em preceitos, nutricionalmente balanceados. Mas, nos perguntamos: será que estamos preparando as crianças para fazerem suas escolhas alimentares conscientes?” Esse é o enfoque do projeto liderado por estas duas nutricionistas em conjunto com os pais e as escolas.

Para ajudar os pais com algumas sugestões, pedi à Renata  receitas para um lanche mais saudável. Ela me enviou as seguintes receitas, sugerindo que, sempre que possível, a criança seja envolvida em todo o processo, começando pela compra dos ingredientes, passando pelo preparo e, finalmente, a degustação. Quando a criança é envolvida na elaboração da comida, seu interesse e curiosidade pela degustação aumentam. Ela se sente (e é) autora daquela comida que passa a ser dela e não algo completamente imposto por algum adulto.

Vamos às receitas (todas podem ser feitas com as crianças):

Pão de Tapioca
Ingredientes Leite desnatado – 1 e 1/2 xícaras

Tapioca Granulada – 3/4 xícara

Ovo – 1 unidade

Queijo Parmesão ralado – 1/2 xícara

Polvilho Doce – 1/2 xícara

Óleo de Girassol – 1/4 xícara

Sal – a gosto

Modo de Preparo
Em uma panela, ferver o leite com o sal. Desligar o fogo e adicionar o óleo. Em uma tigela colocar a tapioca para hidratar com o líquido ainda fervente. Reservar por 30 minutos. Depois de frio, adicionar os outros ingredientes e amassar bem com as mãos. A massa deve soltar das mãos. Caso isso não ocorra, adicionar um pouco mais de polvilho. Fazer bolinhas com as mãos e colocar sobre tabuleiro antiaderente. Levar para assar em forno préaquecido (180C) por 35 minutos.

Omelete do Pedro e da Alice (filhos da Renata)

4 ovos

4 bolinhas de queijo de búfala (ou uma fatia de queijo Minas)

4 tomates cereja

1 pitada de sal

1 pitada de orégano (opcional)

Modo de preparo:

Picar o queijo, cortar os tomates e misturar bem.

Em uma tigela, bater os ovos com garfo ou batedor manual (fouet).

Uma vez que os ovos estejam bem batidos, acrescentar o queijo e tomate já misturados. Colocar uma pitada de sal e de orégano (opcional) e mexer. Derramar sobre uma frigideira quente antiaderente ou com um fio de azeite. Virar o omelete e dobrar quando estiver com a consistência desejada (os franceses preferem o omelete mais mole, chamado de baveuse).

Iogurte natural caseiro
Ingredientes Leite integral – 1 litro

Iogurte natural desnatado consistência firme – 1 pote

Leite desnatado em pó – 2 colheres de sopa bem cheias

Açúcar Demerara – a gosto

Modo de preparo
Ferver o leite. Desligar. Deixar esfriar (37 C) para adicionar o leite em pó e o iogurte. Misturar delicadamente. Tampar a panela e colocar em local reservado por 12 horas. Sugestão guardar dentro do forno desligado.

Dica gastronomica
No fundo de cada potinho pode-se colocar uma geléia de frutas sem sabor para flavorizar seu iogurte.

Dica de conservação
Após 12 horas de descanso todo o contedo da panela se transformará em iogurte. Conservar na geladeira por até 4 dias. Sugestão transferir o contedo para potinhos individuais. Assim, evita-se a manipulação constante do iogurte, favorecendo a conservação.

Cookie de banana
👉🏼 sem açucar refinado adicionado
👉🏼 receita fácil de ser feita com as criança
👉🏼 os ingredientes como chocolate, coco e amendoas podem ser modificados para outra de preferência da criança

•Banana  madura(3  unidades)

•Aveia em flocos(2  copos duplos)

•Óleo de  girassol(1/4  de  copo duplo)

•Amêndoas sem casca trituradas no  processador(2/3  de  copo duplo)

•Coco  ralado sem açúcar (1/3  de  copo duplo)

•Fermento em pó(1  colher de  sobremesa)

•Baunilha(1  colher de  sobremesa)

•Sal  (1/2  colher de  sobremesa)

•Canela em pó(1/2  colher de  sobremesa)

•Chocolate  amargo picado ou passas pretas(170  g)

Modode preparo:
Numa vasilha,misturar as  bananas amassadas com baunilha e óleo de canola.Reservar. Em outra vasilha, misturar os secos: aveia, amêndoas trituradas, coco ralado,canela em pó, sal e fermento.Adicionar a banana aos secos e misturar  bem com um garfo. Por último,juntar os pedacinhos de chocolate amargo.Faça pequenas bolinhas e disponha no tabuleiro preparado.
Préaqueça o forno a 180°C.Forrar 2 tabuleiros com papel manteiga. Reservar.
Assar por 20 a 25 minutos. Deixar esfriar antes de retirar do tabuleiro com uma espátula de silicone.

E uma receita de sobremesa, em imagens:

YumYum (frappé de frutas com inhame):

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Uma variação da receita de biscoito de banana me foi enviada pela D. Liliane, avó da Lia, que, sentada no carrinho, não consegue decidir qual dos dois biscoitos vai comer!

 

Biscoitos de banana da Lia:

2 bananas nanicas maduras (quanto mais maduras, mais doce ficarão os biscoitos)

1 xícara de aveia, quinoa ou amaranto

2 colheres de sopa de uvas passa sem semente, coco ralada ou frutas secas picadinhas (opcional)

2 colheres de sopa de nozes, amêndoas, castanhas picadas ou outras oleaginosas (opcional)

1 colher de chá de canela em pó (opcional)

Modo de preparo:

Com um garfo, amasse as bananas e misture os demais ingredientes até obter uma massa bem integrada. Em uma assadeira antiaderente ou untada com um mínimo de azeite, coloque montinhos com pouco menos de uma colher de sopa da massa, com um dedo de distância entre eles. Não deixe-os muito altos para que assem bem e fiquem mais sequinhos.

Leve a assadeira ao forno preaquecido a 180º C por mais ou menos 20 minutos. Quando os biscoitos estiverem dourados, desligue o forno e deixe-os esfriarem lá dentro.

 

É importante lembrar que é em casa que os hábitos devem ser desenvolvidos. A escola tem um papel importante na vida das crianças e de suas famílias, mas não substitui os pais. Mais do que isso, é o exemplo da casa que vai contribuir para a formação de hábitos saudáveis. Palavras têm muito menos poder do que as ações. Se os pais se exercitam, comem razoavelmente bem, os filhos tenderão a seguir o modelo deles. Mas, se os pais são sedentários e optam por uma alimentação rica em gorduras, frituras e açúcar refinado, não há escola que conseguirá desenvolver, nestas crianças, hábitos saudáveis.

 

Contato da nutricionista Renata Araujo: realimentare.com.br  ou Instagram- @realimentare

 

QUANDO A MAMÃE É CHEF DE COZINHA!

Lucia é uma chef de cozinha que tem um canal no youtube (https://www.youtube.com/channel/UCYLysnuwNGfRc5y6QyLtyLQ) onde ensina a fazer deliciosos pratos. O desafio que propus à Lucia foi o de fazer um filme com alguma receita básica para bebês,  que pudesse servir de orientação para as mães. Luisa, sua filha é quem testou as receitas para o blog.

Como quem lê o blog sabe, a alimentação de bebês e crianças não pertence ao campo da ciência ou do conhecimento específico do pediatra. Pelo contrário, a alimentação de bebês e crianças é algo cultural e econômico. Como somos um país tropical, iniciamos a introdução de alimentos com frutas. Mas imaginem se uma mãe sueca vai ter bananas a um preço razoável para oferecer a seu filho? Ou uma mãe japonesa? Em cada país, os bebês começam sua alimentação sólida,  em função dos alimentos mais disponíveis, o que acaba produzindo hábitos culturais. Portanto, não ha porque se fazer um grande mistério a respeito deste momento que deve ser o mais natural e desprovido de “ciência e saber”. Aliás, como quase tudo relacionado a nossos filhos!

Mas, uma ajudinha, sem ser um roteiro rígido, pode ser interessante. Espero que vejam o vídeo e leiam as receitas abaixo como uma fonte de inspiração à criatividade culinária de vocês e não como um “manual da boa alimentação do bebê”.

Obrigado à Lucia pelas receitas e à Luisa por tê-las provado e aprovado. Divirtam-se na cozinha e, mais ainda, vendo seus filhotes se deliciarem.

Leia também: QUANDO PAPAI É CHEFE DE COZINHA!   OLIVIA APROVA NOVOS PRATOS!  INTRODUZINDO COMIDA PARA O BEBÊ

Papinhas para bebês – 1ª fase: iniciando os sabores

Base das preparações:

Caldo de frango

Ingredientes:

– 600g de peito de frango;

– 1 cebola grande ou 2 pequenas;

– 3 dentes de alho;

– 3 cenouras;

– 1/2 maço de salsinha;

– 3 galhinhos de tomilho fresco;

– 2 l de água.

 

Modo de preparo:

 

– Lave bem o peito do frango em água corrente;

– Coloque-o na panela de pressão com 2 l de água, juntamente com os outros ingredientes picados grosseiramente;

– Assim que a panela começar a chiar, abaixe o fogo e deixe cozinhar por 40 minutos;

– Coe o caldo e use somente o líquido no preparo das papinhas.

 

Caldo de carne

Ingredientes:

– 600g de músculo, acém ou patinho;

– 1 cebola grande ou 2 pequenas;

– 3 dentes de alho;

– 3 cenouras;

– 1/2 maço de salsinha;

– 3 galhinhos de tomilho fresco;

– 2 l de água;

 

Modo de preparo:

 

– Corte o músculo em cubos grandes;

– Coloque-os na panela de pressão (de preferência antiaderente) bem quente e deixe-os refogando até ficarem bem dourados;

– Acrescente os outros ingredientes picados grosseiramente e, em seguida, a água.

– Assim que a panela começar a chiar, abaixe o fogo e deixe cozinhar por 40 minutos.

– Coe o caldo e use somente o líquido no preparo das papinhas.

 

Papinha de batata doce, abobrinha, ora-pro-nóbis e caldo natural de frango (rende aproximadamente 7 porções de 150g)

 

Ingredientes:

 

– 400g de batata doce;

– 1 unidade de abobrinha italiana (200g);

– 30g de ora-pro-nóbis (aproximadamente 30 folhas);

– 500 ml de caldo de frango;

– sal marinho (pouco).

 

Modo de preparo:

 

– Em uma panela de pressão junte as batatas doce descascadas e cortadas grosseiramente;

– Junte a abobrinha cortadas com casca e as folhas de ora-pro-nóbis;

– Acrescente o caldo de frango e o sal;

– Tampe a panela e, assim que começar a chiar, cozinhe por 20 minutos em fogo baixo;

– Bata a papinha em um mixer ou no liquidificador até atingir a consistência desejada;

– Porcione as papinhas, deixe-as esfriar e leve ao congelador;

– As papinhas duram por até 6 meses no congelador e até 3 dias na geladeira;

– Ao servir coloque um fiozinho de azeite extra-virgem.

 

Papinha de mandioca, chuchu, couve e caldo natural de carne (rende aproximadamente 7 porções de 150g)

Ingredientes:

– 200g de mandioca;

– 4 folhas grandes de couve;

– 2 unidades de chuchu (350g aproximadamente);

– Sal marinho (pouco);

– 500 ml de caldo de carne.

 

Modo de preparo:

– Em uma panela de pressão junte as mandiocas descascadas e cortadas em pedaços não muito grandes;

– Junte a couve e o chuchu cortados grosseiramente;

– Acrescente o caldo de carne e o sal;

– Tampe a panela e, assim que começar a chiar, cozinhe por 20 minutos em fogo baixo;

– Depois de cozida, retire da mandioca o fio duro que fica no meio dela;

– Bata a papinha em um mixer ou no liquidificador até atingir a consistência desejada;

– Porcione as papinhas, deixe-as esfriar e leve ao congelador;

– As papinhas duram por até 6 meses no congelador e até 3 dias na geladeira;

– Ao servir coloque um fiozinho de azeite extra-virgem.

 

Leia também: QUANDO PAPAI É CHEFE DE COZINHA!   OLIVIA APROVA NOVOS PRATOS!  INTRODUZINDO COMIDA PARA O BEBÊ

VITAMINAS

Vitaminas são compostos orgânicos que devem ser consumidos na nossa alimentação porque nós, humanos, não somos capazes de sintetizá-las (produzir) em quantidades adequadas. Cada vitamina tem uma função única no nosso corpo, incluindo a regulação de hormônios, o crescimento das células e tecidos, efeito antioxidante etc. Vitaminas também participam como fatores auxiliares para múltiplas reações metabólicas que ocorrem no nosso organismo.

Para os pais, a ideia de complementar a alimentação de seus filhos com uma dose diária de vitaminas é extremamente atraente. É como se fosse uma forma de aumentar a proteção que oferecem a seus filhos. Além do mais, crianças frequentemente não gostam de tudo que é saudável e contém vitaminas. Assim, o suplemento aparece como uma solução. Sem dúvida, em alguns casos, pode ser bem indicado esse suplemento. Mas, o trabalho, frustrante muitas vezes, de educar nutricionalmente os filhos, não deveria ser substituído pelo suplemento vitamínico. Uma alimentação saudável, aprendida na infância, trará benefícios para a vida que nenhum suplemento vitamínico será capaz de dar. Tomar vitaminas não previne contra a obesidade, colesterol elevado e diabetes tipo 2, por exemplo. Portanto, o investimento de tempo, paciência e criatividade que educar nutricionalmente nosso filhos requer, terá um retorno em saúde futura que vitaminas suplementadas não trarão.

Claro que existem situações clínicas onde ocorre deficiência de uma ou várias vitaminas. Para estas situações, a administração de vitaminas não é suplemento, mas tratamento específico. Felizmente, estas situações clínicas não são frequentes e quando presentes, seus sintomas são evidentes. Digo isso para evitar a dúvida de – “será que meu filho não tem uma deficiência, ainda que pequena, de alguma vitamina?” Crianças com hipovitaminose (baixos níveis de vitaminas), apresentam sintomas muito “gritantes”.

Um equívoco que costumamos ter é o de acreditarmos que vitaminas fazem coisas que não fazem! Por exemplo, abrir o apetite das crianças. Muitos pais perguntam a seus pediatras se não seria o caso de “passar uma vitamina” para abrir o apetite da criança que “não come nada”. Eventualmente o pediatra vai estar diante de uma criança que é magra por constituição. Mas, não raro, essa criança que “não come nada” está com o peso na média para a idade, quando não acima da média. São crianças que se recusam a comer a alimentação saudável e esta é trocada por alimentos com alta densidade calórica, mas não necessariamente valor nutricional. Um bom pediatra deveria orientar a família com relação às estratégias de reeducação alimentar (em geral, para a família toda), ao invés de prescrever um suplemento vitamínico, que seria o caminho mais fácil (para todos).

Atualmente, no mundo acadêmico, se discute muito o valor da vitamina D. Parece ser a menina dos olhos dos pesquisadores e, certamente, vamos ouvir falar desta vitamina. O que precisamos lembrar é que existem modismos, motivados ou não pela influência econômica que fabricantes podem exercer. Vejam o caso da vitamina C que foi “endeusada” e hoje se encontra mais perto de onde deveria estar. Ou o caso dos suplementso polivitamínicos que propagam proteção contra doenças cardíacas e outras enfermidades. A cada nova pesquisa ou notícia na imprensa sobre uma “maravilha” atribuída a uma determinada vitamina, vamos acompanhar  e esperar que o tempo confirme ou não esses achados. Até hoje, nada supera, em benefícios para a saúde, um prato de comida multicolorido!

Finalmente, uma brincadeira! Olhem as duas fotos abaixo e respondam à pergunta: qual das duas você escolheria para dar a seu filho?

Compartilhe sua resposta conosco!

REFLUXO GASTROESOFÁGICO

O refluxo gastroesofágico NÃO É UMA DOENÇA. Provavelmente consegui chamar a sua atenção para ler um pouco mais!

O refluxo gastroesofágico é o retorno do conteúdo que está no estômago (alimentos sendo digeridos), para o esfôfago (veja a ilustração). Isto ocorre normalmente em lactentes, crianças e adultos. É um fenômeno fisiológico, normal. Portanto, não é uma doença.

No entanto, quando esse refluxo produz lesões no aparelho digestivo ou mesmo fora deste, como no aparelho respiratório, é que podemos falar em doença do refluxo gastroesofágico. Todo mundo tem refluxo mas nem todo refluxo é doença. O simples fato de regurgitar ou vomitar não caracteriza a doença do refluxo gastroesofágico.

Hoje em dia há uma epidemia de diagnóstico de doença do refluxo gastroesofágico. O termo foi popularizado e difundido de tal forma que, basta a criança manifestar alguma irritablidade após a mamada, regurgitando, para os pais chegarem no consultório com o diagnóstico feito: Dr. nosso bebê tem refluxo!

O diagnóstico de doença do refluxo gastroesofágico é complexo porque não existe um único exame que comprove a existência dessa doença. Os exames de imagem (raios X ou ultrassonografia) são úteis para demonstrar que não existem mal formações ou estenoses (estreitamentos) no aparelho digestivo. A presença de refluxo, nesses exames, não é suficiente para se afirmar que há uma doença do refluxo. Pode ser o refluxo fisiológico. Outros exames são invasivos como a endoscopia, a medida da pressão do esôfago e do seu pH (acidez) e devem ser pedidos somente nos casos onde a suspeita clínica seja forte.

Como diferenciar refluxo de doença do refluxo? Nem sempre é fácil, mas alguns sinais podem ser observados:

  • ganho de peso. O bebê que ganha peso dentro do esperado, dificilmente terá doença do refluxo. Por outro lado, uma criança que  não ganha peso como esperado ou até perde peso, junto com outros sinais, pode ter a doença do refluxo.
  • irritabilidade. Este é um sinal importante, mas que pode ter muitas causas. Merece ser valorizado e discutido com seu pediatra. Se a irritabilidade for intensa, interrompendo as mamadas e, além disso, o bebê não ganhar peso, a hipótese de doença do refluxo deve ser considerada.
  • presença de sangue no vômito ou na regurgitação é um sinal que deve ser comunicado imediatamente ao pediatra.
  • anemia. Se, além da irritabilidade e não ganho esperado de peso a criança apresentar anemia, deve-se pensar em doença do refluxo.
  • tosse noturna e ou quadros respiratórios podem ser um indicador de doença do refluxo com manifestações fora do aparelho digestivo.

Somente o seu pediatra  poderá, a partir do seu relato e observações, associado ao exame clínico, decidir se há uma suspeita de doença do refluxo gastro esofágico, pedindo ou não exames complementares e orientando os pais quanto às condutas a serem tomadas. Muitas vezes o pediatra vai optar por tentar medidas que não incluem remédios em um primeiro momento ou poderá fazer uma prova terapêutica com medicamentos.

Se você suspeita que seu bebê possa ter doença do refluxo, converse com seu pediatra, lembrando que refluxo (sem doença) é normal.

A informação que eu gostaria de passar para os pais é de que nem todo bebê que golfa e resmunga um pouco tem doença do refluxo gastroesofágico. Um dos indicadores importantes é o ganho de peso. Se o seu bebê ganha peso como esperado, diminuem as chances dele ter a doença do refluxo. Lembre-se de colocar seu bebê para arrotar na posição vertical, por uns 20  minutos após cada mamada. Independentemente dele ter ou não a doença do refluxo, é um bom hábito.

Se você tiver algum comentário ou dúvida, por favor envie pelo blog. Tentarei responder o melhor possível. Lembro apenas que, pelo blog, é impossível (ou leviano) tentar fazer diagnósticos específicos ou sugerir tratamentos. Somente seu pediatra, numa consulta, poderá fazê-lo.

 

CONSTIPAÇÃO

Uma queixa bastante comum é a de que a criança está constipada. Primeiro, vamos tentar definir o que é constipação.

Constipação é a eliminação de fezes duras ou ressecadas, com desconforto. A frequência com que uma criança vai ao banheiro não pode ser o único parâmetro para se dizer que está com  constipação. O ritmo intestinal varia de pessoa para pessoa, por isso, é mais importante prestar atenção no aspecto das fezes do que no número de dias sem fazer cocô.

Não raro, pode ocorrer constipação em momentos de transição da alimentação ou quando novidades relevantes são introduzidas na vida de uma criança, tais como: a chegada de um bebê na casa, mudança de casa, início da escola, separação dos pais etc.

Em bebês que são exclusivamente amamentados ao seio, a constipação é raríssima. Um bebê que esteja sendo amamentado, ganhando peso, pode ficar até 5 ou 6 dias sem evacuar e ser inteiramente normal. Se as fezes são pastosas, nenhuma preocupação. Agora, se um bebê, mesmo amamentado no seio, elimina fezes ressecadas, endurecidas, ou passa mais de 6 dias sem evacuar, leve ao seu pediatra para que possa ser examinado.

Crianças maiores podem ter alguma constipação quando começam a tirar a fralda e usar o vaso sanitário. Por isso, nunca forçe ou acelere a retirada das fraldas. Deixe que seja um movimento conduzido pela criança.

Quando a criança é saudável e apresenta constipação, geralmente um ciclo se estabeleceu. Medo de evacuar, retenção, fezes duras, evacuação dolorosa, medo de evacuar.

Ainda considerando que a criança seja saudável, algumas dicas de como manejar a consitpação:

1- No caso de bebês alimentados com fórmulas infantis (leite em pó), converse com seu pediatra a respeito do uso de água de ameixas. Se o bebê já está sendo alimentado com sopas e frutas, pergunte ao seu pediatra se pode acrescentar cereais à dieta, bem como um pouco de azeite extra-virgem.

2- Se assegure que seu filho está recebendo uma quantidade adequada de líquidos, por dia

3- Para as crianças maiores, que já utilizam o vaso sanitário, use uma tampa que reduza o tamanho do vaso. Muitas crianças têm medo de cair dentro do vaso e, somente por esss motivo, passam a reter as fezes, inciando o ciclo que culmina com fezes endurecidas e evacuações dolorosas.

4- Para se conseguir evacuar, é fundamental que os pés estejam apoiados. Tente evacuar sem colocar os pés no chão! Portanto, para as crianças que ainda não alcançam o chão com seus pés, use um banquinho ou uma pilha de livros.

5- A alimentação costuma ser o melhor “remédio” para a constipação. Quanto mais fibra, melhor. Fibra é o que encontramos em cereais (aveia, granola, flocos de milho etc.), legumes, verduras e frutas. Se não for tumultuar a vida da família, dê preferência a produtos integrais (arroz, pães) porque possuem mais fibras.

6- Use azeite na comida. Depois de preparada, coloque uma colher de azeite.

7- Para crianças maiores, acima de 4 anos, crie uma rotina de sentar no vaso. Em geral, depois de uma refeição, peça para seu filho se sentar no vaso. Fique com ele, conversem sobre assuntos não relacionados ao cocô, leia um livro junto. Estabeleça um tempo, em torno de 10 minutos para que fique sentado. Se não fizer nada, não comente nada. Se fizer, elogie.

8- Converse com seu filho ou filha, fora do banheiro, para entender o que está acontecendo, onde está o receio. Use historinhas para que possa perguntar o que seu filho ou filha acha que está acontecendo com o patinho que não gosta de fazer cocô, por exemplo.

9- Se o ciclo de medo, reter, dor, reter mais já se estabeleceu, recomendo que procure seu pediatra, Muito provavelmente ele vai prescrever laxativos para quebrar esse ciclo. Não dê laxativos para seu filho, sem consultar o seu médico.

Este é um assunto muito vasto e complexo, difícil de abordar em um post. Se você tiver dúvidas mais específicas, posso tentar respondê-las.

 

COLESTEROL É PROBLEMA SÓ DE ADULTOS?

A doença cárdio-vascular (infarto, acidente vascular cerebral), bem como o diabetes tipo 2 e a síndrome metabólica, são raros em crianças. No entanto, fatores de risco presentes na infância podem se manifestar como doença, na vida adulta. A arterioesclerose (entupimento das artérias por placas de gordura) é um processo que se inicia já na infância!

Abaixo, duas reflexões ou provocações:

1- Se você soubesse que seu filho ou filha tem uma doença grave, porém curável, o que você faria?

2- Se você fosse informada de que seu filho ou filha corre um razoável risco de ter uma doença grave, só que no futuro, o que você faria?

Sinceramente, teria a mesma urgência em procurar a solução em ambos os casos ou, no segundo, acabaria adiando a tomada de ação e/ou minimizando o risco futuro?

Enquanto nós adultos não nos dermos conta de que é nossa responsabilidade prevenir o infarto, derrame e diabetes desde a infância, estaremos deixando uma herança que nenhum de nós, conscientemente diria que gostaria de deixar.

Existem algumas coisas que podemos fazer:

1- Entre 9 e 11 anos, pedir ao seu pediatra que dose o colesterol do seu filho ou filha. Não é necessário um lipidograma completo. Basta pedir a dosagem do Coleterol não HDL. Para isto, o laboratório dosará o colesterol total e o HDL. A vantagem sobre o lipidograma completo é que este exame, parcial, não exige o jejum de 12, facilitando sua aceitação por parte da criança. Se o resultado for acima do normal, aí sim um lipidograma completo deverá ser pedido. Esta é uma recomendação recente do National Heart Lung and Blood Institute, dos EUA, endossada pela Academia Americana de Pediatria.

2- Repetir esse exame de Colesterol não HDL entre 17 e 19 anos

3- Manter uma alimentação saudável que se inicia com o aleitamento materno e prossegue com uma dieta pobre em gorduras saturadas. O papel da família é fundamental para o sucesso de uma alimentação saudável. Não adianta exigir que as crianças comam de forma saudável, se o restante da família come de forma menos cuidadosa. (O Prato Saudável e Sobrepeso e Obesidade)

4- Praticar exercícios físicos. Na infância, como jogos ou brincadeiras ao ar livre e, à medida que a criança for crescendo, como esporte ou dança.

5-  Não fumar dentro de casa ou em abientes fechados com as crianças por perto. O ideal é simplesmente não fumar.

Vejam que nada do que escrevi acima é sofisticado, altamente tecnológico ou exije muitos recursos. No entanto, essas medidas simples, podem fazer a diferença na vida adulta dos seus filhos. A diferença entre uma morte ou invalidez precoce e uma vida saudável e plena. Eventualmente, pode motivar os adultos a modificarem seus hábitos, usufruindo eles também de uma vida mais saudável.

Como sempre, vou apreciar ser fizerem comentários ou tiverem dúvidas que eu possa tentar esclarecer.

MEU FILHO OU FILHA NÃO COME NADA!

Do peito para as frutas e sopinha, que maravilha. Tudo é festa. Depois, a comida vai ficando mais pastosa e os filhos querem comer tudo que está no prato dos adultos. Colocam a mão no prato e pegam pedaços de carne para morder. Tudo ainda é festa. Um dia, começam os “gostos”. A idade varia e, felizmente, muitas crianças continuam aceitando bem uma alimentação variada e colorida. Mas alguns, literalmente, não querem comer nada! Isto é, nada que seja do desejo dos seus pais ou recomendado. Querem comer “bobagens” ou o que é mais fácil, como uma mamadeira. Aí a festa acabou e os pais costumam ficar muito preocupados e, eventualmente, tensos. O que pode ser feito?

1-      Saber que gosto ou paladar é um atributo individual e que, de fato, alguns sabores não serão atraentes para algumas crianças.

2-      Independentemente do paladar, algumas crianças resistem a variações ou novidades.

3-      As novidades devem ser introduzidas uma de cada vez. Quando a aceitação é imediata, ótimo. Quando não é, os pais devem dar uma pequeníssima quantidade desse alimento, antes da refeição, sem insistir para que coma mais dessa novidade a ser introduzida. Esse processo (uma colherzinha antes do prato que gosta), deve ser repetido. Alguns estudos demonstram que quando essa repetição é feita de forma sistemática por até dez vezes (dez dias), há uma probabilidade muito maior do novo alimento ser aceito. Na maioria dos casos, os pais ou querem dar muito do novo alimento, ou insistem por três ou quatro dias, definindo que seu filho “não gosta” dessa comida.

4-      Evitar introduzir coisas artificialmente doces na alimentação das crianças, principalmente no primeiro ano de vida. Biscoitos, bebidas adoçadas, tendem a produzir um “desvio” do paladar. São mais fáceis de agradar e passam a ser uma preferência natural da criança. Lembre-se de que quem faz as compras são os adultos! Se tem biscoito em casa, alguém comprou e não foi a criança.

5-      Comer em família, todos juntos à mesa, é um bom hábito desde que a família coma de forma saudável. A criança vai se habituar a ver pais e irmãos comendo e esse clima é muito bom para todos. A refeição não é só para alimentar e nutrir, mas também um momento de interação, conversa e trocas.

6-      Não ofereça guloseimas como prêmio se a criança comer algo que deveria comer naturalmente. Estará reforçando a ideia de que aquele alimento é “ruim” e só com um “pagamento” deve ser comido.

7-      Elogie ou faça comentários positivos quando a criança comer o que deve. Diga coisas como- que bom que comeu tudo, vai ficar forte e bonito. Puxa! Comeu tudo como o papai e a mamãe, que bom ou que bonito.

8-      Se a criança não quiser comer, não insista ou fique negociando muito. De forma alguma entre pânico de que seu filho vai ficar desnutrido e sucumba à tentação de dar qualquer coisa (uma bobagem que ele goste) para que  “não morra de fome”. Crianças em cuja casa exista uma geladeira abastecida de alimento saudáveis, não morrem de fome!

9-      Saiba que, com essa questão do não comer, começou uma queda de braço sobre limites, obrigações e individualidade, que só terminará no final da adolescência. Saber impor limites, com carinho, é uma das tarefas mais importantes dos pais. O caminho fácil de ceder às pirraças pode gerar adultos que não tolerem a frustração, impacientes, egocêntricos. Em uma palavra, adultos insuportáveis. Não ceda às pirraças.

10-   Saiba que vai se sentir muito mal ao colocar limites. É normal. Aguente firme e compartilhe esse seu sentimento com seu companheiro ou companheira. Ambos precisam ser cúmplices. Tanto no suporte mútuo, quanto na manutenção do limite imposto ao filho por um dos pais.

11-   Paciência, perseverança, criatividade e muito carinho!