Arquivo | dezembro 2016

LISTA DESEJOS DE UM PEDIATRA PARA 2017!

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Claro que desejo todas as “grandes coisas” que desejamos: saúde, paz, um país que saia da crise moral, política e econômica, uma cidade sem violência urbana e os cidadãos solidários e cordiais. Também desejo que o Trump acorde todos os dias de bom humor e não faça nenhuma besteira maior que interfira com o mundo. Gostaria de ver a descoberta da cura para várias doenças e que as pessoas adotassem hábitos de vida mais saudáveis, evitando ou diminuindo o seu adoecer. Adoraria que o mundo fosse um lugar mais solidário, com menos desigualdade. Mas, esses “grandes desejos”, não passam de um norte, um caminho a ser percorrido. Não acontecem da noite para o dia. Não acontecem só porque o calendário mudou de ano.

Eu tenho outra lista de desejos que é fruto da minha vivência de pediatra. Coisas que eu vejo no meu dia a dia, mesmo sem gravidade, que constariam da lista de desejos para 2017.  Não acho que estas também possam ocorrer da noite para o dia, numa virada de ano. Mas, dependem muito mais de nós mesmos (menos a primeira que é um sonho de todos!) do que as “grandes coisas”. Vamos a elas:

1- A descoberta da cura das viroses. Viroses são doenças agudas, de curtíssima duração (uma semana), mas que causam um enorme transtorno para todo mundo. Além do transtorno, deixam os pais muito inseguros. É uma semana com febre que vai e vem, perda de apetite, irritabilidade, choro inconsolável, muitas vezes com nariz escorrendo e tosse. Não raro, quando a criança fica boa, pega outra virose e parece que está doente o tempo todo. Seria uma maravilha se, em 2017, todas as crianças pudessem ir para suas creches com os pais tranquilos, sabendo que, em caso de uma virose, uma dose única da nova descoberta, resolveria!

2- O uso seletivo da internet. Informação é fundamental e a internet é uma maravilha para se obter informações. Ocorre que também é farta em mitos, erros, distorções, quando não informações totalmente falsas. Essas informações equivocadas geram insegurança ou comportamentos que colocam em risco a saúde dos filhos, como não vacina-los, por exemplo, por conta de mentiras lidas na internet. Ou adotar uma determinada alimentação restritiva, sem fundamento algum. Seria um espetáculo se, em 2017, os pais passassem a usar a internet para consultar sites institucionais, sites oficiais de sociedades médicas, sites de ministérios da saúde, do Brasil e do exterior, evitando aqueles que são baseados em relatos e testemunhos em detrimento de evidências científicas.

3- O abandono dos cursos para mães. Atualmente, existem cursos para quase tudo que se possa imaginar. Curso para o parto, para amamentar, para dar banho no bebê, para alimentar depois dos 6 meses. Cursos de música e natação para bebês. Breve, vão nos oferecer curso de inglês e sobrevivência na selva, para bebês menores de um ano de idade! A pergunta é: a quem interessam esses cursos? A resposta é uma só: aos donos dos cursos que enriquecem explorando a ideia de que alguém sabe fazer melhor do que a própria mãe e que esta “precisa” destas informações para ser uma “boa” mãe. Em bom português, exploram a insegurança normal que todos nós temos diante de algo novo e tão importante quanto um filho recém-nascido. Vamos considerar que estamos na terra, como espécie falante, há uns 70 mil anos. Como chegamos até aqui, hoje, 2016 entrando em 2017, sem curso algum, sem Google, sem pediatras? Chegamos aqui porque a espécie, como as demais espécies, tem um conhecimento intrínseco do que deve ser feito para cuidar da sua prole. O mais interessante é que, provavelmente, durante uns 60mil desses 70 mil anos, a nossa espécie não tinha lugar fixo para ficar. Éramos caçadores-coletadores, vagando pelo planeta, em grupos de até umas 100 pessoas. Portanto, imagine que, dentro do seu DNA, existe informação mais do que suficiente para você cuidar do seu bebê, sem que ninguém tenha que lhe ensinar como! Vai ser muito mais divertido se em 2017 as mães se rebelarem contra cursinhos disso e daquilo, tomando em suas mãos, com criatividade, individualidade e originalidade, o cuidado de seus bebês.

4- Amamentar no peito continua sendo o melhor, mas sem meta de quanto tempo. Amentar no peito, exclusivamente, por 6 meses, continua sendo o melhor para o bebê. Mas, seria ótimo se, em 2017, as mães deixassem de pensar nos 6 meses como uma meta e sim como uma referência. Quando pensam em meta, passam a ficar preocupadas se vão atingir a tal meta. Como um corredor de maratona que tem uma distância a cumprir. Se não cumprir, não completou a maratona, não tem sequer uma classificação. Amamentar não é como uma corrida com meta. Amamentar é um meio, não um fim em si. O fim em si, me parece, é o de oferecer o melhor possível para os nossos filhos. Se o melhor possível for o peito, ótimo. Se não for, ótimo também. A ideia de que é uma meta, gera insegurança e frustração nas mães. Abre espaço para “cursos” e “consultorias”. Estas, ao invés de contribuírem para a formação do vínculo entre mãe e bebê, deslocam o foco para a mãe-amamentação. Claro que vamos estimular e incentivar a amamentação exclusiva, sempre. Mas, vamos desejar que, em 2017, as mães se libertem da tirania de uma meta temporal de amamentação.

5- Ler para os filhos. Até hoje, o melhor método de estimular o desenvolvimento intelectual, cognitivo e criativo das crianças é a leitura. Ao invés da busca de métodos mais “modernos” ou que incorporem tecnologias (olha os cursinhos se aproveitando, de novo!), ler para os filhos, a partir de quando são bebês, é o melhor que podemos fazer para estimula-los. A leitura, diferentemente da tela eletrônica, do desenho, do filme, provoca a imaginação criativa da criança. Cada criança terá que “inventar” o seu sapo, sua lagoa, seus três porquinhos, sua princesa etc. Além desse aspecto, a leitura com os pais é um momento de vínculo afetivo, contato físico e, porque não, de criatividade para os adultos que devem modular a voz, adequando-a à história. Ou, melhor ainda, quando a história toda é uma criação dos pais. Ler tem um ritmo que é mais sereno e calmo do que o estímulo eletrônico e contribui para o desenvolvimento de algo importante na vida adulta que é a capacidade de se concentrar por períodos mais longos. Claro que não vamos ler um romance russo para os bebês, mas, para ler um clássico na vida adulta, é preciso começar com um sapo na lagoa, por exemplo. À medida que os filhos crescem, a leitura junto passa a ser menos importante e o exemplo, em casa, de pais que leem se torna importante. Portanto, filhos podem nos ajudar a aderir a novos hábitos saudáveis e prazerosos, como a leitura (alimentação, exercícios etc.).

6- O triunfo da emoção sobre a razão. Vivemos em um mundo que faz muita propaganda da nossa racionalidade. Mas, fala pouco ou desdenha nossa emotividade. Ora, nossa emotividade precede nossa razão. O bebê é emoção pura e se comunica com seus pais, por um bom período, através desta. O afeto e acolhimento que damos aos bebês são fundamentais. Não dá para deixar um bebê no colo e “explicar”  que o amamos ou o que está acontecendo. A única linguagem que um bebê entende é colo e carinho. Crescemos e continuamos sendo seres simbólicos, antes de sermos racionais. Vemos uma pessoa que não conhecemos na rua e temos um sentimento de simpatia, espanto, curiosidade, medo etc. Esses sentimentos, reais, precedem conhecermos a pessoa para podermos fazer um “juízo” racional a respeito dela. Mas, a cultura divulga a razão como superior. Divulga a eficiência como sendo um objetivo de vida, quando a vida não é para ser eficiente e sim alegre, feliz, realizada etc. Eficiência é para empresas e seres humanos e suas famílias não são empresas. Assim, encerro esta minha lista de desejos com este: que possamos ser emotivos e afetivos com nossos filhos e próximos, sem receio de que seja algo menor ou que interfira na nossa capacidade de sermos racionais. Não se trata de escolhermos entre racionais ou emocionais. Mesmo porque, essa escolha já foi feita muito antes, à nossa revelia e veio pronta dentro do nosso DNA. Somos ambos e não adiante tentar esconder um lado porque o preço a pagar é caro. Se formos mais emotivos, em 2017, equilibrando esse desbalanço cultural, daremos aos nossos filhos um exemplo que fará com que a vida deles possa ser mais feliz e harmônica.

Que 2017 seja um ano divertido para todos !

 

PAPAI NOEL EXISTE?

Ora, até uma criança sabe a resposta a essa pergunta: claro que existe! Existe porque somos seres simbólicos e adoramos uma fábula. E não sãosanta só nossos filhos que adoram uma historinha. Nós adultos, mantemos esse fascínio por fábulas. Claro que não são mais histórias de princesas, dragões, porquinhos e bruxas. Mas, adoramos ouvir fábulas de suplementos, vitaminas, cremes, alimentos que fazem isso ou aquilo, novos exercícios que fazem perder milhares de calorias em poucos minutos, métodos para mantermos a memória ou aumentarmos a libido, livros que garantem a felicidade plena em 10 passos, sem esquecer a quantidade de pessoas que devolvem a pessoa amada em três dias! A lista de fábulas que nós adultos nos contamos mutuamente é interminável. E ainda temos a ousadia de questionarmos se Papai Noel existe!

A fábula tem uma função importante no desenvolvimento das crianças ao estimular a criatividade e contribuir para que elas lidem com as questões da vida, inicialmente de forma lúdica. Nesse contexto, não há nenhuma discussão a respeito da existência do Papai Noel. Só nos resta definir que Papai Noel vai existir. Como assim, existe mais de um Papai Noel? Sendo uma narrativa, existirão tantos Papais Noel quantas narrativas existirem. Mas, basicamente, existem dois Papais Noel e devemos escolher qual deles será o que vamos apresentar aos nossos filhos.

Existe o Papai Noel que representa a sociedade de consumo, trazendo presentes, se tornando o destinatário de listas intermináveis de pedidos. De alguma forma, esse Papai Noel existirá em todas as narrativas porque vivemos em uma sociedade onde o consumo é algo hipertrofiado e que, muitas vezes, preenche vazios existenciais das pessoas. Esse vazio não é só dos adultos que acabam confundindo ser com ter. Para muitos, o que eu tenho define quem eu sou. Como a possibilidade de ter é sempre infinita, a sensação de ser é frágil e sujeita aos modismos de consumo. Assim que eu acabo de comprar o tablet de última geração, me tornando alguém, lançam outro e passo a me sentir vulnerável, inseguro, por não TER o último modelo. Se os pais são consumistas ou mesmo que não sejam, mas por vários motivos se sintam “devedores” dos filhos (trabalham muito, por exemplo), podem tentar “compensar” com a compra de presentes. Esse Papai Noel é o do comércio que tenta nos confundir com mensagens que embaralham objetos, coisas, com afeto e emoção. Esse Papai Noel de listas enormes e pouco ou nenhum limite, é uma narrativa que ensinará nossos filhos a se tornarem consumidores vorazes, muitas vezes na tentativa de preencher uma lacuna que não é de coisas materiais. Esse é o Papai Noel que incentiva o egocentrismo porque a minha felicidade está em ter o que o outro não tem.

Existe um outro Papai Noel que representa a bondade, solidariedade e generosidade. Um Papai Noel que fala sobre quem somos, antes de falar sobre o que temos. Um Papai Noel que recebe uma cartinha onde eu conto o que eu fiz no ano que passou e não só uma lista do que eu quero. Quando pedimos a nossos filhos que escrevam contando o que fizeram, estamos dando a oportunidade (e o aprendizado) de que parem um minuto para pensar nas suas realizações e não só nos seus desejos de possuir algo.  Um Papai Noel que tem limites nas possibilidades de presentear, que associa presentes a algum mérito e que coloca cada criança como fazendo parte de um universo de outras crianças (ele tem muito trabalho, precisa visitar todas as crianças), fazendo com que cada uma se sinta especial, mas não única. Esse Papai Noel é o do afeto e do carinho. É o que ensinará nossos filhos que as coisas (objetos) fazem parte das nossas vidas e nos dão muito prazer, mas que nossa felicidade não pode ser definida pelo que temos e sim por quem somos. Somos humanos e como tal, seres carregados de emoção e empatia, além de, também, sermos racionais. Somos, originalmente, gregários, dependendo uns dos outros. Podemos (e somos) diferentes em muitas coisas, mas, nem melhores, nem piores do que ninguém. Esse é o Papai Noel que incentiva a solidariedade porque, diferente do que ocorre com objetos, quanto mais dividimos emoções e sentimentos, mais se multiplicam.

Cada família vai escolher qual narrativa de Papai Noel quer para si e, consequentemente, para seus filhos.

Um Natal alegre e afetivo para todos!

QUANDO A MAMÃE É CHEF DE COZINHA!

Lucia é uma chef de cozinha que tem um canal no youtube (https://www.youtube.com/channel/UCYLysnuwNGfRc5y6QyLtyLQ) onde ensina a fazer deliciosos pratos. O desafio que propus à Lucia foi o de fazer um filme com alguma receita básica para bebês,  que pudesse servir de orientação para as mães. Luisa, sua filha é quem testou as receitas para o blog.

Como quem lê o blog sabe, a alimentação de bebês e crianças não pertence ao campo da ciência ou do conhecimento específico do pediatra. Pelo contrário, a alimentação de bebês e crianças é algo cultural e econômico. Como somos um país tropical, iniciamos a introdução de alimentos com frutas. Mas imaginem se uma mãe sueca vai ter bananas a um preço razoável para oferecer a seu filho? Ou uma mãe japonesa? Em cada país, os bebês começam sua alimentação sólida,  em função dos alimentos mais disponíveis, o que acaba produzindo hábitos culturais. Portanto, não ha porque se fazer um grande mistério a respeito deste momento que deve ser o mais natural e desprovido de “ciência e saber”. Aliás, como quase tudo relacionado a nossos filhos!

Mas, uma ajudinha, sem ser um roteiro rígido, pode ser interessante. Espero que vejam o vídeo e leiam as receitas abaixo como uma fonte de inspiração à criatividade culinária de vocês e não como um “manual da boa alimentação do bebê”.

Obrigado à Lucia pelas receitas e à Luisa por tê-las provado e aprovado. Divirtam-se na cozinha e, mais ainda, vendo seus filhotes se deliciarem.

Leia também: QUANDO PAPAI É CHEFE DE COZINHA!   OLIVIA APROVA NOVOS PRATOS!  INTRODUZINDO COMIDA PARA O BEBÊ

Papinhas para bebês – 1ª fase: iniciando os sabores

Base das preparações:

Caldo de frango

Ingredientes:

– 600g de peito de frango;

– 1 cebola grande ou 2 pequenas;

– 3 dentes de alho;

– 3 cenouras;

– 1/2 maço de salsinha;

– 3 galhinhos de tomilho fresco;

– 2 l de água.

 

Modo de preparo:

 

– Lave bem o peito do frango em água corrente;

– Coloque-o na panela de pressão com 2 l de água, juntamente com os outros ingredientes picados grosseiramente;

– Assim que a panela começar a chiar, abaixe o fogo e deixe cozinhar por 40 minutos;

– Coe o caldo e use somente o líquido no preparo das papinhas.

 

Caldo de carne

Ingredientes:

– 600g de músculo, acém ou patinho;

– 1 cebola grande ou 2 pequenas;

– 3 dentes de alho;

– 3 cenouras;

– 1/2 maço de salsinha;

– 3 galhinhos de tomilho fresco;

– 2 l de água;

 

Modo de preparo:

 

– Corte o músculo em cubos grandes;

– Coloque-os na panela de pressão (de preferência antiaderente) bem quente e deixe-os refogando até ficarem bem dourados;

– Acrescente os outros ingredientes picados grosseiramente e, em seguida, a água.

– Assim que a panela começar a chiar, abaixe o fogo e deixe cozinhar por 40 minutos.

– Coe o caldo e use somente o líquido no preparo das papinhas.

 

Papinha de batata doce, abobrinha, ora-pro-nóbis e caldo natural de frango (rende aproximadamente 7 porções de 150g)

 

Ingredientes:

 

– 400g de batata doce;

– 1 unidade de abobrinha italiana (200g);

– 30g de ora-pro-nóbis (aproximadamente 30 folhas);

– 500 ml de caldo de frango;

– sal marinho (pouco).

 

Modo de preparo:

 

– Em uma panela de pressão junte as batatas doce descascadas e cortadas grosseiramente;

– Junte a abobrinha cortadas com casca e as folhas de ora-pro-nóbis;

– Acrescente o caldo de frango e o sal;

– Tampe a panela e, assim que começar a chiar, cozinhe por 20 minutos em fogo baixo;

– Bata a papinha em um mixer ou no liquidificador até atingir a consistência desejada;

– Porcione as papinhas, deixe-as esfriar e leve ao congelador;

– As papinhas duram por até 6 meses no congelador e até 3 dias na geladeira;

– Ao servir coloque um fiozinho de azeite extra-virgem.

 

Papinha de mandioca, chuchu, couve e caldo natural de carne (rende aproximadamente 7 porções de 150g)

Ingredientes:

– 200g de mandioca;

– 4 folhas grandes de couve;

– 2 unidades de chuchu (350g aproximadamente);

– Sal marinho (pouco);

– 500 ml de caldo de carne.

 

Modo de preparo:

– Em uma panela de pressão junte as mandiocas descascadas e cortadas em pedaços não muito grandes;

– Junte a couve e o chuchu cortados grosseiramente;

– Acrescente o caldo de carne e o sal;

– Tampe a panela e, assim que começar a chiar, cozinhe por 20 minutos em fogo baixo;

– Depois de cozida, retire da mandioca o fio duro que fica no meio dela;

– Bata a papinha em um mixer ou no liquidificador até atingir a consistência desejada;

– Porcione as papinhas, deixe-as esfriar e leve ao congelador;

– As papinhas duram por até 6 meses no congelador e até 3 dias na geladeira;

– Ao servir coloque um fiozinho de azeite extra-virgem.

 

Leia também: QUANDO PAPAI É CHEFE DE COZINHA!   OLIVIA APROVA NOVOS PRATOS!  INTRODUZINDO COMIDA PARA O BEBÊ