Arquivo | novembro 2012

MAMADEIRA: ASSUNTO PROIBIDO!

mamadeiraUm pediatra falar sobre mamadeiras é um assunto proibido. Aliás, não só o pediatra, qualquer pessoa falar sobre mamadeira virou um tabu. Claro que se fala, mas é desses assuntos que mães trocam segredos sobre marcas, tipos, bicos, como se fosse algo ilegal. Resolvi falar um pouco mais abertamente sobre esse tema com o único intuito de desmitificar um pouco o assunto.

Para começar, gostaria de deixar bem clara minha posição inteiramente favorável à amamentação. Não há dúvida alguma sobre todas as qualidades nutricionais, afetivas, psicológicas que o amamentar traz para a criança (e para a  mãe). Mas, daí a se criar uma clima de constrangimento sobre as mães que, pelos mais diversos motivos, usam mamadeiras para alimentar seus bebês, vai uma grande diferença.  Vivemos um clima onde a Patrulha do Peito parece vigiar todas as mães e quando identifica uma que está usando mamadeira, desfia os argumentos pró peito, de uma forma muitas vezes opressiva. Parece que a mãe que ofereceu mamadeira está cometendo um crime! O que a Patrulha do Peito acaba conseguindo é gerar um sentimento de insegurança e culpa em uma mãe que pode ser tão carinhosa e amorosa quanto uma que amamente no peito.

Vamos a alguns fatos:

  1. O leite materno é o mais adequado para o bebê. Sem dúvida que sim. Não é preciso se falar nos aspectos dos constituintes do leite materno. Basta pensar que, para humanos, nada melhor do que leite humano. Simples assim. No entanto, pelos mais variados motivos, nem todas as mães conseguem ou podem amamentar seus filhos. Felizmente, hoje, existem fórmulas infantis (leites específicos para lactentes)  que são de excepcional qualidade e garantem uma boa nutrição aos bebês.
  2. Amamentar cria um vínculo forte entre mãe e bebê. De fato, o contato físico íntimo é excelente para a criação de vínculos afetivos e a amamentação permite esse contato. Mas, o amor não está no leite que sai do peito e sim no toque, no olhar, no modo de segurar seu filho. Dar uma mamadeira pode ser um momento de grande initmidade e carinho, ainda que a boca do bebê não esteja no seio da mãe.

Devemos incentivar ao máximo a amamentação, mas nunca penalizar as mães que não conseguem ou não podem, com culpa e insegurança. Uma mãe de primeira viagem pode estar tensa nos primeiros dias e achar não vai conseguir amamentar. Cabe ao pai, familiares e pediatra, criar condições de tranquilidade e estímulo para que a mãe e o bebê encontrem o caminho da amamentação. Não se deve oferecer uma mamadeira na primeira dificuldade. Mas, algumas mães e bebês, por mais que se esforçem, e sem motivo objetivo,  não conseguem chegar a um “acordo” satisfatório com relação à amamentação. Outra mães têm restrições de saúde que as impede amamentar. Para estas mães, a mamadeira é a solução. Deve ser vista como algo positivo porque vai permitir que o bebê se alimente adequadamente e continue recebendo o carinho e amor da mãe. Não há nada de errado em se dar mamadeira nestas circunstâncias. As mães que dão mamadeira não devem ser ” patrulhadas” e sim acolhidas. Introduzir a mamadeira já pode ter sido um momento difícil. Não precisam de nenhum tipo de juízo de valor dos seus atos. Precisam sim de acolhimento para que possam desfrutar plenamente das alegrias da maternidade. Não é pelo tipo de leite que é ofertado aos filhos que se avalia uma mãe! Mãe é bem mais do que um peito com leite.

Agora, é só esperar a reação da Patrulha do Peito! Um pediatra escrever sobre mamadeira é uma heresia. Fosse na idade média, eu corria o risco de ser queimado em praça pública! Mas, insisto, ninguém é contra o aleitamento natural. Mas, quando este não for possível, não é crime, nem pecado, usar a mamadeira com fórmulas (leites) adequadas.

Como sempre, gostaria de receber seus comentários. Inclusive os críticos, se houver.

TESTE DO PEZINHO

O teste do pezinho é o nome que se dá a uma série de exames que são feitos, utilizando algumas gotas de sangue geralmente obtidas do calcanhar dos bebês. Esses exames visam a detectar, precocemente, algumas doenças metabólicas, genética ou infecciosas que não costumam apresentar sintomas logo após o nascimento. Quando diagnosticadas precocemente, muitas destas doenças podem ser tratadas ou controladas.

No Brasil existe o Programa Nacional de Triagem Neonatal que tornou obrigatório o teste do pezinho em todos os bebês. Os testes oferecidos pelo PNTN são:

– fenilcetonúria

– hipotireoidismo

– anemia falciforme

– fibrose cística

O PNTN definiu que estes exames seriam oferecidos em fases. Assim, nem todos os estados oferecem todos os exames.

Além destes exames oferecidos pelo PNTN, vários laboratórios privados oferecem uma bateria muito maior de exames. Evidentemente que, quanto mais abrangente forem os exames, mais caro o seu custo.  Os exames realizados por laboratórios privados incluem:

– hiperplasia da supra renal

– galactosemia

– deficiência de biotinidase

– deficiência de glicose 6 fosfato desidrogenase

– deficiência de acetil coenzima A desidrogenase de cadeia média (MCAD)

– surdez congênita não sindrômica

– espectrometria de massa em tandem (vários erros inatos do metabolismo)

– toxoplasmose

– rubéola

– citomegalovirose

– sífilis

– Aids

– doença de Chagas

Como podem ver a lista é muito extensa e, com  novas técnicas, novos exames vão sendo disponibilizados.

Meu objetivo, neste blog, não é o de estimular o medo das doenças, muito menos a hipocondria!  Por esse motivo, não vou fazer uma descrição de cada uma destas doenças, todas razoavelmente raras. O que eu considero realmente importante é que os pais saibam que esse teste tão simples de ser feito, pode, de novo- em raras ocasiões, ser fundamental para a saúde do bebê. Muitas das doenças listadas têm tratamento e, quanto antes diagnosticadas, melhor o seu controle.

Muitos pais têm duas dúvidas muito objetivas:

– quando fazer o teste? O período ideal é entre o 3º e 7º dia de vida.

– precisa ser feito no pezinho? Não. O sangue é colhido no calcanhar porque esta região é muito vascularizada (tem muito sangue), facilitando o exame. Mas, o sangue poderia ser colhido de qualquer outro lugar.

Portanto, aquele furinho feito no pé do bebê, que dói no seu coração, pode ser a gotinha que fará toda a diferença.

Se tiverem alguma dúvida ou quiserem fazer algum comentário, por favor me enviem. Será muito bem-vindo.

DROGAS LÍCITAS

Quando falamos em drogas, imediatmente nos vêm à mente aquelas ilegais. Como pais temos uma preocupação enorme, justificada, com o risco de nossos filhos se envolverem com essas drogas e, eventualmente, desenvolverem algum tipo de dependência química ou de comportamentos inadequados. Dentre estes, desinteresse ou apatia social, baixo rendimento ou abandono escolar, agressividade etc. Como pais, lemos e nos interessamos pelo tema, buscando, de diversas formas, manter abertos os canais de comunicação com nossos filhos. No entanto, me parece que a atenção que damos às drogas lícitas é bem menor do que a que é dada à maconha, cocaína, extasy, crack,LSD etc. Me refiro a duas grandes drogas lícitas: o cigarro e a bebida.

O cigarro, muitas vezes, sequer é identificado ou classificado como uma droga. No entanto, produz dependência química (vicia), potencialmente lesa o organismo de forma conhecida (câncer, enfisema, entre outras doenças)  e apresenta síndrome de abstinência (a pessoa passa mal quando fica sem o cigarro). O cigarro tem todos os atributos para ser classificado como uma droga. Fora esses aspectos, o fumante tem uma perda na sua qualidade de vida por alterações no seu olfato, paladar e capacidade aeróbica. No entanto, para um adolescente, nenhuma dessas situações futuras constitui uma ameaça real. Uma das caracterísitcas da adolescência é a onipotência, que se expressa pela frase  mágica: isso não vai acontecer comigo! É importante que os pais saibam argumentar não só baseado nas evidências a respeito dos malefícios do fumo, que pouco sensibliza os adolescentes, mas também reforçar a questão das opções, autonomia e independência. Autonomia e independência são valores muito desejados pelos adolescentes e falar sobre isso com eles pode torná-los mais abertos a ouvir e pensar a respeito dos seus atos. Provocar um adolescente na questão da sua capacidade de fazer escolhas pode surtir mais efeito do que falar sobre as chances de câncer, infarto e acidente vascular cerebral. O importante é que os pais não deixem de encarar a questão do cigarro com o mesmo rigor com que tratam outras drogas. Se os pais, ou um deles, é fumante,  seria uma ótima oportunidade para mudar comportamentos, motivado pela bem estar dos filhos. Se isso não for possível, ao menos instituir alguma disciplina no seu hábito de fumar, como: nunca fumar dentro de casa, nem na janela, jamais dentro do carro ou em qualquer outro ambiente fechado. Fumar nesses lugares, comprovadamente traz consequências negativas para a saúde dos filhos.

Se o cigarro ainda recebe alguma atenção por parte dos pais, quando o assunto é bebida alcoólica, há muito menos rigor ou consenso. O que eu percebo hoje é que muitos pais são tolerantes com o uso de bebidas por parte de adolescentes. Mais do que tolerantes, fornecem a bebida para que os adolescentes a consumam. Não é raro que bebidas alcoólicas sejam servidas em festas de adolescentes. Pior, muitos adolescentes pressionam seus pais dizendo que, se não tiver bebida a festa vai micar e que ninguém vai. Os pais se veem entre frustrar o desejo dos filhos de festejar com os amigos e ser rígido com a proibição como relação ao consumo de bebidas. Qual é o pai ou mãe que não gosta de ver o filho ou a filha ser querido pelos colegas? Qual é o pai ou mãe que ficaria muito triste se o seu filho ou filha fosse discriminado, excluído, ridicularizado (uma forma de bullying)? Nesse contexto, não é incomum que os pais passem a desenvolver mecanismos de justificação. Nossa fábrica de argumentos mentais é extremamente produtiva e capaz de criar ideias como: afinal de contas, todo mundo está servindo bebidas, queremos que nosso filho seja diferente? Qual é o problema de um pouco de bebida? Eu falo com o barman e mando fazer caipirinhas bem fraquinhas! Melhor que bebam aqui em casa, com a gente por perto do que beber na rua!  Francamente, o que muda quando fazem 18 anos? Será que ficam mais maduros da noite para o dia? Imagino que esses argumentos não sejam assim tão “fantasiosos”. Pois bem, a partir de argumentos tão “razoáveis” como esse, toleramos que os adolescentes consumam bebidas. Não vou usar o post para falar dos problemas que esse consumo precoce de álcool pode acarretar. Para provocar a nossa reflexão, vou sugerir o seguinte cenário:  filho ou filha adolescente se aproxima dos pais e comenta que quer dar uma festa em casa. Em princípio parece uma boa ideia. A conversa evolui até que o filho adolescente diz- ah, tem mais uma coisa. Alguns amigos vão querer fumar maconha. Tudo bem? Qual seria a reação de vocês? Suponho que a grande maioria não teria nenhuma dificuldade em, de forma categórica e enérgica, proibir qualquer droga  ilícita em casa.  Isso se a negativa não vier acompanhada de algum tipo de exclamação como: ficou maluco?  Pois bem, a pergunta que faço é- por quê os argumentos que foram usados para aceitar que fossem servidas bebidas não servem para que os adolescentes consumam outras drogas na festa? Imagino que a primeira resposta que darão seja- porque é proibido, ilegal. Meu ponto é exatamente esse. Do mesmo modo que drogas são proibidas, ilegais, o consumo de álcool por menores de 18 anos, também é. Não existe um gradiente de ilegalidade. Algo é legal ou não. Portanto, quando nossos filhos vierem nos pedir para dar uma festa e fizerem todo tipo de pressão para que sejam servidas bebidas alcoólicas, devemos ser rígidos, rigorosos, negando. A justificativa é uma só- é ilegal, sem precisar entrar em outros detalhes ou começar uma discussão inútil.

Para que possamos ser intransigentes com esse pedido, é preciso que tenhamos construído uma relação afetiva, amorosa , com nossos filhos. Isso se constrói com a nossa presença, desde quando os filhotes são pequenos. O ler e brincar juntos, o fazer refeições em família, o colocar limites e elogiar, constróem as bases para que possamos chegar na adolescência de nossos filhos com a tranquilidade de dizer não, absorvendo a raiva (normal, esperada) que sentirão. Dirão coisas horríveis a nosso respeito que não são fáceis de ouvir. Mas, o que está em jogo é algo muito maior do que um momento de raiva, é a vida saudável dos nossos filhos.

Este é um tema complexo e meu objetivo era o de chamar a atenção para o assunto. Não tenho respostas prontas para os diversos cenários e ficaria muito feliz se compartilhassem suas experiências e vivências. Se tiverem alguma dúvida, enviem que eu tentarei respondê-la.

BULLYING

Quando você leu a palavra bullying, em que pensou? Muito provavelmente em uma criança sendo incomodada por outra, na presença de vários coleguinhas. Esse incomodar poderia ser verbal, através de xingamentos, apelidos que menosprezem ou desrespeitem a criança ou poderia chegar até à violência física. Se você andou lendo sobre bullying (quem não andou?), pode ter pensado também em formas eletrônicas de chatear uma criança, o cyberbullying. Talvez tenha pensado algumas outras coisas, mas suponho que seriam uma variação de uma cena que envolve uma criança que é a vítima,o bully (o chateador proativo) e crianças que passivamente assistem à cena, quer incentivando-a, quer ficando quietos ou calados. Estes últimos, os quietos e calados, muitas vezes permanecem assim por medo de se tornarem vítimas do bully. Mas, será que pensou em algo muito diferente disso?

A pergunta é: como alguém se torna um bully? Será que é algo genético e a criança nasce com um gen para a perversidade? Ou será que é um comportamento aprendido? Se for um comportamento aprendido, onde uma criança poderia aprender a ser um bully? Ora, o lugar mais provável onde crianças pequenas aprendem comportamentos é na sua própria casa. Mas, em que casa acontece bullying? Eu diria que em nenhuma acontece bullying. Pelo menos, não com esse  nome.

Vamos trocar a palavra bullying por abuso. Será que vocês sentem o mesmo desconforto que eu, só de usar uma palavra em português?  Bullying é uma palavra que muito recentemente entrou no nosso vocabulário. Exprime uma ideia de algo que sabemos que pode acontecer, mas que está a uma certa distância de nós. Abuso, abusar, abusado, são palavras muito mais antigas para nós. Exprimem com mais crueza uma ação indesejável, mas que ocorre. Pior, ocorre sutilmente e é esse abuso sutil que pode ser uma das formas que nós adultos temos para “ensinar” bullying para as crianças.

Quando expressamos opiniões de forma violenta, desrespeitosa ou preconceituosa, estamos dando carta branca para que nossos filhos façam o mesmo com seus coleguinhas. Se os pais discutem na frente dos filhos e, com ânimos exaltados, perdem o controle verbal ou até físico, estamos dizendo que isso é aceitável e que podem fazer o mesmo com outras crianças. Se humilhamos nossos filhos com expressões como: como você é burro ou, desse jeito não vai dar para nada na vida, estamos abusando de nossos próprios filhos! Ou, se no extremo oposto, permitimos tudo, não colocando limites necessários, estaremos estimulando comportamentos trangressores, abusadores.  Se o tratamento que dispensamos a funcionários ou empregados é prepotente e agressivo, como esperar que as crianças não nos imitem nas suas relações. O abuso pode se manifestar como uma intolerância com a diversidade.  Se formos intolerantes com  religiões diferentes da nossa, com a cor da pele de uma pessoa, com a mulher em uma postura machista, com pessoas que fazem escolhas sexuais diferentes daquelas que aprovamos ou com quem pretence a uma classe social que não aquela a que fazemos parte, como esperar que nossos filhos não carreguem, para a vida, o potencial de serem abusadores?

Como todos nós, em princípio, desejamos que nosso filhos sejam felizes, vivendo em harmonia com outras pessoas, devemos ter um cuidado enorme com os exemplos que damos no nosso dia a dia. Nossas ações são muito mais poderosas do que qualquer tipo de discurso que possamos ter. Crianças aprendem, muito rapidamente, a captar nossos atos,  mais do que ouvindo nossas palavras. Fiquemos atento aos nossos pequenos “abusos” diários. Estes podem ser responsáveis por um futuro bully.

Do mesmo modo que filhos podem nos incentivar a ficar em foma física, podem nos fazer refletir sobre nossos comportamentos. Uma das belezas da maternidade e paternidade é que temos a oportunidade de ensinarmos um mundo de coisas para nossos filhos. Em contrapartida, para quem for bom entendedor, nossos filhos nos ensinam, também, um outro mundo de coisas.

Como sempre, gosto dos comentários que fazem. Gostaria muito de saber o que pensam sobre bullying/abuso e o que podemos fazer para diminuir esse comportamento. Compartilhem suas ideias.

ANTIBIÓTICOS

Cena 1: a grávida, acompanhada do marido, está entrevistando o pediatra, para saber se vai escolhê-lo como médico do seu filho que vai nascer. Ela consulta uma lista de perguntas que incluem assuntos como amamentação, cólicas, disponibilidade do pediatra nos finais de semana, opinião sobre natação para bebês e música clássica para desenvolver a inteligência. Quase no final, surge a pergunta: “Dr. o senhor gosta de antibióticos? ” e o complemento da pergunta “porque o senhor sabe que tem muito pediatra que adora antibióticos!”

Cena 2: a mãe acompanha, atentamente, ao exame que o pediatra faz em seu filho de 7 anos. O menino apresenta febre alta há 4 dias e o médico, após o minucioso exame, constata que o paciente tem uma amigdalite (infecção da garganta). Pede então um exame (strep test) para diagnosticar (ou não) a presença de uma bactéria (estreptococo). Explica tudo para a mãe e quando ele fala no estreptococo ela exclama: “Dr. por favor, antibiótico não! Tenho o maior pavor de antibióticos!”

Cena 3: a mãe entra no consultório com a sua linda filha de 10 meses, no colo. Aflita, vai dizendo: “Dr. ela está muito resfriada. O nariz está escorrendo e tosse à noite. Felizmente, febre não teve e está comendo tudo muito bem. Mas, o Sr. não acha melhor dar logo um antibiótico para prevenir uma pneumonia?”

Três cenas fictícias que bem poderiam ser verdade. Antibóticos geram reações emocionais nas pessoas. No entanto, talvez com um pouco de informação, essa reação poderia ser mais racional. Antibióticos são substâncias que têm a capacidade de matar bactérias. Bactérias são microorganismos (bichinhos muito pequenos que só podem ser vistos com microscópio) que, em determinadas situações podem produzir uma infecção nas pessoas. Dependendo da gravidade, infecções podem matar uma pessoa. Portanto, ter uma arma que possa matar bactérias e garantir a saúde das pessoas é ótimo. Não se trata de gostar ou não de antibióticos. Nenhum médico gosta de antibióticos (ou de qualquer remédio). O pediatra usa antibióticos quando seu julgamento clínico, com ou sem exames complementares, percebe uma indicação para seu uso. O uso equivocado ou abusivo de antibióticos contribui para o desenvolvimento de bactérias resistentes e a necessidade de novos antibióticos mais poderosos. Por isso que o seu uso deve ser muito criterioso. Antibióticos não servem para prevenir uma pneumonia, como no exemplo acima. Nem servem para tratar de resfriados ou viroses, muito menos devem ser utilizados como antitérmicos para combater a febre!

Portanto, da próxima vez que seu pediatra prescrever antibióticos e você quiser perguntar a respeito, pergunte sobre a indicação, que tipo de bactéria ele supõe estar em jogo. Isso quando não há uma cultura (como urina ou o tal strep test citado no exemplo), onde a bactéria está identificada. Não tema, nem ame os antibióticos. Quando bem indicados contribuem para a cura das pessoas.

Se você tem algum comentário ou dúvida sobre o uso de antibióticos, por favor me envie.