NÃO BASTA PARTICIPAR, É PRECISO SER PAI!

Image (15)A frase do título está correta? Não era o oposto- não basta ser pai, é preciso participar? Talvez, mas, resolvi brincar um pouco com as palavras e, consequentemente, com as ideias e sentimentos.

Participar é fundamental. Participar é um verbo, verbo é ação e ação é algo que nós homens entendemos muito bem. Ação é fazer algo e nisso, nos consideramos bons. Existem muitas coisas que podemos (e devemos fazer), sem dúvida alguma.

Quando o bebê chega, podemos fazer todas as funções que aliviem a mãe para que esta possa ficar dedicada ao recém nascido. Podemos cuidar do bebê na hora de trocar uma fralda, dar um banho ou colocar para arrotar. Tudo que permita à mãe um momento de repouso é uma enorme contribuição e participação. Podemos segurar o bebê no colo em momentos de choro intenso, permitindo que a mãe saia de perto e não fique exposta a uma tensão enorme. Se existem outros filhos, podemos ficar mais próximos destes, dando-lhes atenção, conversando, brincando, saindo com eles,  e ajudando-os a se sentirem queridos e importantes, assim se adaptando à chegada do um novo irmão. Podemos ser os “leões de chácara” do ambiente, procurando assegurar o conforto e segurança da mãe e do bebê. Devemos ser  incentivadores do aleitamento materno, bloquendo as ações “terroristas” que tentarão minar a amamentação (esse bebê chora demais, só pode ser o leite que está fraco. Dá logo uma mamadeira!). Não existe leite fraco e é da natureza dos bebês chorarem.

Podemos abraçar e acarinhar a mulher, fazendo com que se sinta querida. Se nós homens nos sentimos excluídos nos primeiros meses, as mulheres se sentem ameaçadas pela dúvida de serem capazes de retomar a vida, voltando a ser o que eram, mulheres por inteiro e não apenas mães.

Temos também uma ação fundamental no desenvolvimento dos filhos que é a introdução do limite. Claro que isso não acontece nos primeríssimos meses, mas o primeiro limite que devemos introduzir é o de que a mãe não tem dedicação exclusiva e tempo integral para o bebê. Isso acontece mais em torno do sexto mês, mas é uma função importantíssima. O bebê aprenderá, por nosso intermédio que a mãe que era só dele, não é mais. Passará a ser uma mãe compartilhada, com os demais da família. Outros limites se seguirão ao longo da vida da crianças e o homem é, em geral, o que detém a responsabilidade  de interditar o que não é para ser feito. Claro que a mãe também tem essa função, mas há uma força na interdição masculina que é muito importante.

Poderia continuar listando uma série de ações que nós, pais, podemos fazer para participarmos do desenvolvimento de nossos filhos. Mas, o que dizer do ser pai?

Ser pai é nos permitirmos ter acesso a um aspecto que, na nossa cultura, é “surrupiado” de nós homens, o afeto, a emoção. Ser pai é contribuir para que nossos filhos sejam pessoas felizes. Não há a menor dúvida de que todas as ações descritas acima, estão relacionadas com a felicidade dos filhos. Algumas, por serem vitais (agasalhar, alimentar, proteger) antecedem a própria ideia de felicidade porque falam da sobrevivência. Mas, existem momentos, muitos, onde não devemos fazer nada. Momentos onde a nossa presença, nosso exemplo, o que somos, é mais importante do que nossa capacidade de organizar, planejar, comprar, levar, trazer etc. Esses são os momentos onde estamos sendo pais, sem estaramos fazendo nenhuma ação. Um olhar de carinho e admiração, um abraço afetuoso, uma palavra de reconhecimento, são momentos que contribuem para a felicidade dos filhos e nossa, pais. O brincar, sem estar focado no brinquedo e sim no encontro que proporciona, na criatividade que gera, no afeto que circula, é um momento onde podemos ser pais. Ainda que estejamos fazendo algo, ao mesmo tempo, estamos simplesmente Image (17)presentes, envolvidos, conectados, aos nossos filhos.

Neste dia dos pais, meu desejo é que todos nós consigamos fazer menos e sentir mais. Desejo que possamos ignorar convenções, preconceitos, regras, dicas, e sentirmos a emoção que é ser pai. Ao sentirmos essa emoção, sugiro que agradeçamos aos nossos filhos. Afinal, são eles que nos tornam pais!

Nas fotos, Carolina, a que me fez e faz ser pai. Obrigado, filhota!

6 comentários Adicione o seu

  1. Como sempre, seus “posts” são sensacionais! Baita pai! Ponderações de uma sensibilidade incrível! Parabéns!

    1. Prezada Paula,
      Obrigado por seus comentários generosos. Fico feliz quando o que escrevo no blog faz sentido ou é apreciado por um leitor. Me motiva a escrever mais.

  2. Giselda Dantas disse:

    Parabéns DR. Roberto pelo dia dos Pais. Também concordo com tudo que escreveste nesse tema. Um grande abraço. Sua filha está LINDA!

    1. Prezada Giselda,
      Também concordo com o que escreveu a respeito da minha filha! Obrigado por enviar seu comentário gentil.

  3. Eurico Barbosa dos Santos Filho disse:

    Caro Dr. Roberto Cooper.

    Hoje descobri seu blog e o achei simplesmente maravilhoso, é uma oportunidade de matar
    a saudade do amigo e aprender muito, uma pena que meus filhos já estejam adultos, vou
    utilizar o aprendizado com os netos que um dia virão.

    Você como sempre atuante como um cidadão preocupado com o coletivo, sem esquecer o lado
    humano e pessoal.

    Forte abraço.

    Eurico Barbosa Filho.
    Goiânia-Goiás

    1. Prezado Eurico,
      Que grata surpresa a sua presença no blog. Obrigado pelas palavras mais do que generosas. Forte abraço!

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