Arquivo | maio 2015

MANIFESTO MARXISTA!

groucho-marx2Calma, leitores! Resolvi escrever um manifesto marxista. Mas, é um manifesto Groucho Marxista! Nada a ver com ou outro Marx, Karl, filósofo alemão. Groucho foi um humorista americano, do século passado, dono de um humor demolidor, iconoclasta, capaz de rir de si próprio com a mesma causticidade com que tratava dos outros, dos costumes e da cultura. Dentre suas sacadas geniais, escolhi  duas, para que os leitores que nunca tiveram a oportunidade de conhecer o Groucho, entendam um pouco, como era o seu humor. “Não posso ser sócio de um clube que me aceite” é uma frase clássica dele. Ao mesmo tempo em que ri de si, critica clubes com rígidos critérios de admissão. “Pretendo viver para sempre, ou, pelo menos, morrer tentando” mostra bem o seu humor inteligente e criativo.

Estava pensando em como abordar alguns temas com os quais tenho tido contato no consultório e acabei imaginando usar uma fórmula onde coisas sérias poderiam ser abordadas com humor. Para começar, me veio a imagem do Groucho e pensei logo em escrever um Manifesto Marxista. Como todo manifesto, começa com uma exortação. Espero que se divirtam lendo.

MÃES E PAIS DO MUNDO, UNI-VOS!

Uni-vos contra:

  • Os cursinhos que ensinam o que já sabemos!  Há uma onda de cursos para tudo que se possa imaginar, ou quase. Curso para grávidas, para pais, para os cuidados com os bebês, para a amamentação. Cursos que ensinam como tornar seu bebê mais relaxado, sem cólicas, mais feliz. Cursos que lembram aqueles anúncios de cartomantes que trazem a pessoa amada, em três dias: ensine seu bebê de um mês a dormir, em três dias! Enfim, a lista de cursos é interminável e a criatividade para oferecer novos, me impressiona. Eu só fico pensando em como é que a humanidade chegou até este ponto, atravessando mais de 170 mil anos, sem fazer um cursinho sequer? De duas, uma. Ou, a partir do momento em que alguém resolveu ganhar dinheiro com esses cursos, nós tivemos um ataque de amnésia completo. Ou, nosso software de seres humanos continua operando muito bem obrigado e temos um conhecimento intuitivo, natural, inerente à nossa espécie e à capacidade de nos perpetuarmos que dispensa cursos, aplicativos, livros, que tentem nos ensinar o que já sabemos.
  • A medicalização da vida. Vivemos tempos curiosos onde, quase tudo que acontece, merece uma opinião ou comentário médico. A medicina deixou de ser uma profissão da privacidade das pessoas, para se tornar uma palpiteira pública sobre nossas vidas. O que não percebemos é que o que parece ser informação (e muita vezes é), se torna um saber exclusivo do médico. Ele detém um conhecimento especial ao qual os demais não têm acesso. Se só o médico tem esses saber, dependo dele para tomar minhas decisões. Ora, um sem número de decisões a respeito da saúde, não depende de um saber médico. Mesmo porque o conhecimento sobre a saúde é muito mais amplo do que está incluído no curso de medicina (que, por sinal, ensina muito sobre doenças e pouco sobre saúde). Portanto, perguntar ao pediatra se ar condicionado é melhor do que ventilador, é uma dessas perguntas que  não estavam incluídas no curso do médico. Mas, ele vai responder, com ar de ciência! Poderia listar centenas de perguntas que o médico não deveria responder ou, se respondesse, deveria dizer: “não sei isso, melhor você experimentar e ver o que acontece”. Medicalizar a vida retira de cada um de nós a autonomia necessária para ousar e aprender.
  • A tirania da farmacologia. Se tudo na vida depender da opinião médica e se este profissional aprendeu muito mais sobre doenças do que saúde, as chances de que um medicamento seja prescrito para tudo e qualquer coisa, aumenta muito. Pior, nós mesmos, diante da ansiedade natural que o adoecer pode produzir, desejamos, ansiamos, por um medicamento que cure e resolva, rapidamente. Claro que não sou favorável a que as pessoas fiquem doentes e sofram. Óbvio que não. Meu ponto é que a farmácia, muito mais do que ser uma loja de saúde em cápsulas, é um espaço de ilusão. Que queiramos nos iludir com soluções mágicas, é humano. Que nos apeguemos à crença de que para tudo que sentimos deve existir um medicamento para resolver o problema, é natural. Agora, que o médico que, em tese, deveria conhecer bem os medicamentos, faça um pacto conosco e nos prescreva o que não é necessário, isso não é humano. Isso é desonesto. Nem tudo, infelizmente, tem um remédio à venda que resolva. Resfriado é um bom exemplo!  E, só porque não tem um medicamento, não significa que não exista um cuidar. Cuidar, é muito mais do que dar um remédio. Sempre podemos cuidar de alguém doente. Nem sempre teremos um medicamento para oferecer.
  • As regras que escravizam. Muitas vezes regras são necessárias e nos ajudam. No entanto, corremos o risco de nos tornarmos escravos de regras. Se o médico detém o saber, o que ele diz, tem o peso de uma regra. Romper a regra pode envolver um risco enorme. Logo, sou obrigado a obedecer. Se sou obrigado, me tornei escravo! Não falo de diretrizes baseadas em evidências e com alguma comprovação epidemiológica, como: não fumar, se exercitar, comer de forma balanceada, manter o peso dentro de certos limites, aplicar vacinas etc. Falo de “regrinhas”, sem nenhum fundamento ou evidência. E, neste tópico, o médico não é o único vilão. O internet, grupos e fóruns, vivem alardeando regras. Não coma isso, não passe aquilo, evite tal coisa. Ou, o oposto, ofereça isso a seu filho, toque Mozart para desenvolver a inteligência etc. Algumas regras passam a ter uma força tão grande que, ir contra, gera culpa! Três grandes áreas das nossas vidas são povoadas de regras: alimentação, educação e desenvolvimento infantil. O que me chama a atenção é o fato de  podermos encontrar regras radicalmente opostas, para o mesma assunto ou questão. Isso nos faz pensar que, se tem tanta regra e muitas são conflitantes entre si, é porque não deve ter regra. Desconfiem de regras, sempre! Inclusive desta! (em homenagem ao Groucho). O antídoto para as regras é confiar no seu conhecimento, intuição e bom senso.
  • O modelo de gestão eficaz. As ferramentas e métodos do mundo dos negócios, ótimas para se ter sucesso nestes, acabou atravessando as paredes das fábricas e escritórios, se instalando nas nossas casas, lazer e vida em geral. Ficamos condicionados a pensar em otimização do tempo, eficiência, entrega, metas, objetivos e resultados. Nossas viagens levam em conta a relação custo/benefício e escolhemos as escolas dos nossos filhos de 3 anos, analisando a taxa de aprovação no vestibular (daquele ano! quem garante que vai se manter em 14 anos?) e um fluxo de caixa, concluindo que sim, aquela escola é um bom investimento. Pausa. Lembrem-se que este é um manifesto Groucho marxista, portanto, exagerado, caricato, histriônico. Retomando. Ora, estas ferramentas que são fundamentais na gestão de uma empresa, podem ser úteis em alguns aspectos das nossas vidas. Mas, nossas famílias e vidas, são bem mais do que uma empresa. Empresas devem captar e manter clientes lucrativos. Até onde sei, nenhuma família tem essa missão ou visão. Aliás, famílias não têm nem visão nem missão!  Felizmente, nunca entrei  em uma  casa   onde estivesse, pendurado na parede, um poster com os seguintes dizeres: a nossa missão é sermos considerados a família mais bem sucedida da cidade, de forma sustentável e ecologicamente correta. Famílias são redes de afeto onde a vida acontece. Famílias são vínculos de amor, onde a emoção flui. Bem diferente de uma empresa, suponho.

O que ganhamos se nos libertarmos dessas pequenas “prisões” que eu pintei com as cores do humor? Independência, autonomia, segurança para sermos criativos e ousados. Conquistamos o direito de sermos sujeitos de nossas vidas e de estimularmos nossos filhos a fazerem o mesmo.

 

 

A IMPORTÂNCIA DO HUMOR!

capa (1)Claro que humor não combina com doença. Doença não tem a menor graça. Mas, felizmente, crianças adoecem pouco. Nem por isso, dão menos trabalho. É desse trabalho, que pode ser percebido como uma desgraça, que gostaria de propor que passe a ter graça (humor). Para não ficar um ensaio teórico, sem graça (não resisti à brincadeira), vou contar a história de um casal que me procurou no consultório, há cerca dois anos atrás.

Recebo uma ligação telefônica de uma moça  grávida que  tinha recebido a indicação de meu nome para ser pediatra do filho que viria a nascer. Queria marcar uma entrevista comigo, coisa que prontamente organizamos. Entrevista com pediatra, para quem não sabe, é aquela prova de avaliação completa que a futura mãe, acompanhada ou não do pai e/ou da avó, faz do médico. Por mais que disfarce, entra no consultório com olhos arregalados, observando todos os detalhes. Da decoração à iluminação, passando pela organização e limpeza. Uma vez satisfeita essa curiosidade os olhos maternais pousam sobre o pediatra que, meio sem jeito, tenta iniciar uma conversa. Olá, o que posso fazer por vocês? Ou alguma outra coisa do gênero. Pois bem, ali estavam, na minha frente Claudia e Allan. Não me lembro dos detalhes da nossa conversa. Mas me chamou a atenção a profissão de ambos. De alguma forma, os dois eram humoristas, profissionais. Nunca disse para eles, o que vou revelar agora: que inveja! Ter como profissão cutucar o pensamento das pessoas, fazendo com que riam e, idealmente, pensem. Mantive minha melhor cara de médico neutro, isento e continuamos a conversa. Em dado momento, mais para o final da entrevista (prova!) me ocorreu fazer uma pergunta “inteligente”, “sensível”: o que vocês esperam de um pediatra? Pronto, pensei, grande pergunta essa! Os dois se entreolharam, rindo. Allan se vira para mim e responde: se o pediatra não for pedófilo, já é um bom começo! Gostaria de ter visto a minha cara, neste momento. Tentei manter um ar digno, mas, devo ter ficado com cara de pateta mesmo. A tal ponto que o próprio Allan veio em meu socorro, complementando: precisamos de um pediatra que tenha bom humor. Ufa! Respirei aliviado e pensei: esses não sabem com quem estão se metendo!

O humor passeia por um território simbólico ou, dito de outra forma, irracional. Se pensarmos bem, uma piada, tira de cartum, charge ou paródia, à luz de uma racionalidade lógica, não tem a menor graça. Mas, rimos! O que nos faz rir é uma conexão entre o que o autor ou narrador do episódio humorístico sugere e uma emoção que nos pertence. Nesse sentido, o humor funciona exatamente como uma obra de arte que nos toca. Burla os filtros racionais e vai direto ao lado menos visível de nós mesmos: nossos sentimentos. O humor que nos faz rir, é uma revelação de sentimentos e emoções, contidos em um sorriso ou gargalhada.

Ter filhos é um turbilhão de emoções e sentimentos. Por mais que possamos buscar, através da leitura, cursos preparatórios ou de formação de pais, o conhecimento que tranquiliza e dá a sensação de conseguirmos controlar com eficiência a situação, o nascimento de um filho demole esse edifício ilusório de “gestão” e nos coloca face à face com sentimentos inéditos. Mais do que inéditos, são sentimentos intensos, fortíssimos e, não raro contraditórios. Do espanto de um amor jamais sentido, à impotência diante de um bebê que chora, passando pela irritação incontrolável que o cansaço dos primeiros dias gera e a descoberta surpreendente que aquele bebê real, tem apenas uma vaga semelhança com o idealizado enquanto estava na barriga da mãe. Mais, ao mesmo tempo em que esses sentimentos vão surgindo, aos borbotões, o bebê demanda atenção prática, ação, iniciativa e tomada de decisões ( Será que é fome ou frio? Troco a fralda ou dou de mamar? ) O bebê não tem dó dos pais, impedindo que o fiquem contemplando (exceto naqueles deliciosos momentos em que o bebê adormece) e usufruindo desse turbilhão de sensações. A vida dos pais é quase como uma esquizofrenia: sensações intensas e trabalho real (escravo?) 24h dia, 7 dias na semana.

Pintei um quadro com cores fortes, exageradas, mas, verdadeiro, para a maioria dos pais. Nesse cenário, a noção de desgraça pode se instalar, com facilidade. Tudo passa a ser um problema, uma dificuldade, um obstáculo quase intransponível. Prova disso é uma pergunta, com suas variações, que os pais se fazem, fazem aos seus pais e aos pediatras: quando que isto vai melhorar?

Pois bem, é nesse momento que o humor pode entrar em cena e minimizar o peso e o cansaço dessa maratona que parece não ter fim (como toda boa maratona!). A capacidade que temos de rirmos de nós mesmos e do outro, nos conecta com as emoções envolvidas no cuidar dos filhos. Nos tira, um pouco, do mundo lógico onde tudo precisa ter uma explicação, uma razão e, consequentemente, a possibilidade de ser compreendido e controlado. Essa visão de mundo, serve para uma vida cotidiana rotineira, certamente para a vida corporativa ou profissional, mas, não serve para os momentos das nossas vidas, regidos pelas emoções, como o nascimento de um filho. Para estes momentos, é preciso que aprendamos a funcionar em outra dimensão e o humor é a ponte que nos leva até ela. Para quem gosta de física, mal comparando é como a física Newtoniana e a física Quântica. A primeira é lógica, organizada, nos permite medir e prever fenômenos com alguma precisão, nos dando conforto com a previsibilidade e segurança com a sensação de controle. A física Quântica, igualmente científica, nos revela um mundo de incertezas (não se pode conhecer, ao mesmo tempo, a posição e a velocidade de uma partícula) e de ambiguidades que soam como totalmente ilógicas ( a luz tanto pode ser uma onda, quanto uma partícula, depende do observador!). A física Quântica subverte a Newtoniana, sendo que as duas convivem. Assim é o nascimento de um filho, uma subversão de tudo que fomos ensinados a acreditar como sendo a única lógica possível (a da racionalidade) e a entrada em cena de um tsunami de emoções.

Proponho,  que o humor é o melhor veículo para nos levar a uma viagem por esse mundo de emoções de forma menos ameaçadora do que a de passarmos por ele, a bordo de uma “Ferrari da lógica” ou “Mercedes da racionalidade”. Nos momentos onde o desespero deseja se instalar, onde a sensação de impotência e incompetência se manifestem, desliguemos, por alguns instantes, o racional e usemos o humor. Conversemos com o bebê de forma franca. Tão franca que um estranho vendo essa conversa tenha a certeza que devamos ser internados em instituição psiquiátrica. Façamos perguntas impublicáveis aos nossos filhos: por que você está fazendo isto comigo? o que foi que eu te fiz? você acha que vai me levar à loucura? já levou, pode parar! Enfim, essas perguntas podem ser feitas para si próprios ou para as companheiras/companheiros. A ideia é que o riso instalado, reconecte as emoções, produzindo um pouco de paz. Onde há riso, há leveza e flexibilidade. Ao contrário, onde há somente racionalidade e lógica, se instala o rigor que significa dureza, firmeza. Todos nós sabemos que coisas duras, rígidas, quebram com mais facilidade do que as flexíveis. O humor nos protege da quebra e nos permite uma aproximação maior com nossas emoções, consequentemente com nosso bebê.

Passados quase dois anos do nascimento do Max, Claudia e Allan lançam um livro onde colocam em tirinhas uma parte do humor com que enfrentaram esses duros dias inaugurais. As duas capas do livro ilustram o post de hoje e recomendo a todos os pais que o leiam. Não com o intuito de descobrirem novas regras que os ajudem a entender e controlar as situações, mas, que possam ser tocados pela coragem dessa família que optou por viver com humor (emoção) esses momentos. Essa coragem é uma que todos temos. Basta retirarmos uma capa racional ilusoriamente eficiente que nos cobre,  para que esse humor se revele. Basta termos a coragem de rir, eventualmente chorar (literalmente) de rir, para que a vida com um bebê pequeno fique com mais graça. O trabalho, será o mesmo. A sensação, radicalmente diferente. O humor é uma aula do inesperado. Filhos, também!

Meus agradecimentos à Claudia, Allan e Max por terem me autorizado a utilizar a sua história para contar esta para vocês.

DOUTOR GOOGLE, CHARLATÃO.

Vamos começar o post usando uma das definições do Dicionário Houaiss para a palavra charlatão: “aquele que, por seus conhecimentos empíricos, sedr. google faz passar por médico”. Claro que o Google, essa excelente ferramenta de busca não se faz passar por nada ou ninguém. Comecei com um título provocador, para chamar a atenção para o fato de que nós, usuários do Google, podemos incorrer no erro de atribuir a um conjuntos de dados e informações, a mesma qualidade ou importância de uma consulta médica.

Já escrevi sobre o Google em outro post e recomendo que seja lido em conjunto com este. Naquele, comentei sobre fontes de informações. Neste, vou falar um pouco mais sobre a consulta médica, em si.

Voltando à brincadeira do título, Dr. Google é um charlatão por uma razão muito simples: não é médico! Como é muito erudito e responde a qualquer pergunta com um volume enorme de informações, podemos pensar que possui as respostas para o problema  que eu estou pesquisando. Como tentei demonstrar no post já publicado, muitas respostas que aparecem no Google não possuem o menor valor. São opiniões pessoais, sem nenhuma fundamentação científica, muitas vezes obscurantistas, preconceituosas ou carregadas de crenças e mitos. A publicação na internet é livre e qualquer pessoa pode escrever o que quiser, sem que precise comprovar ou, ao menos, assumir alguma responsabilidade sobre o que escreveu. Por esse motivo, é fundamental se desenvolver uma capacidade de filtrar o que é informação de qualidade das que não possuem nenhum valor e só contribuem para confundir e gerar insegurança nas pessoas.

Mas, mesmo considerando as informações de sites confiáveis, que só publicam conteúdo cientificamente comprovado, o Dr. Google não é um bom médico! A medicina é uma prática dirigida ao indivíduo (um dia eu escrevo sobre saúde pública, importantíssima, mas, para o post de hoje, vamos ficar na relação de um médico com um paciente). O indivíduo, por definição é único. Mais do que único, é um único que varia no tempo, de uma forma única. Ficou confuso? Tento explicar, por partes. Que somos únicos, me parece a parte fácil. Temos uma identidade física e emocional que é só nossa. Não existem dois iguais, nem gêmeos. Agora vamos para a parte de que variamos no tempo. A variabilidade é a característica dos seres vivos. Só não variam os objetos inanimados, sem vida. Nossa trajetória, da fecundação à morte, é de variações permanentes. Por isso, o modelo do corpo como uma máquina é falso. Não somos máquinas porque estas, apresentam pouca ou nenhuma variação. Nada em nós é constante ou se repete, apesar de, como humanos, buscarmos padrões e conseguirmos até identificarmos alguns. Mas, se fossemos espetar uns eletrodos no nosso corpo, viríamos que a temperatura,  frequência cardíca, pressão arterial, respiração, consumo calórico, atividade cerebral,  variam durante o dia. Isso, sem falar no humor, oscilante, imprevisível. E, o que dizer do processo de envelhecimento que é uma outra forma de variação que os seres vivos apresentam? Envelhecer é mudar!  Me alonguei um pouco nesse aspecto da variabilidade para poder chegar onde eu queria- nenhum ser humano é uma média ou um parâmetro “normal”. Ainda que o médico precise conhecer médias e parâmetros normais, estes precisam ser “personalizados” para aquela pessoa ou aquele contexto. Assim, a medicina não é uma ciência precisa. Se fosse, o Doutor Google poderia ser um bom médico. Bastaria eu lhe contar algumas coisas e ele procuraria em centenas de bancos de dados e acabaria me dando uma resposta. Isso seria o que chamamos de um excelente algoritmo. Se isso, então aquilo. Se aquilo, então aquilo outro, até que finalmente chegasse a um diagnóstico e tratamento. Mas, o ser humano varia! Por isso  a medicina não é uma ciência exata. Na melhor das hipóteses, é uma prática que se baseia em conhecimentos científicos, mas que tem um aspecto de artesanato ou arte, na medida em que exige do médico sensibilidade, criatividade, capacidade de relativizar. Por esse motivo a consulta médica é um ato, até o presente momento, insubstituível. Por melhor que seja a internet, um site, um blog, nada substitui a consulta médica porque esta se baseia em algo que não é possível no mundo virtual: a relação entre duas pessoas, ao vivo, presencial. Desta relação nascem percepções, confiança, empatia, fundamentais para o diagnóstico e encaminhamento de um tratamento. Esse é o lado da arte na medicina. A medicina é ciência com arte. O Doutor Google, na melhor das hipóteses, utilizando os melhores filtros do mundo, poderá, no máximo, nos dar notícias do que a ciência está falando a respeito de um determinado assunto, naquele momento. Jamais será capaz de nos dizer como aquele assunto se relaciona comigo, indivíduo.

Um outro aspecto,  pelo qual o Doutor Google é um charlatão é a convicção que tenho de que a lógica da saúde é diferente da lógica da doença. O médico, durante toda sua formação e vida profissional, foi treinado a estudar e desenvolver suas aptidões, voltado para o diagnóstico, prevenção e tratamento de doenças. Quando o assunto é saúde, a lógica não é a mesma. Para a doença, é fundamental que o conhecimento seja científico. Mas, o conhecimento científico é um pedacinho do conhecimento existente. Para a saúde, esse enorme conhecimento existente, não necessariamente científico, pode ser muito útil e o médico não tem muito conforto com isso. Nós médicos, tendemos querer tornar todo conhecimento em científico. Ao fazermos isso, ficamos sendo os detentores desse saber e podemos criar normas ou regras do que é bom e do que é ruim, para a saúde das pessoas. Ora, há mais de 180 mil anos que o homo sapiens está na terra. Pode ser que não soubéssemos nada a respeito das doenças, atribuindo aos deuses ou humores, suas causas, criando curas que hoje soam como maluquice. Mas,  com relação à saúde, certamente fomos acumulando um conhecimento (não científico ) que nos trouxe até nossos dias. Portanto, meu ponto é que saúde não é uma área exclusiva do médico. Pelo contrário, medicalizar a saúde é um perigo porque, como eu disse, não entendemos desse assunto e vamos criar regras. Ao fazermos isso, retiramos das pessoas a segurança que deveriam sentir para cuidar da sua saúde, sem que o médico tenha que opinar sobre tudo, a todo momento. Pode isso, não pode aquilo. Ora, as pessoas sabem o que pode e o que não pode, não precisando de um médico para lhes ensinar nada. Claro que estou exagerando, apenas para provocar vocês que estão lendo este blog a pensarem o quanto nós médicos nos metemos onde não deveríamos: na saúde das pessoas!

Quando uma mãe pergunta ao pediatra se ele acha que ventilador é melhor ou pior do que ar condicionado e o pediatra responde, parece que é uma resposta científica. Não é! Desafio qualquer pediatra do mundo a provar que tenha tido uma única aula sobre ventilador versus ar condicionado! Quando uma mãe pergunta se agora o seu bebê de 7 meses já pode comer brócolis e o pediatra responde que é melhor esperar até os 8 meses, parece que existe uma ciência da nutrição para justificar essa espera até os 8 meses. Não existe! Desafio qualquer pediatra do mundo que tenha tido uma única aula sobre com quantos meses uma criança pode comer brócolis. Acho uma delícia quando pais de bebês com um mês de idade, sentados no consultório, me perguntam: com quantos meses podemos sair de casa com nosso filho? Em geral, fico quieto por uns segundos, na expectativa de que percebam que já estão fora de casa! E aí pegunto se existe uma blindagem invisível entre a casa deles e o consultório! Claro que um bebê não tem necessidades específicas de sair de casa, mas as “regras” que nós médicos impomos, como se fossem ciência, também não fazem o menor sentido. Se fosse assim, as migrações nômades, nunca teriam ocorrido. Imaginem se a cada bebê nascido, as tribos nômades tivessem que parar e esperar 6 meses para voltar a andar!

Portanto, para as questões de doença, Doutor Google não é um bom médico, poque não é médico, não é gente, não consegue  acrescentar arte à ciência, para dar conta do indivíduo. Nas questões de saúde, Doutor Google não é um bom médico porque médicos não entendem tanto de saúde quanto as pessoas. Saúde é um conhecimento amplo, vasto, baseado na tradição, valores e algum conhecimento, hoje muito difundido. Nomear o médico o detentor desse saber é “terceirizar” algo que é essencial, aumentando a insegurança das pessoas quando o que precisamos é de um pouco de ousadia e criatividade, principalmente com as crianças.

Vamos usar o Google, sites, blogs (inclusive este), grupos, fóruns,  para saber um pouco mais, obter informações, ouvir opiniões. Nunca como um substituto da consulta médica. Vamos à consulta médica, valorizando a relação que se estabelece para questões de doença e conversar sobre prevenção. Mas, no campo da saúde, vamos usar o conhecimento acumulado, nossa sensibilidade e bom senso, tentativa e erro, fugindo de regras e normas, ditadas por profissionais da saúde, cujo objetivo final é o de nos tornarmos donos de um saber (que não nos pertence), medicalizando a vida. Vida é algo muito maior do que uma prescrição médica! A receita está em cada um de nós e não no Doutor Google!

RECEITA DE MÃE

cooking love3Tudo começa com uma mulher. Uma primeira que, antes de ser mãe, é mulher. Para a receita da mãe, falta algo. Os homens que porventura estiverem lendo o blog, já se animaram. Lá vamos nós entrar em cena, pensarão. Tenho uma má notícia para meus companheiros de gênero. Uma mulher não precisa de um homem, para ser mãe. Basta um espermatozoide! E, convenhamos, nós homens somos um pouco mais do que isso! Curiosamente, nós, para sermos pais, precisamos de uma mulher! Nosso narcisismo masculino se vê obrigado a se curvar diante dessa simples evidência biológica da potência que é ser mulher. Da mulher nasce um filho. Do homem, a contribuição de uma semente. Temos então os ingredientes para a receita de mãe. Uma mulher e uma semente!

Essa é a base da receita. Faltam, ainda, alguns ingredientes fundamentais. Vamos começar acrescentando uma enorme dose de paciência e resistência física. Ambas fundamentais para a gravidez e, depois, os cuidados com o bebê pequeno. Desafio um homem a ir amarrando um peso na sua cintura, aumentando progressivamente, semana a semana, e carregar esse peso (e volume), por nove meses. No final desse período estará carregando algo como 13kg a mais, e uma circunferência abdominal muito aumentada. Acrescente um período de enjoo, na fase inicial e muitas dúvidas relacionadas ao momento do parto, saúde do bebê e com o próprio corpo (vai voltar ao que era?). Para completar a cena, sinta seus peitos inchados e doloridos. Agora, levante-se todo dia e sorria, como se fosse um anúncio de margarina. Alguma dúvida sobre a paciência e resistência da mulher-mãe?

Já temos uma mulher, a semente, paciência e resistência. Mas, a receita não está pronta. Faltam alguns temperos. Um deles é a sensibilidade. Outro componente que nos falta, a nós homens. Não falo da sensibilidade boboca de chorar em sessão da tarde. Falo da capacidade de processar o que se passa ao seu redor, sem utilizar, exclusivamente a lógica. Uma percepção sem explicação. Nesse tempero, não há nada de místico ou esotérico. Mulheres-mães são assim e ponto final. Olham para seus filhos e dizem: algo não vai bem. Não sabem o que é, mas, o alarme soa. O nosso, masculino, tende a negar: exagero seu, essa criança está ótima!

Temos a mulher, semente, paciência, resistência e sensibilidade. Essa receita está ficando cada vez melhor. Mas, ainda faltam ingredientes. Agora, vamos acrescentar doçura. Não falo daquela coisa xaroposa, melosa. Me refiro a uma forma de olhar o mundo e as pessoas por um viés mais leve, ameno, alegre. A isso estou chamando de doçura. Quantas guerras foram iniciadas por mulheres? Quantos homens são voluntários em asilos e orfanatos? Diremos que não temos tempo (e os finais de semana?). O fato é, que as coisas doces da vida, são feitas por mulheres.

A receita está melhorando. Vamos acrescentar um tempero mediterrâneo: a estética. Este tempero, importado da Grécia não se limita a saber nomes de cores que nós homens nunca conseguimos identificar. A estética, ou a capacidade de perceber o belo, nos dá, por um caminho, as noções e valores morais e, por outro, a capacidade criativa, artística.

Se falamos em criatividade e arte, temos que aceitar que um dos temperos que faltavam na receita é a emoção. Envolvendo os demais ingredientes, a mulher-mãe não tem o pudor da emoção. Emoção que contempla, admira, mas, também, defende e protege. Emoção que transmite, para os filhos, a essência da vida, a capacidade de se relacionar e afetar com os demais seres humanos.

Pronto! Está aí a minha receita de Mãe, para celebrar o dia delas, que é nosso também. Mas, um minuto por favor. Não falta nada nessa receita? Ouço alguém dizendo:  como falou de mães e não citou a palavra amor, nem uma vez? Respondo brincando que deixo essa palavra para ser citada nos anúncios que vão homenagear as mães. E, respondo sério, o amor, não é um ingrediente da receita, é o resultado da receita pronta. Tudo isso que citei, nos é servido, como amor.

A todas as mães, meu abraço carinhoso. Sou testemunha do que vocês fazem, silenciosamente, todos os dias, para que possamos ter um mundo melhor.

ERA UMA VEZ UM NARIZ…

common-cold-childEra uma vez um nariz que vivia feliz. Ele e seu dono (cada um é dono do seu nariz!), andavam para lá e para cá. O nariz avisava a seu dono dos cheiros que iam passando. Cheiros gostosos de flores, de chuva, de mamãe e papai, de comidas. Também avisava quando o cheiro não era tão bom, como cheiro de pum, de fumaça ou de coisas estragadas. Claro que, de vez em quando, o nariz aparecia com uma melequinha que o dedo do dono rapidamente se encarregava de futucar e catar. Outros dias, dava um sinal sonoro de vida, espirrando. E assim a vida corria tranquila.

Até que um dia, um belo dia, um vírus, entrou no nariz. Para quem não sabe, o vírus não é um ser vivo, como outro personagem do bando dos agentes infecciosos, as bactérias. Mas, outro dia eu conto a história das bactérias. Os vírus são pedacinhos de material genético (DNA ou RNA), guardados dentro de uma camada de proteína e com um envelope de gordura. O que o vírus mais gosta de fazer é entrar dentro de uma célula, qualquer célula e bagunçar a vida dela, misturando o seu material genético com o da célula. Por isso que o corpo se defende quando percebe que um vírus chegou.

Pois bem, na nossa história  o tal vírus, do bando dos agentes infecciosos, se instalou no nariz (e seu dono). Muita gente acha que o vírus gosta de viajar de avião, pelo ar, sentado na primeira classe das minúsculas partículas que saem das nossas bocas quando falamos ou dos nossos narizes quando espirramos. Vírus até viaja de avião, mas, vou contar um segredo para vocês- eles têm medo de avião! Preferem viajar nas mãos das pessoas, onde se sentem muito mais seguros. Uma mão com vírus, diz bom dia para outra e o vírus pula para esta. A pessoa então coça o nariz e ….. olha o vírus entrando. Foi o que aconteceu com nosso nariz. Por isso que uma das maneiras de se prevenir que os vírus circulem é lavando as mãos.

Quando o vírus entrou no nariz da nossa história, o seu dono nem percebeu. Mas, seu corpo, esperto, rapidamente começou a se organizar para evitar que o vírus fizesse a bagunça que gosta de fazer. O nome dessa organização que o corpo faz, para se defender desses invasores é reação inflamatória. Vamos ver o que aconteceu então com o nariz (e seu dono).

Assim que as células perceberam a chegada e tentativa de entrada do vírus, dispararam o alarme, liberando substâncias químicas como as citocinas. Citocinas são histéricas! Sei que eu não deveria falar assim delas, afinal de contas, tão importantes. Mas, o fato é que saem correndo, gritando, avisando, cutucando as células que são as responsáveis pelas defesa contra a invasão do inimigo. Abaixo da primeira camada de células do nariz, ficam os Mastócitos. Estão ali, meio que de bobeira, só dando uma olhada no ambiente. Quando soa o alarme que um inimigo está invadindo, o Mastócito solta uma substância chamada Histamina. Talvez, alguns leitores deste conto do resfriado comum, já tenham ouvido falar em um tipo de remédio chamado de anti-histamínico ( que tenta neutralizar a Histamina). Pois bem, a Histamina, o que faz? Ela corre para os pequenos vasos (por onde passa o sangue) e faz com que aumentem de tamanho. Isso, os médicos e cientistas, que adoram nomes complicados, chamam de vasodilatação. E, talvez, alguns já tenham ouvido falar em outro tipo de remédio, os vasoconstritores, cuja função seria devolver os vasos sanguíneos para seu tamanho normal. A vasodilatação faz com que algum líquido e células, que estavam dentro do vaso sanguíneo, extravasem, transbordem, produzindo edema (inchaço). Isso tudo está acontecendo no mundo microscópico das células do nariz da nossa história.

E o que sente o dono do nariz?  Como houve vasodilatação e edema, sente seu nariz entupido. A seguir, o seu corpo vai produzir secreção, para tentar eliminar o vírus. Essa secreção pode ser clarinha e escorrer pelo nariz, quando ganha o nome de coriza, ou pode ficar mais espessa e ser produzida em todo o aparelho respiratório, já merecendo ser chamada de catarro.

Tudo isso que está acontecendo com o nariz da nossa história e seu dono, é a tal reação inflamatória, cujo objetivo é organizar o “campo de batalha” para oferecer as melhores condições de vitória para o corpo do nariz e seu dono. Como o vírus da nossa história era bem mau, ele não deu muita bola para essas primeiras reações. Aí o corpo resolveu pegar mais pesado. Decidiu esquentar a briga e…. produziu a febre. A febre, animou os soldados de defesa (as células envolvidas como linfócitos, monócitos, neutrófilos, eosinófilos, basófilos etc.) e derrubou o dono do nariz. Era importante, nesta hora, que o corpo pudesse se dedicar a organizar a defesa ao invés de ficar correndo, brincando ou indo para a escola. Como o vírus, esse bandido resistente, ainda não tivesse sido vencido pelo exército (sistema imunológico), o corpo já estava produzindo catarro, para dificultar a vida do nosso inimigo. Mas, como tirar o catarro do corpo? Tossindo e espirrando!

Vejam a confusão em que o nariz e seu dono se meteram, só por causa de um vírus que veio, muito provavelmente, trazido pela mão do próprio dono do nariz! O nariz está entupido, sem sentir cheiro de nada. Gosto então, nem pensar. Comer não é algo que esse corpo deseje. No máximo, beber uma água ou um suco. Além de entupido, escorre e espirra. O dono, com febre, só quer ficar deitado. Mas, quando deita, tosse! E aí, dói a cabeça. E, não raro, o nariz e seu dono, têm mãe e pai para ajudar a cuidar. Na nossa história, que é uma fábula, portanto, em nada se parece com a realidade, a mãe do dono era uma mãe amorosa e cuidadosa. A cada cinco minutos ou verificava a temperatura, ou oferecia algo para beber ou perguntava se não queria comer nada. Não satisfeita, se aproximava do nariz, para desespero do dono, com uma coisa que ela dizia- é para o seu bem – metia um jato de uma água salgada pelo nariz adentro. O dono, ficava cada vez mais irritado e, quanto mais se irritava, mais a mãe se preocupava e imaginava novos e criativos meios de cuidar do nariz e do seu dono.

Tudo que o nariz e seu dono precisavam era de uma mãe amorosa e cuidadosa que estivesse sempre por perto, mas, não por cima, pelo lado, embaixo, por toda parte, o tempo todo. O nariz e seu dono precisavam dar um tempo para que o exército do sistema imunológico, travando a batalha da inflamação, vencesse o vírus inimigo. Essas batalhas, duram, em geral, uma semana. Algumas um pouco mais, outras um pouco menos. E assim foi com o nariz da nossa história e seu dono. Uma semana depois de tudo começar, já estavam correndo e brincando juntos e, felizes. Voltaram para a creche, quando… (ao fundo o suspiro de uma mãe desesperada, dizendo- resfriado, de novo? Não!).

Moral da história: os sintomas que nosso filhos (e nós) apresentamos quando ficamos resfriados, fazem parte dos mecanismos de defesa do nosso corpo. Visam a vencer a infecção. O problema é que a resposta inflamatória é quase perfeita. Só esqueceu de fazer isso tudo, sem nos incomodar. O mal estar, mau humor, irritação que a, tosse, nariz entupido, dor de cabeça e às vezes no corpo produzem, são muito desagradáveis. Por esse motivo, não digo que devemos deixar nossos filhos passarem por esses momentos sem nenhuma medicação, cuja finalidade é dar algum conforto (porque não existe remédio específico para os vírus). Mas, não adianta exagerarmos, dando remédios demais, a grande maioria deles ineficazes e com efeitos colaterais, para um resfriado comum que passará em uma semana. Mais importante é lembrar que ficar em cima dos nossos filhos, a cada cinco minutos tomando uma iniciativa, também pode irritá-los. Imagine-se  na cama, resfriado e com febre e uma pessoa muito querida lhe pergunta, a cada cinco minutos: quer comer? quer algo da rua? quer uma revista? quer que prepare um suco? você precisa beber água! vamos medir essa temperatura? já tomou o remédio? não é melhor ligar para o médico?  Tudo que queremos, quando estamos nesta situação é paz, sossego, um copo de água do nosso lado e uma pessoa querida e carinhosa, bem perto, mas, esperando que a chamemos. Lembremos disso ao cuidarmos de nossos filhos. Claro que crianças são diferentes e os menores não expressam com clareza seus desejos, exigindo uma atenção mais ativa e atuante. Mas, não é common-cold-girlnecessário uma vigilância que gere irritação.

Finalmente, um aviso. Até hoje, não existem remédios para se tratar de resfriados comuns. Um resfriado comum leva sete dias para ficar bom sem remédios e  uma semana, com remédios!

UMA CARONA NO  ERA UMA VEZ UM NARIZ- VACINA CONTRA A GRIPE:

Aproveito o post para lembrar que estamos na época de vacinação contra a gripe. A vacina contra a gripe protege contra as infecções causadas pelo virus influenza que não é o vírus que produz o resfriado comum, vilão da historinha que acabei de contar. O resfriado comum pode ser produzido por mais de duzentos rinovírus e alguns outros tipos de vírus. A vacina contra a gripe não protege contra o resfriado comum. Muitas pessoas alegam que não tomarão a vacina contra a gripe ou a darão para seus filhos porque no ano passado o fizeram e “não adiantou nada”, tendo tido resfriados, como sempre. A vacina contra a gripe protege contra uma doença mais grave que pode causar internação e até a morte.Não protege contra o resfriado comum que, no Brasil, também é chamado de gripe (só para confundir).

O Ministério da Saúde oferece, na rede pública, vacinas para crianças menores de cinco anos, gestantes, idosos, índios e profissionais de saúde, porque são os grupos de maior risco. Mas, todos que puderem, deveriam ser vacinados contra a gripe.