Arquivo | fevereiro 2013

REPELENTES

dengue-mosquito-bite A dengue é uma realidade no nosso meio e o número de casos, neste ano, já é maiores do que os do ano passado, no mesmo período. Somos e seremos bombardeados com informações, importantíssimas, referentes à prevenção. Essencialmente, devemos ser muito mais cuidadosos do que somos com a possibilidade de água limpa ficar parada. É nesse meio que o mosquito da dengue se reproduz. Além das medidas de prevenção com relação ao aumento de mosquitos, que todos nós deveríamos aderir de forma metódica e disciplinada, existem alguns cuidados que podem ser tomados para prevenir as picadas do inseto.

A primeira e mais óbvia é evitar os locais com grande população de mosquitos. Outra medida é ter maiores cuidados no amanhecer e entardecer (fechar as janelas), momentos do dia em que os mosquitos ficam mais ativos. Nestes horários, algumas medidas físicas podem ajudar a evitar as picadas:

– uso de redes ou mosquiteiros nos berços e carrinhos;

– uso de roupas que cubram mais o corpo da criança (mangas e calças compridas). O problema é o calor que, na maioria das vezes, impede o uso destas roupas. Mas, dentro do possível, quanto mais coberto ficar o corpo, menos área de exposição, menos chance de ser picado;

– evitar roupas com cores vivas ou padrões florais. Alguns estudos mostram uma maior atração dos mosquitos por cores vivas e padrões florais;

– evitar perfumes, colônias, sabonetes e xampus muito cheirosos ou que deixem seu perfume por longo tempo. Aparentemente, o odor de perfumes, colônias, sabonetes e xampus podem atrair os mosquitos;

– finalmente, usar repelentes na área exposta do corpo.

Duas perguntas surgem, com frequência. Qual o melhor repelente e a partir de que idade pode ser usado?

O repelente com maior eficácia se chama DEET- dietil toluamida. Trata-se de um repelente desenvolvido para o exército dos EUA, em 1946. Desde os anos 50 que se encontra à venda para a população em geral. Portanto, é um repelente com mais de 50 anos de uso e experiência. No Brasil, as principais marcas de repelentes apresentam o DEET em sua fórmula. Autan, Off e Repelex são alguns exemplos de marcas conhecidas que utilizam o DEET como princípio ativo. O que pode variar de uma marca ou apresentação para outra é a concentração de DEET. Uma concentração maior de  DEET não significa que o repelente seja mais forte. Quanto maior a concentração de DEET, maior o tempo de ação, não a sua potência. Alguns estudos mostram que concentrações acima de 30% de DEET não trariam grandes vantagens em termos de duração da ação do repelente. Ainda assim, algumas apresentações possuem 50% de DEET.

Com relação à idade em que se pode usar o repelente, esta varia em função da fonte ou organismo que se consulte. No Brasil, por determinação legal, os rótulos de repelentes informam que somente devem ser usados a partir de 2 anos de idade. Já a Academia Americana de Pediatria, amparada pelo CDC de Atlanta, considera seguro o uso de repelentes à base de DEET, a partir de 2 meses de idade. Uma enorme diferença! Muitos pediatras acabam recomendando o uso a partir de 6 meses de idade. Pessoalmente, acho pouco provável que a Academia Americana de Pediatria fosse emitir um parecer que colocasse em risco as crianças.  O que considero importante, tanto mais que vivemos uma situação de alto risco para dengue, é que o uso de repelentes em bebês, não é proibido ou contra-indicado de forma universal.

Além do DEET, existem outros tipos de repelente. No nosso meio, não raro ouvimos falar do repelentes naturais ou de óleos botânicos. Destes, aparentemente as velas de andiroba possuem uma boa ação repelente, com a ressalva de que atua apenas na área ao seu redor. A citronela, muito comentada, também tem  ação repelente. No entanto, esta é de curtíssima duração e, por este motivo, não é recomendada.

Os repelentes eletrônicos, que emitem ondas ultrassonicas não possuem comprovação da sua eficácia.

O uso de complexo B ou vitamina B1, bem como a ingestão de alho, não produzem efeito repelente significativo, se é que produzem algum. Seu uso não está indicado.

Algumas dicas para o uso de repelentes:

– sempre leia o rótulo e instruções de uso do produto;

– nunca deixe que crianças pequenas apliquem o produto sozinhas;

–  se o produto é apresentado em aerosol ou spray, aplique um pouco na sua mão e passe na criança. Não faça um jato direto sobre a criança;

– não use repelente em área do corpo coberta por roupa;

– aplique o repelente nas áreas descobertas: braços, pernas, atrás das orelhas e no pescoço. Reaplique até 3 vezes no dia;

– use uma quantidade suficiente para cobrir a pele. Colocar mais repelente não aumenta sua potência ou tempo de ação:

– não use repelente em área onde a pele esteja irritada, com algum ferimento ou corte;

– não passe o repelente nas mãos das crianças menores para evitar que esfreguem repelente nos olhos ou coloquem na boca;

Como podem ver, a prevenção da picada de mosquitos envolve três grandes ações: evitar que o mosquito se multiplique, criar barreiras físicas para o mosquito e, finalmente, usar repelentes químicos ou naturais para afastar os mosquitos. Neste post apenas comentei sobre repelentes para uso no corpo.

Comentários e perguntas são sempre bem-vindos.

COMO ESTIMULAR SEU FILHO?

estimulo2Todos nós queremos dar aos nossos filhos o melhor. Talvez o melhor que possamos dar seja exatamente a capacidade de conseguirem desenvolver plenamente seus potenciais. E aí começam nossas dúvidas e inseguranças. Será que estou fazendo certo? Haverá algo mais que eu poderia estar fazendo e não estou?

Se não tomarmos muito cuidado, nos tornaremos alvos fáceis de modismos e charlatanices. Em algum lugar da internet vamos encontrar testemunhos sobre os efeitos de Mozart, tocado durante a gravidez, na capacidade de resolver problemas matemáticos na adolescência. Ou então, alguém vai nos garantir que determinado jogo eletrônico foi utilizado por algum governo longínquo e o que o país hoje exporta talentos para o mundo. A indústria se beneficia dessa nossa insegurança natural e invade as gôndolas de lojas de brinquedo com o que há de mais “científico” para desenvolver as aptidões intelectuais do seu filho de…… 3 meses!

Como então poderemos estimular nossos filhos? O essencial pode ser resumido em 3 Cs: carinho, cuidado e criatividade. Carinho não é comprar brinquedos ou jogos. É segurar no colo quando bebê, cantar, sussurrar, embalar. Aos 6 meses começar a ler livros ou revistas (sim, 6 meses!) e, depois, brincar junto. Carinho é presença. Carinho é uma emoção e não um objeto comprado (que pode ser adquirido com carinho!). Cuidar é se certificar que o ambiente em volta do seu filho seja agradável, amistoso, seguro e confortável. Não significa decorar o ambiente (ainda que isso possa fazer parte), mas adequar o ambiente para a vida da criança. Um ambiente que ela sinta como dela, onde está integrada, com prazer. Criatividade é ignorar regras que não parecem fazer sentido, ousando um pouco. Ignorar dicas de pediatras, amigos e parentes e fazer o que o coração determinar. É, também, usar o que pode ser chamado de “sucata estimulo3doméstica” como brinquedo. Coisas seguras como caixas de ovos (sem os ovos!), algumas embalagens, acabam virando brinquedos muito divertidos porque eles não vêm prontos como alguns que compramos. Estes exigem que fabulemos (inventar uma história) para que deixem de ser o que são e passem a ser casas, bichos, aviões ou túneis.

Estimular nossos filhos é deixa-los se desenvolverem no ritmo deles, sem tentar acelerar etapas. É respeitar a diferença entre irmãos ou crianças da mesma idade. É fazer as refeições em família, ao menos nos finais de semana.  É sair de casa e fazer mais programas ao ar livre. Estimular nossos filhos é desligar um pouco a TV e computador, conversando com eles.

E o que fazer com o Mozart? Ora, se a família gosta de música clássica, que toque muito Mozart. Mas, se gosta de rock ou samba, que toque o que gosta. Estimular nossos filhos é inseri-los na nossa cultura e valores, sempre com carinho, cuidando e sendo criativo.

Talvez descubramos algo incrível: os estimulados seremos nós, também!

Este post foi publicado originalmente no blog www.4insiders.com.br, onde sou um dos colaboradores.

DOR DE OUVIDO

dor de ouvido1Uma das queixas mais frequentes nos consultórios e emergências pediátricas é dor de ouvido. A principal causa de dor de ouvido é uma infecção que tanto pode ser viral, quanto bacteriana. Somente o seu pediatra, ouvindo a história do seu filho e procedendo a um exame do ouvido (otoscopia) poderá fazer um diagnóstico ( probabilístico) de que tipo de infecção seria. Além dessa classificação em infecção viral ou bacteriana, esta pode estar localizada no canal auditivo e é chamada de otite externa. Quando a infecção se localiza no ouvido médio (atrás da membrana timpânica), é chamada de otite média.Veja a ilustração no final do post (se não confundir mais ainda!)  Crianças entre 6 meses e 2 anos apresentam características anatômicas do ouvido que favorecem o aparecimento de infecções. Por isso, não raro, uma criança pequena apresenta mais de um episódio de dor de ouvido na sua vida. A boa notícia é que, à medida que a criança cresce e a anatomia do ouvido se modifica, essas infecções se tornam menos frequentes, tendendo a desaparecer. A otite externa, frequentemente está associada a banhos de mar ou piscina. Já a otite média, não raro, aparece durante um resfriado comum.

Existem outras causas para a dor de ouvido, menos frequentes:

  • corpo estranho ou machucados- a criança pode ter enfiado a ponta de um lápis ou um pedaço de um brinquedo, que pode ou não estar no conduto auditivo. Se você suspeitar ou tiver certeza de que seu filho introduziu algo no ouvido, NÃO  tente retirar o objeto, por mais fácil que pareça (exceto algo que esteja praticamente do lado de fora e você consiga garantir uma boa “pega”do objeto). Tentar tirar um objeto pode empurrá-lo mais para dentro, aumentando a dor e tornando sua remoção mais difícil
  • cêra (cerumen) impactado- a cêra produzida pelo próprio ouvido pode obstruir o conduto auditivo, gerando desconforto e alguma dor. Em geral, é uma dor muito menos intensa e mais tolerável do que a das otites e corpo estranho.
  • traumatismo- uma bolada ou uma agressão de colega na escola pode produzir dor de ouvido.

O que os pais podem fazer diante de uma criança com dor de ouvido? A primeira providência é saber que, na imensa maioria dos casos, apesar da intesa e desconfortável dor, a gravidade é baixa. Portanto, como em todas as situações onde a criança “perde o controle”, cabe aos pais manter a calma. A seguir, avaliar o estado geral do seu filho. Está bem, apesar da dor? Tem febre alta?   Acima de 39 C? Olhando para a orelha percebe alguma secreção saindo? Ou então, a parte posterior da orelha está vermelha? A orelha está deslocada (ficando como se fosse uma orelha de abano)? O pescoço está duro ou dolorido, impedindo a criança de encostar o queixo no peito? Se algum desses sinais, raros, estiver presente, contate o seu pediatra imediatamente. Se nenhum desses sinais estiver presente, não há necessidade de contato imediato com o seu pediatra e você pode fazer duas coisas:

1- analgésicos via oral- dê para seu filho o analgésico que seu pediatra costuma prescrever, na dose adequada para seu peso. Repita a cada 6 horas, até falar com o seu pediatra.

2- compressa morna- coloque uma bolsa de água morna ou um pano morno, do lado de fora do ouvido.

Essas duas medidas devem aliviar, um pouco, a dor. Nunca pingue nada no ouvido de seu filho, sem a orientação do seu pediatra. O tratamento específico da dor de ouvido deve ser prescrito pelo pediatra.

Resumindo: mantenha a calma, analgésicos pela boca e compressa morna. Ligue para seu pediatra e o mantenha informado.

Enviem suas perguntas ou comentários. São sempre muito bem vindos.

Ouvido

A VISÃO DO BEBÊ

O bebê enxerga desde o nascimento, só não consegue, ainda, focar em um objeto central. Sua visão é o que chamamos periférica (enxerga o que visão bebêestá mais nas laterais dos olhos). No nascimento, a sensibilidade à luz é grande e, por esse motivo, as pupilas ficam mais contraídas (pequenas). Aos poucos o bebê vai desenvolvendo a capacidade de focar em objetos centrais e, ao completar um mês, enxerga objetos colocados na sua frente, entre 20 e 40 cm. Por volta de um mês, o bebê vai começar a acompanhar o movimento de objetos grandes, desde que se movam bem lentamente. É normal que os olhos não se movimentem sempre em conjunto. Um pode ir para um lado e o outro não acompanhar. É apenas o começo dessa aptidão e é muito cedo para se fazer o diagnóstico de estrabismo (vesgo).  Nesta época, com um mês de vida, o bebê ainda não distingue cores e sua atenção é para objetos com mais brilho ou intensidade de cor. Também tem sua atenção chamada por contrastes, como preto e branco. De todos os objetos que possam ser apresentados, o rosto humano é o preferido dos bebês e, mais especificamente, os olhos. Um bom exercício é, segurando seu bebê no colo, na sua frente, mover lentamente sua cabeça para um lado e para o outro.

Com 3 meses de idade, um bebê habitualmente acompanha um objeto que se mova na sua frente. Nessa idade já é capaz de reconhecer alguns objetos e pessoas mais familiares.  A identificação de cores vai progredindo e, em torno de 4 meses, já possui uma boa visão colorida. Também por esta época, consegue focar objetos mais longe e, não raro, vai encontrar seu bebê olhando para uma parede distante ou algum objeto que esteja mais longe. Por isso, é uma boa ideia variar os objetos de lugar, contribuindo para estimular a visão do seu bebê.

Entre 4 e 7 meses a coordenação olho-mão se desenvolve plenamente, permitindo que o bebê alcance e pegue objetos. A partir dos quatro meses, o melhor estímulo para a visão é a variação de ambientes, incluindo passeios que permitem à criança observar objetos variados, sem necessidade de manter a atenção em um ou dois. Um bom passeio é pela própria casa, com o bebê no colo e conversando com ele, como se fosse uma excursão! Nesse período, a capacidade de prestar atenção é mínima ou nula, daí a importância de muitos objetos que possam ser olhados.

A partir dos 6 meses, leiam livros para seus filhos. Mostrem as figuras e falem, mudando o tom da voz, contando historinhas. Permitam que mexam nos livros, coloquem na boca, brinquem e não se preocupem em ler uma história inteira. Deixem que a atenção do seu filho determine o tempo de duração da leitura. Mas, tornem a leitura um hábito rotineiro, cotidiano. É o que há de melhor para desenvolver não só a visão, mas, também, a linguagem e o intelecto.

O mais importante é que façam de cada momento de estímulo algo divertido e carinhoso. Nada de considerar esses momentos como tarefas com objetivos definidos e metas a serem atingidas. Deixem isso para bem mais tarde. Nesse período da vida, tudo que os bebês querem é carinho e cuidado. Sintam prazer dando ambos.