Arquivo | dezembro 2013

O QUE DESEJA UM PEDIATRA NA VIRADA DO ANO?

2014Final de ano, início de um novo ano. Com frequência, fazemos listas de intenções ou deliberações para o novo ano que vai começar. A seguir, a minha lista de desejos para as crianças e seus pais, para  2014:

Tenham saúde– não desejo apenas que tenham menos febres e resfriados, pouca ou nenhuma tosse, xixi e cocô normais o ano todo, o que seria ter menos doenças, uma maravilha! Desejo, principalmente, que em 2014 os pais possam se dedicar a preservar a sua própria saúde, através de uma alimentação balanceada e saudável, exercícios físicos feitos de forma sistemática e regular, contribuindo, com o seu exemplo para o desenvolvimento de hábitos saudáveis, em toda a família.

Sejam criativos– desejo que fujam de fórmulas prontas de diversão e encontrem novas formas de estarem juntos, criando laços afetivos fundamentais para o bom desenvolvimento das crianças. Esqueçam os manuais e as regras, inclusive as dos pediatras, e deixem seus corações ditarem o rumo.

Sejam ociosos– que todos tenham tempo para “não fazer nada” e, assim, pensar um pouco na vida e no que é importante ou não. Nem sempre fazer, produzir, “entregar” (linguagem do mundo dos negócios que serve para estes, mas não para a vida como um todo) nos permite pensar com mais clareza. A mente, para ter novas ideias, não deveria estar ocupada. Não é à toa que a palavra ócio é a raiz grega para escola!  O ócio é o oposto do agir pelo agir, dessa compulsão de fazer, sem se preocupar em ser.

Divirtam-se– a vida não é um “business plan” com metas, objetivos, orçamentos e bônus. Ainda que essas ferramentas do mundo dos negócios possam ser adaptadas e úteis nas nossas vidas privadas, a vida é bem mais do que algo que se possa medir através da produtividade. Em geral, aspiramos à felicidade, em nossas vidas e desejamos o mesmo para nossos filhos- que sejam felizes. Felicidade é bem mais do que ter, consumir. Felicidade é algo que filósofos passaram séculos escrevendo a respeito e não sou eu, em um blog que vou sintetizar, em uma frase, o que é felicidade! Mas, posso sugerir que se divertir tem uma relação muito estreita com esse desejo humano. Se conseguirmos ser crianças, achando graça nas coisas e permitirmos que nossos filhos não se tornem adultos responsáveis (o que é muito importante) às custas de terem que matar a criança que existe neles, podemos supor que as chances de sermos felizes, aumentam.

Esta lista poderia ser muito mais longa. Quanto mais longa, menor as chances dos desejos se realizarem. Afinal de contas, nenhum deles acontece só porque estão numa lista. Exigem trabalho e dedicação para acontecerem.  Portanto, opto por uma listinha curta, com a esperança de provoca-los a pensarem nas suas listas, dando lugar a mais afeto e carinho, mais tempo para o convívio e a brincadeira,  com seus filhos.

Um 2014 muito alegre para todos!

COM QUANTOS NATAIS SE FAZ UM NATAL?

É natal. Como escrever algo diferente, interessante, criativo, sobre uma festa XmasTree2que milhares de pessoas escrevem matérias, crônicas, cartões, além de livros, filmes e teses? Talvez, não escrever fosse o mais inteligente! Simplesmente deixar passar o Natal e… pronto. Como dizem as crianças, aliviadas, ao final do exame físico: cabô! Mas, teimoso, resolvi arriscar  e me ocorreu que um Natal é feito de vários natais.

Existe o Natal comercial. Aquele do frenesi das compras, listas que prometemos serão mais curtas ano que vem, uma lembrança de última hora e um presente inesperado que precisamos retribuir. Esse é um Natal meio resmungado, tanto que a sensação, quando “fechamos a lista” é de alívio.

Existe o Natal social. Aquele dos grupos de amigos, confraternizações e amigos ocultos. Alguns divertidos, outros meio que obrigatórios (como deixar de ir no amigo oculto do trabalho, onde o chefe vai estar, fingindo que é um igual a nós?).

Existe o Natal solidário. Aquele onde contribuimos para tornar o Natal de pessoas conhecidas ou desconhecidas, um pouco melhor. É um Natal onde o espírito de inclusão, habitualmente ausente durante o ano, dá o ar da sua graça e nos faz sentir parte de um todo.

Existe o Natal religioso. Aquele onde, para os que têm uma fé cristã, se celebra um nascimento importante, simbolizando a esperança renovada e renovadora, na vida.

Existe o Natal em família. Aquele onde temos a oportunidade de revermos primos distantes e tias mais velhas, cada vez mais velhas. É um natal prazerosos, mas com potencial de risco muito grande. Ao mesmo tempo que afetos se expressam, desafetos se manifestam em alfinetadas durante a ceia. Em geral, sobrevivem todos, tanto que voltam o ano seguinte!

Existe o Natal afetivo. Aquele onde presenteamos as pessoas queridas. Mais do que o presente, este escolhido com cuidado e carinho, vale a proximidade, o olhar, o abraço. O Natal afetivo pode e costuma fazer parte dos outros natais acima. Temos sempre alguém mais querido no grupo de amigos, no trabalho e na família. Temos as pessoas amadas, como os pais, filhos, companheiros e companheiras. Aqui, o Natal começa a ficar emocionante.

Existe o Natal surpresa. Aquele onde o inesperado acontece, como quando recebemos uma mensagem de um amigo há muito desaparecido ou de uma pessoa que nunca imaginamos que nos quisesse tão bem, sem maiores interesses. O Natal surpresa também pode acontecer em um gesto, um olhar ou uma frase, durante um dos vários natais acima. É um feliz natal dito com carinho, pela vendedora da loja, ou um “oi tio” dito com imensa alegria, por um sobrinho distante.

Existe o Natal “de dentro”. Aquele onde moram as memórias e as expectativas. É o Natal que cada um vive, silenciosamente. É o Natal que nos leva para o passado, revivendo natais da infância, com a saudade de quem já partiu e faz falta nestas datas. É o Natal que nos leva para o futuro, onde projetamos sonhos para nós e nossos filhos. É o Natal que acontece quando entramos, à noite no quarto dos filhos e ficamos olhando para aquela pessoa adormecida, sem pensar muita coisa, só eternecido pela sua existência em nossas vidas. É o Natal da lágrima inexplicada, da vontade do abraço dado e recebido. É o Natal que fura as convenções e nos aproxima do amor. Amor próprio (com os projetos de se cuidar mais, ter mais tempo para o prazer ) e amor ao outro ( estar mais presente, ter mais tempo para o ócio acompanhado, rir e se divertir com as pessoas queridas).

Assim, para mim, são vários natais que fazem um Natal. Desejo a todos os leitores deste blog que todos seus natais sejam muito alegres e transformem o seu Natal em uma festa de carinho, emoção e felicidade.

CADÊ O MANUAL?

manual do bebêDepois de nove meses imaginando um bebê, ele chega! A alegria se completa quando o pediatra se vira para os pais, ainda na sala de parto e diz: está tudo ótimo, ele é normalíssimo. Do lado de fora, avós, familiares e alguns amigos mais próximos, colam os rostos no vidro do berçário, esperando a chegada do bebê. Assistem à primeira pesagem e já fazem comentários sobre o vigor do choro e até arriscam alguns palpites de “com quem se parece”? É uma euforia que mal dá para parar e pensar no que está acontecendo. Um furacão na vida dos pais.

Dois dias depois, chegam em casa. Agora, sozinhos. Isto é, onde eram dois e um bebê imaginado, sonhado, são três. O casal e um bebê de verdade. E o bebê de verdade começa a fazer coisas que não estavam nos sonhos. Ele soluça (será normal, como fazer para parar?), espirra (será que já pegou um resfriado?) e faz uns barulhos pelo nariz (está entupido, não respira direito, o que faço?). Para completar a cena, o bebê chora. E como chora! Será a fralda? Frio? Calor? Fome? Verifica tudo, coloca no peito e não pega direito. Tiram do peito e o bebê golfa (será que tem refluxo?) e chora. Os pais se lembra de tudo que leram, dos cursos ou palestras que assistiram e nada parece funcionar. Se entreolham e, silenciosamente, se perguntam: cadê o  manual?

Com em um filme, o diretor diz: corta! A cena já muda para uma casa com uma criança de dois anos de idade. Uma adorável criança que corre para lá e para cá, diz coisas engraçadas e é alegria em pessoa. Mas, essa mesma criança anda um pouco cheia de vontades. Não come mais nada que seja verde. Só de ver um verdinho mínimo no prato, o empurra, chuta a cadeira e abre o berreiro. Você conversa, brinca, distrai. Não funcionando, fala com mais energia, adverte e ameaça um castigo. A adorável criança berra com mais força e você se você obrigado(a) a cumprir a ameaça de castigo: vai para o seu quarto e pensa um minuto. É o minuto mais longo da sua vida, você se sente um(a) desalmado(a). Sem explicações, a tempestade passa e lá está a adorável criança, brincando novamente. Na hora de dormir, novo drama. Quero isso, quero aquilo, deita, levanta e vem atrás de você. Depois, o cansaço toma conta e se expressa por irritação e choro. Chora tanto que engasga. Ao engasgar, tosse. Tossindo, vomita. E vocês se entreolham e, silenciosamente, se perguntam: cadê o manual?

O diretor do filme grita: corta! E a cena muda para uma casa onde vive um adolescente. Pouco importa se menino ou menina. Um adolescente. A vida tranquila cede espaço a uma negociação permanente. Arrumar o quarto, deixar o banheiro minimamente usável pelo próximo, comer com modos, cumprir combinações, exigem negociações intermináveis. Discussões sobre o valor de cada coisa que é pedida e desabafos sobre a injustiça cósmica que se abate sobre o adolescente. Claro que todos os outros pais são muito mais legais e permissivos do que vocês, pessoas ultrapassadas, sem noção! No jantar, perguntas embaraçosas sobre sexo e drogas. Tudo é um teste e um pedido de limites. É preciso estar atento o tempo todo, sem temer o enfrentamento e a colocação dos limites, aguentando o rancor que essa atitude gera. Numa noite onde o jantar transcorre de forma surpreendentemente calma, o adolescente pergunta: posso fumar maconha em casa? Passado o susto da pergunta, vocês se entreolham e, silenciosamente, se perguntam: cadê o manual?

Centenas de manuais são escritos a respeito de tudo que se possa imaginar. Existem manuais que ensinam como trocar fraldas com uma só mão, submergir o bebê sem afogá-lo, desfraldar com 6 meses, desenvolver a inteligência emocional da criança de um ano, dormir a noite toda, comer legumes e verduras com enorme prazer etc. A lista é interminável. Isso sem contar com a internet, onde é possível se encontrar de tudo. Mas, tudo que foi escrito, principalmente os livros que ensinam como devemos agir, o que devemos fazer, ou levam em conta estatísticas  com suas médias ou experiências pessoais. Ninguém escreveu um manual sobre o seu filho porque ele é único. Ele não é uma média (ninguém é), tampouco se encaixará na experiência de outros pais com seus filhos.

Em um mundo onde há uma cobrança permanente por performance, não há espaço para a insegurança e o aprendizado que constroe o conhecimento objetivo e revela os afetos que contribuem para o desenvolvimento dos nossos filhos. Nesse mundo, os manuais triunfam e aí de você ou do seu filho se não se encaixarem nos padrões! Vocês têm problemas, sérios!

Meu post de hoje é para dizer o oposto. NÃO COMPREM MANUAIS. SE COMPRAREM, NÃO LEIAM. SE LEREM NÃO LEVEM A SÉRIO. SE LEVAREM A SÉRIO E SE SENTIREM NÃO ENCAIXAR, JOGUEM FORA O MANUAL! É O MANUAL QUE ESTÁ ERRADO, NÃO VOCÊS!

Só existe um manual para nossos filhos e este não está na razão e sim na emoção. Faça o que o seu coração sinalizar, temperando com sua experiência de vida e uma dose de bom senso. Esse é o manual que funciona. Os outros, só nos deixam mais inseguros e os autores mais ricos.

Dá um certo medinho, sempre (estou fazendo certo?). Mas, é o que de melhor podemos dar para nossos filhos. Se não fosse, um i-pad com um aplicativo chamado “pais perfeitos” cuidaria de nossos filhos. Estes não precisam de pais perfeitos. Precisam de pais afetivos, suficientemente bons.

EMOÇÕES IMPUBLICÁVEIS.

No dia 27/11, Francisco Bosco escreveu,na sua coluna do segundo caderno do O Globo, um belíssimo texto, com o título de “Meucensurado filho”. Neste texto, com rara coragem, descreve as emoções sentidas quando soube da gravidez do Lourenço, apenas cinco meses depois do nascimento da Iolanda. O que seriam emoções impublicáveis, estão ali publicadas, com todas as letras. Francisco comenta sobre suas dúvida em relação ao amor que poderia ter com um segundo filho. Vale a pena ler este texto. Basta procurar no Google.

Além de achar o texto corajoso e bonito, me serviu como inspiração para escrever sobre emoções impublicáveis. O que seriam essas emoções impublicáveis? São todos os pensamentos e sentimentos, inteiramente normais, que sentimos diante de algumas situações, mas que são censurados por uma pressão cultural baseada na ideia de que quem ama não pode sentir nada “negativo”. Essa pressão, por se basear em algo que não corresponde à realidade do ser humano, acaba produzindo um enorme mal estar em mães e pais.

Vamos começar com o nascimento. Durante os meses da gravidez, mãe e pai falam de um bebê imaginado, sonhado, idealizado. Por mais que vejam as imagens das ultrassonografias, estas não permitem ver muito mais do que contornos. Além do aspecto físico, existe todo um antecipar dos aspectos comportamentais e de personalidade do bebê. Antes do nascimento, os pais brincam de imaginar com quem se parecerá, como será, se será um bebê tranquilo ou mais agitado? Será que vai gostar de ler, praticar esportes? Vai torcer pelo time do papai ou da mamãe?  O prazer de ficar imaginando o bebê é interminável. Aí, ele nasce. O bebê deixou de ser uma ideia e passou a ser uma realidade. Dificilmente o que tinha sido idealizado acontece 100% no mundo real. O bebê mostra sua individualidade e particularidades. Não é improvável que algumas características idealizadas fossem preferidas às reais. Frustração ou decepção seria duas palavras adequadas para descrever o sentimento que poderia surgir. Mas, onde haveria espaço para uma mãe ou um pai dizer clara e abertamente, que se sentiu um pouco frustrado pele bebê ser assim ou assado. Nem ousa comentar nada, com medo da reação em torno.

Aí o bebê vai para casa. E ele chora, como é da natureza dos bebês chorar.  Será fome? Frio ou calor? Dor ou desconforto? Fralda molhada?  Tudo verificado e checado e o bebê continua a chorar. O pai pega o filho no colo e sai andando pela casa. Por alguns minutos o bebê se acalma. Alívio! Sem nenhum motivo, o choro reinicia. Para complicar, mais forte do que antes. Alguém tem a brilhante ideia de ligar para uma das avós. Esta opina que pode ser algo grave porque “não é normal uma criança chorar tanto”  e completa ” vê lá o que vão fazer com meu neto!”. Pronto, instala-se o desespero. Daí para o pânico, um passo. A mãe, impotente, começa a chorar. O pai, como filho chorando no colo, tenta acalmar a mãe. A paciência já está no limite e, como a mãe não para de chorar, julga que ser mais enérgico, incisivo, poderá ajudar. O efeito é catastrófico, a mãe chora mais forte. Agora, mãe e filho aos prantos e um pai irritado com vontade de sair e ver os amigos. Nesse cenário, onde qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência, que tipo de emoções podem aflorar mais facilmente? Amor? Compreensão? Generosidade? Acho pouco provável. Diria que sentimentos e emoções impublicáveis como: raiva, arrependimento, vontade de sumir, vontade de deixar o filho chorando sozinho no berço e ligar o som bem alto, seriam mais prováveis de brotarem. Mas, ai de quem comentar que sentiu algo assim, alguma vez! Será olhado como um monstro, alguém desalmado que não ama o próprio filho. Melhor mesmo é censurar e não publicar.

Todos sobrevivem aos primeiros meses e cá estamos com uma família feliz, filho com um ano e meio, perfeitamente adaptado na creche, comendo bem, fazendo cocô como devem fazer todas as crianças, o xodó dos avós. Anda de um lado para o outro e faz gracinhas adoráveis. Nesta noite, vocês têm uma festa para ir. O filhote já fica bem com outra pessoa e os pais estão retomando a vida que havia ficado em “pause” por um tempo. É uma festa de dança, comemorando o aniversário de x anos de grandes amigos. A noite promete. Você, toda arrumada, feliz porque coube em um vestido de antes da gravidez, vai dar um beijo de boa noite no filho. Percebe que ele está quentinho, talvez com febre. Mas, já segura, não fica apavorada com um primeiro dia de febre. Pega seu filho no colo para dar um abraço de boa noite e…. ele vomita no seu vestido. Que sentimento surgiu? Preocupação com o filho, total desprendimento com o fato de seu vestido estar vomitado e, talvez, a festa cancelada? Ou um sentimento de injustiça cósmica e ira? Talvez ambos, mas a parte a ira, ódio, raiva, certamente será censurada, impublicável.

Filho ou filha adolescente com 15 anos de idade. Saiu para a “night”, com a recomendação explícita de manter o celular ligado e a combinação rígida de estar em casa às 2 e meia da manhã, para isso, pegando um taxi da cooperativa tal. Você finge que dorme e às 2 e meia, acorda. Que coincidência, bem na hora da chegada em casa. Claro que não será pontual é o seu pensamento às 15 para as 3. Às 3 da manhã você leva 15 minutos para decidir quando vai ligar para celular e decide- agora! Liga e, óbvio, caixa postal. Você  começa a pensar coisas como: se tivesse acontecido algo ruim, já teriam avisado. Deve estar em área que o celular não pega. Às 4 da manhã você já perdeu qualquer tipo de controle e passa a ligar, obsessiva e compulsivamente, de 30 em 30 segundos. Agora, sua cabeça já começou a pensar que deve tomar uma atitude. E se estiver em uma situação em que precise de ajuda e você ali tentando contato telefônico? Você passa a sentir culpa por estar tentando ligar e não fazendo algo mais importante. Mas o que fazer? Ir ao pronto-socorro? Delegacia? Qual era mesmo o endereço da festa? Ah, não deixou, como pedido! Às cinco da manhã, a porta se abre e um adolescente lépido e fagueiro entra em casa. Olha para você e diz: ué, acordada a essa hora? Você emite um grunhido e ele completa- você é muito estressada, mãe! Nesse momento, você se sente invadida por uma onda de amor incondicional e só pensa em abraçar e beijar seu filho ou sua vontade era de meter  mão na cara desse sem vergonha, irresponsável que não atende o celular, nem chega na hora combinada?  A esta altura da vida, esse sentimento já não é mais tão impublicável. Pais de adolescentes serão solidários e dirão que sentem o mesmo.

A pergunta é: o que acontece que os pais de bebês e crianças menores, não compartilham seus sentimentos ambíguos, ambivalentes, impublicáveis? O que acontece que todos ao nosso redor só sentem amor, felicidade e enorme alegria com seus filhos, nos fazendo  sentir o pior dos seres humanos?

Queria com este blog, dizer a todos os pais que sentir emoções impublicáveis é perfeitamente normal, humano. Não há amor incondicional e sentir o que quer que sintamos, não diminui o nosso amor. Sentir raiva, cansaço desesperador, sensação de que isto nunca vai acabar, se queixando de que ninguém me avisou que seria assim, não nos fazem menos amorosos com nossos filhos. Nos fazem mais humanos, honestos, permitindo que estes se desenvolvam com a capacidade plena de sentir a gama de emoções que nos pertencem, sem culpas.

Como sempre, os comentários são bem-vindos. Tanto os publicáveis, como os impublicáveis!

ABUSO DE ANTIBIÓTICOS E USO DE PROTETOR SOLAR NA RÁDIO GLOBO

marcas_radio_globo_horiz_azul_redeTodas as quintas, entre 11:30 e 12h, participo do quadro Nossas Crianças, no programa Manhã da Globo, do Roberto Canázio, na Rádio Globo, 89,5 FM //1220AM. Nas penúltima  quinta, abordei a questão do abuso de antibióticos, contribuindo para o desenvolvimento de “super bactérias”, resistentes a quase  tudo que dispomos para combatê-las. Nesta quinta que passou, falei sobre a importância (ainda não reconhecida), do uso do protetor solar, a partir dos 6 meses de idade.

Se você quer ouvir a gravação destes programas, clique nos links abaixo. Agradeço se deixar, aqui no blog, sua sugestão de tema. Na medida do possível, tentarei falar sobre o assunto sugerido.