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RISCOS DA VACINAÇÃO

“Para todo problema complexo, existe uma solução simples, elegante e completamente errada” Henry Louis Mencken.

Após a publicação do post da semana passada, recebi alguns comentários, relacionados à segurança da vacina contra a Febre Amarela. Algumas pessoas acreditam que as autoridades sanitárias omitam os casos onde ocorra algum efeito indesejável, após a vacinação. Não tenho nenhum envolvimento, direto ou indireto, com o setor público. Portanto, não posso afirmar nada em nome destes agentes. Mas, sei que o nosso sistema de vigilância epidemiológica é muito eficaz e, como parte desse sistema, temos um sistema de vigilância epidemiológica para efeitos adversos pós vacinação. Nem todas pessoas sabem desse sistema que é o responsável por coletar dados, de forma regular, através de procedimentos padronizados e, assim, acompanhar a incidência de efeitos colaterais que possam ocorrer com todas as vacinas administradas pelo Programa Nacional de Imunizações. Os profissionais de saúde envolvidos em vacinação recebem treinamento e/ou têm acesso aos manuais do Ministério da Saúde que tratam, especificamente, de efeitos adversos de vacinas e a forma de notificá-los. Estou detalhando um pouco mais esse sistema porque acho relevante a informação de que, no Brasil, acompanhamos, de forma sistemática, quaisquer efeitos colaterais de vacinas (não só a de Febre Amarela). Acredito que é pouco provável, nos dias de hoje, com a circulação eletrônica da informação que uma autoridade possa omitir ou ocultar dados, por um longo período de tempo.
Com relação à segurança das vacinas em geral, gostaria de citar alguns fatos:

1- Não sabemos tudo, nunca. O conhecimento é um processo contínuo e o conhecimento científico pressupõe que não se consiga chegar a uma Verdade (com V maiúsculo). O conhecimento científico é, na melhor das hipóteses, a melhor informação disponível, naquele momento. Por esse motivo algumas verdades (com v minúsculo), frequentemente são substituídas por outras (também com v minúsculo). Um exemplo caricato é a história do ovo. Ovo faz bem ou faz mal? Pode comer ovo ou precisamos parar de comer ovo? A cada momento, em função de novos conhecimentos embasados no método científico (que é algo bem complexo e não somente a apresentação de estatísticas), teremos uma verdade.

2- O impacto da vacinação no crescimento da expectativa de vida foi imenso e esta realidade só foi possível através da vacinação sistemática da população exposta. Este é um fato praticamente incontestável. Digo praticamente porque ainda existem pessoas ou grupos que se opõe à vacinação. Não há nenhuma evidência científica que embase esta resistência que, habitualmente, está baseada em argumentos relacionados com crenças (eu acho isso ou eu acho aquilo), crendices (mitos) ou ainda informações já demonstradas como falsas (vacina contra Sarampo produz autismo).

3-As vacinas não são 100% efetivas, e também não estão isentas de oferecerem possíveis riscos para a população. O senso comum é o oposto desta afirmação. Talvez porque seja o mais desejável, pensamos que, uma vez vacinados, estaremos 100% protegidos contra uma determinada doença e que a vacina não pode fazer mal algum (exceto um pouco de dor no local e, talvez, um pouco de febre). Nossa cabeça tem mais facilidade de pensar de forma binária onde ou algo faz bem ou faz mal. Ou protege, ou não protege. No mundo real, as coisas vivas não funcionam de modo binário (exceto computadores). Seres vivos são, por definição, variáveis. Vacinas aplicadas em seres vivos podem proteger a maioria, mas não todos. Podem ter pouquíssimos efeitos colaterais para a maioria, mas não para todos.

4- Nenhuma vacina está totalmente livre de provocar eventos adversos, porém, os riscos de complicações graves causadas pelas vacinas do calendário de imunizações são muito menores do que os das doenças contra as quais elas protegem. Esta é a chave que justifica (ou não) o uso de determinada vacina. É preciso que fique cientificamente demonstrado (usando métodos rigorosos e complexos) que, comparando os riscos da vacinação, com os da doença natural, aqueles (os riscos da vacinação) sejam significativamente menores do que estes (os riscos da doença natural).

Especificamente com relação à vacina contra a Febre Amarela:

1- Mesmo com a possibilidade de eventos adversos graves, incluindo o óbito, a vacina contra a Febre Amarela é o melhor meio de se evitar esta doença que apresenta uma alta taxa de mortalidade (em torno de 50% dos casos morrem) e deve ser utilizada de forma rotineira em áreas endêmicas (onde a Febre Amarela existe de forma contínua) e nas pessoas de áreas não endêmicas que poderiam estar expostas. Essa é a lógica pelo qual, até muito recentemente, pessoas de algumas áreas do Brasil recebiam a vacina contra a Febre Amarela como parte do calendário regular e outras não. Em uma área onde não há o risco de se contrair a doença, o risco de reações adversas da vacina não justifica o seu uso. No entanto, quando uma área ou região que não era de risco de se contrair a doença passa a ser de risco, justifica-se a vacinação porque a equação muda (a doença passa a ser mais “perigosa” do que os efeitos colaterais da vacina).

2- As estatísticas disponíveis para o risco de efeitos colaterais da vacina contra a Febre Amarela não são homogêneas porque dependem de estudos feitos em condições epidemiológicas e metodologias diferentes. Cito alguns números para que tenham uma ideia da frequência com que complicações podem ocorrer.
A pior consequência adversa que pode ocorrer é o óbito provocado pela vacina. As estimativas são de que 0,043 a 2,31 pessoas por um milhão de doses de vacinas, poderão falecer. Traduzindo em porcentagem seria 0,0000043% a 0,00023% das pessoas vacinadas que poderiam vir a falecer. É um número muito baixo, mas não é zero. Portanto, quando comparamos esta porcentagem com a taxa de mortalidade da doença (50% das pessoas podem morrer), verificamos que o risco de óbito pela doença é muito maior do que pela vacinação. Mas, para nós humanos, números são abstrações, e quando temos a notícia de um óbito provocado pela vacina, essa notícia “apaga” a nossa capacidade de pensar de forma abstrata, conceitual ou racional e o medo ou pânico se instalam.
Com relação aos possíveis efeitos colaterais no sistema nervoso central, estima-se que estes podem ocorrer em 1 em 125.000 vacinas aplicadas. O que corresponderia a 0,001 %. As alergias graves (não uma simples urticária ou edema de lábios e olhos), podem ocorrer em 1 em 55.000 vacinas aplicadas, correspondendo a 0,002%.

3- Alergia a ovo e outros componentes da vacina. A vacinação de pessoas com alergia a ovo ou outros componentes da vacina (gelatina, proteína de frango e outros possíveis componentes) deve ser avaliada caso a caso. Não há consenso em como lidar com esses casos, mesmo porque a expressão “alergia a ovo” pode significar desde uma urticária, até um choque anafilático. As pessoas que tenham alergia a ovo devem procurar um médico para que possam ser orientadas e, em função tanto da intensidade da sua reação alérgica, quanto do risco de contrair a doença (uma epidemia, por exemplo), definir qual a melhor estratégia. Do ponto de vista acadêmico, mas com imensa dificuldade de se fazer na prática, um teste com uma dose de vacina diluída poderia ser feito ao mesmo tempo que se faria um controle  (geralmente com histamina). Se o teste der negativo a pessoa poderia ser vacinada. Se der positivo, não deveria ser vacinada e poderia tentar um tratamento de dessensibilização. Como podem ver, na prática não é possível se implementar estas ações, principalmente em grande escala.

A mensagem, uma vez mais, é que a vacina contra a Febre Amarela, em uma situação de risco epidêmico, é o melhor meio para se proteger contra esta doença que mata metade das pessoas que adoecem. A vacina não é isenta de riscos (nenhuma vacina ou, por extensão medicamento é isento de riscos), mas, em uma situação epidemiológica como estamos vivendo em várias áreas do Brasil, estes riscos são muito menores do que os da doença natural.

Boa vacinação para todos!

DR. É PARA DAR A VACINA DE FEBRE AMARELA NO MEU FILHO?

SIM! Se o seu filho tem 9 meses ou mais e nunca foi vacinado contra a Febre Amarela, a resposta é um sonoro sim. A Febre Amarela é uma doença que tem uma taxa de mortalidade de aproximadamente 50%. Isto é, de cada 100 pessoas que adoecem de Febre Amarela, 50 devem morrer. É muito alta esta taxa para se adiar, postergar ou se negar a vacinar os filhos (e os adultos não vacinados).

Circula pela internet um áudio contendo informações completamente falsas, incentivando as pessoas a não se vacinarem. Trata-se de um crime porque expõe as pessoas a uma desinformação, cujas consequências podem ser fatais caso alguém siga a recomendação de não tomar a vacina.

A seguir alguns fatos sobre a vacina contra a Febre Amarela:

1- A vacina é feita com vírus vivo atenuado. Isto significa que o vírus foi processado de forma a perder a sua capacidade de produzir a doença, mas ainda estimular o sistema imunológico da pessoa. A gotinha da Pólio, que erradicou a doença no nosso país, também é feita de vírus vivo atenuado. As vacinas contra Sarampo, Rubéola, Caxumba e Varicela (Catapora), também são feitas de vírus vivo atenuado. Assim, o uso de vírus vivo atenuado em vacinas não é uma “exclusividade da vacina contra a Febre Amarela.

2- A vacina existe desde 1930. Portanto, é uma vacina com um longo histórico de uso, com eventuais e pequenos efeitos colaterais (dor no local, eventualmente febre). No entanto, raros casos de efeitos colaterais mais graves podem ocorrer. Estes ocorrem na proporção de 0,4 a 0,8 por 100.000 pessoas vacinadas. Como todas as vacinas o que se avalia é o risco que a doença natural impõe, versus o risco de um efeito colateral mais grave. Para uma doença com uma taxa de mortalidade de 50%, fica claro que o risco de não tomar a vacina é muito maior do que o de uma complicação mais grave da vacina.

3- É preciso, no mínimo, dez dias entre a vacinação e o início da proteção. Assim, quem vai viajar para uma área de risco deve levar em conta esse prazo. Quem pretende viajar na sexta-feira de carnaval para algum lugar onde há o potencial risco de Febre Amarela, já deveria ter se vacinado ao ler este post!

4- A vacina fracionada não é mais fraca. O fracionamento da vacina foi uma estratégia adotada pelo Ministério da Saúde, com o endosso da Organização Mundial da Saúde, visando a aumentar a cobertura vacinal (número de pessoas protegidas) em um curto período de tempo. Esta estratégia está baseada em estudos, um dos quais feito na Fundação Oswaldo Cruz com um grupo de voluntários que tomou a vacina fracionada há oito anos atrás. Até o presente momento, foi possível demonstrar, neste grupo, anticorpos em níveis suficientes para proteger contra a doença. Assim, sabemos que por, pelo menos, oito anos, a vacina fracionada é eficaz. Com a continuação do estudo poderemos descobrir que a vacina fracionada protege por mais tempo.

5- Crianças de 9 meses a 2 anos de idade serão vacinadas com a dose plena, não fracionada porque não foram feitos estudos nessa faixa etária.

6- Quem tomou uma dose da vacina contra a Febre Amarela não precisa mais tomar outra dose. Desde 2013 que a Organização Mundial da Saúde eliminou a necessidade de um reforço a cada dez anos. Apenas em caso de viagem internacional para país que ainda exija um reforço, deverá a pessoa procurar a unidade de saúde e trocar o seu certificado por um em que esteja claramente redigido que não há necessidade de reforço.

7- Somente quem teve reação anafilática (choque) a ovo, não deverá tomar a vacina contra a Febre Amarela. Reações como urticária, vômitos, após a ingestão de ovos não contraindicam formalmente a vacina. Mas, pessoas com alergia a ovos devem procurar orientação individualizada junto ao médico e informar sua condição, no momento da vacinação.

8- Até o presente momento não há nenhum caso de Febre Amarela urbana. Isto é, febre amarela contraída em área urbana. Esta é transmitida pelo mosquito Aedes. O que existe são casos de Febre Amarela silvestre, em região de mata ou floresta, transmitidas pelos mosquitos Haemagogus e Sabethes.

9- Crianças menores de 6 meses não podem ser vacinadas. Crianças entre 6 e 9 meses somente devem ser vacinadas se o risco de contrair a doença for muito alto. Siga as orientações da sua Secretaria Municipal de Saúde.

10- Grávidas e mães amamentando, em princípio não deveriam tomar a vacina. No entanto, dependendo do risco de contrair a doença, a autoridade sanitária (Secretaria Municipal ou Estadual de Saúde ou o próprio Ministério da Saúde) poderá autorizar que este grupo seja vacinado.

Para saber mais, não leia informações divulgadas por grupos ou mensagens no WhatsApp. Acesse fontes confiáveis como o Ministério da Saúde: http://portalms.saude.gov.br/saude-de-a-z/febre-amarela-sintomas-transmissao-e-prevencao; Organização Mundial da Saúde: http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs100/pt/ e o CDC de Atlanta (em inglês): https://www.cdc.gov/yellowfever/index.html

Caso leia uma notícia ou ouça um áudio que destoe do que está escrito neste blog ou nos sites recomendados, não o passe adiante. Não participe da rede de notícias falsas e mentirosas que colocam em risco a saúde de outras pessoas.

Boa vacinação para todos!

 

 

 

NOVA VACINA PENTAVALENTE

habitos-saudaveis-alimentaresNotícia divulgada na ilha-reino de Utopia revela que uma nova vacina pentavalente foi aprovada para uso em humanos. A vacina protege contra a obesidade, diabetes tipo 2, infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral e algumas formas de câncer. Os pesquisadores ainda acreditam que esta vacina possa ter um efeito protetor contra a hipertensão arterial, mas o órgão regulador de vacinas ainda não aprovou sua comercialização como sendo uma vacina hexavalente. O ministro da Saúde de Utopia, Dr. Otimissimus, declarou: “caminhamos rumo a uma vida sem doenças”.

Utopia é o nome de uma ilha-reino, que dá nome a um romance escrito em 1516, por Thomas More. Esta ilha, teria sido inspirada nas descrições feitas por Américo Vespúcio, do que hoje conhecemos por Fernando de Noronha. Utopia foi um neologismo criado pelo autor, significando lugar nenhum. Era uma ilha-reino onde havia igualdade e justiça, portanto só encontrável em lugar nenhum. Somente nesta Utopia, poderíamos ter uma vacina pentavalente como a que descrevi no primeiro parágrafo.

O leitor do blog deve estar confuso, com razão. Afinal de contas, existe essa tal vacina? Se não existe, por quê essa história toda sobre Utopia? Onde esse pediatra quer chegar?

Respondo, por partes. A vacina não existe, como vacina. Mas, se existisse, você a daria a seu filho? Não tenho a menor dúvida de que a resposta será sim. Quem não gostaria de proteger seu filho contra essas cinco ou seis doenças, tão frequentes? Mas, se não existe a vacina, existe o equivalente a uma vacina que pode proteger os nossos filhos destas doenças. O equivalente à vacina são bons hábitos de vida: alimentação, atividades física, sono regular, vida afetiva e um tempo para ficar quieto, pensando em nada. Simples, barato e eficiente. Por quê então não vemos mais gente aderindo e ensinando aos filhos uma forma de viver com prazer e que os proteja de doenças muito comuns e frequentes? Por que somente em um lugar idealizado, como Utopia, as pessoas se comportariam de forma a obter vantagens no longo prazo, ao invés de facilidades no curto prazo. Isso responde à segunda pergunta de porque usei Utopia para começar o post.

Onde eu quero chegar com esse post? Gostaria de propor que pensássemos em porque não hesitaríamos em dar a tal nova vacina pentavalente e não aderimos, nem ensinamos aos nossos filhos, hábitos saudáveis de vida. A seguir, algumas ideias que eu tenho a respeito e que poderiam explicar nosso comportamento.

1- Vacinas representam bem a nossa cultura de hoje. Uma aplicação rápida, eficiência comprovada, um custo aceitável (seja pagando via impostos, seja na clínica privada)  e, o mais importante- assunto resolvido! Em uma cultura do rápido, eficiente e ticar checklists, nada como uma vacina.

2- Vacinas encarnam o mito do moderno, fruto da pesquisa científica e tudo que é moderno e científico é o melhor que se pode oferecer.

3- Vacinas  são práticas, exigindo pouco ou nenhum envolvimento dos pais. Qualquer pessoa pode levar a criança para ser vacinada. Os pais se sentem cumpridores de um cuidado, sem ter que se dedicar muito tempo a ele.

4- Nenhuma criança gosta de tomar vacina, mas, o tempo que os pais precisam usar sua autoridade e impor que a vacina será dada, não passa de 3 a 5 minutos, no máximo.

Hábitos de vida saudável são o oposto desses atributos que descrevi para as vacinas. Exigem um reforço (para ficar na linguagem das vacinas), diário. Portanto, é uma atitude trabalhosa, árdua, contínua. O assunto nunca está completamente resolvido e não pode ser ticado da checklist. Ou melhor, é ticado todos os dias e, no dia seguinte, está na lista de pendências, novamente. Nada mais frustrante para quem, como nós, vive em uma cultura de eficácia gerencial, extrapolada para a vida. Algo que precisa ser cuidado todos os dias, denuncia alguma incapacidade de resolver, de uma vez, o “problema”. Mas, hábitos de vida não são um problema a ser resolvido, mas, uma solução!

Hábitos saudáveis de vida não apresentam o glamour da modernidade, nem o mito do conhecimento científico como sendo a única forma de saber.  O antigo é confundido com o ultrapassado.  Nem tudo que é do passado, deve ser considerado ultrapassado. Mas, francamente, não pensamos assim. Veja o exemplo da alimentação. Quanto mais se estuda, mais damos razão ao conhecimento dos nossos avós que diziam que um prato saudável era um prato colorido. Mas, ao nosso redor, o que mais se vê são modismos e “modernidades” alimentares.

Hábitos saudáveis exigem um envolvimento enorme dos pais. Exigem uma realocação do que seria o meu tempo, para o nosso tempo. Nosso sendo o tempo com a família, os filhos. Exigem que os pais também modifiquem comportamentos para serem exemplo e aí reside uma das maiores barreiras para que nosso filhos possam aderir a um estilo de vida que funcione como  uma vacina contra as doenças citadas. Hábitos saudáveis dão mais trabalho porque a alimentação industrializada, de fácil acesso e preparo, nem sempre é a mais adequada ou melhor. A lei da gravidade é infinitamente mais forte no sofá em frente à televisão, nos prendendo lá ao invés de uma vida ao ar livre, com atividade física.  E, finalmente, exige que os pais se valham da sua autoridade de forma mais contínua e não só por alguns minutos. Limites bem colocados são fundamentais para que a “vacina” funcione. Não só é importante seIsola_di_Utopia_Moro estimular o que deve ser feito, como traçar limites claros e rígidos com relação ao que não deve.

Dito desta forma, parece uma tarefa impossível, utópica. Mas, não ensinamos nossos filhos a escovarem os dentes,
todos os dias? Não os educamos para usarem cinto de segurança, quando andam de carro? Aos poucos, não vamos criando o hábito do uso diário do protetor solar? Temos exemplos de bons hábitos que conseguiram ser introduzidos na nossa vida rotineira. Nem nos damos conta de que se tratam de ações de prevenção.

Cabe a você leitor decidir se vai “vacinar” ou não seu filho com a nova pentavalente. Como não estamos em Utopia, ela, por aqui, se chama de bons hábitos de vida. Quem ensinar seus filhos a adota-los, vai lhes dar  não só mais anos de vida, como mais vida nesses anos.

EXISTE VACINA CONTRA A CORRUPÇÃO?

Stop corrupçãoSabem como é cabeça de pediatra, tudo é virose e só pensam em vacinas! Além disso, pediatras, em geral, são brincalhões ou espontâneos, rindo, inclusive desse modo curioso de pensar e ver o mundo: viroses e vacinas. E se a corrupção fosse uma virose, haveria uma vacina para prevenir esta doença? Estou convencido de que exista essa vacina e ela se chama educação.

Não me refiro à palavra esvaziada e desgastada, utilizada como uma espécie de elixir para todas as nossas mazelas. O que falta ao Brasil, é educação, repetimos todos, quase que em coro. Mas, dificilmente, paramos para nos perguntar que educação falta ao Brasil? Ou, melhor, que educação falta aos brasileiros  porque um país é feito de gente e não é um ser em si. Quando repetimos que o problema do Brasil é a falta de educação, o colocamos (o problema), longe de  cada um de nós. O Brasil é essa coisa grande, vaga, impessoal. Quando penso em educação para os brasileiros, já me sinto incluído na pergunta e, portanto, com algum compromisso com a resposta. Voltando à pergunta, que educação nos falta?

Fui buscar uma das possíveis respostas  em um pensador (sim, houve uma época em que pensar era muito valorizado pela sociedade) que dizia o seguinte: “E é observando as escolhas que os homens fazem, antes que seus atos, que nós os louvamos ou censuramos.”- Aristóteles. 

Mas, o que tem essa resposta com a pergunta- que educação está nos faltando? E, mais ainda, com pergunta sobre a vacina contra a corrupção? A corrupção é um ato que envolve, no mínimo, duas partes. De um lado quem corrompe, o corruptor e, do outro quem é corrompido. Portanto, fica fácil responder à pergunta de que educação precisamos? Uma que ensine a todos, começando pelas crianças, que é errado corromper e ser corrompido. Certo? Errado!

Essa educação que ensina o que é certo ou errado está fadada ao fracasso porque é superficial. Envolve noções de premiação e punição, que produzem comportamentos atraídos pelos prêmios ou repelidos pelos castigos. E que mal há nisso, perguntarão muitos dos (poucos) leitores do blog? De fato, para muitos comportamentos condicionados, esta é uma forma de se ensinar uma criança. Ensinar não é o mesmo que educar e nem todo comportamento é ou deveria ser condicionado. Não respondemos a tudo de forma pavloviana!

Vamos reler a frase de Aristóteles? E é observando as escolhas….. antes que seus atos….”. Aqui, uma sutil porém relevante diferenciação. A escolha precede o ato. A cada ato, corresponde uma escolha. Talvez, a educação que precisemos seja exatamente uma que contribua para que façamos escolhas desejáveis. Feita a escolha, se segue o ato, com uma naturalidade absoluta. No ato, não há investimento maior. Todo o investimento emocional e racional está na escolha. Meio confuso? Acho que sim. Vou tentar esclarecer.

Vamos considerar que lhe façam uma proposta de matar uma pessoa. Calma, é apenas um exemplo! Pois bem, a proposta completa é a de que você mate uma determinada pessoa e, para isso, você receberá uma soma impensável de dinheiro. Você mataria alguém que você nunca viu, não conhece, que não lhe fez nada, em troca de uma quantia irrecusável de dinheiro?  Vamos supor que você responda não. Agora, a proposta fica mais interessante. Além do dinheiro, você receber a garantia de que jamais será pego, julgado ou punido. Se você respondeu não à proposta só envolvendo dinheiro, mudaria sua resposta, respondendo sim, pelo fato de que, além do dinheiro, não sofrerá consequências legais? Pouco importa o que cada um respondeu. Mas, é razoável supor que um grupo de pessoas dirá não à proposta de matar um estranho, independente do pagamento e da impunidade. Por que alguém diria não a uma proposta que poderia mudar a vida material dela, sem risco de punição? É porque, para este grupo, a escolha que antecede o ato, é inaceitável. Assim, não há possibilidade desta pessoa considerar uma tal proposta. Esta pessoa, faz uma escolha moral, baseada nos seus valores. É na escolha de matar (ou não) que está todo o investimento emocional e racional.

A educação do premiar  e  punir, excelente para comportamentos condicionados, essenciais para a sobrevivência (não debruçar sobre a janela, enfiar o dedo em tomada ou chegar perto de fogo, pular ao ouvir uma freada do seu lado etc.) atua sobre os atos e não sobre as escolhas. A educação que atua sobre as escolhas é aquela em que se estimula a análise, reflexão, contemplação, compaixão e empatia. Enquanto nossas creches e escolas se limitarem a oferecer conhecimento e comportamento, teremos uma educação incompleta e, certamente, não estaremos vacinando nossos filhos contra o vírus da corrupção. Conhecimento e comportamento são fundamentais, mas, falta, para uma educação mais completa o entendimento ou compreensão. Compreender não é apenas conhecer e agir. Compreender implica em utilizar ferramentas humanas (enferrujadas?) como o o questionamento crítico (e auto-crítico), o aprendizado que é algo mais profundo e complexo do que o conhecimento. Compreender significa problematizar, algo do qual fugimos, correndo o risco da simplificação (que não é sinônimo de simplicidade) que torna nossa capacidade analítica em algo superficial, contribuindo para a banalização da vida cotidiana, incluindo a corrupção! A síntese da simplificação acrítica está contida na frase: “Isso é assim mesmo. Sempre foi e vai continuar sendo”. Que sociedade queremos para nossos filhos? Se for uma diferente desta em que estamos vivendo, teremos que enfrentar a pergunta- que educação precisamos oferecer para que nossos filhos?

Mas, que educação é esta? Não sou pedagogo, sou apenas um pediatra que vê viroses e pensa vacinas. Além disso, escrevo um blog com o intuito de informar e provocar reflexões. Como vamos introduzir filosofia moral nas nossas creches, é um tema a ser discutido. Mas, tenho a certeza de que sem, modificarmos o nosso modelo educacional, hoje baseado na avaliação como finalidade e não meio, destituído de uma provocação reflexiva a respeito das escolhas de cada um e seu impacto em todos, continuaremos repetindo, que o que falta ao Brasil é educação! Por outro lado, se os pais que leem o blog se sentirem mobilizados e, ao visitar as creches e escolas, não se preocuparem só com o cardápio (importante), segurança (muito importante), espaço físico (importante), limpeza (importante), número de funcionários (importante), mas fizerem uma pergunta desconcertante como: como vocês abordam as questões de filosofia moral com as crianças?  e prestarem atenção nas reações e respostas, talvez possamos almejar mudar algo.

Finalmente, uma nota de advertência. As escolas ou creches são apenas um prolongamento auxiliar do processo educativo que a acontece em casa, na família. A pergunta portanto, volta para nós. Mais do que uma bela resposta, ou dos nossos atos, vale a análise de como fazemos nossas escolhas. Crianças aprendem por imitação e admiração e, os primeiros a serem imitados e admirados, somos nós, os pais.

Se você é uma mãe ou um pai que não mataria por dinheiro e impunidade, ufa, esse post é para você! Dedique seu tempo na educação das escolhas, nos valores morais que preza e os atos, coerentes com estes, se seguirão. Ao participar das reuniões na creche ou escola, aborde o tema das escolhas antecedendo atos. Os pedagogos conhecem algumas formas de trabalhar o tema. Vamos provocá-los!

 

VACINAS SÃO SEGURAS?

SIM! Vacinas se encontram entre os maiores avanços em saúde pública por sua capacidade de erradicar certas vacinas2doenças como a varíola, poliomielite e sarampo, além de diminuir o número de casos de meningites, pneumonias e otites, produzidas por bactérias para as quais dispomos de vacinas. Mais recentemente foi lançada uma vacina contra o Papilomavirus humano, provavelmente contribuindo para a redução do número de casos de câncer do colo do útero.

Apesar dos comprovados benefícios  e segurança das vacinas, de tempos em tempos surgem resistências de alguns pais, baseadas em informações incorretas. Quando pais resistem a vacinar seus filhos, a consequência é o surgimento de surtos da doença, como agora, com o Sarampo, nos Estados Unidos, que obrigou o presidente Barak Obama a fazer um apelo público para que os pais vacinassem seus filhos.

Mas, a pergunta é se vacinas são seguras e eu respondi que sim, de onde vem essa resistência? Dizer que algo é seguro não significa que não possa ter efeitos colaterais indesejáveis. Nada, absolutamente nada, que acontece nas nossas vidas é isento de efeitos colaterais. O ato de viver tem efeitos colaterais como o envelhecimento e, inevitavelmente, a morte. Isto é, se tudo der certo nas nossas vidas, se vivermos sem adoecermos, mesmo assim, notaremos os efeitos colaterais do tempo na nossa pele, capacidade física, flexibilidade, memória etc. Portanto, quando falamos em segurança de um produto, o que está sendo dito é que os efeitos colaterais (que sempre existem, insisto), são muitíssimo menores do que os benefícios que tal produto pode nos trazer. Por exemplo, o efeito colateral de veículos são a poluição e os acidentes com consequências as mais variada. Ninguém pensa em abandonar o uso de veículos por conta dos seus efeitos colaterais.  O que se faz, ou deveria fazer, é buscar reduzir ou minimizar esses efeitos. Poderia dar outros exemplos, bem humorados, para que os que leem este blog entendam esse conceito de risco x benefício. Mas, vou direto para as vacinas. Se alguém tiver dúvidas pode sempre deixar um comentário que eu tentarei responder.

Vacinas, podem produzir efeitos colaterais, mas seus benefícios são infinitamente maiores do que o risco envolvido. A primeira coisa importante a ser dita é que as doenças para as quais as vacinas protegem nossos filhos não são “inocentes” ou “bobas”. Sarampo, por exemplo, é uma doença que mata.  Como no Brasil, graças a um excelente programa nacional de imunização, não temos tido casos de Sarampo, poucos leitores do blog sequer viram um único caso. Mas, quando tínhamos epidemias de Sarampo, havia uma mortalidade significativa por esta doença. Mesmo sem matar, o Sarampo poderia produzir pneumonia e encefalite com consequências graves para o desenvolvimento da criança. A Poliomielite deixa a criança com paralisia, a meningite pode ser fatal ou deixar sequelas, o tétano não tem cura e a sua mortalidade é alta. Portanto, o argumento de que é melhor a criança contrair a doença do que vaciná-la, não é correto.

Em geral, os efeitos colaterais das vacinas são mínimos, incluindo: dor e vermelhidão no local da injeção, irritabilidade por conta deste desconforto e febre (ocasional e não obrigatória). Algumas injeções podem deixar a região com um endurecimento ou pequeno nódulo. A vacina BCG pode produzir um reação local mais intensa, com uma pequena ferida que cicatriza em até alguns meses (pode demorar, o que é normal). Tirando estes efeitos colaterais, raramente uma criança saudável apresenta sintomas mais graves. Crianças imunodeprimidas ou com alergias diagnosticadas a algum componente da vacina, podem apresentar reações raras, mais graves.

Uma das vacinas para as quais há uma certa desinformação é a  contra o Sarampo. Até hoje, circula pela internet a informação, errada, de que esta vacina produz autismo. Se esta informação está errada, de onde surgiu? A história é simples, as consequências nem tanto. Em 1998, a revista médica Lancet, uma das mais prestigiosas publicações científicas, publicou um artigo onde os autores descrevem uma “vaga associação entre a vacina contra o Sarampo e distúrbios do desenvolvimento”. Este trabalho foi baseado em um estudo com 12 crianças! O fato é que o trabalho se mostrou forjado, o Lancet se retratou da sua publicação e o Dr. Wakefield, autor principal do artigo, foi proibido de exercer a medicina na Inglaterra por lapso ético. Portanto, toda essa história de vacina e autismo surgiu a partir de um artigo sem validade alguma. Na sequência, algumas pessoas começaram a atribuir ao Timerosal, um preservante utilizado na indústria o potencial de toxicidade porque continha mercúrio. De fato, o Timerosal contém etilmercurio e não metilmercurio, este sim, tóxico. Desde 2001 que as vacinas não contém mais Timerosal (com a exceção da vacina contra a gripe). Portanto, o mito do autismo provocado pela vacina contra o Sarampo nasceu de um artigo sem valor científico (uma fraude) e da informação dos riscos do Timerosal, que não é mais utilizado em vacinas há 14 anos!

Em linguagem científica, sempre muito cautelosa, as revisões de centenas de estudos feitos com a vacina contra o Sarampo concluiram que “as evidências favorecem a rejeição de uma relação causal entre a vacina SRC (Sarampo, Rubéola e Caxumba- também conhecida como MMR) e o Autismo”.

Quando as convicções se baseiam em evidências científicas, a certeza é temporária, característica do pensamento científico. Quando estas se sustentam em crenças ou crendices, nada será capaz demover a “verdade absoluta”. Neste momento do nosso conhecimento científico, vacinar seus filhos é seguro e não vaciná-los significa um ato irresponsável de exposição a consequências potencialmente muito graves. Um adulto que opta de forma esclarecida, por não tomar uma vacina (ou parar de fumar, ou deixar de ser sedentário), está dentro do seu direito de livre arbítrio. É moralmente aceitável impor uma crença a um menor e, como consequência, colocar sua vida em risco?

 

 

 

POSSO VACINAR MEU FILHO NO POSTO DE SAÚDE?

vacina2Pode! O Brasil possui um excelente programa nacional de imunizações que não só oferece uma gama muito abrangente de vacinas de qualidade, como estas são conservadas e aplicadas de forma adequada nas unidades do setor público. Este é um longo post. Se você não tiver nem tempo, nem paciência de lê-lo até o fim, o resumo é: não há justificativa técnica para se deixar de vacinar os filhos na rede do SUS. Abaixo, comento vacina por vacina, para quem tiver interesse em aprofundar o seu conhecimento.

Uma das maneiras de se avaliar se um programa de vacinação funciona é utilizando o Sarampo como uma “doença sentinela”. Por ser uma doença universal, altamente contagiosa, nos locais onde as coberturas vacinais não são homogêneas, e estão abaixo de 95%, ocorrem surtos a cada dois anos. Atualmente, nos países que conseguem manter altos níveis de cobertura vacinal, a incidência da doença é reduzida, ocorrendo em períodos cíclicos que variam entre cinco a sete anos. Como a vacina contra o Sarampo (parte da tríplice viral que protege contra o Sarampo, Rubéola e Caxumba) é feita com vírus vivo, atenuado, exige uma cadeia do frio muito eficiente. Cadeia do frio é um sistema de distribuição e conservação refrigerado, do fabricante até o local onde será administrada a vacina. Portanto, além da cobertura (% de pessoas que recebem a vacina), esta precisa estar bem conservada para “funcionar”. Como no Brasil não temos tido surtos de Sarampo e muitos casos notificados e confirmados se devem à “importação” da doença, trazida por viajantes, podemos afirmar,  que o nosso sistema de vacinação é muito bom. Se não fosse, estaríamos vivendo uma situação semelhante aos Estados Unidos, onde o presidente Barak Obama foi à televisão, incentivar os pais a vacinarem seus filhos porque o número de casos de Sarampo está aumentando de forma significativa, com vários surtos epidêmicos identificados.

Se o sistema brasileiro de vacinação pública é tão bom, por que persiste a dúvida se os pais podem ou não vacinar seus filhos nos postos de saúde? Existem vários motivos, a grande maioria baseada em informações imprecisas ou incompletas a respeito das vacinas. Também pode haver algum preconceito contra o sistema público que é considerado, por muitos, como sendo para pobres. O Sistema Único de Saúde (onde são aplicadas as vacinas), é  para todos os brasileiros. Quanto mais o utilizarmos e exigirmos que funcione, menos necessidade teremos de pagar um seguro privado, sobrando mais dinheiro para cada um de nós. É o que fazem a grande maioria dos países desenvolvidos. Lá, não há um sistema para pobres e outro para a classe média ou rica. Como exemplos de sistema único de saúde vejam como funciona a saúde no Canadá, Inglaterra e Alemanha. Mas, tirando esse eventual preconceito, existem as informações divulgadas, nem sempre precisas, envolvendo as vacinas. A seguir, vou comentar cada vacina e a eventual diferença que possa existir entre a oferecida nos postos de saúde e nas clínicas privadas.

BCG- vacina que protege contra a Tuberculose, deve ser feita nos primeiros dias de vida. Não há diferença nenhuma entre a vacina dos postos e das clínicas.

DPT- vacina que protege contra a difteria, tétano e coqueluche. Deve ser dada em 3 doses, nos seis primeiros meses de vida e reforços aos 15 meses e 4 a 6 anos. O componente Coqueluche da vacina oferecida nos postos é feita em cultivo de células, sendo chamada de celular. Nas clínicas privadas, o componente Coqueluche é feito sem o uso de células, sendo chamada de acelular. A vacina celular apresenta uma incidência um pouco maior de efeitos colaterais mínimos, como febre, irritabilidade, dor e vermelhidão local. Estes efeitos tendem a ser mais significativos à medida que a pessoa se torna mais velha. Por esse motivo, adolescentes e adultos devem receber a vacina acelular. Mas, para os bebês, o desconforto, quando presente, é passageiro, sem oferecer nenhum risco maior. Hoje, há uma discussão no meio científico sobre a durabilidade da proteção da vacina acelular. Pode ser que, nos próximos anos, se confirme que esta (a acelular) vai exigir reforços periódicos. Conclusão: as diferenças entre  a vacina celular dos postos e acelular das clínicas não justificam a opção pelas clínicas.  Para as gestantes, os postos de saúde oferecem a vacina acelular para adultos.

Haemophilus influenzae tipo B- vacina que protege contra doenças produzidas por esta bactéria, principalmente otites, laringites, pneumonias e meningites. É administrada em conjunto com a DPT, sendo chamada então de vacina quádrupla ou tetra. Não existe diferença alguma entre este componente da vacina dado nos postos de saúde ou em clínicas privadas.

Pólio- vacina que protege contra a Poliomielite (Paralisia Infantil). Pode ser administrada por via oral (gotinha) ou injetável. Atualmente, o programa de imunização nacional utiliza uma combinação de ambas. As primeiras duas doses são dadas por via injetável e as doses seguintes, por via oral. As datas desta vacina acompanham a quádrupla (três doses no primeiro ano + reforços a partir dos 15 meses). Tanto as vacinas injetáveis, quanto as orais, são idênticas nos postos e nas clínicas. A diferença que existe é que, as clínicas oferecem a vacina injetável de Polio, junto com a DPTHib (tetra), sendo então chamada de pentavalente ou penta, como é mais conhecida (5 vacinas em uma injeção). Esta diferença não representa nenhuma vantagem em termos de proteção, só de comodidade ou conforto.

Hepatite B- vacina que protege contra este tipo de Hepatite. A importância de se proteger as crianças contra a Hepatite B é que esta pode estar implicada em doenças mais graves do fígado, como cirrose e câncer. Esta vacina é dada logo após o nascimento, ainda na maternidade, seguida por mais duas doses, aos 2  e 6 meses de idade. Tanto no posto, quanto nas clínicas é a mesma vacina. Nos postos de saúde é adicionada à tetra, sendo chamada de pentavalente ou penta. Nas clínicas, é adicionada à penta, sendo chamada de hexavalente ou hexa. Do ponto de vista da proteção que oferecem, são idênticas. Apenas há a conveniência de 6 vacinas em uma injeção.

Rotavirus- vacina que protege contra um infecção gastrointestinal (diarréia) que pode ser muito grave. É dada por via oral (gotinha), a partir de 2 meses. A idade limite para se iniciar a vacinação contra o Rotavirus é de 14 semanas e 6 dias. Crianças com 15 semanas de idade não podem iniciar a vacinação (primeira dose). Existem dois tipos de vacina contra o Rotavirus. Ambas possuem a mesma capacidade de proteger os bebês. Nos postos é dada a vacina monovalente. Esta necessita de duas doses, aos 2 e 4 meses de idade. Nas clínicas, em geral, utilizam a vacina pentavalente, que necessita de três doses, aos 2,4 e 6 meses de vida. Esta é uma das poucas vacinas que não pode ser intercambiada.  Isto é, todas as doses devem ser dadas no mesmo lugar onde foi dada a primeira dose, não se devendo começar em um lugar (posto ou clínica) e trocar para outro (posto ou clínica).

Pneumocócica ou pneumo – vacina que protege contra as infecções produzidas por esta bactéria, principalmente  pneumonias e meningites. As vacinas aplicadas nos postos de saúde protegem contra 10 tipos de pneumococos, enquanto as das clínicas cobrem 13 tipos diferentes da bactéria. Esta é uma vacina onde há uma diferença entre o posto e a clínica. Na prática, a vacina oferecida nos postos protege contra os principais tipos de pneumococos. Esta vacina é dada em três doses, nos 6 primeiros meses de vida e um reforço aos 12 meses. Ainda existe uma outra vacina antipneumocócica, que protege contra 23 tipos de pneumococos. No entanto, devido à forma como é produzida, só pode ser aplicada a partir dos dois anos de idade, ficando reservada para casos especiais. Não faz parte do calendário vacinal de rotina.

Meningocócica C ou meningo C- vacina que protege contra um dos tipos do meningococo, responsável pela meningite meningocócica. Deve ser dada em duas doses nos seis primeiros meses de vida e um reforço aos 15 meses de idade. A vacina dos postos e das clínicas são idênticas. Atualmente existe uma vacina quadrivalente que protege contra quatro tipos de meningococos (A, C,W135 e Y). Esta vacina pode ser dada a partir dos 2 anos de idade  e só se encontra disponível nas clínicas particulares.

Tríplice viral ou SRC ou MMR- vacina que protege contra o Sarampo, Rubéola e Caxumba. A primeira dose deve ser dada aos doze meses de idade, seguido de um reforço, que nos postos será dado a partir dos 15 meses, utilizando a vacina tetra viral, que inclui o componente Varicela (Catapora). A vacina oferecida nos postos é idêntica à das clínicas.

Varicela- vacina que protege contra a Varicela ou Catapora. Nos postos esta vacina é oferecida junto com a tríplice viral, sendo chamada de tetra viral,  administrada a partir dos 15 meses (ou 3 meses após a dose da tríplice viral). Esta dose já é o reforço da tríplice viral. Nas clínicas privadas existe a opção desta vacina ser dada de forma separada, no mesmo dia em que é dada a tríplice viral. O reforço  poderá ser dado a partir de 3 meses após a primeira dose. Para o reforço, as clinicas privadas oferecem a tetra viral. Do ponto de vista da proteção, as vacinas do posto e da clínica são idênticas.

Hepatite A- vacina que protege contra a Hepatite A. Deve ser dada em duas doses. A primeira aos 12 meses de idade e a segunda, seis meses após esta dose. As vacinas do posto e da clínica são idênticas.

HPV- vacina que protege contra as infecções do Papilomavirus humano. Este vírus está implicado no câncer de colo de útero e verrugas genitais. No sistema público está sendo oferecida a vacina dupla, exclusivamente para meninas. O calendário sugerido pelo Ministério da Saúde é de três doses. A segunda dose seis meses após a primeira e a terceira 60 meses após a primeira. Esta vacina deve ser dada entre os 9 e 19 anos de idade. Nas clínicas existe a vacina quádrupla ou tetra, que pode ser aplicada em meninas e meninos. O calendário das clínicas privadas, também é de três doses, mas o intervalo é mais curto. A segunda dose é dada 2 meses após a primeira e a terceira 6 meses após a primeira. A diferença entre as vacinas dos postos e das clínicas é que as tetra (clínicas) protegem não só contra os vírus implicados no câncer do colo de útero, como também contra verrugas genitais. Por esse motivo os meninos devem ser vacinados com a tetra e não com a dupla.

Este post ficou longo, mas espero que ajude os pais e entenderem quais são as diferenças, mínimas, entre as vacinas dos postos e das clínicas e se sintam seguros em vacinar seus filhos no SUS.

Abaixo, o calendário vacinal do SUS:

 

 

 

VACINA CONTRA O HPV

microfoneOntem, no programa do Roberto Canazio, na Rádio Globo, falamos sobre a vacina contra o HPV. O Papiloma Virus Humano (HPV) está implicado no câncer de colo de útero. Como é um virus muito difundido pela população que tem vida sexual ativa, a estratégia correta é vacinar as meninas antes que estas iniciem sua vida sexual. A partir de 2014 esta vacinas vai estar disponível, para as meninas, nos postos de saúde. Clique no link abaixo e ouça o que foi dito no programa de ontem.

Rádio Globo – 7

VACINA CONTRA A GRIPE

De 5 a 25 de maio deste ano (2012) o Ministério da Saúde estará realizando a campanha de vacinação contra a Gripe. A recomendação do CDC de Atlanta (órgão que faz todo o controle de doenças infecciosas nos Estados Unidos) é de que TODAS  as pessoas, a partir de 6 meses de idade, sejam vacinadas contra a Gripe. Como os custos de vacinar a todos são elevados, o Ministério da Saúde do Brasil oferece esta vacina, gratuitamente, aos grupos de maior risco, que são:

  • crianças de 6 meses a 2 anos de idade
  • grávidas
  • maiores de 60 anos
  • trabalhadores da saúde
  • indígenas

No entanto, qualquer pessoa que tenha recursos e deseje ser vacinada, poderá fazê-lo nas clínicas privadas de vacinação. Minha recomendação é de que todos que puderem, devem ser vacinados.

Gostaria de comentar alguns aspectos da vacina contra a Gripe:

  1. A Gripe é uma doença produzida pelo virus Influenza. Esta doença se manifesta com febre alta, dores no corpo, nariz escorrendo, tosse, mantendo a pessoa acamada por, em torno de uma semana. A Gripe pode evoluir para pneumonia e morte, por isso é considerada uma doença importante em termos de saúde pública. A GRIPE NÃO É MESMA COISA QUE UM RESFRIADO COMUM.  O resfriado comum se parece com a Gripe, mas é mais brando (leve). O resfriado comum é produzido por um número muito grande de virus (Resfriado Comum).
  2. Como a Gripe e o resfriado comum são doenças diferentes, a vacina contra a Gripe só protege contra a Gripe e não protege contra o resfriado comum. Isso é muito importante porque muita gente, por confundir Gripe com resfriado comum, se queixa de que a vacina ” não funcionou” porque ficou resfriada. Portanto, não se deve ter nenhuma expectativa de proteção contra o resfriado comum. Nossos filhos vão continuar a ficar resfriados!
  3. A vacina contra a Gripe é completamente segura. Ela é feita a partir de virus inativado e não tem a menor possibilidade de produzir nem Gripe, nem resfriado em quem a toma.
  4. A vacina contra a Gripe é muito eficaz. No entanto, como com quase todas as vacinas, sua proteção nunca é de 100%. Hoje, estima-se que a eficácia da vacina seja de 90%, o que é um excelente nível de proteção.
  5. Número de doses- para as crianças que não tomaram nenhuma dose no ano passado, deverão ser dadas duas doses, com um intervalo mínimo de 28 dias entre as doses. Para as crianças que tomaram uma ou duas doses no ano passado, uma única dose será necessária este ano. Para crianças maiores de 9 anos e adultos, uma única dose é necessária.
  6. A vacina precisar ser repetida anualmente porque o nível de anticorpos cai e também porque a composição dos virus pode variar. Este ano,  a vacina é composta pelos mesmos três virus do ano passado. A decisão sobre quais virus devem estar contidos na vacina é dada pela Organização Mundial da Saúde, todos os anos.
  7. A vacina deve ser dada por via intramuscular. Para as crianças entre 6 meses e 2 anos a dose é de 0,25 ml. Para todas as outras pessoas, a dose é de 0,5ml.
  8. A vacina pode ser dada simultaneamente com outras, desde que aplicadas em locais diferentes.
  9. A vacina pode produzir alguma reação local como dor ou discreto edema (inchado). Em alguns casos, pode produzir febre baixa que dura entre um e dois dias.

O mais importante é que não existe nenhum argumento que justifique não vacinar seu filho ou qualquer pessoa contra a Gripe. A época de vacinar é agora, antes ou no início do inverno que é a estação com maior circulação do virus.

Assistam ao vídeo da campanha do Ministério da Saúde http://www.youtube.com/watch?v=3e2cOGSbXJs  e divulgue para amigos e familiares.

Vacine seus filhos e sua família.

Se você tiver qualquer dúvida com relação à vacinação contra a Gripe, por favor envie-a para mim.

QUAIS VACINAS E EM QUE IDADES?

Vacinas são um dos melhores métodos de proteção contra doenças. Com o progresso das pesquisas novas vacinas são colocadas no mercado. Quais vacinas devemos dar para nossos filhos e em que idade? Cada país define um calendário vacinal mínimo, em função da disponibilidade de recursos e necessidades epidemiológicas. Além disso, as sociedades de pediatria e outras instituições científicas fazem suas recomendações. No nosso país, os pediatras seguem o que recomenda o Ministério da Saúde, acrescido de algumas vacinas que ainda não são oferecidas nos postos de saúde. Alguns pediatras também adotam as recomendações do CDC de Atlanta e da Academia Americana de Pediatria. Veja abaixo os respectivos calendários vacinais:

Calendário da Sociedade Brasileira de Pediatria

calendario_vacinal_SBP2011

Calendário do CDC entre 0 e 6 anos de idade

0-6yrs-schedule-pr

Calendário do CDC entre 7 e 18 anos

7-18yrs-schedule-pr_2011_12

O CDC disponibiliza uma ferramenta que monta um calendário personalizado para seu filho ou filha. Basta dar a data de nascimento que ele vai gerar as dastas em que deveria tomar as vacinas. Divirta-se montando o calendário vacinal do seu bebê!

CDC Calendário bebês

Lembre-se que o seu pediatra pode ter um calendário um pouco diferente, otimizando as vacinas com as visitas periódicas ou ainda buscando distribuir de forma a não dar “picadas” de mais, de uma vez. O que estou publicando aqui é apenas uma referência. Recomendo que siga as orientações do seu pediatra.

Se tiver dúvidas, mande seu comentário que lhe responderei.

VACINAS PARA ADOLESCENTES

No primeiro ano de vida de nossos filhos, as vacinas ocupam um lugar importante. Os pais ficam atentos ao calendário e a quantidade de vacinas, felizmente, aumenta.  No entanto, à medida que as crianças vão crescendo, as vacinas são esquecidas. Gostaria de lembrar algumas vacinas importantes de serem dadas, durante a adolescência:

1-      Vacina contra o HPV (Human Papilloma Virus)- o vírus do papiloma humano é transmitido sexualmente e é extremamente difundido entre os adultos, sendo considerada a doença sexualmente transmissível mais comum. Na maioria dos casos a infecção não produz nenhum sinal ou sintoma. Ocasionalmente pode produzir verrugas genitais, tanto em meninas, quanto meninos. O HPV também está implicado no câncer de colo de útero. Por esses motivos, a recomendação é de se vacinar meninas e meninos, preferencialmente, entre  11 e 13 anos. A vacina é dada em três doses e, para os meninos precisa ser a vacina com 4 tipos de HPV (Gardasil). A segunda dose deve ser dada um a dois meses após a primeira dose. A terceira, seis meses após a primeira dose.

2-      Reforço da vacina tríplice (Tétano-Coqueluche-Difteria)- este reforço precisa ser dado a cada dez anos, após o último dado. Em geral as crianças recebem uma dose em torno dos cinco anos. Assim, um reforço deverá ser dado em torno dos quinze anos e a cada dez anos. Adultos devem se vacinar também. Atualmente, com ou aumento da incidência da coqueluche, a recomendação é de que se use a vacina tríplice acelular adulto (Tdap). A alternativa seria a aplicação da dupla adulto (dT) ou apenas o toxóide tetânico (TT).

3-      Vacina contra Influenza- todo ano, no início do período de maior riscos (maio-junho), os adolescentes deveriam tomar uma dose da vacina contra a Influenza. É importante lembrar que, por uma questão de língua portuguesa, Influenza e gripe são sinônimos. No entanto, a vacina não protege contra o resfriado comum (gripe), o que muitas vezes é considerado como uma “falha” da vacina. Esta vacina só protege contra uma doença mais grave, com maior letalidade, que é a Influenza.

4-      Vacina contra Hepatite B- se o adolescente não foi vacinado contra a Hepatite B, deveria tomar 3 doses desta vacina. A segunda, dois meses após a primeira. A terceira, seis meses após a primeira. Se o adolescente recebeu a vacina e precisar fazer algum tipo de exame de sangue, seria interessante pedir ao seu médico para pedir uma avaliação da resposta à vacina. Nem todas as crianças vacinadas ficam protegidas e precisariam de uma segunda série de vacinas.

5-      Vacina contra Hepatite A- se o adolescente não foi vacinado quando criança, deveria receber duas doses. A segunda, seis meses após a primeira.

6-      Vacina contra Sarampo, Rubéola e Caxumba- se não recebeu estas vacinas quando criança, deveria tomar duas doses. A segunda, no mínimo quatro semanas depois da primeira.

7-      Vacina contra a Catapora (Varicela)- se o adolescente não tomou esta vacina, nem teve a doença, recomenda-se tomar duas doses. A segunda, no mínimo quatro semanas depois da primeira.

8-      Situações especiais devem ser discutidas com seu pediatra para verificar a necessidade, ou não de vacina pneumocócica e quadrivalente contra meningite.

9-      Viagens- consulte seu médico em caso de viagens. Alguns países exigem vacina contra a febre amarela e esta deve ser dada, pelo menos, dez dias antes da viagem. A vacina contra a febre amarela tem validade para dez anos.