Arquivo | março 2014

MENINGITE

meniges1A meningite é uma inflamação das membranas que recobrem o cérebro e a medula espinhal, chamadas meninges (ver figuras). Esta inflamação pode, em alguns casos, afetar o próprio cérebro (encefalite).  A simples menção da palavra gera apreensão em qualquer mãe ou pai. Isso porque existe um forma de meningite que pode ter uma evolução muito rápida e apresenta alta letalidade. Mas, felizmente, a grande maioria das meningites, quando diagnosticadas a tempo e tratadas adequadamente, podem ser curadas, sem complicações.

O que pode produzir essa inflamação das meninges (meningite)? Qualquer bacteria, virus ou fungo que chegue nas meninges pode produzir uma meningite. Com a alta cobertura vacinal obtida em nosso país, com as  vacinas contra o hemófilo, pneumococo e meningococo,reduziram o número de casos de meningites produzidas por bactérias, que são as mais graves. As meningites produzidas por vírus são mais brandas e as por fungos, muito raras.

As bactérias que podem provocar as meningites, se encontram na boca e garganta de adultos e crianças saudáveis. Estes, chamados de portadores sãos, não contrairão, obrigatoriamente a doença. Somente quando a bactéria que se encontra na garganta passa para a corrente sanguínea (sangue) e é levada para as meninges é que ocorre a meningite. Até hoje não sabemos ao certo porque algumas crianças desenvolvem a doença e outras não.

O diagnóstico da meningite, na sua fase inicial, nem sempre é fácil porque se confunde com qualquer resfriado ou gripe: febre, irritabilidade, perda de apetite. Alguns sinais, no entanto, podem chamar a atenção: vômitos, sonolência excessiva, prostração. Em crianças maiores de cinco anos, que já se expressam bem, a dor de cabeça costuma ser uma queixa frequente. Mas, um simples resfriado também pode produzir dor de cabeça. Caso o médico suspeite de meningite, deverá pedir um exame do líquor – líquido que circula entre as meninges. Este líquor é obtido através de um procedimento chamado punção lombar, onde o médico introduz uma agulha entre duas vértebras e colhe uma amostra do líquor. Este líquor é levado para o laboratório, onde é analisado e o resultado ajuda o médico a encaminhar o diagnóstico. Muito pais temem a punção lombar, mas, feito por profissionais experientes, Meningite2é seguro e fundamental para o diagnóstico de uma meningite.

O tratamento da meningite vai depender da sua causa. Se for uma meningite produzida por vírus, não há tratamento específico, apenas a observação em ambiente hospitalar e medicamentos para os sintomas (dor, vômito, febre etc.). Nos casos de meningites produzidas por bactérias, estão indicados os antibióticos.

O que fazer com as crianças que entraram em contato com um coleguinha que desenvolveu meningite? Nos casos das meningites virais e na maioria das bacterianas, apenas informar o médico e observar a criança será o suficiente. Nos casos de meningite meningocócica,  o médico, muito provavelmente, vai receitar um antibiótico para fazer a profilaxia. Isto é, tentar diminuir ou eliminar os eventuais meningococos que estejam “habitando” a garganta da criança. A profilaxia não é uma garantia de que a criança não terá a doença. É uma forma de, não só,  diminuir o risco, como também, reduzir a transmissão e interrompendo o contágio da doença.

É sempre importante lembrar que a meningite não está erradicada e um certo número de casos ocorrerá, sem que isso caracterize uma epidemia. Claro que, quando tomamos conhecimento de um ou dois casos, nos assustamos e já pensamos em epidemia. No entanto, o pânico e o boato são  geradores de mais insegurança e se propagam com uma velocidade muito maior do que qualquer bactéria! Em caso de dúvida sobre epidemia, converse com o seu médico. Ele estará informado e poderá lhe orientar.

Finalmente, gostaria de lembrar que algumas daquelas vacinas que damos nos nossos bebês, protegem contra meningites bacterianas. Por isso, é fundamental manter as vacinas em dia.  E, contra o medo , o pânico e a insegurança, a melhor vacina é a informação correta e confiável. Antes de tomar qualquer atitude, se informe com fontes confiáveis sobre o que está ocorrendo e quais medidas devem ser tomadas, se for o caso.

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

dia internacional da mulherO que um pediatra teria a falar sobre o Dia Internacional da Mulher? Em primeiro lugar, acredito que todos nós, independentemente de nossas escolhas profissionais, temos compromissos sociais. Isto é, vivemos em comunidade e o que fazemos (ou deixamos de fazer) influi, de alguma forma, em todos.  Desta forma, acredito que falar sobre o Dia  Internacional da Mulher é uma maneira que tenho para tentar contribuir por um mundo onde os seres humanos sejam igualmente respeitados, independentemente de seu gênero, cor, religião, opção sexual e nível sócio-econômico. Além desse aspecto mais amplo, como pediatra, lido com mães e, muitas vezes, percebo no seu dia a dia, o que significa ser mulher em um mundo onde a igualdade entre os gêneros ainda está  muito distante.

Portanto, não escrevo sobre o Dia Internacional da Mulher com o enfoque romântico de como as mulheres são importantes e como devemos admirá-las e amá-las. As mulheres de nossas vidas ( mães, filhas, avós, irmãs, namoradas, esposas, companheiras e amigas), merecem nosso carinho todos os dias. Carinho, com as pessoas que gostamos, não é algo que tem dia certo para ser feito.

O Dia Internacional da Mulher é um dia para nos lembrarmos do que acontece, hoje, com a mulher. Não falo da mulher distante, da que vive em uma cultura com valores diferentes dos nossos e é visivelmente segregada e oprimida. Falo da mulher que está do nosso lado, brasileira como nós. Falo da mulher que está nas nossas vidas, todos os dias. Este dia é para que não nos esqueçamos que essa mulher é, ainda hoje, aqui do nosso lado, discriminada pelo simples fato de ser mulher.

Mulheres brasileiras,  com a mesma formação e competência que homens, recebem salários menores do que estes. Isso é uma forma de discriminação.

Mulheres brasileiras sofrem violência doméstica, a maioria ainda calada, porque impor vergonha à vítima é uma forma de discriminação.

Mulheres brasileiras sofrem abusos sexuais  e, muitas, são julgadas culpadas ou parcialmente responsáveis pelo abuso porque “não estavam vestidas adequadamente” ou estavam no “lugar errado”. Isso é uma forma de discriminação.

Mulheres brasileiras, na sua maioria, fazem uma dupla jornanda de trabalho. Uma profissional e, outra, doméstica porque o trabalho de casa é “coisa de mulher”. Nesse aspecto vemos homens que são altos executivos nos seus trabalhos, tomando decisões complexas, todos os dias, muito bem formados e informados que, ao chegarem em casa, se tornam incapazes de fazer o que quer que seja, sob o argumento- “isso eu não sei fazer”. Um caso interessante de competência diurna seletiva ou incompetência domiciliar!  O brilhante profissional é incapaz de lavar louça, colocar termômetro no filho ou dar um remédio! O resultado dessa postura é a sobrecarga da mulher. Alguns homens, atentos, ainda dirão: deixa que eu te ajudo. Ajudar é um ato de participação na tarefa do outro. É o mesmo que dizer: esse trabalho é seu e eu vou te ajudar. Significa que o trabalho pertence à mulher e que posso não ajudar, quando não puder ou quiser. Bem diferente é a postura de dividir o trabalho. Quem divide trabalho, assume sua parte. Não é uma  ajuda,. É fazer o que lhe cabe. Isso seria uma forma de não discriminar. Mas, em casa, ainda discrminamos.

Se você é mãe ou pai de uma menina, com certeza não desja que sua filha seja discriminada. O dia de hoje é para que pense em como pode fazer para lhe dar os meios de ser uma pessoa que se desenvolva plenamente, segura de si, independente, sem se sentir menos ou obrigada a fazer coisas só porque é mulher.

Se você é mãe ou pai de um menino, com certeza não deseja que seu filho seja um discriminador. O dia de hoje é para que pense em como pode fazer para lhe dar os meios de ser uma pessoa que respeite as diferenças e não veja, numa mulher, um ser com menos direitos  ou mais obrigações do que ele, só porque é do sexo feminino.

O que podemos fazer? Como sempre, não tenho respostas prontas ou  fórmulas mágicas. Mas, acredito que o exemplo dos adultos, em casa, nos pequenos gestos e atitudes, terão um impacto muito maior na formação dos filhos do que belos discursos. Começemos por nossas casas, olhando para nossas mulheres como iguais a nós e nos perguntando onde existe alguma forma de discriminação por gênero e fazendo o que for possível para reduzir essa desigualdade. Olhemos para como educamos nossas meninas e meninos e nos perguntemos se estamos repetindo padrões que levem à manutenção das desigualdades. Se a menina arruma seu quarto e mamãe arruma o do menino, já temos algo para pensar em mudar.

Todos os dias são dias das mulheres (e dos homens, das crianças e dos velhos). Todos os dias são nossos dias. Mas, um dia como o de hoje, Dia Internacional da Mulher, é um dia para se pensar um pouco e se perguntar: o que posso fazer para que as mulheres sejam menos discriminadas?