Arquivo | janeiro 2013

QUANDO DEVO COMPRAR UM ANDADOR PARA MEU FILHO?

andador1Poderia fazer o post mais curto da história, respondendo apenas: NUNCA! No entanto, tenho a certeza de que todos gostariam de um pouco mais de informações, para uma posição tão categórica quanta esta que assumi. Principalmente, se considerarmos, que me alinho com os pediatras “soft”. Isto é, pertenço ao grupo de pediatras que estimula os pais a ousarem e costumo ser um crítico de regras pré-estabelecidas para ajudar os pais na saúde e educação dos filhos. Então, de onde vem essa negativa tão enfática, para o uso de andadores?

Como informação, desde 2007 que a venda, importação ou propaganda de andadores está proibida no Canadá. Um país de economia liberal que proíbe a comercialização de um produto, não o faria se não tivesse evidências que suportassem tal medida.

Um dos motivos pelos quais os pais acham interessante o uso do andador é porque ele (o andador) daria maior segurança para as crianças, evitando tombos ou quedas. Um estudo sueco mostrou exatamente o contrário. A primeira causa de traumatismo craneano em crianças menores de quatro anos de idade foi queda ou tombo de um andador. A grande maioria destas quedas foi em escadas, degraus, ou desníveis. A segunda causa de traumatismo craneano, nesta pesquisa sueca, foi acidentes no play com brinquedos (queda ou trauma direto). Portanto, o argumento de que o andador é seguro não é uma verdade inquestionável.

Outro motivo pelo qual os pais acham o andador interessante é porque aumenta a mobilidade da criança. É verdade que aumenta, e muito, a mobilidade. No entanto, ao aumentar a mobilidade de uma criança que ainda não tem noção do que é perigoso ou não, aumentamos a exposição desta a perigos. O andador é um veículo que pode atingir a velocidade de 1m/s. Nesta velocidade, além de colisões em móveis, quinas de mesa etc. a criança pode alcançar, muito rapidamente e sem que os pais percebam lugares da casa onde peguem objetos cortantes, perfurantes, vasos, porta-retratos ou consigam puxar fios, telefones, lâmpadas, com potencial de produzir acidentes muito maior do que se a criança estivesse se deslocando pelos seus próprios meios.

Um argumento muito comum para a utilização do andador é que este facilitaria o desenvolvimento da criança. É justo o oposto. Ainda que a diferença seja pequena, crianças que utilizam o andador apresentam um discreto atraso no seu desenvolvimento motor, quando comparadas com as que não usaram andador.

Muitos pais acreditam que o andador é uma ótima forma da criança se exercitar. De fato, ela ganha mobilidade, como vimos acima, mas o esforço físico, o trabalho muscular e o consumo de energia é muito menor no andador do que quando a criança se desloca somente usando a sua musculatura. Portanto, a criança no andador faz menos exercício do que uma criança que engatinha e tenta se levantar, por exemplo.

Finalmente, alguns pais dizem que gostam de ver seus filhos no andador porque ficam muito felizes, sorrindo o tempo todo. Ora, uma criança pequena, sorri para quase qualquer coisa que se faça com ela. Basta ficar na frente dela e fazer duas ou três caretas, emitindo alguns sons, ou mostrar coisas coloridas, ou fazer qualquer coisa que chame a atenção da criança que esta irá sorrir. Se ela só sorrisse no andador, poderíamos fazer essa associação, mas como ela sorri para quase tudo…

Espero ter mostrado com algumas evidências que não há lugar para o andador, na vida dos bebês. Espero também que não me classifiquem como um pediatra “linha dura”. Deixem-me  no grupo dos “pediatras soft”, apenas um pouco mais enfático quando existem argumentos sólidos, com relação a algo, como, neste caso, o andador.

Divirtam-se com seus filhotes engatinhando pela casa, tentando ficar de pé na beira dos sofás e cadeiras e, finalmente, cambaleando, caindo no bumbum, levantando e andando!

baby boy walking

Este post foi publicado, originalmente no blog  http://4insiders.com.br/. É um blog de variedades, muito interessante, para o qual eu colaboro.

 

 

EXANTEMA SÚBITO

A criança chega no pediatra e a mãe conta que está com febre há 3 dias. Relata que a febre é alta, chegando a 39,5ºC e que abaixa depois que ela exantema subitodá um antitérmico, mas volta assim que o efeito o remédio passa. O pediatra pergunta por outros sintomas e a mãe diz que não notou nada além de uma certa irritabilidade, pedindo mais colo e perda do apetite. O pediatra examina, cuidadosamente, a criança e não encontra nenhum sinal específico. Explica então o exame clínico para mãe, dizendo que não revelou nada grave, concluindo que se trata de uma virose.

O pediatra percebe a decepção no rosto da mãe. A menção da palavra virose produz na mãe a sensação de que o pediatra não tem a menor do que seu filho realmente tem. Para piorar, o pediatra explica que não há remédio específico. A mãe deve continuar a dar o remédio para a febre, oferecer líquidos, não forçar a alimentação e aguardar mais uns 3 0u 4 dias para que seu filho melhore.

Essa é uma história que muitos pais já terão vivido. Neste caso, ainda falta o capítulo final.

No sexto dia, a mãe liga, animada, informando que a febre sumiu e que o filho está começando a comer normalmente. No dia seguinte, liga novamente, agora um pouco preocupada. Informa ao pediatra que apareceram umas pintinhas ou manchinhas vermelhas no corpo do filho. O pediatra pergunta se a criança está bem e continua sem febre. Diante das respostas da mãe, confirmando que está tudo bem, diz: Exantema Súbito! O que é dito com  voz triunfal pelo pediatra, é ouvido com certo pânico pela mãe. Exantema Súbito? Com esse nome, só pode ser grave. Pior, é súbito!

Essa historinha inventada foi para comentar sobre uma virose, completamente benigna, cuja principal característica é a do exantema maculopapular (as manchinhas vermelhas) aparecer após o desaparecimento da febre. O outro nome pelo qual o Exantema Súbito pode ser conhecido é Roséola.

Viroses existem. Não são invenções de pediatras quando não sabem o que a criança tem. Somente algumas viroses têm nome próprio como: Sarampo, Catapora, Rubéola, Caxumba, Dengue etc. Exantema Súbito ou Roséola é mais uma virose, com nome próprio.

Se você tiver algum comentário ou pergunta, por favor o envie.

REMÉDIOS PARA VIAGENS

Children First aidFérias, viagens à vista. Com crianças, é preciso pensar em tudo, antecipadamente. Do filtro solar ao repelente de mosquito, passando pelas bóias, um brinquedo favorito e roupas de reserva caso se sujem mais do que habitual. Em algum momento os pais vão se perguntar- não seria bom levarmos alguns remédios?  Se os pais responderem afirmativamente, sim, seria bom, a próxima pergunta é a mais difícil de todas- quais devemos levar? Não existe uma lista padrão que possa ser divulgada. Na tentativa de ajudá-los, seguem algumas perguntas e sugestões.

Se for uma viagem planejada com antecedência, converse com seu pediatra. Ele poderá lhe orientar sobre eventuais vacinas que não fazem parte da vacinação de rotina que poderiam ser interessantes ou até obrigatórias, como a febre amarela para determinadas regiões. Seu pediatra também poderá lhe orientar sobre eventual indicação de profilaxia como, por exemplo, para a Malária, se a viagem for para uma região onde esta doença é endêmica. Finalmente, seu pediatra poderá lhe orientar sobre o que ele recomenda que levem como medicamentos básicos. Como ele conhece seus filhos, pode fazer sugestões bem precisas.

Minhas sugestões, genéricas, são:

1- Antes de fazer qualquer lista de remédios, decidam que querem levar o mínimo. Se começarem a a se perguntar sobre todos os “e se” que podem acontecer, vão acabar concluindo que precisam levar uma UTI móvel!

2- O lugar para onde vão tem farmácia? Se sim, podem levar menos remédios (o mínimo do mínimo). Talvez seu pediatra sugira que levem algum antibiótico porque, em geral, será necessário uma receita médica, o que nem sempre é fácil. Caso levem algum antibiótico, combinem que ligarão para seu pediatra antes de começar a usá-lo.

3- Quais as idades das crianças? Em geral, quanto maior as crianças, menor a necessidade de levar remédios. Bebês, em geral, também não precisam de remédios. Crianças entre 1 e  5 anos são as que podem precisar de uma variedade um pouco maior de remédios. Mesmo assim, é possível levar poucos remédios (se, no local para onde vão, houver farmárcia).

4- Alguma das crianças precisa tomar remédios de forma continuada ou pode ter necessidades conhecidas? Por exemplo, crianças com diabetes, asma, alergias conhecidas, precisam levar suas medicações prescritas, na quantidade suficiente para o período da viagem. Nada mais estressante do que descobrir que a bombinha com o broncodilatador acabou e vocês estão no exterior!

5-Minha lista do básico do básico, não incluindo o antibiótico que o pediatra prescreveu, nem as medicações rotineiras ou conhecidas, seria:

– analgésico/antitérmico

– remédio para náusea ou vômitos

– antiespasmódico para cólica em crianças maiores ou adolescentes

– antialérgico

Como sempre, não há uma regra e  conversar com o seu pediatra é sempre o melhor caminho para levar o que for essencial para as necessidades potenciais  de seus filhos.

Boa viagem para todos que forem viajar (e que não usem nenhum dos remédios levados!).

VERÃO

No último dia 21, às 9h11m, se iniciou o verão no nosso hemisfério. Resolvi escrever algumas coisas a respeito dessa estação, verão2relacionadas à saúde das crianças.

Evidentemente que veremos uma enxurrada de matérias em jornais, TVs e revistas, com dicas para a saúde, durante o verão. Quase todas não serão dicas para a saúde, mas, como evitar doenças! Curiosamente, nossa cultura, fortemente influenciada pela medicina, prioriza a doença e a ausência desta é considerada como saúde. Um dia, se os leitores do blog  quiserem, escrevo especificamente sobre esse tema. Mas, tentem se lembrar do que já leram  sobre  saúde e o verão.  Deve ser algo na linha:

– cuidado com a desidratação.

– lembre-se do filtro solar, câncer de pele é uma realidade.

– praias com águas contaminadas.

– como prevenir doenças de pele produzida por areia suja (da praia ou pracinha)

A lista poderia continuar. Deixo para o leitor exercitar sua memória e criatividade com o que já leu ou supõe que vai ler.

Vou tentar falar sobre saúde no verão e não simplesmente como evitar doenças (o que também é importante):

1-      Divirtam-se com seus filhos. O verão é uma época maravilhosa para atividades ao ar livre. Se os seus filhos são pequenos, passeios a pé ou de bicicleta, idas à praia ou piscina, visitas ao zoológico, jardim botânico, são algumas das opções. Se os filhos já são maiores ou adolescentes, aproveitem para fazer algum esporte juntos.

2-      Conheçam novos lugares. Aproveitem as férias escolares e, eventualmente, alguns dias de férias dos adultos, para conhecer algo novo. Não é preciso viajar para se conhecer uma novidade. Nas nossas cidades existem coisas interessantes que nunca temos tempo ou disponibilidade para conhecermos. O verão é um ótimo momento. Pode ser um museu, um parque ou mesmo uma área da cidade, como o centro. Tornem esse conhecimento em algo lúdico e prazeroso para todos. Pode ser uma viagem também, para perto ou para longe. O que realmente importa é ensinar aos filhos como é bom conhecer novidades e aproveitar para viver momentos felizes em família.

3-      Conheçam novos alimentos. Se não forem viajar, façam uma visita a um mercado e brinquem de identificar legumes, verduras e frutas. A seguir, escolham algo novo para provarem, juntos. Se forem viajar, provem alguma comida típica do lugar. Fujam das mesmices, dos fast foods, do bife com fritas. Nada contra (só um pouquinho), mas deixem essas comidas para o resto do ano!

4-      Pratiquem o carinho físico. Tendo mais tempo para ficarem juntos, pais e filhos devem aproveitar para se abraçar, embolar, fazer cócegas, apertar e beijar. Não é preciso “fazer algo” o tempo todo. O verão é um bom momento para um ócio carinhoso, um cafuné, um cheiro, um dengo.

5-      Flexibilizem a disciplina diária. Sem deixar que a vida vire um caos, permitam que certas coisas aconteçam ou outras (obrigações) deixem de acontecer. Coisas básicas como escovar os dentes e tomar banho devem ser mantidas!

6-      Sejam mais criança. Esta recomendação é o item 5 (acima) aplicado aos adultos. Brinquem, sejam criativos, inventem histórias, criem personagens e aventuras. Não façam isso só pelos seus filhos. Secretamente, divirtam-se junto com eles.

verão1Um bom verão para todos!

Este post foi publicado, originalmente, no blog http://4insiders.com.br/. É um blog de variedades, muito interessante, para o qual eu colaboro.