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COM QUE IDADE IR PARA A CRECHE OU ESCOLA?

Babies-Playing2Transcrevo,  um diálogo mantido no whatsapp, com a mãe de um menino de 1 ano e 10 meses,  que me motivou a escrever este post:

– Ele entrou na escolinha, será que tem exaustão misturada tb?

– Não só exaustão, como adaptação e emoções confusas.

– Quem está sofrendo mais com a adaptação é o pai. Hoje vasculhei seu blog sobre alguma coisa que falasse da idade para se colocar a criança no colégio mas não achei. Rsrs. Eu acho importante ele socializar. O pai acha que eu estou seguindo o hype das mães.

– Francamente, nessa idade, a socialização é mínima.

– Tô doida então?Rs. Devia esperar mais? Fica a dica para um post no blog!

– Vou pensar. Boa sugestão.

– Espero que pense no blog, não se eu estou doida. Rs

– Não está!

– Obrigada! Rs.

Afinal de contas, com que idade uma criança deveria ir para a creche ou escola? Como quase todas as perguntas que eu faço aqui no blog, esta também não tem uma resposta única, certa. A pergunta a se fazer, seria: qual a motivação que os pais têm para colocar os filhos na creche ou escola? Abaixo, algumas respostas que imagino possíveis:

Pais que trabalham. Neste caso, a ida para a creche ou escola será determinada pela necessidade dos pais e não da criança. Se a mãe precisa voltar ao trabalho após o término da licença maternidade, o que ocorre com a maioria das mães, alguém deverá cuidar do bebê de 4 ou 5 meses de idade. Ou um familiar adulto (avó, tia, madrinha) pode cuidar, ou alguém de muita confiança pode ser contratada para ficar cuidando do bebê ou os pais irão colocar o filho em uma creche. O motivo, neste caso, é uma necessidade dos pais se ausentarem de casa e decidirem qual a melhor alternativa possível, para esta família, resolver a questão de quem vai cuidar do bebê.

Pais que precisam de parte do dia livre. Nem todos os pais têm um emprego com carteira assinada e compromisso de horário. No entanto, muitos têm atividades como autônomos e precisam de parte do dia livre para poderem retomar suas atividades. Neste caso, nem sempre isso ocorre quando o bebê tem 4 ou 5 meses. Alguns pais conseguem se organizar para retomar suas atividades um pouco mais tarde, quando o bebê já está um pouco maior. Dentro desta categoria eu também incluiria pais que se sentem cansados da dedicação total e absoluta que um bebê exige e precisam de um tempo para si, sem que seja, necessariamente, um trabalho produtivo. Lazer ou ter seus interesses é necessário e saudável. Neste grupo de pais, a questão da necessidade é parecida com a dos que retornam ao trabalho com patrão que cobra o término da licença e horários. Quem precisa que o bebê seja cuidado são os pais e as opções serão as mesmas descritas acima: familiares, alguém contratado ou uma creche.

Pais que leram, ouviram falar ou acreditam que o quanto antes a criança interage com outras, melhor para o seu desenvolvimento. Sem dúvida, a interação com outras crianças (e adultos) é benéfica. No entanto, o  “quanto antes”pode ser questionado. Bebês seguem uma certa sequência de desenvolvimento motor e emocional. Isso é visível para todos nós. A diferença entre um recém-nascido, um bebê de 6 meses e uma criança de um ano e meio é gritante (no caso, o gritante pode ser a única coisa constante em todas as idades!). Portanto, em cada etapa do desenvolvimento da criança, ela se beneficia de determinados estímulos. Ninguém pensaria em dar um lego para um recém-nascido montar, por exemplo. Mas, quando a criança começa a crescer, estas decisões de que estímulos devemos dar fica menos clara. Mais do que isso, vivemos em um sociedade  onde há um predomínio  do fazer, do resultado, do objetivo alcançado. A cultura gerencial, ótima para empresas, invadiu nossas vidas privadas, quer nos demos conta, gostemos ou não. Assim, é fácil pensarmos que a ideia de socializar o quanto antes o filho vai ser bom para ele. No entanto, o fato é que crianças só irão se beneficiar de uma socialização quando estiverem prontas para isso. Em geral, isso ocorre ao redor dos dois anos. Cada criança é diferente e existem as que gostam da companhia de outros, um pouco antes dos 2 anos e outras que só vão achar graça em brincar com um amiguinho ou amiguinha, depois dos 2 anos. O normal não é uma idade precisa ou, crianças não são médias estatísticas. São indivíduos únicos. A “normalidade” é uma faixa e não um ponto.

Crianças de um ano, um ano e meio, gostam de brincar sozinhas. A presença de outras crianças, em geral, não faz a menor diferença para elas. Podem ter a curiosidade despertada para o outro bebê, como teriam para um brinquedo ou objeto. Ainda não percebem no bebê um semelhante com quem poderão interagir. Logo, pouca ou nenhuma socialização irá ocorrer, nesta idade. À medida que a criança se aproxima de 2 anos, a ideia de brincar ao lado de outra, eventualmente com alguma troca, começa a se fazer presente. É o início da socialização que vai aumentando, até que brincar em grupo se torna algo muito divertido.

Portanto, os pais podem colocar seus filhos na creche ou escola, em qualquer idade. Apenas, não utilizem o pretexto da socialização, antes da hora! O que não significa que a criança não se divirta e tenha prazer em frequentar uma creche ou escola que a acolha com carinho e tenha atrativos para seu entretenimento, como brinquedos, cores, e profissionais que leiam histórias e sejam amorosos.

Não vamos nos esquecer que, há muito pouco tempo, essa questão de com que idade devo colocar meu filho na a-kids-playingcreche ou escola, nem existia. Era o tempo em que existia a pracinha, o encontro das mães e das crianças, ao ar livre, sem projeto psico-pedagógico ou estimulação precoce. Crianças no chão, mães conversando entre si, interrompidas por um puxão de cabelo aqui, uma disputa de brinquedos ali e um choro ocasional. Muitas dessas crianças que brincaram na praça ontem, hoje, podem estar lendo este blog. São adultos que, em geral, convivem bem com os outros, trabalham, estabelecem vínculos afetivos, se relacionam com amigos e uns dias estão mais bem humorados e outros nem tanto.

Claro que vivemos em outros tempos. A começar pelo número de mulheres que trabalha e participa de forma significativa do orçamento familiar. A questão da segurança também se modificou. Hoje, todos temos receios que há alguns anos não eram tão marcantes.  As cidades também se modificaram com mais prédios e condomínios substituindo as casas. As famílias se tornaram menores e mais isoladas (nos apartamentos). Não podemos ter uma visão romântica de que a pracinha vai voltar a ser o que era. Mas, podemos afirmar que a socialização acontece sem que se tenha que fazer nada muito especial. A creche ou escola passaram a representar um pouco do que a pracinha representava. Se divertir é o melhor caminho para a socialização e a creche pode ser um lugar muito divertido. Só não sei responder com que idade uma criança deva ser levada para a creche ou escola! Como viram, vai depender de muito fatores. Até, se existe uma pracinha com crianças, perto de casa!

 

 

 

A IMPORTÂNCIA DO COCÔ!

Hesitei um pouco antes de decidir abordar o tema do cocô dos bebês e crianças. Muito baby-diaper-changeprovavelmente essa minha hesitação tem um componente cultural de não falarmos sobre o corpo e suas funções com naturalidade. É como se o tema das secreções e excreções fossem “feios”  ou “sujos”. Se o Roberto DaMatta, brilhante antropólogo, lesse o meu blog, o que não é o caso, talvez pudesse nos brindar com um comentário ou post a respeito dos aspectos antropológicos do corpo e seus produtos.

Apesar desse pudor coletivo que todos temos, todas as mães do mundo se surpreendem com o fato de que se tornam observadoras atentas do cocô de seus filhos. O fato é que o bebê é um ser que se comunica com o mundo. Fala vários “idiomas” que nós já falamos um dia, mas, infelizmente, esquecemos! E, ainda não fala o nosso. Assim, a comunicação se dá por uma série de sinais codificados e cabe às mães a dura tarefa de traduzir o que está sendo “dito”  pelos filhos em algo que seja compreensível para as demais pessoas. Não raro, as mães conseguem interpretar um choro como sendo de fome e outro de frio ou desconforto. Um barulho balbuciado é alegria e prazer, perninhas que se movimentam de um jeito é excitação porque o papai chegou e quando se movimentam de outro é um cocô prestes a sair. À medida que o bebê vai crescendo, seus “idiomas” vão ficando mais conhecidos. Não só porque os pais já convivem há mais tempo com o filho, mas, também, porque este começa a nos ajudar, apontando para as coisas, balançando a cabeça quando não quer algo, jogando um objeto no chão ou afastando nossa mão que se aproxima com uma fruta que não é a sua preferida.

Os pais de bebês pequenos, têm uma pergunta constante e permanente que os atormenta: meu bebê está bem? Uma pergunta absolutamente normal, instintiva. Mas, diferente de outros animais, pensamos. Aí surge a segunda pergunta, geradora de uma certa insegurança “básica”: como saber que está tudo bem? Esta pergunta pode ter variações mais ou menos produtoras de ansiedade, como:  e se eu não souber que algo errado está acontecendo com meu filho? São essas perguntas que nos fazem ficar intérpretes profissionais do que nossos filhos nos comunicam.

Entra em cena, o cocô! O cocô é algo visível, não subjetivo, à espera da observação analítico-interpretativa dos adultos. O cocô fala!  Na maioria das vezes, tranquilizando as mães. Se a criança está fazendo cocô é porque está se alimentando. Se faz todo dia, na consistência conhecida, cor esperada e frequencia habitual, o bebê deve estar bem. Nada como um padrão para tranquilizar os seres humanos. Quando as coisas são conhecidas e se repetem, nos sentimos mais seguros. Temos uma sensação de maior controle sobre a situação e isso nos dá conforto. A questão é que nem sempre, sair de um padrão conhecido signifique que algo não vai bem. Pode ser que sim, mas pode ser que não. Vivemos, como seres humanos e, principalmente pais, oscilando entre a busca de padrões e o fato de que a vida não tem padrões. O único padrão que a vida tem é o de variar!

Na tentativa de ajudar os pais a se sentirem mais tranquilos, comento alguns apectos do que o cocô pode ou não estar querendo nos comunicar.

  1. Cor- todo mundo sabe que as mulheres são capazes de descrever cores absolutamente inexistentes para nós homens. Mães conseguem descrever a cor do cocô de seus filhos com raríssima precisão e um nível de detalhamento impressionante.  A variação do marrom, amarelo e verde é inteiramente normal. Sinaliza apenas a velocidade com que o alimento passou pelo intestino.Costuma haver uma certa preocupação quando o cocô se apresenta mais esverdeado. Quando passa um pouco mais rápido, aparece a cor verde ou o tom esverdeado. Portanto, não se preocupem nem com o tom verde no cocô de seus filhos, nem com variações de uma fralda para outra. Importante lembrar que o recém nascido ainda elimina mecônio que é bem escuro, com uma consistência muito diferente, lembrando piche. Mas, algumas cores devem ser consideradas como inesperadas, atípicas: vermelho, preto e branco. Estas devem ser informadas ao pediatra, lembrando que alguns alimentos modificam a cor, como beterraba e medicamentos como ferro (escurecendo bem a cor). Resumindo: variações entre marrom, amarelo e verde, são inteiramente normais e, isoladamente, não significam nada de especial.
  2.  Frequência- um bebê pode fazer várias vezes ao dia e uma vez em vários dias e ser inteiramente normal. Não há uma regra para quantas vezes ao dia, ou de quantos em quantos dias, um bebê deve fazer cocô. Não devemos falar em constipação usando apenas o critério de número de dias que um bebê leva para fazer cocô. Mais importante que os dias é a consistência que abordarei a seguir. Resumindo: variações de frequência (muitas vezes no mesmo dia e uma vez em muitos dias) não significam, em princípio, nada de especial ou preocupante.
  3. Consistência- bebês costumam fazer cocô com uma consistência que chamamos de líquido-pastosa. Para os padrões de adultos, é um cocô bem mais mole, o que faz com que algumas mães, principalmente aquelas que amamentam ao seio, imaginem que seus bebês estão com diarréia. Alguns bebês que fazem cocô a cada mamada e, ainda por cima “mole”, podem dar a impressão (falsa) de que estejam com diarréia. A consistência é um fator mais importante do que a frequência para se pensar em constipação. Um bebê que fica quatro dias sem fazer nada e acaba fazendo um cocô pastoso, definitivamente não tem constipação. Um cocô endurecido ou em bolinhas (como um cabrito) merece ser comunicado ao pediatra. Resumindo: o cocô de bebês é muito menos consistente do que o de adultos, sendo inteiramente normal que se apresente de forma líquido- pastosa.
  4. Cheiro- o odor do cocô vai depender da alimentação e sua digestão, além  da flora bacteriana que habite o intestino. Assim, à medida que novos alimentos vão sendo introduzidos a a flora normal e saudável vai se modificando, o odor vai variando. Resumindo: raramente o cheiro é um indicador de que algo não vai bem, podendo variar muito.

É preciso lembrar que, com a introdução de alimentos e variação da flora bacteriana intestinal normal, a cor, frequência, consistência e cheiro, irão variar. Alguns alimentos influenciam mais a cor, outros a frequencia e consistência, bem como o cheiro. Alguns remédios também variam a cor (como o ferro).

Espero, com este post, contribuir para o aumento  da compreensão dos pais,  de um dos idiomas que bebês e crianças “falam”.

Aguardo comentários, sempre bem-vindos.

OLIVIA APROVA NOVOS PRATOS!

Comida de criança também pode ser algo criativo, tanto nas receitas, quanto nas apresentações. Já comentei sobre a importância de apresentações criativas, para estimular o apetite das crianças que “não comem

imageNa foto, vemos a Olivia, que é a provadora oficial dos cardápios do seu pai.  Pelo sorriso da Olivia vocês já sabem o que está por vir: mais um prato com novidades do Chef Gabriel.

Publico abaixo as receitas do que está no prato que a Olivia come com tanto prazer. Chamo a atenção para a forma criativa de preparar uma “pasta” de músculo, a ser colocada sobre os alimentos. image (11)

Espero que estas receitas inspirem a todos os leitores a se tornarem mais criativos com os pratos de seus filhos. Nas fotos deste post a Olivia está com 9 meses de idade, mas, desde os 7 meses (fotos do primeiro post com receitas), que ela já come um prato com a comida separada, produzindo também, um belo estímulo visual.

Obrigado Olivia e Gabriel, por mais essa rodada de receitas e bom apetite para todas as crianças (e algumas mamães e papais que não resistirão e irão provar também!).

Batata baroa com salsinha 

  • Batata baroa – 2 médias
  • Alho picado – 1 dente pequeno
  • Cebola picada – ½  unidade pequena
  • Salsinha picada – 2 colher de chá
  • Azeite – 2 colheres de chá
  • Sal – 1 pitada
  • Caldo de frango caseiro sem sal 

Cozinhe as batatas baroas descascadas no caldo de frango a ferver, até amolecerem. Retire da água e escorra bem. Amasse com um garfo ou espremedor de batatas.

Aqueça o azeite em uma frigideira e refogue o alho e a cebola picados. Não deixe dourar muito somente amolecer. Adicione a batata baroa amassada e refogue bem, desligue o fogo e misture a salsinha picada e o sal.

Guarde na geladeira em um vidro esterilizado e bem fechado.

Purê de ervilha

  • Ervilha seca – 1 xícara de chá
  • Cebola picada – ½ grande
  • Alho picado – 1 dente médio
  • Azeite – 2 colheres de sobremesa
  • Sal – 2 pitadas
  • Caldo de carne ou frango caseiro e sem sal – 2 e ½ xícaras de chá 

Cozinhe a ervilha no caldo a ferver até que fique bem macia. Escorra bem, mas reserve um pouco do caldo. Passe a ervilha em um processador de alimentos ou no liquidificador até virar um purê, não precisa ficar extremamente liso. Se precisar adicione um pouco de caldo para não ficar muito seco.

Refogue o alho e a cebola picados até amolecerem, sem dourar, adicione o purê de ervilha e o sal, mexa bem e deixe pegar gosto por uns 2 minutos.

Guarde na geladeira em um vidro esterilizado e bem fechado.

image (3)

Abóbora com hortelã 

  • Abobora vermelha descascada e em cubos pequenos – 2 xícaras de chá
  • Cebola picada – ½ unidade média
  • Alho picado – 1 dente médio
  • Hortelã picado – 1 colher de sobremesa
  • Azeite – 1 colher de sobremesa
  • Sal – 2 pitadas
  • Caldo de carne ou frango caseiro sem sal – 500 ml 

Cozinhe a abóbora cortada em cubos no caldo a ferver. Quando estiver bem macia, escorra e amasse com um garfo ou espremedor de batatas (não precisa ficar muito liso).

Em uma frigideira aqueça o azeite e refogue o purê de abóbora por uns 2 minutos até pegar sabor. Retire do fogo e misture o hortelã picado e o sal.

Guarde na geladeira em vidro esterilizado e bem fechado.

Bertalha refogada 

  • Bertalha – 1 maço
  • Alho picado – 1 dente médio
  • Cebola picada – ½ unidade pequena
  • Azeite – 2 colheres de chá
  • Sal – 1 pitadinhas 

Desfolhe a bertalha e cozinhe as folhas em água fervente até amolecerem, não cozinhe demasiadamente para não perder a bonita cor verde. Retire da água e escorra bem, reservando um pouco do caldo.

Transforme as folhas de bertalha em um purê no liquidificador ou com um mixer.

Em uma frigideira aqueça o azeite e refogue a cebola e o alho picados, até que amoleçam sem deixar dourar muito. Adicione o purê de bertalha e cozinhe por 1 minuto até pegar sabor. Adicione o sal e misture bem. Retire do fogo.

Guarde na geladeira em vidro esterilizado e bem fechado.

Músculo refogado 

 

  • Músculo cortado em cubos pequenos – 2 xícaras de cháimage (7)
  • Cebola picada – 1 pequena
  • Alho picado – 2 dentes
  • Cenoura picara – 2 colheres de sopa
  • Tomilho picado – 1 colher de chá
  • Salsinha picada – 1 colher de chá
  • Louro – 1 folha
  • Azeite – 1 colher de sopa
  • Caldo de carne ou frango caseiro sem sal – 5 xícaras de chá
  • Sal – 2 pitadas 

 

Em uma panela aqueça o azeite e refogue a cebola e o alho picados até amolecerem, adicione a cenoura picada cozinhe mais um pouco. Coloque o músculo e refogue bem. Despeje o caldo na panela e adicione a folha de louro.

 

Cozinhe em fogo médio até a carne ficar bem macia. Desligue o fogo, escorra a carne reservando um pouco do caldo.

 

Passe a carne com todos os outros ingredientes, menos a folha de louro, no liquidificador ou processador até virar uma pasta, que não precisa ser muito lisa. Se necessário coloque um pouco do caldo reservado.

 

Guarde na geladeira em pote de vidro esterilizado.

 

ESCOLINHAS E DOENÇAS

bebes em creche1

Com o início de um novo semestre escolar, muitos pais  perguntam se colocar seus filhos em creche ou escola aumenta a probabilidade de contraírem doenças? A resposta é sim. Mas, isso não deve ser motivo de maiores preocupações.  Vou tentar explicar o que acontece.

Qualquer situação onde um número maior de pessoas compartilha um espaço fechado, aumenta as chances de alguém contrair uma doença simples como um resfriado ou uma virose inespecífica.  Mais pessoas significa mais chances de que uma delas esteja eliminando algum tipo de vírus, mesmo que não tenha sintomas. O espaço fechado favorece o contágio desse vírus. Assim, crianças que moram nas suas casas, com um número reduzido de pessoas, ao serem colocadas em creche ou escolinhas, passam a conviver com um número bem maior e isso favorece a transmissão de doenças. Um passa para o outro e assim vai e os ciclos vão se repetindo.

Quanto menor a criança, mais chances ela tem de contrair doenças simples na creche ou escola. Isso porque seu sistema imunológico (de defesa) ainda não está plenamente amadurecido.

As doenças mais comuns em crianças em creches são os resfriados e diarreias. Ambos, de origem viral. Nas escolinhas, com crianças já maiores, os resfriados continuam a liderar o ranking das doenças, mas o número de diarreias diminui. Em contrapartida, quanto mais as crianças brincam juntas, o que acontece com as mais velhas, maior a chance de contraírem doenças como impetigo (infecção bacteriana da pele) e se infestarem por piolhos.

Visto por esse ângulo (das doenças), pode parecer que colocar os filhos em creche ou escola seja um horror completo. Não é! Apenas, aumenta um pouco a probabilidade de contraírem algumas doenças simples, de fácil tratamento.  O mundo e não só feito de  creches e escolas e, se olhado através das lentes de um microscópio, é um lugar muito perigoso!  Mas, os seres humanos saudáveis possuem bons final de ano crechemecanismos de defesa que nos permitem viver bem nesse mundo.  Mais do que isso, estudos mais recentes demonstram que crianças excessivamente “protegidas”, apresentam mais alergias e doenças de pele do que aquelas que se expõem a uma dose (segura) de vitamina S!

Em um mundo onde mães e pais trabalham, uma creche ou escolinha é, certamente, uma ótima opção. Basta saber que, muito provavelmente, alguns resfriados serão enfrentados e a vida vai seguir, alegre e divertida. Ou algum pai vai me dizer que não derramou uma lágrima naquela primeiríssima apresentação de fim de ano?

AJUDANDO SEU FILHO A FALAR

Antes de comentar sobre o aprender a falar, considero importante lembrar que a comunicação baby_on_phoneacontece muito antes do falar! Um bebê se comunica através de um sorriso, olhar, choro, balançar de pernas e braços, encostar de cabeça no colo, exibição de objetos etc. Muito antes de falar palavras, já existe uma comunicação que se estabelece entre o bebê e os adultos. Nem sempre somos capazes de entender o que querem nos dizer os bebês. Afinal de contas, eles falam uma língua que, um dia, conhecíamos bem e, hoje,  não lembramos mais!

A língua que falamos, usando palavras, vai ser lentamente assimilada  pelos bebês. Ainda bem pequenos, os bebês começam a distinguir a voz humana de outros sons e, em especial, a voz de sua mãe e de seu pai. Não raro, a voz dos pais faz com que um choro cesse ou o ritmo da mamada mude, sinalizando que, não só o som foi ouvido, como alguma identificação ou familiaridade foi estabelecida, pelo bebê.

À medida que o bebê cresce, aumenta a sua compreensão do que é dito pelos adultos. Inicialmente, distingue entonações, sorrindo quando determinados tons são empregados e olhando fixa e seriamente quando outros são empregados. Em torno do primeiro ano, não só reconhece os objetos pelas palavras atribuídas (copo, prato etc.), como é capaz de usar uma a duas palavras. Mas a comunicação continua sendo não verbal. Levanta os braços sinalizando que quer ser pego no colo, aponta para as coisas que deseja e imita alguns sons.

Uma grande “revolução” na comunicação falada acontece entre um ano e meio e dois anos. A criança compreende pronomes como você, eu e é capaz de balançar a cabeça afirmativa ou negativamente, de forma coerente com o que deseja expressar. Nesta época o vocabulário aumenta muito rapidamente, chegando a aprender uma palavra nova por semana. Nesta fase, a criança consegue apontar algumas partes do seu próprio corpo, corretamente. Em torno dos dois anos, consegue formar frases com duas palavras como: “vai papai ou minha boneca”, e aproximadamente 50% do que diz consegue ser entendido. Também é capaz de entender uma instrução simples como: coloque seu copo na mesa.

Essa evolução implica em um vocabulário cada vez maior, mais  rico e complexo. O aumento de vocabulário é acompanhado pela capacidade de estruturar frases incialmente simples,mas que vão ficando sofisticadas na sua construção. É uma fase deliciosa onde nossos filhos dizem coisas fantásticas, inimagináveis. Nos perguntamos, com alguma frequência, onde aprendeu isso? Junto com esse explosão de vocabulário e comunicação falada, surge a expressão da enorme curiosidade das crianças. É o momento em que as fabulosas perguntas começam a ser formuladas. Perguntas, para as quais, nem sempre temos respostas e nos fazem pensar fora da nossa rotina!

Quem chegou até aqui neste post deve estar se perguntando, onde estão as dicas para ajudar nossos filhos a falarem! Seguem abaixo:

  • o bebê é um ser humano completo que se comunica
  • cada criança é única, com seu ritmo e tempo próprios. Evitem comparar crianças, incluindo irmãos. Usem as idades de referência acima mencionadas, apenas como tal. Não façam das referências de idade uma meta a ser atingida;
  • fale com seu bebê no seu tom de voz habitual, talvez um pouco mais baixo. Uma coisa é falar de forma carinhosa, delicada, outra é como se o bebê fosse um bichinho. O bebê é um ser humano completo e, se queremos desenvolver a sua linguagem falada, devemos falar do modo com que seres humanos falam. Não há necessidade de dizer: papai vai tocá a faldinha do neném, para que a frase seja carinhosa. Pode muito bem dizer: eu vou trocar a sua fraldinha, em um tom amorosíssimo.
  • use, com frequência, a primeira pessoa do singular para se referir a si próprio. Se achamos estranho quando o Edson Arantes do Nascimento diz: porque o Pelé fez tal coisa…, como se fosse uma entidade à parte, porque vamos fazer o mesmo? Mamãe e Papai podem e devem ser usados, mas não devemos abolir ou eu na nossa comunicação falada;
  • leia para seu bebê. A partir dos 6 meses, leia livrinhos, mudando a entonação e ritmo da fala.
  • evite pressionar a criança com “performances” ou correções. Performance é aquela situação em que pedimos para a criança dizer para a vovó  uma certa palavra que aprendeu. Deixe que a palavra surja espontaneamente e faça um comentário positivo. Se o seu filho errar uma palavra, não o corrija dizendo que não é assim que se fala ou que ele já sabia falar essa palavra. Simplesmente use a palavra da forma correta;
  • aceite que, em determinados momentos onde seu filho não consiga dizer o que quer, fique muito irritado e mau humorado;
  • última dica e, talvez, a mais importante: esqueça todas as dicas (exceto a de ler para seu filho desde bem pequeno!) e siga sua emoção e bom senso. Faça desta fase da vida de seu filho um momento lúdico e prazeroso para todos.

Lembre-se que o seu pediatra é a melhor pessoa para lhe orientar, tirar suas dúvidas e lhe tranquilizar. Não hesite em falar com ele sobre o desenvolvimento da fala do seu filho, se esse assunto estiver lhe gerando algum tipo de preocupação.

Como sempre, comentários são bem-vindos. Só não consigo responder àqueles que me pedem uma opinião médica a respeito de uma situação específica, porque o blog não substitui uma consulta. Mas, na medida do possível, tento dar uma orientação sobre como proceder.

 

RESFRIADO, DE NOVO!?

Se as crianças podem  ficar resfriadas várias vezes, por quê não escrever mais de um post sobre o assuto? Em maio de 2012 escrevi O resfriado3RESFRIADO COMUM. Sugiro que cliquem no link e deem uma lida porque, esse post contém alguns comentários que valem a pena serem relembrados, principalmente agora, com a mudança de estação, o frio chegando,  e o número de crianças (e adultos), com resfriado aumentando muito. 

No post de hoje eu gostaria de reforçar alguns pontos, na tentativa de ajudá-los a passar pelos resfriados que virão. Acredito que pais bem informados conseguem administrar um pouco melhor as aflições, normais, que todos temos quando um filho está doente. Sei bem que o resfriado no blog, bem explicado, com todos os sintomas justificados, é uma coisa. Outra, bem diferente, é uma criança acordada às 2 da manhã, choramingando, com 39,4 de febre, que começa a tossir e, na sequência vomita! Ouvir o pediatra dizer que isso é normal e que vai durar “apenas” 4 a 7 dias, é desesperador. Tudo que queremos é um remédio que, de preferência em uma ou duas doses no máximo, devolva nosso filho à normalidade. Além da insegurança que a doença gera nos pais, cuidar de uma criança resfriada produz um cansaço físico dez vezes maior que o habitual (que já é grande). A criança fica irritada, não se satisfaz com nada ou se satisfaz por pouco tempo, exige atenção, pede colo e, para piorar, não come absolutamente nada!

Ao escrever o parágrafo acima, quase desisti do post de hoje! Me perguntei: o que eu poderia dizer para os pais, que fosse tornar esse cenário descrito, menos demandante?  A primeira coisa que os pais talvez gostem de saber é que os pediatras, na sua grande maioria, já passaram ou ainda passam pelas mesmas situações que eles. Isso nos torna muito mais “simpáticos” à causa dos pais do que possa parecer. Não somos ETs, cheios de teorias e conhecimentos, desprovidos da vivência e emoções de um filho pequeno, há 5 dias com febre, sem poder ir para a escola ou creche, tumultuando, em todos os sentidos, a rotina da família. Somos pais, como vocês!

Objetivamente, alguns pontos importantes, relacionados ao resfriado comum:

  1. o resfriado com tratamento médico dura, em média, uma semana. Sem tratamento médico, costuma durar, também em média, 7 dias. Portanto,  melhor remédio para o resfriado comum é o tempo. É preciso ter paciência (e como) para esperar esse tempo, dando conforto e carinho aos filhos. Não ter paciência ou ficar extremamente aflito(a) com os sintomas habituais de um resfriado comum (coriza, tosse, febre e inapetência), podem levar os pais a auto medicar seus filhos ou consultando mais de um médico, o que só tende a confundir mais ou até receber prescrições desnecessárias. O médico se sentindo pressionado, não deveria prescrever por esse motivo. Mas, na prática, somos humanos e isso pode acontecer. Remédios podem fazer mal ou ter algum efeito colateral. Por esse motivo, nos EUA, remédios para tosse e resfriado são proibidos para crianças com menos de 2 anos.
  2. antibióticos não curam resfriados comuns. Antibióticos só funcionam para doenças produzidas por bactérias e o resfriado comum é produzido por vírus.
  3. a febre não é uma doença. A febre é uma reação positiva do corpo a uma “agressão” por um virus ou uma bactéria. Além de servir de alarme, assinalando que algo não vai bem, a febre estimula o sistema imunológico (de defesa) e deixa a pessoa mais “quietinha”, economizando energia para combater o inimigo. Portanto, a febre em si, não precisaria ser tratada, exceto quando gerasse desconforto.
  4. coriza e tosse são, também, mecanismos de defesa. A coriza, ou muco, ou catarro, é produzido pelo  nosso corpo com o objetivo de envolver o virus  para que este seja expulso. Para expulsar a secreção, o corpo produz espirros ou tosse. Portanto, o catarro e a tosse que quase toda criança resfriada apresenta, visa a expulsar o virus. Nesse sentido, são reações positivas. O problema é que geram desconforto e não há medicação eficaz, em crianças. Além de não haver medicação realmente eficaz, a rigor os xaropes contra a tosse ou descongestionantes, deveriam ser contraindicados abaixo de dois anos de idade.  O mel só pode ser dado para crianças maiores de um ano de idade.
  5. a vacina para a gripe não proteje contra o resfriado comum. Como nós no Brasil também chamamos resfriado comum de gripe, cria-se a ideia de que a vacina contra a gripe deveria proteger contra o resfriado comum. Esta vacina potege apenas contra alguns tipos de Influenza, que produzem uma doença, a gripe, que tem maiores riscos de complicações  e até de mortalidade. Muitas pessoas dizem que nunca mais darão a vacina contra a gripe para seus filhos porque “ela não adianta nada”. Deram a vacina e seus filhos ficaram “gripados” (resfriados), do mesmo jeito. A vacina contra a gripe funciona e é importante! Só não esperem que ela proteja para aquilo que não foi feita. Seria como alguém dizer que a vacina contra o Sarampo é muito ruim porque o filho teve Catapora! Ambas as doenças são viroses, mas diferentes. Este exemplo, absurdo, nunca aconteceria porque o nome das doenças é diferente e não gera confusão. Não é o caso da gripe que tanto serve para nomear a doença produzida pelo virus Influenza (onde a vacina funciona) , como o resfriado (onde a vacina não terá o menor efeito).
  6. uma crianças saudável pode ter entre 6 a 8 episódios de resfriado em um ano, sem que isso represente nada mais grave. Muitos pais suspeitam que seus filhos estejam com “a imunidade baixa” porque estão resfriados de novo! Isso quando os avós não contribuem dizendo: “tem que ver o que esse menino/menina tem. Não é normal ficar refriado assim, toda hora!” Podem ficar tranquilos que resfriados que se repetem, até certo ponto, são normais em crianças pequenas. Se estas frequentam creche ou escola, esta situação é ainda mais frequente.

Chegando neste ponto, dirão: tudo muito bonito, explicadinho, mas o que fazer quando nosso filho ficar resfriado? Eu ficarei sem uma resposta mágica, sem uma recomendação que  funcione 100%.  Mas, algumas coisas podem ajudar:

  • paciência
  • oferecer líquidos, não forçar a alimentação
  • manter a criança em casa.
  • lavar ambas narinas com soro fisiológico. No mercado existem inúmeros produtos. Algumas embalagens facilitam a aplicação por produzirem um jato, mas, o conteúdo é sempre soro fisiológico. Não usar produtos para adultos que podem conter descongestionantes.
  • usar antitérmicos, caso a febre gere desconforto (na criança ou nos pais)
  • falar com seu pediatra e levar a criança para ser examinada se os pais julgarem que “algo não vai bem”, como cansaço, respiração ofegante, prostração extrema, vômitos, diarréia  etc.

Dúvidas e sugestões? Por favor as envie, são sempre bem-vindas.

INTRODUZINDO COMIDA PARA O BEBÊ

Passados 6 meses de aleitamento exclusivo, preferencialmente materno, chega o momento de introduzir novas comidas para o bebê. Quais as bebê comendocomidas indicadas e a partir de que idade? Para responder a essa pergunta, vamos ver o que acontece em outros países. A seguir alguns exemplos que ilustram algumas das comidas utilizadas como as primeiras a serem dadas para o bebê:

Japão- arroz, tofu, abóbora e peixe

EUA- cereais em formulação para crianças (arroz e aveia)

África- mingau de farinha de milho (maizena) e carnes

Suécia- papa de frutas

India- o primeiro alimento além do leite é celebrado em uma festa, um rito de passagem – Annaprashana. A família se reúne para oferecer uma mistura de arroz cozido com leite e açucar.

Como podem ver, as diferenças são grandes, o que só confirma o que os pesquisadores estão dizendo: a introdução de comidas é um fenômeno cultural e não uma decisão baseada em evidências científicas. Portanto, um bebê com 6 meses ou mais de vida pode comer de tudo! As regras rígidas, as datas precisas e exatas para introduzir este ou aquele alimento, a ordem com que devem ser introduzidos, tudo isso é mito e os pais podem se sentir muito mais ousados e criativos na hora de prepararem as papinhas para seus filhotes.

Alguns estudos mostram que, ao contrário do que se supunha, alguns alimentos com potencial de produzir alergia, se introduzidos entre 6 meses e um ano de idade, diminuem a incidência de reações alérgicas. Outros estudos demonstram que uma oferta variada de sabores tende a aumentar o “gosto” da criança por comidas “diferentes”. Alguns estudos correlacionam o que a mãe comeu na gravidez com essa aceitação da criança por comidas diversificadas.

Mas, assim como na música do Tim Maia que diz: vale tudo, só não vale dançar homem com homem e mulher com mulher, na alimentação dos bebês, a partir do 6 meses, vale tudo, só não vale:

  • leite de vaca antes de um ano de idade.  O leite materno ou as fórmulas infantis devem ser preferidas.
  • mel antes de um ano de idade por causa do risco de botulismo.
  • comidas apresentadas de forma que a criança corra o risco de engasgar. Quanto menos dentes, mais pastosa e sem pedaços duros deve ser a comida. Quando a criança começa a mastigar, evitar cortar os alimentos em formato redondo ou ovalado porque favorecem o engasgo (cortar quadrado ou assimétrico).
  • açúcar refinado
  • frituras
  • sal em excesso. A recomendação é cozinhar com pouco sal
  • embutidos,como salsicha, salame, mortadela
  • enlatados,como atum e sardinhas
  • frutas ácidas como, morango, abacaxi e limão

Caso alguém na família tenha uma alergia alimentar importante, este alimento deve ser introduzido com a orientação do seu pediatra.

Agora é se divertir criando novas receitas para os bebês. Se quiserem, compartilhem suas receitas aqui no blog. Vai ser divertido e instrutivo ver o que os pais oferecem, como primeira comida,  a seus filhos. Como podem ver, ainda existem algumas regras ou orientações. Mas, o espaço para que se tornem chefes  de cozinha é enorme. Que marravilha!