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NOVA VACINA PENTAVALENTE

habitos-saudaveis-alimentaresNotícia divulgada na ilha-reino de Utopia revela que uma nova vacina pentavalente foi aprovada para uso em humanos. A vacina protege contra a obesidade, diabetes tipo 2, infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral e algumas formas de câncer. Os pesquisadores ainda acreditam que esta vacina possa ter um efeito protetor contra a hipertensão arterial, mas o órgão regulador de vacinas ainda não aprovou sua comercialização como sendo uma vacina hexavalente. O ministro da Saúde de Utopia, Dr. Otimissimus, declarou: “caminhamos rumo a uma vida sem doenças”.

Utopia é o nome de uma ilha-reino, que dá nome a um romance escrito em 1516, por Thomas More. Esta ilha, teria sido inspirada nas descrições feitas por Américo Vespúcio, do que hoje conhecemos por Fernando de Noronha. Utopia foi um neologismo criado pelo autor, significando lugar nenhum. Era uma ilha-reino onde havia igualdade e justiça, portanto só encontrável em lugar nenhum. Somente nesta Utopia, poderíamos ter uma vacina pentavalente como a que descrevi no primeiro parágrafo.

O leitor do blog deve estar confuso, com razão. Afinal de contas, existe essa tal vacina? Se não existe, por quê essa história toda sobre Utopia? Onde esse pediatra quer chegar?

Respondo, por partes. A vacina não existe, como vacina. Mas, se existisse, você a daria a seu filho? Não tenho a menor dúvida de que a resposta será sim. Quem não gostaria de proteger seu filho contra essas cinco ou seis doenças, tão frequentes? Mas, se não existe a vacina, existe o equivalente a uma vacina que pode proteger os nossos filhos destas doenças. O equivalente à vacina são bons hábitos de vida: alimentação, atividades física, sono regular, vida afetiva e um tempo para ficar quieto, pensando em nada. Simples, barato e eficiente. Por quê então não vemos mais gente aderindo e ensinando aos filhos uma forma de viver com prazer e que os proteja de doenças muito comuns e frequentes? Por que somente em um lugar idealizado, como Utopia, as pessoas se comportariam de forma a obter vantagens no longo prazo, ao invés de facilidades no curto prazo. Isso responde à segunda pergunta de porque usei Utopia para começar o post.

Onde eu quero chegar com esse post? Gostaria de propor que pensássemos em porque não hesitaríamos em dar a tal nova vacina pentavalente e não aderimos, nem ensinamos aos nossos filhos, hábitos saudáveis de vida. A seguir, algumas ideias que eu tenho a respeito e que poderiam explicar nosso comportamento.

1- Vacinas representam bem a nossa cultura de hoje. Uma aplicação rápida, eficiência comprovada, um custo aceitável (seja pagando via impostos, seja na clínica privada)  e, o mais importante- assunto resolvido! Em uma cultura do rápido, eficiente e ticar checklists, nada como uma vacina.

2- Vacinas encarnam o mito do moderno, fruto da pesquisa científica e tudo que é moderno e científico é o melhor que se pode oferecer.

3- Vacinas  são práticas, exigindo pouco ou nenhum envolvimento dos pais. Qualquer pessoa pode levar a criança para ser vacinada. Os pais se sentem cumpridores de um cuidado, sem ter que se dedicar muito tempo a ele.

4- Nenhuma criança gosta de tomar vacina, mas, o tempo que os pais precisam usar sua autoridade e impor que a vacina será dada, não passa de 3 a 5 minutos, no máximo.

Hábitos de vida saudável são o oposto desses atributos que descrevi para as vacinas. Exigem um reforço (para ficar na linguagem das vacinas), diário. Portanto, é uma atitude trabalhosa, árdua, contínua. O assunto nunca está completamente resolvido e não pode ser ticado da checklist. Ou melhor, é ticado todos os dias e, no dia seguinte, está na lista de pendências, novamente. Nada mais frustrante para quem, como nós, vive em uma cultura de eficácia gerencial, extrapolada para a vida. Algo que precisa ser cuidado todos os dias, denuncia alguma incapacidade de resolver, de uma vez, o “problema”. Mas, hábitos de vida não são um problema a ser resolvido, mas, uma solução!

Hábitos saudáveis de vida não apresentam o glamour da modernidade, nem o mito do conhecimento científico como sendo a única forma de saber.  O antigo é confundido com o ultrapassado.  Nem tudo que é do passado, deve ser considerado ultrapassado. Mas, francamente, não pensamos assim. Veja o exemplo da alimentação. Quanto mais se estuda, mais damos razão ao conhecimento dos nossos avós que diziam que um prato saudável era um prato colorido. Mas, ao nosso redor, o que mais se vê são modismos e “modernidades” alimentares.

Hábitos saudáveis exigem um envolvimento enorme dos pais. Exigem uma realocação do que seria o meu tempo, para o nosso tempo. Nosso sendo o tempo com a família, os filhos. Exigem que os pais também modifiquem comportamentos para serem exemplo e aí reside uma das maiores barreiras para que nosso filhos possam aderir a um estilo de vida que funcione como  uma vacina contra as doenças citadas. Hábitos saudáveis dão mais trabalho porque a alimentação industrializada, de fácil acesso e preparo, nem sempre é a mais adequada ou melhor. A lei da gravidade é infinitamente mais forte no sofá em frente à televisão, nos prendendo lá ao invés de uma vida ao ar livre, com atividade física.  E, finalmente, exige que os pais se valham da sua autoridade de forma mais contínua e não só por alguns minutos. Limites bem colocados são fundamentais para que a “vacina” funcione. Não só é importante seIsola_di_Utopia_Moro estimular o que deve ser feito, como traçar limites claros e rígidos com relação ao que não deve.

Dito desta forma, parece uma tarefa impossível, utópica. Mas, não ensinamos nossos filhos a escovarem os dentes,
todos os dias? Não os educamos para usarem cinto de segurança, quando andam de carro? Aos poucos, não vamos criando o hábito do uso diário do protetor solar? Temos exemplos de bons hábitos que conseguiram ser introduzidos na nossa vida rotineira. Nem nos damos conta de que se tratam de ações de prevenção.

Cabe a você leitor decidir se vai “vacinar” ou não seu filho com a nova pentavalente. Como não estamos em Utopia, ela, por aqui, se chama de bons hábitos de vida. Quem ensinar seus filhos a adota-los, vai lhes dar  não só mais anos de vida, como mais vida nesses anos.

SEGURANÇA: A ETERNA VIGILÂNCIA!

segurança1Quem lê o blog, ou me conhece pessoalmente, sabe o quão pouco afeito a regras eu sou. Pelo contrário, sou um pediatra que briga contra as regras que medicalizam a vida ou transformam todo o cuidar dos filhos em uma questão de saúde. Mas, existe um tema ou assunto com o qual eu mantenho uma relação que beira ao transtorno obsessivo compulsivo! E esse tema é o da segurança das crianças. Já escrevi sobre esse tema no blog mais de uma vez. Retorno ao tema pela sua importância e, aproveitando a divulgação que um acidente com um berço está tendo na mídia. 

Para começar, explico a razão do meu TOC com segurança. Uma das formas de tomarmos decisões é a de anteciparmos as diversas consequências e nos perguntarmos se estamos em condições de lidar com as que podem ocorrer diante do pior cenário possível. Explico: o que pode acontecer se um bebê de 6 meses provar o sorvete que sua mãe está tomando? Desde nada (melhor cenário), até um vômito ou diarréia (pior cenário). O pior cenário, neste caso, não é algo que os pais, eventualmente, seriam capazes de enfrentar, tranquilamente. No caso de acidentes, o pior cenário pode ser algo insuportável, para o resto da vida dos pais. Portanto, na minha visão (que não é a verdade, apenas é a minha), acidentes possuem um potencial de um pior cenário insuportável, muito grande. Daí minha insistência com o tema.

Os pais que me conhecem sabem que eu repito as duas frases que sempre ouço quando um acidente doméstico ocorre:

  • eu nunca imaginei que …..
  • foi em um segundo!

De fato, não nos damos conta, que os bebês e as crianças são seres em constante e rápida evolução. A cada dia, hora ou minuto, amadurecem circuitos neuro-motores, conquistando habilidades e aptidões que, no momento anterior, não tinham. Por exemplo, um dia, sem aviso prévio, sem data e hora marcada, rolam! Quando isso acontece no berço ou no chão, os pais vibram de alegria. Mas, quando acontece na hora da troca de fraldas, e a mãe se virou para pegar a pomada, o risco de um bebê cair é enorme. E, se cair, uma vez passado o susto, a mãe dirá as duas frases acima: eu nunca imaginei que iria virar (nunca tinha virado antes!) e aconteceu em um segundo, eu só me virei para pegar a pomada!

O aprendizado é que devemos pensar o inimaginável, quando se trata de segurança.  É  difícil  pensar e  ficarmos atento ao fato de que umaplaying child nova aptidão ou competência motora pode produzir um acidente. Ficar em pé no berço, se debruçar e cair. Puxar um fio de lâmpada. Subir e/ouarrastar cadeiras. Escalar armários. Abrir armários e embalagens. A lista é imensa porque a capacidade criativa das crianças é ilimitada e sua curiosidade exploratória, imensa. À medida que a criança ganha mais mobilidade, engatinhando ou andando, o universo de possibilidades de “aventuras” é inesgotável. A solução? A primeira medida é  prevenir! Prevenir, imaginando o impensável e, agindo assim que pensar. Pensou que pode pegar material de limpeza no armário? Mude de lugar na hora. Não adie! Pensou que poderá ficar de pé no berço? Abaixe o berço, na hora, não adie! A segunda, dá o título ao post de hoje: eterna vigilância! Criar novos reflexos nos nosso cérebros. Não deixar uma criança no banho um segundo para atender o telefone. Não sair para fechar uma torneira do tanque ou se virar para tirar algo do microondas, com panelas no fogo. Não ir até a porta, um minuto, receber uma encomenda, deixando a criança desacompanhada. Para ajudar a criarmos esse reflexo, é precioso pensar, todos os dias, que nossos filhos vão aprender algo novo, hoje! Não sabemos o que é, nem a que horas isso vai acontecer. As crianças não nos avisam: amanhã, vou começar a engatinhar, terça, às 10h, vou andar!  Mas, vai acontecer e é desejável que ocorra. Só precisamos prevenir que não ocorra em lugar ou situação que traga risco para a criança.

Além destas situações, mais domiciliares, existem os cuidados que devemos oferecer aos nossos filhos, em termos de equipamentos de proteção: cadeirinha do carro, capacete sempre que andar de bicicleta (mesmo bebê e o adulto também usando), capacete, joelheira e cotoveleira para praticar skate, colete salva vidas quando andar de barco etc.

Um capítulo da segurança importante é o da prevenção do asfixia por alimentos. Evitar dar alimentos duros e pequenos (amendoins, pipocas, balas etc.) para crianças que ainda não tenham a dentição completa e estejam absolutamente confortáveis com a mastigação. Mesmo para estas, não dar alimentos em veículos em movimento. Evitar jogar o alimento na boca da criança ou até mesmo os pais comerem (amendoins) jogando para o alto e pegando na boca. A criança vai imitar o adulto, com risco de engasgar. Ainda no capítulo da asfixia, devemos ter cuidado com brinquedos, pequenas peças, tampas de caneta (aquela tampinha de trás da caneta esferográfica). Devemos puxar os olhos das bonecas, os botões dos pijamas dos ursos, para testar se estão firmes ou se há algum risco de se soltarem. Lembrem-se de imaginar o inimaginável (eu nunca imaginei que aquela tampa pudesse sair!).

Este é um post curto, de um assunto sério. Os exemplos que dei, são meros exemplos. O importante é o conceito de que segurança exige nossa eterna vigilância.Talvez seja o único assunto em que me verão escrever (e falar) de forma tão enérgica, rígida, quase autoritária. Estou convencido de que o pior cenário, em acidentes, é insuportável para qualquer mãe e pai. Valem todos os cuidados para que possamos não passar por isso.

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CHUPETAS- SIM OU NÃO?

Algumas crianças sugam para se sentir bem. Isto é, sugam sem ser com a finalidade de se alimentar. Para estas crianças, a chupeta pode ser uma boa alternativa.  Digo alternativa, porque nem todas as crianças gostam ou aceitam uma chupeta. Se o seu bebê não aceita uma chupeta, não forçe o seu uso. Algumas crianças descobrem a mão e os dedos e passam a usá-los como para sugar e se sentir mais calmos. Portanto, a resposta à pergunta – chupetas, sim ou não, é: depende! Depende da criança e das suas necessidades. A única situação onde parece haver uma indicação clara para o uso da chupeta é na hora de dormir. A Academia Americana de Pediatria recomenda, em função de estudos sobre a segurança no sono, que os bebês adormeçam com uma chupeta na boca. Se esta cai durante o sono e o bebê não reclama, não há necessidade de se recolocá-la.

Qual modelo escolher? O único cuidado é com os aspectos de segurança. Assim, escolham uma chupeta que não tem peças que se separam e que permita uma lavagem com água quente. Com relação aos diversos modelos existentes no mercado, só tem um jeito que é testando a aceitação. Uma vez que o seu bebê defina o modelo que gosta, tenha sempre uma ou duas chupetas de reserva. Chupetas tem uma capacidade formidável de sumirem, caírem por entre bancos do carro, atrás de almofadas e outros lugares inusistados. Mantenha a chupeta limpa, lavando-a com água morna e detergente. Troque a chupeta quando ficar velha, ou apresentar rachaduras. Tudo que não queremos é que uma criança aspire pedacinhos da chupeta!

Quais os problemas decorrentes do uso da chupeta? Em primeiro lugar, vimos um aspecto positivo que o uso da chupeta, para dormir, produz: a redução de episódios de síndrome de morte súbita do recém nascido. Estudos demonstram esse benefício do uso de chupeta para dormir, sem, no entanto, explicar os motivos pelos quais isso ocorre. Mas, as evidências são suficientemente fortes que, como dito acima, seu uso para dormir é uma recomendação da Academia Americana de Pediatria. Quanto aos aspectos negativos que potencialmente podem ocorrer, destaco:

  • interferir no aleitamento ao seio. Para os bebês que mamam no seio de suas mães, o uso da chupeta deveria ser postergado até em torno de um mês de idade, quando a amamentação já está bem estabelecida. Alguns recém nascidos podem ficar “confusos” com tipos diferentes de bico e acabar por apresentarem alguma dificuldade de sugar o seio materno.
  • otites – aparentemente há uma correlação entre uso de chupetas e um maior número de casos de otite.
  • sapinho- crianças que usam chupetas tendem a ter mais candidíase oral (sapinho) do que os bebês que não usam.

O uso de chupeta pode atrapalhar a dentição ou a fala? Somente o uso prolongado pode atrapalhar a dentição, produzindo problemas de oclusão ou alinhamento dos dentes. Se a criança usa chupeta aos dois anos, deve-se iniciar um processo de retirada, sem muita pressão. No entanto, uma criança não deveria mais estar usando chupeta a partir do seu terceiro aniversário. Quanto à fala, o único problema que a chupeta acarreta é que fica muito difícil entender o que uma criança diz, com a chupeta na boca. Fora isso, só terá problemas na fala, se tiver problemas com a oclusão ou dentição.

O importante a ser lembrado é que chupetas não devem ser usadas para “enganar” a fome da criança. Se ela está com fome, precisa de comida! Chupetas servem para tranquilizar crianças que se sentem melhor quando sugam algo, sem fins de se alimentar.

Como interromper o uso da chupeta, sem traumatizar a criança? Se eu soubesse a resposta desta pergunta, publicaria um livro que venderia muito. Felizmente, a maioria das crianças perde o interesse (ou necessidade) pela chupeta e a abandona espontaneamente. Outras, conseguem largar a chupeta com algum estímulo como por exemplo dizer que a criança já está grande e que pode dar para um outro bebê, ou dar para coelho da páscoa ou Papai Noel! No entanto, algumas crianças se mantém agarradas às suas chupetas, de tal forma que os pais ficam sem saber o que fazer. Não há receita única, muito menos certa. Desde a tentativa de convencimento através da conversa, passando por estímulos positivos com calendários onde estrelinhas são colocadas para cada dia sem chupeta, até medidas menos simpáticas como o uso de sabor desagradável porém atóxico na chupeta (vinagre é um exemplo), até a retirada total e absoluta da chupeta, aguentando a reação por um ou dois dias. Os pais devem decidir como proceder e o que eu posso dizer é que, se a opção for pela retirada total e completa da chupeta, devem estar preparados para suportar a reação natural que virá, sem ceder e voltar atrás, devolvendo a chupeta. Isso seria um exemplo negativo porque a criança iria aprender que pirraça funciona. Sucesso!

Se você tem alguma dúvida ou gostaria de compartilhar alguma experiência, escreva. Seu comentário será sempre benvindo.

O QUE QUEREMOS PARA O FUTURO DOS NOSSOS FILHOS?

Esta é uma pergunta, cuja resposta me parece óbvia: queremos o melhor para nossos filhos, sempre. Seja no presente ou no futuro. Quando percebemos a preocupações com que os pais encaram a escolha da escola, é nítida a preocupação, já no ensino fundamentela, com uma escolha que garanta um futuro profissional promissor. Quando os pais levam seus filhos ao pediatra, para as visitas de rotina e seguem à risca o calendário de vacinas, é indiscutível a preocupação com a saúde. No entanto, será que os pais se preocupam com a saúde , no futuro, como com a educação, profissão, sucesso etc.?

Hoje começa, oficialmente, a Conferência Rio + 20 e vale a pena pensarmos dois minutos sobre o meio ambiente e a saúde de nossos filhos. Comportamentos de hoje impactarão o meio ambiente de amanhã e este impacto poderá ser benéfico ou maléfico para a saúde de nossos filhos. Talvez nos comportemos como adolescentes, imaginando que tudo vai dar certo no futuro e que a saúde de nossos filhos não tem relação direta com o meio ambiente. Talvez imaginemos que as questões de meio ambiente sejam apenas uma chatice de uma minoria de desocupados que, não tendo nada melhor a fazer, falam em florestas e rios. Talvez ainda achemos que falar de meio ambiente é aquela conversa de evitar que um macaco ou peixa seja extinto. Se continuarmos a pensar dessas diferentes formas e não modificarmos nosso comportamento, a saúde de nossos filhos pagará um preço que nenhum de nós, conscientemente diria que não se incomoda ou não liga. Querer o melhor para nossos filhos no futuro, nos obriga a repensar e reconsiderar o meio ambiente de forma radical. Nos obriga a obter mais informações e, de posse destas, modificar comportamentos.

A seguir, algumas questões, para as quais não tenho repostas, mas que impactam a saúde de nossos filhos:

  • com as mudanças na camada de ozônio, produzidas pela poluição e emissão de gases de carbono, qual serão as consequências sobre as pessoas de uma maior exposição às ondas eletromagnéticas, vinda do cosmos? Teremos mais câncer de pele e de outros órgãos?
  • a simples poluição da atmosfera, sem considerar raios cósmicos, trará malefícios para as pessoas? Aumentarão as doenças respiratórias e cânceres?
  • qual o impacto na saúde do uso de agrotóxicos, defensivos agrícolas, hormônios e antibióticos na indústria de alimentos? Teremos mais doenças? Teremos nova doenças?

Finalmente, estamos educando nossos filhos de forma a se sentirem inseridos e responsáveis pela sustentabilidade do nosso planeta ou esse é um assunto que nunca nos ocorre incluir nas nossas conversas? Se quisermos que nossos filhos vivam em condições de menor risco para a sua saúde, no futuro, é preciso que aprendam, hoje, alguns comportamentos diferentes : reduzir, reutilizar e reciclar.

Podemos tudo, só não podemos dizer que não sabíamos!

Compartilhe conosco o que você tem feito para educar seus filhos com relação ao meio ambiente. O que você faz pode ser um estímulo para outros pais.

POR QUÊ USAR FILTRO SOLAR?

Fases da vida e o uso do filtro solar:

Bebê- tranquilo

Algumas crianças a partir de 1 ano e pouco- indóceis, reclamam.

Crianças com 3 anos ou mais- não querem, não gostam

Crianças a partir de 6, 7 anos- se negam, esperneiam, na cara não pode etc.

Adolescentes- pô mãe, não chateia.

Afinal de contas, por quê insistir tanto nessa história de usar filtro solar? A resposta é simples e direta: os raios solares são capazes de fazer mal à pele. Dentre os males que pode produzir, está um tipo de câncer, o melanoma, que tem alta mortalidade se não for diagnosticado no início. Como câncer é algo que, se acontecer, só vai aparecer no futuro, não sensibiliza os adolescentes. Estes, na sua onipotência natural e normal para a idade se sentem completamente imunes ou protegidos contra tudo que pode acontecer. Acreditam que as coisas aconteçam, mas só com os outros.

Um aspecto que pode motivar os adolescentes a usarem o filtro solar, é o estético. Talvez as meninas fiquem mais impacatadas por esse argumento. No entanto, falar, de pouco adiante. Por esse motivo, estou postando a foto abaixo. É a foto de um caminhoneiro americano que, durante 28 anos, trabalhou dirigindo seu caminhão. Assim, por esse tempo, pegou sol mais intensamente, do lado esquerdo do rosto. A foto abaixo foi publicada no New England Medical Journal, uma das mais prestigiosas publicações médicas. Mostre a foto para seu filho ou filha. Vai valer mais do que mil palavras.

Gostaria de saber qual a reação dos adolescentes ao ver a foto. Se tiver um tempinho, comente e compartilhe com outros pais.

DROGAS- A PREVENÇÃO COMEÇA EM CASA

Drogas, incluindo tabaco e álcool, são facilmente acessíveis a crianças e adolescentes. Como pais, temos um papel fundamental na decisão de nossos filhos usarem ou não drogas.

A prevenção do uso de drogas começa cedo e em casa. Duas ações, fáceis de se falar e difíceis de implementar, estão na base da prevenção, não só do uso de drogas, como de outros comportamentos de risco: conversar francamente e colocar limites.

Conversar francamente significa ter uma atitude aberta, acolhedora e honesta em uma conversa com seu filho ou filha. Isso não é fácil quando envolve assuntos mais “difíceis” para nós, adultos. Falar de drogas ou sexo, nem sempre é confortável, o que nos faz evitar ou postergar conversas sobre esses assuntos. Se não postergamos, frequentemente tornamos a conversa um monólogo onde nós falamos, emitimos nossas opiniões, frequentemente dogmáticas e, rapidamente encerramos o papo. Uma conversa franca, honesta, inclui ouvir nossos filhos. Saber suas opiniões, sem julgá-los, a priori. Se emitirmos um juízo a respeito de uma opinião de nossos filhos, corremos o risco de vê-los na defensiva e perdemos a nossa maior oportunidade de ajudá-los, que é mantendo um canal de comunicação aberto. Conversar honestamente é, também, lembra que fomos adolescentes e do que fizemos naquela época. Isso não deve servir de pretexto para tudo permitir, mas sim para mostrar entendimento genuíno pelo que está se passando.

Colocar limites é uma dificuldade para muitos pais. Seja porque a vida que levam os obriga a ver pouco os filhos e temem que, no pouco tempo que estão juntos, sejam percebidos como os chatos que dizem não a tudo. Seja porque não toleram uma reação de ira ou ódio dos filhos, ou ainda porque é mais fácil ou confortável deixar que a criança faça tudo, não transtornando a vida dos pais. No entanto, a colocação de limites é algo fundamental no desenvolvimento de uma criança e de um adolescente. Quando esse limite não é dado em casa, vão procurá-lo em atividades de maior risco, como dirigir em alta velocidade, usar drogas e outros comportamentos inseguros. Portanto, não temam colocar limites. Sejam firmes e enérgicos, sem deixar, por um minuto sequer, de serem amorosos.  Um bom exemplo de limite a ser imposto e que tem relação direta com o assunto de prevenção do uso de drogas é a proibição de consumir bebidas alcoolicas, antes dos 18 anos. Não podemos ser tolerantes com a ingestão de bebidas em festas de menores de 18 anos. Se os motivos de saude e comportamento de risco não fosssem sufcientes, é ilegal. Como ensinar segurança e cidadania a nossos filhos se permitimos que descumpram a lei?

Mais importante do que possamos dizer a nossos filhos, é o nosso comportamento. O que fazemos é uma das maiores influências que nossos filhos podem ter.

A seguir alguns tópicos para nossa reflexão (e ação!):

  • a prevenção começa quando falamos e escutamos nossos filhos, de forma aberta, franca e honesta.
  • passe mais tempo com seus filhos. Participe de atividades esportivas e/ou culturais. Mais tempo junto, de forma agradável e prazerosa, fortelece os vínculos e facilita a comunicação
  • ajude seu filho a fazer escolhas, incluindo amizades. Se passa mais tempo com seu filho e conversa sobre todos os assuntos, provavelmente terá a oportunidade de contribuir para que faça escolhas mais seguras ou saudáveis. Elogie comportamentos desejáveis e mostre os riscos de outros.
  • ensine seu filho a dizer não, de diversas maneiras. Uma das questões que mais aflije adolescentes é o da aceitação pelos seus pares. Por isso é muito difícil para eles, dizer não. Principalmente quando ingressam em um grupo mais velho, onde “rituais” de iniciação podem incluir desafiar o mais jovem a fazer “loucuras”.
  • estabeleça regras claras sobre o não uso de drogas. Não deixe a menor duvida com relação a valores e regras da família.
  • não use drogas ou tabaco. Se beber, faça-o com moderação e nunca dirija. Não dê o  mau exemplo de procurar no tweeter como burlar a lei seca. Lembre-se que suas ações transmitem mensagens mais poderosas do que suas palavras.
  • se informe sobre os reais efeitos nocivos das drogas. Saber explicar o que cada droga é capaz de fazer no organismo, ao invés de dizer algo genérico como- droga faz mal, dá mais credibilidade e qualidade à comunicação com seu filho.
  • corrija crenças equivocadas ou argumentos como: todo mundo bebe; maconha não faz tanto mal assim etc.
  • fale sobre a responsabilidade individual e as consequências das escolhas.

Não há nenhuma garantia de que nossos filhos não usarão ou experimentarão drogas. A curiosidade, associada à impulsividade e onipotência (nada de ruim vai acontecer comigo), são fortíssimos estímulos para que adolescentes façam “loucuras”. A manutenção de um canal de comunicação aberto, franco e acolhedor é fundamental para ajudar seu filho ou filha a atravessar com menos riscos essa etapa da vida.

Como sempre, se tiver algum comentário ou duvida, envie-a. Tentarei responder o melhor possível.

DIA MUNDIAL SEM TABACO

Hoje é o Dia Mundial Sem Tabaco. Há 25 anos a Organização Mundial da Saúde iniciou a conscientização da população a respeito dos riscos que o hábito de fumar representam. Atualmente, 6 milhões de pessoas morrem em decorrência de doenças atribuíveis ao hábito de fumar. Apenas para que  possamos ter uma ordem de grandeza desse número de mortes é como se toda a população do município do Rio de Janeiro morresse, em um ano! É uma das maiores causas preveníveis de doenças e  mortes que conhecemos.

Por quê resolvi escrever sobre este dia, em um blog da saúde da criança e do adolescente? Porque hoje temos estudos epidemiológicos que comprovam os malefícios do fumo passivo, aquele a que um não fumante é submetido ao entrar em contato com a fumaça de um fumante.  Sabemos que as seguintes questões de saúde de crianças e adolescentes estão relacionadas ao hábito de fumar dos adultos:

  • Fumar durante a gravidez afeta o desenvolvimento e crescimento fetal. Existem alguns estudos que correlacionam o hábito de fumar durante a gravidez com algumas doenças genéticas. Grávidas que fumam têm maior risco de parto prematuro e maior mortalidade perinatal. Há uma provável correlação entre fumar na gravidez a a síndrome de morte súbita do recém nascido.
  • Fumar na presença de crianças reduz a qualidade de vida destas, aumentando o número de dias em que faltam à escola e o número de dias doentes, no ano.
  • Crianças expostas à fumaça de cigarro apresentam um número significativamente maior de doenças respiratórias, desde simples manifestações alérgicas até o aumento de bronquites e pneumonias. Há uma associação entre a fumaça de cigarro e a asma.
  • Fumar provoca uma inflamação nas artérias das crianças, cuja consequência é a formação de placas de aterosclerose.

Ainda sem comprovação, mas com uma probabilidade forte, alguns tipos de câncer infantil podem estar relacionados com a exposição à fumaça do cigarro.

Crianças expostas à fumaça de cigarro, apresentam maior risco de câncer e doença coronariana na vida adulta.

Portanto, não há a menor dúvida de que a exposição à fumaça do cigarro é muito nociva para as crianças expostas. Além da exposição, os adolescentes podem se sentir “motivados”  a fumar, pelo exemplo de seus pais. Nessa situação, não só terão sido expostos indiretamente, quando crianças, como terão contato direto com a fumaça do cigarro, engrossando tristemente as estatísticas terríveis que conhecemos hoje.

Todo esforço para que adultos parem de fumar, adolescentes não começem e crianças não sejam expostas à fumaça do cigarro, valerá a pena.