Arquivo | fevereiro 2014

A VOLTA DO SARAMPO?

sarampoTem muito pediatra com mais de 10 anos de formado, que nunca viu um único caso de Sarampo. Isso porque o nosso programa nacional de vacinações é muito bom e atinge a maior parte das crianças do Brasil.  Na década de 70, tínhamos, no Brasil, uma epidemia de Sarampo a cada dois anos e estima-se que 2 a 3 milhões de crianças contrairam esta doença. Apesar de ser uma doença típica da infância, não é isenta de riscos. Em torno de 7 a 9% das crianças desenvolvem otite média, 1 a 6% pneumonia e 1 em 1.000 a 2.000 casos, encefalite. Em 1980, morreram 3.336 crianças por sarampo e em 1999 foram registrados os dois últimos óbitos por esta doença, no Brasil. Graças à vacinação, desde 2001 que o Brasil não possui um caso de Sarampo que seja “local”. Todos os casos notificados foram “importados” de outros países.

Por que escrever um post sobre uma doença que, teoricamente acabou no país, a tal ponto que uma geração de mães nunca viu um caso de Sarampo? O motivo é simples e prático. Foram identificados mais de 100 casos de Sarampo “local” em Pernambuco e outros tantos casos em Fortaleza. Portanto, com a grande facilidade de mobilidade, através de viagens de avião e com a proximidade do Carnaval, quando muitas pessoas viajam para o Nordeste, as chances de vermos novos casos de Sarampo passou a ser real. Por isso é importante que todos, de médicos a pais, saibam que poderão ocorrer novos casos de Sarampo.

O Sarampo é uma doença viral aguda, talvez uma das mais transmissíveis. Seus sarampo2sintomas principais ou “clássicos”são: febre, tosse, coriza, conjuntivite e manchas pelo corpo que os médicos chamam de exantema máculo papular.

É uma doença que se pega de outra pessoa, seja pelo contato direto ou por partículas de saliva de uma pessoa doente, suspensas no ar. Entre o contato com uma pessoa com Sarampo e o aparecimento da doença, se passam entre 8 a 1 2 dias. A pessoa com Sarampo transmite a doença a partir de 4 dias antes do aparecimento das manchas no corpo, até 4 dias após o seu surgimento.

A vacina contra o Sarampo é dada em conjunto com as vacinas contra a Rubéola e a Caxumba (Vacina SCR ou MMR). A primeira dose é dada aos 12 meses de idade e a segunda, entre 4 e 6 anos. A vacina falha em 5% das pessoas que só tomaram uma dose e, por esse motivo, é dada uma segunda dose. A vacina é dada por via sub-cutânea e é muito segura. Seus benefícios podem ser constados pelo fato de que a doença praticamente havia desaparecido em nosso país. O Sarampo não é uma doença “inocente” porque mata crianças, principalmente as desnutridas. Antes do esforço feito pela OMS para erradicar o Sarampo, morriam em torno de 6 milhões de crianças, por ano, por causa desta doença ou de suas consequências. Hoje, no mundo,  apesar de uma incrível redução, ainda há um número inaceitável de óbitos infantis, em torno de 150 mil por ano.

Para quem vai viajar para Recife ou Fortaleza no Carnaval, a recomendação é que se vacine todas as crianças acima de 6 meses que não foram vacinadas. Aquelas que já receberam a primeira dose, devem receber a segunda, antecipada, desde que tenham transorridos, ao menos, 28 dias da primeira dose.

Para os bebês menores de 6 meses, que irão viajar para estas localidades, a recomendação é de que a mãe receba uma dose da vacina contra o Sarampo.

A vacina não pode se dada para grávidas e, uma vez vacinada, a mulher deve esperar 28 dias para engravidar.

O tratamento do Sarampo é com remédios para a febre, repouso e os cuidados gerais que se tem com uma virose (não forçar a alimentação e oferecer líquidos, frequentemente). As pessoas que porventura entrarem em contato com um caso suspeito de Sarampo, caso não tenham sido vacinadas, deverão receber uma dose da vacina, até 72h após o contato, a partir de 6 meses de idade.

Não há motivo para pânico ou sair tomando mais vacina do que o recomendado. Não há nenhum benefício em se tomar mais vacinas, “só para garantir”. É importante que todos nós saibamos que podem ocorrer casos de Sarampo, doença que tinha desaparecido. Certamente, com o nosso excelente programa de vacinação e uma vigilância epidemiológica que funciona, vamos conseguir bloquear estes casos e voltar ao patamar anterior, de somente vermos alguns poucos casos importados, por ano.

Caso tenham alguma dúvida ou comentário, enviem suas perguntas, Terei o maior prazer em respondê-las.