Arquivo | maio 2012

DIA MUNDIAL SEM TABACO

Hoje é o Dia Mundial Sem Tabaco. Há 25 anos a Organização Mundial da Saúde iniciou a conscientização da população a respeito dos riscos que o hábito de fumar representam. Atualmente, 6 milhões de pessoas morrem em decorrência de doenças atribuíveis ao hábito de fumar. Apenas para que  possamos ter uma ordem de grandeza desse número de mortes é como se toda a população do município do Rio de Janeiro morresse, em um ano! É uma das maiores causas preveníveis de doenças e  mortes que conhecemos.

Por quê resolvi escrever sobre este dia, em um blog da saúde da criança e do adolescente? Porque hoje temos estudos epidemiológicos que comprovam os malefícios do fumo passivo, aquele a que um não fumante é submetido ao entrar em contato com a fumaça de um fumante.  Sabemos que as seguintes questões de saúde de crianças e adolescentes estão relacionadas ao hábito de fumar dos adultos:

  • Fumar durante a gravidez afeta o desenvolvimento e crescimento fetal. Existem alguns estudos que correlacionam o hábito de fumar durante a gravidez com algumas doenças genéticas. Grávidas que fumam têm maior risco de parto prematuro e maior mortalidade perinatal. Há uma provável correlação entre fumar na gravidez a a síndrome de morte súbita do recém nascido.
  • Fumar na presença de crianças reduz a qualidade de vida destas, aumentando o número de dias em que faltam à escola e o número de dias doentes, no ano.
  • Crianças expostas à fumaça de cigarro apresentam um número significativamente maior de doenças respiratórias, desde simples manifestações alérgicas até o aumento de bronquites e pneumonias. Há uma associação entre a fumaça de cigarro e a asma.
  • Fumar provoca uma inflamação nas artérias das crianças, cuja consequência é a formação de placas de aterosclerose.

Ainda sem comprovação, mas com uma probabilidade forte, alguns tipos de câncer infantil podem estar relacionados com a exposição à fumaça do cigarro.

Crianças expostas à fumaça de cigarro, apresentam maior risco de câncer e doença coronariana na vida adulta.

Portanto, não há a menor dúvida de que a exposição à fumaça do cigarro é muito nociva para as crianças expostas. Além da exposição, os adolescentes podem se sentir “motivados”  a fumar, pelo exemplo de seus pais. Nessa situação, não só terão sido expostos indiretamente, quando crianças, como terão contato direto com a fumaça do cigarro, engrossando tristemente as estatísticas terríveis que conhecemos hoje.

Todo esforço para que adultos parem de fumar, adolescentes não começem e crianças não sejam expostas à fumaça do cigarro, valerá a pena.

QUANDO A PACIÊNCIA É O MELHOR REMÉDIO (CONCLUSÃO)

No post anterior, criei uma situação onde pedi que os pais escolhessem entre duas formas de tratamento:

1- um tratamento eficaz para o caso, totalmente inofensivo ou

2- um tratamento de eficácia não comprovada, com potenciais efeitos colaterais.

Evidentemente que todos os pais preferiram e preferem a primeira opção. No entanto, quando a mesma questão é apresentada, apenas explicitando que o tratamento 1 é o exercício da paciência, com cuidados não medicamentosos e o tratamento 2 seria a administração de um xarope ou algumas gotas, as opiniões se dividem ou, pelo menos, não são mais unânimes. O que aconteceu entre uma e outra situação? De forma muito simplificada, vou tentar pensar em voz alta, pedindo a vocês que critiquem o meu pensamento.

  • para o ser humano, tomar uma atitude, fazer algo, intervir de alguma forma, possui, intrinsicamente, um valor positivo. As palavras ação, decisão e iniciativa são carregadas de “positividade”. Podemos buscar explicações na cultura, psiquê humana ou neurobiologia. Pouco importam as explicações, o fato é que o ser humano, por natureza, prefere a ação à inação. Ainda que, quando solicitado a usar a razão, seja capaz de perceber os enormes riscos que uma ação possa possa ter, se for mal avaliada, impulsiva ou inconsequente, o que não é raro. Mesmo com esse conhecimento lógico, do ponto de vista simbólico, preferimos agir. E, no exemplo que eu dei, uma medicação é sinônimo de agir, enquanto o cuidar sem remédios, não é percebido como tal.
  • o tempo, ou melhor, a aceleração do tempo, passou a ser parte do nosso cotidiano. A rapidez é percebida como progresso ou eficiência e nossas exigências se tornam cada vez mais impacientes com relação a uma eventual espera. Apesar do dia continuar a ter 24h, uma gravidez durar 9 meses, os ciclos da terra se manterem razoavelmente estáveis, nos tornamos seres impacientes. O aprendizado é superficial porque é o que se consegue sendo veloz. Sentar, ler, estudar, aprofundar conhecimento, é coisa do passado. Comer, muitas vezes é percebido como “perda de tempo”. Entram em cena os fast foods, sanduiches, e uma convicção de eficiência, de “ganho de tempo”. Pouco importa que se perca a saúde e o prazer. Rápido é valorizado como uma qualidade absoluta. Nesse cenário, o remédio aparece como uma ilusão ou desejo de velocidade. Claro que, se pudéssemos abreviar todas as situações de adoecimento, seria muito melhor. No entanto, não detemos, ainda, esse conhecimento. Mas, o desejo de velocidade, transforma o remédio no agente que vai nos dar isso (imaginamos nós!).
  • independentemente da velocidade, o ser humano tem um viés de acreditar em poderes. Desde nossos primórdios, até hoje, somos povoados por mitos, crendices, superstições e pensamentos mágicos. Na saúde, substituímos as poções da alquimia pela farmacologia. Esta, vem envolta numa capa de ciência (na verdade pseudo-ciência) que lhe confere uma modernidade (falsa).
  • a transformação de tudo em bens de consumo. Saúde passou a ser mais um ítem de gôndola de supermercado, como a estética. Basta esticar a mão e comprar algo que terei o resultado esperado. A lógica do consumo não se aplica à saúde, mas somos levados a crer que sim. Não fosse verdade, as vendas de medicamentos (vejam quantas farmácias existem), teria que ser muito menor. Não somos uma população tão doente quanto o nosso consumo de remédios.
  • a medicina de má qualidade ou praticada em condições adversas. Hoje, existem 180 faculdades de medicina no Brasil, formando médicos de baixa qualificação profissional. Mesmo os médicos de boa qualificação, se tiverem que atender um número muito grande de pacientes, acabarão pedindo mais exames complementares e prescrevendo mais remédios do que o necessário. Como, por conta dos itens anteriores, o paciente não acha isso necessariamente ruim, cria-se um ciclo perverso onde medicar é confundido com o ato médico. Sair de uma consulta sem uma receita é quase uma ofensa!

Vejam que temos muitos motivos para optarmos por um remédio. Mas, o que eu estou sugerindo é que devemos ser mais críticos, aprofundando nosso conhecimento, para o nosso benefício e de nossos filhos. Saúde é algo que exige, muitas vezes, paciência. Respeitar o organismo e dar a ele as condições de se recuperar. Isso pode ser o melhor remédio. Paciência!

Gostaria muito de ouvir suas críticas e pensamentos.

QUANDO PACIÊNCIA É O MELHOR REMÉDIO!

Imagine que seu filho está doente. Não é nada grave, mas ele não está bem. Pode ser que esteja com uma febre, talvez coriza, eventualmente tossindo. Talvez só esteja um pouco mais manhoso, irritado, sem o apetite habitual. Brinca, mas está mais impaciente, chorando sem motivo aparente. Preocupada, leva-o ao pediatra que, após ouvir atentamente à história, lhe perguntar algumas coisas para ajudá-lo a esclarecer pontos que não tinham ficado claro e fazer um exame físico minucioso, lhe diz- não é nada grave, nada sério. Parece algo inespecífico, pelo menos por enquanto. Vamos acompanhar mais uns dias, me mantenha informado e, se houver qualquer alteração, gostaria de revê-lo.

Qual seria a sua reação o o que perguntaria ao seu pediatra? Vou tentar adivinhar, algumas das possíveis perguntas:

Doutor, mas ele não quer comer nada. Vai emagrecer demais. O que eu faço?

Doutor, não seria bom pedir logo um exame de sangue?

Doutor, o senhor não acha melhor entrar logo com antibiótico?

Doutor, será que não tem um remédio que possa ser dado?

Agora, vamos supor que o médico lhe diga algo como: tenho duas opções a lhe oferecer. A primeira é um medicamento que é totalmente sem efeitos colaterais, cuja eficácia, para este caso, é comprovada e a segunda é um medicamento com potenciais efeitos colaterais e eficácia incerta, para este caso. Qual medicamento você escolheria? O primeiro ou o segundo?

Agora, vamos supor que o seu pediatra lhe dissesse- o primeiro medicamento é paciência. Paciência não é não fazer nada, deixar de lado. Paciência é ficar atenta, oferecer líquidos, repouso e carinho. O segundo medicamento é um xarope ou gotas. Agora, qual seria a sua escolha?

Por favor me mande sua escolha, com uma justificativa. Pretendo continuar o tema no próximo post e seria muito interessante contar com a participação de um bom número de pais.

 

8 BONS MOTIVOS PARA LIGAR PARA O SEU PEDIATRA

Crianças adoecem e pais ficam inseguros. Crianças crescem , mudam de comportamento e pais ficam sem saber o que é “normal”. Pais ficam com receio de incomodar seu pediatra ou de parecerem ansiosos ou preocupados em excesso. Nunca deixe de ligar para seu pediatra por estes motivos- receio de incomodar ou parecer inseguro demais. Ligue e ligue logo. Não espere até sexta à noite para dizer que estão preocupados desde terça, mas que não queriam incomodar!

A seguir, 8 bons motivos para ligar para o seu pediatra:

1- Achar que criança está diferente ou estranha. Sua sensibilidade é muito importante. Mesmo que não haja nada objetivo, se achar que seu filho está “esquisito”,  ou “diferente”, não espere, ligue.

2- Febre em bebês com menos de 3 meses. Todo bebê, com menos de 3 meses que apresentar uma temperatura acima de 37,5º deve ser examinada pelo pediatra. Ligue.

3- Vômitos que não param. Se o seu filho vomitar uma ou duas vezes, conseguindo beber um pouco de líquido, você pode aguardar e ver a evolução, antes de ligar. Agora, se os vômitos forem constantes e/ou em jato, ligue para seu pediatra ou procure atendimento de urgência.

4- Febre alta por mais de 48/72 hs. Habitualmente os resfriados comuns começam com coriza e um pouco de tosse. A seguir aparece a febre. Caso a febre persista alta (acima de 38,5º) por mais de 2 ou 3 dias, vale a pena ligar para o seu médico.

5- Choro inconsolável.  Se o seu filho ou filha apresentar um choro que não passa, inconsolável, ligue para o seu pediatra. Antes, tente acalmá-lo e veja se consegue descobrir se o choro está relacionado com algum tipo de dor (ouvido, barriga, cabeça) ou se está com febre (coloque um termômetro). Muito provavelmente o pediatra vai lhe perguntar sobre dor e febre e o telefonema pode ser mais eficiente se já tiver essas informações.

6- Respiração rápida, cansaço. Se perceber que seu filho está respirando mais rápido, com esforço, cansado, ligue ou procure atendimento de emergência.

7- Trauma importante. No caso de quedas, com pancada na cabeça ou quando não consegue mexer um membro (braço, perna), procure atendimento de emergência e ligue para seu pediatra. Também deve fazer o mesmo em casos de cortes ou ferimentos grandes ou que não consiga estancar o sangramento com uma boa compressão (apertar forte, com uma gaze, por alguns minutos).

8- Finalmente, um motivo que muitas mães e pais se esquecem- dar retorno. Se você falou com seu pediatra ou se saiu do seu consultório com uma situação que tem uma evolução, ligue também para dizer que melhorou. Se não quiser interromper seu pediatra, deixe um recado com sua secretária, informando que ligou para dizer que melhorou. Pediatras ficam com os casos vistos na cabeça, preocupados. Ligar para dizer que está melhor é importante.

Claro que existem motivos onde uma ligação não é absolutamente necessária. Vou dar 3 exemplos:

1- Consulta de rotina, por telefone. Não ligue para falar de crescimento, alimentação, sono, escola, vitaminas etc. Isso merece uma consulta ao vivo.

2- Dúvidas que podem esperar a consulta de rotina. Não esto encontrando a pomada para assadura, qual seria o melhor substituto? Será que já posso colocá-lo na aula de natação?

3- Comentar matérias que saem na mídia ou que leu na internet. Aguarde a sua próxima consulta para, aí sim, falar sobre tudo que leu e como isso lhe impactou.

É óbvio que uma lista de motivos para se ligar (ou não ligar) sempre será incompleta. Lembre-se o primeiro motivo desta relação, talvez o mais importante. Não é preciso ter um “bom motivo”, objetivo, se a sua sensibilidade diz que algo importante não vai bem. Ligue.

Se quiser, me mande situações específicas para que eu opine sobre ligar ou não para o pediatra.

 

TOSSE

A tosse é um importante reflexo que ajuda a remover a secreção dos pulmões e brônquios. Também é um mecanismo de defesa contra a aspiração de um corpo estranho para a traquéia ou pulmões.

É normal que uma criança tussa ocasionalmente, durante o dia, sem que isso represente uma doença ou problema. No entanto, a tosse também pode ser um sintoma de que algo não vai bem. Quando a tosse é persistente, incomoda muito à criança e a todos da casa, sendo motivo de preocupação.

A tosse em si não deveria ser tratada e sim a causa que a está produzindo. De uma maneira muito simplificada, as principais causas de tossse são:

  • infecções, incluindo o resfriado comum (resfriado comum).
  • alergias, incluindo a asma.
  • corpo estranho, que é uma tosse que se inicia após a criança engasgar.
  • hábito ou “tique nervoso”, que é uma tosse que habitualmente não acontece à noite, quando a criança está dormindo.

Apesar da tosse incomodar muito a todos e ser motivo de preocupação, não se deve usar xaropes ou remédios sem orientação médica. É importante se tentar chegar a um diagnóstico para poder dar o remédio que combata a causa e não o sintoma. Infelizmente, os remédios sintomáticos são de baixa eficácia e não deveriam ser usados em crianças menores de 2 anos porque seus efeitos colaterais superam o benefício que é muito pequeno. No Brasil não temos um controle rígido desta medicação, mas nos EUA, onde são bem mais rigorosos, não administram sintomáticos para crianças menores de 2 anos.

Quando que seria obrigatório levar seu filho ou filha com tosse, ao pediatra?

  • se seu filho ou filha tem menos de 3 meses e está com uma tosse persistente;
  • se está respirando mais rápido ou cansado, independentemente da idade
  • se engasgou e, depois, começou a tossir
  • se está com febre e seu aspecto é de que não está bem
  • se tosse tanto que vomita
  • se tosse há mais de duas semanas
  • se você está em duvida ou insegura(o)

Se a medicação sintomática não é eficaz, o que se pode fazer?

  • oferecer mais líquidos do que o habitual
  • usar soro fisiológico no nariz
  • usar um umidificador de ambiente, sem colocar nada, apenas a água e tomando os devidos cuidados para evitar algum tipo de acidente
  • oferecer comida pastosa morna, como purê de batata ou de maçã
  • oferecer uma colher de mel (não precisa ser própolis ou algum mel especial). Mas, atenção, o mel só pode ser dado a crianças maiores de 12 meses pelo risco de botulismo.
  • ter muita paciência porque a tosse costuma ser um sintoma que leva mais tempo para desaparecer, no caso de resfriados.

Se você tem duvidas sobre tosse e gostaria que as respondesse, mande suas perguntas.

PERDER O FÔLEGO

A cena é conhecida de muitos pais. Por algum motivo, o choro é inconsolável. A criança chora, inspira e chora mais forte. De repente, perde o fôlego! Para de respirar, não emite mais sons, ficando ali de boca aberta, num choro mudo e nada de respirar. Não há quem não fique em pânico. De repente, uma grande inspiração e alívio. Alguns segundos de terror.

Esta é uma situação que acontece em aproximadamente 5% das crianças entre 6 meses e 6 anos, mais frequentemente entre 12 e 18 meses. É um evento completamente involuntário e benigno. Não raro, acontece mais de uma vez com a criança.

Existem dois tipos de “perda de  fôlego”. A mais comum é aquela em que a criança fica com os labios e extremidades arrocheadas. A menos comum é a que a criança fica pálida. Indpendentemente do tipo, a criança pode ficar mole ou até perder os sentidos, por um curto período de tempo. Menos frequentemente, algumas crianças podem ter uma breve convulsão. Tanto o desfalecimento, quanto a convulsão, quando ocorrem, não deixam nenhum tipo de sequela para a criança.

Apesar dos episódios serem desencadeados por situações conhecidas, tais como: medo, cansaço excessivo, frustração etc. são completamente involuntários.

O que fazer?

  • Saber que esses episódios podem acontecer e não trazem nenhuma consequência para a criança
  • Evitar as situações que desencadeiam um choro inconsolável, como as de medo ou cansaço excessivo. As de frustração não são evitáveis, mas, eventualmente, podem ser antecipadas ou explicadas. Os pais não podem ficar tão assustados que passem a fazer todas as vontades dos filhos.
  • No início do choro, quando a criança ainda tem algum controle, tentar distraí-la mostrando outras coisas, sussurando ou colocando-a no colo, abraçando- a, eventualmente evita que o choro chegue a uma patamar onde possa ocorrer a perda involuntária do choro.
  • Se chegar até esse ponto, abraçar a criança e esperar que passe.
  • Se seu filho ficar mole ou perder os sentidos, deite-o no chão, virado de lado e espere. Deixe que ele se recupere sozinho, sem estímulos como: soprar na cara, dar um tapa ou beliscão. Assim que ele começar a se recuperar fale com ele calmamente.

As crianças que “perdem o choro” deixam de fazê-lo em torno dos 6 anos de idade. Um grande número de crianças (metade) deixam de perder o fôlego por volta dos 4 anos.

Apesar de ser uma situação completamente inócua ou benigna, informe o seu pediatra.

Esta é uma daquelas situações em que o susto, mêdo ou pânico não correspondem, felizmente, a um problema real.

Se tiver dúvidas ou comentários, por favor compartilhe-os comigo e com outros leitores do blog.

BROTOEJA

A brotoeja é uma alteração na pele, típica do calor. Por quê, com a chegada do inverno eu resolvi falar sobre uma situação que está relacionada com o calor? Porque, muitas mães, preocupadas com o frio, vestem seus filhos com roupas ou agasalhos demais. Não raro, essas crianças transpiram e apercem com umas bolinhas na pele. Como não é verão, os pais nem pensam em brotoeja. Já imaginam coisas como alergia, micoses, infecções de pele. Portanto, bolinhas que aparecem depois de um dia onde seu filho ficou muito agasalhado, pode ser uma simples brotoeja. Na dúvida, sempre procure seu pediatra.

O que é a brotoeja? Nada mais do que uma obstrução à saída do suor. Como temos glândulas sudoríparas espalhadas por todo nosso corpo, a brotoeja pode se manifestar em qualquer lugar. O mais comum é onde fica mais quente, como embaixo do queixo e no pescoço, nas costas (o bebê fica deitado e esquenta), no tronco (bebê muito agasalhado). Existem três tipos de brotoeja com aspectos diferentes entre si:

  1. Brotoeja cristalina- se manifesta com pequenas bolinhas que aparentam ter líquido claro (cristalino) dentro delas. Não apresentam nenhum sinal de inflamação (vermelho). Este tipo de brotoeja é provocado quando a obstrução do suor é bem supreficial. A foto acima é de uma brotoeja cristalina.
  2. Brotoeja rubra- se manifesta com bolinhas mas com sinais de inflamação ao redor destas (vermelho). Nesta situação, a obstrução do suor é um pouco mais profunda e está acompanhada de um reação inflamatória (foto à direita).
  3. Brotoeja pustulosa- é uma variante da brotoeja rubra, mas com muito mais inflamação e, não raro, alguma infecção.

Com exceção das brotoejas pustulosas que podem exigir tratamento mais específico, a grande maioria das brotoejas não exige tratamento algum. Basta adequar a temperatura ambiente (ar condicionado quando for o caso) ou a quantidade de roupas, para que a brotoeja desapareça em até duas semanas. Banhos tépidos podem ajudar, assim como o uso de pasta d’água ou talco líquido (atenção- nunca, em hipótese alguma, use talco em pó com seus filhos).

O melhor, como sempre, é prevenir. Evite ambientes muito quentes ou aquecidos, agasalhar demasiadamente a criança e o uso de emolientes ou pomadas que podem obstruir os dutos das glândulas sudoríparas.

Em tempo- o nome “chique” da brotoeja é miliária.

Se você tiver alguma dúvida ou comentário, envie-o para mim. Sempre gosto de saber se o que escolhi para postar é de alguma utilidade para os pais.