Arquivo | novembro 2015

MITOS E VERDADES EM VIAGENS COM CRIANÇAS PEQUENAS.

Na semana passada escrevi sobre a realidade derrubando “regras científicas”. Um leitor do blog  me enviou um texto sobre viagens com crianças pequenas, que combinava com meu post. Achei o texto tão bom  que pedi a autorização para reproduzi-lo aqui . Hoje, o post é do blog convidado “LAURA NO MUNDO”, a quem agradeço a gentileza de compartilhar seu texto que segue abaixo.

MITOS E VERDADES EM VIAGENS COM CRIANÇAS PEQUENAS.

Um filho é sempre uma alegria. Aliás, é a alegria! Uma mudança sem volta na vida da mãe, do pai, enfim, de toda a família. Uma mudança dessa magnitude, contudo, não deixa de trazer desafios. Desafios de várias ordens, inclusive para a vida social dos pais. Em nossa opinião, caso os pais tenham tido, até a chegada do pimpolho, uma vida social muitíssimo intensa, não se poderá manter o mesmo padrão nos primeiros anos de vida da criança. O motivo é simples: a criança demanda! Alguns podem até receber esse fato como um fardo, mas esse não foi o nosso caso.

Uma saída, até certo ponto, é simplesmente incorporar a criança ao ritmo de nossas vidas. Assim o fizemos quando decidimos fazer nossa primeira viagem, quando ela tinha apenas um ano e meio de idade. Destino: Buenos Aires, em julho de 2011. Imaginem a reação da família? É preciso reconhecer que nem todos lidaram com naturalidade diante desse fato. Depois de 5 anos de intensas viagens, o que podemos apontar como mito e verdade em viagens com crianças pequenas?

1 – Em lugares frios também nascem, criam e vivem crianças. Isso que dizer que não há nada na genética de nossos filhos, nascidos em país tropical, que não permita que eles se adaptem às condições climáticas do destino para o qual nos dirigimos. No Brasil há mais ou menos disseminado uma noção curiosa, a tal da “friagem”. Por temermos esse monstro invisível – chamado friagem – devemos manter as crianças trancafiadas dentro de casa? É claro que não. Nada que um bom agasalho não resolva, certo? Nesse sentido, uma das coisas que mais impressionam é ver, na Europa – e vimos muitos alemães – com crianças nas costas, como se fossem mochilas, sob um frio de rachar. São irresponsáveis? É claro que não, eles não amam menos suas crianças se comparados à nós. Acontece que eles tem uma relação com o clima de menor temor, e não era para menos, qual alternativa teriam eles? Sendo assim, agasalhe seu filho e faça sua viagem tranquilamente, ele/ela não morrerá congelada indevidamente.No Jardim de Luxemburgo, Paris, dezembro de 2012.

2 – É verdade que, sob um novo habitat, crianças pequenas estão mais expostas à infecções. E compreenda: essas infecções, normalmente virais, não são consequência propriamente do ar frio, mas, de um lado, do maior confinamento em ambientes com muitas pessoas; de outro, pelo fato do teu filho ainda não ter desenvolvido, de todo, seu sistema imunológico. As chances de ele manifestar febre são boas. Até os 4 anos de idade, em qusse todas as viagens que fizemos, Laura manifestou febre por um ou dois dias. Caso a criança não manifeste outro sintoma (como dor abdominal, vômito etc), não há razão para se preocupar até as primeiras 36 horas de febre. Normalmente – e somos exemplares – a criança responderá sozinha ao agente infectante. Basta, portanto, um anti-térmico, boa hidratação e vigilância. Siga a viagem!

3 – Destinos no estrangeiro, mas também muitos destinos nacionais nos impõem uma nova dieta. Crianças mais chatas com comida certamente sentirão e resistirão às novas e desconhecidas ofertas de alimento. Tente não transformar isso em uma fonte de estresse. Alguns dias comendo mal não matarão seu filho. Por exemplo, no Reino Unido, Laura praticamente se alimentou de batata chips. Nada mais britânico, não?

O terrível café inglês, Londres, janeiro de 2014.

4 –  Um comentário bastante pessoal: viagem com criança impõe, obviamente, ajustes no roteiro. Não haverá espaço para noitadas ou mega-caminhadas (ainda que o carrinho de bêbe ajude muito!). Isso não quer dizer, em nossa opinião, que a viagem com criança tenha que se resumir à programação infantil. Uma das vantagens de se viajar com crianças pequenas está justamente no fato de elas serem muitíssimo aberto ao novo. Tudo ou quase tudo a interessa. Significa que o roteiro não precisa ser de todo infantilizado. Uma visita ao Louvre, em Paris, poderá ser tão interessante quanto estar em um evento com o Mickey ou coisa que o valha. Sendo assim, combine interesses, torne o roteiro variado e interessante para todos. Caso não tenha paciência para as longas filas dos parques temáticos infantis, por que, obrigatoriamente, se submeter a eles?

No Trapiche Municipal de Florianópolis, julho de 2014.

5 – Por fim, um dos pontos mais estressantes da viagem: bagagem. Em geral os brasileiros apreciam levar o mundo na mala. Tudo parece importante, mas basta abrir a mala no retorno para se dar conta que algumas coisas foram sequer tocadas. Com criança pequena parece que essa característica se radicaliza! Em nossa opinião, o que uma criança pequena nos coloca como necessidade? Em primeiro lugar, não tem jeito, alguns medicamentos. Tratamos dessa questão em outra matéria (Ver: laura-no-mundo.webnode.com/news/viajando-com-crian%C3%A7as%3a-o-que-levar-/). Além de medicamentos, o que mais? Roupas, é claro. Um carrinho de bêbe, sem duvida. Há, no mercado, alguns pequenos e leves. São ideais. Quando Laura estava no chão, ele era amarrado em nossas costas (como uma mochila) e a vida seguia. Quando a Laura cansava – ou mesmo queria dormir – pronto, ele era uma mão na roda! Para que fique claro: carrinho de bêbe é essencial! Mas opte por um modelo leve e dobrável, caso contrário, vai levar um problema. Além do carrinho, diríamos que outra coisa pode ser importante: um ou dois brinquedos, mais uma vez sem excessos. Em nossas últimas viagens o tablet foi um recurso fundamental em muitas situações.

Nosso herói em Paris.

Do mais, é ter a vontade de viajar sem estresse. Não tenham dúvidas, momentos inesquecíveis sempre ficarão!

Leia mais: http://laura-no-mundo.webnode.com/news/mitos-e-verdades-em-viagens-com-criancas-pequenas/