Arquivo | julho 2012

A PRIMEIRA MENSTRUAÇÃO

A puberdade é um evento fisiológico (normal) do processo de maturação sexual que começa com a ativação de hormônios (eixo hipotálamo-hipófise-gônadas) e culmina com a capacidade reprodutiva . É uma fase de mudanças dinâmicas, não só no corpo, como também no intelecto e emoções.

Nas meninas, uma das primeiras mudanças corporais é o desenvolvimento da mama. De um modo geral, em torno de dois anos, dois anos e meio, após o início das alterações do peito, a menina menstrua. Esse prazo não é rígido e menstruar um pouco antes ou depois é perfeitamente normal.

A idade da primeira menstruação varia em função de fatores genéticos e ambientais. No Brasil, hoje, a idade média da primeira menstruação está em torno de 12,2 anos + ou – 1,2 anos. Aos 15 anos, 95% das meninas terão menstruado.

O que me motivou a escrever este post não foram os apectos hormonais da primeira menstruação, mas sim o fato de que um evento da natureza humana está sendo, progressivamente medicalizado  e, até certo ponto, tendo aspectos negativos ou patológicos reforçados. As revistas falam de cólicas e as formas de evitá-las. Algumas matérias focam na TPM e dão dicas de como diminui-la. De exercícios a alimentos são apresentados como soluções ou paliativos para “aqueles dias infernais”.

A menstruação não é uma doença. Claro que algumas pessoas apresentam menstruações com graus variáveis e distintos de desconfortos. No entanto, estes são a excessão. A grande maioria das mulheres menstrua sem ter sintomas relevantes. Divulgar e reforçar os aspectos negativos e excepcionais da menstruação é um desserviço às mulheres. Principalmente para as jovens que, tendo acesso a essa informação criam uma ideia distorcida e equivocada do que seja a menstruação. Assim, ao vir a primeira menstruação seus sentidos estarão aguçados para o desvio da normalidade e não para a celebração de um momento muito rico e emocionante na vida de uma mulher: o momento onde ela se torna capaz de gerar uma nova vida, dentro do seu próprio corpo.

Claro que os primeiros cíclos frequentemente são irregulares, ora atrasando, ora adiantado. Claro que existe um aprendizado a respeito dos cuidados higiênicos a serem tomados. Mas, daí a se transformar uma coisa normal em “dias infernais” ou “aqueles dias”, vai uma grande diferença.

Quando a filha de vocês começar a mudar o aspecto da mama, é o momento para falar mais sobre o corpo da mulher, suas mudanças, o  objetivo destas mudanças (procriar). É a hora onde a  mãe pode orientar a filha a respeito de como se preparar para a primeira menstruação e tentar entender temores ou fantasias que a filha possa ter a respeito. Algumas meninas morrem de medo de serem surpreendidas por um sangramento inesperado e o “vexame” que isso poderia representar. Além de tranquilizar suas filhas, pensem em estratégias práticas que possam ajudá-las. Já soube de mães que, junto com as filhas, montaram “kits” para esse primeiro momento. Só o fato de ter um kit na bolsa ou mochila deu a essas meninas uma segurança muito grande. Não há receita de bolo. Cada menina é única, cada família, distinta. O que sempre é muito bom e importante é a conversa franca e respeitosa de pais com seus filhos. Não rir dos temores, não menosprezar os “fantasmas”. Ouvir atentamente, procurando através de informação correta, ajudar os filhos a compreenderem um pouco melhor esse momento conturbado de mudanças. Muitas vezes, se colocar na história, lembrando a sua própria adolescência pode ajudar a aproximar pais e filhos. Estes, frequentemente, ficam alegremente surpresos ao descobrirem que suas inseguranças já foram as dos seus pais!

Finalmente, queria dizer que a primeira menstruação é um assunto para ser discutido com os filhos homens também. Consideramos que os assuntos do corpo da mulher pertencem somente às mulheres e, com isto, deixamos os meninos sozinhos com suas ideias. Muitas delas equivocadas e que podem ser a base de preconceitos difíceis de serem superados. Meninos frequentemente associam sangue a algo violento ou perigoso. Também podem associar a algo sujo ou “impuro”. Pensamentos assim não ajudarão os filhos homens a olharem para as mulheres de uma forma mais tranquila e menos preconceituosa.

Uma conversa importante para se ter com filhas e filhos que estão ingressando na puberdade é a respeito de gravidez, contracepção e doenças sexualmente transmissíveis. Essas questões são fundamentais e adolescentes tendem a evitar essas conversas porque “já sabem” e porque “isso não vai acontecer comigo”. Não se sinto atemorizados por essas reações e conversem franca e carinhosamente sobre esses assuntos com seus filhos.

Chego ao final do post e, de propósito, não usei o nome que médicos dão à primeira menstruação. Fiz isso porque gostaria que todos nós deixássemos de tratar como coisa médica as coisas que fazem parte da vida. Quando corremos, ficamos ofegantes, isso é da vida. Mas, para os médicos, estaremos com taquipneia. Se, além de ofegantes, estivermos com alguma falta de ar (ainda que temporária), dirão os médicos que estamos com dispneia. Usar a linguagem médica para as coisas da vida é um primeiro passo para acharmos que estas são “doenças”  e precisam de “tratamento”.

A título de informação, os nomes médicos usados na puberdade das meninas são:

– telarca: quando o peito começa a mudar

– pubarca: quando pêlos começam a aparecer debaixo do braço e na região pubiana

– menarca: a primeira menstruação.

Agora esqueçam esses nomes e curtam a entrada dos filhos na puberdade. A primeira menstruação deve ser celebrada como um momento muito bonito na vida das meninas.

Se tiverem comentários, dúvidas ou sugestões, por favor enviem.

ASMA

Asma é mais um desses nomes que assusta. Talvez porque, no passado, estivesse associado com idas a pronto-socorro, dificuldade de controlar a doença e limitações para as crianças. O fato é que, até hoje, os pais ficam muito inseguros quando o diagnóstico dado é de asma. Isso talvez explique a quantidade de eufemismos que existem para se falar dessa doença: bronquite, alergia respiratória, hiperreatividade brônquica etc. Nenhum desses nomes está completamente errado, no entanto sua função é a de minimizar o impacto que o nome asma produz. Minha primeira sugestão é que tratemos as coisas pelo que elas são, dando a elas os nomes mais adequados e, em seguida, procurando separar o que é fato do que é mito. Para começar, a palavra asma vem do grego e significa ofegante. Portanto, o nome mais “inocente” de todos, seria asma! O que seu filho tem? Ah, ele fica ofegante de vez em quando. Ou, ele tem asma.

A asma é uma doença inflamatória crônica dos brônquios. Brônquios são uma estrutura que participa na condução do ar do exterior para os alvéolos pulmonares que é onde é feita a troca de oxigênio inspirado por gás carbônico que será expirado. Brônquios seriam a “tubulação” que leva o ar até os alvéolos.  Quando uma pessoa tem asma, três coisas acontecem com os brônquios: inflamação, aumento na produção de muco e contração dos músculos em torno dos brônquios. O resultado final desses três eventos é que a luz (o calibre, a espessura) do brônquio diminui, dificultando principalmente a entrada e, principalmente, a saída de ar dos pulmões. Na figura ao lado está esquematizado um brônquio com asma e um saudável.

Claro que esta explicação é a mais simples possível, mas suficiente para que possamos entender o que se passa durante uma crise de asma. Como a passagem de ar fica mais estreita, a respiração fica mais intensa, forçada, ofegante. Para eliminar o excesso de muco produzido, surge a tosse. A tosse também pode surgir em fases iniciais de uma crise de asma, como uma tentativa de facilitar a expulsão do ar através de uma passagem que ficou mais estreita. Finalmente, se o brônquio estiver muito estreito, pode surgir o ruído caraceterístico que é chamado de “chiado” ou “miado”. O nome técnico desse ruído é sibilo, que é sinônimo da palavra mais conhecida- assovio.

Espero que, chegando até aqui, tenha conseguido explicar o que é a asma. Duas grandes perguntas se seguem: o que provoca  asma e se tem cura?

A asma é uma doença inflamatória crônica que tem um ou vários fatores desencadeantes. Estes fatores podem ser ambientais, como: poeira, perfumes, produtos de limpeza, ácaros, pêlos de animais etc. Podem ser físicos, como: água fria ou quente, exercício. Podem ser reações a medicamentos como a aspirina e vários outros. Independentemente do fator desencadeante, uma vez que o estímulo seja suficientemente forte, uma série de reações imunológicas e químicas acaba por produzir inflamação com edema dos brônquios, aumento da produção de muco (catarro) e estreitamento da passagem de ar pela contração dos músculos que envolvem os brônquios. A asma parece ter um componente genético porque filhos de pais que tiveram asma apresentam uma maior probabilidade de ter a doença.

Quanto à cura, mais da metade das crianças param de ter os sintomas em torno de 6 a 7 anos de idade. Apenas  em torno de 14% das crianças continuarão a apresentar sintomas. O mais importante é que hoje, dispomos de medicações muito mais eficientes do que há alguns anos, não só para tratar das crises, como para preveni-las. O uso de corticóides inalados (respirados), com nenhum ou poucos efeitos colaterais, é um dos grandes progressos no controle da asma. O desenvolvimento do espaçador, na figura ao lado, permitiu que se utilizasse drogas apresentadas em sprays dosadores, para crianças pequenas.  Os espaçadores permitem a administração de drogas broncodilatodaras, durante a crise, de uma maneira muito mais eficiente do que a nebulização “clássica”. E, fora das crises, permite o uso de corticóides, como dito acima. Quanto a alguém ficar “viciado em bombinha”, isso é um mito. Da memsa forma que há um exagero nos riscos do uso de broncodilatadores. Claro que toda medicação deverá ser feita sobre orientação e supervisão do seu pediatra.

Espero que este post os ajude a entender o que é asma, retirando desse nome o peso que ele não merece. Lembro apenas que asma é uma doença muito variável. Varia de criança para criança e, numa mesma criança, pode se apresentar de formas e intensidades diferentes. Seu pediatra é a melhor pessoa para, junto com você, fazer uma avaliação da severidade da doença e propor uma estratégia de tratamento. Muitas vezes, uma consulta a uma alergista pode ser necessária, inclusive para avaliar a validade ou não de tratamento com vacinas. Tudo isso deve ser discutido com seu pediatra.

É muito difícil em um post abordar todos os aspectos de uma doença tão variável como a asma. Escolhi alguns tópicos, mas, se tiverem dúvidas, enviem-nas que tentarei respondê-las. Este post foi escrito por sugestão de uma leitora do blog. Se tiverem sugestões de outros posts, por favor me enviem.

ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO

Existem muitos benefícios em se ter um animal de estimação em casa. Dentre esses benefícios, a oportunidade de atividades ao ar livre como passear com um cachorro é um exemplo. Esses passeios podem ser, também, um excelente momento para pais e filhos conversarem e se divertirem juntos. Animais domésticos podem contribuir para o sentido de responsabilidade e cuidados das crianças, bem como o desenvolvimento de emoções e afeto.

No entanto, é bom saber que alguns animais de estimação podem ser portadores de bactérias ou virus que podem produzir doença em humanos. A seguir, algumas dicas para ajudá-los a escolher um animal de estimação:

  • Casas com crianças menores de 5 anos não deveriam ter répteis como tartarugas ou cobras, nem anfíbios, como sapos. Isso porque esses bichinhos podem ser portadores sãos (sem doença) de uma bactéria chamada Salmonella que pode produzir uma doença (Salmonelose) em humanos.
  • Grávidas devem evitar o contado com roedores como coelhos, hamsters, ratinhos brancos etc. Esses animais podem transmitir o virus da coriomeningite linfocítica. Este virus pode ocasionar má formações no bebê.
  • Grávidas também devem evitar o contato com gatos, principalmente os filhotes. Estes bichinhos, podem transmitir a toxoplasmose e esta pode produzir sérias consequências para o bebê. Em especial, as grávidas devem evitar manusear e limpar a caixa de areia onde os gatos fazem suas necessidades.

Antes de escolher um animal de estimação, pesquisem um pouco sobre as características e necessidades de cada bicho:

  • Quanto exercício o bichinho vai precisar?
  • De que tamanho vai ficar depois que crescer?
  • É um bicho dócil ou agressivo? Em especial, como se comporta com crianças?
  • Este bicho tem alguma predisposição a alguma doença? Qual?
  • O que o animal vai comer?
  • Quanto vai custar o cuidado com veterinário, rações, vacinas etc.?
  • Quanto tempo, todos os dias, será necessário para cuidar do bicho e limpar adequadamente o ambiente?
  • Animais são permitidos no prédio ou condomínio?
  • Quanto tempo o bichinho vai viver?

Finalmente, lembre-se de vacinar seu animal. Procure um veterinário de confiança e veja que vacinas são recomendadas, além da anti-rábica que deve ser sempre mantida em dia.

Ensine seu filho a lavar as mãos após limpar a “sujeira” do bicho. Animais são portadores e transmissores de verminoses!

Divirtam-se juntos, pais e filhos, no cuidar e brincar com o bichinho escolhido.

Não sou veterinário, portanto, peço que não me enviem perguntas sobre a saúde e alimentação de seus bichinhos. Se tiverem dúvidas sobre a saúde da família que convive com animais, enviem-nas que terei o maior prazer em respondê-las.

PNEUMONIAS

Algumas doenças assustam os pais. Pneumonia é uma delas. Talvez porque, no passado, estivesse associada quase sempre a algo muito grave e com risco de vida elevado. A tradição oral, as histórias que são passadas de geração em geração, ajudam a manter esse temor diante de uma pneumonia. Não que não existam pneumonias graves e até letais. Existem, mas, felizmente, a mortalidade por pneumonia diminuiu com  os recursos diagnósticos disponíveis, tais como raios x, tomografia  e exames laboratoriais. Ao mesmo tempo, houve muito progresso no conhecimento da doença, das suas causas e como tratá-la. Assim, a pneumonia ainda é uma doença que exige cuidados e atenção, mas cujo desdobramento é, na maioria dos casos, a cura.

Pneumonia é um “nome guarda-chuva” para uma infeção dos pulmões.  Debaixo deste nome temos uma série de sub-divisões. As mais importantes seriam: pneumonia bacteriana, viral. As pneumonias virais, como o nome indica, são produzidas por vírus e, na sua grande maioria, não têm tratamento específico. Mesmo não tendo tratamento específico, exigem atenção e acompanhamento porque, eventualmente, as crianças com este tipo de pneumonia podem necessitar de internação hospitalar para que possam receber uma hidratação venosa (soro na veia) e oxigênio. As pneumonias bacterianas devem ser tratadas com antibióticos. Somente o seu pediatra deverá prescrever antibióticos. Não pratique a auto-medicação de antibióticos porque pode contribuir para o desenvolvimento de bactérias resistentes. Algumas crianças com pneumonia bacteriana também poderão necessitar de internação hospitalar.

O diagnóstico de uma pneumonia é, essencialmente clínico. Diante de uma criança com história de febre, tosse, prostração, cansaço, o pediatra certamente vai pensar, dentre diversos diagnósticos, em pneumonia. Ao examinar a criança, a ausculta pulmonar poderá revelar alguns sons que são mais característicos em quadros de pneumonia. Um raios-x de tórax e um hemograma podem fazer parte dos exames complementares, não sendo obrigatórios. Muitas vezes, a história e o exame clínico são suficientes para que o pediatra chegue ao diagnóstico.

No inverno, as doenças respiratórias tendem a aumentar. Isso porque, com o frio, as pessoas ficam mais em ambientes fechados, onde a circulação de virus e bactérias tende a ser maior. A prevenção de doenças respiratórias se faz através do arejamento periódico dos ambientes , abrindo as janelas e permitindo que ar fresco circule. Outra importantíssima forma de se prevenir algumas infecções respiratórias é através da vacinação rotineira. A vacina contra o pneumococo, um dos principais agentes da pneumonia, é uma excelente forma de contribuir para a prevenção de pneumonias. Do mesmo modo, a vacina contra a gripe, uma doença viral, ao proteger contra a Influenza, diminui os casos de pneumonia por este virus.

Uma das preocupações dos pais é se um resfriado pode se transformar em pneumonia. Apesar de pouco usual, a resposta é sim. Um resfriado comum é uma doença viral. Se este vírus produzir uma infecção pulmonar, teremos uma pneumonia. Uma outra possibilidade é a de que uma infecção viral facilite ou favoreça o aparecimento de uma infecção bacteriana. Apesar da resposta ser sim, gostaria que se focassem no fato de que é pouco usual que um resfriado comum se transforme em uma pneumonia.

É muito difícil em um blog como este, aprofundar o assunto, que tem nuances e particularidades. Meu objetivo foi, como sempre é, de informar os pais, buscando tirar do nome pneumonia um componente de terror, sem, no entanto, banalizar a doença.

Seu pediatra é a pessoa mais indicada para lhe responder às perguntas e dúvidas que tiver. Converse francamente com ele ou ela a respeito, incluindo seus temores. Sem falar deles, não desaparecerão. Pelo contrário, tendem a aumentar. Se eu puder ajudar de alguma forma, enviem seus comentários e dúvidas que tentarei responder.

MONONUCLEOSE INFECCIOSA

A foto ao lado é a do vírus de Epstein-Barr, responsável pela mononucleose infecciosa. Portanto, esta doença é uma virose . Seu nome pode assustar um pouco porque é estranho e contém a palavra infecciosa que nunca é muito simpática. Mas, felizmente, a grande maioria das infecções pelo virus de Epstein-Barr ou são assintomáticas, ou se parecem com um resfriado comum. Em torno de 90% da população adulta já foi infectada pelo vírus de Epstein-Barr em algum momento da sua vida e sequer sabe disso. Poucas são as pessoas que conhecemos que sabem e contam que tiveram Mononucleose Infecciosa. Isso acontece exatamente porque a maioria das infecções não se manifesta ou tem sintomas muito leves.

Quando a pessoa apresenta febre, uma faringite exsudativa (com placas), gânglios aumentados no pescoço, fígado e baço aumentados e um hemograma com linfocitose atípica (aumento do número de linfócitos com uma forma diferente da usual), o pediatra suspeitará de uma infecção pelo Virus de Epstei-Barr. Em alguns casos ainda aparece um rash cutâneo (manchas vermelhas na pele). Em geral esse rash surge em pacientes que foram tratados com antibiótico porque a suspeita era de uma amigdalite bacteriana. A confirmação de que se trata de uma Mononucleose Infecciosa só é possível com alguns exames de sangue específicos.

Na grande maioria dos casos diagnosticados, a evolução é muito favorável, sem maiores consequências. No entanto, muito raramente, a doença pode apresentar uma maior gravidade com manifestações neurológicas e alterações sanguíneas.

A transmissão do virus se dá através do contato pessoal próximo ou íntimo entre humanos. Bichos ou animais de estimação não transmitem o virus de Epstein-Barr. Também é possível se contrair a infecção por transfusão de sangue e transplante de órgãos.

Existem dois “picos” de idade onde ocorrem mais infecções: crianças menores e adolescentes. Crianças menores são agarradas e beijadas por pais e familiares. Adolescentes fazem o mesmo, entre si! Daí o apelido dado de Doença do Beijo. O período de incubação (do momento da infecção ate´o aparecimento dos primeiros sintomas) é longo, entre 30 a 50 dias. Mas, lembrem-se que a maioria dos casos ou não vai ter sintoma algum ou se parecerá com um simples resfriado. A suspeita diagnóstica é clínica, mas a confirmação exige exames de laboratório.

Não há tratamento específico e o seu pediatra saberá orientá-los e prescrever o que for necessário em função do quadro clínico. Em geral, basta repouso, ingerir líquidos, uma alimentação leve na fase aguda e antitérmicos em caso de febre , se esta produzir desconforto.

A única restrição qeu costuma ser feita, após a fase aguda, é a de evitar esportes, principalmente os de contato ou com risco de quedas. Como o baço, na Mononucleose Infecciosa, frequentemente aumenta de tamanho, este se torna mais susceptível a traumas ou ruptura. Esta restrição varia de caso para caso, em geral sendo de 4 a 8 semanas após a fase aguda.

Como sempre, em caso de doença, procure seu pediatra. Não tente fazer diagnósticos, nem que seja fã do Dr. House, aluno do Dr. Google ou leitor do blog do Dr. Roberto Cooper (ou outros blogs de saúde)!

Dúvidas? Comentários? Favor os envie, são sempre benvindos.

QUANDO COMER É UMA DIFICULDADE.

Crianças, em certas épocas do seu crescimento, parecem ter uma missão na terra: enloquecer seus pais! Isso pode acontecer desde a época de bebê, com cólicas inconsoláveis, passando por pirraças e birras em torno de 2 a 3 anos, contestação em torno de uns 8 a 9 anos e, para culminar, a adolescência. Uma das coisas que é capaz de enloquecer os pais é a questão da alimentação. Já escrevi um post sobre o tema, com algumas dicas. Hoje, num post rápido, queria lembrar duas ou três coisas a respeito de como podemos tentar (vejam que sou realista) ajudar nossos filhos a comer um pouco mais melhor e mais saudável.

A primeira, e talvez mais importante sugestão é: brinquem! O lúdico tem sempre mais chance de surtir algum resultado com crianças (e adultos também). É impossível explicar o valor nutricional de um alimento para uma criança. Nem tentem! Ameaçar, nem pensar. Premiar com outras comidas (besteiras e bobagens), não é nada recomendável. Sobram algumas coisa:

– levar a criança para escolher a comida  junto com você. Claro que não vai desfilar pelas gôndolas de biscoitos ! A conversa entre vocês pode ser: vamos escolher a comida que vamos preparar juntos.

– preparar (mesmo não indo ao supermercado com seu filho) a comida juntos. É uma brincadeira que costmam adorar. Se divertem fazendo e depois ficam com um certo compromisso de provar (certo não é compromisso firme!).

– variar a forma de preparar um mesmo alimento. Às vezes o que não é aceito de um jeito, é de outro. Pense em purês, souflês, empadas, recheados etc. Aquela coisa monótona da comidinha bonitinha, cozidinha, separadinha no prato pode não agradar. Sejam criativos e ousem nas receitas.

– variar na forma de apresentar a comida. Vejam as fotos acima de ideias muito criativas de como apresentar a comida. Se, na hora de comer, puderem estar comendo juntos, melhor ainda. Contando histórias e criando um momento divertido. Vamos comer o olho do peixinho ou as joaninhas….

– comer juntos, como dito acima é muito bom, para todos. A criança ver os adultos comendo (saudável) tem um modelo em quem se mirar, Modelos são muito mais eficazes do que papo, conversa, persuasão.

– tentar um alimento novo ou recusado por em torno de dez ocasiões. Alguns estudos mostram que oferecer, um pouco só, antes da comida preferida ou aceita, por diversas vezes (até umas 10), em muitas situações reverte uma recusa.

– lembar que crianças desenvolvem paladar e alguns alimentos elas não gostarão mesmo. Há que se respeitar esse paladar. O que é bem diferente de considerar como paladar uma criança que só gosta de iogurte e batata frita!

– ser tolerante com a recusa, sem ceder aos apelos de trocar a alimentação definida por vocês por algum “capricho”. Crianças se beneficiam desse sentimento de “pena” dos pais. Fiquem tranquilos, filhos que se recusam a comer, não ficarão desnutridos, da noite para o dia.

Finalmente, é preciso reconhecer que crianças, muitas vezes , conseguem, de fato, enlouquecer os pais. Com comida isso não é raro. Se acontecer com vocês, relaxem um pouco.

Sucesso! E mandem seus comentários ou compartilhem suas histórias e dicas para que todos posssamos aprender.

CONJUNTIVITE

Conjuntivite é o nome que se dá à inflamação da conjuntiva, camada externa do olho. A conjuntiva recobre o branco do olho (esclera ou esclerótica) e serve para proteger e lubrificar o olho. Existem algumas causas para uma conjuntivite:

  • Infecção Viral
  • Infecção Bacteriana
  • Alergias
  • Irritantes (químicos ou físicos)

Somente as conjuntivites infecciosas (virais ou bacterianas) são contagiosas. Estas possuem algumas características comuns:

  • olho vermelho e inchado
  • lacrimejamento
  • secreção que, pela manhã, podem impedir os olhos de abrirem normalmente
  • coçeira

O diagnóstico preciso se é uma conjuntivite viral ou bacteriana nem sempre é fácil somente pela aparência do olho. Alguns outros fatores deverão ser levados em consideração como história de contágio, quadro de resfriado simultâneo, idade da criança etc. No caso de uma conjuntivite bacteriana, seu pediatra poderá lhe prescrever colírios contendo antibióticos. No caso de uma conjuntivite viral, não há tratamento específico, havendo cura em 7 a 10 dias. Em qualquer caso, o uso de compressas frias pode aliviar um pouco os sintomas, dando mais conforto à criança.

Independentemente de ser bacteriana ou viral, a conjuntivite é contagiosa e alguns cuidados devem ser tomados para reduzir o risco de transmissão:

  • lavar bem e frequentemente as mãos. Tanto dos adultos que cuidam da criança, quanto da própria criança. Bactérias e virus não pulam, nem voam, precisando de um “meio de transporte” para se locomoverem. Em geral, esse meio é a nossa mão. Por isso, se recomenda a lavagem mais frequente das mãos.
  • usar lenços descartáveis para limpar a secreção ou lacrimejamento dos olhos.
  • separar a toalha da criança, evitando que outros a utilizem.

Quanto à pergunta se devem ou não ir para a creche ou escola, a resposta é:

  • se for uma conjutivite bacteriana, podem retornar para a creche ou escola após 24 horas de tratamento.
  • se for uma conjuntivite viral, a recomendação é que a criança fique em casa até que os sintomas desapareçam.
  • se for uma conjuntivite alérgica ou por irritante, não há necessidade da criança ser afastada da escola, exceto se o seu desconforto for muito grande.

A conjuntivite é relativamente comum e frequente. Em geral se resolve completamente, sem maiores (ou menores) consequências. A minha recomendação é que sempre procurem seu pediatra se  e quando os olhos de seus filhos ficarem vermelhos, lacrimejando, com ou sem secreção. Ele ou ela poderá acompanhar e orientá-los.

Aparentemente há um novo terrorismo na pracinha, relacionado à conjuntivite. Como todo terrorismo da pracinha, este também não tem fundamento. O fato de ser contagioso não é motivo para pânico. Resfriado também é contagioso!

Enviem suas dúvidas que tentarei respondê-las.