Arquivo | junho 2012

QUANDO E COMO DESFRALDAR?

Só existe uma regra para se desfraldar uma criança: NÃO HÁ REGRAS! A criança precisa estar pronta física e emocionalmente para se iniciar o desfralde. Não há uma idade precisa para este momento. Cada criança é única e vai estar pronta quando estiver. Isso é normal. Algumas crianças estarão prontas a partir de dois anos, outras a partir de dois anos e meio ou mais. Se começar o desfralde cedo demais pode levar mais tempo. Não há como apressar a natureza de cada criança.

Como saber que a criança está pronta? Abaixo, alguns sinais:

  • Fica com a fralda seca por períodos mais longos, durante o dia.
  • Reclama de fraldas molhadas ou sujas.
  • Mostra curiosidade ou interesse pelo vaso sanitário ou em usar cuecas ou calcinhas.
  • Entende e obedece a “ordens” simples.
  • É capaz de abaixar as calças ou shorts
  • Tem horário para fazer cocô
  • Avisa, com palavras, gestos ou expressões corporais que está com vontade de fazer cocô ou xixi.

Se o seu filho ou filha está pronto, então vamos passar ao próximo passo, que é o desfralde propriamente dito. Algumas dicas:

  • Leve seu filho ou filha para escolher o penico e/ou adapatador para o vaso. Converse com ele ou ela sobre a finalidade do penico ou vaso.
  • Se a escolha for por um adaptador, não se esqueça de colocar um banquinho para a criança apoiar ambos os pés. A criança não deve ficar com os pés balançando no ar.
  • Coloque o penico no banheiro.
  • Demonstre o uso, jogando o cocô da fralda no penico ou vaso.
  • Tenha senso de humor e uma atitude positiva. Nada de críticas ou irritações!
  • Celebre as pequenas conquistas (e as grandes também!).
  • Fique ao lado da criança enquanto está usando o penico. Converse com ela, de forma descontraída.
  • Crie uma pequena rotina de sentar no penico por pouco tempo, em alguns momentos como depois de almoçar e jantar. Se a criança tem um horário para fazer cocô nas fraldas, peça para se sentar no penico próximo a esse horário.
  • Ao perceber o desejo da criança, leve-a ao penico
  • Converse sobre não usar mais fraldas e, um dia, pare de usá-las. Muitas crianças ficam confusas porque iniciam o treinamento de uso do penico e seus pais demoram a retirar a fralda. Não espere que a criança esteja uma expert em penicos para retirar sua fralda. É o oposto, retirando a fralda é que ela se tornará uma expert em penicos.
  • Se perceber que esse treinamento está sendo completamente insatisfatório e/ou que a criança resiste ou demonstra irritação, não hesite em interrompê-lo e esperar uns meses para recomeçar.
  • Acidentes acontecem, estejam preparados. Encare com naturalidade e calma, sem imaginar que seja um retrocesso do seu filho. Crianças se distraem e preferem continuar a brincar do que parar para ir ao banheiro.
  • O controle dormindo ou noturno é mais demorado, podendo levar meses ou até anos, depois do controle diurno. Fazer xixi na cama, à noite, pode ser normal até uma idade bem mais velha.

Não compare crianças, nem mesmo irmãos, com relação à idade e velocidade do desfralde. Se acharem que está muito lento ou ficarem muito preocupados, deem uma olhada na rua. Não encontrarão nenhum adulto saudável de fraldas! Todos, ao seu tempo, deixarão de usar fraldas. Divirtam-se!

Se tiverem dúvidas ou comentários, por favor enviem. Se tiverem histórias curiosas de desfralde que queiram compartilhar, seria ótimo.

REFLUXO GASTROESOFÁGICO

O refluxo gastroesofágico NÃO É UMA DOENÇA. Provavelmente consegui chamar a sua atenção para ler um pouco mais!

O refluxo gastroesofágico é o retorno do conteúdo que está no estômago (alimentos sendo digeridos), para o esfôfago (veja a ilustração). Isto ocorre normalmente em lactentes, crianças e adultos. É um fenômeno fisiológico, normal. Portanto, não é uma doença.

No entanto, quando esse refluxo produz lesões no aparelho digestivo ou mesmo fora deste, como no aparelho respiratório, é que podemos falar em doença do refluxo gastroesofágico. Todo mundo tem refluxo mas nem todo refluxo é doença. O simples fato de regurgitar ou vomitar não caracteriza a doença do refluxo gastroesofágico.

Hoje em dia há uma epidemia de diagnóstico de doença do refluxo gastroesofágico. O termo foi popularizado e difundido de tal forma que, basta a criança manifestar alguma irritablidade após a mamada, regurgitando, para os pais chegarem no consultório com o diagnóstico feito: Dr. nosso bebê tem refluxo!

O diagnóstico de doença do refluxo gastroesofágico é complexo porque não existe um único exame que comprove a existência dessa doença. Os exames de imagem (raios X ou ultrassonografia) são úteis para demonstrar que não existem mal formações ou estenoses (estreitamentos) no aparelho digestivo. A presença de refluxo, nesses exames, não é suficiente para se afirmar que há uma doença do refluxo. Pode ser o refluxo fisiológico. Outros exames são invasivos como a endoscopia, a medida da pressão do esôfago e do seu pH (acidez) e devem ser pedidos somente nos casos onde a suspeita clínica seja forte.

Como diferenciar refluxo de doença do refluxo? Nem sempre é fácil, mas alguns sinais podem ser observados:

  • ganho de peso. O bebê que ganha peso dentro do esperado, dificilmente terá doença do refluxo. Por outro lado, uma criança que  não ganha peso como esperado ou até perde peso, junto com outros sinais, pode ter a doença do refluxo.
  • irritabilidade. Este é um sinal importante, mas que pode ter muitas causas. Merece ser valorizado e discutido com seu pediatra. Se a irritabilidade for intensa, interrompendo as mamadas e, além disso, o bebê não ganhar peso, a hipótese de doença do refluxo deve ser considerada.
  • presença de sangue no vômito ou na regurgitação é um sinal que deve ser comunicado imediatamente ao pediatra.
  • anemia. Se, além da irritabilidade e não ganho esperado de peso a criança apresentar anemia, deve-se pensar em doença do refluxo.
  • tosse noturna e ou quadros respiratórios podem ser um indicador de doença do refluxo com manifestações fora do aparelho digestivo.

Somente o seu pediatra  poderá, a partir do seu relato e observações, associado ao exame clínico, decidir se há uma suspeita de doença do refluxo gastro esofágico, pedindo ou não exames complementares e orientando os pais quanto às condutas a serem tomadas. Muitas vezes o pediatra vai optar por tentar medidas que não incluem remédios em um primeiro momento ou poderá fazer uma prova terapêutica com medicamentos.

Se você suspeita que seu bebê possa ter doença do refluxo, converse com seu pediatra, lembrando que refluxo (sem doença) é normal.

A informação que eu gostaria de passar para os pais é de que nem todo bebê que golfa e resmunga um pouco tem doença do refluxo gastroesofágico. Um dos indicadores importantes é o ganho de peso. Se o seu bebê ganha peso como esperado, diminuem as chances dele ter a doença do refluxo. Lembre-se de colocar seu bebê para arrotar na posição vertical, por uns 20  minutos após cada mamada. Independentemente dele ter ou não a doença do refluxo, é um bom hábito.

Se você tiver algum comentário ou dúvida, por favor envie pelo blog. Tentarei responder o melhor possível. Lembro apenas que, pelo blog, é impossível (ou leviano) tentar fazer diagnósticos específicos ou sugerir tratamentos. Somente seu pediatra, numa consulta, poderá fazê-lo.

 

O PEQUENO EXECUTIVO

A lógica empresarial é a do crescimento e lucro. Para isso, precisa de profissionais qualificados. Por qualificados, entenda-se eficientes, eficazes, auto-motivados, competitivos, ambiciosos, que perseguem os resultados. No jargão das empresas, essas pessoas “entregam”. Isso é perfeito para empresas, negócios, que têm donos ou acionistas preocupados com o retorno dos seus investimentos. O problema é quando essa lógica ultrapassa os limites das empresas e passa a fazer parte da vida, como um todo.

O que vemos, no entanto, é que essa lógica foi se instalando e, sem nos darmos conta, está presente na nosso dia a dia. A cultura da gestão eficaz passou a fazer parte do dia a dia das famílias. Uma viagem de lazer é encarada como um desafio à otimização do tempo e minimização de custos, com maximização de benefícios. Um jantar é considerado bom quando a relação custo/qualidade é satisfatória. Até aí poderíamos  considerar que querer ser organizado e não gastar mais do que o necessário é perfeitamente aceitável ou desejável. O problema (na minha opinião) é quando esse tipo de lógica passa a definir ou guiar a forma com que fazemos as escolhas para nossos filhos.

Vemos pais escolhendo escolas primárias usando critérios de bom investimento ou aprovação no vestibular, sem considerar que o desenvolvimento da criança passa por diferentes etapas. Crianças menores precisam de estímulos à criatividade, um ambiente acolhedor e pouca ou nenhum rigor pedagógico. Assim, poderão desenvoler melhor suas aptidões e, quando for  o momento adequado, performar academicamente de forma satisfatória.

Vemos crianças com agendas de fazer inveja a um executivo de multinacional! Essas crianças, como os bons executivos, se ressentem da falta de tempo. No caso das crianças, falta de tempo para ser criança. Simplesmente se divertir, brincar, sem obrigatoriamente estar fazendo algo produtivo, só sendo criança. Se criança também significa descansar, tirar uma soneca. Não só bebês precisam dormir, crianças até uns 5 ou 6 anos também. Quando não dormem ou descansam, ficam excitadas ou irritadas e os adultos interpretam como sendo falta de atividades e ainda acham mais coisa para a criança fazer!

Nos preocupamos com o futuro de nosss filhos, o que é humano e normal, mas, frequentemente, nos descuidamos do presente. Porque o mundo é competitivo e duro, não significa que as crianças devam competir e viver as durezas da vida, desde pequenas. É preciso que respeitemos as etapas de cada criança. Um bom exemplo é o da educação sexual. Quando seu filho lhe pergunta de onde ele veio ou de onde vêm os bebês, sua resposta será curta, objetiva, na medida do que ele pode entender e assimilar, neste momento. Jamais lhe dará uma explicação completa da anatomia, fisiologia e psicologia sexual do ser humano. Não fará isso porque ele ainda não está pronto para isso. O mesmo acontece com a realidade da vida adulta. Esta existe e temos a obrigação de educar nossos filhos para que possam ser pessoas adaptadas e felizes, nessa realidade. Para isso, precisamos respeitar os tempos e desenvolvimento de cada criança. Precisamos lembrar do que uma criança precisa ser criança e para isso:

  1. precisa de carinho. Não só o carinho da preocupação com as escolhas, mas o carinho físico. O embolar junto, beijar e abraçar muito.
  2. precisa de tempo com a família. Jantar ou almoçar com os pais e irmãos. Sairem todos juntos para um passeio ou programa.
  3. precisa brincar. Brinquedos criativos, brincadeiras ao ar livre, muita risada e gargalhada.
  4. precisam ler. Menos tempo de TV e computador e mais livros. Desde os 6 meses os pais podem e devem ler para seus filhos.
  5. precisam de elogio, reconhecimento. Claro que, a partir de uma certa idade, toda criança precisa aprender que existem limites. Cabe aos pais essa dura tarefa. Mas, na nossa cultura, elogio “estraga”. Isso é um mito. Falta de elogio mina a segurança e a auto estima. Elogiar, celebrar as pequenas conquistas, é fundamental.
  6. precisam de poucas regras vindas de manuais ou “experts”. O sentimento dos pais e os valores familiares devem prevalecer sobre regras externas. Ouvir opiniões e se aconselhar com pessoas em quem confiam é importante. Mas, isso é bem diferente de considerar que as regras externas são leis a serem obedecidas, mesmo que não façam o menor sentido para vocês, pais. Se não faz sentido, ignore!

Este é um tema polêmico. Como em todos meus posts, gostaria de ouvir (ler) os seus comentários.

O QUE QUEREMOS PARA O FUTURO DOS NOSSOS FILHOS?

Esta é uma pergunta, cuja resposta me parece óbvia: queremos o melhor para nossos filhos, sempre. Seja no presente ou no futuro. Quando percebemos a preocupações com que os pais encaram a escolha da escola, é nítida a preocupação, já no ensino fundamentela, com uma escolha que garanta um futuro profissional promissor. Quando os pais levam seus filhos ao pediatra, para as visitas de rotina e seguem à risca o calendário de vacinas, é indiscutível a preocupação com a saúde. No entanto, será que os pais se preocupam com a saúde , no futuro, como com a educação, profissão, sucesso etc.?

Hoje começa, oficialmente, a Conferência Rio + 20 e vale a pena pensarmos dois minutos sobre o meio ambiente e a saúde de nossos filhos. Comportamentos de hoje impactarão o meio ambiente de amanhã e este impacto poderá ser benéfico ou maléfico para a saúde de nossos filhos. Talvez nos comportemos como adolescentes, imaginando que tudo vai dar certo no futuro e que a saúde de nossos filhos não tem relação direta com o meio ambiente. Talvez imaginemos que as questões de meio ambiente sejam apenas uma chatice de uma minoria de desocupados que, não tendo nada melhor a fazer, falam em florestas e rios. Talvez ainda achemos que falar de meio ambiente é aquela conversa de evitar que um macaco ou peixa seja extinto. Se continuarmos a pensar dessas diferentes formas e não modificarmos nosso comportamento, a saúde de nossos filhos pagará um preço que nenhum de nós, conscientemente diria que não se incomoda ou não liga. Querer o melhor para nossos filhos no futuro, nos obriga a repensar e reconsiderar o meio ambiente de forma radical. Nos obriga a obter mais informações e, de posse destas, modificar comportamentos.

A seguir, algumas questões, para as quais não tenho repostas, mas que impactam a saúde de nossos filhos:

  • com as mudanças na camada de ozônio, produzidas pela poluição e emissão de gases de carbono, qual serão as consequências sobre as pessoas de uma maior exposição às ondas eletromagnéticas, vinda do cosmos? Teremos mais câncer de pele e de outros órgãos?
  • a simples poluição da atmosfera, sem considerar raios cósmicos, trará malefícios para as pessoas? Aumentarão as doenças respiratórias e cânceres?
  • qual o impacto na saúde do uso de agrotóxicos, defensivos agrícolas, hormônios e antibióticos na indústria de alimentos? Teremos mais doenças? Teremos nova doenças?

Finalmente, estamos educando nossos filhos de forma a se sentirem inseridos e responsáveis pela sustentabilidade do nosso planeta ou esse é um assunto que nunca nos ocorre incluir nas nossas conversas? Se quisermos que nossos filhos vivam em condições de menor risco para a sua saúde, no futuro, é preciso que aprendam, hoje, alguns comportamentos diferentes : reduzir, reutilizar e reciclar.

Podemos tudo, só não podemos dizer que não sabíamos!

Compartilhe conosco o que você tem feito para educar seus filhos com relação ao meio ambiente. O que você faz pode ser um estímulo para outros pais.

TERRORISMO NA PRAÇINHA

Hoje, me ligou uma mãe de um bebê de 17 dias. Até o passeio matinal na praçinha tudo ia bem. Na praçinha, uma outra mãe, mais experiente, ao perceber que os olhinhos do bebê estivessem um pouco amarelos disse: você precisa ver isso logo. Vai precisar internar e fazer banho de luz. Um filho de uma vizinha minha morreu disso. Foi o suficiente para que esta mãe, até aqui tranquila e amorosa, ficasse insegura .

Essa história se repete de forma sistemática, mudando apenas os personagens e as doenças. O que existe de constante é que alguém com alguma pose de maior experiência, quer porque seja mais velha, tenha filhos mais velhos ou netos, faz uma afirmação categórica de perigo iminente. Cuidado com esse vento, o resfriado pode virar pneumonia! Está com roupa demais, pode ficar desidratado e você nem perceber. Geralmente essas afirmações vêm acompanhadas de um “fato real”. O vizinho, primo ou conhecido que passaram por um episódio gravíssimo e que o seu filho, que dorme um soninho delicioso, sem que você suspeitasse, corre o risco de passar por algo parecido. Instala-se a dúvida e esta corrói. Você chega em casa e consulta o Dr. Google. Para seu desespero, vai encontrar mais de uma referência assustadora.

Por quê existe essse terrorismo na praçinha? Francamente, não sei. Posso imaginar algumas hipóteses:

  • Interesse genuíno em ajudar- algumas pessoas são, naturalmente, apavoradas com os riscos que a vida nos impõe. Veem perigo em toda parte e acreditam que é o dever delas avisar a todos desses riscos.
  • Inveja- um sentimento humano que não pode ser explicitado abertamente. Algumas pessoas não suportam a ideia de verem outras felizes e contentes. De uma forma consciente ou inconsciente precisam acabar com a felicidade alheia.
  • Sentimento de exclusão- existem pessoas que querem e precisam se sentir úteis. Para estas, a independência ou autonomia dos outros é uma ameaça. Os riscos revelados por esta pessoa, bem como seus conselhos, podem torná-la importante ou fundamental.
  • Não reconhecimento do outro- é uma variação do sentimento de exclusão, sem ser exatamente a mesma coisa. Reconhecer o crescimento de alguém, sua independência, pode ser doloroso. Nesse caso, gerar insegurança, infantilizar através do medo irracional, é uma forma de “neutralizar” esse outro indpendente (e diferente).

Pouco importam os  motivos que levam as pessoas a serem terroristas na praçinha. O que os pais precisam é criar mecanismos de “blindagem” contra essas ações. Algumas sugestões:

  1. Informação precisa- contra a dúvida de alguém “mais experiente”, nada melhor do que a informação correta, precisa. Esta pode vir de fontes confiáveis de livros ou da própria internet, como do seu pediatra ou de familiares que sejam carinhosos e acolhedores.
  2. Acreditar na sua própria capacidade- mães e pais podem e devem confiar mais nos seus sentimentos. Basta pensar que a humanidade chegou até aqui, vivendo milênios sem médicos e pediatras. Contava apenas com o sentimento intuitivo e a tradição familiar. Claro que houve enorme progresso em termos de  saúde, mas o exemplo serve para nos lembrar de que somos capazes de tomar boas decisões baseados em nossos sentimentos. (Ver Mãe de Primeira Viagem  e Um Bebê Chegou. O que o pai pode fazer?
  3. Estabelecer uma relação de confiança com o seu pediatra- os pais devem sentir confiança e acolhimento no seu pediatra para poderem consultá-lo sobre o que acharem necessário, sem medo de parecerem inseguros ou ridículos.
  4. Olhar para seu filho ou filha- toda vez que um terrorista de praçinha lhe contar uma história assustadora, olhe para seu bebê ou criança e se pergunte se algo parece estar errado. Não estou sugerindo que sempre tudo vai estar bem, nem que não possam existir situações que não se revelem de forma muito intensa ou clara. Apenas gostaria de devolver algum equilíbrio entre o que é ouvido (dito pelo terrorista) e o que vocês pais percebem.

Se tiverem histórias de terrorismo na praçinha que gostariam de compartilhar com outros pais e comigo, pode ser muito interessante. Quem sabe se conseguirmos rir um pouco dessas histórias, afastamos os fantasmas que os terroristas gostam de nos fazer crer que existem

ASSADURAS

As assaduras na região das fraldas são uma das lesões de pele mais frequentes na infância. Existem várias causas diferentes e cada uma delas tem um tratamento específico. Por isso, recomendo que você consulte o seu pediatra,se o seu bebê estiver com uma assadura importante.

A causa mais comum de assadura é a irritação da pele, produzida pela umidade, calor, fricção e irritantes químicos. Na figura ao lado, podemos ver onde esse tipo de assadura ocorre. Em geral, poupa as dobras.

A umidade é dada pela presença da urina que em um ambiente mais quente (provocado pela fralda) e com a fricção natural da movimentação, cria condições para que a pele sofra uma agressão por parte de irritantes químicos. As fezes, em contato com a urina, elevam o pH, ativando enzimas que existem nas próprias fezes e que agridem a pele. São estes os irritantes químicos. Portanto, esse tipo de assadura não é uma alergia e sim uma irritação química.

Uma pele irritada pode ser mais susceptível a uma infecção por Cândida, um fungo. Quando isso acontece, o tipo de lesão é um pouco diferente e o tratamento vai exigir um antifúngico. Não use antifúngicos sem ser por orientação do seu pediatra.

Ainda existem outras causas de assaduras, entre as quais, a alergia de contato. Esta é mais comum nas áreas onde possa existir algum corante da fralda ou que entre em contato com a pele ou nas laterais, onde o adesivo para fixar a fralda pode encostar diretamente no bebê.

Sabendo-se que a maioria das assaduras é causada por irritação e que esta depende de umidade, calor, fricção e presença de fezes e urina, o que se pode fazer para prevenir esse tipo de assadura é:

  • trocar as fraldas com frequência, evitando que a pele fique exposta à umidade por muito tempo
  • utilizar pomadas que produzam uma barreira contra o contato da urina e das fezes. As pomadas à base de óxido de zinco costumam funcionar muito bem.
  • ao limpar o seu bebê, use água morna e um paninho. O zelo excessivo com a limpeza, usando sabonetes em cada troca de fraldas, pode contribuir para irritar a pele
  • use um algodão embebido em óleo mineral para remover fezes secas que porventura tenham aderido à pele.

Gostaria de receber seus comentários ou dúvidas. Não hesite em enviá-los.

POR QUÊ USAR FILTRO SOLAR?

Fases da vida e o uso do filtro solar:

Bebê- tranquilo

Algumas crianças a partir de 1 ano e pouco- indóceis, reclamam.

Crianças com 3 anos ou mais- não querem, não gostam

Crianças a partir de 6, 7 anos- se negam, esperneiam, na cara não pode etc.

Adolescentes- pô mãe, não chateia.

Afinal de contas, por quê insistir tanto nessa história de usar filtro solar? A resposta é simples e direta: os raios solares são capazes de fazer mal à pele. Dentre os males que pode produzir, está um tipo de câncer, o melanoma, que tem alta mortalidade se não for diagnosticado no início. Como câncer é algo que, se acontecer, só vai aparecer no futuro, não sensibiliza os adolescentes. Estes, na sua onipotência natural e normal para a idade se sentem completamente imunes ou protegidos contra tudo que pode acontecer. Acreditam que as coisas aconteçam, mas só com os outros.

Um aspecto que pode motivar os adolescentes a usarem o filtro solar, é o estético. Talvez as meninas fiquem mais impacatadas por esse argumento. No entanto, falar, de pouco adiante. Por esse motivo, estou postando a foto abaixo. É a foto de um caminhoneiro americano que, durante 28 anos, trabalhou dirigindo seu caminhão. Assim, por esse tempo, pegou sol mais intensamente, do lado esquerdo do rosto. A foto abaixo foi publicada no New England Medical Journal, uma das mais prestigiosas publicações médicas. Mostre a foto para seu filho ou filha. Vai valer mais do que mil palavras.

Gostaria de saber qual a reação dos adolescentes ao ver a foto. Se tiver um tempinho, comente e compartilhe com outros pais.