Arquivo | janeiro 2015

PAIS OU AMIGOS?

parents as friendaPais não são amigos dos filhos. Começo o post com uma afirmação categorica para deixar bem clara a minha posição neste tema e produzir reflexão ou até contestação.

Amigos ocupam um espaço nas nossas vidas (e dos nossos filhos), muito bem definido. São pessoas com quem temos alguma identificação, afeto e, principalmente, confiança. Ora, quem mais do que os pais não teriam esses atributos? Concordo. Mas, os pais, além desses atributos fundamentais, têm uma função que amigos não exercem. Pais são os responsáveis pelo  estabelecimento de limites para seus filhos. Cabe aos pais manifestar seu desagrado com certos comportamentos ou atitudes que não consideram adequados. Esse juízo feito pelos pais se baseia nos seus valores e crenças e os filhos devem aprender a conviver com estes, ainda que não concordem plenamente e, na vida adulta, incorporem novos ou outros.

Alguns poderão contestar dizendo que amigos também colocam limites, dão “toques”, advertem e aconselham. É verdade, mas, com toda franqueza, essa atitude, importante e carinhosa dos amigos, tem o mesmo peso que a dos pais? Acredito que não. Além disso, esse papel de amigo que adverte e avisa quando percebe que o outro pode estar se colocando em situação de vulnerabilidade (de qualquer natureza), só acontece, na melhor das hipóteses, em plena adolescência ou, mais provavelmente, só na vida adulta.

Amizade é uma relação bi-lateral, que flui, de forma simétrica, para ambos os lados. Entre amigos, não há hierarquia. Pode haver respeito e admiração por algum atributo ou capacidade que o amigo tenha, mas, ambos são e se sentem iguais na relação. Tanto que é uma relação onde não há assunto para um só abordar e o outro ouvir e aconselhar. Amigos se alternam no papel de ouvintes, sem uma regra pré-definida, de acordo com a necessidade de cada um. Pais, por outro lado, não possuem essa simetria com seus filhos. Há um hierarquia e é importante que esta exista. Abrir mão dessa posição é, potencialmente, não dar aos filhos os limites necessários para seu bom desenvolvimento.

Pais que seduzem seus filhos com o argumento da amizade, buscando acessar a privacidade dos filhos, cometem um grave engano e podem se ver em uma situação hipotética constrangedora. Imagine um filho ou filha que, aceitando o argumento da amizade, se vira para o pai ou mãe e diga: “agora me conta você o que te angustia”? Ou, qualquer outra pergunta perfeitamente normal, entre amigos, mas que pais jamais responderiam, se perguntados pelos filhos! Talvez a resposta seria: “o que é isso? isso é lá pergunta que se faça a seus pais? ” Resposta perfeita que demonstra que pais não são amigos dos seus filhos.

Pais podem e devem estimular a confiança dos filhos neles, para que se sintam confortáveis de procurá-los diante de qualquer dificuldade, seja da natureza que for. Isso não é ser amigo. É ser pai ou mãe. É uma postura de respeito à privacidade e, ao mesmo tempo, de abertura e acolhimento para o que for que os filhos precisem. Do mesmo modo, pais podem e devem ser companheiros dos filhos. Estar juntos, em ambiente de camaradagem, é perfeitamente compatível com o papel bem definido dos pais e não é uma exclusividade da amizade. Brincar, se divertir, é algo que pais devem fazer, sempre. Isso não os transforma em amigos, mas, em pais carinhosos.

Mas, afinal, qual o problema dos pais serem amigos dos filhos? De um modo superficial, nenhum. Mas, como amigos não têm a função de colocar limites, exercer a autoridade sobre o outro, ao se colocarem nesta posição os pais podem abrir mão destas funções fundamentais na formação de uma adulto seguro,  com capacidade de, mantendo sua autonomia, ser socialmente integrado. Confundir autoridade com autoritarismo, amor com ausência de limites, pode ser um equívoco que cobre um preço caro ao bem estar de nossos filhos, na vida adulta.  O fato da vida obrigar os pais a longos períodos longe de seus filhos, por conta do trabalho, não deveria ser motivo para que estes “compensassem” essa distância ou ausência com uma postura mais “boazinha”, de amigo.

Sejamos amorosos, carinhosos, afetivos, companheiros, camaradas de nossos filhos. Deixemos as portas sempre abertas para tratar de qualquer assunto que queiram, fazendo com que sintam segurança de nos procurarem. Mas, que fique bem claro, primeiro para nós e, depois, para nossos filhos que pais não são amigos. Nossa relação não é pior nem melhor do que uma de amizade. Ela é diferente e exclusiva. Somente nós podemos oferecer essa relação aos nossos filhos. Não vamos abrir mão desse lugar privilegiado  de pais, que permitirá o pleno desenvolvimento dos nossos filhos. E que tenham muitos amigos!

 

MANUAL DE INSTRUÇÕES PARA CUIDAR DOS NOSSOS FILHOS.

Puzzle-question-markVivemos em um mundo onde a informação (e desinformação) circulam na velocidade da internet. À menor dúvida, consultamos o oráculo contemporâneo, a esfinge do Google! Nada ficará sem resposta, ainda que a qualidade das mesmas possa ser duvidosa ou até enganosa.

Sejamos honestos. Esta busca por certezas não é algo novo, não surgiu com a internet e a Wikipedia. O ser humano, desde seus primórdios, faz perguntas e cria respostas. Precisamos das respostas para aplacar a insegurança que a incerteza e dúvida gera em todos nós. Não somos como computadores onde, ao digitarmos algo em um banco de dados, é possível surgir uma mensagem que diz: não há registro para o que você pesquisou. Nós, quando não sabemos, criamos uma explicação. Criamos a melhor explicação possível, mas, não deixa de ser uma criação. Graças a estas fabulações o homem progrediu. De pergunta em pergunta, foi aprimorando o método de respondê-las. Hoje, somos capazes de rir de muitas explicações que nossos antepassados davam para os fenômenos e acontecimentos. Do que rirão de nós, os que virão no futuro?

Desde que voltei a escrever no blog, começo  meus posts de uma forma que não parece ter nenhuma relação com o título!  Vamos lá, tentar juntar o título com essa introdução.

Nasce um bebê. Novidade total, sem metáforas. Uma tempestade emocional nunca vivida antes e o compromisso biológico, social e afetivo de cuidar desse novo ser. Mas, se tudo é novidade, como cuidar do bebê? Em um mundo cheio de informações, basta digitar no google ” cuidados com o bebê” e surgem 830.000 referências (acabei de digitar e esse foi o número para esta pesquisa). Portanto, não será por falta de informação que os pais não saberão como cuidar do seu filho. Será mesmo?

Não vivemos  em um mundo onde apenas circula informação. Vivemos em um mundo onde existe, sempre, mais de um expert, entendido, professor, guru, no assunto para o qual temos dúvidas. Como cuidar dos filhos é um destes assuntos onde centenas de grandes entendidos proliferam. São livros,  grupos de discussão, cursos, enfermeiras de recém-nascidos, gurus alternativos, vizinhos, amigos, avós e pediatras,  com opiniões categóricas sobre como cuidar de uma criança, da forma correta. Uma coleção de regras a serem obedecidas para garantir que nossos filhos se desenvolvam de forma saudável.

Na prática, este universo de normas produz dois efeitos. O primeiro é que confirma que nada sabemos, aumentando a insegurança normal, humana, diante do novo, inusitado. Segundo, se eu realmente nada sei, preciso muito de alguém que me diga o que devo fazer. Se alguém diz o que eu, inseguro, devo fazer, me sinto mais confortável e , se por acaso, as coisas não saírem tão bem quanto esperado, pelo menos não tenho culpa alguma. Segui o que me disseram para fazer.

Não é por outro motivo que o pediatra passou a desempenhar esse papel de detentor de um saber a respeito de tudo que diz respeito à criança. Mas, posso lhe assegurar, que não há curso de medicina que fale sobre com que idade uma criança pode ir à piscina ou como escolher entre ar condicionado e ventilador. A faculdade de medicina nos ensinou muito sobre doenças e pouco ou nada sobre saúde. Portanto, aquele conhecimento todo que achamos que o pediatra tem, não vem da sua formação médica. Em geral, respondemos de acordo com nossas crenças e valores, associado à experiência de termos visto muitas crianças. Mas, como cada uma é diferente, pertencendo a uma família diferente, tudo deve ser relativizado. Ao relativizar, a certeza desaparece e o seu efeito (falso) de tranquilidade também se vai.

Então, não tem jeito? Ser pai e mãe não tem um guia ou referencial por onde podemos nos orientar? Tem jeito e tem manual ou guia, sim! Só que este não está nos cursinhos para pais, livros, no pediatra ou na internet. Toda criança, ao nascer, traz junto o seu manual. Cabe aos pais encontrar o manual e consultá-lo. As crianças nos dão as pistas, cabe a nós segui-las. Para segui-las precisamos usar algo que todos temos (e tememos) que é a intuição, o instinto ou o bom senso. Durantes milhares de anos vivemos sem regras médicas, sem livros escritos, só com a tradição oral, passada de geração em geração. Sobrevivemos até os dias de hoje porque nossos antepassados ousaram e inovaram, seguindo seus sentimentos, experiência e inteligência, nessa ordem.

A questão é que o manual nem sempre está ali disponível. É preciso procurar. Procurar significa olhar, sentir, perceber o filho. Como não somos máquinas, o manual muda! O que valia hoje, não necessariamente vale amanhã. Para bebês pequenos, recém nascidos, isso é uma verdade absoluta. Cada dia, um manual diferente. Mas, sempre tem um manual ali, disponível para os pais. Basta olhar e confiar no que está vendo. Para crianças maiores o manual muda mais lentamente, mas, muda.

Não sigam regras. Não há regras prontas, quando o assunto é cuidar dos filhos. Criem suas próprias regras, respeitando o manual que vem com o filho e, gradativamente, apresentando-o ao que vocês pais acreditam.  Sejam mais ousados e criativos, se libertando das regras feitas pelos outros. Pode ser que se sintam, em alguns momentos, inseguros. Não se assustem com isso. É um sentimento humano e normal. O lado bom é que a criação do filhos será feito pelo único manual realmente verdadeiro, o deles.

Divirtam-se!

ps- só para confirmar que não precisam de um manual “externo”, o que me dizem destas duas “instruções?

Como amamentar                                                                                                                                                                                                  Como levantar o bebê

nursing

lifting baby

PRESCREVENDO O ÓCIO PARA CRIANÇAS !

Pensar em crianças (exceto os bebês muito pequenos e, muitas vezes, até estes) é pensar em atividade. Crianças brincam, se movimentam, correm, pulam, sobem onde devem e não devem. Crianças mexem em botões, tiram as coisas do lugar, perguntam sem parar. Crianças são energia pura. Alguns pais dizem que seus filhos parecem “ligados na tomada” e só param na hora de dormir. Não é sem motivo que todos os pais se sentem exaustos após um dia com seus filhos. child_relaxing-wide

Essa realidade nos faz pensar que crianças precisam de atividades. Quanto mais, melhor. Certos pais podem pensar que mais atividades seria melhor porque cansaria mais a criança e isso facilitaria o sono, permitindo que eles também pudessem descansar. Outros, podem supor que mais atividades representariam mais estímulos e isso aumentaria a capacidade da criança, seja física, seja intelectual.

Vamos dar uma pausa (sem trocadilho) e viajar pela história da língua ou etimologia. Os gregos, que muito antes do google, irritantemente escreveram e comentaram sobre quase tudo que é essencial para nós, deram o nome de scholé para o momento de lazer, ócio, onde as pessoas, incluindo as crianças, poderiam estar com a mente livre para aprenderem coisas novas. Já devem ter desconfiado que a scholé grega é a nossa palavra escola. Portanto, para se aprender algo, os gregos já sabiam que era preciso estar em um estado de “desocupação”, com a mente livre para o novo. O trabalho, a atividade, tinham outro nome- ascholé. O a, em grego, significa negação. Então, o nome que deram para o trabalho foi, traduzindo, “não escola”, signficando não lazer, não ócio. Se formos ver como os romanos resolveram isso, constatamos que “copiaram” os gregos. Eles usavam a palavra ócio, para esses momentos de devaneio, pensamentos soltos e negócio (neg + ócio = negação do ócio!) para o trabalho. Vejam que em ambas culturas deram mais valor ao tempo livre que tinha um nome só para si, enquanto o trabalho ganhou o nome de “não tempo livre”.

Voltemos ao presente e a essa altura já devem estar se perguntando onde eu quero chegar. Talvez muitos já tenham percebido que o caminho que escolhi foi uma brincadeira para pensarmos um pouco no uso do tempo de nossos filhos. Não há a menor dúvida quanto à necessidade e importância de atividades no dia a dia das crianças. Mas, em mundo onde a cultura dos negócios (olha a negação do ócio aparecendo), de certa forma, invadiu nossas vidas, pensamos sempre em performance, resultados, metas e objetivos. Nesse cenário, não fazer nada é perder tempo, desperdício.

Quero provocar meus leitores a pensar em não fazer nada como um investimento! No planejamento das atividades de nossos filhos, devemos considerar um tempo para não fazerem nada. Um tempo ocioso, onde, deixados livres, farão o que quiserem. Para fazer o que quiserem, terão que ousar e criar. Sem a nossa ajuda, determinando o que é para ser feito ou sugerindo brincadeiras, terão um tempo para a reflexão criativa.

O tempo sem fazer nada é onde tudo acontece!  É o tempo onde a noção de liberdade se expressa com intensidade e as descobertas de limites e responsabilidade também vão acontecer.  Que pais não desejam que seus filhos sejam adultos livres, independentes?  Não fazer nada,  é o tempo onde através da criatividade se constrói a auto estima, a noção de capacidade e competência, a segurança em si. Que pais não desejam isso para seus filhos?

Em um mundo onde fazer é fundamental, não sobra tempo para ser! Na agenda de seus filhos, deixem um tempo para que não façam nada e possam ser  pessoas felizes. Na agenda de vocês, deixem um tempo para contemplarem os filhos crescendo, sem, obrigatoriamente, ter que fazer algo, o tempo todo.

 

SOMOS TODOS CHARLIE.

rubenoppenheimerHá muito não alimento o meu blog. Peço desculpas aos meus ocasionais leitores. Pouco importam as razões (diversas) pelas quais deixei de escrever neste tempo. Mas, ontem, no meio da enorme tristeza que senti pela barbárie cometida contra os humoristas do Charlie Hebdo, senti vontade ou inspiração para retomar esse encontro com leitores que, na sua grande maioria, sequer conheço.

Qual a relação entre um blog escrito por um pediatra e um ataque feito por terroristas fanáticos?  Enquanto eu ainda estava chocado com o tamanho da violência, me ocorreu que estes homens foram, um dia, crianças. Daí me perguntei: o que faz com que uma criança se torne um adulto fanático? É pouco provável que seja uma predisposição genética. Se não é genético, deve ser algo transmitido pela educação, cultura e meio ambiente. Foi essa associação que me estimulou a escrever, manifestando toda minha tristeza e choque, com o pensamento voltado à prevenção da intolerância. Foi o modo que encontrei de, ao meu modo, homenagear os que tiveram a sua vida violentamente interrompida só porque pensavam de um modo diferente de outros homens. Portanto, meu post de hoje é sobre a prevenção da intolerância ou o respeito à individualidade, diferença e liberdade de expressão.

Uma criança não é intolerante. Ainda que possa morder um colega na creche, pegar o brinquedo de outro e puxar o cabelo da irmã, esses atos não são de intolerância. São a expressão de um sentimento de propriedade, territorialidade, ciúmes etc. A intolerância é ensinada, sutilmente pelos pais. Esse é o ponto que gostaria de chamar a atenção. A criança aprende a ser intolerante! Como? Ouvindo comentários preconceituosos ou assistindo a comportamentos desrespeitosos. Crianças percebem as sutilezas e captam, muito mais do que imaginamos, o que é dito e feito por nós, adultos. Mais, prestam uma atenção doida na conversa de adultos. Assim, comentários que depreciem gênero, orientação sexual, religião, cor, nível social, aparência etc. são absorvidos pelos nossos filhos como sendo “o certo”. Se temos atitudes prepotentes, arrogantes, desrespeitadoras, agressivas com subalternos, prestadores de serviço, esse é o modelo que a criança incorporará como sendo o normal, adequado. Essa construção não se dá com um episódio ou comentário isolado, mas, à medida que a repetição (repito- sutil) forma um padrão, é esse modo de pensar que a criança vai tomar para si. Aos poucos a criança vai moldando o mundo como sendo composto por pessoas legais, com hábitos e gostos parecidos com ela e as outras, esquisitas, diferentes, “erradas”. É o que basta para que essa criança se torne um adulto intolerante e preconceituoso com relação às diferenças. E, mesmo que utilizando sua capacidade racional perceba que não há fundamento real nos seus preconceitos, terá uma dificuldade enorme de se libertar deles. Isso porque a intolerância não é formada nem está localizada no pensamento racional, mas, mora nas emoções. E, até hoje, pensar, se esforçar muito, não é capaz de alterar emoções arraigadas. Tanto mais que as emoções não obedecem à lógica. Se comportam mais como um vazamento de água. A água percorre o caminho possível até surgir no teto ou na parede. Frequentemente, para se identificar a origem de um vazamento é preciso se quebrar muito mais longe do que o ponto visível. Assim são nossas emoções. O preconceito é o vazamento visível. A origem nem sempre é acessível a nós.

Mas, se é preciso educar uma criança para que seja intolerante, é razoável supor que o oposto também é possível. Podemos educar nossos filhos para que sejam tolerantes. Para que percebam e registrem as diferenças, respeitando-as. Não significa, obrigatoriamente, concordar com as diferenças percebidas. Mas, aceitar que uma outra pessoa possa ter ideias, crenças, valores, hábitos e aparência muito diferente da nossa, sem que isso a faça errada ou pior do que nós. Por maior que sejam as diferenças, continuamos todos a sermos seres humanos. Nisso, somos iguais, para sempre. Todos nós nascemos de uma mãe, aprendemos a andar e falar.  Todos precisamos respirar, comer, dormir, ir ao banheiro. Crescemos, alguns casam e têm filhos, talvez netos, mas, um dia, todos nós morreremos. Somos iguais ou não?

Como educar nossos filhos para que sejam tolerantes? O primeiro passo é olharmos para nós, com coragem. Que preconceitos trazemos da nossa educação, religião, cultura, meio social? Provavelmente não conseguiremos superá-los, mas, reconhecendo sua existência, podemos ficar atentos a não transmitir essa carga para nossos filhos. A gentileza com o outro, o cuidado no trato, a forma com que nos relacionamos e os comentários que fazemos, podem ser filtrados por esse nosso conhecimento dos pontos onde fomos inoculados com preconceitos. Desta forma, poderemos esperar que nossos filhos se tornem adultos tolerantes com as diferenças, defensores da liberdade para todos e, certamente mais leves e felizes porque o preconceito e a intolerância são um fardo desnecessário de se carregar.

Hoje, somos todos Charlie, símbolo da liberdade, criatividade e resistência a qualquer tipo de pensamento que fanatize o ser humano. Que mundo queremos para nossos filhos e o que estamos fazendo para que ele se realize?