Arquivo | fevereiro 2012

ESTIMULANDO O HÁBITO DE LER EM CRIANÇAS

É através da leitura que conseguimos ter acesso ao conhecimento. Evidentemente que a tradição oral e as manifestações culturais nos dão acesso a aspectos relevantes da nossa história. A questão é que, sob o pretexto de um tempo corrido, de uma voracidade pelo simples e rápido, progressivamente  estamos perdendo o hábito de ler. A seguir, algumas dicas que poderão ajuda-los a desenvolver o hábito da leitura nos seus filhos:

1-      Fale, cante, recite poesia, conte histórias, para seu bebê.

2-      A partir de 6 meses, dê livros de plástico para seu bebê, morder, atirar, bater contra o chão.

3-      Também a partir de 6 meses, comece a ler para seu filho ou filha. Coloque ele ou ela no seu colo, abraçando gostosamente e leia uma história. Certamente não vai entender nada, mas vai achar uma delícia o som e ritmo da sua voz.

4-      A partir de um ano, deixe seu filho escolher o livro que quer ler, mesmo que seja o mesmo, todos os dias.

5-      Separe um tempo, todos os dias para ler uma história.

6-      Não fique testando seu filho com perguntas- que cor é essa? Que bichinho é esse? Simplesmente leia e aponte.

7-      Pare a leitura ao menor sinal de fadiga ou desinteresse. Esse momento tem que ser muito prazeroso, para ambos.

8-      Quando seu filho começar a ler, não o corrija. Se a palavra lida tiver o mesmo sentido que a escrita (trocar cão por cachorro, por exemplo), deixe passar. Se for uma troca que não faça o menor sentido, peça para repetir a frase porque você não entendeu bem.

9-      Olhe as figuras e peça para seu filho nomear as imagens.

10-   Ao ler, use entonações diferentes, simule a voz de bichos, criando uma atmosfera que desperte mais interesse na criança.

11-   Mantenha livros no quarto de seus filhos, bem como um local confortável e uma iluminação adequada.

12-   Visite livrarias com seu filho.

13-   Mesmo depois que seu filho aprender a ler, continue lendo para ele. É mais fácil para uma criança compreender uma história ouvindo do que lendo. Assim, poderá ir aumentando a complexidade das histórias lidas, deixando as mais simples para a leitura da criança.

14-   Elogie o esforço e a leitura. Demonstre orgulho do progresso de seu filho ou filha.

Não se esqueça de que é impossível abordar todos os tópicos em um blog. Se tiver dúvidas, deixe um comentário.

UM BEBÊ CHEGOU! E O PAI, O QUE PODE FAZER?

A gravidez é uma situação em que o casal compartilha as novidades que estão acontecendo no corpo da mulher e, ao mesmo tempo, planejam e fazem coisas juntos, preparando a chegada do bebê. Nessa fase, ainda que o bebê exista e possa ser sentido na barriga da mãe ou visto na ultrassonografia, ainda é um “convidado que não chegou”. Com a chegada do bebê, o que eram duas pessoas, se tornam três e a relação, subitamente, sofre uma enorme mudança. A mãe o bebê estabelecem um vínculo fortíssimo, que só tende a crescer com o amamentar e o cuidar. As atenções, pensamentos e preocupações da mãe parecem ser exclusivamente voltados para o seu bebê. Nada mais natural, a fêmea cuidando da sua cria. No entanto, para o pai, este é um momento estranho. Ele  não consegue entender direito qual o papel dele. A sua mulher não lhe dá  mais a mesma atenção e o bebê ainda não o reconhece. Fica o pai ali, meio perdido, sem saber o que fazer, nem como ajudar.

1- Compreenda que este é um momento fundamental para a saúde e bem estar do seu bebê. Por isso, não só aceite, como incentive esse cuidar que a mãe tem pelo filho.

2- Não se sinta excluído, nem procure competir com o seu bebê, pela atenção da sua mulher. Você tem um papel fundamental neste momento que é o de proteger mãe e filho das ameaças externas.

3- As ameaças externas não são mais tigres nem leões da floresta! Hoje, essas ameaças são a quantidade de informação e, pior, informação errada, que bombardeia a mãe, gerando insegurança. Seu primeiro papel é, portanto, de protetor, como se dissesse para sua mulher: “cuida bem do bebê que eu estou cuidando para que nada os atrapalhe”. Se uma avó ou vizinha começa a inventar muita história e deixar sua mulher insegura, é hora de limitar visitas e tranquilizar a mãe.

4-Troque as fraldas do seu bebê. Um ótimo momento para você ficar perto, tocar, sorrir, falar e, ao mesmo tempo, ajudar a mãe a descansar um pouco.

5- Ajude nas tarefas da casa, para que a mãe possa estar mais descansada para cuidar do bebê. Coisas que você não fazia habitualmente, podem ser de grande ajuda. Como, por exemplo, arrumar a casa, varrer, fazer as compras, cozinhar, lavar pratos e roupas. Enfim, tudo que puder deixar a sua mulher mais tranqüila e descansada será uma belíssima forma de você estar participando do crescimento e desenvolvimento saudável do seu bebê.

6- Acompanhe sua mulher e o bebê às consultas com o pediatra ou às vacinas no posto de saúde. Você provavelmente estará mais calmo e poderá ouvir o que o médico ou enfermeira tem a dizer. Assim, mais tarde, poderá repetir o que ouviu, ajudando a mãe a ficar mais tranqüila ou orientando-a a fazer como foi sugerido.

7- Na hora da mamada, verifique se a mãe está confortável. Veja se está com sede (por causa de um hormônio que é liberado durante a mamada, muitas mulheres sentem sede nessa hora) e ofereça água. Garanta que o ambiente esteja tranqüilo e convide as visitas ou irmãos a se afastarem, deixando a mãe o bebê bem calminhos.

8- Ajude a mãe na hora de colocar o bebê para arrotar. Você pode fazer isso.

9- Converse com a sua mulher sobre suas preocupações, dúvidas e aflições. Ouça com calma e carinho e ajude-a a se sentir segura. Lembre-se que as mães sabem o que deve ser feito. Muitas vezes elas não acreditam nisso. Sua função é, também, lembrá-las dessa capacidade que toda mulher tem.

10- Se o seu bebê começar a chorar muito, de forma inconsolável, não entre em pânico. Sua mulher já vai estar assustada e você precisa ter um pouco de controle. Depois de verificar se o bebê não está com fome, frio, calor ou algum desconforto, pegue-o no seu colo, muito calmamente e o abrace com firmeza. Às vezes os bebês precisam sentir que estão amparados. Tenha paciência e aguarde um pouco. Não tente abraçar por 30 segundos, balançar por mais 30 segundos, colocar no berço 30 segundos, colocar no carrinho 30 segundos. Abrace com firmeza por uns 5 minutos. Geralmente funciona.

11- Sempre que puder, converse com o seu bebê. Sorria, faça caretas, fique próximo. Apesar da relação com a mãe ser a mais forte, neste momento, sua presença, seu toque físico (experimente a delícia que é colocar o seu bebê, só de fraldas, deitado sobre o seu peito), são muito importantes também

12- Seja extremamente paciente com a sua mulher. Nos primeiros dois meses de vida do bebê, ele pode estar “uma pilha” de nervos, cheia de preocupações e medo. Cabe a você, nesta etapa, ser mais paciente e tolerante.

13- aproveite cada momento dessa fase. Passa muito rápido e é uma experiência única na vida de um homem. Não espere seu bebê crescer para curti-lo.

AMAMENTANDO SEU BEBÊ

 

Amamentar é poder oferecer ao seu bebê o melhor alimento que existe para ele. Não só oferece todos os elementos para uma nutrição saudável, como permite uma relação de carinho e proximidade com você que é muito importante. Idealmente, o leite materno deveria ser o único alimento do seu bebê, até os 6 meses de idade. Quando um bebê  mama no peito da sua mãe, não precisa nem de água ou chá. O leite materno é completo.

Logo nos primeiros dias depois do nascimento do seu bebê, o que vai sair do seu peito é um líquido mais claro, aguado. Esse líquido chama-se colostro e é muito nutritivo. Não se impressione pela aparência, fique tranquila que o colostro é exatamente o que o seu bebê precisa, nesses primeiros dias.

Depois, você sentira seu peito inchando e enchendo e vai perceber que o líquido ficou branco. Apesar do leite materno ser branco, ele pode variar um pouco na sua tonalidade e até na espessura, dependendo de ser o início ou o final da mamada e, também, do que você coma.

Em princípio, não há dieta para uma mãe que esteja amamentado. O importante é se alimentar bem e beber bastante líquido. Não use medicamentos, sem consultar antes um médico. Se tiver alguma dúvida quanto ao seu leite ou como amamentar, consulte seu médico ou mande um comentário.

Algumas dicas:

1-    Durante a gravidez não há necessidade de preparo do seu peito. Não adianta nada usar cremes ou óleos para massagear seu peito. Economize seu dinheiro para comprar fraldas e roupinhas.

2-    Se você quiser e puder, deixe seu peito pegar 15 minutos de sol, pela manhã, antes das 10h, durante a sua gravidez.

3-    Sua posição para amamentar- qualquer posição serve, desde que você esteja bem confortável e relaxada.

4-    A posição do seu bebê- sempre de frente para você, “barriga com barriga”. Apóie o bebê bem juntino ao seu corpo e não deixe a cabeça dele tombar.

5-    O bebê deve abrir bem a boca. Para isso você pode estimulá-lo com o dedo ou com seu peito. Os lábios do bebê devem cobrir aquela parte redonda, mais escura do seu peito, chamada de aréola. Se o bebê pegar apenas no seu bico, ele não consegue mamar tudo que precisa, reclamando de fome toda hora (você vai pensar que tem problema com o seu leite, mas o problema é com o jeito de pegar o seu peito. Seu leite nunca terá problema!), além de poder machucar o seu bico. Fique atenta se os lábios do seu bebê estão voltados para fora (boca de peixe).

6-    Ofereça o peito ao seu bebê, sem horários fixos. Deixe que ele regule as mamadas de acordo com as suas necessidades. Ofereça um peito e espere que ele o esvazie. Depois, ofereça o outro. Na próxima mamada, começe por este segundo peito.

7-    Quando o bebê tiver terminado de mamar ou quando você quiser mudar de peito, não puxe o bebê pelo corpo. Isso pode ferir o seu bico. Coloque um dedo no canto da boca do bebê e, delicadamente, estimule. Quando ele abrir a boca, retire seu peito.

8-    Se o seu bico ficar dolorido ou rachado, preste atenção se seu bebê não está só pegando no bico. A  maioria das vezes em que o bico fica machucado é porque o bebê não está com a boca aberta cobrindo a parte redonda, mais escura do peito (aréola).

9-    Se o bico rachar, não passe cremes, pomadas, óleos, remédios ou frutas. Passe o próprio leite no bico e exponha o peito ao sol, até as 10h da manhã, por 15 minutos.

A SAÚDE DOS ADOLESCENTES

Muitas vezes os adolescentes ficam em um certo limbo, com relação aos cuidados médicos. Alguns não se sentem confortáveis em continuarem a ser atendidos por seus pediatras porque não querem, com razão, serem tratados como crianças. No entanto, ainda não são adultos e ficam desconfortáveis em procurar um clínico.

Para as meninas essa questão existe, mas, com frequência, uma ginecologista acaba também cumprindo o papel de uma clínica geral, orientando e cuidando de aspectos não só ginecológicos.

Felizmente, a grande maioria dos adolescentes é saudável e simplesmente deixam passar esse período, sem fazer nenhuma consulta médica, até que se sintam confortáveis para procurar um clínico.

No entanto, existem algumas particularidades da adolescência que justificariam uma consulta com um médico que conhecesse bem essa faixa etária. Normalmente esse médico é um pediatra que tenha conhecimento e interesse nesse grupo. O melhor cenário é quando o adolescente se sente bem com seu próprio pediatra.

Alguns pontos que são específicos da adolescência e que deveriam ser discutidos com o médico:

– avaliação física periódica (anual) . Nessa consulta seria medido o peso, altura, pressão arterial, índice de massa corporal.

– avaliação laboratorial. Ao menos  um hemograma e lipidograma deveriam ser feitos, nessa faixa de idade. Dependendo da história pessoal e familiar, bem como do exame físico, outros exames de laboratório poderia ser solicitados.

– revisão das vacinas. Achamos que vacina é só coisa de criança. No entanto, adolescentes precisam ser lembrados de algumas vacinas como: reforço da anti-tetânica, HPV (papiloma vírus), hepatite A e B (se não foram vacinados ainda) e gripe (anual).

– conversar sobre o desenvolvimento do corpo, alimentação e exercícios saudáveis, sexualidade, uso de álcool e outras substâncias, auto estima, aproveitamento escolar e qualquer outro assunto que o adolescente queria discutir. Essa conversa deve ser somente com o adolescente, sem a presença dos pais e com um acordo de confidencialidade previamente estabelecido.

Muitas doenças da vida adulta podem ser evitadas ou minimizadas por um bom acompanhamento médico dos adolescentes. Não só isso, mas oferecer um espaço onde se sintam acolhidos, sem preconceitos, e que possam falar livremente sobre suas preocupações, inseguranças naturais, mitos e crendices,  pode contribuir para uma vida mais feliz.

DENTES NASCENDO

Normalmente os dentes começam a nascer entre os 4 e 7 meses de vida do bebê. Mas, lembre-se que em algumas crianças os dentes podem começar a aparecer mais cedo ou mais tarde, sem que isso seja um problema.

  1. Nos dias que precedem o aparecimento dos primeiros dentes, você pode notar o seu bebê um pouco mais irritado. Isso não é uma regra e muitas crianças não mudam seu humor.
  2. A genviva ao redor do novo dente pode ficar inchada e sensível
  3. Alguns bebês babam um pouco mais no período em que os dentes vão surgir
  4. O bebê sente vontade de morder coisas mais duras
  5. Geralmente os primeiros dentes são os incisivos (da frente)- de cima ou de baixo.
  6. Uma pequena febre, até 38,3° C pode ocorrer. Atenção: se seu bebê tiver temperaturas mais altas do que 38,3°C ou parecer doente, inconsolável, NÃO PENSE QUE  SÃO OS DENTES. PROCURE UM MÉDICO.
  7. Para aliviar o desconforto da gengiva você pode oferecer um mordedor de borracha. Não o coloque no congelador porque vai ficar frio e duro demais.
  8. Após lavar bem as mão, massageie a gengiva com seu dedo, sem usar nenhum produto. Os produtos que existem para aliviar a dor dos dentes que estão nascendo tem um tempo de duração muito curto e você pode correr o risco de usar demais, causando problemas para seu bebê.
  9. Geralmente o aparecimento dos dentes não exige que se dê remédio para dor pela bôca. Se você acha que sua criança está com uma dor que mereça remédio (ou uma febre alta), não deve ser dos dentes. Leve-o ao médico.
  10. Assim que os dentes nascerem, começe a prevenir a cárie escovando-os. Você pode usar uma escova ultra macia para recém nascidos, sem nenhuma pasta de dentes. Caso queira usar uma pasta de dentes, escolha uma específica para recém nascidos, SEM FLUOR.
  11. Ainda para evitar cáries e outros problemas(otite), nunca deixe seu bebê mamar deitado e/ou adormercer depois de mamar. Sempre escove seus dentes

SOBREPESO E OBESIDADE

Talvez a função mais importante de um pediatra seja a de contribuir para a prevenção de doenças. Tanto na própria infância, quanto na fase adulta. O que me dá mais prazer na minha clínica é saber que estou contribuindo para a manutenção da saúde, no longo prazo, dos meus pacientes.

Assim, quando os pais mantêm um calendário vacinal em dia, ou fazem seus filhos usarem adequadamente cintos de segurança, capacetes e outros equipamentos de proteção, estão prevenindo problemas e preservando a saúde das suas crianças.

Um tema extremamente complexo e muito falado é o da obesidade e do sobrepeso, inclusive na infância e adolescência. Estamos vivendo uma epidemia de obesidade infantil no mundo e o Brasil não é diferente. Como não é uma situação que coloque em risco visível a saúde da criança e envolve variáveis muito difíceis de serem controladas, não assumimos, como deveríamos, um comportamento mais enérgico e eficaz na prevenção da obesidade.

Como toda ação de prevenção, há uma resistência natural em se tomar medidas e iniciativas, se o problema não é visível. Como sequer temos a certeza de que o problema ocorrerá, sempre imaginamos que conosco ou nossos filhos, não ocorrerá.

Mas o fato é que a obesidade ou sobrepeso na infância aumenta, em muito, a probabilidade do aparecimento de doenças, muitas delas graves ou que têm o potencial de reduzir o tempo de vida dos seus portadores. Duas se destacam: doenças cardiovasculares e o diabetes. Crianças gordas têm uma probabilidade muito maior de sofrerem, na vida adulta, de hipertensão arterial, aterosclerose, infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral e diabetes do que crianças com o peso dentro da normalidade. A aterosclerose é uma doença que hoje já sabemos que se inicia na infância! Além dessas doenças, crianças obesas poderão sofrer de problemas ósseos e articulares, ainda na infância. Muitas doenças respiratórias são causadas ou pioram em crianças acima do peso. Doenças de pele tendem a ser mais comum em crianças obesas.  A obesidade infantil pode diminuir a autoestima da criança, gerando insegurança, isolamento e um leque de comportamentos que podem ser responsáveis por dificuldades relevantes na adolescência e na vida adulta.

Ao listar, de forma resumida, os riscos envolvidos com a obesidade infantil, eu gostaria de alertar a todos para o fato que gordura corporal não é algo banal ou para ser desprezado. Não basta ficar torcendo para que: “quando crescer, emagrece”.  Evidentemente que com os estirões do crescimento, ocorrem emagrecimentos. Mas não devemos depender disso.

Excluindo os poucos e raros casos onde a obesidade é produzida por uma doença, a grande maioria dos casos ocorre porque a quantidade de energia acumulada através da alimentação é muito superior à gasta nas atividades físicas. Basicamente é este desbalanço entre a quantidade de energia que entra e a que é utilizada, que produz obesidade.

O tratamento seria fácil! Basta comer menos e gastar mais. Ocorre que nós humanos não somos máquinas. A alimentação, desde tempos remotos, se reveste de múltiplas características ou funções. A menos importante talvez seja a nutricional em si. É através da alimentação que a maioria das culturas expressa carinho, interesse e afeto. As refeições, em geral, são eventos de socialização e não apenas “paradas para encher o tanque”. É no jantar que a família se encontra, compartilha bons momentos, conta o que fez durante o dia, faz programações, chama a atenção para comportamentos insatisfatórios, enfim, um momento em que a comida é uma coadjuvante. Claro que quanto mais gostosa e saborosa, mais um motivo para permanecerem à mesa. Portanto o primeiro problema é relacionado às múltiplas finalidades sociais da comida e refeições. O segundo grande problema é a relação individual que estabelecemos com a comida. O prazer e a saciedade que esta gera em cada um de nós é determinante para que estabeleçamos um padrão de alimentação individual. O terceiro problema é de ordem econômica. A pressão que a indústria alimentícia faz é no sentido de que consumamos, cada vez mais, alimentos industrializados. Nem sempre estas escolhas são as mais saudáveis. O quarto problema é sócio-econômico-cultural. Com ambos os pais trabalhando fora, fica ainda mais difícil se garantir uma boa educação alimentar. Esta ausência, muitas vezes busca ser compensada com uma tolerância maior por guloseimas e ‘bobagens “. Finalmente, um outro problema é o da tecnologia versus atividade física. Controles remotos, janelas automáticas, televisores ou computadores em cada quarto, contribuem para um padrão de imobilidade que é totalmente diferente da mobilidade das crianças cujo laser era essencialmente ao ar livre. Há uma correlação direta entre o número de horas em que uma criança fica assistindo TV ou diante de um computador e obesidade ou sobrepeso. Quanto maior o número de horas, maior a probabilidade de desenvolvimento de obesidade. Junte os fatores todos, misture e veja como é complexa essa situação. Isso do lado do consumo de energia.

Quanto à atividade física, esta exige muitas vezes uma logística que nem todos os pais podem oferecer a seus filhos. Muitas crianças farão a atividade física da escola e, eventualmente, nos finais de semana. Portanto, na ponta de gastar energia, também temos dificuldades práticas.

Para tornar o problema ainda mais complexo, um estudo publicado  na New England Journal of Medicine, uma das mais prestigiosas e sérias publicações médicas, revela que a obesidade é como uma doença contagiosa! Acompanharam 12.067 pessoas de 1971 a 2003 (em um estudo famoso-Framingham Heart Study) e concluíram que além dos aspectos biológicos e comportamentais envolvidos, a obesidade se difundia através de relações sociais. Dito de outra forma, a probabilidade de uma pessoa se tornar obesa aumentava em 57% se esta tinha um amigo ou amiga obeso. Se um membro do casal se tornasse obeso, o outro teria uma chance 37% maior de se tornar obeso também.

Eu poderia simplesmente fazer uma lista tradicional, dessas que aparecem de tempos em tempos na imprensa, contendo os seguintes tópicos:

– coma menos, coma mais legumes, vegetais e frutas, como mais comida “caseira” e menos industrializada.

– se exercite mais

– reduza o teor de gordura da sua alimentação, eliminando a gordura trans.

– faça mais refeições por dia, nunca permanecendo longas horas em jejum.

– prefira carboidratos complexos (farinhas integrais)

– não faça dieta, aprenda a comer para a vida.

Esta lista, genérica, serve também para as crianças. Com estas devemos ter cuidados específicos como não restringir em demasia as calorias e, principalmente, não tornar a alimentação em um momento de desprazer.

Mas a lista que eu considero a mais importante, a que me deixará com a consciência mais tranqüila de ter tentado contribuir para a manutenção da saúde de seus filhos, meus pacientes, seria assim:

– obesidade mata Quem é obeso morre mais cedo e/ou vive pior.

– obesidade se previne na infância

– a prevenção da obesidade exige o envolvimento de toda a família, incluindo os empregados da casa.

– esse envolvimento passa, obrigatoriamente, por uma revisão e eventual mudança, de hábitos alimentares de toda a família.

– novos hábitos exigem disciplina. Do mesmo modo que escovamos os dentes todos os dias, um hábito disciplinar, ou nos exercitamos regularmente, assim deve ser encarada a mudança de hábito alimentar.

– existe muita invenção e mitologia em torno da alimentação e alguns alimentos em especial. Não existe mágica, nem truques. Alimentação diversificada, balanceada, com porções adequadas de proteínas, carboidratos e gorduras.

– pais e mães deveriam levantar o tema nas escolas, introduzindo cardápios mais saudáveis, principalmente nos lanches.

– pais e mães deveriam fazer um pacto para que as festas infantis passem a servir comidas mais saudáveis e não, como diz um cliente e amigo, verdadeiras bombas calóricas.

Finalmente uma palavra de alívio, antes que achem que o Dr. Roberto Cooper se tornou o novo xiita da alimentação. Entre o extremo de uma alimentação desregrada e o de uma alimentação orgânica restritiva, existe uma enorme margem para que possamos comer com prazer, descontraídos e sermos saudáveis. Cachorros quentes e brigadeiros ocasionais, serão muito bem vindos. Mas não como regra,

Para as famílias que efetivamente desejam uma mudança de hábitos alimentares, uma vez tomada a decisão, o melhor a fazer é buscar informação correta. Eventualmente a prescrição de um nutricionista experiente e sensato facilitará em muito a vida da família.

E eu, como sempre, estou à disposição para conversar com vocês sobre este ou qualquer outro tema relacionado à manutenção da saúde de seus filhos.

O PRATO SAUDÁVEL

Cada vez mais nos preocupamos com a qualidade da nossa alimentação. No entanto, nem sempre é fácil lembrar de como devemos montar um  prato saudável. Até muito recentemente havia uma pirâmide alimentar que dava uma orientação razoável. Esta pirâmide foi substituída pelo “ prato saudável” que apresentamos abaixo.

1-      Metade da sua refeição deve ser constituída de verduras, legumes e frutas.

2-      Um pouco mais de um quarto da refeição deve ser de grãos (arroz, pão, aveia). Destes, idealmente metade deveriam ser integrais.

3-      Um pouco menos de um quarto da refeição deveria ser de proteína, com preferência por peixe ou frango (sem pele).

4-      Uma boa refeição deve incluir uma porção de leite ou um de seus derivados.

5-      Deveríamos evitar: sal, gorduras saturadas ou trans, açúcar, fast-food e grãos refinados

6-      Deveríamos comer  mais: peixes, grãos integrais, azeite, leite desnatado e queijos com baixo teor de gordura, frutas e legumes, proteínas sem gordura.

Esta deveria ser a base da alimentação da família. Assim, as crianças conviveriam com uma cultura alimentar saudável, muito importante na prevenção de doenças da vida adulta como: obesidade, hipertensão, aumento do colesterol, diabetes tipo 2 e algumas formas de câncer.

Veja a representação de um prato saudável e bom apetite!