Arquivo | abril 2012

O MEDO EM CRIANÇAS

O medo é uma resposta emocional que faz parte do desenvolvimento normal e é essencial para a sobrevivência humana. Antes de pensarmos no medo como uma coisa ruim, precisamos nos lembrar que é, ao mesmo tempo, adaptativo e protetor. Portanto, não ter medo é muito perigoso!

As crianças normalmente têm medos. Esse medos variam de acordo com a idade e mesmo de um dia para o outro. Um objeto ou situação que era indifirente um dia, pode se tornar assustador, no outro. Precisamos nos lembar que, como adultos, não temos a imaginação de nossos filhos. Crianças possuem uma imaginação extraordinária e nós adultos não somos capazes de entender o grau de terror que as crianças podem sentir, com coisas que, por mais que nos esforçemos, somos incapazes de ver como assustadoras.  Portanto, a primeira coisa que os pais podem (e devem) fazer é não desprezar ou desqualificar o medo de seus filhos.

Os medos podem se desenvolver como uma resposta a situações reais vividas, como um acidente, um tombo, um choque, uma queimadura ou como associações de dois eventos separados como assistir a um filme assustador em dia de chuva e passar a ter medo da chuva.

Os pais devem se lembrar que, muitas vezes, são eles que incutem medos nas crianças. Frase como: o médico vai te dar uma injeção se você não comer o espinafre; faz o que a mamãe está pedindo senão o bicho papão vem te pegar, são apenas dois exemplos de coisas ditas que podem gerar medos.

Um dos primeiros medos que surge é o medo da separação dos pais. Esse medo é claramente percebido entre 1 e 3 anos, quando a criança consegue se expressar. No entanto, o medo da separação pode acontecer em bebês maiores. Muitas vezes um bebê chora à noite simplesmente porque não vê a sua mãe. Nem sempre o choro noturno de um bebê maior é fome ou fralda molhada. Muitas vezes, a simples presença da mãe ou do pai, fazendo um carinho, sussurando, embalando no colo, tranquilizam a criança e esta volta a dormir. Quando a criança é maior, ela mesmo se levanta da sua cama e vai para o quarto dos pais.  O medo da separação é um temor de que algo ruim possa acontecer com os pais e costuma se dissipar até os 5 anos.

Só reforçando o que disse a respeito do lado bom do medo, quando um bebê ou uma criança tem medo de cachorros ou de estranhos, é nitidamente uma emoção de proteção. Esses medos de proteção são compreensíveis para os pais. No entanto, crianças, porque possuem uma imaginação maravilhosamente criativa, podem ter medo de quase qualquer coisa. Os medos mais comuns são os de abandono, percebido quando a criança começa a frequentar uma creche ou escola. Algumas crianças se agarram nas mães, chorando de forma inconsolável. No seu imaginário, as mães nunca mais voltarão. Isso não é um excelente motivo para sentir medo? Crianças podem sentir medo do escuro. No escuro tudo pode acontecer, sem que seja visto. O escuro permite à imaginação povoar o espaço com coisas terríveis (e invisíveis)! O medo de bichos é outro medo comum, como algumas crianças têm medo de ruído (liquidificador, aspirador de pó etc.). Monstros e bruxas são motivos de medos fantásticos, alguns com histórias extraordinárias. Conheci um menino de 5 anos que tinha medo da “loura do espelho”. Seria uma mulher loura que sairia do espelho do banheiro para pegá-lo, à noite. Esse é apenas um exemplo da capacidade imaginativa das crianças.

O que os pais precisam saber é que medos são comuns e se dissipam com o tempo e a experiência. Sugiro que vocês tentem se lembrar de alguma situação de medo que viveram na infância, apenas para sentirem o quão criativos já foram também.

Quando a criança expressa o seu medo, não basta dizer que tal coisa não existe. É importante reassegurar a criança de que, de fato, mamãe e papai estão no quarto ao lado, de que bruxas e monstros não existem etc. Em algumas situações de medo, os pais devem ir além e dizer algo como: mesmo que existisse a tal bruxa (ou monstro), eu daria um soco no nariz dela e um pontapé no bumbum que ela fugiria correndo e nunca mais voltaria.

Muitos livros infantis falam dos medos de uma forma lúdica. Ler esses livros com seus filhos permite que o assunto do medo surja em um momento lúdico e permita que a criança fale dos seus medos, sem estar sentindo medo.

Com crianças maiores, os pais devem evitar situações que  desencadeam situações de medo. As mais frequentes são filmes na TV ou alguns jogos que, quando vistos ou jogados, principalmente antes de dormir, estimulam a imaginação criativa da criança.

Espero que os pais que lerem este post se sintam mais tranquilos com os medos de seus filhos. Me escrevam contando ou narrando os medos de seus filhos. Se tiverem perguntas, façam-nas. Tentarei respondê-las, o melhor possível.

DEVO DEIXAR MEU BEBÊ CHORAR?

Uma pergunta frequente que os pais se fazem é se devem deixar o bebê chorando ou se devem pegá-lo no colo? Existem mitos a respeito de se pegar um bebê que chora, no colo. Se pegar no colo, ele só vai querer o colo. Vai ficar mimado. O bebê precisa aprender, desde cedo, que não pode ter tudo que quer. Pior do que os mitos são algumas publicações que estimulam categoricamente os pais a deixarem seus filhos chorando, principalmente à noite, para que aprendam a dormir. Pessoalmente considero essa orientação absurda e prejudicial ao bom desenvolvimento da criança. Bebês que choram querem e precisam do colo. Nenhum colo dado com carinho e amor será prejudicial, tornará a criança uma tirana ou a transformará em mimada.

Para responder à pergunta se devo deixar meu bebê chorar, pedi à Dra. Eliane Volchan, professora no  Laboratório de Neurobiologia do Instituto de Biofisica Carlos Chagas Filho daUniversidade Federal do Rio de Janeiro que escrevesse um pequeno texto. A seguir, o texto da Dra. Eliane, que dá embasamento científico ao que nós humanos já sabíamos através da emoção.

O Choro do bebê- Dra. Eliane Volchan

Existe uma EXTENSA literatura científica sobre a vocalização de filhotes de várias espécies de mamíferos quando separados de suas mães ou de seu grupo, incluindo as regiões cerebrais envolvidas nesse comportamento (veja lista abaixo). Os filhotes tem um sistema de alarme não-aprendido que se manifesta bem cedo e sinaliza sempre que eles se separam dos adultos, enquanto que os adultos do grupo são extremamente sensíveis a esses sinais. Se assim não fosse, nossa espécie (e a de outros mamíferos) não teria sobrevivido, pois o maior risco à nossa sobrevivência é ficarmos sozinhos (particularmente as crianças)!

Recentemente, estudos mostraram em HUMANOS, que a dor da separação ativa as mesmas áreas cerebrais da dor física. Esses resultados levaram os autores a especular que a separação social equivale à dor física na sinalização de alarme para uma situação premente de perigo. Ou seja, os achados CIENTÍFICOS corroboram o bom senso demonstrando que, quando um bebê chora ao perceber sinais de separação (ausência de contato visual, auditivo e principalmente somático: contato físico corpo a corpo), seu cérebro está acionando o recurso máximo de alarme para uma ameaça à sua sobrevivência. Do mesmo modo, os adultos mais próximos são sensíveis a essa vocalização que provoca atitudes de socorrer e confortar bebê trazendo-o para perto de si e embalando-o.  A proposta de reprimir o impulso de pegar a criança no colo é, assim, absurda, pois viola umas das nossas reações mais básicas e fundamentais da nossa herança evolutiva.

Referencias:

– Eisenberger NI, Lieberman MD. (2004) Why rejection hurts: a common neural alarm system for physical and social pain. Trends Cogn Sci., 8: 294-300

– Eisenberger, N.I. et al. (2003) Does rejection hurt: an fMRI study of social exclusion. Science 302, 290-292

– Kirzinger, A. and Jurgens, U. (1982) Cortical lesion effects and vocalization in the squirrel monkey. Brain Res. 233, 299-315

– Krossa et al (2011). Social rejection shares somatosensory representations with physical pain. Proceedings of the National Academy of Sciences 108 : 6270–6275

– Lorberbaum, J.P. et al. (1999) Feasibility of using fMRI to study mothers responding to infant cries. Depress. Anxiety 10, 99-104

– MacLean, P.D. and Newman, J.D. (1988) Role of midline frontolimbic cortex in production of the isolation call of squirrel monkeys. Brain Res. 45, 111-123

– Robinson, B.W. (1967) Vocalization evoked from forebrain in Macaca mulatta. Physiol. Behav. 2, 345-354

– Stamm, J.S. (1955) The function of the medial cerebral cortex in maternal behavior of rats. J. Comp. Physiol. Psychol. 47: 21-27

Na próxima vez que o seu bebê chorar, pegue-o no colo e sinta que ambos estão felizes. Se alguém lhe disser alguma das barbaridades que são ditas por aí, repasse o texto da Dra. Eliane Volchan.

Gostaria de ouvir comentários dos pais a respeito de coisas que já ouviram com relação ao choro dos bebês. Se tiverem alguma dúvida, enviem que eu tentarei respondê-la.

QUE ESCOLA ESCOLHER? AQUELA QUE ADOTA O MÉTODO CRIANSSORI!

Essa é uma pergunta complexa porque envolve algumas outras perguntas que precisam ser respondidas, pelos pais, antes da decisão de qual escola escolher.

Minha sugestão é que os pais, antes de listar as escolas com seus prós e contras, respondam à perguntas como:

– que valores consideramos importantes e gostaríamos que a escola também os tivesse? Por exemplo, pais com uma visão agnóstica do mundo talvez prefiram que a escola seja laica.

– para quê colocamos nossos filhos na escola? Claro que o óbvio já está respondido- para aprender. Mas a pergunta é se colocam seus filhos na escola para daqui a 15 anos passarem no vestibular ou se gostariam que seus filhos aprendessem a aprender. Não são excludentes, mas também não são a mesma coisa. Em um mundo muito competitivo, passou-se a considerar uma boa escola aquela que aprova o maior percentual de alunos, nas melhores universidades. É um critério, mas não é o único.

– que valor damos à globalização e ao aprendizado de línguas? Se os pais consideram que o mundo será cada vez mais global e que as oportunidades de realização profissional não vão se limitar às fronteiras geográficas, tenderão a avaliar escolas internacionais e bi-lingues. Se, por outro lado, a visão de futuro que os pais têm é de que seu filho terá um futuro excelente, vivendo no Brasil, a questão da diversidade cultural e de línguas perde importância.

Esses são apenas alguns exemplos de conversas que os pais deveriam ter, antes de olharem uma lista de escolas. Com essas e outras perguntas, podem olhar uma lista de escolas e começar a confrontar estas com seus critérios. Se não estabelecerem critérios antes de olhar a lista, poderão ficar tentados a “flexibilizar” em função da estética, simpatia da diretora etc.

Façam uma visita às escolas que passarem por uma primeira triagem. Olhem em volta, observem as crianças, discutam com a representante da escola os seus valores e critérios e avaliem como a escola se enquadra (ou não) no que vocês esperam. Escolas são como vinhos. O melhor vinho é aquele que você gosta, não necessariamente o mais famoso ou mais caro!

Esses comentários são para a escolha de uma escola para crianças maiores. Como escolher uma boa escola para crianças entre 2 e 5 a 6 anos?

Peço licença às pedagogas para uma brincadeira. Escolham uma escola que adote o Método Crianssori. No que consiste esse método? Consiste na implementação da prática dos 3 Cs:

– Carinho

– Cuidados

– Conforto

Carinho- é algo que você observa no trato que as pessoas (todas) da escola têm com as crianças. Se reflete no ar de alegria e satisfação que  as crianças exibem. Também tem relação com o número de crianças e o número de funcionários. Existe uma relação ótima de crianças/funcionários que permite um olhar atento e carinhoso com todas as crianças. Carinho também é respeitar a individualidade da criança pequena, sem definir objetivos pedagógicos rígidos, metas etc. Evidentemente que nenhuma escola poderá dar um tratamento 100% individualizado a seu filho, mas se a cultura for de respeito a essa individualidade, ótimo.

– Cuidados- vai desde a segurança do ambiente, as instalações, a parte objetiva de alimentação, troca de fraldas e higiene, até a forma com que a escola se comunica com os pais.

– Conforto- é a existência de um ambiente com condições adequadas de temperatura, aeração, iluminação e ruído. Também inclui o material disponível para as crianças brincarem, bem como o espaço existente. Para crianças pequenas, o conforto também é a proximidade com a casa, a facilidade de deslocamento e/ou de estacionamento, se for o caso.

Portanto, espero que os pais de crianças pequenas estejam mais atentos às necessidades infantis de seus filhos, deixando a preocupação com o futuro profissional, performance, sucesso e reconhecimento, para outra etapa (aquela em que os valores da família serão fundamentais na escolha da escola). Com seu filho pequeno, o que vocês mais querem é alegria dele brincar e se divertir.

Talvez receba muitas críticas de pedagogas. Serão benvindas. Como serão benvindos os comentários e perguntas dos pais.

PS- Método Crianssori é uma brincadeira com o Método Montessori que, por sinal, é um dos métodos pedagógicos que considero interessante.

PIOLHOS!

Piolhos são um problema com que muitos pais vão se defrontar, principalmente com filhos na idade pré-escolar e escolar. Não se trata de um problema grave, mas chateia a todos e exige muita paciência para ser resolvido.

A infestação por piolhos não tem nada a ver com os cuidados higiênicos que a criança tenha. Estar com piolhos não significa que houve qualquer relaxamento nos banhos e asseio da criança.  O tamanho do cabelo não tem influência na infestação. Finalmente, piolhos não transmitem doenças.

Um outro mito que é difundido é o de que uma criança que tem mais de uma infestação por piolhos tem “baixa imunidade” ou algum “problema no sangue”. Isso não é verdade. Crianças têm uma ou mais infestações porque entram em contato com outra criança que tenha piolhos. Eventualmente, nem são mais de uma infestação, mas o tratamento inadequado ou ineficiente deixa algumas lêndeas na cabeça da criança. Estas, com o tempo, crescem, se multiplicam e o que parece ser uma nova infestação é a mesma, não totalmente tratada. Portanto, não há motivo algum para se preocupar com coisas mais graves, se seu filho ou filha tiver mais de um episódio de infestação por piolhos.

O ciclo de vida dos piolhos, de forma simplificada é:

– uma lêndea ou ovo leva 8 a 9 dias para se tornar uma ninfa. A ninfa é a forma jovem do piolho, incapaz de se reproduzir.

– Uma ninfa leva em torno de 10 dias para se tornar um piolho adulto, com capacidade de se reproduzir. Uma fêmea é capaz de por até 10 ovos (lêndeas) por dia. Uma fêmea de piolho, se não for erradicada, pode viver entre 3 a 4 semanas.

Conhecendo o ciclo de vida do piolho nos ajuda a compreender duas coisas importantes:

1- uma criança que parecia curada, pode,  1 mês mais tarde voltar a ter lêndeas, parecendo uma nova infestação. Basta que uma fêmea sobreviva para que isso ocorra.

2- as lêndeas, em geral, resistem aos medicamentos habituais. Só o pente fino ou a catação as eliminam. Por isso que o tratamento com medicamentos deve ser repetido 9 dias após a primeira aplicação. Uma lêndea que não foi catada, vai gerar uma ninfa em 9 dias. A ninfa é sensível ao medicamento. Se o medicamento for reaplicado com  7 dias, algumas lêndeas ainda não terão gerado ninfas e o tratamento corre o risco de ser ineficaz.

Como diagnosticar que seu filho está com piolho?

O sinal mais comum é a coçeira no couro cabeludo e a confirmação se dá pela visão direta de um piolho ou de lêndeas. Piolhos são pequenos e rápidos. Muitas vezes não se consegue enxergá-los. As lêndeas são mais fáceis de serem vistas porque são imóveis, ficando firmemente aderidas aos fios de cabelo (foto acima).

Como tratar dos piolhos?

Sem dúvida alguma, a catação das lêndeas é fundamental. Seja com o uso de pente fino, seja catando manualmente, este exercício de paciência e perseverança é fundamental para o sucesso do tratamento.

Que remédios usar?

Existem várias opções disponíveis. Recomendo que não faça auto medicação e procure seu pediatra para saber qual o remédio que ele recomenda e como deve ser usado. Pessoalmente, acho perigoso divulgar nomes de remédios e modo de uso, através de um blog. Peço aos leitores que entendam que é cuidado com a saúde de seus filhos. Mas, se tiverem perguntas ou comentários, ficarei muito feliz em tentar respondê-los.

 

CONSTIPAÇÃO

Uma queixa bastante comum é a de que a criança está constipada. Primeiro, vamos tentar definir o que é constipação.

Constipação é a eliminação de fezes duras ou ressecadas, com desconforto. A frequência com que uma criança vai ao banheiro não pode ser o único parâmetro para se dizer que está com  constipação. O ritmo intestinal varia de pessoa para pessoa, por isso, é mais importante prestar atenção no aspecto das fezes do que no número de dias sem fazer cocô.

Não raro, pode ocorrer constipação em momentos de transição da alimentação ou quando novidades relevantes são introduzidas na vida de uma criança, tais como: a chegada de um bebê na casa, mudança de casa, início da escola, separação dos pais etc.

Em bebês que são exclusivamente amamentados ao seio, a constipação é raríssima. Um bebê que esteja sendo amamentado, ganhando peso, pode ficar até 5 ou 6 dias sem evacuar e ser inteiramente normal. Se as fezes são pastosas, nenhuma preocupação. Agora, se um bebê, mesmo amamentado no seio, elimina fezes ressecadas, endurecidas, ou passa mais de 6 dias sem evacuar, leve ao seu pediatra para que possa ser examinado.

Crianças maiores podem ter alguma constipação quando começam a tirar a fralda e usar o vaso sanitário. Por isso, nunca forçe ou acelere a retirada das fraldas. Deixe que seja um movimento conduzido pela criança.

Quando a criança é saudável e apresenta constipação, geralmente um ciclo se estabeleceu. Medo de evacuar, retenção, fezes duras, evacuação dolorosa, medo de evacuar.

Ainda considerando que a criança seja saudável, algumas dicas de como manejar a consitpação:

1- No caso de bebês alimentados com fórmulas infantis (leite em pó), converse com seu pediatra a respeito do uso de água de ameixas. Se o bebê já está sendo alimentado com sopas e frutas, pergunte ao seu pediatra se pode acrescentar cereais à dieta, bem como um pouco de azeite extra-virgem.

2- Se assegure que seu filho está recebendo uma quantidade adequada de líquidos, por dia

3- Para as crianças maiores, que já utilizam o vaso sanitário, use uma tampa que reduza o tamanho do vaso. Muitas crianças têm medo de cair dentro do vaso e, somente por esss motivo, passam a reter as fezes, inciando o ciclo que culmina com fezes endurecidas e evacuações dolorosas.

4- Para se conseguir evacuar, é fundamental que os pés estejam apoiados. Tente evacuar sem colocar os pés no chão! Portanto, para as crianças que ainda não alcançam o chão com seus pés, use um banquinho ou uma pilha de livros.

5- A alimentação costuma ser o melhor “remédio” para a constipação. Quanto mais fibra, melhor. Fibra é o que encontramos em cereais (aveia, granola, flocos de milho etc.), legumes, verduras e frutas. Se não for tumultuar a vida da família, dê preferência a produtos integrais (arroz, pães) porque possuem mais fibras.

6- Use azeite na comida. Depois de preparada, coloque uma colher de azeite.

7- Para crianças maiores, acima de 4 anos, crie uma rotina de sentar no vaso. Em geral, depois de uma refeição, peça para seu filho se sentar no vaso. Fique com ele, conversem sobre assuntos não relacionados ao cocô, leia um livro junto. Estabeleça um tempo, em torno de 10 minutos para que fique sentado. Se não fizer nada, não comente nada. Se fizer, elogie.

8- Converse com seu filho ou filha, fora do banheiro, para entender o que está acontecendo, onde está o receio. Use historinhas para que possa perguntar o que seu filho ou filha acha que está acontecendo com o patinho que não gosta de fazer cocô, por exemplo.

9- Se o ciclo de medo, reter, dor, reter mais já se estabeleceu, recomendo que procure seu pediatra, Muito provavelmente ele vai prescrever laxativos para quebrar esse ciclo. Não dê laxativos para seu filho, sem consultar o seu médico.

Este é um assunto muito vasto e complexo, difícil de abordar em um post. Se você tiver dúvidas mais específicas, posso tentar respondê-las.

 

USAR CAPACETE É O MAIOR MICO?

Será que usar um capacete para andar de bicicleta é o maior mico? Ou talvez seja algo muito feio e incômodo? Pode ser que seja um mico ou que seja feio e incômodo. Pouco importa, seu uso pode fazer toda a diferença no caso de um tombo ou acidente de bicicleta.

O fato é que não possuímos boas estatísticas de acidentes no Brasil. Nos EUA, o ciclismo é a principal causa de lesões esportivas recreacionais, atendidas nas emergências. Em 2007, dos 500 mil atendimentos por acidentes com bicicletas, 50% foram de crianças menores do que 16 anos. Alguns desses acidentes podem ser fatais e 2/3 das fatalidades ocorrem por traumatismo craniano.

O CAPACETE PODE PROTEGER ATÉ 88% DAS LESÕES CEREBRAIS GRAVES DECORRENTES DE COLISÕES OU QUEDAS DE BICICLETA.

Apesar disso, em geral, crianças não usam capacetes e adolescentes são particularmente resistentes a seu uso. A seguir, algumas sugestões:

1- Dê o exemplo, use capacete. Fica muito mais difícil se cobrar um comportamento se nós, adultos, não o praticamos. Nosso exemplo é mais forte do que qualquer argumento que possamos usar.

2- Comece cedo. Assim que seu filho começar a andar na cadeirinha da sua bicicleta ou mesmo de triciclo, institua o hábito de usar o capacete. Quanto mais cedo se introduz este comportamento, maior as chances de adesão.

3- Sem capacete, não tem bicicleta. Seja consistente e firme. Se a regra é para ser cumprida algumas vezes e não outras, as chances de conseguir a adesão da criança diminuem muito. Qualquer passeio de bicicleta, por mais curto que seja, só pode acontecer se a criança estiver usando seu capacete.

4- Tamanho certo e posição correta. Compre um capacete que caiba corretamente na cabeça do seu filho. Diferentemente de algumas roupas, não compre um “maior” porque ele vai crescer. Além do tamanho, a posição do capacete deve ser correta. Veja a figura ao lado.

5- Caiu, trocou. Se o seu filho cair usando o capacete e este sofrer algum impacto, mesmo que não perceba nenhuma avaria no capacete, a recomendação é a de trocá-lo. Mesmo impactos que não produzem alterações visíveis no capacete podem prejudicar a sua capacidade de proteção.

Finalmente, segurança é uma daquelas situações onde se usar a probabilidade ou estatística pode produzir um problema enorme para a vida dos pais e crianças. Quando um acidente acontece, pouco importa se a probabilidade era pequena. Naquele momento, passou a ser 100% para você e seu filho. Não corra riscos desnecessários. Um simples capacete, que não é caro, pode fazer toda a diferença na vida da sua família. Pense nisso na próxima vez que forem passear de bicicleta. Todos de capacete!

Se tiver algum comentário ou dúvida, por favor me envie. Tenterei responder o melhor possível.

IOGA PARA ADOLESCENTES

Uma das caracterísitcas da adolescência é a flutuação de humores. Um dia ótimos, no dia seguinte, um horror! Tudo é muito intenso nessa fase da vida.

Alguns pesquisadores americanos resolveram avaliar o efeito da ioga no bem estar de adolescentes do segundo grau. Acompanharam 51 jovens, por dez semanas. Um grupo passou a fazer aulas de ioga, enquanto outro grupo continuou fazendo aulas regulares de educação física.

No início do estudo, todos foram avaliados com questionários e testes onde o humor, ansiedade, raiva e outras emoções foram classificadas. Ao final do estudo, repetiram os testes e constataram que o grupo que fez ioga apresentou resultados melhores do que o grupo que não fez. Além disso, 75% dos adolescentes que fizeram ioga gostaram da atividade e manifestaram o desejo de continuar.

Este estudo foi publicado no Journal of Developmental and Behavioral Pediatrics e uma das autoras declarou: ” Ioga pode ter um efeito preventivo na saúde mental de adolescentes”.

Pessoalmente, acho que o estudo acompanhou poucos jovens, por pouco tempo. Também não estou convencido do valor dos testes a que os adolescentes foram submetidos. No entanto, independentemente destas restrições pessoais, achei interessante divulgar o estudo, mais para lembrar aos pais que, para alguns adolescentes, a ioga pode ser uma prática muito benéfica.

Se você tem alguma experiência com ioga para adolescentes, seja como mãe ou pai ou ainda como alguém que dá aulas para adolescentes, gostaria de receber seus comentários.