Arquivo | março 2013

COMO MEDIR A TEMPERATURA?

termometroAcima de determinada temperatura do corpo, dizemos que a pessoa está com febre. Febre costuma ser uma situação que deixa os pais, no mínimo, tensos. No entanto, a febre é um dos mecanismos de defesa que o organismo utiliza quando é infectado por uma bactéria ou vírus. A febre não é uma doença e sim um sinal ou sintoma. A febre estimula o sistema imunológico em mais de uma maneira e são muito raras as situações onde possa realmente produzir algum dando à saúde da pessoa, além do desconforto que gera.

Para se saber se uma pessoa está ou não com febre, é preciso medir a temperatura do corpo. Para isso, existem diferentes tipos de termômetros e locais onde essa temperatura pode ser medida. A seguir os principais tipos de termômetros:

  • a mão- talvez o primeiro “termômetro” que todos nós utilizemos seja nossa mão. Colocamos a mão na testa, na bochecha, no pescoço de nossos filhos e julgamos se está “quente” ou não. Se estiver, suspeitamos de febre. Muitas pessoas se contentam com essa avaliação. No entanto, ela é muito pouco precisa e, se desconfiarmos de febre, devemos medir a temperatura com um instrumento mais preciso.
  • termômetro de mercúrio- é o mais tradicional de todos. Aquele que tem um bulbo e filete prateado. Sua leitura nem sempre é simples, exigindo um pouco de prática. Antes de cada uso é preciso sacudir o termômetro para recolocar o mercúrio em uma posição abaixo da marca de 36°C. Estes termômetros exigem em torno de 4 a 5 minutos para que possam ser lidos.  Os termômetros de mercúrio estão em desuso e não são recomendados para uso em crianças por causa dos riscos de toxicidade, em caso de quebra. Crianças se movimentam mais, pegam as coisas sem nos darmos conta, mordem, atiram no chão, tornando o risco de quebrar um termômetro de mercúrio maior.
  • termômetro digital – em uso desde os anos 80, atualmente são facilmente encontrados a um custo competitivo. Apresentam a temperatura em números digitais, de fácil leitura e são mais rápidos do que os termômetros de mercúrio. Em geral levam 60 segundos para soar o alarme. Alguns modelos ou marcas chegam a soar em 30 segundos, outros em um pouco mais de um minuto. Não são tóxicos nem agridem o meio ambiente.
  • chupeta termômetro- é uma variação do termômetro digital. Sua precisão é questionável e deveria ficar imóvel, o que é difícil com uma criança.
  • termômetros de ouvido- estes termômetros medem a temperatura da membrana do tímpano. Até o presente momento, somente os modelos profissionais, caros e disponíveis no exterior, são confiáveis. No entanto, muito provavelmente com o termometros 2desenvolvimento de sua fabricação, surgirão modelos mais baratos e precisos. A grande vantagem deste termômetro é a velocidade com que mede a temperatura- 2 segundos! Ainda não podem ser usados em bebês abaixo de 3 meses porque o conduto auditivo destes é estreito para os aparelhos existentes.
  • termômetro da artéria temporal – um novo instrumento que está ganhando popularidade, mede a temperatura sobre o fluxo da artéria temporal (que corre na lateral da testa, nas têmporas). Ainda é um termômetro caro e sua precisão está sendo questionada. No entanto, assim como o termômetro de ouvido, este deve ser um que vai melhorar a precisão e reduzir o seu custo.
  • fitas para testa- existem fitas que são colocadas na testa e mudam de cor, em função da temperatura do corpo. Estas fitas não são precisas e, por isso, não recomendadas.

Além de diferentes termômetros, a temperatura do corpo pode ser medida em vários lugares. No Brasil, praticamente só utilizamos a medida da temperatura axilar (debaixo do braço), mas outros lugares podem ser utilizados:

  • temperatura retal- é considerada a medida mais precisa da temperatura corporal. No entanto, não deve ser usada em bebês e crianças pequenas por causa do risco de acidentes, incluindo a perfuração do intestino.  A temperatura retal é mais alta do que a axilar e somente se considera febre quando for maior do que 38°C.
  • temperatura oral- é considerado um bom método para se aferir a temperatura do corpo, desde que a pessoa não tenha ingerido líquidos quentes ou frios nos 15 minutos que precedem a medida.  No entanto, exige a cooperação da criança para permitir que o termômetro permaneça embaixo da língua (por isso a chupeta-termômetro não é recomendada- fica em cima da língua). Somente crianças maiores do que 5 anos conseguem cooperar. Caso for utilizar este método, nunca use um termômetro de mercúrio porque há sempre o risco da criança morder o instrumento. Na boca, a temperatura é mais alta do que na axila e mais baixa do que no reto. Somente se considera febre quando for superior a 37,8°C
  • temperatura no ouvido- provavelmente será o método “do futuro”. A temperatura do ouvido é semelhante à do reto. Somente se considera febre quando for maior do que 38°C.
  • temperatura na artéria temporal- varia em função da idade, mas, somente acima 37,8°C a 38°C seria considerado febre.
  • temperatura axilar- ainda que não seja a mais exata ou precisa, é a mais prática e a que usamos no Brasil. A axila deve estar seca (crianças maiores com febre podem estar suadas) e os bebês não devem estar completamente enrolados em mantas na hora da medida. Somente se considera febre uma temperatura axilar acima de 37,2°C.

Conclusões práticas:

  1. Febre não é uma doença. É um sintoma/sinal, além de ser um dos mecanismos de defesa do corpo. Não há necessidade de se abaixar a febre a qualquer custo. Mas, avise seu pediatra. Ele é a melhor pessoa para lhe orientar.
  2. Existem vários tipos de termômetro e lugares diferentes para se medir a temperatura.
  3. No Brasil usamos e vamos continuar usando por algum tempo a temperatura embaixo do braço (axilar). Lembre-se de secar a axila e de não medir com o bebê enrolado em manta ou cobertor.
  4. A temperatura do corpo varia, não sendo constante durante o dia. Habitualmente é mais baixa na madrugada e mais alta no final da tarde.

Este é um assunto “quente”. Talvez nem tanto pelo método de medir, mas, pela febre em si. Vou gostar de receber os comentários e dúvidas de vocês.

O FUTURO COMEÇA HOJE!

feminismo5Se você é um ou uma corredora e resolveu que vai correr uma maratona (42,195km) e nunca correu mais do que 100m, vai precisar de uns 10 meses de treino. Para uma maratona, o futuro começa hoje e leva esse tempo para acontecer. Correr uma maratona depende de disciplina e perseverança. Praticamente não depende de mais ninguém. Agora, o que dizer de situações onde o comportamento coletivo influi e muito? Por exemplo,a forma como as mulheres são percebidas na nossa sociedade. Mudar essa percepção preconceituosa é como uma maratona. Exige disciplina e perseverança. E  esse futuro, de um mundo mais equânime, também começa hoje. Aliás, já começou faz algum tempo e poucos de nós nos damos conta do papel fundamental que é o de educar nossos filhos de uma forma diferente daquela com que fomos educados. Se não fizermos nada, nossos filhos serão como muitos de nós, com uma visão preconceituosa ou discriminadora da mulher.

Apesar dos enormes avanços que as mulheres conquistaram nos últimos anos, com relação à igualdade entre os gêneros, ainda estamos longe de uma sociedade que trate mulheres e homens de forma igual. As mulheres, na sua maioria, se veem envolvidas em duplas jornadas de trabalho. Trabalham durante o dia e ainda são as responsáveis por deixar a casa arrumada com comida na mesa. As mulheres ainda não recebem o mesmo que os homens, mesmo trabalhando em empregos equivalentes. A mulher ainda é desrespeitada por muitos homens em função das escolhas que faz no vestir, se arrumar e comportamento sexual. A mulher é vitima de violência física como espancamento doméstico e etupros. Para se impor profissionalmente, muitas vezes deve abrir mão de sua feminilidade, se equiparando a um homem. Não gostaria de listar tudo que acontece com as mulheres hoje, mas perguntar se é isso que queremos para nossas filhas e filhos? Se não é, precisamos mudar radicalmente a forma com que educamos nossas crianças. Precisamos olhar para pequenos detalhes, do dia a dia,  que reforçam o machismo da sociedade.

Os exemplos começam dentro de casa. Se na casa, os homens ajudam as mulheres, a mensagem é de que a tarefa pertence à mulher e a ajuda é um favor ou concessão. Ajudar é bem diferente de dividir tarefas. Se todos que moram na casa, independentemente do gênero, têm suas tarefas bem definidas, avançamos um passo!

Se o quarto do menino pode ser uma bagunça porque meninos são assim mesmo e, para complicar um pouco, mamãe arruma o quarto, este menino aprenderá duas coisas: não preciso arrumar nada e cabe a uma mulher arrumar. Se houver uma irmã e o quarto dela for arrumado pela própria, porque meninas são mais arrumadas ou gostam de arrumar, mais um reforço para que os meninos aprendam que cabe às mulheres arrumar.

Se meninos são incentivados a perceber as meninas como um objeto a ser conquistado e quanto mais melhor, estamos ensinando uma forma de desrespeito com outro ser humano. Tanto mais se, na mesma casa, houver uma menina e esta for ensinada o oposto!

Essa visão preconceituosa também cobra um preço aos meninos. Menino é durão, não chora. Menino brinca de coisa de menino e a família é capaz de ficar muito aflita se o filho brincar de boneca ou aparecer calçando os sapatos de salto alto da mãe. Na infância seria perfeitamente aceitável essa brincadeira, mas o preconceito nos impede de permitir aos meninos esse momento lúdico. Menino aprende algo muito doloroso: não exiba  a  sua emoção (engole o choro, menino)!

Se o mundo futuro que queremos para os nossos filhos é diferente deste, cabe a nós mudar nossos comportamentos, hoje. Mais importante do que o que dizemos aos nossos filhos, são as nossas ações. Não é fácil mudar nosso comportamento. Não é fácil perceber nossos próprios preconceitos. Mas, se estamos genuinamente interessados em filhos que crescam de forma saudável, vamos ter que encarar esse desafio. Saudável não é só estar sem doença, forte. Saudável é integrado, feliz, com capacidade plena de estabelecer relacionamentos e respeitar a diversidade. Saudável é ser produtivo e criativo. Saudável é se emocionar, se apaixonar, amar.

Começou hoje o treino para a maratona de amanhã! Todos estão convidados e bem vindos.

PREVENINDO A ANEMIA NUTRICIONAL

hemoglobinaAnemia é uma situação onde há uma redução na concentração de hemoglobina ou das hemácias, no sangue. As hemácias são as células vermelhas, responsáveis pelo transporte do oxigênio para as demais células. Dentro das hemácias existe uma proteína responsável direta por esse transporte. Essa proteína se chama hemoglobina e está representada na figura ao lado. Existem muitos tipos e causas de anemia, alguns dos quais hereditários. Mas, a anemia mais comum e frequente é aquela devida à carência de um elemento da nossa alimentação, o ferro. O ferro é importante para a produção da hemoglobina e da mioglobina, que é uma proteína presente nos músculos, também envolvida com o transporte de oxigênio

Quando um bebê saudável nasce, ele tem uma reserva de ferro, vinda do sangue da mãe, que dura em torno de 6 meses. Portanto, no período em que a maioria dos bebês vai estar mamando leite materno, exclusivamente, as reservas de ferro são suficientes. A partir do sexto mês de vida, é importante a introdução de alimentos que contenham ferro ou a suplementação com medicamentos. No caso de um bebê prematuro, suas reservas são bem menores e a suplementação com medicamento é recomendada a partir do primeiro mês de vida. Em ambos os casos, esta suplementação com medicamentos pode ser interrompida assim que o bebê ou a criança estiverem recebendo suficiente ferro na sua alimentação.

Atualmente se sabe que a deficiência de ferro pode ter um efeito negativo no desenvolvimento motor e mental da criança. Por isso é importante, a partir dos 6 meses, uma alimentação diversificada, com fontes de ferro. As principais fontes de ferro são: carnes, gema de ovo, folhas verdes como o brócolis, espinafre, couve, os feijões, os cereais infantis fortificados com ferro e, para as crianças maiores, passas e damascos secos. Esta não é uma lista completa, apenas alguns exemplos. O ferro contido na carne é de melhor absorção que o ferro nos legumes e frutas. Quando o ferro (seja de carnes ou de legumes) é acompanhado por alguma fruta com vitamina C (laranja, mamão, goiaba, kiwi) sua absorção é ainda melhor.

Crianças menores de um ano que recebem leite de vaca integral (em pó ou líquido) podem ter perda invisível de sangue nas fezes, produzindo anemia. Por esse motivo, o leite de vaca não é recomendado antes de um ano de idade. Se a criança não mama mais no peito, deve ser oferecida uma fórmula infantil especialmente balançeda para a idade (leites em pó específicos para bebês).

Não são só os bebês que merecem uma atenção maior com relação à alimentação. Os adolescentes também apresentam, com alguma frequência, deficiência de ferro. Isso porque, com o crescimento, há uma expansão do volume de sangue e um aumento da massa muscular. No caso das meninas, há ainda a menstruação que, se for muito intensa, pode contribuir para uma deficiência de ferro. Uma deficiência de ferro não costuma dar sintomas e só pode ser diagnosticada através de alguns exames de sangue. Não há consenso sobre se realizar exames de rotina em adolescentes, ficando esta decisão a cargo do pediatra que vai avaliar caso a caso.

Para resumir, se conseguirmos dar uma alimentação diversificada, um prato colorido, para nossos filhos, em todas as idades, estaremos popeyeprevenindo a deficiência de ferro e muitas outras doenças. Portanto, o melhor remédio para doenças “modernas” é um prato de comida à moda antiga! Alguém se lembra do Popeye? Bem antigo!

Se tiverem alguma dúvida ou quiserem fazer algum comentário, serão serão sempre bem-vindos.

INTRODUZINDO COMIDA PARA O BEBÊ

Passados 6 meses de aleitamento exclusivo, preferencialmente materno, chega o momento de introduzir novas comidas para o bebê. Quais as bebê comendocomidas indicadas e a partir de que idade? Para responder a essa pergunta, vamos ver o que acontece em outros países. A seguir alguns exemplos que ilustram algumas das comidas utilizadas como as primeiras a serem dadas para o bebê:

Japão- arroz, tofu, abóbora e peixe

EUA- cereais em formulação para crianças (arroz e aveia)

África- mingau de farinha de milho (maizena) e carnes

Suécia- papa de frutas

India- o primeiro alimento além do leite é celebrado em uma festa, um rito de passagem – Annaprashana. A família se reúne para oferecer uma mistura de arroz cozido com leite e açucar.

Como podem ver, as diferenças são grandes, o que só confirma o que os pesquisadores estão dizendo: a introdução de comidas é um fenômeno cultural e não uma decisão baseada em evidências científicas. Portanto, um bebê com 6 meses ou mais de vida pode comer de tudo! As regras rígidas, as datas precisas e exatas para introduzir este ou aquele alimento, a ordem com que devem ser introduzidos, tudo isso é mito e os pais podem se sentir muito mais ousados e criativos na hora de prepararem as papinhas para seus filhotes.

Alguns estudos mostram que, ao contrário do que se supunha, alguns alimentos com potencial de produzir alergia, se introduzidos entre 6 meses e um ano de idade, diminuem a incidência de reações alérgicas. Outros estudos demonstram que uma oferta variada de sabores tende a aumentar o “gosto” da criança por comidas “diferentes”. Alguns estudos correlacionam o que a mãe comeu na gravidez com essa aceitação da criança por comidas diversificadas.

Mas, assim como na música do Tim Maia que diz: vale tudo, só não vale dançar homem com homem e mulher com mulher, na alimentação dos bebês, a partir do 6 meses, vale tudo, só não vale:

  • leite de vaca antes de um ano de idade.  O leite materno ou as fórmulas infantis devem ser preferidas.
  • mel antes de um ano de idade por causa do risco de botulismo.
  • comidas apresentadas de forma que a criança corra o risco de engasgar. Quanto menos dentes, mais pastosa e sem pedaços duros deve ser a comida. Quando a criança começa a mastigar, evitar cortar os alimentos em formato redondo ou ovalado porque favorecem o engasgo (cortar quadrado ou assimétrico).
  • açúcar refinado
  • frituras
  • sal em excesso. A recomendação é cozinhar com pouco sal
  • embutidos,como salsicha, salame, mortadela
  • enlatados,como atum e sardinhas
  • frutas ácidas como, morango, abacaxi e limão

Caso alguém na família tenha uma alergia alimentar importante, este alimento deve ser introduzido com a orientação do seu pediatra.

Agora é se divertir criando novas receitas para os bebês. Se quiserem, compartilhem suas receitas aqui no blog. Vai ser divertido e instrutivo ver o que os pais oferecem, como primeira comida,  a seus filhos. Como podem ver, ainda existem algumas regras ou orientações. Mas, o espaço para que se tornem chefes  de cozinha é enorme. Que marravilha!