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PÁSCOA – SÓ OVOS DE CHOCOLATE?

ovos ucranianosPensar em Páscoa é quase que obrigatoriamente imaginar ovos de chocolate. Junto com a ideia dos ovos, a questão de quantos serão necessários, o desejo de comprar os mais gostosos ou maiores e a realidade dos preços! A Páscoa é uma festa onde presentear (ovos, chocolate) é um hábito. Presentear em datas simbólicas, as transforma em momentos comerciais. Natal, Dia das Mães,  Pais, namorados e a Páscoa, são datas que o comércio espera com grande expectativas de boas vendas. Nada contra o comércio, pelo contrário. Se o comércio vai bem, as pessoas encontram empregos, há geração de riqueza e, em tese, maiores possibilidades de progresso, para todos. Mas, não sou economista e não é sobre os aspectos comerciais da celebração da Páscoa que eu gostaria de escrever hoje.

Antes de ser uma festa para as lojas que vendem ovos de chocolate, a Páscoa é uma festa simbólica. Isto é, através desta festa, uma história, uma tradição, com seus valores, é transmitida, narrada e mantida viva, através dos séculos. Existem duas grandes religiões que celebram a Páscoa: a religião judaica e as religiões cristãs.

O judeus comemoram a sua libertação do Egito, deixando de ser escravos e saindo em busca da terra prometida. Os cristãos, comemoram a ressurreição de Cristo que, com o seu sacrifício, oferece aos que nele creem a possibilidade da vida eterna. Claro que, não sendo teólogo e querendo chegar a um assunto que diga respeito às crianças, esta é uma síntese extremamente simplista, sem nenhuma pretensão a não ser nos lembrar de que a Páscoa tem uma origem muito antiga em algum episódio histórico. Em comum, ambas as religiões celebram a vida, através da libertação e da possibilidade de realização plena. Em ambas as religiões, a tradição é recontada, todos os anos, para que seja conhecida e lembrada. Os judeus, contam a história da fuga do Egito, no Seder (jantar) de Páscoa (que ocorreu ontem) e os cristãos, lembram e comemoram a ressurreição de Cristo, nos cultos religiosos (que vão ocorrer amanhã).

Depois dessa longa introdução (para criar o clima), chego na pergunta que dá o nome a este post. Páscoa- só ovos de chocolate?  E a minha sugestão de resposta é: Páscoa- bem mais do que só ovos de chocolate. Sim, ovos de chocolate, porque é uma tradição gostosa e prazerosa, mas algo além, mais duradouro. Algo para a vida toda. E o que seria isso? O afeto e carinho, produzindo efeitos imediatos e memórias duradouras.

Esse afeto pode se manifestar de diversas formas. Contar a história da família, por exemplo. De onde viemos, quem eram nossos avós ou bisavós, o que faziam. Isso dá às crianças um senso de pertencer a algo que é anterior a eles e do qual fazem parte. Mais do que fazer parte, levam adiante essa história, modificada por sua identidade e criatividade, mas, ainda assim, uma história coletiva e não só individual. A noção de pertencer, ao mesmo tempo que nos dá uma certa segurança, nos faz pensar na importância do coletivo. Pode ser, também, a história da própria Páscoa, principalmente para as pessoas que têm alguma fé religiosa. Pode ser a história do coelinho, ou de qualquer livro que seja interessante. O fato é que uma narrativa não só fascina as crianças, como as aproxima dos adultos. Contar histórias liga as pessoas, não só fisicamente, no momento da contação, mas, também, como uma transmissão oral de identificação. Contamos para nossos filhos histórias que ouvimos de nossos pais e, assim, essa mistura dá uma ótima liga para a vida.

Com relação ao simbolismo de libertação que ambas religiões celebram, poderíamos também pensar no valor da liberdade, nos tempos atuais. Desde como criamos nossos filhos para serem cidadãos que defendam os valores da democracia, respeitando diferenças de opiniões, culturas, opções e gêneros, até o que fazemos para que possam usar a educação e o conhecimento como meios de libertação. A ignorância e o obscurantismo não deixam de nos escravizar. Seja no nível individual, seja no coletivo com o acesso mais limitado às oportunidades existentes.

A Páscoa, portanto, pode ser uma excelente oportunidade para, além de presentearmos nossos filhos, estarmos com eles. Algumas culturas fazem jogos que aproximam crianças e adultos. Os judeus escondem, dentro de um guardanapo de linho, um pedaço do pão sem fermento (matza) que, ao final do Seder, as crianças procuram. Em alguns países cristãos, os adultos escondem ovos coloridos, como os da foto deste post, para que as crianças os procurem. Procurar algo escondido é  muito excitante para as crianças e, curiosamente (ou felizmente), para os adultos também. Todos gritam, adultos dando dicas, mães torcendo (sempre!) e o prazer de encontrar o objeto escondido é de todos. Não é preciso se fazer uma brincadeira como esta, mas, se pode planejar um dia de Páscoa, onde se faça algo, além de um delicioso almoço, onde pais e filhos possam estar juntos, encontrando algo perdido ou esquecido que é o prazer do carinho, do contato, sem outra finalidade, meta ou objetivo. Nesse sentido, a Páscoa também liberta os adultos da “seriedade”, das obrigações de desempenho, permitindo que sensações e emoções e memórias afetivas aflorem.

Afinal de contas, a festa da Páscoa, é uma festa da vida. Não é à toa que seus símbolo é um ovo que, muito antes de qualquer religião contemporânea, já simbolizava a vida. Vamos nos lembrar que viemos todos de um ovo!

Feliz Páscoa para todos!

 

É POSSÍVEL UM LANCHE MAIS SAUDÁVEL?

A resposta é: sim, é possível. No entanto, também é verdade que dá mais trabalho e, eventualmente, custa um pouco mais caro. Mas, o que está em jogo é a saúde, a longo prazo, dos nossos filhos. O sobrepeso e obesidade infantil já se constituem em problema de saúde coletivo, no nosso país e no mundo. A questão do sobrepeso e da obesidade não é estética e sim de qualidade de vida. O risco de doenças como hipertensão (pressão alta), diabetes (açúcar no sangue), infarto agudo, acidente vascular cerebral (derrame), alguns tipos de câncer, problemas ósteo-articulares como atritres e atroses, é muito maior nas pessoas com sobrepeso ou obesidade. A única prevenção possível é o desenvolvimento de hábitos saudáveis, a partir da infância.

Um desses hábitos é o da alimentação saudável. Não significa nenhum radicalismo ou fundamentalismo alimentar. Significa apenas saber que certos alimentos fazem mais bem do que outros. Ou ainda, que certos alimentos fazem mal. De um modo muito simplista, alimentos processados, isto é, os que são produzidos pela indústria e chegam até nós em embalagens sedutoras e rótulos difíceis de entedermos, são menos saudáveis do que os alimentos preparados em casa. Dito de outra forma, um prato de comida feito em casa é mais saudável do que abrir uma embalagem e preparar ou comer diretamente o que a indústria produziu e colocou em embalagem atraente. A questão é que alimentos industrializados são mais práticos, rápidos e, muitas vezes, mais baratos do que prepararmos comida em casa. Mas, a pergunta que devemos nos fazer é: quanto vale a saúde dos nossos filhos? A alimentação, junto como outros hábitos saudáveis (sono, atividade física) funciona como uma “vacina” de longo prazo, prevenindo ou reduzindo a incidência de certas doenças.

Algumas escolas já iniciaram um movimento para ajudar as famílias a desenvolverem hábitos alimentares saudáveis, incluindo, no seu currículo atividades lúdicas de culinária, cantinas com rotulagem de fácil entendimento dos alunos e um conteúdo pedagógico transversal que contemple os diversos aspectos da alimentação, incluindo o prazer de comer, a alegria de comer juntos, fugindo de um aspecto meramente nutricional para uma abordagem mais biopsicossocial do comer. No Rio de Janeiro, as nutricionistas Renata Araujo e Cynthia Howlett desenvolveram o projeto Alimentação Consciente que está sendo apresentado às escolas e já é adotado pela Escola Parque. “Comer é prazer, é necessidade, é partilha, é afeto. Mas também é um ato político! Desejamos que as crianças sejam mais saudáveis. Que comam mais alface e menos miojo! Mais frutas e menos biscoito!Desejamos conter o aumento desenfreado da obesidade, e para isso solicitamos que as crianças façam suas escolhas alimentares baseadas em preceitos, nutricionalmente balanceados. Mas, nos perguntamos: será que estamos preparando as crianças para fazerem suas escolhas alimentares conscientes?” Esse é o enfoque do projeto liderado por estas duas nutricionistas em conjunto com os pais e as escolas.

Para ajudar os pais com algumas sugestões, pedi à Renata  receitas para um lanche mais saudável. Ela me enviou as seguintes receitas, sugerindo que, sempre que possível, a criança seja envolvida em todo o processo, começando pela compra dos ingredientes, passando pelo preparo e, finalmente, a degustação. Quando a criança é envolvida na elaboração da comida, seu interesse e curiosidade pela degustação aumentam. Ela se sente (e é) autora daquela comida que passa a ser dela e não algo completamente imposto por algum adulto.

Vamos às receitas (todas podem ser feitas com as crianças):

Pão de Tapioca
Ingredientes Leite desnatado – 1 e 1/2 xícaras

Tapioca Granulada – 3/4 xícara

Ovo – 1 unidade

Queijo Parmesão ralado – 1/2 xícara

Polvilho Doce – 1/2 xícara

Óleo de Girassol – 1/4 xícara

Sal – a gosto

Modo de Preparo
Em uma panela, ferver o leite com o sal. Desligar o fogo e adicionar o óleo. Em uma tigela colocar a tapioca para hidratar com o líquido ainda fervente. Reservar por 30 minutos. Depois de frio, adicionar os outros ingredientes e amassar bem com as mãos. A massa deve soltar das mãos. Caso isso não ocorra, adicionar um pouco mais de polvilho. Fazer bolinhas com as mãos e colocar sobre tabuleiro antiaderente. Levar para assar em forno préaquecido (180C) por 35 minutos.

Omelete do Pedro e da Alice (filhos da Renata)

4 ovos

4 bolinhas de queijo de búfala (ou uma fatia de queijo Minas)

4 tomates cereja

1 pitada de sal

1 pitada de orégano (opcional)

Modo de preparo:

Picar o queijo, cortar os tomates e misturar bem.

Em uma tigela, bater os ovos com garfo ou batedor manual (fouet).

Uma vez que os ovos estejam bem batidos, acrescentar o queijo e tomate já misturados. Colocar uma pitada de sal e de orégano (opcional) e mexer. Derramar sobre uma frigideira quente antiaderente ou com um fio de azeite. Virar o omelete e dobrar quando estiver com a consistência desejada (os franceses preferem o omelete mais mole, chamado de baveuse).

Iogurte natural caseiro
Ingredientes Leite integral – 1 litro

Iogurte natural desnatado consistência firme – 1 pote

Leite desnatado em pó – 2 colheres de sopa bem cheias

Açúcar Demerara – a gosto

Modo de preparo
Ferver o leite. Desligar. Deixar esfriar (37 C) para adicionar o leite em pó e o iogurte. Misturar delicadamente. Tampar a panela e colocar em local reservado por 12 horas. Sugestão guardar dentro do forno desligado.

Dica gastronomica
No fundo de cada potinho pode-se colocar uma geléia de frutas sem sabor para flavorizar seu iogurte.

Dica de conservação
Após 12 horas de descanso todo o contedo da panela se transformará em iogurte. Conservar na geladeira por até 4 dias. Sugestão transferir o contedo para potinhos individuais. Assim, evita-se a manipulação constante do iogurte, favorecendo a conservação.

Cookie de banana
👉🏼 sem açucar refinado adicionado
👉🏼 receita fácil de ser feita com as criança
👉🏼 os ingredientes como chocolate, coco e amendoas podem ser modificados para outra de preferência da criança

•Banana  madura(3  unidades)

•Aveia em flocos(2  copos duplos)

•Óleo de  girassol(1/4  de  copo duplo)

•Amêndoas sem casca trituradas no  processador(2/3  de  copo duplo)

•Coco  ralado sem açúcar (1/3  de  copo duplo)

•Fermento em pó(1  colher de  sobremesa)

•Baunilha(1  colher de  sobremesa)

•Sal  (1/2  colher de  sobremesa)

•Canela em pó(1/2  colher de  sobremesa)

•Chocolate  amargo picado ou passas pretas(170  g)

Modode preparo:
Numa vasilha,misturar as  bananas amassadas com baunilha e óleo de canola.Reservar. Em outra vasilha, misturar os secos: aveia, amêndoas trituradas, coco ralado,canela em pó, sal e fermento.Adicionar a banana aos secos e misturar  bem com um garfo. Por último,juntar os pedacinhos de chocolate amargo.Faça pequenas bolinhas e disponha no tabuleiro preparado.
Préaqueça o forno a 180°C.Forrar 2 tabuleiros com papel manteiga. Reservar.
Assar por 20 a 25 minutos. Deixar esfriar antes de retirar do tabuleiro com uma espátula de silicone.

E uma receita de sobremesa, em imagens:

YumYum (frappé de frutas com inhame):

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Uma variação da receita de biscoito de banana me foi enviada pela D. Liliane, avó da Lia, que, sentada no carrinho, não consegue decidir qual dos dois biscoitos vai comer!

 

Biscoitos de banana da Lia:

2 bananas nanicas maduras (quanto mais maduras, mais doce ficarão os biscoitos)

1 xícara de aveia, quinoa ou amaranto

2 colheres de sopa de uvas passa sem semente, coco ralada ou frutas secas picadinhas (opcional)

2 colheres de sopa de nozes, amêndoas, castanhas picadas ou outras oleaginosas (opcional)

1 colher de chá de canela em pó (opcional)

Modo de preparo:

Com um garfo, amasse as bananas e misture os demais ingredientes até obter uma massa bem integrada. Em uma assadeira antiaderente ou untada com um mínimo de azeite, coloque montinhos com pouco menos de uma colher de sopa da massa, com um dedo de distância entre eles. Não deixe-os muito altos para que assem bem e fiquem mais sequinhos.

Leve a assadeira ao forno preaquecido a 180º C por mais ou menos 20 minutos. Quando os biscoitos estiverem dourados, desligue o forno e deixe-os esfriarem lá dentro.

 

É importante lembrar que é em casa que os hábitos devem ser desenvolvidos. A escola tem um papel importante na vida das crianças e de suas famílias, mas não substitui os pais. Mais do que isso, é o exemplo da casa que vai contribuir para a formação de hábitos saudáveis. Palavras têm muito menos poder do que as ações. Se os pais se exercitam, comem razoavelmente bem, os filhos tenderão a seguir o modelo deles. Mas, se os pais são sedentários e optam por uma alimentação rica em gorduras, frituras e açúcar refinado, não há escola que conseguirá desenvolver, nestas crianças, hábitos saudáveis.

 

Contato da nutricionista Renata Araujo: realimentare.com.br  ou Instagram- @realimentare

 

PÁSCOA

easter_1608816cDoutor, quantos ovos de chocolate meu filho pode comer?  Uma pergunta simples, feita por uma mãe preocupada com a saúde do seu filho. O que responder? Ou melhor, quem deveria responder? O pediatra rigoroso, cheio de argumentos científicos sobre os males do açúcar, os riscos da obesidade, essa epidemia que assola nossa espécie, o diabetes tipo 2 e tantos outros males? Ou, o pediatra mais flexível, tolerante, nem por isso despreocupado ou negligente com a importância da nutrição?

Por uma fração de segundo, enquanto pensava no que responder, me perguntei: mas, afinal de contas, do que se trata a Páscoa? Que festa é essa? Judeus comemoram sua fuga do Egito, deixando de ser escravos e iniciando uma longa jornada rumo à terra prometida. Cristão comemoram a ressurreição do Cristo, promessa da vida eterna. Em ambas as tradições, o que está sendo celebrado é a liberdade. Liberdade de existir como um povo sem viver submetido ao trabalho escravo e a libertação da morte, através de uma vida eterna. Mesmo para quem não tem uma fé religiosa, o simbolismo é de uma beleza ímpar, considerando que a liberdade é um valor humano inegociável. Ser livre é uma aspiração de todos nós e a Páscoa é a representação festiva dessa possibilidade.

O que é uma criança senão um ser extremamente dependente, do ponto de vista físico e radicalmente livre do ponto de vista da criatividade e inventividade. Crianças têm um único compromisso que é o do prazer, brincadeira, descobertas, de uma forma absoluta e ilimitada. Cabe a nós adultos, no intuito de contribuir para a formação de adultos saudáveis, impor limites e introduzir lentamente a frustração (usando o não). Mas, nos adultos, mora a criança que fomos e é importante que esta possa se manifestar, livremente. Não é possível fazer isso todas as horas. Mas, em determinados momentos, nada é mais prazeroso do que deixar a criança que somos, assumir o controle e, simplesmente, se divertir.

A mãe aguardava uma resposta e o filho, olhar fixo em mim, implorava por uma resposta favorável aos seus desejos. Me lembrei das minhas páscoas de criança. Havia uma busca aos ovos previamente coloridos por minha mãe. Ela e meu pai escondiam os ovos no jardim e tínhamos que achá-los. Haviam os ovos fáceis para os menores os difíceis para os maiores. Minha mãe, muito organizada, anotava o número de ovos escondidos. O que ela não anotava era o lugar onde cada um havia sido escondido e, não raro, voltávamos da caça com um ovo a menos! Depois da caça, um café da manhã em família. Ruidoso, alegre, animado, onde cada um se gabava de ter pego mais ovos ou o ovo mais difícil. Eram momentos alegres, momentos de encontro e libertação. Saímos do cotidiano e ingressávamos em um mundo onde havia magia ( o coelho que escondia os ovos) e amor (minha mãe que os cozia e pintava, na véspera e, junto com meu pai, os escondia).

Olhei para a mãe e seu filho e respondi: ele pode comer quantos ele aguentar. Afinal de contas, é Páscoa! Percebi um olhar apreensivo da mãe, mas, no seu rosto, havia um discreto sorriso. Ela ainda virou para o filho e, para manter uma certa “moral e bons costumes” disse para o filho: mas, sem exagerar, está bom! O garoto olhava para mim com os olhos brilhando e um lindo sorriso estampado no rosto. A criança que mora em mim sorriu de volta e, não tenho a menor dúvida de que o menino percebeu que quem tinha sorrido não era mais o doutor, mas o Roberto menino, colega, amigo, companheiro de ovos de chocolate!

Que as crianças irão comer ovos e se divertir nesta Páscoa, não tenho a menor dúvida. Que tal deixar a criança em cada um de nós, se soltar um pouco e brincar com nossos filhos, de igual para igual? Se lambuzar em ovos, rolar no chão e rir, fazer e receber cócegas, jogar jogos, ler livros, pular corda, se esconder, brincar de pique, boneca, carrinho e bola!

Desejo a todos uma Páscoa feliz, lembrando que celebramos,nesta data, a liberdade. Liberdade de sermos crianças, para que nossas crianças possam ser adultos livres.

 

DIA DA CRIANÇA

Se é verdade que todos os dias são dias da criança, existe uma, com toda certeza, que frequentemente fica esquecida e raramente é celebrada. Não falo de crianças pobres. Estas, como todas as outras, se estiverem minimamente bem de saúde, saberão como brincar. Brincam com pouco ou nada, como todas as crianças são capazes de fazer. Crianças são espontâneas e criativas. Por isso nos surpreendem e encantam.

Então, de que criança estaria eu falando? Deixe-me começar pelo começo e só peço uns tres minutos da sua atenção. 

Era uma vez um pediatra que sentiu a necessidade de escrever um blog para os pais e, talvez, para adolescentes. Não queria escrever um blog sério, sisudo, cheio de expressões médicas ou técnicas. Queria compartilhar informações confiáveis, de uma forma que o maior número de pessoas pudesse entendê-lo. Se possível, queria que o texto fosse leve e, onde coubesse, com algum humor. Pois bem, o tempo foi passando e esse pediatra foi escrevendo ora a respeito de coisas ligadas à saúde, ora sobre questões comportamentais e até sobre algumas doenças ele escreveu. Ele se divertia muito escrevendo e gostava quando os pais lhe mandavam comentários. Muitas vezes ele não tinha como responder porque os pais queriam saber coisas dos seus filhos. Filhos que ele, pediatra, não conhecia e, por isso, não podia comentar especificamente. E assim, o tempo foi passando quando, de repente (toda historinha que se preze tem que ter um  momento súbito, um de repente!) chegou o dia 12 de outubro, dia da criança. O que escrever, pensou ele?

Pensou, pensou, pensou e só sabia que não queria escrever nada que fosse banal e óbvio. Empacou! Quando empacou, se assutou e pensou: “melhor eu não inventar nada e escrever sobre sinusite!”. Sinusite é mais simples do que dia da criança, pensou ele. Foi aí que pensou em falar da criança que não é lembrada. A criança que mora dentro de cada adulto! Decidiu então escrever para esta criança, incentivando-a  a fazer algumas coisas:

– lembrar de como era quando criança e tentar brincar, com seu filho,  ao menos de uma das suas brincadeiras favoritas

– pintar ou desenhar. Vale lápis de cor, tinta guache, lápis de cera, tinta a óleo. Vale tudo, só não vale dizer que não sabe desenhar. Inventa.

– contar a história do desenho para seu filho.

– se lambuzar comendo sorvete ou chocolate e gargalhar com o filho ou filha

– andar descalço

– se estiver chovendo, chutar poças, sem guarda-chuvas

A lista poderia continuar, mas o pediatra achou melhor que cada um fizesse a sua listinha. Mais do que uma listinha, ele gostaria que os adultos pensassem menos no que fazer  e mais no como poderiam ser com seus filhos nesse dia. Que soltassem a espontaneidade e criatividade sem o menor receio de parecerem ridículos. Pelo contrário, com o maior desejo de serem felizes.

Finalmente, o pediatra pensou, se eu ainda tivesse uma filhota pequena me abraçaria com ela e diria: você sabia que papai já foi criança como você? Sabia que é uma delícia poder brincar com você e que papai adora ser seu pai?  (As mamães podem  e devem mudar o título!).

São sugestões. Feliz dia das crianças para todos os adultos!

ACNE EM ADOLESCENTES

A acne é um “problema” muito frequente na adolescência. Praticamente todo adolescente passa por um período onde algumas espinhas e cravos aparecem na sua pele. Apesar de ser uma situação de baixíssima gravidade, incomoda muitíssimo ao adolescente. Afinal, a adolescência é uma fase de múltiplas descobertas e, entre estas, a do corpo. Um rosto ou costas com espinhas se tornam uma barreira (imaginada) para relacionamentos.

“Quem vai me olhar com esse rosto cheio de espinhas”? Essa é uma dúvida que mexe com a autoestima e pode gerar alguma ansiedade.

Abaixo, algumas informações sobre a acne. Aviso que não vou falar de tratamento de forma específica, por alguns motivos. O primeiro é que um post nunca deve substituir uma consulta médica. Segundo, porque a acne tem algumas formas de se apresentar e, cada uma delas, tem um tratamento mais específico.  Finalmente, a acne pode ser um bom motivo para uma consulta onde outros temas ou questões da adolescência poderão ser abordados e que habitualmente são relegados: alimentação, sono, exercícios físicos,  imagem corporal, peso, índice de massa corporal, sexualidade, uso de álcool e drogas.

O que produz a acne? De forma muito simplificada, quatro fatores estão envolvidos na produção de cravos e espinhas:

1-      Os folículos pilosos (dos pelos) ficam bloqueados por um excesso  de células normais  da pele.

2- As glândulas sebáceas, produtoras de sebum, crescem com a adolescência e a produção deste sebum aumenta. Este crescimento se deve às mudanças hormonais normais da adolescência.  Estas glândulas estão mais presentes na face, peito, costas e braços.

3- O aumento do sebum facilita o crescimento de bactérias que, normalmente, vivem na pele.

4- Esse crescimento de bactérias produz uma inflamação local que causa a ruptura do folículo piloso.

Que fatores podem contribuir para que uma pessoa tenha mais ou menos espinhas?

1-      Esfregar ou lavar com muita frequência  o rosto ou a área onde aparecem as primeiras espinhas.

2-      Uso de cosméticos em base óleo. Muitas vezes a acne nas costas é agravada pelo uso abusivo ou excessivo de condicionador de cabelo.

3-      Stress- aparentemente existe uma relação possível entre stress e acne.

4-      Alimentação- nenhum estudo conseguiu demonstrar uma relação entre o que se come e o aparecimento de espinhas. Chocolates e amendoins têm sido, injustamente, considerados os vilões que produzem acne.

O que um adolescente pode fazer, antes de consultar um médico?

1-      Não lavar o rosto mais do que duas vezes ao dia. Usar um sabão suave ou um limpador facial que não seja à base de sabão.

2-      Não espremer ou futucar  os cravos e espinhas. Em geral piora a acne e pode produzir infecção com possibilidade de deixar cicatriz.

3-      Usar hidratantes. Procure produtos onde está escrito “não comedogenico” Prefira os sem perfume ou corante.

4-      Evite maquilagem ou cosméticos em base óleo. Procure produtos onde esteja assinalado “oil free”.

5-      Não se automedicar. Consulte seu médico antes de usar qualquer medicação.

6-      Não acredite em mágica ou soluções rápidas. Esta é a parte mais difícil!